sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Crucified Barbara – The Midnight Chase

por Rafael Menegueti
Crucified Barbara - The Midnight Chase
Ontem o Davi Pascale mostrou algumas das suas figuras femininas favoritas do cenário do rock. Pensando nisso achei interessante falar de uma banda feminina que realmente vem quebrando tudo ultimamente. Falo das garotas suecas do Crucified Barbara, e de seu mais recente trabalho de estúdio, “The Midnight Chase”, lançado em 2012.

Esse é o terceiro disco da banda, que faz um som bem hard rock, com uma pegada intensa e cheia de riffs pesados. A banda segue uma linha bem ao estilo stoner rock, e é claramente influenciada por nomes como Motörhead, Metallica, Slayer e até um pouco de Kiss. O fato é que de todas as bandas femininas mais agressivas, o Crucified Barbara é definitivamente uma das mais talentosas e certeiras no seu som.

O Álbum abre com a excelente The Crucifier, uma faixa empolganda e com um refrão fácil de lembrar. Alias, essa é outra característica das garotas, o som delas não tem enrolação, é direto ao ponto, puro rock n’roll. Não à toa, o disco tem uma audição bem fácil. Ele parece passar rapidamente, com faixas extremamente diretas e certeiras. Outras faixas que seguem a linha potente e com bons refrões que grudam na cabeça são Rules And Bones e Rock Me Like The Devil. A única “baladinha” do disco, Count Me In, também não decepciona, e tem uma levada bem diferente do resto álbum.
Klara (guitarra), Nicki (bateria), Ida (baixo) e Mia (vocal e guitarra)
A vocalista e guitarrista Mia Coldheart possui um estilo bem interessante, uma espécie de mistura de Lemmy Kilmister com Lzzy Hale e os trejeitos de Phil Anselmo (ela também faz umas caretinhas cantando). Sua voz casa perfeitamente com o estilo da banda. Sem falar que elas arrebentam com os instrumentos também. Tem muito marmanjo por aí que não tem metade da atitude e habilidade das suecas, o que prova que esse negocio de metal ser um clube do Bolinha já era.

Portanto, com todas essas qualidades, “The Midnight Chase” é definitivamente um excelente disco de hard rock, e prova de que as mulheres conquistaram espaço no metal em todos os aspectos. Vale a pena conferir!

Nota: 8,5/10
Status: Furioso e selvagem

Faixas:
1 "The Crucifier" (3:26)
2 "Shut Your Mouth" (4:04)
3 "Into The Fire" (3:40)
4 "Rules And Bones" (4:46)
5 "Everything We Need" (3:18)
6 "If I Hide" (4:23)
7 "Rock Me Like The Devil" (3:47)
8 "Kid From The Upperclass" (4:06)
9 "The Midnight Chase" (4:05)
10 "Count Me In" (5:00)

11 "Rise And Shine" (4:52)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Women In Rock

Por Davi Pascale

Sempre que falamos de rock n roll, nos vêm à memória garotos cabeludos, chacoalhando a cabeça, tocando no último volume. Mas, várias garotas também marcaram o gênero. Citarei agora 5 artistas femininas que sempre acompanhei de perto. Pretendo fazer mais algumas listas, várias garotas que gosto muito ficaram de fora. Não sei ainda quando irei fazê-las...  Lembrando que não são as mais importantes de todos os tempos, nem minhas 5 preferidas de todos tempos. Simplesmente 5 artistas femininas que admiro e que, por algum motivo, vieram à minha cabeça enquanto escrevia esse artigo. Simples assim...


Joan Jett



Quando falamos de grupo de rock feminino, o The Runaways é um dos primeiros que surge em nossa mente. Dentre as garotas que fizeram parte da banda, ao menos duas fizeram historia no rock n roll. Uma delas atende pelo nome de Joan Jett. Sua carreira decolou depois que montou o grupo Joan Jett & The Blackhearts e fez uma releitura da canção “I Love Rock n Roll” de uma banda que é um tanto obscura no Brasil, The Arrows. Em sua sonoridade mistura elementos do punk e do rockabilly. Com faixas diretas, bom trabalho de guitarra, um rosto angelical e sem abusar da sensualidade, marcou época e ainda é lembrada entre 9 de 10 roqueiros. Esteve recentemente no Brasil, durante a primeira edição do Lollapallooza Brasil, onde fez uma apresentação memorável.



