domingo, 21 de setembro de 2014

The Smashing Pumpkins – Vieuphoria (DVD/VHS – 1994)

Por Rafael Menegueti

The Smashig Pumpkins - Vieuphoria
Os norte-americanos do Smashing Pumpkins eram um das bandas do momento em 1994. Seu segundo disco, “Siamese Dream”, havia tornado a banda um sucesso mundial e lançado hits como “Today”, “Disarm” e “Cherub Rock”. A banda estava em completa ascenção e prestes a atingir o alge de sua popularidade, que viria junto de seu álbum seguinte, “Mellon Collie & The Infinite Sadness”. Mas antes disso, a banda lançou um filme onde mostra um pouco de seu universo particular e seu talento ao vivo.

“Vieuphoria” não é uma simples coletânea de bootlegs. O vídeo lançado originalmente em 1994, e relançado em 2002 em DVD é um passaporte para o interior da mente dos músicos através de uma mistura de vídeos raros com apresentações ao vivo, em programas de TV ou acústicas, misturados a uma serie de curtas cômicos caseiros estrelados pela banda. Tudo obviamente ainda na fase inicial do grupo, gravado durante as turnês de divulgação dos dois primeiros discos da banda.

Aqui podemos ver claramente como o inicio da historia do grupo veio com um sucesso meteórico graças a “Siamese Dream”, em performances realizadas em casas de shows lotadas, onde toda a fúria da banda em sua forma inicial se fazia presente. Começando por “Quiet”, gravada em Atlanta, e passando para uma versão pesada de “Disarm”, gravada na TV inglesa bem diferente da faixa que estamos acostumados a ouvir do disco. A fúria alternativa no rock do grupo se faz presente em “Today” e na incrível “I Am One”, em uma ótima apresentação em Barcelona.

Mais momentos de grande energia ao vivo da banda podem ser vistos em faixas como “Slunk” e “Geek U.S.A.”, gravadas na TV, além de uma memorável execução de “Silverfuck” em Londres. “Mayonaise”, e “Cherub Rock” aparecem em versões acústicas, bem descontraídas, principalmente a primeira, que vem com uma colagem de imagens da banda feitas em diversos momentos.


O vídeo é repleto de vinhetas, além das já ditas atuações cômicas em vídeos caseiros, a banda fala um pouco sobre como o grupo surgiu, uma breve entrevista com Butch Vig, produtor de “Siamese Dream”, durante um making of do álbum, além de algumas experiências sonoras e outras doideras, como Bugg Superstar, um vídeo que mostra o cachorro do guitarrista James Iha e também do vídeo “Meet the Frogs”, um pequeno curta (meio malfeito) falando sobre a banda The Frogs, parceira dos Pumpkins em muitos momentos do inicio da carreira do grupo.

A versão DVD ainda inclui como bônus uma apresentação da banda de 94, encontrada por Billy Corgan pouco antes do lançamento em DVD, com faixas dos dois primeiros discos da banda. “Vieuphoria” é um mateiral obrigatório para qualquer fã do grupo de Chicago, pois mostra a banda em sua formação original, com sua veia criativa e energia inicial no máximo, em uma serie de performances raras e momentos íntimos que tornam esse um filme especial para conhecer a banda em seu inicio.

Nota: 8,5/10
Status: Nostalgico

Faixas:
1."Quiet" (live in Atlanta, 1993)         
2."Disarm" (live on English TV, 1993)          
3."Cherub Rock (Acoustic)" (live on MTV Europe, 1993)   
4."Today" (live in Chicago, 1993)     
5."I Am One" (live in Barcelona, 1993)        
6."Soma" (live in London, 1994)       
7."Slunk" (live on Japanese TV, 1992)        
8."Geek U.S.A." (live on German TV, 1993)           
9."Mayonaise" (acoustic – live everywhere, 1988-1994)    
10."Silverfuck" (live in London, 1994)

Bonus ao vivo:
1."Quiet"
2."Snail"
3."Siva"
4."I Am One"
5."Geek U.S.A."
6."Soma"
7."Hummer"
8."Porcelina"
9."Silverfuck"

sábado, 20 de setembro de 2014

Backbeat – Original Motion Picture Soundtrack (1994):





