quarta-feira, 4 de junho de 2014

Velhas Virgens – Ninguém Beija Como As Lésbicas DVD (2013)



 
Por Davi Pascale
 
Descobri esse DVD por acaso. Acompanho os Velhas Virgens desde que lançaram o álbum Foi Bom Pra Você? no longínquo ano de 1995. Tinha entrado no site oficial da banda para comprar os CD´s Carnavelhas Vol 3: Bebadoriso e Todos Os Dias A Cerveja Salva Minha Vida (em breve estarei resenhando esse novo álbum aqui no blog), os únicos que ainda não tinha adquirido e me deparei com esse vídeo. Lógico que tive que comprar. Nesse oitavo DVD, o grupo nos brinda com uma apresentação realizada em Curitiba em 2011. Sem cortes e sem ajustes em estúdio.
Na ocasião, o grupo estava encerrando a turnê de divulgação do álbum Ninguém Beija Como As Lésbicas, primeira gira com o guitarrista Roy Carlini (filho do lendário guitarrista Luis Carlini). A apresentação está um pouco mais profissional do que estou acostumado a assistir quando o assunto é Velhas Virgens. Há poucas pausas entre uma música e outra, os músicos estão mais entrosados e Paulão Carvalho está conseguindo manter a voz até o fim da apresentação. Já tinha assistido outros shows onde ele começava super bem e depois ia caindo de rendimento devido ao grande consumo de cerveja em cima do palco.
Quem está acostumado com o trabalho do grupo, sabe que o mesmo não é muito amigo de novidades. A essência do show ainda é a mesma. As temáticas são as mesmas. Álcool e mulher. Sempre tratado com uma enorme irreverência, que só pode ser comparada à do grupo baiano Camisa de Vênus. Os demais grupos que se dizem irreverentes não são páreo para os garotos. Não há limites nem nos assuntos, nem nas expressões, nem na sua performance. Se você é aquela pessoa caretinha e conservadora, essa banda definitivamente não é para você.
 
Sexo e cerveja continuam sendo os principais temas do Velhas Virgens
 
Uma da características mais bacanas do rock n´ roll é a diversão. E é exatamente isso que o grupo traz quando sobe ao palco. Essa não é aquela banda que os garotos vão aos shows para ver o que o cara sabe ou não fazer em seu respectivo instrumento e nem é aquela banda onde o cara vai para refletir. Esse é o tipo de show onde a garotada vai para ligar um foda-se e esquecer dos problemas da vida durante um tempo. Seus fãs sabem todas as letras de cor. Basta Paulão jogar o microfone para a plateia ou fazer algum sinal do palco pedindo para que cantem, e escutamos toda a plateia gritando a plenos pulmões frases que fariam Rafinha Bastos ficar morrendo de vergonha.
As brincadeiras não estão somente nas letras das músicas, mas também no diálogo com a plateia. Durante “Siririca Baby”, o cantor dispara “se você não conseguir tocar uma siririca ou uma bronha, (me digam) que porra de ser humano você é?”. Quem acha que as garotas se sentem insultadas está redondamente enganado. A plateia cai na gargalhada. Afinal, em um show de uma banda chamada Velhas Virgens não dá para esperar palavras poéticas, não é mesmo? Algumas vão, inclusive, além das risadas. Durante a faixa que dá nome ao espetáculo, duas garotas começam a se beijar, sem se importar com a presença das câmeras, deixando vários garotos que estavam em volta empolgados com a cena. Nem a banda escapa das tirações de sarro. “Antigamente eu criticava a MTV, mas agora estão passando o nosso clip. Então agora eu os aplaudo. Sim, somos vendidos. Mas só me vendo se for para receber cerveja boa”. 
É verdade que em alguns trabalhos de estúdio, a banda pega mais leve no quesito putaria, como aconteceu em Com a Cabeça no Lugar e até mesmo no recém-lançado Todos Os Dias A Cerveja Salva Minha Vida, mas mesmo assim não dá para taxa-los de vendidos. O grupo está muito longe de se enquadrar naquilo que é considerado padrões FM. Até porque mesmo quando “pegam leve” nos discos, nos shows não sobram pedra sobre pedra. Lembro que os assisti na divulgação do já citado disco Com a Cabeça no Lugar, no Morrison Bar em São Paulo, e a apresentação não havia mudado em nada. A mesma putaria de sempre.
 
