quarta-feira, 9 de julho de 2014

Elis – Griefshire (2006)

Por Rafael Menegueti

Elis - Griefshire
Ontem (08/07) completou-se oito anos da morte de Sabine Dünser, ex-vocalista da banda de metal gótico/sinfônico liechtensteiniense Elis. A vocalista sofreu um AVC durante um ensaio da banda. Ela tinha apenas 29 anos. A banda havia acabado de finalizar a produção do álbum “Griefshire” que seria lançado em seguida. O disco foi lançado postumamente em novembro daquele ano (2006), e como homenagem, será sobre esse disco o texto de hoje.

Para quem não conhece a banda, o Elis foi um grupo que conseguiu uma rápida ascenção na cena do metal gótico na Europa em meados dos anos 2000. O grupo já havia feito sucesso com o publico e a critica em seu segundo disco, “Dark Clouds In A Perfect Sky”, e se focava em uma sonoridade pesada e sombria nas suas músicas. Algumas de suas principais influências eram o After Forever, Nightwish, Soilwork, Tristania e Theater of Tragedy.

Os membros do Elis em foto promocional de Griefshire
O disco trata-se de um álbum conceitual. Uma história sobre uma família extremamente religiosa que busca a salvação em meio aos seus desejos e dores após a morte do pai deles, quando o irmão mais velho inicia uma seita. As letras vão transcrevendo essa historia como uma narrativa feita pelo irmão mais novo da família. Em forma de poemas, as músicas traçam essa história aliadas as melodias fortes e por vezes explosiva que possuem. Outra característica da banda também está presente aqui: a mescla de letras em inglês e alemão, costumeira nas composições de Sabine.

O disco segue a mesma linha do trabalho anterior da banda. O Elis investia num som cheio de riffs, solos e arranjos sinfônicos e de teclados para dar atmosfera às músicas. Com as melodias criadas pela junção dos coros com as guitarras pode-se perceber a principal tendência desse estilo em soar melancólico e trágico, e obviamente gótico. Os instrumentos estão bem produzidos, e nada parece se sobressair mais do que deveria. Ótimas linhas de guitarra baixo e bateria, provando a competência dos músicos.

Neste disco Sabine nos brindou com algumas de suas melhores performances vocais. “Show Me The Way” é uma faixa que ganha o ouvinte na primeira audição, com seu refrão repetitivo e pegajoso, mas que agrada. “Tales From Heaven and hell”, que abre o disco, segue a mesma linha. “Brothers” por sua vez é mais sombria e obscura. “Phoenix From the Ashes” mostra uma banda enérgica e agressiva, com seu riff pesado e acelerado. “How Long” e “Forgotten Love” já são mais melódicas, baladinhas típicas que não podiam faltar e quebram o peso do disco. Os vocais guturais de baixista Tom Saxer deixam as faixas ainda mais sombrias e com um ar fantasmagórico. O disco ainda encerra com duas ótimas faixas: “The Burning” e “The New Decade”, que encerram também a história. Como faixa bônus, uma cover de “Heaven & Hell”, do Black Sabbath, chega para complementar a temática do álbum.

Sabine Dünser - (1977 - 2006)
Infelizmente Sabine já não estava mais entre nós para colher os frutos desse grande trabalho. “Griefshire” acabou sendo sua despedida e melhor momento na banda. O disco acabou lançado dedicado a ela, assim como todo o breve restante do trabalho da banda. O Elis chegou a lançar mais um disco, “Catharsis” com uma nova vocalista. Mas após duas desistências, de Sandra Schleret e também de Simone Christinat (que sequer chegou a gravar com o grupo), a banda decidiu encerrar as atividades. Seus membros agora tentam com uma nova banda, chamada Zirkonium, mas que ainda não lançou seu álbum de estréia. Foi o melhor a fazer para preservar a memória do grupo com Sabine e seu talento.

