sábado, 3 de maio de 2014

Soundgarden: Live At Rock Am Ring DVD





Por Davi Pascale

Em 1 de Junho de 2012, o Soundgarden apresentou-se no festival Rock Am Ring, como número de abertura do Linkin Park. O show que teve transmissão ao vivo pela web chega às lojas brasileiras em um DVD lançado pelo selo Coqueiro Verde. Em uma hora de apresentação, a banda de Seattle entrega aos fãs uma viagem no tempo.

Quando fizeram esse show, o álbum King Animal não havia sido lançado ainda. O setlist era focado em seus trabalhos mais famosos – Badmotorfinger e Superunknow. O roteiro é quase um “greatest hits”. Poucos lados b´s são lembrados. Decisão, no mínimo, inteligente, já que estavam em um festival. Com isso, é necessário conquistar não apenas seus admiradores, mas também aqueles que não estão familiarizados com seu trabalho. 

Soundgarden, para quem não está por dentro da história, foi a primeira banda grunge a assinar um contrato com uma multinacional. O contrato com a A&M Records foi firmado em 1988. A consagração, contudo, veio alguns anos depois. A explosão de Nervemind (Nirvana) fez com que os executivos começassem a apostar mais em novos nomes e novas sonoridades. Foi somente depois da explosão do trio de Aberdeen, que os rapazes aconteceram. Nirvana, Pearl Jam, Alice In Chains e Soundgarden foram os porta-vozes daquela geração. Somente quem viveu a época sabe o impacto que tiveram.

Chris Cornell e Matt Cameron em apresentação no Rock Am Ring
 
O grupo de Chris Cornell não chegou a se apresentar no Brasil na época. Tanto eles quanto o Pearl Jam demoraram muito para pintarem por aqui. Tive a oportunidade de assistir a primeira apresentação do Pearl Jam no Brasil e também a primeira apresentação que o vocalista do Soundgarden fez por aqui. Ambas, espetaculares. Quando o movimento estava em alta, tínhamos que nos contentar com as fitas de vídeo Louder than Live e Motorvision. Dessa época, o que mais mudou foi a postura de Cornell.

Quando atingiram o mainstream, o rapaz adorava atacar a voz pro alto, se movimentava de um lado para o outro. Essa fome se perdeu. A performance vocal continua muito boa, mas Chris já declarou que não quer mais ficar cantando notas altas o tempo todo, que ele acha que algumas músicas do Soundgarden foram estragadas por conta de seu exagero.  Tenho minhas dúvidas em relação à isso, acho o trabalho vocal de Badmotorfinger espetacular. Contudo, essa postura é mais sentida nas novas canções do que nas apresentações, já que ele tenta manter as linhas vocais o mais próximo possível do original. Por outro lado, sinto falta um pouco do lado showman. A maior parte do show ele faz segunda guitarra e, mesmo quando não faz, pouco se mexe. Também se comunica pouco com o público.

A fase inicial é relembrada com “Gun”, “Hunted Down” e o encerramento com “Beyond the Wheel”. O final do show não poderia ser diferente. Os músicos vão saindo do palco aos poucos, enquanto Kim explora o recurso da microfonia em sua guitarra. Mais nostálgico, impossível! Chris Cornell, Kim Thayil, Ben Shepherd e Matt Cameron nos oferecem uma viagem de volta ao tempo, embalando canções que marcaram nossa adolescência. Fico na torcida para que voltem em breve ao Brasil para que possa testemunhar isso de perto.


Nota: 8,0/10,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Spoonman
      02)   Let Me Drown
      03)   Gun
      04)   Jesus Christ Pose
      05)   Blow Up The Outside World
      06)   Fell On Black Days
      07)   Hunted Down
      08)   Outshined
      09)   Rusty Cage
      10)   My Wave
      11)   The Day I Tried To Live
      12)   Black Hole Sun
      13)   Beyond The Wheel 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Discografia comentada – Atreyu

Por Rafael Menegueti

Dentre as bandas de metalcore norte-americanas que surgiram nos anos 2000, uma das menos conhecidas por aqui é o Atreyu. A banda investe em uma sonoridade que mistura influencias de hard rock dos anos 80, hardcore e metal, em um estilo único. A banda, no entanto, entrou em hiato no final de 2011. Enquanto seus integrantes se aventuram em projetos paralelos, confira uma analise dos seus trabalhos de estúdio.

