domingo, 20 de julho de 2014

Noticias do Rock (Pra Não Ficar Por Fora)



Essa semana foi repleta de acontecimentos bombasticos no mundo da musica. Desde descobertas de canções de um ícone do rock até mortes de respeitados nomes. Separamos 5 delas para você saber tudo o que está acontecendo no universo musical.

Por Davi Pascale


 Novo álbum de Jimi Hendrix à caminho




A Sony Music irá lançar um novo álbum do Jimi Hendrix e com material inédito. Sim, sabemos que ele já morreu. E, não, não é pegadinha. As musicas foram gravadas entre 1965 e 1967 ao lado do grupo nova-iorquino Curtis Knight And The Squires. Depois de muitos anos lutando pelo material, a família do músico finalmente ganhou o direito do mesmo e colocará no mercado. A intenção é que sejam lançadas todas as 88 músicas encontradas. A produção ficará a cargo de Eddie Kramer, lendário produtor que já trabalhou com artistas do porte de Kiss, Peter Frampton e o próprio Hendrix. A noticia foi dada pela Rolling Stone americana e também pela revista Classic Rock. 


Baterista do Krisiun solta pérolas


Max Kolesne, baterista do Krisiun soltou uma verdadeira pérola em uma entrevista realizada para o site Batera. Ao falar sobre o cenário atual do rock nacional soltou: “Emo pagando de roqueiro não dá. Isso não é rock. Muito garotinho se preocupando com visual e som pesado mesmo não tem nada. Rock é peso e atitude”. Gostaria de lembrar dois fatores ao rapaz: 1) Atitude, ok. Agora peso, nem sempre. Elvis Presley não fazia um som pesado e era rock. O mesmo vale para Beatles, Creedence, etc etc etc. 2) A cena que é vendida como emo no Brasil não tem nada a ver com a cena emo no exterior, então cuidado para não generalizar o assunto.


Vange Leonel e Johnny Winter



Essa semana também ficou marcado pela morte de dois nomes bem respeitados na cena rock. A cantora Vange Leonel morreu no dia 14, por conta de um câncer de ovário. Muito lembrada pela faixa “Noite Preta”, trilha sonora da novela Vamp, Vange começou a chamar a atenção dos roqueiros com a banda pós-punk Nau com quem gravou um álbum em 1987 pela CBS. Dois dias após sua morte foi a vez do lendário guitarrista Johnny Winter nos deixar. O texano que é  referência para milhares de músicos foi encontrado morto em um quarto de hotel em Zurique e tinha apresentação marcado no Brasil para o mês de Outubro.


Michael Sweet faz homenagem ao Brasil 


O cantor Michael Sweet fez uma homenagem à seus fãs brasileiros essa semana em sua conta do Twitter. O vocalista do Stryper postou uma imagem de uma camisa da seleção brasileira com seu nome e postou o seguinte comentário: “Agora sou um membro da CBF. Adoro meus fãs e amigos brasileiros". No começo do ano, o rapaz havia dito que existiam grandes chances de sua banda retornar ao Brasil em 2014. Estaria ele iniciando uma divulgação de uma nova tour por aqui? De todo modo, a homenagem foi bacana.


Gene Simmons nega retorno da formação original


O baixista Gene Simmons negou a possibilidade de voltar a se apresentar com a formação original do Kiss. Em recente entrevista ao The Tampa Bay Tribune, o musico declarou: “Sem chance. Já fizemos essa dança 3 vezes. Não há como nos reunirmos. Não seria justo com os músicos atuais: Tommy Thayer e Eric Singer”.  Mais uma vez o linguarudo voltou a atacar a organização do Rock n Roll Hall of Fame. “Por que o Grateful Dead pode ter todos os seus músicos e seu letrista, que nunca foi da banda, nomeado? Como você explica isso? Ou ainda, por que a E Street Band (banda de Bruce Springsteen) ser nomeada? Por que não a The Heartbreakers (banda de Tom Petty) ou a The Silver Bullet Band (banda de Bob Seger)? Não entendi. Aceitamos o prêmio pelos nossos fãs”

sábado, 19 de julho de 2014

Capas de discos: Veja algumas curiosidades sobre elas no rock

Por Rafael Menegueti

As repetições de padrões

Algumas bandas costumam adotar padrões que se repetem nas capas de seus álbuns. E o motivo é muito simples: identidade. Não se trata apenas de criar um logo. As bandas criam mascotes, inserem elementos que se tornam marca registrada em cada uma das capas. E se alguma vez eles deixarem essas marcas de lado, pode ter certeza que os fãs irão estranhar.

