sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Blitz – 30 Anos: Multishow Registro DVD (2013)




 Por Davi Pascale

Demorou um ano, mas chegou ao mercado o show que o grupo Blitz fez na Praia de Ipanema em 16 de Dezembro de 2012 para comemorar três décadas de existência. A apresentação teve o apoio do canal televisivo Multishow e mistura clássicos do grupo com novas canções.


Muito antes de se tornar figurinha carimbada nas atrações da Globo, Evandro Mesquita chamou a atenção do país com o irreverente grupo Blitz. A banda carioca é considerada a precursora de cena conhecida como BRock, ou seja, o rock brasileiro dos anos 80. O primeiro LP a ser lançado dessa geração foi justamente a estréia dos rapazes. Intitulado de As Aventuras da Blitz, traziam em sua formação músicos como o baterista Lobão (que depois se tornaria artista solo e conquistaria as rádios durante toda a década) e a cantora Fernanda Abreu (outra que despontaria mais tarde com sucessos como “Rio 40 Graus” e “Veneno da Lata”). O disco que trazia o megahit “Você Não Soube Me Amar” e os sucessos “Geme, Geme” e “Vai, Vai Love” conseguiu ainda outro marco, as músicas “Ela Quer Morar Comigo Na Lua” e “Cruel Esquizofrenético Blues” foram censuradas de maneira cruel. Os LP´s vinham com as duas faixas totalmente arranhadas e um aviso na capa de que as faixas tinham sido propositadamente inutilizadas. Atitude vergonhosa.

Marcas do LP censurado.

Tendo origem no grupo teatral Asdrubal Trouxe o Trombone, a banda ficou famosa por ter toda uma atuação cênica durante suas performances. A nova formação ainda mantém esse espírito. O humor dos meninos é inteligente e divertido, mas para essa nova geração que cresceu ouvindo Mr Catra dizer que ele não tem a necessidade de ter uma única mulher porque o boi nunca andou com uma vaca só, a linguagem pode soar infantil.


É necessário que a galera entenda que a linguagem dessa época era outra. Era uma linguagem mais leve, mais familiar. Pra você ter uma idéia uma das musicas censuradas, não pôde fazer parte do disco só porque ele cantava frases como “peru do seu marido” e “puta que o pariu”. Acho que agora dá para entender o estardalhaço que o Camisa de Venus causou quando 3 anos mais tarde gravou uma musica com o coro de “Silvia, piranha”, né? Bem... acho que nem preciso dizer que o grupo de Marcelo Nova também foi censurado...


Tendo apenas o tecladista William Billy Forghieri e o baterista Juba da formação clássica (Lobão participou apenas do LP de estreia), os rapazes se mostraram confortáveis no palco. A banda está bem entrosada. As cantoras Andrea Coutinho e Giovanna Cursino, além de serem bonitas, cumprem bem o seu papel. São afinadas e interagem direitinho com Evandro. Claro que não dá para comparar com as performances de Marcia Bulcão e Fernanda Abreu, mas certamente não decepcionam. Evandro Mesquita continua com aquele ar de surfista malandro e está cantando bem. Por outro lado, se mexe menos no palco.

Formação atual já está junta há quase uma década.

O repertório parece ter sido escolhido a dedo. Todas as faixas marcantes estão presentes. Desde as já citadas “Você Não Soube Me Amar” e “Geme, Geme” até “Egotrip” e “Dali de Salvador” (do álbum Blitz 3, o último com a formação clássica) passando por “A Dois Passos do Paraíso”, “Weekend” “A Verdadeira Historia de Adão e Eva”. Traz ainda algumas faixas de seu mais recente álbum Skut como as divertidas “O Homem de Avental” e “Eu, Minha Gata e Meu Cachorro”. Nem mesmo a participação de Ivo Meirelles foi capaz de estragar o show. Nostálgico e divertido!

Nota: 07/10
Status: Divertido!

      Setlist:
  
      01.   Intro
      02.   Blitz Cabeluda
      03.   Vai, Vai, Love
      04.   Weekend
      05.   Betty Frigida
      06.   A Ultima Ficha
      07.   Mais Uma De Amor (Geme, Geme)
      08.   O Romance da Universitaria Otaria
      09.   Eu, Minha Gata e Meu Cachorro
      10.   Cruel, Cruel, Esquizofrenetico Blues
      11.   A Dois Passos do Paraiso
      12.   Reggae do Avião
      13.   O Homem de Avental
      14.   Volta Ao Mundo
      15.   Eu Só Ando A Mil
      16.   O Tempo Não Vai Passar
      17.   O Beijo da Mulher Aranha
      18.   Dali de Salvador
      19.   Saquarema
      20.   Perdidos na Selva
      21.   Egotrip
      22.   A Verdadeira História de Adão e Eva
      23.   Biquini de Bolinha Amarelinha
      24.   Você Não Soube Me Amar

