sábado, 8 de fevereiro de 2014

Discografia comentada: Diabulus In Musica

Por Rafael Menegueti

Seguindo a recente onda de postagens com bandas de metal sinfônico que eu tenho feito, aproveito aqui para apresentar uma banda que sei que muita gente ainda não conhece aqui no Brasil. Trata-se da banda espanhola Diabulus In Musica. O grupo já lançou dois excelentes álbuns, e está prestes a lançar um terceiro, Argia, provavelmente no mês de abril.
A banda, com a formação do album "The Wanderer"
Fundada em 2006, na cidade de Pamplona, a banda conta atualmente com Zuberoa Asnárez (vocais), Gorka Elso (teclado e guturais), Odei Ochoa (Baixo), David Carrica (bateria) e Alexey Kolygin (guitarra). No entanto, a banda já mudou de formação algumas vezes, exceto no vocal e no teclado.

Com uma sonoridade sinfônica bastante influenciada por estilos como o thrash e o metalcore, o Diabulus In Musica se diferencia por ser uma banda com um estilo bem difícil de rotular. Zuberoa possui a mesma técnica lírica característica das bandas desse estilo, mas a banda segue uma linha mais agressiva do que normalmente costumamos ouvir no estilo, mas não chega a soar como metal extremo. Os dois primeiros discos da banda são bem semelhantes mas mostram uma evolução natural entre um e outro.

Secrets (2010)

O primeiro álbum da banda tem uma sonoridade bem agressiva. Na primeira vez que os ouvi, não pude deixar de notar na semelhança da estrutura das músicas com coisas que bandas como o Metallica vinha lançando ao longo dos anos, mas não chega a ser parecido. A bateria é bem pesada, e os riffs de guitarra são simples mas envolventes. As músicas grudam na cabeça, e o fato da vocalista ter uma bela voz faz com que ele seja de fácil audição. Em alguns momentos, como na faixa “St. Michael’s Nightmare”, é possível perceber uma clara influencia de bandas como Epica e Nightwish na estrutura das músicas. Um disco divertido e eficiente.

The Wanderer (2012)


O segundo disco da banda mostra uma evolução no sentido de que as composições parecem mais complexas do que as do debut. Se “Secrets” era simples e divertido, esse já é mais elaborado, com vocais mais marcantes e mais encorpado. As orquestrações também estão mais bem trabalhadas nesse álbum. No demais ele segue a mesma linha das composições do anterior. Riffs simples e eficientes, guturais agressivos e uma leve tendência ao progressivo, lembrando um pouco os primeiros trabalhos do Within Temptation. Também conta com a participação especial de Mark Jansen (Epica, MaYaN) na ótima faixa “Blazing the Trail”. Uma sequencia digna para uma banda que promete crescer ainda mais no cenário do metal sinfônico.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Guns n Roses – In New York: Live At The Ritz 1988



Por Davi Pascale

O começo de uma nova era. Não apenas para os rapazes da banda, mas para os fãs de rock n´roll em geral. Podemos, desse modo, qualificar a apresentação registrada nesse disco. Talvez uma das apresentações mais pirateadas dos garotos selvagens de Los Angeles, finalmente chegou ao mercado com uma boa qualidade de gravação e preço acessível pela gravadora Coqueiro Verde recentemente.

Qualquer fã que se preze, tem esse show em sua casa. Seja pela gravação da extinta TV Manchete, seja pela transmissão cheia de sons cortados de uma até então iniciante MTV Brasil, seja pelas inúmeras cópias pirateadas em lojas especializadas ou entre colecionadores, seja por esse DVD. Qualquer pessoa que se considere um fã tem a obrigação de ter esse registro.

Essa performance foi registrada pela MTV quando o grupo tinha acabado se soltar seu debut, Appetite for Destruction. A emissora chegou ao nosso país em 1990, mas nos EUA ela já existia desde 1981. Nessa época, a Music Television já tomava conta do mercado musical. Eles tinham maior influencia entre os jovens do que a rádio. Ter um clipe na MTV era meio caminho andado para o estrelato. Ou vocês acham que a preocupação que as bandas dessa geração tinham com o visual veio do nada?

