quarta-feira, 12 de março de 2014

Generation Swine: Os Dias Negros do Motley Crue




Por Davi Pascale 

Em 24 de Junho de 1997, chegava às lojas Generation Swine. O disco que todos acreditavam que iria colocar o Motley Crue de volta à mídia. O que ocorreu, no entanto, foi exatamente o oposto. Com esse trabalho, o grupo mais louco de L.A. sumiria de vez das paradas.

Muitos fatores contribuíram para isso. Para começar, a banda estava totalmente desunida. O retorno de Vince Neil não era unanimidade entre os músicos. O cantor, inclusive, demonstrava não estar totalmente à vontade com a idéia. Por que voltaram? Simples, não tinham alternativa. O disco feito com John Corabi, embora fosse genial, não havia obtido boa resposta do publico. A audiência dos shows caiu drasticamente, assim como as vendas de discos. A gravadora queria Neil de volta. O vocalista, embora ainda tivesse sérios problemas com Nikki Sixx, também não tinha muita escolha. Estava atravessando um momento extremamente delicado em sua vida. Sua filha de 4 anos havia morrido de câncer, sua esposa havia se divorciado dele, a banda que havia montado tinha terminado e estava cheio de dividas. Não era o momento ideal para ficarem com egos.

Para recuperarem seus dias de glória, precisavam fazer o melhor disco de suas vidas. E isso não rolou. Sem duvidas, é o mais fraco do Motley. Agora, verdade seja dita, não é tão ruim quanto pintam por aí. Não é um trabalho genial, mas também não é execrável. É razoável. Há alguns bons momentos como “Flush”, “Let Us Prey” e “A Rat Like Me”. A faixa de trabalho, “Afraid”, também não era ruim. O que acontece é que o que eles entregaram era muito pouco diante de toda a expectativa.

Capa do polêmico disco

 O último disco de inéditas com a formação clássica tinha sido “Dr Feelgood”, lançado em 1989. Com produção de Bob Rock (mais conhecido no Brasil por ter produzido o álbum preto do Metallica), o LP alcançou o primeiro lugar das paradas da Billboard, vendeu mais de 6.000.000 de cópias e emplacou alguns dos maiores sucessos do Motley como “Kickstart My Heart”, “Don´t Go Away Mad”, “Same Ol´ Situation”, além da faixa titulo. Por isso, todos apostavam tanto no retorno de Vince.

Agora... Vamos ser sinceros, o cantor é quem menos tem culpa nessa roubada. Tanto as composições quanto a co-produção de Generation Swine ficaram à cargo do baixista Nikki Sixx e do baterista Tommy Lee. O material começou a ser trabalhado, inclusive, com John Corabi. As demos chegaram a ser gravadas com os vocais dele. O rapaz foi dispensado da banda durante as gravações. É por essa razão que há duas faixas com co-autoria dele: a (boa) “Let Us Prey” e a (fraca) faixa-título. 

No livro “The Dirt”, inclusive, é mencionado que o cantor já havia percebido que Vince acabaria retornando à banda, mas que ele desejava poder continuar no conjunto fazendo segundo guitarra e vocais de apoio. Não sei o que os fãs mais doentes pensam disso, mas não acho a idéia má. Corabi é bom guitarrista, bom compositor e ótimo vocalista, poderia acrescentar bastante ao som do conjunto. O único problema seria lidar com os egos de Mick Mars já que Scott Humphrey, produtor do CD, já chegou a declarar publicamente que Mick fica seriamente transtornado com a idéia de ter outro musico acrescentando guitarras em alguma faixa do Motley.

Trabalho apostava em nova sonoridade e frustrou público

Vince Neil, além de todos os problemas citados, estava acima do peso. Muito provavelmente por estar bebendo em excesso. Scott declarou nesse mesmo livro que gravar Vince era difícil porque quando exagerava na bebida, o rapaz chegava ao ponto de não parar em pé. Sem contar que justamente por não estar 100% animado com o retorno, não estava fazendo muito esforço. Se tivesse que repetir muitos takes, saía andando no meio da gravação. Scott declara, aliás, que o único músico que chegava ao estúdio no horário combinado era Mick Mars, que os outros três chegavam com horas de atraso e tinham dias que não produziam nada.   