Lita Ford



A outra runaway que marcou época foi a Lita Ford. Seguiu o caminho oposto de sua colega Joan em quase tudo. Buscou uma sonoridade mais próxima do heavy, abusou da sensualidade e também da sexualidade. Recentemente, ela deu uma entrevista onde comentava suas preferências sexuais que acabou chocando parte de seus fãs que a acusavam de estar se expondo além da conta. Vários artistas do rock comentam sobre já terem ‘namorado’ Lita. Durante os anos 80, era vista como um verdadeiro sex symbol entre os amantes do som pesado. Nessa época, arriscou um som mais próximo do hair metal e foi aí que conseguiu seus maiores hits como “Shot of Poison” e a balada “Kiss Me Deadly”.



The Donnas



Fortemente influenciadas pela cena setentista, o grupo chamou minha atenção quando lançaram o álbum Spend The Night. Nos primeiros trabalhos, tinham uma sonoridade bem punk, com forte influência dos Ramones. Inclusive, seguiram a idéia de usar o nome do conjunto como parte do nome artístico delas. Depois, abandonaram essa idéia. Com o tempo, foram se aproximando cada vez mais do hard rock e deixando nítida a influencia de grupos como Kiss, AC/DC e as próprias Runaways. Tive a oportunidade de assistir a primeira passagem delas no Brasil quando estavam para lançar seu sétimo trabalho, o excelente “Bitchin”. Vale a pena conferir.



Sheryl Crow



De todas dessa lista, acho que Sheryl é a que tem a sonoridade mais soft. A garota teve seu primeiro papel de destaque quando assumiu o posto de backing vocal do Michael Jackson durante a turnê do Bad em 1988. Mas foi somente em 1993, quando lançou seu debut “Tuesday Night Music Club” que as pessoas começaram a notar seu talento. Além de bonita, a ex-mulher de Eric Clapton, tem um excelente alcance vocal, além de ser compositora e multi-instrumentista. No Brasil, os CDs de maiores destaques foram os dois primeiros que tinham os hits “Everyday Is a Winding Road”, “If It Makes You Happy”, “All I Wanna Do”, “Leavin´ Las Vegas”. O meu favorito, entretanto, sempre foi “The Globe Sessions”.



Alanis Morissette




Ao contrario das demais, nunca considerei Alanis um exemplo de beleza. Na fase do Jagged Little Pill achava ela apresentável, depois acho que seu visual piorou. Entretanto, ela não é uma modelo, é uma cantora. Portanto, o que deve ser julgado é a qualidade de sua música. Ainda me lembro de quando estourou nas rádios na metade da década de 90. Havia visto poucas vezes uma cantora que tivesse a entrega que tinha em suas apresentações. Suas letras, muitas vezes com um quê de rebeldia fizeram a cabeça da garotada. Essa fase, contudo, durou pouco. Todo esse estardalhaço mexeu com a cabeça da menina que resolveu se afastar um pouco para meditar, botar a cabeça no lugar. Depois de uma viagem à India, lançou Supposed Former Infatuation Junkie. Confundiu todo mundo. A sonoridade estava mais ousada, as letras mais poéticas e sua postura menos rebelde. Fãs e críticos dividiram opiniões. O fato é que a qualidade de seus discos sempre foi alta e durante os anos vários trabalhos inspirados surgiram. Vale a pena dar uma aprofundada.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Anathema – Weather Systems

por Rafael Menegueti

Anathema - Weather Systems
É impressionante notar a mudança na sonoridade do Anathema ao longo dos anos. A banda de Liverpool, Inglaterra, começou sua carreira como uma banda de doom/death metal, lá pelo começo dos anos 90. Veio então algumas mudanças, na formação e, principalmente, no estilo. Com o passar dos tempos ela foi ficando mais gothic metal, depois mais progressiva, e aos poucos o metal foi dando espaço a um rock cada vez mais próximo de influencias como o rock clássico e um novo estilo de rock progressivo.

Entre muitas experiências e evoluções ao longo de mais de vinte anos e oito álbuns de estúdio, a banda lançou seu mais recente trabalho, “Weather Systems”, em 2012. O nono álbum de estúdio da banda segue uma linha extremamente talentosa, com composições melódicas e cheias de arranjos. A divisão dos trabalhos vocais da cantora Lee Douglas e dos irmãos vocalistas/guitarristas Daniel e Vincent Cavanagh é excelente. Varias das músicas parecem crescer e ganhar ainda mais vida durante sua execução, como em Sunlight.

