sexta-feira, 8 de agosto de 2014

As maiores rivalidades do rock

Por Rafael Menegueti

Nem sempre a relação entre bandas de rock é de amizade e companheirismo. Muitas vezes o rock imita outras áreas como os esportes, por exemplo, e acaba criando rivalidades históricas entre personalidades do meio. Separei aqui algumas das rivalidades mais notórias do estilo, e algumas de suas histórias:

The Beatles X The Rolling Stones

John Lennon e Mick Jagger
Talvez a rivalidade mais conhecida da história do rock, Beatles e Rolling Stones dominaram o gênero na década de 60. Muito se fala sobre se eles realmente tinham um clima de rivalidade entre si, tanto que essa discussão já rendeu até livro. O fato é que ambas as bandas disputavam muita atenção, e ao mesmo tempo que eram muito similares, tinham algumas características bem opostas. Os Beatles eram conhecidos como bons moços, os Rolling Stones como rebeldes. O Rolling Stones era mais tradicional, o Beatles experimental e psicodélico em certo momento. Mas segundo muitas fontes, as bandas se davam muito bem. Existe até referências feitas entre eles em capas de discos, a imagem dos rostos dos Beatles está escondida na imagem de “Their Satanic Majesties Request” dos Stones, enquanto na capa de “Sgt. Peppers”, dos Beatles, podíamos encontrar uma boneca com uma roupa onde se lia “Welcome The Rolling Stones” (Bem-vindos Rollng Stones).

Metallica X Megadeth

Depois de anos, Dave Mustaine volta a dividir palco com o Metallica
Essa rivalidade tem motivos bem claros pra existir. Dave Mustaine fundou o Megadeth após ser expulso do Metallica, com o objetivo de ser mais pesado do que eles. A briga entre Mustaine e os membros do Metallica durou anos, e por conta disso seus fãs também entraram na onda. A disputa entre os fãs para decidir qual das duas bandas é a melhor já gerou muita discussão. Mas as bandas não parecem mais tão interessadas em seguir com essa disputa. Há um bom tempo a troca de farpas parou e os músicos passaram a dividir backstages e excursionar juntos, em projetos como o “Big 4”, junto de Slayer e Anthrax. Ambas as partes já lavaram roupa suja suficiente e agora parecem enfim ter encontrado a paz.

Nirvana X Guns ‘N Roses

Quando o Nirvana começou a fazer sucesso, Axl Rose achou que dali poderia surgir uma boa parceria. Talvez as bandas até pudessem excursionar juntas, pois elas eram duas das mais famosas da época. Só que Kurt não quis. E ainda provocou Axl na festa do VMA de 92, no famoso episodio em que Axl mandou Kurt calar Courtney Love, que o provocava, e Kurt o fez em tom sarcástico. A partir dali, não haveria mais paz entre eles. E claro, os fãs também entraram na onda, e dificilmente você veria alguém que se dissesse fã das duas.

Oasis X Blur

Não é montagem! Eles tocaram juntos.
Agora, mais uma rivalidade britânica. Blur e Oasis eram duas das principais bandas do chamado britpop, que surgiu com tudo na década de 90. As duas bandas eram inimigas mortais e viviam trocando provocações e ofensas publicamente. Um dos maiores momentos dessa rivalidade se deu em 95, quando ambas as bandas decidiram lançar um single no mesmo dia. A rivalidade só esfriou após o fim de ambas as bandas. Se em 95, era impensável ver elas em clima amistoso, em 2013 o inimaginável aconteceu, e Damon Albarn, do Blur, e Noel Gallagher, do Oasis, dividiram o palco em um show beneficente na Inglaterra.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Oasis – Definitely Maybe Deluxe Edition (2014)





Por Davi Pascale

O álbum de estréia do grupo dos irmãos Gallagher acaba de ganhar uma edição de luxo. Chega às lojas de todo o Brasil uma edição tripla contendo o disco remasterizado, b-sides e faixas inéditas. Sem duvidas, uma edição de respeito de um álbum de respeito. Embora a consagração definitiva tenha vindo apenas com (What´s the Story) Morning Glory?, o debut dos britânicos deu o que falar. Além de colocar, o nome dos rapazes de Manchester na mídia, foi um dos trabalhos primordiais para a consagração da cena dos anos 90 que ficou conhecida como britpop.