Nota: 9/10

Faixas:

1. "Tales From Heaven or Hell" - 4:17
2. "Die Stadt" (The City) - 4:19
3. "Show Me the Way" - 4:06
4. "Brothers" - 4:23
5. "Seit dem Anbeginn der Zeit" (Since The Beginning of Time) - 5:40
6. "Remember the Promise" - 3:24
7. "Phoenix From the Ashes" - 4:19
8. "How Long" [another version on Digipack] - 4:03
9. "Innocent Hearts" - 5:11
10. "Forgotten Love" - 4:23
11. "The Burning" - 4:43
12. "A New Decade" - 3:46
13. "Heaven and Hell" (Black Sabbath cover) (Bonus Track) - 4:53

terça-feira, 8 de julho de 2014

Noticias do rock (pra não perder o costume)

Por Rafael Menegueti

Bruce Dickinson provoca a ira dos punks

O vocalista do Iron Maiden deixou todos os punks revoltados com uma declaração um tanto exagerada dada em uma recente entrevista. Tudo começou com a escalação do Metallica para o festival Glastonbury, conhecido festival da cena indie. O que gerou criticas por parte dos frequentadores, por uma banda de metal entrar no line up, e fez com que Bruce decidisse alfinetar o evento. Mas junto ele alfinetou os punks, ao dizer que o mundo artístico abraçou esse movimento por ele ser um lixo e por isso poderem controlá-lo. Ele ainda acabou afirmando que eles não sabem tocar e teriam inveja do metal.

Bruce falou demais dessa vez
Obviamente uma declaração dessas não podia passar desapercebida, e logo vários nomes do punk responderam à Bruce. Rat Scabies , do The Damned, desafiou o Iron a tocar “Smash It Up” como ela foi escrita. Já o Dead Kennedys postou em sua pagina no Facebook: “Não acho que Bruce tenha visto East Bay Ray tocando guitarra alguma vez”. Como fã do trabalho do Iron Maiden, mas também como alguém que gosta e admira o punk rock, particularmente eu acho essa discussão desnecessária e completamente sem sentido. Ambos os gêneros são geniais e merecem respeito. Se realmente foi isso que Bruce pretendia dizer (e não houve uma “maquiada” por parte do The Guardian”), então devo dizer que ele pisou na bola.

Revelada a identidade de Papa Emeritus II, do Ghost (se você ainda não sabia)

Tobias Forge/Papa Emeritus II
Conhecidos por deixarem suas identidades em segredo, os suecos do Ghost parecem ter decidido permitir que elas fossem reveladas aos poucos. Isso porque Nergal, do Behemoth, postou uma foto ao lado do vocalista Papa Emeritus II, com uma legenda sugerindo isso. Ele é Tobias Forge, conhecido da cena metal com outras bandas como o Repugnant, entre outras. Essa informação, no entanto, não é uma grande surpresa, pois muita gente já especulava que ele seria realmente o dono da voz da banda.

Nickelback deve voltar ao Brasil em setembro

O segundo semenstre já está repleto de atrações para quem gosta de rock, e mais uma parece estar sendo confirmada. Os canadenses do Nickelback podem desembarcar novamente por aqui em setembro, um ano após o show no Rock In Rio. Ainda não há muitas informações e nem mesmo uma confirmação, mas a banda deve passar por São Paulo e outras cidades na turnê. O grupo é considerado um dos melhores do chamado pós-grunge, e é conhecido por seus excelentes shows, cheios de energia e muito bem realizados.

Pink Floyd lançará novo disco em outubro

David Gilmour do Pink Floyd
Para os fãs da maior banda de rock progressivo de todos os tempos, o segundo semestre promete trazer bastante ansiedade. Isso porque um novo disco de inéditas será lançado em outubro, com o nome “The Endless River”. O disco será basicamente de faixas ambientais e instrumentais, com material produzido há aproximadamente 20 anos. O que pode trazer um pouco de frustração aos fãs no entanto é saber que Roger Waters não faz parte dele, e também que a banda não fará uma turnê de divulgação.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Cazuza – Exagerado (1985)





Por Davi Pascale

Em 7 de Julho de 1990, Agenor de Miranda Araujo Neto, morria vitima da Aids. Mais conhecido como Cazuza, o rapaz conquistou o Brasil com suas letras poéticas, sua atitude debochada e suas falas polêmicas. Já escrevemos um texto falando um pouco sobre o rapaz aqui no blog, portanto, não escreverei sobre sua carreira e sim, sobre seu primeiro álbum solo, Exagerado.