A ex-Patotinha Juliana Kosso se destaca no show
 
Já é tradição no Velhas Virgens, a presença de uma cantora. Desde o início do grupo até os dias atuais, alguns rostos já passaram pelo posto. Entretanto, a atual Juliana Kosso, é minha preferida. Superando, inclusive, a cultuada Claudia Lino, atual pastora da igreja Bola de Neve (quem diria, hein?). Extremamente carismática e dona de uma boa voz, a linda ruivinha deixa os pudores de lado e entra na brincadeira provocando o público com performances sensuais e frases como “me falaram que aqui tem homem bem dotado. E super bem dotado? Tem algum aqui essa noite?” e “eu dou para quem eu quiser”. Não é necessário dizer que os garotos da plateia vão à loucura.
 
Com 25 anos de estrada, o Velhas Virgens consegue manter integridade artística e conquistar um público fiel e grande o suficiente para lhe render o título de “maior banda independente do Brasil” sem precisar fazer concessões. Para mim, uma das melhores bandas brasileiras da atualidade. Se você gosta de rock n´ roll e não se importa com letras explicitas sobre sexo e bebedeira, a diversão está garantida.
 
Nota: 8,0 / 10,0
Status: Divertido
Faixas:
01)   Intro
02)   O Gênio da Garrafa 
03)   Essa Mulher Só Quer Viver Na Balada 
04)   Tudo O Que A Gente Faz 
05)   Toda Puta Mora Longe 
06)   Cafajeste 
07)   Velho Safado 
08)   Ninguém Beija Como As Lésbicas 
09)   Strip & Blues 
10)   E O Que É Que A Gente Quer? (B.U.C.E.T.A.) 
11)   A Última Partida de Bilhar 
12)   Siririca Baby 
13)   Madrugada e Meia 
14)   Abre Essas Pernas 
15)   O Amor É Outra Coisa 
16)   Beijos de Corpo 
17)   Uns Drinks 
18)   Bortolotto Blues 
19)   Essa Mulher Só Quer Viver Na Balada Videoclipe (Extra) 
20)   Velho Safado Videoclipe (Extra)                                                               

terça-feira, 3 de junho de 2014

Global Metal (Documentário – Dirigido por Sam Dunn e Scott McFadyen)

Por Rafael Menegueti


Após o grande sucesso do documentário “Metal – A Headbangers Journey”, o cineasta Sam Dunn sentiu a necessidade de ampliar o seu estudo sobre a historia do heavy metal. Ele havia abordado as grandes bandas e o impacto que o estilo havia gerado na sociedade ao longo dos anos. No entanto, o heavy metal é um estilo grande demais, e ele pode ser encontrado até nos mais improváveis e longínquos lugares.

Com essa idéia em mente, Sam tratou de fazer um novo documentário. Dessa vez, ele queria mostrar como o metal é grande, e como ele é visto em lugares onde as pessoas poderiam imaginar que ele não tem força. Dentre os lugares mostrados por Sam estão o Brasil, Índia, Japão, Israel, Indonésia e China.

O curioso é que cada um desses países tem uma historia diferente e interessante para ser mostrada sobre sua relação com o metal. O Brasil tem a galeria do rock, e o Rock In Rio, grande responsável pela popularização do estilo no país. No Japão, chama a atenção o estilo totalmente diferente das bandas locais, e como a cena é forte e intensa.