Agora... O que foi a cena britpop? Foi a resposta dos ingleses ao grunge. Não é de hoje que americanos e ingleses brigam pela atenção da mídia. A idéia era parecida. Trazer as bandas de rock alternativo do underground para o mainstream. Vieram daí grandes nomes da época: Suede, Elastica, Blur, Oasis... Aliás, vale lembrar que, na época, o grupo de Damon Albarn era constantemente comparado com o Oasis (que era tido como a grande promessa do rock inglês) e os integrantes das duas bandas começaram a trocar ofensas pela imprensa. As gravadoras adoraram a idéia e passaram a apoiar a briga alimentada pela mídia. Afinal, a polêmica estava atraindo maior atenção para os dois grupos.

Quando gravaram esse álbum, os garotos ainda não sonhavam em se tornarem a maior banda de rock de sua geração (termo que acabou sendo associado à eles pelos críticos da década de 90. Alguns iam mais além e se dirigiam à eles como ‘a maior banda de rock do mundo’). No encarte da reedição comentam que achavam engraçado tocarem uma canção como “Rock n Roll Star” em pequenos clubes para algumas dezenas de pessoas. Mal sabiam eles que, ainda que não fosse seu sonho inicial, tornariam-se estrelas do rock. Tendo criado fama por toda sua arrogância chega a ser engraçado relembrar o depoimento que Noel Gallagher costumava fazer na época. “Não quero ser muito grande. Adoraria tocar no Wembley Stadium, mas para onde iria depois disso?”

Contudo, embora seja uma das favoritas de seus fãs, esse não foi o grande hit da época. Pelo menos aqui em nosso país, a música de maior destaque foi a canção “Live Forever”, cujo o vídeo foi bastante exibido na MTV Brasil. A primeira faixa de trabalho “Supersonic” também teve uma boa repercussão, mas não tanto quanto. Favorecidos pela briga com o Blur e a morte de Kurt Cobain (expoente máximo do grunge que se matou 6 dias após a estréia do clipe de “Supersonic” na MTV USA), o talentoso grupo crescia na velocidade da luz. As guitarras distorcidas com vocais harmoniosos fizeram a cabeça da garotada daquela geração.  Além das 3 faixas já citadas colocaria como grande destaque “Slide Away”, “Cigarretes & Alcohol” e “Shakermaker”. Com o tempo, os ataques à grupos rivais se estenderia à fotógrafos, jornalistas e aos próprios integrantes da banda. Fica a questão: até onde era real e até onde era encenação para virarem notícia?

Imagem do box lançado fora do Brasil

Não sei até onde as brigas eram verdadeiras. Acredito que algumas eram, mas acredito que várias eram plantadas. Teorias à parte, musicalmente falando, a banda era muito boa no que se propunha a fazer e suas canções viraram marco de uma geração. Aqui, além do álbum remasterizado, temos dois discos bônus: um contendo praticamente todo o material lançado como bônus dos CDS singles da época e outro trazendo material inédito, seguindo a mesma lógica do conteúdo utilizado nos CDS singles: versões ao vivo, demos e faixas inéditas. Embora possa cansar um pouco quem não é muito fanático pelos rapazes (já que varias canções aparecem várias vezes), é um presente e tanto para quem admira o grupo. Fora do Brasil foi lançado um box onde, além do CD triplo temos um LP, um compacto e alguns itens de memorabilia. Quem quiser esse material terá que importá-lo, já que não será lançado por aqui. Estão sendo programadas edições de luxo de (What´s The Story) Morning Glory e Be Here Now. Quem curte, fica esperto! 