Já na música The Storm Before The Calm, a banda mistura dedilhados de guitarra com sintetizadores, criando um som atmosférico e sombrio. Em vários momentos do disco essas características deixam o som da banda mais interessante, tornando difícil citar uma canção chata de se escutar. E olhe que eu tenho um pé atrás quando se trata de bandas que experimentam um som progressivo unido a coisas como sintetizadores. Geralmente tendem a serem tediosas, mas não é o caso com o Anathema.

Os integrantes do Anathema
De fato essa me parece uma das melhores bandas independentes da atualidade, não só pela criatividade como pelo talento. As músicas de “Weather Systems” me fazem lembrar de grandes bandas como Pink Floyd, The Cult, Jethro Tull, Paradise Lost, ou até de bandas mais atuais como Florence & The Machine, Civil Twilight e algumas coisas de Coldplay. Acho até difícil entender como uma banda tão boa permanece praticamente anônima lançando trabalhos tão completos e bem elaborados quanto este.


Portanto, se você busca uma banda diferente, criativa e que tenha músicas fortes, marcantes e que misturem melancolia, melodia e uma incrível relação entre momentos suaves e outros mais rápidos, o Anathema é a escolha certa. E vamos ficar no aguardo, pois é bem provável que os ingleses lancem um novo trabalho esse ano.

Nota: 9/10
Status: Alucinante

Faixas:
1. "Untouchable, Part 1"
2. "Untouchable, Part 2"
3. "The Gathering of the Clouds"
4. "Lightning Song"
5. "Sunlight"
6. "The Storm Before the Calm"
7. "The Beginning and the End"
8. "The Lost Child"
9. "Internal Landscapes"  

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Discografia comentada: Silverchair

por Rafael Menegueti


Na última semana, o empresário de Daniel Johns anunciou oficialmente que o vocalista do Silverchair está trabalhando em um disco solo. Isso pouco antes de ser lançada uma faixa em colaboração ao rapper australiano 360, chamada “Impossible”. Na verdade a ansiedade dos fãs da banda australiana é longa e justificável. Desde que anunciaram a pausa por tempo indeterminado nos trabalhos da banda, pouca coisa se soube sobre seus integrantes.
Chris, Daniel e Ben, do Silverchair 
O baterista Ben Gillies lançou um projeto solo, Bento, em um disco chamado “Diamond Days”, que une influencias indies e folk em um rock bem diferente do feito pelo Silverchair. O baixista Chris Joannou vem trabalhando como produtor e se dedicando a projetos fora da música. Mas a grande duvida dos fãs fica por conta de Johns. Muitos anseiam pelo retorno do vocalista a ativa, mas ele só havia se dedicado a projetos menores, como trilhas sonoras e participações especiais. Nem mesmo o bem sucedido projeto paralelo The Dissociatives, lançado em 2004, teve continuação.

Para compensar a falta de novo material e de novidades sobre a banda, iremos analisar aqui os trabalhos consagrados do trio de Newcastle, desde o longínquo “Frogstomp”, de 1995, até o tão inusitado “Young Modern” de 2007.

O trio na época de Frogstomp
Tomorrow (EP) – 1994













O primeiro lançamento da banda é um tanto quanto obscuro. Após vencerem um concurso de bandas de uma radio local, os garotos da banda ganharam o direito de gravar um EP. “Tomorrow” foi gravado em 94 e tinha quatro faixas. As versões iniciais de Tomorrow, Acid Rain, Blind e Stoned eram simples e um tanto pesadas. Todas viriam a ser regravadas mais tarde, mas apenas Tomorrow entraria no primeiro full-lenght.

Frogstomp – 1995













O debut da banda veio após meses de um crescente sucesso na cena australiana, a ponto de a banda ganhar um contrato. O disco foi gravado em apenas nove dias, e mostra uma banda que mais parecia querer tocar como seus ídolos do que inovar. Nada mais natural em se tratando de três garotos de apenas 15 anos. Mas “Frogstomp” não é um simples álbum de três garotos. Apesar das letras rasas e da tentativa de soar como o Pearl Jam e o Nirvana, a banda conseguiu criar boas músicas e explodiu com o sucesso de Tomorrow, o excelente riff de Israel’s Son e a porrada agitada Pure Massacre.