Outros lugares retratam mais a dificuldade e o preconceito que os fãs e músicos sofrem por conta de sua cultura local, casos de Índia, China e Indonésia. Curiosamente o Irã seria retratado também no filme, mas a equipe teve o visto de entrada no país negado. Em todos esses lugares, é possível conhecer a historia de alguns músicos locais, e como o metal mudou suas vidas.

Sam Dunn e Scott McFadyen mostram o metal em diversas culturas
Conhecemos integrantes do Tang Dynasty, banda chinesa que foi pioneira do estilo na China. Também ouvimos historias sobre como a relação entre a religião e os costumes locais podem interferir na liberdade dos indianos de ouvirem o estilo. E como esses mesmos fatores, mais a intolerância, afetaram a vida de músicos israelenses. Todos os depoimentos são ótimas amostras de como diferentes culturas conseguem lidar com o mesmo elemento: o heavy metal.

Há ainda depoimentos de músicos como Lars Ulrich, sobre os incidentes ocorridos em um show do Metallica na Indonésia, também do Slayer, Max Cavalera e Bruce Dickingson. Todos com historias e depoimentos sobre a relação de sua música com esses públicos tão distintos.


Se com seu primeiro documentário Sam Dunn conseguiu contar com extrema riqueza de detalhes a historia do metal, em “Global Metal” ele demonstra que o estilo ultrapassou qualquer barreira cultural e se espalhou com sucesso e muito peso pelos mais distantes e improváveis países do mundo.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Metal – A headbangers Journey (documentario - Dirigido por Sam Dunn)

Por Rafael Menegueti

Metal - A Headbangers Journey (2005)

Para quem quer conhecer um pouco mais sobre a historia do metal, não apenas em relação à música em si, mas levando em consideração todo o universo que o cerca, o trabalho do diretor canadense Sam Dunn é mais do que obrigatório. Esse sociólogo e músico de 40 anos já produziu inúmeros trabalhos sobre o estilo, inclusive o documentário Iron Maiden: Flight 666, sobre a longa e extensa turnê mundial da banda. Mas os trabalhos que o fizeram ficar famoso no meio foram os documentários sobre a historia do gênero que já citei.

“Metal – A Headbangers Journey” foi o primeiro trabalho dele. Nasceu, segundo o próprio, da sua vontade de explorar e documentar a cultura do heavy metal, que desde a adolescência o conquistou. O resultado de seu esforço é um dos mais completos e interessantes materiais sobre o estilo que se tem conhecimento.

Sam circula o mundo atrás das origens do estilo, desde Birmingham, onde surgiu o Black Sabbath, precursores do estilo, até as sombrias florestas norueguesas, onde o black metal assustou o mundo na década de 90. Sam também definiu nele uma famosa “arvore genealógica”, com a evolução e definição dos inúmeros gêneros e vertentes do metal. Abordando a relação da música com a sociedade, a juventude, a religião, a sexualidade e a violência, Sam disseca o heavy metal ao mesmo tempo que busca provar que o estilo é incompreendido e subestimado pelas pessoas que não o conhecem.

O documentarista e músico canadense Sam Dunn
Para conseguir tal resultado, ele conseguiu entrevistas com ícones e pessoas que influenciaram e revolucionaram a historia do rock e do metal, como Ronnie James Dio, Bruce Dickinson, Tony Iommi, Lemmy Kilmister e Alice Cooper. Outras entrevistas se provaram ainda mais surpreendentes e polemicas, casos dos noruegueses do Mayhem, de Gaahl, Tom Araya (Slayer) e Dee Snider (Twisted Sister). Esse ultimo falando principalmente sobre a caça que o metal sofreu durante muito tempo pelas autoridades pelo seu tom rebelde e libertino.