Nota: 09/10

Faixas:

CD 01:

      01)   Rock n´ Roll Star
      02)   Shakermaker
      03)   Live Forever
      04)   Up In The Sky
      05)   Columbia
      06)   Supersonic
      07)   Bring It On Down
      08)   Cigarettes & Alcohol
      09)   Digsy´s Dinner
      10)   Slide Away
      11)   Married With Children

CD 02:
      
      01)   Columbia (White Label Demo)
      02)   Cigarettes & Alcohol (Demo)
      03)   Sad Song
      04)   I Will Believe (Ao vivo)
      05)   Take Me Away
      06)   Alive (Demo)
      07)   D´Yer Wanna Be A Spaceman?
      08)   Supersonic (Ao vivo)
      09)   Up In The Sky (Acustico)
      10)   Cloudburst
      11)   Fade Away
      12)   Listen Up
      13)   I Am The Walrus (Ao Vivo em Glasgow ´94)
      14)   Whatever
      15)   (It´s Good) To Be Free
      16)   Half The World Away

CD 03:
     
      01)   Supersonic (Ao Vivo em Glasgow)
      02)   Rock n Roll Star (Demo)
      03)   Shakermaker (Ao Vivo em Paris In-Store)
      04)   Columbia (Eden Studios Mix)
      05)   Cloudburst (Demo)
      06)   Strange Thing (Demo)
      07)   Live Forever (Ao Vivo em Paris In-Store)
      08)   Cigarettes & Alcohol (Ao Vivo em Manchester)
      09)   D´Yer Wanna Be a Spaceman (Ao Vivo em Manchester)
      10)   Fade Away (Demo)
      11)   Take Me Away (Ao Vivo em Manchester)
      12)   Sad Song (Ao Vivo em Manchester)
      13)   Half The World (Ao Vivo em Tokyo Hotel Room)
      14)   Digsy´s Dinner (Ao Vivo Paris In-Store)
      15)   Married With Children (Demo)
      16)   Up In The Sky (Ao Vivo em Paris In-Store)
      17)   Whatever (Strings)

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Coisas que me irritam nos rockeiros

Por Rafael Menegueti

Já faz algum tempo que eu fiz, por brincadeira, uma lista de coisas que irritam os rockeiros. Agora a minha idéia é inverter, mostrar coisas que os rockeiros fazem que me irritam, ou outras pessoas. Vejam se concordam:

- A mania de confundir o “eu não gosto” com o “é uma bosta”. Não é por que você não gosta de certa banda ou música que isso irá torná-la ruim. Gosto pessoal é algo muito relativo. O que não te agrada pode agradar outras pessoas. Um exemplo: uma das bandas mais criticadas da atualidade é o Avenged Sevenfold, no entanto eu raramente vejo algum argumento plausível para criticá-los. Sempre são coisas como “eles copiam o Metallica” (isso se chama influência, não cópia) e “eles tem um visual ridículo” (dane-se o visual, o que interessa é a música). Mas na realidade, eles são uma grande banda, com ótimos músicos e que alcançaram um sucesso comercial muito grande, por isso toda a atenção. Mas obviamente, ninguém é obrigado a gostar também.

- Falando em comercial, esse é outro problema que me chama a atenção: quando as pessoas condenam uma banda ou artista por ele buscar o sucesso comercial. Falam disso como se fosse errado ser bem sucedido e buscar estrelato. Muitas bandas se fazem valer de estratégias comerciais para fazer sucesso, mas isso não diminui a qualidade musical. É chato ver um artista ser criticado apenas por ele ter escolhido uma música com apelo mais popular como single, por exemplo, ou por ter feito um disco com uma sonoridade diferente do que ele costuma fazer. Ser comercial não é isso. Ser comercial, na minha opinião é vender a imagem da banda para propaganda, ou permitir que terceiros ditem os rumos de seu trabalho, fingir ser algo que você não é. Ser mais popular pode ser algo conquistado unicamente pela capacidade do artista. Portanto esse papo pra mim é bobagem.