O resultado não poderia ser diferente. O disco soa desconexo. Há faixas que soam como Smashing Pupkins, há faixas que soam como Nine Inch Nails, há faixas onde as letras poderiam ter sido melhores lapidadas como “Find Myself”, responsável por abrir o CD. Essa, em especial, acho o arranjo interessante, mas a letra muito fraca. Havia ainda uma versão modernizada do clássico “Shout At The Devil”. Não ficou de todo mal, mas está há anos luz da versão original. Dispensável!

A indústria estava mudando e o Motley, mesmo já sendo uma banda madura, caiu na armadilha tentando adaptar seu som ao que estava rolando no mercado. Obviamente não deu certo. Não é a verdade deles. Sou a favor de mudanças, de experimentações, não sou daqueles que acredita que o artista tenha a necessidade de passar a vida inteira fazendo a mesma coisa. Mas acredito que você tenha que fazer algo em que você acredita. Se quer adicionar novas influencias, adicione daquilo que você está ouvindo no momento. Não acredito que os executivos consigam notar essa diferença – afinal, esses caras sempre foram mais ligados à grana do que à qualidade musical. Já em relação aos fãs, são os primeiros a notarem quando algo é forjado. Talvez por isso não tenha dado certo. A nova geração estava ligada em outros caras e seus antigos seguidores não acreditaram no projeto. 

O Motley Crue só retornaria ao estúdio três anos mais tarde para registrar (o bom) New Tattoo. Agora, grande disco mesmo, foi o Saint of Los Angeles, editado em 2008, mas esses são assuntos para outros posts...

terça-feira, 11 de março de 2014

3 aplicativos de celulares android para fãs de música

Por Rafael Menegueti

Se você, como eu, possui um smartphone com sistema android, certamente vai se interessar por um desses aplicativos que eu vou lhe recomendar agora. Afinal eles tem tudo a ver com o assunto aqui tratado. São aplicativos voltados para pessoas que se interessam por música, e também para quem toca algum instrumento. Vale a pena dar uma conferida.

MusiXmatch


Trata-se de um player de música. Mas não é um simples player. Ele possui um atrativo para todos que se interessam em saber o que seus músicos favoritos estão cantando: As letras das músicas. Basta executar a música no player que ele faz uma varredura em seu banco de dados na internet e sincroniza as letras para você acompanhar na tela. Ele é excelente se você, por exemplo, está a fim de aprender inglês ou conhecer a letra de uma canção que você não conseguia entender. O banco de dados possui milhões de faixas, sendo quase impossível que ele não encontre as letras de alguma música. Mas, se por acaso, você executar uma faixa que ele ainda não tenha, você pode inseri-las você mesmo, e também sincronizar com a música. Tudo pelo próprio aplicativo. Há também a função ID, que você usa para reconhecer uma música que você não conhece. Ele capta um trecho da faixa e busca na internet o nome da faixa do artista e do disco em que ela aparece. Ele é gratuito, mas também tem uma versão paga, com algumas funções extras, como equalizador e um editor de capas de discos.

GStrings Tuner


Há algum tempo eu fui tentar afinar minha guitarra e, pra minha surpresa, o meu afinador simplesmente não ligava. Troquei as pilhas e nada. Ele estava quebrado. Então eu busquei alternativas para conseguir tocar. Uma delas foi buscar um app que me ajudasse a afinar meu instrumento. Existem vários deles para download, o problema é que a maioria funciona como uma espécie de diapasão. Basicamente eles emitem o som de uma nota ou uma corda e você afina de ouvido. Até é eficiente, mas meio demorado, e ainda possuíam apenas a afinação padrão. Foi então que eu descobri o GStrings Tuner. Ele funciona exatamente como um aparelho afinador. Ele capta o som da corda e indica a nota que esta sendo executada. Na tela, ele exibe um mostrador com uma seta e todas as notas musicais podem ser selecionadas, possibilitando varias afinações diferentes. Me livrou de gastar uma grana num afinador novo, afinal, esse app é gratuito.