Os californianos do Atreyu
Primeiros EPs (“Visions” e “Fractures In The Façade Of Your Porcelain Beauty”)

Ainda como um grupo independente a banda lançou dois EPs. “Visions” foi lançado em 1999 e tinha sete faixas, o disco foi vendido apenas em shows da banda. É o único trabalho em que o baterista Brandon Saller não aparece também como vocalista. “Fractures” foi lançado em 2001 e possui cinco faixas. Três delas seriam regravadas no primeiro full-lenght da banda.

Suicide Notes and Butterfly Kisses (2002)


O primeiro álbum da banda foi lançado em 2002 e mostra uma sonoridade pesada e hardcore. Os gritos guturais de Alex Varkatzas se impõem nas faixas, enquanto os vocais limpos do baterista Brandon são mais presentes nos refrões das músicas

The Curse (2004)


“The Curse” é bem mais elaborado do que seu antecessor. Com uma proposta mais abrangente e inspirado em historias de terror, em especial de vampiros, o disco apresenta faixas consistentes e melhores riffs. Músicas como “The Crimson” e “This Flesh A Tomb” estão entre as melhores do álbum.

A Death Grip On Yesterday (2006)


Faixas mais maduras e letras mais simples marcam o terceiro disco da banda. As músicas começam a ficar mais radiofônicas e a voz de Brandon começa a se sobresair. Alex Varkatzas também passa a usar voz limpa em alguns momentos. “The Theft” e “Ex’s and Oh’s” estão entre os destaques do álbum.

Lead Sails Paper Anchor (2007)


Com o sucesso do disco antecessor, a banda se apressou para colocar seu quarto disco no mercado. “Lead Sails Paper Anchor” pode ser facilmente considerado o álbum mais radiofônico e popular da banda. Menos gritos, mais canções cativantes e envolventes. Algumas das músicas mais potentes da banda estão nesse disco, entre elas, “Lead Sails (and a Paper Anchor)”, “Blow”, “Becoming The Bull” e “Doomsday”.

Congregation Of The Damned (2009)



Esse disco é o ultimo trabalho lançado até agora (sem contar o EP de covers de 2010). Nele, a banda expressa sua vontade de voltar ao som das origens, trazendo elementos e sonoridades de seus primeiros trabalhos. As músicas soam como uma mistura de todas as características principais de todos os trabalhos já lançados pelo grupo, condensados em um disco. Ótimos riffs, peso e solos bem trabalhados do inicio ao fim. “Bleeding Is A Luxury”, “Storm to Pass”, “Congregation Of The Damned” e a balada “Wait For You” são os grandes destaques.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

The Beatles: The Decca Tapes (2014)


Por Davi Pascale

O selo Discobertas acaba de colocar à disposição essa gravação lendária do quarteto que saiu de Liverpool para cair na boca de todo o mundo.  Todo fã que se preze tem esse disco em sua coleção. Durante muito tempo, os colecionadores correram atrás de bootlegs importados com esses registros. Embora os registros que conheça apresente boa qualidade de som, o preço nem sempre era muito amigável. Com essa edição nacional, e também não oficial, a situação fica um pouco mais fácil. Os admiradores mais jovens e não tão endinheirados podem adquirir o produto por um preço acessível e sem rodar muito.

Em 01 de Janeiro de 1962, quatro rapazes que sonhavam em viver de música chegaram aos estúdios da Decca, em Londres, por volta de 11:00h para realizarem uma gravação teste. Ao lado deles estava Brian Epstein, dono de uma loja de discos que estava empresariando o quarteto. Esses quatro meninos se denominavam The Beatles. Palavra criada pelos próprios, onde misturavam ‘beat’ (batida) com ‘beetles’ (besouro).

Brian se atentou ao grupo quando alguns garotos entraram em sua loja perguntando sobre um disco dos Beatles cantando “My Bonnie”. O registro na verdade era de Tony Sheridan. A banda havia sido contratada para acompanhá-lo nas gravações. De todo modo, esse vinil acaba trazendo os primeiros registros fonográficos dos fab four. Sheridan simpatizou com os músicos e autorizou que, além do material dele, registrassem duas músicas sem ele. As escolhidas foram “Ain´t She Sweet”, cantada por John Lennon, e a instrumental “Cry For a Shadow”. Na ocasião, Epstein não ligou uma coisa à outra e disse que nunca havia ouvido falar naquele nome. Astuto que só, correu atrás de informações e descobriu que costumavam se apresentar em um clube ali mesmo em Liverpool que atendia pelo nome de The Cavern.