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Grandes Lançamentos: Foo Fighters – Wasting Light

por Rafael Menegueti
Foo Fighters - Wasting Light
Se existe uma pessoa no rock atual capaz de lançar um trabalho sem o risco de fracassar, essa pessoa é Dave Grohl. E tem sido assim desde “Nevermind”, com o Nirvana. Depois do fim do grupo de Seattle, Dave seguiu seu próprio caminho e fundou o Foo Fighters, e com ele lançou seis álbuns de estúdio, sendo um deles duplo, um álbum acústico ao vivo e uma coletania. Sem contar os projetos paralelos, como o Probot e o a sua participação no Queens of the Stone Age.

Depois de tudo isso, seria possível imaginar que o sétimo álbum de inéditas do Foo Fighters pudesse não ter o mesmo fôlego de sempre. Mas estamos falando de Dave Grohl. E esse cara não cansa do sucesso. “Wasting Light” chegou as lojas em 2011 com uma sonoridade capaz de fazer qualquer questionador do rock atual pensar mais um pouco antes de dizer “o rock morreu”.

Com sua mania de sempre buscar algo diferente para adicionar ao seu trabalho, Dave decidiu que o disco seria inteiramente gravado na sua garagem. Desse modo ele sabia que o trabalho seria o mais tranqüilo possível, e fluiria bem, pois estaria perto de sua família. E ele estava certo. Basta ouvir o álbum e perceber que a banda esta afiada. A adição das guitarras de Pat Smear, de volta a banda como membro fixo, deu ainda mais peso ao som, que passou a ter três guitarras ao invés de duas. Mais um desafio de Dave aos padrões normais do rock atual.

Chamar Butch Vig, com quem ele havia trabalhado na gravação do álbum “Nevermind” do Nirvana em 1991, para produzir o disco foi outro acerto. Com ele o ambiente de gravações foi mais leve ainda, afinal é sempre mais fácil de se trabalhar com quem já se conhece.

Foo Fighters: sempre acertando em cheio!
Como se não bastasse isso tudo ainda há as participações especiais. Como a de Krist Novoselic, ex-baixista do Nirvana, tocando baixo e acordeão em “I Should Have Know”. E também do lendário Bob Mould, do Hüsker Dü, cantando e tocando guitarra em “Dear Rosemary”.

Com todos esses elementos fica impossível não se surpreender mais uma vez com o novo trabalho do Foo Fighters. Depois de mais de quinze anos de estrada, eles conseguiram mais uma vez. E se você ainda não sabia como fazer pra que uma banda durasse tanto tempo se mperder o fôlego, agora você já sabe. Basta seguir o exemplo de Dave Grohl.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Feliz 2014!

A equipe do Riff Virtual gostaria de desejar, para nossos amigos e leitores, um ótimo ano de 2014. Muita paz, muita alegria e , é claro, muito rock n´ roll. Amanhã estaremos de volta com mais textos inéditos. Enquanto isso, fique com essa bela interpretação que a cantora Tarja Turunen (ex-Nightwish) fez para esse clássico! Cheers!

 

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Cazuza – Atitude e Idealismo




Por Davi Pascale

Caso estivesse vivo, Cazuza teria completado 55 anos agora em 2013. Essa foi a razão dos shows em homenagem à ele, da exposição que realizaram etc etc. Infelizmente não há como negar que o cara faz falta. As pessoas podem até torcerem o nariz, dizer que ele gravava na gravadora do pai, que era mimado... Digam o que quiserem, mas o rapaz era um grande artista. Bom letrista, boa presença de palco, absurdamente carismático. A verdade é que não tem nenhum artista do cenário atual que chegue aos seus pés. Tanto que vira e mexe, regravam suas músicas.


Nascido com o nome de Agenor de Miranda Araujo Neto, não simpatizava com seu nome. Só passou a aceitá-lo melhor depois que descobriu que o sambista Cartola, músico de quem era fã, tinha o mesmo nome. A admiração pelo sambista chegou até a render uma discussão com o amigo e músico Roberto Frejat. Cazuza queria inovar, fazer algo diferente e sugeriu que fizessem uma versão de uma música do Cartola. Frejat via o Barão Vermelho como um grupo de rock n roll com base no blues e se negou a fazer isso, alegando que Barão tocava rock, não tocava samba. O tempo faria o guitarrista engolir suas palavras, já que na década de 90, chegaram a gravar Bezerra da Silva no disco Álbum. Cazuza deve ter gargalhado no túmulo. Afinal foi ele quem sempre disse ‘não existe música certa e errada. O que existe é música boa e música ruim’.