A Story Of A Band



Agora eu vou falar de um jogo. No caso, um jogo viciante e bem rock n’ roll. A Story Of A Band é um jogo que te possibilita criar e administrar sua própria banda de rock fictícia. Você escolhe e contrata os integrantes, dá nome ao grupo, escolhe os gêneros musicais, como numa espécie de The Sims musical. Você usa moedas e pontos de bônus para comprar acessórios, melhorar a qualidade dos músicos e também compor musicas e lançar discos, para ganhar fãs e conseguir boas vendas. Você também organiza e realiza turnês com a banda. O jogo é cheio de referencias sobre a historia real do rock, mas com todos os nomes de artistas e bandas modificados. Metallica virou Metalic Cats, Beatles virou Beagles, AC/DC virou ABCD e Bad Religion virou Bat Region, entre outros. A historia começa em 1975 e você percorre a historia até 2010, com o objetivo de virar uma das maiores bandas do mundo. É ou não é pra viciar de tanto jogar? O jogo é pago (R$ 6), mas você pode baixar a versão demo, com opções reduzidas, ou se preferir, a versão completa na internet, sem o registro, mas eles permitem o acesso ao jogo do mesmo modo.

P.S.: Esse é o nosso post numero 100! Só pra contar...

segunda-feira, 10 de março de 2014

Nirvana: Live At The Paramount DVD (2011)


Por Davi Pascale 

No início da década de 1990, o Nirvana roubou a atenção do público rock. O trio de Aberdeen tornou-se rapidamente um dos principais nomes da cena que despontava em Seattle: o grunge. Ao contrário dos grupos que dominavam o cenário hard rock nos anos 1980, o trio liderado por Kurt Cobain (assim como os demais grupos do movimento de Seattle) não se preocupava em criar espetáculos com explosões, raio laser, falas decoradas, coreografias, solos na velocidade da luz. Faziam justamente o contrário: subiam ao palco com o mesmo tipo de roupa que seus fãs, realizavam um concerto intenso, mantendo um ar intimista e utilizando somente o básico.


Toda essa simplicidade pode ser conferida no DVD Live At Paramount. A apresentação curta (aproximadamente 1 hora), porém intensa, cativa os fãs e os admiradores do rock básico. A performance obedece a lógica que seus seguidores esperam: setlist misturando hits com b-sides, músicos tocando com emoção, poucas e curtas falas entre as canções, microfonias... A emoção supera a técnica. Existem alguns erros, mas o trio não se abate. Entendem a lógica: perfeição não existe. Os fãs mais fiéis já conhecem alguns trechos do show. Algumas canções já haviam sido utilizadas no home vídeo Live Tonight Sold Out (lançado em DVD e VHS). O clip de “Lithium” também usa imagens desta apresentação. 


Como curiosidade temos a versão de “Jesus Doesn´t Want Me For a Sunbean” (Vaselines), canção que o trio imortalizaria alguns anos mais tarde no CD e VHS MTV Unplugged Live In New York, e “Rape Me”, que seria gravada posteriormente em In Utero. Neste registro, realizado em 1991 no Paramount Theatre, Kurt Cobain, Dave Grohl e Chris Novoselic ainda não tinham noção da febre que se tornariam meses mais tarde. Nevermind acabava de chegar às lojas, “Come As You Are” ainda não era conhecida do grande público e a cena hair metal ainda dominava a cena. É interessante notarmos que a postura dos músicos em cima do palco era exatamente a mesma, ou seja, a fama realmente não elevou seus egos. Pelo menos, profissionalmente falando...

Apresentação clássica lançada pela primeira vez na íntegra
 
Outra fato interessante é que nessa noite o Nirvana dividia o palco com duas outras bandas: Mudhoney e Bikini Kill. Nirvana e Mudhoney haviam combinado uma turnê pelos Estados Unidos onde Mudhoney era o headliner. O grupo de Kurt Cobain era o número de abertura. No final da turnê, a situação inverteu: o Mudhoney, um dos principais nomes do movimento, começou a abrir os shows para o Nirvana. Tudo isso, devido ao estouro de "Smells Like Teen Spirit" que levou o álbum à marca de 500.000 cópias em poucas semanas. O show em Paramount seria o último show desta turnê conjunta. Os músicos ainda não haviam se dado conta, mas o fenômeno já começava a acontecer...