O famoso Eddie, mascote do Iron Maiden
Os mascotes são um dos artifícios mais populares. Se você conhece Iron Maiden, por exemplo, automaticamente se lembra de Eddie, que é presença garantida em tudo que a banda estampa, principalmente suas capas. Muitas bandas possuem mascotes, que aparecem com certa frequência em suas capas. O Avenged Sevenfold tem a Deathbat, que aparece na arte de todos os discos (apenas o primeiro não o possui na capa). Motorhead, Misfits e varias outras bandas também fazem uso de mascotes, mas creio que esses dois primeiros exemplos sejam os mais usados nas capas dessas bandas.

Avenged Sevenfold - Waking the Fallen
Outros exemplos de repetição: Os noruegueses do Sirenia sempre incluem uma figura feminina em suas capas. O nome da banda significa “sereia”, e isso fez com que em três oportunidades a banda escolhesse usar esses seres nas capas: no seu debut “At Sixes and Sevens”, no EP “Sirenian Shores” e no mais recente disco “Perils of the Deep Blue”. Todas as capas do Stream of Passion contam com a presença da vocalista da banda, Marcela Bovio. Em todas as capas do As I Lay Dying vemos caveiras (a única exceção foi “Shadows Are Security”). E se não tiver uma imagem violenta, sangrenta e horripilante, não é uma capa do Cannibal Corpse.

Sirenia - Perils of the Deep Blue
As censuras

Falando do Cannibal Corpse, lembramos logo das censuras que a banda sofre. Até porque é meio difícil não causar espanto quando se ilustra seus discos com desenhos de corpos mutilados e demônios devorando carne humana. E nem é difícil imaginar que isso causou o banimento da banda em alguns países, como a Austrália. Sem falar no banimento de parte de sua obra na Alemanha por esse motivo (alem da temática das letras). A banda foi proibida até tocar músicas de vários de seus discos por lá.

Cannibal Corpse - The Wretched Spawn
O Guns ‘N Roses tambem passou por isso com seu disco “Appetite for Destruction”. A capa original era uma ilustração que fazia referencia a um estupro (por um robô!). A banda teve de mudar a capa nos EUA para não sofrer boicote das lojas. Até a MTV ameaçou boicotar a banda.

Guns 'N Roses - Appetite for Destruction
Da pra imaginar também que o Iron Maiden teria problemas ao fazer Eddie assassinar a premiê britânica Margaret Thatcher na capa do single “Sanctuary” (1980). Ou que ninguém entendesse a nudez de John Lennon e Yoko Ono na capa de Two Virgins como artística. Assim como a nudez da jovenzinha de “Virgin Killer”, do Scorpions. Outras bandas que chegaram a ser censuradas foram o Pantera, Beatles, Rolling Stones e Jimi Hendrix.

Iron Maiden - Sanctuary (single)

As idéias criativas

Velvet Underground & Nico
O ícone da pop-art Andy Warhol criou a capa clássica do disco “Velvet Underground & Nico”, da banda de mesmo nome. A banana era um adesivo, que podia ser descolado revelando a fruta com coloração rosada. Mas essa já é passada. Tem outros exemplos de criatividade para vermos por aí. Como o Public Image Ltd., de Johnny Rotten, que lançou o disco triplo “Metal Box” numa caixa de filmes de metal antigo. Os Rolling Stones fizeram uma calça jeans com um zíper de verdade na capa de “Sticky Fingers”. E o System of a Down, que fez um disco sem capa. “Steal This Album!” não possui um encarte, a arte se limita a contracapa e a impressão na mídia do CD, que imita um CD virgem gravado, pirata.