A trupe liderada por Axl Rose já chegou causando polemica, sem contar que confundiu a cabeça dos críticos e até mesmo dos roqueiros. As polemicas rolaram por conta da capa do LP. Aqui no Brasil nunca tivemos muita preocupação com esse tipo de coisa, embora nessa época, costumassem censurar as letras dos conjuntos brasileiros colocando buzinas nas rádios, proibindo sua execução nas emissoras e até mesmo proibindo a venda para menores de 18 anos. Mas em relação à imagem de capa, não era habitual. Nos EUA, por outro lado, era a historia mais comum do universo. Varios artistas tiveram que refazer suas capas como a cantora Lita Ford (Out For Blood) ou o Stryper (To Hell With the Devil). E a capa do Appetite foi uma delas. O desenho da garota sendo estuprada por um robô foi considerada ofensiva e a gravadora criou uma segunda arte trazendo apenas o logo da banda. Aquele com as caveirinhas na cruz, manja?

Capa alternativa de Appetite for Destruction

Como disse, os caras confundiram a cabeça de todos. Eles se vestiam como os músicos do movimento hair metal (vendido no Brasil com o preconceituoso título de rock farofa). Cabelos compridos extremamente bem cuidados, calça de couro justa, um visual quase andrógino. O som, entretanto, era muito mais pesado do qualquer banda daquela época trazendo referencias de grupos de hard rock setentista e até mesmo da cena punk. Muitos não sabiam como enquadrar seu som. O que ficou notado era de que aqueles 5 loucos estavam crescendo rapidamente e que mais do que um grupo de sucesso, estavam se tornando ídolos de toda uma geração. Eles traziam todos aqueles ingredientes que se esperava de uma banda de rock. Guitarras cheias de ótimos riffs, peso, vocal gritado, inúmeras histórias envolvendo garotas, bebidas, carros velozes. Era o famoso grupo ame ou odeie.

E toda essa raiva, toda essa atitude, todo esse gás estão registrados nessa apresentação. Com a formação ainda original (Axl Rose, Slash, Duff, Izzy e Steven Adler), sem problemas de egos (ainda), os caras tocavam como se aquele fosse o ultimo show de suas vidas. Axl Rose gritava dançando freneticamente. Slash embarcou em sua figura mística e se apresentava com o cabelo tapando o seu rosto, solando como se não tivesse mais ninguém em sua volta. Duff suando como um porco. Adler sorria cada vez que a câmera pegava ele. Izzy fumando um cigarro atrás do outro. Era como se estivessem realizando seu sonho de infância. Tinha um toque inocente e selvagem ao mesmo tempo.

O show ainda não tinha aquela mega-produção com rampas no palco, fogos, trocas de figurino, pianos de cauda, backing vocals, tecladistas. Eram apenas os 5 fazendo o melhor que podiam. Claro que as execuções não são perfeitas. É possível pegar alguns erros, mas o show é simplesmente mágico. A adrenalina dos caras estava a mil. Quem assistiu esse show pela televisão, jamais imaginou que a história deles iria virar esse carnaval. Ainda não existia aquela preocupação se o cara iria parar o show no meio e sumir. Se iriam demorar uma década para soltar um disco. Nada disso. A idéia de ter uma banda com o nome de Guns n Roses contando apenas com Axl era algo inimaginável. Ainda que nessa época o assédio em cima do rapaz já fosse grande.

Apresentação marcada por garra e simplicidade

Assistir esse DVD é voltar no tempo. Um tempo onde a juventude tinha ídolos. Um tempo onde as empresas não exploravam na venda de ingressos. Um tempo onde haviam lojas de discos nas ruas, seções de LP´s nos supermercados. Um tempo onde nossos ídolos apareciam na televisão e nas capas de revistas para falar sobre seu trabalho e não para se exibir na praia ou mostrar com quem ficou, com quem deixou de ficar. Tempo que, infelizmente, se foi e não irá mais voltar.

