terça-feira, 22 de abril de 2014

Crucified Barbara – Carioca Club, São Paulo – 20 de Abril de 2014



Por Rafael Menegueti

Não foram muitas as pessoas que decidiram trocar o domingo de páscoa com a família para ver o show do Crucified Barbara, em São Paulo, nesse final de semana. Mas as poucas que se propuseram a ir tiveram uma ótima experiência. A banda feminina sueca se apresentou no Carioca Club de pinheiros, acompanhada das bandas brasileiras Hibria e Kiara Rocks.

Crucified Barbara em São Paulo
A casa abriu cedo e pouquíssimas pessoas (arrisco-me a dizer menos de cem) estavam no público quando os gaúchos do Hibria subiram ao palco. A banda fez uma apresentação feroz e cumpriu com as expectativas de uma boa parte do publico que também queriam vê-los. Mesclando faixas de seu mais recente disco, “Silent Revenge”, com músicas mais antigas, eles agradaram ao publico presente e fizeram um show excelente. Não me restam duvidas de que eles são uma das melhores bandas brasileiras da atualidade.

Os gaúchos do Hibria abriram a noite
A produção trabalhou rápido e menos de meia hora após o show do Hibria, o Kiara Rocks já estava no palco. A banda fez um bom show, pesado e extremamente alto (até demais na minha opinião). No entanto eles deixaram a desejar no quesito interação com o público. A apresentação foi fria, e o público não se empolgou em quase nenhum momento, exceto nas covers, de bandas como System of a Down, Guns N’ Roses e Motörhead. A banda é boa e tem futuro, precisa apenas sacar que atitude roqueira não significa ser alheio ao público, principalmente como banda de abertura.

Kiara Rocks mandou bem, mas fez show apático
Após mais um rápido intervalo, chegava a hora das garotas subirem ao palco como atrações principais. A casa já estava um pouco mais cheia e todos se empolgaram com a entrada da banda, que iniciou seu show com duas faixas do mais recente disco, “The Midnight Chase”: “The Crucifier” e “Shut Your Mouth”. Esbanjando simpatia, a banda fez um show enérgico e prendeu a atenção do público do inicio ao fim. A vocalista/guitarrista Mia Coldheart demonstrava sua característica atitude e presença de palco e mostrava que domina seu instrumento com perfeição. Solos precisos e uma boa interação com as outras integrantes da banda que deram a ela um lugar de destaque no show.

Crucified Barbara agitou o público presente
A banda ainda deixaria os fãs agitados com performances de faixas como “Jennyfer”, “In Distortion We Trust” e “Sex Action”, alem das músicas novas, “Go Roffe” e “Sell My Kids for Rock N`Roll”. Para encerrar o show, o hit “Rock Me Like The Devil, e a faixa “Into the Fire”, ambas do ultimo album. O show foi relativamente curto, apenas 12 músicas, mas serviu para os fãs, que vibraram do inicio ao fim. O Crucified Barbara definitivamente é uma grande banda, e as meninas fazem um som de primeira linha. Agora é esperar, pois elas devem começar a trabalhar no próximo álbum em breve.

A baixista Ida Evileye posou para minha câmera

No encore, Mia Coldheart apareceu enrolada na bandeira do Brasil

Hibria
Nota:8/10

Kiara Rocks
Nota: 7/10

Crucified Barbara
Nota:9/10

Setlist (aproximado)

The Crucifier
Shut Your Mouth
Sex Action
To Kill A Man
Go Roffe
Jennyfer
Sell My Kids For Rock n' Roll
Losing the Game
In Distortion We Trust

Encore:
My Heart Is Black
Rock Me Like the Devil
Into the Fire

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Foo Fighters – Wasting Light Live From 606 Studio (2013)





Por Davi Pascale

Muitos acreditaram que a carreira de Dave Ghrol havia chegado ao fim quando o Nirvana teve sua história interrompida por conta do suicídio de seu líder, Kurt Cobain. Muitos olharam com um desdém ainda maior quando aquele jovem cabeludo cheio de energia reapareceu na cena saindo de trás da bateria e aparecendo no centro do palco empunhando uma guitarra e assumindo os vocais principais. O tempo tratou de calar a boca de todos. 20 anos depois do fim do Nirvana, o Foo Fighters ainda está na ativa e vive um período de grande popularidade. Wasting Light, seu mais recente trabalho, é um dos melhores de sua intensa trajetória e é o ponto central desse DVD.