Public Image Ltd. - Metal Box

sexta-feira, 18 de julho de 2014

As confusões de Jim Morrison





Por Davi Pascale

Não é segredo para ninguém que James Douglas Morrison, o famoso Jim Morrison, era chegado em álcool e drogas. Basta uma rápida pesquisa para nos depararmos com historias e mais historias envolvendo o musico e seus vícios. Elas estão em todos os lugares. Nos livros, nas entrevistas com músicos da banda, no filme de Val Kilmer... Jim era conhecido não apenas por seu estilo único de cantar, não apenas pelas poesias que escrevia, mas também por ser uma pessoa que falava e fazia o que desse na telha, não importando as conseqüências. E, esse estilo de ser, muitas vezes interferia no trabalho da banda. Houve 2 apresentações que geraram mandato de prisão do artista. Uma delas, durante o show do Doors, inclusive, mas... Por quais motivos?

O primeiro incidente ocorreu em 10 de Dezembro de 1967, no inicio da carreira. Na época, estavam promovendo seu segundo LP, Waiting For The Sun. A apresentação era em Connecticut. Minutos antes de subir ao palco, o cantor estava no backstage com uma garota e um policial que não o havia reconhecido resolveu expulsá-los de lá. Desbocado que só, ‘lizard king’ se negou a sair de lá e respondeu ‘se manda’. O policial puxou o spray de pimenta e alertou “última chance”. Morrison, mandou de volta “última chance para você se mandar”. Resultado? Cantor levou spray na cara.

O mal entendido fez com que o show atrasasse. Tinham que esperar que se recuperasse. O cantor subiu ao palco para fazer o show, mas não deixou barato. Durante a execução de “Backdoorman” começou a descrever o ocorrido. O problema é que ele começou a dar indiretas para o policial durante o seu discurso. “Um rapaz de roupinha azul, com um chapeuzinho azul, um porquinho azul”. Quando o empresário da banda, alertou o guarda que havia atacado spray em quem havia sido pago para proteger, o oficial explicou que o havia feito porque não o havia reconhecido. Ou seja, se não fosse da banda, aquela era sua reação. Morrison, que não concordava com tal atitude, aproveitou para disparar “Sou como vocês. Ele fez comigo, o que faria com qualquer um de vocês”.

O final da história não poderia ser diferente. A polícia invadiu o palco, interrompeu o concerto e deu ordem de prisão. As acusações eram de incitar violência (jogar publico contra polícia), indecência e obscenidade publica (provavelmente por estar bêbado). O artista conseguiu responder em liberdade até que uma decisão fosse tomada. Depois de um tempo, as acusações foram retiradas. Mas, logo se encrencaria de novo.

Jim foi preso em cima do palco

Certa vez, assisti uma entrevista do já falecido tecladista Ray Manzarek (Doors) onde ele falava sobre a tensão de excursionar ao lado de Morrison. Segundo suas próprias palavras, nunca sabiam se uma apresentação chegaria ao fim. Outro exemplo clássico é a apresentação ocorrida em 1 de Março de 1969, em Miami. O cantor já estava com seu visual totalmente mudado. De garoto sex symbol (o rapaz causava histeria nas garotas da platéia) havia passado para um visual mais desleixado. Com uma enorme barba, cabelos mais longos e bem acima do peso (decorrente da alta ingestão de álcool), em nada lembrava o artista que havia encantado as meninas apenas 3 anos antes.