Por Davi Pascale

Há pouco tempo atrás, escrevi sobre uma coletânea de rock baiano, onde comentei o fato de algumas coletâneas serem muito interessantes para os colecionadores por conterem gravações raras, não obedecendo a lógica do hit do momento. Trilha sonora também tem muito disso. A galera mais nova talvez tenha a ideia de que trilha sonora seja uma compilação onde misturam canções que aparecem no longa com outras que não aparecem para criar volume e acabam incluindo alguma faixa inédita de um grande nome para alavancar venda. Mas, na verdade, muitas trilhas são originais. Ou seja, com canções feitas especialmente para o filme. Ou nesse caso, gravações feitas para o filme...

Em 1994, chegava aos cinemas um filme que contava os anos iniciais dos Beatles. Filmaço. Não era focado no histerismo, na superexposição, nada disso. Era exatamente o oposto. Mostrava a história de uma banda lutando para chegar a algum lugar. Os músicos dormindo feito porco, tocando por horas e horas para ganhar algumas migalhas... Enfim, todo o sofrimento que todo mundo que tem ou já teve uma banda tem uma noção. Só que essa banda viria a se tornar uma das bandas mais influentes do rock e do pop. O que torna a película mais do que atraente. Para um grupo que criou fama de bons rapazes, chega a ser hilário vermos um dos garotos sendo deportado da Alemanha por ser menor de idade e estar vivendo lá ilegalmente, os músicos brigando por garotas e enchendo a cara, etc etc etc. 

Quando chegou ao cinema, completava-se 30 anos da chamada beatlemania. O filme não poderia vir em momento mais apropriado. Também era o ano em que o rock alternativo estava dominando as paradas. Bandas como Pearl Jam, Nirvana, Sonic Youth, Alice In Chains, Soundgarden eram ídolos da garotada. E o que temos aqui? Músicos dessa cena alternativa interpretando canções que fizeram parte do repertório dos garotos de Liverpool.  Ou melhor, era focado nos covers que executavam. Para quem não sabe, os Beatles gravaram diversos covers durante sua carreira. E nesse estágio inicial, era ainda mais comum. Quem já ouviu o mitológico Live At The Star-Club Hamburg, 1962 sabe do que estou falando.

Dave Grohl durante gravação do disco

Foi criada uma banda para registrar o áudio que iria para o filme. Os músicos não apareciam no longa, somente na trilha mesmo. A Backbeat Band, como ficou conhecida, era formada por Dave Pirner (Soul Asylum) e Greg Dullin (The Afghan Whigs) nos vocais, os guitarristas Thurston Moore (Sonic Youth) e Don Fleming (Gumball), além de Mike Mills (R.E.M.) no baixo e Dave Grohl (Nirvana) na bateria. A trilha fez sucesso. Dois clipes foram parar na MTV (“Please Mr. Postman” e “Money”) e chegaram a se apresentar, inclusive, nas premiações da emissora.

Temos aqui um grupo esbanjando energia. É quase como se estivéssemos ouvindo um ensaio. Esse espírito de descontração tem a ver com as apresentações da época retratada no filme. Quem já ouviu as gravações desse período, sabe que os shows não eram profissionais. Várias músicas ficavam aceleradas, as vozes falhavam, microfonias apareciam. No entanto, esbanjavam garra e conseguiam cativar a plateia, apesar das dificuldades. Esses ‘defeitos’ são normais para qualquer banda que se aventure em barzinhos. Se ainda hoje, várias dessas casas não têm uma estrutura decente, imagina nos anos 60... Algumas características foram mantidas. Algumas faixas estão com andamento mais rápido e os vocais algumas vezes aparecem gritados. Outra característica comum daquelas apresentações. Muitas vezes, os músicos tinham que gritar para se ouvirem, já que não tinham retorno no palco... Mas não se assuste, a trilha é hiper bem-gravada.