Tanta informação e historia não só fizeram desse documentário uma aula sobre o gênero para qualquer um que quisesse conhecê-lo, como ainda abriu espaço para abordar ainda mais o tema, em outras continuações como o também excelente “Global Metal”, documentário onde ele circula por locais onde o metal aparece com uma in=mprovavel e surpeendente força, apesar de diferenças culturais tão gritantes, como Índia, Japão, China e Brasil. E é sobre isso que eu falarei mais amanhã aqui no blog.

domingo, 1 de junho de 2014

Winger – Better Days Comin´ (2014)



Por Davi Pascale

Depois de um hiato de 5 anos, o Winger solta no mercado um CD de inéditas. Em seu antecessor, (o bom) Karma, a sonoridade era mais pesada, mais sombria. O novo CD mescla melhor a equação melodia x peso. Os teclados voltam a aparecer um pouco mais. Não tanto quanto nos dois primeiros trabalhos, mas ainda assim bastante presente. Honestamente, em se tratando de Winger, prefiro assim.

A cena de hard rock anos 80 foi (e ainda é) tratada com bastante preconceito pelos críticos musicais de nosso país. Enquanto nos EUA, o gênero era vendido como hair metal, ou seja uma vertente do heavy metal que tinha certa preocupação com o visual, em nosso país era chamado de farofa por conta dos refrões pegajosos e assédio feminino em cima dos músicos. De boa, essas características já existiam no rock antes dos anos 80.

O grande diferencial é que os músicos dessa geração passaram a ter uma preocupação maior com seu visual. Muito provavelmente porque enquanto o principal formato de divulgação de uma música nos anos 50, 60 e 70 era o radio, na década de 80 quem passou a ditar os rumos musicais foi a emissora MTV. Ou seja, a imagem torna-se um elemento importante. O que se ouvia nas rádios, nessa época, era o que estava em destaque na MTV norte-americana naquele momento. Não meus amigos, o grunge não foi o primeiro movimento alavancado pela emissora. Os clipes transmitidos aqui no Brasil em programas como Som Pop e Clip Trip nada mais eram do que os clipes de maiores repercussão na emissora estrangeira.

A mídia brasileira tem uma dificuldade muito grande em assimilar um artista pop (dentro ou fora do rock). Só passam a falar bem quando suas criticas infundadas caem no ridículo. Daí os caras tentam ganhar respeito dos leitores tentando se justificar dizendo que a banda amadureceu, que é o artista que o Brasil resolveu abraçar, etc. Muitas vezes, o cara tem um trabalho redondo desde o início e é malhado por ter apelo comercial. Se o cara se orgulhar de ser pop então, está perdido. Portanto, não é de se estranhar que dessem mais atenção aos cabelos volumosos do que ao trabalho apresentado pelos músicos.

Visual da banda nos anos 80.

Por conta desse tipo de postura, muita gente deixou de notar o quão talentosos eram os músicos de grupos como Ratt (sério, Warren DeMartini coloca qualquer guitarrista atual debaixo do chinelo), Europe e o Winger. Pouca gente sabe, mas o Winger é o que a mídia gosta de chamar de supergroup. Reb Beach divide seu tempo com o lendário Whitesnake. O baterista Rod Morgenstein fez parte do Dixie Dregs, banda de Steve Morse (atual guitarrista do Deep Purple). Kip Winger chegou a gravar discos com o ícone Alice Cooper. Completa a nova formação, o guitarrista Jon Roth que chegou a tocar nos grupo Black Oak Arkansas e Giant. E ainda tem neguinho que trata a banda como pré-fabricada...

Better Days Comin´ traz vários elementos de volta ao seu som. É e não é um disco nostálgico. Os músicos estão olhando para frente. Não tem mais aquela sonoridade meia Def Leppard que rondava Winger e In The Heart Of The Young, entretanto as linhas vocais continuam bem similares. A presença de teclados é bem menor do que nos tempos áureos, aparecem aqui quase sempre como um complemento. Embora a guitarra sempre tenha falado alto no som da banda, muitas vezes o teclado aparecia com bastante evidência. Algo que pode ser constatado em faixas como "Rainbow In The Rose", por exemplo. O fato de ter um segundo guitarrista deixa o som da banda mais encorpado. Embora tenha vários momentos pesados, não é o mais pesado do grupo. Como disse no inicio do texto, Karma era mais pesado. Outro exemplo, seria o terceiro álbum Pull. De todo modo, é um excelente álbum de hard rock com ótimos riffs de guitarra e excelente trabalho vocal.