Nota: 10/10
Status: Mágico

Faixas:
      01)   It´s So Easy
      02)   Mr. Brownstone
      03)   Outta Get Me
      04)   Sweet Child O´ Mine
      05)   My Michelle
      06)   Knocking On Heaven´s Door
      07)   Welcome To The Jungle
      08)   Nightrain
      09)   Paradise City
     10)   Rocket Queen

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Mayhem: a banda mais controversa da história

Por Rafael Menegueti

Vocês já devem ter ouvido falar das loucuras que os roqueiros fazem por aí. As quebradeiras em hotéis, as brigas, as cabeças de morcego mordidas. Pois agora eu vou lhes contar a historia de uma banda que vai fazer tudo isso parecer travessura de criança. Uma banda que se tivesse sua historia transformada em filme, esse seria apenas para maiores, e possivelmente proibido em alguns países: o Mayhem!

Mas para entender o Mayhem, antes devemos entender a cena de black metal norueguesa. Assim como em grande parte da Europa, nos países nórdicos o cristianismo foi imposto à força na população. Antes, os escandinavos eram pagãos. Essa imposição gerou certo rancor contra o cristianismo, que foi carregado por algumas pessoas através dos anos. No começo da década de 80, esses ideais anticristãos chegaram a grupos de adolescentes, que viram no heavy metal uma maneira de expressar seus pontos de vista. Inspirados nisso e em bandas como Venom e King Diamond, surgia o Black metal. O estilo viria a se tornar tão popular (e polêmico) na Noruega, que acabou se tornando o principal produto de exportação cultural do país. E as bandas do estilo viriam a disputar os principais prêmios de música noruegueses.
Os membros do Mayhem em 1990
Mas no inicio de tudo, a cena do Black metal era bem pequena. O Mayhem era uma das bandas que surgiram naquele inicio de década de 90. Fundada por Øystein Aarseth, mais conhecido como Euronymous, a banda seguiu uma linha totalmente independente durante toda sua existência. E durante os anos, muitas mudanças ocorreram na sua formação.

O líder Euronymous não era uma pessoa muito simpática. Extremamente satanista, tido como violento por muitos, e louco por outros, o guitarrista defendia uma sonoridade suja e desleixada para o estilo. Talvez por isso, as primeiras gravações da banda tivessem uma qualidade duvidosa. O fato é que a banda tinha um som extremamente rápido, atmosférico e arrastado, quase aterrorizante.

O segundo vocalista da banda (o primeiro foi Maniac) era um sueco chamado Per Yngve Ohlin, mas apelidado de Dead, pois ele tinha fascinação pela morte, e assim foi um dos pioneiros a usar o famoso “corpse paint”, a pintura facial que imitava um cadáver (os primeiros foram a banda brasileira Sarcófago). Era um sujeito estranho, introvertido. Enterrava suas roupas na terra antes dos shows, para que cheirassem a sepultura. Carregava um saco com um corvo morto dentro para cheirar o bicho podre no palco. Para convencer os integrantes do Mayhem a contratá-lo, enviou um pacote com uma fita demo e um porquinho da índia em decomposição aos membros, que estranharam, mas mesmo assim o contrataram.
O icônico Dead, com e sem maquiagem 
Com todas essas características, não foi muita surpresa quando ele simplesmente cortou os pulsos e deu tiro de espingarda na própria cabeça em 1991. Com requintes de humor negro, deixou um bilhete onde se lia apenas “desculpe pelo sangue”. Seu corpo foi encontrado pelo guitarrista da banda, Euronymous, que fez exatamente o que qualquer pessoa normal faria: pegou uma câmera e fotografou o cadáver (eu disse que ele era louco). Mais do que isso, ele ainda guardou pedaços do crânio de Dead, com os quais ele fez colarzinhos como lembrança depois. A frieza de Euronymous com a morte de Dead chocou os outros membros do Mayhem, Necrobutcher (baixo) e Hellhammer (bateria). Tanto que Necrobutcher deixou a banda logo depois.