- “Morte ao falso metal”. Cale essa boca! Esse papo de “falso metal” já deu e está mais ultrapassado do que os disquetes de 3”½. Ao longo de todos esses anos o heavy metal foi se dividindo em inúmeras vertentes, se unindo a outros elementos e influencias, o que tornou o estilo um dos mais variados e ricos de toda a música. Quando essa bobagem de criticar um estilo diferente começou, era unicamente por parte de sujeitos que idolatravam estilos mais extremos e não suportavam os mais melódicos, e vice versa. Mas, como sempre, essa idéia tomou proporções maiores do que deveria, e pra alguns virou ódio. E os fãs se viram no meio de uma disputa para definir o que seria o verdadeiro metal. Mas verdadeiro metal é tudo aquilo que se propor a sê-lo. Se tiver qualidade e competência, por que ficar implicando? Deixem a música fluir.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Eluveitie - Origins (2014)

Por Rafael Menegueti

Eluveitie - Origins
Como eu cheguei a citar durante a semana, os suíços do Eluveitie estão com disco novo. “Origins” é o sexto álbum de estúdio da banda, que faz um excelente folk metal com influencias de death e música celta para contar historias dos antepassados de seu povo. A fórmula que consagrou a banda em seus trabalhos anteriores continua presente e firme nesse novo disco. Um trabalho que segue a linha evolutiva que o som da banda vinha incorporando ao longo do tempo.

Para deixar mais claro, o disco tem uma sonoridade muito similar ao que a banda nos trouxe em “Helvetios” de 2012. Assim como no disco anterior, “Origins” abre como uma introdução narrada pelo ator britânico Alexander Morton. A breve narração dá lugar a uma introdução instrumental carregada pelos violinos e que vai progredindo até chegar no ápice com a voz de Anna Murphy antecedendo “The Nameless”, primeira música do disco. Todos os elementos que já são marcas registradas do Eluveitie podem ser encontrados ali. O peso dos riffs aliado com os arranjos de flautas, gaitas de fole, violino e a viola de roda de Anna.

Em faixas que são agressivas e velozes, cheias de riffs elaborados e solos de violino e flauta, o disco nos leva até uma mistura de melodia e peso extremamente agradáveis para os fãs do gênero. A coisa fica ainda mais interessante quando ouvimos o contraste da voz gutural de Chrigel Glanzmann e da voz marcante de Anna Murphy. A banda insere suas partes mais melódicas e cativantes justamente nas faixas cantadas por Anna, casos de “Vianna” e da excelente “The Call of The Mountains”, single que possui uma melodia extremamente envolvente, especialmente no refrão, cantarolado pela cantora.

Os membros do Eluveitie
Já o outro single do disco, “King”, mostra o lado mais oposto da banda, pesado e agitado, alem de possuir um ótimo solo de violino da nova integrante, Nicole Ansperger. Por todo o disco notamos como a estrutura dos riffs de guitarras com o ritmo das baterias guiam a música da banda, ao mesmo tempo em que os instrumentos da parte folk da banda criam a atmosfera com arranjos elaborados e bem complexos. Nada disso é uma novidade. A banda está fazendo exatamente o que todos sabemos que ela é capaz de fazer. Mas esse disco consegue prender bem mais a atenção do ouvinte, no entanto. Alguns dos destaques do disco ainda ficam por conta de “From the Darkness”, Celtos, “Inception” e “The Silver Sister”, todas muito a cara do Eluveitie.

Não existe nenhum motivo para achar que “Origins” não ira agradar os fãs do grupo. Ele é a perfeita mostra do que o Eluveitie vem fazendo ao longo de sua carreira. Uma continuidade excelente ao que a banda mostrou em “Helvetios”, mas ainda mais convidativo. “Origins” pra mim já é um dos melhores discos do ano, e certeza de que o Eluveitie ainda tem muita coisa boa pra nos mostrar.