O CD começa “Midnight Driver of a Love Machine” com uma introdução que conta com o som de motor de carro ligando, “Deal With the Devil” (Karma) saindo dos alto-falantes do veículo e a guitarra imitando o som de uma sirene. Começo bem divertido que me remeteu ao inicio de “Detroit Rock City” do álbum Destroyer do Kiss, que é um disco que ouvi bastante. Mas calma, estou me remetendo apenas a introdução de segundos antes da faixa começar. Essa faixa de abertura é uma das que mais me remete ao velho Winger. Com refrão pegajoso e letra falando sobre carros e garotas, poderia muito bem ter feito parte dos primeiros trabalhos do grupo.

A dupla Kip Winger e Reb Beach continuam chamando atenção

“Queen Babylon” mantém o clima oitentista. Em outra época, teria se tornado um hino da banda. “Rat Race” vem na sequência com uma pegada mais heavy metal, demonstrando o quão forte ainda está a voz de Kip Winger. A faixa “Better Day Comin´” diminui o andamento, mas não a qualidade. Uma boa faixa pop. “Tin Soldier” encerra a primeira metade do álbum com uma pegada bastante influenciada pelo progressivo. Algo que pode assustar um pouco quem conhece Winger apenas por “Miles Away”, mas não tanto para aqueles que conhecem um pouquinho da carreira de Morgenstein e que sabem que ele já chegou a gravar com John Myung e Derek Sherinian (baixista e ex-tecladisa do cultuado Dream Theater).

“Even Wonder” é a primeira balada do disco. O grupo é bastante conhecido por suas baladas. Não só pela já citada “Miles Away”, mas também por canções como “Who´s The One”, “Spell I´m Under” e “Headed for a Heartbreak”. Embora costume gostar das baladas deles, achei essa um pouco sem graça, sem sal. Considero a mais fraca do trabalho. “So Long China” trata de levantar o nível e o clima mais uma vez e abre espaço para a pesada “Storm In Me”.  O álbum se encerra com outras duas baladas “Be Who You Are Now” e “Out of This World”, bem superiores à “Even Wonder”. 

Nessas últimas, o teclado de Kip Winger se sobressai um pouco mais, mas o que chama mesmo a atenção é o belíssimo solo de guitarra de Reb Beach na última faixa do disco. Reb é guitarrista secundário apenas no Whitesnake, mas no Winger a história é outra. Quem teve contato com ele pelo grupo de David Coverdale e está acostumado a ver o (fantástico) Doug Aldrich solando todo o tempo, não tem idéia do que esse cara é capaz. Aliás, o trabalho de guitarra é um dos grandes destaques não apenas na ultima faixa, mas em todo o disco. Nas musicas mais pesadas, inclusive, há alguns fraseados que, por vezes, me remetem ao Van Halen. Embora goste bastante do disco IV e tenha curtido o Karma, me arrisco dizer que esse é o álbum que os fãs do Winger estavam esperando desde que o retorno foi anunciado. Quem é fã, pode comprar sem medo.

Nota: 8,0/10,0
Status: Muito Bom

Faixas:
      01)   Midnight Driver of  a Love Machine
      02)   Queen Babylon
      03)   Rat Race
      04)   Better Days Comin´
      05)   Tin Soldier
      06)   Ever Wonder
      07)   So Long China
      08)   Storm In Me
      09)   Be Who You Are Now

      10)   Out of This World

sábado, 31 de maio de 2014

Metallica: Through The Never (2013)