Outra atitude do menino Agenor que foi criticada por Roberto Frejat e depois copiada pelo mesmo, foi o fato de largar a banda para se dedicar à uma carreira solo. Cazuza não queria ficar preso ao rotulo rock, queria ser livre para experimentar. Frejat dizia ‘não precisa largar a banda, faz em paralelo’. E hoje veja o que aconteceu. Não apenas ele se focou como cantor solo, como quando se reúne com o seu antigo grupo, sobe ao palco com o nome de Roberto Frejat + Barão Vermelho, que nem aconteceu no Rock in Rio desse ano. Se eu tocasse no Barão, largava ele sozinho no palco para deixar de ser estrelinha. Frejat é um excelente músico, é um excelente compositor, mas está deixando o ego subir à sua cabeça...

Cazuza e Frejat divergiam em relação à sonoridade do Barão

Agora... verdade seja dita. Cazuza era uma pessoa difícil de se lidar. O fato de ter contraído HIV, que naquele tempo era morte certa, fez com que ele se tornasse uma pessoa arrogante. Não era raro interromper uma apresentação do nada, responder atravessado para um repórter. Levava uma vida boêmia, abusava de álcool, drogas, cigarros. Definitivamente, não era o santo que pintam por aí.


Há algumas de suas atitudes, por outro lado, que considero louváveis. Como o fato de se preocupar em terminar a gravação de um disco, mesmo sabendo que já estava com o pé na cova, como foi o caso de “Burguesia”. Aquela voz fraquinha que você escuta ali, não era pouco caso. Pelo contrario, era o pouco que restava de sua voz. Dizem, inclusive, que algumas faixas desse trabalho ele gravou deitado porque não tinha mais forças para ficar em pé. 


Outra atitude que achei legal e que muita gente criticou (assim como muitos me criticam por dizer que não concordo com os ataques em cima dele) foi o protesto que ele fez contra o país cuspindo na bandeira nacional em um de seus shows. A imprensa, que deveria explicar o ato do rapaz, limitou-se a atacá-lo pelo fato de ele estar desrespeitando o símbolo de uma nação. Não está errado, mas deveriam ter aproveitado a ocasião e explicado seu ato que, na verdade, era um protesto contra a situação política do país. Na semana daquela apresentação, a inflação monetária era a maior da história chegando a 900%, sem contar nas denuncias de assassinato do Chico Mendes que deixou não apenas o artista, mas todo o povo brasileiro triste. O que Cazuza estava demonstrando era indignação com tudo aquilo que estava ocorrendo. Era como se ele dissesse que, naquele momento, tinha vergonha de ser brasileiro. 

Cantor não mediu esforços para terminar seu último álbum!
 
O ato pode ter sido exagerado, mas o protesto era valido. Principalmente, por seu uma pessoa pública e influente. O cantor chegou, inclusive, à escrever uma carta que seu pai, o já falecido João Araujo, fez questão de proibir sua publicação. Sua mãe, Lucinha Araujo, chegou a publicá-la no livro Só As Mães São Felizes, anos mais tarde. De boa, deveriam ter publicado na época! 


"Está havendo uma polêmica, um escândalo, como diz o JB de terça-feira, 18 de outubro, com o fato de eu ter cuspido na bandeira brasileira durante a música Brasil no meu show de domingo no Canecão. Eu realmente cuspi na bandeira, e duas vezes. Não me arrependo. Sabia muito bem o que estava fazendo, depois que um ufanista me jogou a bandeira da platéia. O senhor Humberto Saad declarou que eu não entendo o que é a bandeira brasileira, que ela não simboliza o poder, mas a nossa história. Tudo bem, eu cuspo nessa história triste e patética. Os jovens americanos queimavam sua bandeira em protesto contra a guerra do Vietnã, queimavam a bandeira de um país onde todos têm as mesmas oportunidades, onde não há impunidade e um presidente é deposto pelo simples fato de ter escondido alguma coisa do povo. Será que as pessoas não têm consciência de que o Vietnã é logo ali, na Amazônia, que as crianças índias são bombardeadas e assassinadas com os mesmos olhos puxados? Que a África do Sul é aqui, nesse apartheid disfarçado em democracia, onde mais de cinqüenta milhões de pessoas vivem à margem da Ordem e Progresso, analfabetos e famintos? Eu sei muito bem o que é a bandeira do Brasil, me enrolei nela no Rock'n'Rio junto com uma multidão que acreditava que esse país podia realmente mudar.A bandeira de um país é o símbolo da nacionalidade para um povo.Vamos amá-la e respeitá-la no dia em que o que está escrito nela for uma realidade. Por enquanto, estamos esperando".