Cazuza abandonou o Barão Vermelho quando estavam no auge do sucesso. Depois de dois discos mal sucedidos, o grupo carioca finalmente havia conquistado o grande publico impulsionados pela canção “Bete Balanço” – trilha do filme homônimo – e pela apresentação no Rock In Rio I, em 1985. O cantor optou pela saída logo após receberem seu primeiro disco de ouro e um dia antes de renovaram o contrato para seu quarto álbum. Engana-se quem acredita que o pessoal passou a mão na cabeça dele desde o inicio. O rapaz foi muito criticado, inclusive por seus colegas de banda que se sentiam traídos e inseguros.

O produtor Ezequiel Neves – parceiro do cantor, não apenas no trabalho musical, mas também em suas loucuras – foi o único que apoiou o rapaz desde o inicio, ainda que deixasse claro que não tomaria partido. Gostava da banda e não deixaria de trabalhar com um para trabalhar com outro. Ezequiel continuou do lado tanto do Barão quanto do Cazuza. Para não prejudicar ainda mais o grupo – sua saída já era um choque grande, já que ele era visto como integrante principal pela imprensa – optou por dividir o repertorio do álbum em dois. 5 músicas para o Barão e 5 para sua estréia solo. 

Metade do seu primeiro disco seria de Declare Guerra

Nesse mesmo ano, aos 27 anos de idade, fez seu primeiro teste HIV. Cazuza tinha medo que pudesse ter contraído a doença. Quem pediu o teste na ocasião, inclusive, foi o próprio cantor. O garoto ficou 11 dias internado no Hospital São Lucas em Copacabana. Estava ficando com febre frequentemente e quando foi internado, segundo sua mãe Lucinha Araujo conta no livro Só As Mães São Felizes, sua febre já havia passado de 40 e estava tendo crises de convulsões incontroláveis. Na ocasião, foi diagnosticado com Streptococus Viridans, um vírus que se instala nos pulmões. A idéia de ter algo mais não saía de sua cabeça. Esse exame, contudo, deu negativo.

Foi durante esse temporada que nasceu a canção “Codinome Beija-Flor”, inspirada pelos beija-flores que voavam no jardim do hospital. A faixa-título, “Exagerado”, a mais marcante desse período, era uma parceria do cantor com Leoni (Kid Abelha), e foi uma das que saíram a seu favor na divisão de repertório. Muitos acreditavam que a faixa era sobre si próprio, mas na verdade ela foi composta em homenagem à Ezequiel Neves, o famoso Zeca.

Uma das razões que fez com que optasse sair do conjunto era a falta de liberdade criativa. Embora tivesse um bom relacionamento com os músicos, em especial o guitarrista Frejat, o cantor ficava incomodado com o fato de não poder ir além do rock e do blues. Queria experimentar novos horizontes, novas linguagens. No seu debut solo, já se notava isso. Em especial, na já citada “Codinome Beija-Flor”, uma balada com arranjo orquestrado e extremamente sutil. Algo que nunca poderia fazer com o Barão. O LP também trazia uma sonoridade mais magra, afastando-o de vez da influencia blues rock do Barão Vermelho e o aproximando cada vez mais da linguagem pop rock. Outro grande destaque é a balada "Mal Nenhum", parceria com o músico Lobão, que já havia sido apresentada ao grande público no já citado Rock in Rio.