Freak Show – 1997













Passado o primeiro impacto do sucesso com “Frogstomp”, a banda lançou seu segundo disco. “Freak Show” seguiu um caminho parecido de seu antecessor, mas tinha algumas diferenças. As letras eram mais pessoais, haviam faixas mais elaboradas, com arranjos de cordas e até uma citara em uma das canções. O carro chefe do álbum, Freak, era uma música com um riff poderoso e letra pegajosa. Não chegou a repetir o sucesso do primeiro álbum, mas serviu pra mostrar que eles não estavam ali para brincadeiras. Ainda repetem muito o grunge, principalmente o Nirvana, mas já começavam a mostrar uma identidade própria.

Neon Ballroom – 1999













Após “Freak Show” a banda começou a provar o outro lado do sucesso, mais especificamente o vocalista e guitarrista Daniel Johns. A depressão e os problemas com transtornos alimentares refletiram diretamente no novo trabalho do grupo, “Neon Ballroom”. A banda definitivamente havia crescido. Já nos seus 20 anos, o grupo começou a ganhar cara própria nesse disco. As canções compostas por Johns refletiam os problemas que a jovem estrela australiana enfrentara. Mais bem trabalhado e com influencias mais amplas, o disco tem arranjos de piano, orquestrais, pitadas de punk, metal e rock alternativo. E fez muito sucesso com as baladas Miss You Love e Ana’s Song (Open Fire).

Diorama – 2002













Após os momentos conturbados, que resultaram no ótimo “Neon Ballroom”, veio uma calmaria, que resultou em “Diorama”. Nesse disco eles investiram forte na experimentação, e acabaram por lançar seu melhor trabalho. “Diorama” tem músicas fortes, baladas envolventes, influencias entre o metal e o rock clássico. Jonhs compôs letras inteligentes e canções extremamente competentes e radiofônicas. Nesse disco ele também demonstra seu melhor desempenho como vocalista. Pode não ter sido o sucesso comercial que mereceria ser, mas valeu pelo excelente registro de uma banda bem mais madura como músicos e compositores.

Young Modern – 2007

 












Após longos cinco anos desde seu último lançamento, o Silverchair voltou à ativa. Naquele meio tempo, Johns havia lançado um projeto unindo rock e música eletrônica, o The Dissociatives, enquanto Ben Gillies havia tocado bateria no grupo Tambalane, uma banda mais voltada ao folk/pop rock. “Young Modern” pode ser considerado o trabalho mais ousado e diferenciado da banda. O disco investe mais na sonoridade com influencias mais recentes, como o indie rock, e em arranjos orquestrais e com sintetizadores e teclados. Muitos fãs estranharam, mas o disco não chega a ser ruim. Pode ser um tanto insosso em alguns momentos, como na fraca Reflections of A Sound, mas tinha boas faixas também, casos de Those Thieving Birds, Mind Reader e Young Modern Station. E foi o único álbum que superou as vendas de “Frogstomp”, inesquecivel e eterno “disco do sapinho”.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Raimundos: Duas décadas de rock, maconha e sacanagem.



Por Davi Pascale

Agora, em 2014, completam-se 20 anos que o álbum de estréia dos Raimundos chegou às lojas. Durante muitos anos, foram porta-vozes de uma geração. Os garotos se vestiam igual à eles, utilizavam as mesmas gírias, usavam camiseta do grupo etc etc etc. Atualmente os caras vivem uma etapa bem diferente. Sem o carismático vocalista Rodolfo, se viram em 500 para se manterem na ativa e, principalmente, para não cair no esquecimento.

Como todo bom grupo de rock deve ser, foram incômodos. Suas letras, que falavam de putaria e maconha, incomodavam muita gente. O pessoal das gerações anteriores não compreendia o que era o Raimundos e os acusavam de ser um conjunto que não tinha nada a dizer e de ser uma má influencia para a juventude.

É claro que essas pessoas não sacaram qual era a dos meninos de Brasilia. Ao contrário do grande expoente brasiliense da década de 80, os Raimundos não tinham pretensão de passar mensagem para as pessoas e, ao contrario dos pagodeiros e sertanejos xexelentos que dominavam as rádios na época, não tinham a pretensão de conquistar o coração das meninas com poesia barata. A proposta deles era meramente de diversão. É óbvio que a juventude adorou. Qual adolescente que não gosta de encher os pulmões e gritar um palavrão do nada? Imagina você ter uma banda que te dá liberdade de fazer isso durante um show inteiro...