O vídeo é muito interessante porque ele é exatamente o oposto de seus outros registros. Aqui não há um público ensandecido, não há longos setlists, não há diálogo com espectador, nem grandes improvisos. O que temos aqui é nada mais, nada menos do que Dave Ghrol, Pat Smear, Taylor Hawkins, Nate Mendel e Chris Shiflett trancados em um estúdio mandando som atrás de som de seu mais recente trabalho. Essa ideia de fazer um registro simples e honesto tem a ver, uma vez que o álbum foi feito de maneira simples e honesta. Para quem não conhece a história da gravação desse CD, o material foi gravado em sistema em analógico na garagem da casa onde reside Dave Ghrol.

Essa não foi a única experiência do tipo que os rapazes utilizaram para a divulgação. Um dos concertos mais famosos desse álbum é a apresentação de duas horas que eles fizeram no programada do David Letterman. Na ocasião eles tocaram Wasting Light na íntegra com os músicos vestidos de terno e parte da transmissão em preto e branco. A razão da brincadeira é que aquele era exatamente o mesmo estúdio onde os Beatles fizeram sua famosa aparição no Ed Sullivan. Era uma forma de homenagem aos 4 rapazes de Liverpool. Aqui, contudo, o vídeo é 100 % colorido e os músicos estão trajados mais à vontade. 

Grupo mostra a força de Wasting Light em uma sala de estúdio

Interessante notar que eles se apresentam na sala do estúdio com a mesma garra com que estavam quando os assisti no Lollapalooza diante de uma plateia de 75.000 pessoas. Pat Smear toca desengonçado, movendo seu corpo para frente e para trás, sem se mover do lugar. Taylor Hawkins soca a bateria como se o mundo estivesse prestes a acabar e Dava Ghrol se apresenta tocando e cantando como se estivesse diante de uma multidão.

A filmagem ocorreu com o intuito de uma ação promocional. A banda gravou a performance no estúdio 606 (onde o proprietário é o líder da banda) e atacou os vídeos para serem assistidos gratuitamente no Youtube. Se você tem dúvida se vale a pena a aquisição está aí uma boa pedida. Basta acessar o famoso o site e conferir. A qualidade de gravação está boa, mas o vídeo peca pela ausência de extras. Lançado no Brasil pela NFK, o vídeo é fácil de ser encontrado e possui um preço acessível. Os verdadeiros fãs têm que ter em sua estante!

Faixas:
      01)   Bridge Burning
      02)   Rope
      03)   Dear Rosemary
      04)   White Limo
      05)   Arlandria
      06)   These Days
      07)   Back & Forth
      08)   A Matter of Time
      09)   Miss The Misery
      10)   I Should Have Known
      11)   Walk

domingo, 20 de abril de 2014

A minha velha mania de fazer listas

Por Rafael Menegueti

Quem já leu o livro “Heavy Metal – A Historia Completa”, de Ian Christie, deve ter visto, ao final do mesmo, um capitulo onde ele faz varias pequenas listas sobre o tema. Inspirado na idéia dele (e também na minha falta de assunto pra hoje, é verdade) decidi fazer a minha versão de algumas listas que me passam pela cabeça às vezes. P.S.: Ninguém é obrigado a concordar comigo. Vamos a elas:

As melhores bandas do thrash metal fora do Big 4

1. Exodus
2. Testament
3. Kreator
4. Overkill
5. Destruction

Exodus: o Big 4 devia ser Big 5...
 Os países mais metaleiros do mundo

1. Finlândia
2. Noruega
3. Suécia
4. Alemanha
5. Holanda

Bandas que muita gente ama, mas eu não suporto

1. The Darkness
2. Maroon 5
3. The Smiths
4. Black Veil Brides
5. The Pretty Reckless

Bandas que são excelentes, mas que os “true metal haters” odeiam

1. Avenged Sevenfold
2. Amaranthe
3. Slipknot
4. Nickelback
5. Linkin Park

Os piores discos de grandes bandas

1. Slayer – Diabolos In Musica
2. Tristania – Rubicon
3. Metallica – St. Anger
4. Linkin Park – Minutes to Midnight
5. Silverchair – Young Modern

5 motivos de porque acredito que o rock nacional não morreu

1. Hibria
2. Black Drawing Chalks
3. Almah
4. Matanza
5. Shadowside

(Menções honrosas: Kiara Rocks, Ecliptyka e Nervosa)

3 bandas brasileiras que tentam me mostrar o contrario

1. CPM 22
2. Tihuana
3. Strike

5 bandas que acabaram cedo demais

1. Velvet Revolver
2. Audioslave
3. Blind Melon
4. Elis
5. My Sister’s Machine

O Velvet Revolver durou menos do que deveria
 5 bandas que parece que nunca vão acabar (e nem deveriam)

1. The Rolling Stones
2. Deep Purple
3. Kiss
4. Black Sabbath
5. Aerosmith

The Rolling Stones: mais de 50 anos de rock n' roll
O melhor do power metal atual