O disco, produzido pelo cantor e compositor Nico Rezende (Ezequiel produziu o Declare Guerra do Barão, mas ajudou o Cazuza a compor o material do seu LP), chegou às lojas em 15 de Novembro de 1985. Foi seu ultimo lançamento pela Som Livre que, na ocasião, havia mudado sua filosofia e decidiu encerrar seu cast. Só Se For a Dois, seu álbum seguinte, seria lançado pela Polygram.  Voltando à sua estréia solo, o LP trouxe polêmica com a música “Só As Mães São Felizes”. Na letra, dava uma de Jim Morrison questionando “quem nunca quis matar o seu pai ou comer a sua mãe”. Em entrevista ao Jornal da Bahia, em Fevereiro de 1986, explicou que a musica nasceu a partir de um verso de Jack Kerouac. “É uma homenagem à todos os poetas malditos. As pessoas que, de certa forma, vivem o lado escuro da vida. Gente que barbariza, que é santo e demônio ao mesmo tempo”.

Ezequiel Neves e Cazuza morreram com uma diferença exata de 20 anos
 
As frases não saíam da cabeça dos repórteres, que insistiam na pergunta como se Cazuza, no fundo, realmente desejasse aquilo. Em outubro de 1987, o Jornal do Brasil fez uma nova matéria com o cantor , que já estava de saco cheio do assunto e resolveu ser irônico. “Gostaria de transar com minha mãe e meu pai também. Eles são muitos gostosos. Mas eu gosto mesmo é de broto, eles estão passados”. Lucinha foi quem ficou mais chocada com a resposta, depois explicada pelo filho. Segundo Cazuza, a pergunta era tão ridícula que não merecia uma resposta séria.

Seu primeiro show solo ocorreu em 17 de Janeiro de 1986 no Morro da Urca (Rio de Janeiro). O cantor ainda não estava com HIV. Sua performance ainda era semelhante à de seu tempos do Barão. Pulava, dançava, esbanjava energia. Sua alegria, contudo, não duraria muito.  Em 26 de Abril de 1987, quando estava prestes a fazer sua estréia no Teatro Ipanema para divulgar seu segundo LP Só Se For A Dois, o médico Abdon Issa deu o recado aos pais do cantor: Cazuza estava com Aids. Se hoje, a pessoa que tem a doença não se cura, mas vive com a mesma. Naquela época, contraí-la significava morte certa. Por ironia do destino, em 7 de Julho de 2010, 20 anos após sua morte, morria Ezequiel Neves, vitima de um câncer no cérebro. Cazuza, se foi, mas sua obra continua influenciando milhares de pessoas. Nesse exato momento, temos uma peça teatral com o nome de "Pro Dia Nascer Feliz, o Musical" correndo todo o país. Homenagem, certamente, mais do que merecida.

Faixas:

01) Exagerado
02) Medieval II
03) Cumplice
04) Mal Nenhum
05) Balada de um Louco
06) Codinome Beija-Flor
07) Desastre Mental
08) Boa Vida
09) Só As Mães São Felizes
10) Rock da Descerebração

domingo, 6 de julho de 2014

Arnaldo Baptista - Loki (1974)





Por Davi Pascale
Hoje, Arnaldo Dias Baptista completa 66 anos de idade. Para homenageá-lo, resolvi escrever sobre esse disco. Clássico do rock brasileiro, porém desconhecido por muitos garotos da nova geração. Lançado originalmente em 1974, embora seja atualmente cultuado, na época suas vendagens foram inexpressivas. O mutante Arnaldo Baptista vivia um momento de dor. Essa dor permeia todo o álbum. Em seu primeiro trabalho solo, falava, principalmente, sobre o fim do relacionamento com a cantora Rita Lee.

Quem não conhece a história do rapaz, pode achar algumas letras estranhas. Quem conhece, considera-as autobiográficas. A canção que abre o álbum “Será Que Vou Virar Bolor” é um ótimo exemplo disso. Fala sobre a dificuldade de começar sua vida novamente do zero. A frase mais emblemática talvez seja ‘não gosto do Alice Cooper’. Para muitos, essa frase pode soar desconexa ou uma crítica à música do momento. Na verdade, a razão era outra. O cantor americano havia se apresentado pela primeira vez no Brasil naquele ano e sua ex-esposa (sim, a Rita) era acusada de ter tido um romance com um dos músicos do conjunto.