É... Como disse, o cara faz falta. Imagina o que ele não faria com todas essas manifestações ocorrendo no país? E, claro, imagina o que ele não faria em seus discos com a tecnologia que temos hoje, sem ter o medo de ousar, de experimentar?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

ReVamp - Wild Card


por Rafael Menegueti

Revamp - Wild Card

Alguns dias atrás eu falei sobre o lançamento do box “Showtime, Storytime”, do Nightwish. Agora eu vou falar da outra banda da vocalista Floor Jansen, o ReVamp. O grupo foi formado em 2009, após a dissolução do After Forever, e se tornou a nova menina dos olhos de Floor. A banda fez uma excelente turnê divulgando o primeiro disco, auto-intitulado. Mas a turnê teve de ser interrompida por motivos de saúde da vocalista, resultando em vários shows cancelados, inclusive no Brasil.

Esse ano, após voltar a ativa no final de 2011, com o MaYaN, e entrar no Nightwish em setembro do ano passado, Floor voltou a trabalhar com o ReVamp. E o resultado pode ser ouvido no excelente disco “Wild Card”, lançado em agosto desse ano pela Nuclear Blast. O disco é visivelmente mais maduro e bem trabalhado, em relação ao primeiro álbum, de 2009.

Floor continua sendo uma vocalista de metal completa. Tem domínio do canto clássico soprano, e não poupa a voz nas faixas mais pesadas. Particularmente eu sempre a considerei uma espécie de versão feminina de grandes vocalistas de metal, como Bruce Dickinson e Rob Halford, mas com o acréscimo de que ela também manda muito bem no canto lírico. Ela tem até arriscado uns guturaizinhos ao vivo nos shows da banda.

A produção de Joost van den Broek, tecladista ex-companheiro de Floor no After Forever, deu um toque mais moderno ao álbum, que usa de efeitos de sintetizadores, mas sem perder o aspecto metaleiro das faixas. As guitarras e os guturais de Jord Otto deram ainda mais peso ao disco. Alias, esse disco tem bem mais vocais agressivos do que seu antecessor, um outro aspecto em que ele mostra evolução.

E não podiam faltar as sempre necessárias participações especiais. Em “Wild Card”, podemos ouvir a voz de Marcela Bovio (Stream of Passion), nos corais, alem de Devin Townsend, na faixa “Neurastesia”. Outro que marca presença e o ex-parceiro de After Forever e líder do Epica, Mark Jansen (que diferente do que muitos pensam, não é parente da Floor Jansen), nos guturais de “Misery’s No Crime”.

Com esse novo e excelente trabalho, agora Floor aproveita o fim da turnê com o Nightwish para se dedicar ao ReVamp. A banda está em turnê pela Europa, e com planos para tocar na América do Norte em 2014. Só nos resta esperar e ver quando a banda finalmente passará por aqui, para saudar os muitos fãs de Floor no país.

Os integrantes do ReVamp
Nota: 10/10

Status: Alucinante

Faixas:

1. Anatomy of a Nervous Breakdown: On the Sideline
2. Anatomy of a Nervous Breakdown: The Limbic System
3. Wild Card
4. Precibus
5. Nothing
6. Anatomy of a Nervous Breakdown: Neurasthesia
7. Distorted Lullabies
8. Amendatory
9. I Can Become
10. Misery’s No Crime
11. Wolf and Dog

12. Sins (bônus)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Temple Of The Dog: Histórica Homenagem





Por Davi Pascale

No inicio da década de 90, o Grunge invadiu as rádios. Seus maiores expoentes eram o Nirvana, o Pearl Jam, o Soundgarden e o Alice in Chains. Aqui no Brasil, o movimento chegou alguns meses depois. Quando o álbum do Temple of the Dog chegou às lojas por aqui, o Pearl Jam e o Soundgarden já eram grandes expoentes. E como as informações demoravam um pouquinho para chegar, muita gente ficou confusa. O que seria esse Temple of the Dog, afinal? Por que o Eddie Vedder só canta em 2 músicas do disco? Essas eram perguntas que os fãs faziam todo o tempo.