Em seu lugar entrou Varg Vikenes (agora a porra ficou séria), ou Count Grishnackh, líder e único membro de outro grande nome da cena, o Burzum. Alem dele, Attila Csihar entrou para a vaga de Dead. Com essa formção a banda gravou seu álbum de estréia em 92, “Des Mysteriis Dom Sathanas”. Mas antes que ele fosse lançado, as coisas tomaram novamente rumos truculentos, mais especificamente entre Varg e Euronymous.

Percebam, Varg era outro sujeito complicado. Tinha leve simpatia por idéias nazistas. Certa vez, se desentendeu através de cartas com o líder judeu de uma banda de metal israelense. Algum tempo depois a policia bateu a porta do rapaz e lhe perguntou “quem te odeia na Noruega?” ao questionar o porquê da pergunta, o policial respondeu, “porque havia um pacote no correio para você vindo de lá, e dentro tinha uma bomba”. Varg ainda seria acusado de queimar igrejas (algo que foi comum na época).

Com Euronymous, o problema de Varg era ideológico. Para Euronymous, a cena Black metal deveria ser reservada e exclusiva para pessoas fortes e que tivesse real interesse nos objetivos dela. Já Varg pensava o contrario: quanto mais pessoas e popularidade tivesse o movimento, mais facilmente eles alcançaria meus objetivos. Isso os levou a brigarem. Em 93, Varg acabou descobrindo um plano de Euronymous para assassiná-lo. Quando foi atrás de Euronymous para tirar satisfações, os dois se atracaram, e Varg acabou matando Euronymous a facadas. Preso, Varg foi condenado à pena máxima, 21 anos (mas saiu em condicional em 2009). E assim o Mayhem terminaria, mas voltaria.
Varg Vikernes ri em seu julgamento
Após algum tempo, em 94, Necrobutcher, Hellhammer, o primeiro vocalista da banda, Maniac, e um novo guitarrista, Blasphemer, trouxeram o Mayhem de volta à vida. Em 95, a banda lançaria um disco que contaria com faixas ao vivo e demos da época de Dead, “Dawn of the Black Hearts”. O disco teria a capa mais controversa da historia da música, de acordo com o site Gigwise. Por que? A capa era a foto de Dead morto (não postarei aqui, pois a imagem é forte).

Depois de tudo isso o Mayhem segue na ativa até hoje. Com algumas mudanças de formação, como a volta de Attila Csihar aos vocais e a saída de Blasphemer. Lançaram alguns discos, todos por selos pequenos e independentes. Seguem fazendo um som sujo e arrastado, como no inicio. Inclusive fizeram show no Brasil em dezembro passado. Fiquei curioso pra ver, mas não fui. Afinal de contas, tem que ser muito doido pra se misturar com essas coisas...
O Mayhem em foto recente


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Garbage – One Mile High...Live (2013)



Por Davi Pascale

Na década de 1990, o Garbage dominava as paradas com hits como “Stupid Girl”, “Push It” e “Only Happy When It Rains”. Com visual e sonoridade moderna, o badalado produtor Butch Vig como integrante efetivo, além da belíssima Shirley Manson nos vocais, não era difícil de se imaginar que cairiam nas graças da juventude. Depois de indas e vindas, finalmente o grupo de Wisconsin soltou no mercado o seu primeiro DVD ao vivo. O vídeo chegou às lojas no ano passado, mas o show ocorreu em Outubro de 2012 em Denver e chegou a ser transmitido na AXS TV.

Quando a banda foi formada, os músicos já eram mais do que experientes. Não eram mais garotos de 18, 19 anos vivendo o sonho do estrelato. Butch Vig, por exemplo, já era extremamente respeitado. Arrisco dizer que era um dos produtores mais procurados da cena alternativa. Vig chegou a produzir artistas como Sonic Youth, Smashing Pumpkins, sem contar no disco que marcou aquela geração, Nevermind do Nirvana.  Portanto, não se assuste ao se deparar com 3 músicos com aparência de senhores quando der o play. Não estão com uma velhice prematura. Os músicos já estão entre 55 e 63 anos. A mais jovenzinha é Shirley Manson, que está com 47 anos.