Emocionalmente abalado, o musico canta várias faixas bastante emocionado. Muitos questionam o (excelente) guitarrista Sergio Dias por continuar o Mutantes após a saída de Arnaldo. Na verdade, eu questiono a volta. Enfim, seja qual for sua crítica, a verdade é que isso já havia existido antes. O Mutantes já havia gravado um disco sem Arnaldo e sem Rita nos anos 70. Em Tudo Foi Feito Pelo Sol, Sergio já era o único integrante da formação clássica.

Arnaldo sofria com fim do casamento com Rita Lee

Arnaldo Baptista, como já disse, estava em uma fase delicada. Recém-separado de Rita Lee, brigado com seu irmão Sergio Dias (o que rendeu sua saída dos Mutantes), além de estar viciado em drogas. Muitas histórias curiosas envolvem esse período. Havia uma história de que na fase de Mutantes e Seus Cometas no Pais dos Baurets, os músicos viviam em uma comunidade hippie na Serra da Cantareira, se aprofundando cada vez mais nas drogas e nas práticas sexuais. Havia ainda uma outra história de que Arnaldo havia inventado uma linguagem própria e falava sobre construir uma nave. Como podem ver, os rapazes viviam o slogan ‘sexo, drogas e rock n roll’ como ninguém.

Lóki é marcado pela ausência de guitarras, símbolo máximo do rock n roll. Isso foi proposital. Queria fazer algo que tivesse a sua marca, e não a marca dos Mutantes. Conhecido por ser perfeccionista, muitos estranharam sua atitude de querer fazer um disco espontâneo, em pouquíssimos takes e gravado ao vivo. Mas foi um acerto. Embora seja verdade que parte dessa decisão foi influenciada por estar emocionalmente abalado. O ponto principal é seu piano, talento herdado de sua mãe, Clarisse Leite. Essa influencia fica bastante nítida na instrumental "Honky Tonky"". Embora, não tivesse a intenção de soar como os Mutantes, os músicos de sua ex-banda aparecem todos por aqui. Dinho Leme e Liminha (sim, é esse mesmo que você está pensando. O produtor) da fase final. E até mesmo Rita Lee aparece nos backing de algumas faixas. O único que não deu as caras por aqui foi Sergio Dias. Agora... musicalmente falando, realmente é bem distinto de sua ex-banda. Mistura ao seu piano clássico influencias de blues, jazz, samba, funk... Os grandes destaques ficam por conta de "Não to Nem Aí", "Vou Me Afundar Na Lingerie" e "Desculpe".

O LP foi produzido por Roberto Menescal, exímio musico conhecido por seu trabalho ligado à bossa nova. Na época, era presidente da gravadora Philips e foi ele quem tomou a decisão de viabilizar o projeto. Quando mostrou as demos em uma reunião com os engravatados, todos questionaram se ele tinha certeza que queria gravar aquele disco. Os executivos não botavam fé no material, sem contar que Arnaldo já havia criado sua fama de louco. No documentário de 2008, o produtor declarou que teve o insight de que aquele poderia ser um disco histórico. E foi! Sem dúvidas, o descaso da gravadora ajudou para que o material não vingasse. Não teve show de lançamento, a divulgação foi bem fraquinha. Entretanto, o material sobreviveu a prova do tempo.

Musico prova que era possível fazer rock sem guitarra

Esse mesmo abalo que impulsionou a criação de Lóki, também colocou meio que um fim em uma carreira que poderia ter sido interessantíssima. Além da dificuldade do fim de seu casamento com a Rita e de sua relação com as drogas, o musico tinha que viver com o preconceito da sociedade que insistia em taxa-lo como louco. Em vários momentos, o rapaz ficava agressivo, por conta de seu vício, e isso fez com que fosse internado algumas vezes. Tratado como louco mesmo, com camisa de força e tudo mais. Em 1982, na noite de Reveillon, cansado de tudo isso, Arnaldo Dias Baptista se atirou da janela do Hospital do Servidor Publico de São Paulo.