Esse show ainda é motivo de discussão. Visivelmente bêbado (isso ninguém discute já que estava falando totalmente enrolado e falando frases desconexas), Morrison subiu ao palco extremamente puto. Praticamente se recusava a cantar. Andava de um lado para o outro, provocava a platéia, mas não cantava quase nada. Os fãs ficaram bravos e começaram a vaiar. O cantor começou a chamar a platéia de bando de idiotas e animais. Em determinado momento do show, uma garota invadiu o palco e agarrou-o pela cintura. E Morrison mandou: “Você quer ver?” E daí entra uma infinita discussão. Há quem diga que colocou o pênis para fora por alguns segundos e guardou de volta. Há quem diga que ele abaixou o zíper, enfiou a mão dentro da calça e fez uma simulação. Até hoje ninguém tem certeza do que aconteceu. Mas o que deixou ele puto? 

Uma ação dos contratantes. Os promotores resolveram remover os assentos da casa para caber mais gente e não queriam dar um bônus para o grupo alegando que eles não ganhavam por ingresso. A manobra irritou os músicos. Eles haviam fechado um contrato para tocar para 7.000 pessoas. Com essa manobra, colocaram 14.000, exatamente o dobro. Os músicos entenderam que os promotores estavam dando uma de espertos. Pagando o cachê de um show, mas tendo o publico de duas noites. O cantor visivelmente irritado fez a acusação no microfone. 

Cantor simulou colocar o penis para fora

Depois de “Light My Fire”, os promotores Ken Collier e Jim Collier surgiram no palco e pediram que a platéia se acalmasse. Jim não gostou de ter o microfone tomado de suas mãos e empurrou Ken de lado, enquanto pegava o microfone de volta. Não contente, jogou Jim Collier na platéia e logo em seguida ele foi puxado para baixo através da ação de um segurança. Ken desligou o equipamento da banda e foi o fim do show.

Em 5 de Dezembro de 1969, 4 dias após o espetáculo, foi emitido um mandato de prisão de Morrison acusando-o de obscenidade, de aparecer bêbado frente ao publico  e, mais uma vez, por incitar a plateia. Morrison havia retornado da Jamaica quando foi levado pelo FBI. O julgamento ocorreu em agosto de 1970 e durou 16 dias. Acabou sendo sentenciado em 6 meses de prisão e foi solto após pagar uma fiança de R$50.000 dólares. Seus colegas de banda sempre foram unânimes. Admitiram que o cantor estava bêbado, que provocou a platéia, mas negam a parte dele ter abaixado as calças. Segundo os músicos, a prova está na ausência de imagens. Dizem que havia fotógrafos por todo canto e que não existe imagem dele com a calça arriada e nem com o membro pra fora. Não negam, contudo, que ele tenha feito um gesto ameaçando.

A história afetou o grupo. Os contratantes não procuravam mais a banda por conta dos recentes escândalos. Houve apenas mais um show em New Orleans, antes que entrassem em estúdio para gravar seu ultimo álbum com Jim, L.A. Woman. Em 3 de Julho de 1971, Jim Morrison foi encontrado morto na banheira de um apartamento onde vivia em Paris. Com apenas 27 anos de idade, em seu óbito consta parada cardíaca, mas existem varias teorias. Inclusive de overdose de drogas, o que, honestamente, não seria difícil de ocorrer. Seu estilo rebelde levou o rapaz cedo demais, o que é uma pena, já que independente de seus ataques, era um artista brilhante.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Bullet for My Valentine – Temper Temper (2013)

Por Rafael Menegueti

Bullet For My Valentine - Temper Temper
Uma das melhores bandas da nova safra do metalcore que surgiu nos anos 2000, o Bullet for My Valentine já nos presenteou com grandes trabalhos ao longo de sua trajetória. O grupo formado no País de Gales alcançou o sucesso mundial com discos em que mesclam o metalcore, estilo mais moderno, com o thrash metal mais tradicional. “Temper Temper”, lançado em 2013, é o lançamento mais recente do grupo. E não deixou a desejar em relação a essa proposta da banda.

O disco abre com “Breaking Point”, faixa que já demonstra o clima que a banda incorpora nesse disco. Conhecida por fazer um metal usando uma temática mais emocional em suas letras, a banda dessa vez preferiu uma abordagem mais agressiva, assim como o som da banda. O próprio nome do disco, e a faixa-título, são as provas disso. Temas como raiva e descontrole emocional são os que encontramos entre as letras.