Quem acompanhava a cena alternativa de perto, já havia ouvido falar da garota antes do primeiro trabalho do Garbage. A moça conseguiu algum destaque com um grupo chamado Angelfish com quem chegou a lançar um álbum auto-intitulado em 1994. A MTV chegou a exibir o clipe “Suffocate Me” em sua programação. Incrivel notar que mesmo com o passar dos anos, Shirley continua chamando a atenção por sua beleza, que fica mais nítida no material extra, já que no show usa um visual comportado. Sua voz também não sofreu grandes mudanças.

Aqueles que, assim como eu, viveram a década de 90, devem se recordar dos clipes super produzidos que faziam. Alguns até com efeitos especiais. Por conta disso, esperava que o show tivesse uma preocupação estética. Não que subam ao palco trajados de maneira desleixada, mas a apresentação é a banda e nada mais. Butch Vig chegou a declarar que isso foi proposital. Não sei até onde essa foi a melhor escolha. Com o tipo de som que fazem, não apenas caberiam alguns recursos visuais casando com as músicas como acredito que deixariam o show mais intrigante.

Apresentação simples e empolgante marca primeiro DVD ao vivo

Esse fator, contudo, não tira a magia da performance. Os músicos tocam com entusiasmo e não poupam músicas durante o set. Além de executarem algumas canções do até então recém-lançado Not Your Kind Of People, nos entregam de bandeja a maioria de seus hits. Faltou uma ou outra coisa como “The World Is Not Enough”, mas as principais estão todas lá. De “Stupid Girl” à “Why Do You Love Me”, sem deixar de lado clássicos como “Cherry Lips (Go Baby Go)”, “I Think I´m Paranoid” e “Queer”.

Os extras pecam por serem muito curtos. A idéia deles comentando sobre a criação das faixas de seu mais recente álbum e da escolha delas no repertório é muito boa. Mas cada vídeo tem uma media de 3 minutos, misturando trechos da canção e depoimento dos integrantes. Nem preciso dizer que as declarações são superficiais. A qualidade da apresentação e o set, contudo, compensam qualquer simplicidade e transforma esse vídeo em um item obrigatório para qualquer fã. Tanto os mais antigos, quanto os mais novos irão se deliciar com a performance inspirada do Garbage. Certeza!

Nota: 08/10
Status: Muito bom

Setlist:

Automatic Systematic Habit 
I Think I´m Paranoid
Shut Your Mouth
Why Do You Love Me
Queer
Stupid Girl
Hammering In My Head
Control
# I Crush
Cherry Lips (Go Baby Go!)
Big Bright World
Blood For Poppies
Special
Milk
Battle In Me
Push It
Only Happy When It Rains
Supervixen
The Trick Is To Keep Breathing
Vow

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

MaYaN – Antagonise

Por Rafael Menegueti

Mayan - Antagonise
Semana passada eu falei sobre o primeiro disco do MaYaN, “Quarterpast”. O projeto envolvendo os membros do Epica, liderado por Mark Jansen, e que propõe um som que mistura varias vertentes, criando uma ópera death metal sinfônica, agora lança seu segundo disco. Falemos agora sobre ele, “Antagonise".

O novo trabalho do supergrupo holandês segue os mesmos moldes de seu antecessor. Riffs rápidos, sequencias oitavadas, a mistura dos excelentes guturais de Mark Jansen com os vocais típicos do metal de Henning Basse, todos os elementos estão aqui. É ótimo ver como os membros conseguem levar o melhor de sua musicalidade para o disco. As típicas estruturas progressivas das composições de Mark Jansen também se fazem presentes.


Nesse disco a banda usou menos as participações especiais femininas. A vocalista mexicana do Stream of Passion, Marcela Bovio, e a cantora lírica italiana Laura Macri fazem boas aparições em algumas músicas. A sempre ativa Floor Jansen também aparece na faixa “Redemption”. Simone Simons dessa vez não apareceu. Mas isso não deixou as músicas menos atraentes.