A saída de Rodolfo fez com que o grupo perdesse parte dos seguidores

E sejamos honestos. O que os meninos cantavam não está muito distante daquilo que o Camisa de Vênus cantava em músicas como “Silvia” e “My Way”, nem era tão cabeludo quanto algumas letras do Velhas Virgens, que soltaria seu debut pouco tempo depois. O lance da maconha parece ser símbolo daquela geração. 9 entre 10 bandas, tinham alguma musica que falava de marijuana. Isso sem contar o Planet Hemp que praticamente construiu sua carreira em cima do tema.

Digão foi o Tony Belotto dos anos 90. Era um guitarrista não mais do que mediano, mesmo assim 9 entre 10 jovens queriam aprender seus riffs, seus solos e o tinham como ídolo. O impacto que o titã causou nos anos 80, o rapaz causou na década seguinte. Rodolfo nunca teve uma grande voz, mas era bem carismático. Tinha boa presença de palco e tinha o publico na palma de suas mãos durante as apresentações. A fórmula funcionava perfeitamente. Eram os caras certos para aquele projeto.

A carreira deles foi recheada de polêmicas. Desde o forrocore do debut, passando pela performance no programa da Xuxa na época de Lavô Tá Novo, na capa em que posaram de pagodeiros (Só no Forevis) até chegar à versão de “20 e Poucos Anos”, hit de Fábio Jr., gravada para um programa da MTV que tinha o mesmo nome.

A polêmica capa de Só no Forévis

Dessas, vale a pena explicar a arte de Só no Forevis. Lembro até hoje de quando estava andando na Galeria do Rock e vi dois rapazes comentando em frente à uma vitrine. O primeiro mandou “Olha lá, o novo do Raimundos. Agora eles estão cantando pagode”. O outro emendou “Putz, que pena. Era uma banda legal”. Isso porque já tinha musica rolando nas rádios. Como podem ver, muita gente não se dava ao trabalho de ouvir o CD por conta da arte escolhida para a capa. Na verdade, era uma brincadeira. Era uma critica à invasão do gênero nas rádios e na TV. Era como se eles dissessem “se precisamos posar de pagodeiros para aparecer na TV, aqui estamos”. Demorou um pouco para que a galera entendesse a jogada...

Demorou, mas funcionou. Várias faixas invadiram as estações de rádio. “Me Lambe”, “Mulher de Fases”, “A Mais Pedida”... Os caras lotavam tudo quanto é show. As apresentações duravam 3 horas. Pareciam imbatíveis. Tudo ia bem até que Rodolfo Abrantes resolveu abandonar o grupo, declarando estar vivendo uma outra realidade e dizendo que queria se dedicar à religião. Quando ouvi isso pela primeira vez, achei que era gozação do cara. Quando saquei que era verdade, imaginei o fim do conjunto.

Como disse anteriormente, ele era extremamente carismático e os fãs o adoravam. Imaginava que seria difícil substituí-lo. Não por técnica ou alcance. Longe disso. Por esse ângulo, seria fácil. O problema era a identificação que o publico tinha com ele. O grupo optou por colocar Digão nos vocais e trouxe um novo guitarrista, o ex-Peter Perfeito, Marquinhos. Foi bom por um lado, ruim por outro. Digão tem um timbre de voz muito mais legal do que Rodolfo. Pelo menos, eu acho. Por outro lado, a mesma identificação que a garotada tinha com Rodolfo correndo e pulando de um lado para o outro, seus fãs tinham pelo Digão enquanto guitarrista. Lembra que eu disse que a molecada ficava tentando aprender seus riffs e seus solos? Então... Seus seguidores ficaram sem uma coisa, nem outra. As letras também perderam um pouquinho da irreverência, do deboche, que era outra marca registrada dos Raimundos.