Arnaldo Baptista não morreu, mas chegou perto. O musico que sofreu traumatismo craniano, chegou a ficar em coma. O ‘acidente’ trouxe sequelas irreversíveis afetando sua coordenação e sua fala. Desde essa época, o rapaz tem se dedicado mais às pinturas do que à música. Embora seja verdade que parte disso ocorra por falta de apoio. Arnaldo tem um novo disco pronto chamado Esphera, mas ainda não conseguiu encontrar quem queira investir no projeto. Torcemos para que o disco consiga chegar às lojas em breve. Essa é mais uma daquelas figuras que é mais respeitada fora do Brasil do que dentro dele. Pena!

Faixas:
      01)   Será Que Vou Virar Bolor?
      02)   Uma Pessoa Só
      03)   Não Estou Nem Aí
      04)   Vou Me Afundar na Lingerie
      05)   Honky Tonky (Patrulha do Espaço)
      06)   Cê Tá Pensando Que Eu Sou Lóki?
      07)   Desculpe
      08)   Navegar de Novo
      09)   Te Amo Podes Crer
      10)   É Fácil

sábado, 5 de julho de 2014

Timo Tolkki's Avalon - Angels of the Apocalypse (2014)

Por Rafael Menegueti

Timo Tolkki's Avalon - Angels of the Apocalypse

Um ano após nos trazer a primeira parte (na verdade última, lembram?) de sua trilogia em ópera metal, Timo Tolkki agora lança “Angels of the Apocalypse”, segunda parte de seu projeto Avalon. Pena que isso não signifique uma evolução no seu trabalho. Inconsistente e cheio de defeitos, esse disco nem de perto lembra o bom “The Land of New Hope”, lançado ano passado. Então vamos ao que interessa.

Primeiro, vale frisar que se uma coisa não ficou ruim nesse disco foram os vocais. Fabio Lione, Elise Ryd (única que havia participado do antecessor), Floor Jansen, David DeFeis (Virgin Steele), Simone Simons (Epica), Caterina Nix e Zachary Stevens (ex-Savatage, Circle II Circle) formam o time de vozes desse trabalho. De todos, o único que definitivamente não me agrada é David Defeis. A faixa onde ele canta, “Rise of the 4th Reich”, é de longe a mais fraca e estranha. Com guitarras mal mixadas e um vocal desastroso, ela é difícil de aturar.

Floor Jansen salva a fraca “The Paradise Lost” (que parece acabar de repente) e se destaca em “You’ll Bleed Forever” e “Design The Century”, que são boas músicas, apesar da falta de inspiração de Timo nas guitarras. “Neon Sirens”, cantada por Zak Stevens, é uma outra que poderia ficar melhor com um pouco mais de empolgação. Os solos e riffs parecem muito pouco para o potencial que a faixa teria. As faixas com Simone Simons no vocal (“High Above of Me” e “Angels of the Apocalypse”) também são interessantes, com bons arranjos orquestrais.

O guitarrista finlandês Timo Tolkki

Fabio Lione é outro que segura bem as faixas onde participa. “Stargate Atlantis” se salva com sua performance, e “Jerusalen Is Falling”, faixa que abre o disco, é uma das poucas realmente empolgantes. No demais, acho extremamente triste que um disco de um projeto de um guitarrista precise tanto dos convidados especiais para ser interessante.

Instrumentalmente o disco é bem confuso. Algumas faixas até possuem bons arranjos e rifs e solos bacanas, casos de “Jerusalen Is Falling”, “Design The Century” e “Angels of the Apocalypse”, mas o resto decepciona. Arranjos muito simples, guitarras baixas, um som que parece não ter a atmosfera comum em trabalhos de power metal. As mixagens são fracas e deixam o disco ainda menos empolgante. E isso é uma pena, pois esse trabalho realmente tinha potencial. Ao invés de avançar, ele regrediu. Agora é torcer para que a parte final da trilogia compense a falta de inspiração presente nesse disco.