Outra coisa bem interessante foi o trabalho orquestral aliado aos teclados. A junção desses elementos com os riffs e as levadas mais rápidas ficaram espetaculares. O tecladista Jack Driessen acrescentou ainda mais ao álbum com solos que competem com as guitarras em criatividade.

Outro detalhe fica por conta da nova formação. Rob van der Loo gravou o baixo dessa vez, e Isaac Delaheye deixou a banda após as gravações. A banda anunciou no domingo (02/02) que para seu lugar entra a jovem guitarrista Merel Bechtold (Purest of Pain). Ela já havia estrado na banda nos shows de lançamento do disco, mas era apontada apenas como uma integrante temporária, mas agora é definitiva. De resto a formula é a mesma de antes.

A nova guitarrista Merel Bechtold
Talvez o único porém desse disco seja o fato de ser muito parecido com o antecessor, inclusive na temática política das letras. Mas isso não chega a ser ruim, uma vez que ambos são excelentes. Mark Jansen provou mais uma vez porque é o maior nome do metal holandês. E o MaYaN deixa bem claro que não é um simples projeto paralelo. Eles vieram pra ficar.

Nota: 8/10
Status: Épico

Faixas:
1."Descry"
2."Bloodline Forfeit"
3."Burn Your Witches"
4."Redemption" (The Democracy Illusion)
5."Paladins of Deceit" (National Security Extremism - Part 1)
6."Lone Wolf"
7."Devil in Disguise"
8."Insano"
9."Human Sacrifice"
10."Enemies of Freedom”
11."Capital Punishment"

12."Faceless Spies" (National Security Extremism - Part 2)

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Paul Stanley: Curiosidades sobre seu primeiro álbum solo





Por Davi Pascale

Em 1978, o grupo norte-americano Kiss fez uma jogada que até então ninguém tinha feito. Cada um de seus integrantes gravou um álbum solo, até aí tranqüilo. O que ninguém havia tentado até então, era lançar os 4 discos simultaneamente. E foi o que aconteceu. Exatamente, as lojas receberam os 4 titulos no mesmo dia. A decisão de gravá-los foi tomada como uma tentativa de amenizar as crises internas e diminuir as constantes reclamações de Ace e Peter que diziam não terem a mesma liberdade criativa que Gene e Paul tinham na criação dos discos. Com cada um fazendo seu disco, era o momento de cada músico demonstrar seu real valor. Um dos mais aguardados era o do starchild, ou seja, Paul Stanley.


O álbum do rapaz talvez seja o que mais se aproxime da sonoridade do Kiss. Se bem que não considero o de Ace Frehley muito distante da sonoridade dos mascarados. Acho as músicas do spaceman bem próximas das composições de sua autoria que foram inseridas nos álbuns do conjunto. Se você escuta “Rip It Out” e emenda “Shock Me” no CD player, ao menos para mim, é nítida que nasceu da mesma mente. Entretanto, não havia como negar que existia uma liberdade maior. Quando alguém compunha uma musica para a banda, quase sempre sofria modificações de seus parceiros. Até hoje, Peter Criss reclama das alterações em “Baby Driver”, mas não era somente nas composições dele que isso ocorria. Quando se gravava sozinho, não existia a necessidade de adaptar suas canções à linguagem do grupo. Simplesmente gravava como haviam sido concebidas e pronto! 


Quem coleciona Kiss, deve conhecer as versões demo de “Tonight You Belong to Me”, “Wouldn´t You Like to Know Me” e “Take Me Away (Together As One)”. Se prestar atenção, ficará nítido que não há grandes mudanças nelas. Nem nos arranjos, nem nas letras. Essas faixas correm soltas por aí com o nome de “alternate mix”.