Nos extras, temos os 4 videoclipes do disco Nevermind que invadiram a MTV durante anos e fizeram a cabeça de toda uma geração: “Smells Like Teen Spirit”, “Come As You Are”, “Lithium” e “In Bloom”. Minha única reclamação é que a canção “In Bloom” teve dois videoclipes exibidos na época e aqui só tem uma versão. Poderiam ter incluído as duas... De qualquer forma é um lançamento essencial para quem viveu a década e para quem não se preocupa com rótulos e gosta de música que tenha algo a dizer. O show foi lançado em CD, LP, DVD, Blu-ray e também está presente no box comemorativo de Nevermind. Ou seja, só não compra quem não quer...

Faixas:
01) Jesus, Doesn´t Want Me For a Sunbean
02) Aneurysm
03) Drain You
04) School
05) Floyd The Barber
06) Smells Like Teen Spirit
07) About a Girl
08) Polly
09) Breed
10) Sliver
11) Love Buzz
12) Lithium
13) Been a Son
14) Negative Creep
15) On a Plain
16) Blew
17) Rape Me
18) Territorial Pissings
19) Endless, Nameless

domingo, 9 de março de 2014

Penelope: Rock Meteorico




Por Davi Pascale

Encerro a nossa semana em homenagem às mulheres falando de uma banda brasileira. Inicialmente, tinha pensado em fazer um artigo falando das vozes femininas mais relevantes de cada década, mas me dei conta de duas coisas. A primeira é que a voz feminina mais importante dessa geração já recebeu um artigo em sua homenagem.  Escrito por mim, inclusive. O outro fator que me fez desistir foi perceber que havia nomes muito fortes ali que mereceriam algo muito maior do que algumas poucas linhas. Portanto, preferi guardar algumas balas. Entretanto, acho que seria injusto dar o assunto por encerrado sem recordar alguma artista brasileira. Quis sair das homenagens óbvias, como Rita Lee, e resolvi trazer um grupo que, apesar de ter tido algum destaque, poderia ter ido muito mais longe: o Penélope.

Assim como a artista já previamente homenageada, a Pitty, o grupo de Erika Martins surgiu em Salvador. Embora a Bahia seja conhecida atualmente por ser a ‘terra do axé’, alguns nomes bem singulares vieram de lá como Raul Seixas, Camisa de Vênus e Cascadura, só para citar alguns. Atendendo inicialmente pelo nome de Penélope Charmosa, o grupo fazia um rock básico, com forte apelo popular, deixando nítido suas influencias brasileiras como o rock dos Mutantes e da Jovem Guarda.

Surgida em 1995, o grupo demorou 4 anos para conseguir gravar seu primeiro álbum Mi Casa, Su Casa. Já vinham chamando a atenção da mídia especializada, no entanto, desde 1997 quando venceram o festival Abril Pro Rock (festival de musica independente que acontecia no Recife e que, apesar de ter durado pouco, ajudou revelar grandes nomes dos anos 90 como Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Los Hermanos). Quando lançaram seu debut, encontraram como solução encurtar o nome já que a empresa Hanna Barbera não autorizou a utilização de Penelope Charmosa e o conjunto já tinha uma certa fama no circuito underground.

Os três discos lançados pela Penélope
 
Seu trabalho de estréia emplacou duas faixas nas rádios. Curiosamente, uma delas -“Namorinho de Portão” – era uma musica de Tom Zé e a outra – “Holiday” – foi composta nitidamente tendo “Telefone” da Gang 90 como base. Entretanto, 90 % do publico que os acompanhou, pelo menos em um primeiro instante, não se ligou nesse detalhe. O restante do disco trazia guitarras intercalando som limpo e distorcido, algumas faixas contando com uma psicodelia à La Mutantes, e o vocal sempre adocicado e inocente de Erika que nos remetia aos tempos de ouro do rock n roll. Completavam o time nessa época; a baixista Erika Nandes, a tecladista e flautista Constanza Scofield (esposa do falecido produtor musical Tom Capone), o guitarrista Luizão e o baterista Mario Jorge (do cultuado Uteros em Furia)

As três garotas eram bonitas e logo, passaram a chamar atenção dos marmanjos, mas esse fator não atrapalhou a carreira. Elas nunca exploraram esse lado sexual, sempre foram muito discretas. Portanto, a atenção não foi desvirtuada.