1. Sonata Arctica
2. Kamelot
3. Avantasia
4. Stratovarius
5. Serenity

O melhor do folk metal

1. Eluveitie
2. Leaves'Eyes
3. Arkona
4. Alestorm
5. Ensiferum
No Brasil, Tierramystica.

Os suiços do Eluveitie, grandes nomes do folk metal
O melhor do novo metal norte-americano

1. Lamb of God
2. Killswitch Engage
3. Mastodon
4. Adrenaline Mob
5. Atreyu

E aí? Concorda?

sábado, 19 de abril de 2014

Whitesnake: Made In Japan (2013)





Por Davi Pascale

E eis que o senhor David Coverdale solta mais um registro ao vivo no mercado. Já perdi as contas. Acho que é o sexto trabalho ao vivo do grupo, levando em consideração o acústico Starkers in Tokyo. Embora não seja algo muito original, certamente irá agradar os fãs mais ardorosos e não muito exigentes.

Quem vem acompanhando o Whitesnake de perto, sabe que o poder de fogo do seu líder vem diminuindo. Cada vez mais ele abusa de recursos vocais como eco, jogar microfone ao publico, cantar para baixo. Cada vez mais sua voz está com menos força. É uma pena, mas nossos ídolos estão envelhecendo e dando sinal de cansaço. Se você é aquele cara que comprou o VHS com a apresentação de Donnington décadas atrás e resolveu comprar esse material por nostalgia, cuidado!

É verdade que David Coverdale é muito profissional e os anos de estrada lhe renderam experiência suficiente para tapear seu público com maestria. Inclusive, eu. Já assisti o Whitesnake 3 vezes ao vivo e minha sensação foi sempre a mesma: “o cara não tem mais a voz de antigamente, mas puta show”. É mais ou menos essa a sensação que fica nessa apresentação. “Still of the Night” e “Love Ain´t No Stranger” são duas que deixam nítido que sua voz já não é a mesma. Se você, assim como eu, nutre um enorme respeito à sua figura e aceita a realidade numa boa, esse pacote com 2 CD´s e um DVD é uma ótima pedida. Se você é aquele cara que gosta de ficar comparando com apresentações do passado e reparando se ele irá interpretar os gritos do álbum original, passe longe. 


David Coverdale ganha o ouvinte com ótimo repertório

O time que vem acompanhando o rapaz (para os desavisados, o Whitesnake já mudou de formação trocentas vezes) é espetacular, como de costume. Dentre eles, destacam-se o guitarrista Doug Aldrich e o baterista Brian Tichy. O setlist é muito bom e bem dosado. A escolha de misturar canções clássicas com números mais recentes quase na mesma proporção tira um pouco aquela sensação de banda que vive do passado. A banda vem tentando não se apegar à essa imagem, lançando (ótimos) trabalhos de material inédito, mas o cenário atual, infelizmente, não permite isso. A indústria musical está indo para o saco e isso faz com que fique cada vez mais difícil emplacar uma música nova. Cada vez mais, o publico vai aos shows querendo ouvir os velhos hits. E são nesses números que há uma receptividade maior dos espectadores.

O primeiro CD e o DVD trazem uma apresentação realizada no Japão durante a turnê de seu mais recente álbum, (o espetacular) Forevermore. O vídeo, que também conta com dois clipes, é muito bem gravado. Conta com ótima qualidade de imagem, mas nos deixa nítido que o trabalho vocal foi todo refeito em estúdio. O álbum bônus contém 8 faixas extraídas da passagem de som, sendo que 4 delas são elétricas e 4 são versões acústicas. Os músicos mantiveram algumas falas e brincadeiras entre uma canção e outra o que acaba trazendo um ar intimista, despretensioso. Muito bacana! 

Made in Japan é um trabalho bem acabado, divertido, mas para curti-lo precisamos esquecer o que já foi David Coverdale um dia, por mais difícil e doloroso que seja.


CD/DVD:

     01)   Best Years
     02)   Give Me All Your Love Tonight
     03)   Love Ain´t No Stranger
     04)   Is This Love
     05)   Steal Your Heart Away
     06)   Forevermore
     07)   Six Strings Showdown (solo de guitarra)
     08)   Love Will Set You Free
     09)   Drum Solo
     10)   Fool For Your Loving
     11)   Here I Go Again
     12)   Still of the Night

CD Bônus

     01)   Love Will Set You Free
     02)   Steal Your Heart Away
     03)   Fare The Well (versão acústica)
     04)   One of These Days (versão acústica)
     05)   Lay Down Your Love
     06)   Evil Ways
     07)   Good to be Bad (versão acústica)
     08)   Tell Me How (versão acústica)