Nota: 9,5/10

Faixas:

01. Origins (Intro)
02. The Nameless
03. From Darkness
04. Celtos
05. Virunus
06. Nothing (Intermezzo)
07. The Call of the Mountains
08. Sucellos
09. Inception
10. Vianna
11. The Silver Sister
12. King
13. The Day of Strife
14. Ogmios
15. Carry the Torch
16. Eternity


Eluveitie - The Call of the Mountains


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Slash - Apocalyptic Love (2012)

 
Por Davi Pascale

O novo álbum de Slash, World on Fire, será lançado no próximo mês. Enquanto o material não vem, aproveitaremos para lembrar seu mais recente trabalho que, inclusive, trouxe o músico ao Brasil. Neste segundo disco-solo, Myles Kennedy ficou responsável pelos vocais. O trabalho mais recente de Axl Rose (Chinese Democracy) dividiu os fãs. Alguns acharam que o rapaz estava certo de mudar a sonoridade já que estamos em outra era. Outros, no entanto, acharam que soava moderno demais e que era um erro estampar o nome Guns n´ Roses na capa. O mesmo não ocorre no CD do guitarrista que entrega exatamente aquilo que os fãs esperam: hard rock com guitarra falando alto, vocais gritados e solos inspirados.

Dessa vez o que dividiu opinião, mais uma vez, foi a presença de Myles. Para quem não se lembra, a discussão começou a ficar mais tensa no lançamento do CD e DVD ao vivo Slash Live – Made In Stoke. Honestamente, acho que essa picuinha toda é por conta do cantor ser integrante do Alter Bridge (grupo que conta com ex-integrantes do Creed). Verdade seja dita, o rapaz fez um ótimo trabalho vocal. Tanto no CD ao vivo quanto nesse Apocalyptic Love. Acho, aliás, que ele combina mais com o guitarrista do que Scott Weiland. Ou seja, essa ladainha toda não passa de dor-de-cotovelo de adulto que pensa como uma criança de 3 anos.

Em seu primeiro álbum solo, Slash havia convidado vários vocalistas para participarem ao longo do disco. Com isso, o álbum não mantinha uma dinâmica. Até por conta da versatilidade entre os convidados. Aqui, a dinâmica se mantém. Como disse no início do texto, a aposta aqui é uma volta ao hard rock. Porém, se tivesse que comparar esse trabalho com alguma de suas ex-bandas diria que ele se aproxima mais do Snakepit do que do Guns n´ Roses.

Ao contrário do egocêntrico Axl Rose, o músico parece não ficar muito lamentando o passado e toca o barco adiante. Bem que seu ex-cantor poderia fazer o mesmo. Desde o lançamento do fracassado Chinese Democracy, os fãs não ouviram mais nenhum lançamento do mesmo.
Segundo disco-solo de Slash trazia ótimos riffs e firmava Myles Kennedy na banda

Além de Slash e Myles, completam o time o baterista Brent Fitz (Alice Cooper, Vince Neil) e o baixista Todd Kernes (Sin City Sinners). Sempre gostei do estilo de Brent. Comecei a prestar atenção na época em que integrava o Union ao lado de John Corabi (Motley Crue) e Bruce Kulick (Kiss). Mais uma vez o rapaz fez bonito interpretando as canções de Saul Hudson com uma pegada invejável.

O guitarrista também faz bonito e entrega ótimos riffs e solos inspirados. A criatividade do músico continua solta. Realmente não dá para entender como tem gente que fala que esse cara não sabe tocar. Provavelmente são aquelas pessoas que acham que para ser um grande músico é necessário dominar técnicas e mais técnicas. Esse pode até ser um caminho (Steve Vai e Joe Satriani são mestres nisso), mas honestamente isso não é e absolutamente nada sem inspiração e criatividade.