 
Por Davi Pascale
Não há dúvidas de que a turnê de Death Magnetic rendeu bons frutos para o grupo. Depois de lançarem o box Orgulho, Paixão e Gloria: Três Noites Na Cidade do México, os DVD´s Quebec Magnetic, Francais Por Une Nuit e o projeto Big Four (apresentação ao lado do Anthrax, Megadeth e Slayer), os músicos demonstram que suas ideias ainda não haviam se esgotado. Embora o repertório traga poucas novidades, o elemento visual acaba tornando o projeto em algo totalmente diferenciado e criativo. Mesclando cenas de ação com imagens de show com megaprodução, saem do senso comum e entregam à seus fãs um filme empolgante. Ítem obrigatório!
O Metallica é aquela banda que todo mundo adora falar mal em rodas de amigos, grupos de Facebook, mas quando chega em casa, coloca o disco deles no talo e esquece do sentimento ‘rebelde sem causa’. E, claro, quando se apresentam no Brasil, depois de xingarem nos fóruns, todos vão lá prestigiar, aplaudir, bangear e saem do estádio falando ‘puta show’. Prova de que a qualidade deles é incontestável.
Durante os extras, em vários momentos, os músicos comentam que sempre correram riscos, que sempre fizeram o que estavam a fim. Embora muitos artistas gostem de bater a afirmação no peito, poucos são tão honestos quanto o grupo. Realmente, se arriscam bastante em seus trabalhos de estúdio. Comecei a acompanhar a banda ainda criança quando estavam lançando o LP And Justice For All... Naquela época, acredite se quiser, já existia quem taxava a banda de vendida. A razão, na época, era o fato de terem realizado um clipe para One. Depois foram perseguidos novamente com o Black Album e sua aparição constante na MTV. Depois por terem cortado os cabelos em Load. Depois por terem se posicionado contra o Napster. Bom, nessa última até que dá para entender a indignação, vai... Entretanto, mesmo com a avalanche de críticas, nunca abaixaram a cabeça e sempre entregaram algo diferenciado. Muitos consideram isso um crime. Eu, não! É verdade que existem bandas que sempre foram fiel ao seu estilo e sempre foram empolgantes – como Motorhead e AC/DC, por exemplo – mas esses caras que saem constantemente da zona de conforto são intrigantes. Não vejo problemas em uma banda buscar novas influencias nos seus trabalhos. Mesmo! Nos dois universos existem artistas bacanas.
 
Banda traz megaprodução ao palco
 
Through The Never, nome extraído de uma faixa do Black Album, foi exibido nos cinemas em formato 3-D. Gravado em alta resolução e com diversas cenas de impacto, a experiência deve ter sido inesquecível. Se já foi empolgante assistir em meu home-theater sem a presença do formato 3-D, imagina isso na tela de um cinema com o recurso. Os músicos declaram que não queriam que os espectadores ficassem com a sensação de estarem assistindo à um filme, mas sim de estarem participando de um filme.
Intercalado com a performance, tem uma película de ação que conta a história de Trip (interpretado por Dane DeHann, o Duende Verde de O Espetacular Homem-Aranha 2), um fã da banda que trabalha nos bastidores e que, mais uma vez, é impedido de assistir ao show por ter um trabalho à fazer. O que seria um trabalho simples, torna-se uma grande aventura envolvendo acidente de carro, perseguições... Não vou falar tudo para não estragar a surpresa. Só vou falar uma coisa. Preparam-se para loucuras.
Muitos criticam o Lars Ulrich e alguns chegam ao ponto de dizerem que gostariam de ver outro baterista no Metallica. De boa, é bom passarem a gostar dele porque se esse cara abandonar o barco, o grupo termina. Fora o fato de ser um musico criativo e ter um estilo diferenciado (o que ajuda com que o grupo não soe igual à outras milhares de bandas), Lars está por trás de todas as decisões. Fica claro isso ao assistir os bônus desse vídeo. É o que mais fala nas coletivas, é o que mais interfere nas decisões. Sem um cara desses, difícil atingirem o status que atingiram. Sem dúvidas, James Hetfield é um cara indispensável, mas Ulrich também é.
 