Grupo planeja novo álbum de inéditas

Os trabalhos lançados com Digão nos vocais são bons discos (Kavookavala e O Embate do Século são divertidíssimos), mas não tem aquele brilho de outrora. Durante esse tempo, houve algumas mudanças na formação. Apenas Digão permaneceu em todas. Fiquei sabendo que os rapazes finalmente estão preparando um CD de inéditas e que pretendem lança-lo esse ano. Torço para que venham com um puta disco e reconquistem seu espaço. Depois de tanto tempo de batalha sem abaixar a cabeça, eles merecem!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Kamelot - Silverthorn

Por Rafael Menegueti

Kamelot - Silverthorn
A poucas semanas de mais um show dos mestres do power metal sinfônico, Kamelot, no Brasil, vamos falar do mais recente trabalho da banda, o álbum “Silverthorn”, lançado em 2012. Este álbum marca a estréia do vocalista sueco Tommy Karevik na banda. Ele tem a difícil tarefa de substituir Roy Khan.

Difícil tarefa mesmo! Afinal, não é fácil substituir um vocalista em nenhuma banda. Isso porque os fãs criam uma identificação muito forte com a voz dos vocalistas. De modo que, quase sempre, quando uma mudança ocorre, o novo vocalista vira alvo de inúmeros julgamentos por parte dos fãs. E muitas vezes, eles acabam sendo massacrados, simplesmente por não serem como seus antecessores. E não seria Tommy que escaparia disso.

Não há como negar. É bastante perceptível a diferença de estilos entre Roy Khan e Tommy Karevik. O primeiro tinha uma voz mais marcante, enquanto o novo tem como principal qualidade o timbre mais suave e um ótimo domínio técnico. No meu ponto de vista, Tommy é um substituto a altura de Roy, embora sua entrada no grupo marque um novo estilo para os mesmos.

“Silverthorn” é um disco bom, com músicas agradáveis e arranjos bem trabalhados. Mas, comparado aos álbuns anteriores da banda, é bem mais contido. A impressão que se tem é a de que as músicas poderiam oferecer mais. Poderia ter sido mais ousado. Parece que eles tiveram receio de inovar e frustar os fãs. Mas isso não chega a tornar o disco chato, de modo algum.

O fato é que esse álbum tem excelentes faixas, como “My Confession”, “Sacrimony (Angel of Afterlife)”, “Torn” e “Prodigal Son”. Também não decepcionam as baladas “Song for Jolee” e “Falling Like the Fahrenheit”. As participações especiais de Elize Ryd (Amaranthe), Alissa White-Gluz (The Agonist), e também do quarteto de violinistas Ekipse foram muito bem incluídas.
Os membros do Kamelot, com Tommy Karevik ao centro
Assim como em outros trabalhos anteriores, esse disco conta uma historia. No caso, de uma garota chamada Jolee, que viveu no século XIX e morreu em um acidente presenciado pelos irmãos, e se torna uma anjo da vida após a morte. A capa do disco mostra a imagem de Jolee como uma adulta em espírito. Embora você precise prestar bastante atenção nas letras para conseguir captar essas referencias, isso deixa o disco mais interessante e dá um significado às composições.

Mesmo que “Silverthorn” não esteja entre os melhores álbuns do Kamelot, vale conferir. Isso porque ele mostra uma banda em um novo caminho, com músicas interessantes e um novo e talentoso vocalista. Pode até ser que você estranhe tantas diferenças, mas definitivamente ele vai agradar os seus ouvidos

Nota: 6,5/10
Status: Inspirador

Faixas:
1 "Manus Dei"
2 "Sacrimony (Angel of Afterlife)"
3 "Ashes to Ashes"
4 "Torn"
5 "Song for Jolee"
6 "Veritas"
7 "My Confession"
8 "Silverthorn"
9 "Falling Like the Fahrenheit"
10 "Solitaire"
11 "Prodigal Son"

12 "Continuun"


sábado, 18 de janeiro de 2014

Badlands : o supergroup que não vingou



Por Davi Pascale

O fato de colecionar discos e de querer me aprofundar o máximo possível na carreira dos artistas que admiro, me levou a descobrir o Badlands muitos anos atrás. Formado por 4 excelentes músicos, o grupo tinha de tudo para ter sido um dos grandes nomes da época. Algo que, infelizmente, não aconteceu. Agora, décadas depois vejo muita gente correndo atrás da banda, mas ainda estão longe de serem um nome reconhecido entre o grande público. Em seu  primeiro disco, formavam o lineup: Ray Gillen, Jake E. Lee, Greg Chaisson e Eric Singer.