Nota: 4/10
Status: Decepcionante

Faixas:
1. "Song for Eden"
2. "Jerusalem is Falling"
3. "Design the Century"
4. "Rise of the 4th Reich"
5. "Stargate Atlantis"
6. "You'll Bleed Forever"
7. "The Paradise Lost"
8. "Neon Sirens"
9. "High Above Me"
10. "Angels of the Apocalypse" 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

I Wanna Hold Your Hand (1978)



Por Davi Pascale

Hoje, resolvi fazer algo diferente. Decidi escrever não sobre um disco, nem sobre um DVD ao vivo. E, sim sobre um filme. Em 1978, Steven Spielberg produziu um longa que retratava a Beatlemania. Não se trata de um documentário, contudo. A película era uma comédia que brincava com o fanatismo em torno dos rapazes. Foi muito popular no Brasil na década de 80, sendo exibido diversas vezes na televisão, com o nome de Febre da Juventude. E permanece inédito em DVD em nosso país.

A história se passa no ano de 1964 e gira em torno da mitológica apresentação dos fab four no programa do Ed Sullivan, uma espécie de Silvio Santos dos Estados Unidos. Grace, Rosie e Pam resolvem ir até Nova Iorque para conferirem a apresentação de perto. Grace Corrigan cria um plano de se hospedarem no mesmo hotel que os rapazes. A garota, que busca reconhecimento na área de jornalismo, sonha em conseguir fotos exclusivas dos quatro garotos de Liverpool.

Rosie Petrofskey é a típica fã adolescente. Sonha em se casar com Paul McCartney. Mais do que isso, acredita que esteja predestinada. Compra tudo que encontra dos Beatles pela frente. É certamente a mais fanática das garotas. Grita, chora, desmaia. Seus ataques de histerismo rendem boas risadas. Pam Mitchell é exatamente o oposto. Tímida e vinda de uma família com criação rígida, está desesperada com a aventura. Tem casamento marcado com Eddie Lupus na noite após o show e tem medo do que o noivo possa pensar de toda essa experiência.

Para driblarem os policias em volta do hotel, decidem contratar uma limousine, mas obviamente não têm dinheiro para isso. Logo, se recordam de Larry Dubois, cujo pai é dono de uma limo e convencem o garoto à leva-las até o show. Juntam-se à trupe Janis Goldman que resolve protestar contra os Beatles, acusando-os de estarem acabando com a verdadeira música, e Tony Smarkos, garoto arruaceiro que odeia o grupo, mas decide ir para ver se consegue alguma coisa com Janis.

Comédia retrata o fenômeno 'beatlemania'

Embora ficcional, retrata várias situações da época. As garotas gritando histéricas na frente do hotel e perseguindo o carro dos músicos. Promoções de rádio, obedecendo as gírias e as brincadeiras da época. O fanatismo exagerado do público feminino que chorava para os repórteres de TV dizendo que se matariam, caso não casassem com Paul McCartney. Gente desmaiando na plateia, gritos cobrindo o volume da banda, os quadros típicos dos programas televisivos, o merchandising em torno da banda. Está tudo ali, devidamente retratado.

Os grandes destaques ficam por conta do arruaceiro Tony, que fica revoltado com o fato de todas as garotas da cidade estarem apaixonadas pelos músicos e, por conta disso, não estar conseguindo sucesso com as meninas e Richard ‘Ringo’ Klaus, um fanático que vive escondido dentro do hotel (está hospedado ilegalmente) e se orgulha de ter um punhadinho de grama, onde os Beatles supostamente pisaram. Nas palavras do próprio, seu maior tesouro.

Com bons atores e ótimo roteiro, o filme passa rapidinho. Nem sentimos o tempo passar. E claro, damos alta risadas com todas as maluquices desses fãs doentes. Embora não esteja em catálogo no momento, pelo menos no Brasil, é fácil de encontrar o filme na internet. Quem não conhece, assista. Diversão garantida!