Cena de Dane DeHaan em Through The Never

É importante saber não apenas quais decisões tomar, mas também quando toma-las. Aqui, o baterista comenta que já tinha recebido um convite para fazer esse projeto em 1997, mas que achava que a tecnologia não havia desenvolvido o suficiente. Segundo o mesmo, era muito caro e muito difícil fazer. Também é o que melhor explica a ideia das imagens intercaladas. O musico explicou que queriam uma certa dramaticidade, assim como ocorreu em Some Kind of a Monster. Diz que não queria fazer mais um DVD ao vivo e sim, um 'filme de concerto', assim como ocorre em The Song Remais The Same (Led Zeppelin) e Let There Be Rock (AC/DC). Só que eles quiseram fugir do óbvio. Sair daquela ideia de mostrar os músicos chegando em limousines, se preparando no backstage, chegando em aeroporto, etc. Deu certo! E ficou bem legal... 
No palco, dessa vez, não temos somente os fogos na já citada “One”. A estrutura, que traz o público todo em volta, traz várias menções à carreira do Metallica. A estátua de And Justice, os caixões de Death Magnetic, a cadeira elétrica de Ride The Lightning, está tudo ali. Nunca tinha visto esses caras investirem tanto assim em produção. Simplesmente mágico! Durante 90 minutos, os ícones da bay area entregam uma performance extremamente bem produzida e cheia de garra. Um dos melhores lançamentos em vídeo dos últimos anos.
Nota: 10/10
Status: Imperdível
 
Faixas:
01) Introduction
02) The Ecstasy of Gold
03) Creeping Death
04) For Whom The Bell Tolls
05) Fuel
06) Ride The Lightning
07) One
08) The Memory Remains
09) Wherever I May Roam
10) Cyanide
11) ... And Justice For All
12) Master of Puppets
13) Battery
14) Nothing Else Matters
15) Enter Sandman
16) Hit The Lights
17) Orion
 
Extras:
* Master of Puppets Video
* Trailer
* Thorugh The Never Featurette
* Entrevista de Bastidores com o Time de Som e Música
* Documentário Hit The Lights: making of de Through The Never
* Entrevistas com Metallica e diretor Nimrod Antal
* Destaques da Tenda de Cinema do Orion Festival com Lars Ulrich

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tuomas Holopainen – The Life and Times of Scrooge (2014)

Por Rafael Menegueti

Tuomas Holopainen - The Life and Times of Scrooge
Olhe bem para a capa e o nome do primeiro album solo de Tuomas Holopainen, lider do Nightwish. Você deve estar pensando: “Ué, Tio Patinhas?” E eu digo: Sim, ele mesmo. Tuomas Holopainen fez um álbum inspirado no Tio Patinhas. Mais especificamente na obra “A saga do Tio Patinhas”, de Don Rosa. Isso porque Tuomas é um aficionado pelo universo Disney e seus personagens. Alias, o próprio Don Rosa foi o responsável pela ilustração de capa do disco, que só não teve o nome completo do personagem retratado para evitar possíveis complicações pelo direito de uso do personagem.

A historinha que inspirou o disco
E nem preciso dizer que esse disco não tem nada de metal nele. Trata-se de uma aventura sonora, uma épica trilha sinfônica feita com influencias clássicas das composições de Tuomas. O estilo e as melodias inspiradas em historinhas infantis deixam o disco bem leve e agradável. A maioria das faixas é instrumental, mas nas faixas com vocais, Tuomas não deixou de chamar bons cantores.

Johanna Kurkela, Johanna Livanainen, alem de Alan Reid, que interpreta o próprio Tio Patinhas fazem as vozes do disco. Boa parte delas em simples coros, e letras inspiradas na historia do personagem. A participação mais especial presente no álbum fica por conta de Tony Kakko, do Sonata Arctica, que canta na faixa “Cold Heart of the Klondike”.