Musicalmente “Temper Temper” segue a linha dos trabalhos anteriores. As influências claras de Metallica, Slayer e Guns n’ Roses aparecem na forma como a banda usa seus riffs, solos, a pegada e as levadas. Velozes em certos momentos, como na agressiva e reacionária “Riot” e em “Saints & Sinners”, e por vezes mais melancólicos em suas linhas de guitarra, casos de “Dead to the World” e “Dirty Little Secrets”, os rapazes usam as guitarras com precisão para criar melodias clássicas do estilo e acertam no peso das faixas.

Os galeses do Bullet For My Valentine
O disco ainda possui a faixa “Tears Don’t Fall (Part 2)”, continuação de seu grande hit do primeiro álbum, que segue uma estrutura parecida a da primeira parte, com claras referencias instrumentais à música que fez a banda famosa mundo afora. A enérgica “Livin’ Life (On The Edge Of A Knife)” fecha o disco, com um aspecto mais hard rock e refrão gritado. Os músicos da banda deixam claro que a banda não é passageira. O talento de Matt Tuck e Michael Padge nas guitarras é inegável. Os vocais de Matt seguem agressivos, altos e com atitude. O baterista Michael Thomas talvez seja o único alicerce mais fraco do grupo. Sua performance é simples e comum, sem rodeios, apenas o básico.

Alias, esse pode ser um defeito do trabalho. Ele é muito básico. Se por um lado a banda mostra uma genialidade no modo como executa suas faixas, por outro ela parce deixar o impacto de usas músicas cair ao longo das mesmas. Poucas faixas são realmente marcantes por inteiro, te deixando com vontade de ouvi-las outras vezes. Embora o disco seja bom, ele não pode ser comparado a singularidade que podíamos conferir em seus três primeiros discos. Mas no geral, o saldo da banda é mais que positivo, tornando “Temper Temper” uma boa pedida.

Nota: 7/10
Status: Furioso

Faixas:
1. Breaking Point - 3:42
2. Truth Hurts - 3:36
3. Temper Temper - 3:08
4. P.O.W. - 3:53
5. Dirty Little Secret - 4:55
6. Leech - 3:59
7. Dead to the World - 5:15
8. Riot - 2:49
9. Saints & Sinners - 3:29
10. Tears Don't Fall (Part 2) - 5:38
11. Livin' Life (On the Edge of a Knife) - 4:01

Bonus Versão Deluxe
12. Not Invincible - 3:26
13. Whole Lotta Rosie (from the "Live Lounge" show on BBC Radio 1) - 4:10
14. Scream Aim Fire (from the "Live Lounge" show on BBC Radio 1) - 5:03

Bonus Versão Japonesa
Playing with Fire – 2:51




quarta-feira, 16 de julho de 2014

Detonautas Roque Clube – A Saga Continua (2014)





Por Davi Pascale

A galera do Detonautas Roque Clube continua firme e forte. Depois de terem sido demitidos da Sony Music após um fracassado (porém, bom) disco acústico, os garotos ergueram a cabeça e começaram, pouco a pouco, a reconstruir sua história. Depois de um EP de inéditas, lançado de forma independente (e já resenhado nesse blog), o grupo solta um álbum duplo nas lojas. O primeiro disco de inéditas desde O Retorno de Saturno (2008). Em seu novo trabalho resgatam alguns elementos e trazem algumas surpresas. E, sim, as músicas do EP estão no novo álbum.

Quando lançaram seu debut auto-intitulado em 2002, o grupo era constantemente comparado ao Charlie Brown Jr pelos críticos musicais, por conta das guitarras sujas e vocais rappers em faixas como “No Way Out” e “Peraê”. Aos poucos foram ganhando seu espaço e deixando sua marca. Uma característica bacana dos Detonautas é o fato de nunca se repetirem. Cada disco traz uma sonoridade diferente. Depois de muito apanharem da critica, ganharam o respeito com seu terceiro álbum Psicodelia, Amor, Sexo e Distorção. A mistura de grunge com elementos psicodélicos fez com que a crítica dissesse que haviam atingido a maturidade. Infelizmente, a felicidade durou pouco. O disco nem esquentou e uma tragédia acontecia. Rodrigo Netto, guitarrista da banda, foi assassinado covardemente durante uma tentativa de assalto. Os músicos ficaram abalados e o impacto foi sentido no (fraco) O Retorno de Saturno. Portanto, seus fãs aguardavam com enorme expectativa esse novo trabalho.