Mantendo o mesmo lineup, colocaram nas lojas o CD Buganvilia em 2001. A chance das garotas se consagrarem foi para o ralo depois que a gravadora Sony Music dispensou o grupo pouco após o seu lançamento. Realmente, uma pena. Aqui, davam um passo à frente. As composições tinham amadurecido muito, as letras saíam um pouco daquele universo feminino que insistia em rodear o primeiro álbum. Sem duvidas, seu melhor trabalho. No disco, temos a participação de uma cantora que foi um marco na Jovem Guarda. Wanderléa faz uma divertida participação em “Não Vou Ser Má”. A faixa lembra um pouco as músicas daquela época e as brincadeiras da ternurinha nos remete ao seu velho sucesso “Pare o Casamento”. É certeza que se inspiraram em seu antigo hit para criar as falas dela aqui.

Wanderléa participa de "Não Vou Ser Má"
 
Buganvilia foi lançado na mesma época de Bloco do Eu Sozinho. Aconteceu com esse disco, exatamente o mesmo que aconteceu com o dos Los Hermanos. A crítica enalteceu, o publico o considerou infinitamente superior ao debut e a grande mídia torceu o nariz. O grupo de Marcelo Camelo não se abalou, seguiu em frente e conseguiu dar a volta por cima, conquistando fãs extremamente fieis. Já o grupo de Erika Martins, se abalou com a situação e a coisa começou a degringolar.

Acho que erraram um pouco na escolha das canções de trabalho também. Não sei se foi opção delas ou imposição da gravadora, mas não considero “Caixa de Bombom” e nem “Ciranda da Bailarina” como faixas com potencial para hits. Teria apostado em “Nada Melhor Pra Mim”, “A Menor Distancia Entre Dois Pontos” ou até mesmo na já citada “Não Vou Ser Má”. Outra opção seria a balada “Continue Pensado Assim”. É triste, mas a soma de uma escolha errada com um certo desprezo da gravadora fez com que o álbum não ganhasse o destaque merecido.

Imagem da última formação

Em 2003, lançaram seu ultimo disco: Rock, Meu Amor com Fifi substituindo Erika Nande. Trata-se de um CD de covers onde os grandes destaques ficam por conta da releitura de “Fórmula do Amor” e “Sem Você” (versão em português que fizeram para o sucesso “Inbetween Days”, da banda The Cure). Um trabalho divertido, alegre, mas não tinha a mesma intensidade dos anteriores. Um pouco da magia havia se perdido. Já dava indícios de que a chama começava a se apagar.

Não demorou muito e foi divulgado um comunicado no inicio de 2004 anunciando a separação. Não explicavam o motivo, mas acredito que elas tenham desanimado com tudo que estava ocorrendo. Gravadora abandonando o barco, mídia desprezando e integrantes trocando... Com a mesma intensidade em que apareceram, sumiram. Não sei muito o que aconteceu com os músicos. A única que tenho acompanhado de perto é a vocalista Erika Martins, que lançou um álbum auto-intitulado bacana em 2009 e no finalzinho do ano passado soltou um novo CD chamado “Modinhas”. Tive dificuldades para encontrá-lo, mas consegui. Estou para receber meu disco. Assim que isso ocorrer, faço uma resenha aqui no blog. Quem gosta, fica esperto.

sábado, 8 de março de 2014

As 20 melhores vocalistas do metal (parte 2)

Por Rafael Menegueti


Seguindo com a lista, agora o top 10.

10. Cristina Scabbia (Lacuna Coil)


O Lacuna Coil nasceu na Itália criando um som que mistura metal alternativo com influencias do metal sinfônico e gótico. A banda tem dois vocalistas, Andrea Ferro, fazendo a voz masculina, e Cristina Scabbia. A moça tem um estilo bem intenso, que foge um pouco da leveza tradicional que as vocalistas costumam levar a bandas como essas. Cristina também já fez uma participação especial em um single do Megadeth, a regravação de “À Tout Le Mond”, de 2007.