Todos eles passaram por grandes bandas. Bem... quase todos. Greg Chaisson vinha do Steeler que é uma banda que também teve excelentes músicos (alguns renomados até como Yngwie Malmsteen, Axel Rudi Pell e Ron Keel), mas que também nunca chegou a acontecer de fato. Aquele famoso grupo que é conhecido entre os amantes do gênero. Não mais do que isso. O vocalista Ray Gillen vinha do Black Sabbath. O rapaz substituiu o Glenn Hughes na turnê do The Seventh Star e chegou a gravar as demos do disco Eternal Idol, que depois foi lançado com o vocal de Tony Martin. Eric Singer, atualmente no Kiss, era o baterista dessa turnê, mas também já tinha tocado com Gary Moore e Lita Ford. Já o guitarrista Jake E Lee tinha atingido a fama após participar da carreira solo de Ozzy Osbourne, tendo gravado os discos Bark At The Moon e The Ultimate Sin. Foi ele, aliás, quem acompanhou o ex-Sabbath na apresentação do Rock In Rio em 1985.

Foto promocional do Black Sabbath com Ray Gillen e Eric Singer

Vários fatores atrapalharam a carreira da banda. A pressão da gravadora por um hit – que nunca aconteceu – e as brigas entre Jake e Gillen, no entanto, acredito que tenham sido os maiores obstáculos. Embora não tenham conseguido musicas de grande destaque na radio, o quarteto chegou a ter 3 videoclipes veiculados na MTV, na época. Dois, “Winter´s Call” e “Dreams In The Dark”, extraídos do álbum de estréia. O outro foi “The Last Time, de seu segundo trabalho Voodoo Highway.

O primeiro a abandonar o barco foi o baterista Eric Singer. Quando lançaram seu segundo CD, já contavam com Jeff Martin assumindo as baquetas. Quando li seu nome no encarte pela primeira vez, me assustei. Jeff era conhecido por seu trabalho vocal no grupo Racer X (por sinal, liderado por outro grande guitarrista: o mr. big Paul Gilbert) e não tinha uma imagem associada enquanto baterista. Mas verdade seja dita, o cara é um bom músico. Ainda prefiro o estilo de Singer, mas realmente não fazia feio.

O debut tinha uma sonoridade que mesclava aquele hard dos anos 80 com influencias de grandes bandas dos anos 70, como o Led Zeppelin, por exemplo, além de uma influencia de blues. Essa veia zeppeliana é facilmente perceptível na faixa de abertura “Highwire”. Aliás, essa foi a primeira canção que ouvi do quarteto. Tinha esse faixa em uma coletânea chamada Comando Metal, mas reconheço que só fui dar valor ao grupo e procurar mais informações depois que peguei emprestado um VHS que um amigo meu tinha com várias gravações de TV e me deparei com o clipe de “Winter´s Call”. De cara, reconheci o baterista Eric Singer que naquela época estava trabalhando com o Kiss. Era a época do Alive III. Ou seja, fase desmascarada ainda. E também fiquei impressionado com o trabalho vocal de Ray Gillen. A influencia blues é mais facilmente percebida em “Rumblin´ Train”.

Capa dos 3 discos lançados pelo grupo

Essas influências setentistas e blueseiras, contudo, apareceriam em maior escala no Voodoo Highway. Trabalho que julgo tão bom quanto seu antecessor. Gillen estava mais confiante nos vocais. Talvez essa seja a razão que a galera que o idolatra prefira esse álbum ao debut. Eu, honestamente, acho os dois pau a pau. O que me frustrou um pouco foi o terceiro – e útlimo disco – Dusk, lançado de maneira póstuma. Já tinha esse material em formato bootleg, antes dele chegar às lojas. Lembro que não fiquei impressionado quando ouvi as demos e também não fiquei impressionado quando ouvi o lançamento oficial. É obvio que o trabalho dos músicos é impecável, mas achei as músicas pouco inspiradas. A que mais gosto é “Ride the Jack”. Não é um álbum ruim, mas acho bem abaixo dos anteriores.


Infelizmente, com a morte de Ray Gillen (vitima da Aids) em 1 de Dezembro de 1993, as chances de um retorno foram por água abaixo. Eu, pelo menos, não consigo imaginar esses caras funcionando com outro vocalista. Entretanto, existe como legado esses 3 discos que certamente merecem serem redescobertos pela nova geração. Os dois primeiros trabalhos foram relançados recentemente e são relativamente fáceis de serem encontrados. O VHS Dag The Giblets, contudo, ainda não foi reeditado em DVD. Ainda bem que tenho minha fita aqui em casa...