Os destaques ficam por conta de “We Will Roam”, “Bad Rain”, “Shots Fired”, além da faixa-título. Eu optei comprar a edição especial da revista Classic Rock que vinha encartado junto com uma revista especial. Essa edição traz as ótimas faixas bônus “Crazy Life” e “Carolina”. Quem for fã, corre atrás. Acho que ainda dá para achar...
Status: Empolgante
Nota: 08/10
Faixas:

01) Apocalyptic Love
02) One Last Thrill
03) Standing In The Sun
04) You´re a Lie
05) No More Heroes
06) Halo
07) We Will ROam
08) Anastasia
09) Not For Me
10) Bad Rain
11) Hard & Fast
12) Far And Away
13) Shots Fired

domingo, 3 de agosto de 2014

Kiss – 40 (2014)



Por Davi Pascale

E o grupo Kiss acaba de soltar no mercado mais uma coletânea. Intitulada apenas 40, o novo álbum relembra toda a trajetória do quarteto e apresenta aos seus fãs 4 faixas inéditas (1 de estúdio e 3 ao vivo). Uma boa porta de entrada para quem não conhece muito ou não possui muita coisa da banda.

Muitos irão questionar o lançamento de mais uma coletânea dos mascarados. Pode-se até questionar a necessidade, mas realmente aqueles que já acompanham o grupo há algum tempo, já meio que aguardavam o disco. Não é de hoje que os rapazes curtem celebrar seus anos de estrada. Em 1988, colocaram no mercado a compilação Smashes, Thrashes & Hits (que inclusive ganhou uma belíssima edição com capa dupla e vinil picture com o subtítulo 15 Years In Kisstory). Em 1994, foi a vez do álbum tributo Kiss My Ass, celebrar 2 décadas de rock n roll. Em 2008, caíram na estrada para celebrar 35 anos de shows com a tour Kiss Alive 35 (que passou pelo Brasil em 2009) e com o apoio da empresa LiveNation colocaram no mercado 14 álbuns ao vivo. Sendo assim, já era de se esperar alguma coisa para celebrar 40 anos de banda. E os músicos resolveram saciar a vontade dos fãs de todas as formas: reedição de todos os discos em vinil (incluindo o lançamento do Box Kissteria), nova tour e nova coletânea.

Existem várias compilações do conjunto por aí, mas para sermos honestos também existem várias onde os músicos não tiveram envolvimento. Muitas coletâneas foram criadas pela gravadora com a intenção de tapar buraco. Muitas vezes, as gravadoras também criavam aquelas séries onde lançam CDs de diversos artistas do cast e o Kiss acabava fazendo da parte dos artistas escolhidos. Nesse novo CD, tivemos a supervisão do guitarrista Tommy Thayer. Muitos questionam a escolha de Thayer para o cargo de spaceman, mas essa é apenas mais uma demonstração de seu envolvimento com a banda. No álbum Hot In The Shade, a canção “Betrayed”, cultuada entre os fãs, é uma parceria com Tommy. Também foi ele quem criou o roteiro, produziu e dirigiu o documentário Second Coming. Quem gosta de questionar suas habilidades técnicas deveria saber que foi ele quem re-ensinou os solos para Ace Frehley, antes do mesmo cair na estrada com a AliveWorldwide Tour (a famosa turnê de reunião). Portanto, nada mais justo do que convidá-lo para se juntar à banda, certo?

Nova coletânea passa a limpo toda a trajetória do grupo

Algo muito bacana nesse Kiss 40 é que eles não ficaram presos somente no material dos anos 70. Assim como no Box Set de 2001, os músicos optaram por cobrir toda a sua trajetória. Há canções de todos os discos. Desde seu debut de 74 até o Monster. Há canções, inclusive, dos 4 álbuns solo de 78. Não ficaram de fora também músicas que foram lançadas pela primeira vez em (outras) coletâneas, nem faixas de seus discos ao vivo. Claro que mesmo sendo dupla, alguns sucessos ficaram de fora. A trajetória do Kiss é longa e o grupo fez muito sucesso. Mesmo nos anos 80, considerado um período de baixa popularidade, tiveram alguns hits. Clipes como “Uh! All Night” e “Who Wants To Be Lonely” passaram à exaustão na MTV e ficaram de fora. Alguns sucessos dos anos 70 como “Shock Me”, “Love Gun”, “Sure Know Something” também tiveram de ser sacrificados.