09. Amanda Somerville (Trillium, Kiske/Somerville)


Esse é um nome bem menos conhecido, mas sua voz não é tão desconhecida assim. Isso porque Amanda construiu sua carreira como uma backing vocal de nomes como After Forever e Epica. A norte-americana depois começou a fazer participações em projetos como o Avantasia, Se uniu a Michael Kiske no Kiske/Somerville, e mais tarde lançou sua própria banda, o Trillium. Amanda possui uma técnica clássica impecável no estilo meio soprano. Ela também costuma aparecer na produção de linhas vocais e co-escrevendo letras para o Epica.

08. Elize Ryd (Amaranthe)


Elize é o tipo de vocalista poderia cantar o que quisesse. Essa sueca tem uma das vozes mais incríveis que eu já ouvi. Poderia cantar soul, pop, jazz, mas preferiu o metal. Tanto que sua banda, o Amaranthe, é uma das mais criativas e diferentes do cenário atual, misturando metal com elementos de música eletrônica e até dance. Eliza ainda tentou entrar no Nightwish antes de formar sua banda, e fez participações mais recentes com o Kamelot e o Timo Tolkki’s Avalon.

07. Liv Kristine (Leaves’ Eyes)


Dona de um estilo bastante suave e próprio para o folk metal, Liv começou sua carreira no extinto Theatre Of Tragedy. Depois, formou com o marido Alexander Krull o Leaves’ Eyes, onde misturam metal sinfônico e folk metal. Liv também lançou trabalhos solo, e fez participação no primeiro álbum do Delain, “Lucidity”, onde faz os vocais principais na faixa “A Day for Ghosts”.

06. Sharon den Adel (Within Temptation)


Um dos grandes nomes do metal sinfônico, os holandeses do Within Temptation contam com a melodia suave e melancólica da voz de Sharon den Adel como uma de suas principais características. Sharon tem uma presença de palco única e é idolatrada pelos seus fãs. Assim como Liv Kristine, Sharon também cantou no álbum de estréia do Delain, na faixa “No Compliance”.

05. Tarja (ex-Nightwish, solo)


A primeira e icônica vocalista do Nightwish é talvez a mais idolatrada e elogiada entre todas as vocalistas do metal sinfônico mundial. A finlandesa é influencia para praticamente todas as vocalistas do estilo que surgiram após ela. Sozinha já poderia ser a numero 1 dessa lista. Só não é porque eu não quis. Tarja é uma cantora com formação clássica em ópera, e que conseguiu com seu estilo influenciar toda uma geração no metal sinfônico e gótico. Hoje, segue na ativa com uma brilhante carreira solo.

04. Alissa White-Gluz (The Agonist)


Se Angela Gossow é a rainha do metal extremo, Alissa é a princesa. A diferença na minha opinião é que ela tem uma dose a mais de talento do que a vocalista do Arch Enemy. Isso porque a canadense não só faz guturais impressionates (até melhores que os de Gossow, na minha opinião), como também tem uma bela voz quando canta de maneira limpa. Alissa é dona de uma personalidade forte, extremamente ligada a atividades de preservação ambiental e dos direitos dos animais. E é extremamente versátil na sua carreira musical. Ela vai ao caos, veloz e pesado no death metal de seu The Agonist, faz belos arranjos vocais ao lado do Kamelot em turnês, e mais recentemente foi anunciada como participação especial no novo disco da banda de metal sinfônico Delain.

03. Charlotte Wessels (Delain)


Falando em Delain, chegou a hora de Charlotte Wessels. A ruiva holandesa é particularmente a minha vocalista favorita, e toca em uma das bandas mais coesas e entrosadas que eu já conheci. Charlotte é o carisma em pessoa, sabe escrever ótimas músicas e tem um estilo leve e suave, mas ao mesmo tempo bem alinhado com o peso que o metal sugere. Com o Delain, faz um metal sinfônico próximo do rock mais tradicional, com levadas mais radiofônicas e um estilo bem alternativo. Charlotte também começou sua carreira em um projeto chamado Infernorama, e também já fez participações especiais com o Serenity e o Nemesea.