O álbum manteve o formato dos discos da fase inicial do fabfour. Aproximadamente meia hora de som, dividida em 12 faixas. A produção ficou a cargo de Don Was. Produtor renomado, que nessa época, já tinha trabalhado com pesos pesado como Iggy Pop, Bob Dylan, Roy Orbison, Bonie Raitt, além do beatle Ringo Starr. Nada mal, fala aí... O resultado não poderia ser melhor. Aliás, o sucesso foi tão grande que foi criado um projeto similar para divulgar o filme no Brasil. Mas vamos deixar esse assunto para outro post, para não estragar a surpresa...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Money
      02)   Long Tall Sally
      03)   Bad Boy
      04)   Twist And Shout
      05)   Please Mr. Postman
      06)   C´Mon Everybody
      07)   Rock n´ Roll Music
      08)   Slow Down
      09)   Roadrunner
      10)   Carol
      11)   Good Golly Miss Molly
      12)   20 Flight Rock

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Leah - Of Earth & Angels (2011)

Por Rafael Menegueti

Leah - Of Earth & Angels
Já que anteontem eu dei a dica de uma banda não muito conhecida, mas que anda sumida, hoje decidi dar uma dica tão boa quanto, mas de uma cantora que está crescendo aos poucos e pode vingar. Trata-se da canadense Leah, uma cantora que mistura metal com musica celta, fortemente influenciada pelo folk metal e metal sinfônico europeu, de bandas como Nightwish, Delain e Epica, e que já foi chamada de “Enya do metal”. Mas Leah vai alem, pois sua música é independente, o que faz o seu trabalho ainda mais diferenciado.

Leah começou sua carreira com o disco “Of Earth & Angels”. O trabalho independente foi lançado em 2011, e por um tempo podia ser baixado gratuitamente pelo site bandcamp. Com doze faixas o disco mostra uma cantora talentosa, acompanhada por bons músicos em composições bem diferentes umas das outras. “Prisoners” e “Remember” são canções com personalidade e abrem bem o disco. A primeira é um metal mais cadenciado, a segunda, uma balada que ganha força ao longo do tempo.

A terceira faixa do disco, “Old World”, é, na minha opinião, uma das melhores composições do disco. Empolgante e cativante, a canção seria facilmente um hit se a cantora tivesse a divulgação adequada. “I Fade” é outra faixa que tem um arranjo mais leve, assim como “Ex-Cathedra”. “Ocean” por usa vez, parece uma canção folk. Com um ritmo levado pela bateria e piano, a faixa é um dos diferenciais que o disco tem a oferecer.

A cantora canadense Leah: carreira em ascenção
Focada em letras sobre amor e relações pessoais, o disco tem um lado melódico muito forte. Quase todas as faixas apresentam arranjos criativamente abrangentes. Por vezes leve, por vezes mais metaleiro. Outras boas faixas seguem o caminho descrito. “A Thousand Years” é mais uma balada ao piano, e “Tragedy & Magic” seria facilmente a melhor faixa do disco, não fosse tão curta. “Mainland” possue arranjos mais pop, meio folk rock, mas com um refrão mais pesado. A voz melódica de Leah se destaca nesses momentos do disco. “Say Yes” parece outra faixa que poderia muito bem ser de um hit caso a cantora estivesse em uma grande gravadora. Tem refrão cativante e versos agradáveis.

Mais para o final ficam outras excelentes faixas. “Confess My Love” é bem melódica, possui uma ótima letra e grande performance da banda. O disco encerra com a excelente “Ilusion”, que tem um arranjos bem trabalhados, empolga e deixa o ouvinte querendo mais. E mais é o que os fãs da cantora terão em breve. No ano passado ela já havia lançado o também bom EP “Otherworld”, que chegou a contar com a participação de Eric Peterson (Testament/Dragonlord) em uma das faixas. Leah está agora preparando seu segundo disco de estúdio. E podemos esperar boa coisa por ai, pois dessa vez ele vem tendo a ajuda de nomes de peso. Timo Somers e Sander Zoer, ambos do Delain, participam do disco, que está sendo mixado no Spacelab Studios, na Alemanha. Vamos esperar pra ver se ela consegue manter sua ascendente carreira.

Nota: 9/10
Status: Diferenciado

Faixas:

1. Prisoner
2. Remember
3. Old World
4. I Fade
5. Ex-Cathedra
6. Ocean
7. A Thousand Years
8. Tragedy & Magic
9. Mainland
10. Say Yes
11. Confess My Love
12. Illusion

Leah - Old World



Leah - Confess My Love


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Lita Ford – Living Like a Runaway (2012):





Por Davi Pascale

Depois de ir por um caminho mais moderno no (bom) Wicked Wonderland, a cantora Lita Ford volta ao rock cru em Living Like a Runaway. Em seu mais recente trabalho, Lita mantém o peso e volta a apostar suas fichas na estrutura clássica de um grupo de rock: guitarra, baixo, bateria e voz. O trabalho marca a volta da cantora à sonoridade hard/heavy. Seu melhor disco desde Dangerous Curves.