 
Brian Epstein mudou o visual da banda e conseguiu contratos melhores

Sem perder tempo, foi checar. Gostou do que viu. Ficou espantado com a energia da apresentação e com o estardalhaço que causavam. Se ligou que havia um pote de ouro em sua frente e começou a empresariá-los. Foi dele a idéia de usarem ternos e penteado para frente. Foi dele também a idéia de criar uma postura de palco. Nascia aí o primeiro problema. Pete Best, baterista até então, se recusava a mudar seu visual, o que acabou criando um mal-estar. Não há como negar a qualidade do trabalho desenvolvido por Epstein. As apresentações passaram a ocorrer em melhores condições (locais melhores, sets menores), a agenda cresceu, assim como o cachê do grupo. Só o que faltava era um contrato. Depois de bater nas portas de diversas gravadoras, finalmente conseguiu uma audição. Essa que temos em mãos agora.

A audição estava marcada para às 11:00h. Os rapazes chegaram. Os executivos, não. Todo esse atraso da equipe da gravadora gerou um grande nervosismo entre os músicos. O staff inicial era formado pelo superintendente Dick Howe, o co-produtor Mike Smith (braço direito de Dick), o engenheiro de som Peter Attwood e o assistente de gravação Tony Meehan (que mais tarde criou fama como baterista do The Shadows). Para aumentar ainda mais a insegurança, Mike proibiu os garotos de utilizarem os amplificadores que haviam levado. Disse que a audição teria que ser realizada com o equipamento do estúdio.

Por volta de 14:00h, o teste se finalizava. Quinze músicas foram registradas nesse período. Entre essas, estavam duas canções que seriam re-gravadas posteriormente para o disco With The Beatles: a agitada “Money” e a balada “Till There Was You”. Além de 3 composições da dupla Lennon/McCartney (“Hello Little Girl”, “Like Dreamers Do” e “Love of the Loved”), também foram registradas várias músicas que interpretavam nos clubes. Algumas, como “Memphis, Tennessee” e “Besame Mucho”, seus fãs mais afoitos já conhecem pelas versões ao vivo de álbuns como “Hamburg, 1962” e Live at the BBC”. 

O grupo foi reprovado porque grupos com guitarra estavam saindo de moda

No dia, apenas 3 funcionários apareceram. Dick Howe não compareceu à audição e, por isso, o grupo não teve um retorno imediato. Após os términos das gravações, Mike informou à Brian Epstein que precisava mostrar o material para Dick e que assim que possível entrariam em contato.

Dois meses se passaram até que os Beatles finalmente receberam a notícia de que haviam sido reprovados. Duas razões foram apresentadas. A primeira era a de que grupo com ênfase em guitarra não tinha mais futuro e a outra era de que haviam acabado de contratar o Brian Poole and the Tremeloes que julgavam serem mais profissionais e com mais potencial. Ironicamente, a musica mais famosa do conjunto que tomou o lugar deles é “Twist And Shout”, faixa que encerra o disco Please Please Me (o debut lançado pela EMI) e que é mais lembrada pela versão dos Beatles do que pela versão de Brian Poole. A decisão de não contratá-los, considerada a maior gafe da história do rock, foi tomada pela dupla Dick Rowe e Mike Smith.

Não demoraria muito e Pete Best seria substituído por Ringo Starr. E com essa formação (John, Paul, George e Ringo) tendo o genial George Martin por trás, dominariam o mundo da música de uma forma nunca vista antes. Não se assuste com a história alternativa dentro do encarte do CD. Aquele texto na verdade é uma história criada para a contracapa do LP que nada tem a ver com a realidade. Tanto que logo embaixo traz os dizeres: “The Untold Story of the Decca Tapes” is a work of historical fiction. Ou no bom e velho português: “The Untold Story od the Decca Tapes” é uma ficção cientifica. A história contada aqui é a verdadeira história. A certeza de que a gravadora Decca deixou a sorte escorrer entre seus dedos. Os executivos se arrependeram tanto que, pouco após a explosão dos rapazes de Liverpool, contrataram um outro grupo com ênfase na guitarra e cabelos desajustados, os Rolling Stones. Essa fica para um outro post.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Mágico

Faixas:
      01)   Like Dreamers Do
      02)   Money
      03)   Til There Was You
      04)   The Sheik of Araby
      05)   To Know Her Is To Love Her
      06)   Take Good Care of My Baby
      07)   Memphis, Tenneessee
      08)   Sure to Fall
      09)   Hello Little Girl
      10)   Three Cool Cats
      11)   Crying Waiting Hoping
      12)   Love of the Loved
      13)   September In The Rain
      14)   Besame Mucho
      15)   Searchin´