Mas para seus fãs de carteirinha, onde me incluo, o interessante mesmo são as gravações inéditas. Os músicos nos brindaram com “Reputation”, uma demo do Gene Simmons de 77. Uma das faixas que foram descartadas do clássico Love Gun. A faixa é um rock n roll basicão com toda aquela magia dos anos 70, com aquele clima meio de festa. Muitos dizem que deveria estar no álbum solo que o musico fez em 78, mas na real, a música é bem a cara da banda e nos remete um pouco ao Rock n´ Roll Over. Uma das excelentes faixas inéditas que o Kiss tem perdido por aí. Bem que eles poderiam lançar um álbum compilando somente material inédito.

Além dessas temos as versões ao vivo de “Deuce”, “Cold Gin” e “Crazy Crazy Nights” que também são exclusivas, registradas já com a formação atual. “Deuce” foi extraída da turnê Rock The Nation, "Cold Gin" da Alive 35 e “Crazy Crazy Nights” da Sonic Boom Tour. Dessas, a unica que questiono a escolha é "Crazy, Crazy Nights'". Não pela música em si, acho que sou uma das poucas pessoas que adora esse LP, mas nessa tour de 2010, Paul Stanley já estava com a voz prejudicada e essa musica é bem alta. É verdade que ele não acabou com a musica, mas também não brilhou. Seria mais legal se tivessem colocado alguma gravação da turnê da época.  

A qualidade de som do CD é espetacular. Não sei como está a edição brasileira, mas a edição americana tem um encarte caprichado com varias fotos do grupo. Um presente e tanto para seus fãs. Esperando ansiosamente pelo novo álbum solo de Ace Frehley que chega ao mercado dia 18 de Agosto. Já ouvi 2 músicas, o disco promete...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Fantástico

Faixas:
CD 01:
      01)   Nothin´ To Lose
      02)   Let Me Go, Rock n´ Roll
      03)   C´Mon And Love Me
      04)   Rock n´ Roll All Nite (Ao vivo)
      05)   God of Thunder (Demo)
      06)   Beth
      07)   Hard Luck Woman 
      08)   Reputation (Demo)
      09)   Christine Sixteen
      10)   Shout It Out Loud (Ao Vivo)
      11)   Strutter ´78
      12)   You Matter to Me
      13)   Radioactive
      14)   New York Groove
      15)   Hold Me, Touch Me
      16)   I Was Made For Lovin´ You (single edit) 
      17)   Shandi
      18)   A World Without Heroes
      19)   I Love It Loud
      20)   Down On Your Knees
      21)   Lick It Up
      22)   Heaven´s on Fire

CD 02:
      01)   Tears Are Falling
      02)   Reason to Live
      03)   Let´s Put The X In Sex
      04)   Forever
      05)   God Gave Rock n´ Roll To You
      06)   Unholy (Ao Vivo)
      07)   Do You Love Me? (MTV Unplugged)
      08)   Room Service (Ao Vivo)
      09)   Jungle (Radio Edit)
      10)   Psycho Circus
      11)   Nothing Can Keep Me From You
      12)   Detroit Rock City (Ao Vivo)
      13)   Deuce (Firehouse)
      14)   Firehouse (Ao Vivo)
      15)   Modern Day Delilah
      16)   Cold Gin (Ao Vivo)
      17)   Crazy, Crazy Nights (Ao Vivo)
      18)   Hell Or Hallellujah