Esse disco representa vários marcos em sua carreira. Além da volta à uma sonoridade mais básica, é o primeiro lançado em parceria com a SPV. E também o primeiro após sua separação de Jim Gillette. Em Março de 2011, Lita concedeu uma entrevista ao AXS Entertainment, onde dava a entender que havia apanhado de seu marido. “Quando você tem aquele tamanho e é assustador daquele jeito, deve buscar alguém do seu tamanho. Pedi um divórcio porque ele estava me machucando. Veja o tamanho dele. Não acho isso certo”.

A situação é influência direta no álbum. A balada “Mother” é uma carta aberta para seus filhos que se afastaram dela após o divórcio. A cantora já disse em várias entrevistas que seu ex-marido fez lavagem cerebral neles, mas que ela ainda os ama. Se “Mother” é uma carta aos seus filhos, “Branded” só pode ser dirigida à Gillette. “Não quero mais brigar com você. Saia da minha frente. Não há mais para sempre”. Para sempre, certamente é uma referência aos votos de casamento. Mais direto, impossível.

Lita Ford entrega disco forte, composto durante período negro.

Toda sua raiva interna (com razão) influenciou o álbum positivamente. Ao contrário de seus álbuns mais populares – os ótimos Lita, Stilleto e Dangerous Curves – que continham grande presença de teclados, nesse o foco principal foi a guitarra distorcida. O uso de teclado aqui é mínimo. Algo que não fazia dentro dessa linguagem mais hard rock desde Dancin´ On The Edge. Adoro o período mais comercial dela, para ser honesto o Dangerous Curves é o meu trabalho favorito, mas não acho que funcionaria nos dias atuais. Sendo assim, nada melhor do que uma volta às raízes. Até porque ela é não apenas uma excelente cantora, quanto uma ótima guitarrista.

A faixa título “Living Like a Runaway” foi vista por muitos como parte dessa tal volta às raízes. Como um retrato de seus tempos na banda Runaways (para quem não sabe, ela e Joan Jett eram as guitarristas do conjunto e gravaram todos os discos). A letra realmente faz uma referência aos seus tempos iniciais, mas a escolha como nome do disco reflete ao período negro que estava atravessando. Em entrevista à Rolling Stone, explicou que havia um duplo sentido porque era um período onde estava vivendo como uma fugitiva. Ela saiu de casa fugida. Esperou o marido sair, enfiou as coisas no carro e se mandou. Sem marido, sem apoio dos filhos, era assim que se sentia.

Embora na maior parte do tempo, o álbum aposte em uma sonoridade hard-heavy, há uma exceção na faixa escrita por Nikki Sixx (baixista do Motley Crue), “A Song To Slit Yout Wrists By”. A única a contar com um arranjo mais eletrônico. E, na minha opinião, a mais fraquinha do álbum. Quem é fã mais ardoroso, vale a pena correr atrás da deluxe edition que acompanha um pôster e duas faixas inéditas. A excelente “Bad Neighborhood”, que traz a participação especial de Doug Aldrich (Dio, Whitesnake), e uma versão bem legal de “Bitch Is Back” da fase roqueira do Elton John. Lita Ford lançou recentemente um novo trabalho ao vivo e segue excursionando. Feliz de ver ela de volta à ativa e passando por cima de situações tão delicadas como essa. Espero que não demore muito para lançar um novo álbum de inéditas e que resolva finalmente fazer uma visitinha aqui no Brasil. Esse é um show que gostaria de assistir.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Muito bom

Faixas:
      01)   Branded
      02)   Hate
      03)   The Mask
      04)   Living Like a Runaway
      05)   Relentless
      06)   Mother
      07)   Devil In My Head
      08)   Asylum
      09)   Love U 2 Hate U
      10)   A Song To Slit Your Wrists By
      11)   Bad Neighborhood
      12)   The Bitch Is Back