Suas maiores experimentações ficaram pelo modo de gravar sua guitarra. Stanley utilizou alguns procedimentos que não eram comuns nos trabalhos de seu conjunto principal. Utilizou, por exemplo, o E Bow, um arco manual elétrico que cria uma sonoridade totalmente distinta. O aparelho faz com que sua guitarra não soe como uma guitarra. Em “Tonight You Belong to Me”, por exemplo, todos imaginavam que havia um teclado ali. Na verdade, era nosso famoso E Bow. No Kiss, a única faixa que me recordo de terem utilizado esse recurso foi na faixa “Love Gun”. E mesmo assim, de uma maneira bem mais discreta. Outro recurso que utilizou e que não era usado nos demais álbuns que havia gravado era o trastejador. E não parava por aí, Paul utilizou um método totalmente diferente de afinação. Deixou sua guitarra com afinação aberta em sol. Com isso, o mi tornava-se ré. E para completar, arrancou fora a corda Mi(zinha), deixando o instrumento com apenas 5 cordas. Dois amplificadores foram utilizados: um Gallien-Krueger em “It´s All Right” e um Marshall no resto do álbum.


Nas vendagens, Stanley ficou atrás de Ace Frehley e Gene Simmons

Os álbuns contavam com varias participações. As mais notáveis, no caso de Paul Stanley, eram o lendário baterista Carmine Appice em “Take Me Away (Together As One)”, o baixista Steve Buslowe (que 2 anos depois participaria do álbum “Worlds Apart” do Blackjack, grupo que fazia parte o futuro guitarrista Bruce Kulick) e o guitarrista Bob Kulick, irmão de Bruce. O rapaz já havia participado das gravações das 5 faixas inéditas do Alive II e futuramente participaria da primeira turnê solo de Paul Stanley, realizada em 1988. Essa, aliás, era a prova de que havia uma disputa entre os dois lideres já que Gene Simmons quis que o rapaz participasse também de seu disco solo e Stanley proibiu.


Ao contrario de Gene e Ace que utilizariam produtores que já haviam trabalhado com o Kiss (Sean Delanney e Eddie Kramer, respectivamente), Paul decidiu trazer alguém de fora. O escolhido foi Jeff Glixman, conhecido por seus álbuns com o Kansas. A parceria, entretanto, não funcionou bem e o rapaz acabou contando como co-produtor de 4 musicas apenas. As outras 5, Stanley produziu sozinho. O disco foi gravado em 3 estudios diferentes: Electric Lady (em Nova Iorque), Village Recorder e Record Plant (ambos em Los Angeles).


Contrariando as expectativas, o disco de Paul Stanley, mesmo sendo o musico mais talentoso do Kiss (pelo menos, na minha opinião) não emplacou. E contrariando ainda mais as expectativas, o disco solo de Ace Frehley (considerado por muitos, o pior vocalista dos 4) foi o que mais teve sucesso. Parece que o êxito obtido pelo spaceman mexeu um pouquinho com o ego da dupla Simmons e Stanley que sempre se consideraram os principais compositores, mas isso é papo para outro post...


Faixas:

      01)   Tonight You Belong to Me
      02)   Move On
      03)   Ain´t Quite Right
      04)   Wouldn´t You Like to Know Me?
      05)   Take Me Away (Together As One)
      06)   It´s Alright
      07)   Hold Me, Touch Me
      08)   Love In Chains
      09)   Goodbye

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Os maiores “sing alongs” do rock e metal

Por Rafael Menegueti

Aquele momento épico quando você está em um show e a banda começa a tocar aquele clássico. Aquela música que simplesmente é o momento mais alto de suas carreiras, e de algum modo, contagia todo mundo de repente. Daí todo mundo começa a cantar junto, em uníssono.


“Sing along”, cantar junto, esses são momentos únicos. No rock existem milhares de músicas que levam o publico a esse delírio. Seja pelas letras, seja pela melodia (o famoso “oooh oouoh”), todo mundo já cantou junto com pelo menos uma dessas músicas. Se não ao vivo, pelo radio ou TV. Algumas delas ficam até mais interessantes nas versões ao vivo por conta disso. Vamos ver alguns exemplos épicos dessas canções envolventes e emocionantes.

Iron Maiden - Fear of the Dark

Queen - Love of My Life

Blind Guardian - The Bard Song (In the Forest)

Europe - The Final Coutdown

Scorpion - Still Loving You

Metallica - Nothing Else Matters