Não se assuste com o fato de ser um CD duplo. O disco não é longo. Se quisessem, conseguiriam colocar os dois CD´s em um. E ainda sobraria um pouco de espaço. Depois que ouvi o trabalho na integra é que entendi a razão do formato. Os garotos optaram por dividir o trabalho baseado na sonoridade. O primeiro CD foi focado nas baladas e o segundo CD foi focado no material mais rock. O artista gaucho Nei Van Soria já havia feito algo similar em Mundo Perfeito (2007). Sacada bacana. Ainda mais que eles estão vendendo o álbum à preço de simples e o formato de capa mais encorpado chama a atenção nas lojas.

Novo álbum tem homenagem ao guitarrista Celso Blues Boy

A Parte 01, como vem estampado na mídia, é um trabalho pop rock. Com forte presença de violões e vocais, na maior parte do tempo, bem melódico. A influência Charlie Brown continua marcando presença. “Sabemos Fingir” poderia facilmente ter sido gravada pelo grupo santista e os fãs de Chorão nem perceberiam. Fiquei muito feliz com a homenagem ao guitarrista Celso Blues Boy, nome não tão conhecido dessa nova geração e que mereceria ser descoberto pela garotada. Tenho certeza que aprovaria a versão de “Sempre Brilhará”, caso ainda estivesse entre nós. Outros grandes destaques são “Hello, Hello” e “Essa Noite”. O ponto baixo fica por conta de “Quem é Você”. A letra (que fala sobre a hipocrisia reinante não apenas em nosso governo, mas também na sociedade) é boa, mas mereceria um arranjo melhor.

Já a parte 02 já traz uma sonoridade mais rock n roll com guitarra e bateria falando alto. Há uma ou outra faixa que nos remetem aos primeiros discos do grupo como “Combate” (com letra inspirada nas passeatas) e “Seja Forte Pra Lutar”, mas os melhores momentos ficam justamente com os momentos mais inusitados. As pesadas “4 EverAlone” e “Sexo Tantrico” estão não apenas entre as melhores do álbum como entre as melhores já escritas pelo conjunto. Essa ultima, inclusive, destaca-se um belo riff de guitarra que, por alguma razão, me remeteu bastante à Velvet Revolver. Adoraria ouvir um álbum inteiro nesse pique. Seria uma utopia? “Tudo Vai Melhorar” é outro grande destaque e, em outros tempos, poderia se tornar um hit nas FM´s. O disco é repleto de questionamentos e criticas politicas. A situação atual do país é favorável.

Não tinha ficado muito animado depois de ter escutado a faixa “Quem É Você”, mas o disco certamente surpreendeu (positivamente). Melhor trabalho desde Psicodelia, Sexo, Amor e Distorção. Voltaram bem. Vamos ver se eles conseguem manter o nível daqui pra frente.

Nota: 7,5 / 10,0

CD 01:
      01)   Vamos Viver
      02)   Essa Noite
      03)   HelloHello
      04)   Quem é Você
      05)   Sabemos Fingir
      06)   Cara de Sorte
      07)   Sempre Brilhará
      08)   Quem Vai Decidir?
      09)   É Problema Meu

CD 02:
      01)   Seja Forte Pra Lutar
      02)   4 EverAlone
      03)   Combate
      04)   O Alienista
      05)   Acredite No Seu Coração
      06)   Sexo Tântrico
      07)   Conversando Com o Espelho
      08)   Tudo Vai Melhorar
      09)   Sua Alma Vai Vagar Por Aí