02. Simone Simons (Epica)


Tarja influenciou quase todas as vocalistas de metal sinfônico que surgiram após ela, e Simone Simons é a sua melhor seguidora. A vocalista holandesa do Epica nunca escondeu que foi após ouvir Tarja cantando que ela se interessou por metal. Simone tinha apenas 18 anos quando entrou, escondida dos pais, no Epica. E logo se tornou numa das vocalistas mais habilidosas do mundo. Com sua voz meio soprano de tirar o fôlego, ela vem definindo um estilo que une o canto clássico ao metal sinfônico progressivo criado por Mark Jansen. Não é a toa que o Epica é considerado a maior banda do gênero atualmente. Também já cantou com MaYaN e Kamelot.

01. Floor Jansen (Nightwish, ReVamp, ex-After Forever)



A grande vocalista da nossa lista é, sem duvidas, a mais ativa e versátil de todas. Floor é uma vocalista de metal feminino completa. Começou sua carreira no After Forever, banda que alinhava o estilo do metal gótico sinfônico com influencias de metal clássico como nenhuma outra. Desde aquela época ela surpreendia com um vocal de estilo clássico, meio soprano mas forte, impactante, que preenchia o ambiente. Com o tempo essa força foi aumentando, tanto quanto a estatura dessa holandesa. Após o final do After Forever, formou o ReVamp, onde deu prosseguimento a essa imposição de usa voz. Seu estilo agressivo e sua atitude no palco me faz lembrar de todos os grandes nomes do metal clássico, como Bruce Dickinson e Rob Halford, e para mim ela não perde pra nenhum deles. Quando entrou para o Nightwish, provou que sua voz também tem força para um estilo mais clássico e deu uma nova e interessante cara ao grupo finlandês. Também participou do projeto MaYaN, de Mark Jansen. E agora, ainda se arrisca nos guturais com o ReVamp. E faz bonito nisso também. Por isso ela merece o primeiro lugar da minha lista com folgas.

sexta-feira, 7 de março de 2014

As 20 melhores vocalistas de metal (parte 1)

Por Rafael Menegueti

Dando continuidade à semana da mulher do rock no blog, não podia faltar uma daquelas famosas listas. Como existem muitas listas iguais a essa por aí, decidi fazer essa do meu jeito, com as minhas favoritas. E como eu tenho certa predileção por bandas com vocais femininos, criar essa lista não me deu muito trabalho. O difícil foi deixar alguns nomes que eu também gosto de fora, como Doro, Amy Lee, Leah (solo), Manuela Kraler (ex-Xandria), Heidi Parviainen (Dark Sarah, Ex-Amberian Dawn) e Anneke Van Giersberger (solo, Ex-The Gathering). Vou apresentar a lista em duas partes diferentes, só pra dar um suspense a mais. Aqui vão elas:

20. Anette Olzon (ex-Nightwish)


Anette teve uma passagem de 5 anos pelo Nightwish, e provocou uma certa divisão entre os fãs. Muitos não gostaram dela, talvez por sentirem mais a falta de Tarja. Digo isso porque considero ela uma ótima vocalista. Possui um timbre suave e sabe elevar sua voz nas partes mais agitadas. Agora ela está saindo em carreira solo, para alegria de seus fãs.

19. Mariangela Demurtas (Tristania)


A vocalista italiana sofre do mesmo problema de Anette: teve de substituir uma vocalista querida pelos fãs. No caso, Vibeke Stene, no Tristania. Sua estréia com a banda não foi lá tão bem sucedida. O fraco “Rubicon” não serviu para mostrar sua voz como ela realmente é. Foi apenas no ano passado, no disco “Darkest White”, segundo dela com a banda, que pudemos conferir que ela realmente é uma boa vocalista.

18. Ailyn (Sirenia)


Falei dela aqui nessa semana, mas não podia deixar de fora. Gosto muito da leveza e da melodia que ela carrega na voz. Sua entrada no Sirenia foi o tiro certeiro que Morten Veland precisava dar para a banda seguir em frente. Ailyn ainda fez participação especial com o Serenity, na música “Chevalier”. Curiosamente, antes de integrar o Sirenia, fazia parte de um trio espanhol de cantoras de j-pop chamado “Charm”.