Tuomas soube bem trabalhar essas inspirações para criar um disco simples e ao mesmo tempo que mostrasse um compositor criativo e cheio de idéias que vão alem do que o rock atual presa. Nem por não ser um disco de rock, esse trabalho deve ser desprezado pelos fãs do Nightwish ou de rock em si. As composições são típicas da mente de Tuomas. E o rock até aparece, principalmente no single “A Life Time of Adventures”, que tem uma levada interessante e um solo de guitarra bem suave ao longo da canção.

Tuomas Holopainen: líder do Nightwish está lançando seu primeiro CD solo 

“Life and Times of Scrooge” é o típico disco experimental e criativo que um artista lança buscando mostrar toda a sua variedade como compositor. E Tuomas soube fazer isso com estilo. Alem de ser um trabalho curioso, é também divertido e promete agradar qualquer pessoa que goste de musica para curtir e relaxar, e que se identifique com o tipo de composição sinfônica de Tuomas.

Nota:8/10
Status: Aventureiro

Faixas:
01. Glasgow 1877
02. Into The West
03. Duel & Cloudscapes
04. Dreamtime
05. Cold Heart Of The Klondike
06. The Last Sled
07. Goodbye, Papa
08. To Be Rich
09. A Lifetime Of Adventure
10. Go Slowly Now, Sands Of Time

Bonus track:


11. A Lifetime Of Adventure (Alternate Version)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Sonata Arctica – Pariah’s Child (2014)

Por Rafael Menegueti

Sonata Arctica - Pariah's Child
Os finlandeses do Sonata Arctica são experts na arte de fazer heavy metal capaz de esquentar até a mais gélida região da Europa. Seu power metal com influencias folk e temas variados, com letras bem escritas, é um dos exemplos do porque a Finlândia pode ser considerada a terra do metal na Europa.

Em “Pariah’s Child” a banda volta a abordar a metáfora e a imagem do lobo, tão usada pela banda em seus trabalhos, mas deixada de lado em “Stones Grow Her Name”. A banda de fato busca uma volta às origens nesse disco, embora seja possível perceber influencias de varias épocas da banda nesse trabalho.

O disco promete agradar os fãs que esperavam essa dita volta às origens. As faixas tem uma levada rápida, pesada, bem característica do power metal. A faixa que abre o disco, e também é o primeiro single, “The Wolves Die Young”, tem um riff muito bom e uma melodia contagiante. “Running Child” seria apenas uma faixa bônus da edição japonesa, mas agradou tanto os músicos que virou a segunda faixa do disco, e é um tributo a Lou Reed. “Cloud Factory” e “Blood” são duas faixas bem pesadas e aceleradas, que se destacam nessas características. A ótima “What Did You Do In the War, Dad?”, alem de “Take One Breath” e “Larger Than Life” podem ser consideradas as mais progressivas do disco. Já em “Half A Marathon Man” a banda usa um estilo mais proximo do classic rock, com uma levada meio hard rock, e pode ser considerada uma das melhores do disco.

Esse é o oitavo disco da banda finlandesa.
Não preciso falar da ótima performance vocal de Tony Kakko, pois isso é sempre certo em qualquer trabalho da banda. O que chama a atenção são os arranjos de órgão, muito usados nas músicas, alem das linhas de baixo do novo baixista Pasi Kauppinen, bem aparentes e destacadas nas faixas. Com todas essas novidades no som da banda, fica difícil dizer qual é a direção que a banda toma em suas composições. A capacidade inventiva da banda nesse álbum esta mais evidente do que nunca. E a banda conseguiu produzir um álbum cheio de inovações e boas inspirações por isso. “Pariah’s Child” é sem duvida um disco que merece ser ouvido.

Nota:9/10
Status: Criativo

Faixas:
01. The Wolves Die Young
02. Running Lights
03. Take One Breath
04. Cloud Factory
05. Blood
06. What Did You Do In The War, Dad?
07. Half A Marathon Man
08. X Marks The Spot
09. Love

10. Larger Than Life