17. Zuberoa Aznárez (Diabulus In Musica)


Outra espanhola na lista, dessa vez da banda Diabulus In Musica. Ela combina um estilo que mistura o lírico com o vocal mais tradicional, bem afinada e que contrasta bem com a pegada mais feroz de sua banda. A banda esta para lançar seu mais novo disco, “Argia”, que, segundo a vocalista, será o melhor trabalho da banda.

16. Marcela Bovio (Stream of Passion)


Mais uma vocalista que fala espanhol. Dessa vez uma mexicana, que integra a banda holandesa Stream of Passion. Marcela tem um estilo bem próximo do que as outras vocalistas de metal sinfônico apresentam. Ela incorpora o canto clássico aliado a uma leveza mais tradicional. Sua banda também é uma das que mais investe em sonoridades mais elaboradas, até incorporando elementos e influencias de outros estilos em certos momentos. O Stream of Passion também vai lançar material novo em abril, “A War of Our Own”, quarto disco da banda. Também já cantou com Ayreon, ReVamp e MaYaN.

15. Vibeke Stene (ex-Tristania, solo)


A norueguesa foi a voz feminina do Tristania durante onze anos. Tem um educação clássica e incorporava o seu canto lírico à pesada e sombria atmosfera sonora do metal gótico do Tristania. Deixou o grupo em 2007, mas para alegria dos seus muitos fãs, anunciou seu retorno em carreira solo no ano passado.

14. Lisa Middelhauve (ex-Xandria)


Lisa cantou na banda de metal sinfônico alemã Xandria até 2008, quando deixou a banda. Ela é conhecida por seu carisma e também pelo seu característico estilo lírico. Mesmo depois de sair do Xandria, seguiu sendo adorada pelos fãs da banda, que a seguem por onde ela for. Curiosamente ela chegou a voltar para o Xandria por alguns shows quando a primeira substituta dela saiu da banda. Apesar de não fazer parte de nenhuma banda desde então, ela segue bem ativa, participando de turnês, discos e apresentações como convidada especial.

13. Sabine Dünser (ex-Elis, falecida em 2006)


Sabine era uma vocalista de estilo próprio, talentosa e que sabia compor canções como poucas. Começou no grupo gótico Erben den Schöpfung, e mais tarde formou o Elis. A banda de Liechtenstein estava se preparando para lançar seu terceiro disco, “Griefshire”, quando Sabine morreu subitamente, vitima de um AVC, aos 29 anos. A banda seguiu em frente dedicando toda a sua obra a ela. Também foi criado um memorial em sua homenagem, pelos fãs e ex-companheiros de banda.

12. Angela Gossow (Arch Enemy)


A próxima da lista se destaca por ser exatamente o oposto de todas as outras da lista. Ao invés de ter uma voz bela, e inserir um tom feminino em sua banda, Angela Gossow do Arch Enemy é conhecida pelos seus impressionantes e selvagens guturais, pela forte presença de palco e por sua personalidade no meio do metal extremo. De longe ela não é uma figura delicada, mas sim uma das mais fortes figuras do death metal, e que elevou seu grupo ao status de uma das maiores bandas do gênero.

11. Lzzy Hale (Halestorm)



Fechando a primeira parte, incluo a poderosa vocalista do Halestorm, Lzzy Hale. Ela começou sua carreira na banda ao lado do irmão e baterista, Arejay, quando ainda era apenas uma adolescente de 13 anos. Do keytar que tocava em suas primeiras composições, ela rapidamente passou para a guitarra, onde sua eficiência como uma frontwoman tornou logo o grupo num grande sucesso. Cheia de entusiasmo, com uma presença de palco impecável e uma voz forte e cheia de personalidade, alem da habilidade com a guitarra, Lzzy conquistou o mundo com sua banda, e o sucesso lhe rendeu não só o reconhecimento do publico, como também da critica. Tanto que o Halestorm já venceu vários prêmios, entre eles o Grammy.