O Temple of The Dog é e sempre foi encarado como um projeto. Nunca existiu a idéia de seguirem enquanto banda. A idéia nasceu da mente do vocalista do Soundgarden, Chris Cornell. Em Março de 1990, o vocalista (e amigo) Andy Wood morreu de overdose de heroína. Aqui no Brasil, poucos conheciam seu trabalho. Em Seattle, por outro lado, o conjunto do rapaz era bem popular. Andy cantava em uma banda chamada Mother Love Bone, de onde saíram o baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossard, ambos atualmente no Pearl Jam.


Chris Cornell recebeu a informação da morte do rapaz pelo telefone enquanto fazia uma turnê européia com o Soundgarden. O amigo estava sobrevivendo ligado por aparelhos, mas os médicos decidiram desligar o equipamento porque viram que não havia mais chance de retomar a consciência. Xana, namorada de Andy, pediu para que aguardassem a chegada de Chris para que ele pudesse se despedir do amigo. Imediatamente, o cantor pegou um avião e foi vê-lo. 

O clássico "Hunger Strike" por pouco não ficou de fora.


Cornell teve que retornar à Europa para concluir a tour do Soundgarden. Nesse período, escreveu duas músicas em homenagem à Wood: “Reach Down” e “Say Hello to Heaven”. Para a primeira ele imaginou um dialogo entre ele e o amigo que lhe dizia que tudo estava ok. Fazia citações do maior sonho de Wood que era o de fazer um show nos Estados Unidos para um publico tão grande quanto o do U.S. Festival. Chris gostava das musicas, mas não se imaginava gravando elas com sua banda, achava que não combinava com a proposta do grupo. Resolveu então gravar um single e resolveu mostrá-las à Jeff Ament. Sua idéia inicial era usar o Mother Love Bone nas gravações.

Jeff Ament adorou o material e deu a idéia de gravar um disco todo, concluindo com canções inéditas do líder do Mother Love Bone. Um presente aos fãs. Uma ultima chance de ouvir material inédito do rapaz. E também uma homenagem à Wood, já que daria vida à canções suas obscuras. O cantor do Soundgarden adorou a sugestão, mas Stone Gossard ficou amedrontado. Tinha receio de que as pessoas encarassem tal atitude como um ato comercial e até mesmo que a família do falecido cantor entrasse na justiça contra eles. Por conta disso, resolveram escrever mais musicas e fazer um álbum inteiro em homenagem ao rapaz. Somente com canções inéditas!


Para completar o projeto, vieram o guitarrista Mike McReady (sugestão de Jeff Ament) e Matt Cameron (na época, baterista do Soundgarden). Cornell ficou com receio de gravar com McReady. No inicio, não foi muito com a cara dele. Cameron já era esperado porque havia gravado as primeiras demos do projeto.


Era comum ocorrer jam sessions com músicas do Temple Of The Dog

Enquanto gravavam o álbum, o trio Gossard/McReady/Ament aproveitavam para testar o vocalista da nova banda que estavam criando, o hoje cultuado Pearl Jam. Na noite em que Eddie Vedder voou até Seattle para fazer sua primeira audição com a banda, Cornell marcou um ensaio do Temple of the Dog. Vedder ficou em pé, assistindo. Quando chegou o momento de “Hunger Strike”, Chris Cornell não conseguia achar um jeito que fizesse o refrão soar bacana. Depois de ver o cantor fazer várias tentativas sem sucesso, o garoto Eddie Vedder pegou o microfone e fez uma sugestão. Não apenas Cornell aprovou sua idéia, como achou que sua voz trazia um novo sentimento para a música. Dizia que Vedder havia dado um ar gospel para a faixa. Por conta disso, resolveu convidá-lo para cantar no disco. Para o vocalista do Pearl Jam, esse foi um presente e tanto. Afinal, era sua primeira gravação profissional.


Pela primeira vez, Chris Cornell se sentiu confiante com a faixa. Desde o inicio ele sentia que faltava algo e não estava contente com a canção. Tinha resolvido que ela entraria no disco, somente porque achava que o CD tinha que ter dez canções, ainda que nunca tenha explicado a razão do numero 10. Depois da parceria com Eddie Vedder, passou a considerá-la como um dos pontos altos do trabalho. Por pouco, que a musica mais lembrada deles não fica engavetada. Embora o disco tenho sido realizado sem grandes pretensões, a faixa tornou-se um grande hit, além de ter marcado toda uma geração.


O grupo chegou a fazer uma única apresentação, ocorrida em 13 de Novembro de 1990, em Seattle. Depois de do lançamento do disco, os músicos costumavam fazer jams um no show do outro tocando alguma coisa do Temple of the Dog, mas show que é bom, nunca mais. Quem viu, viu! Chris Cornell já comentou algumas vezes sobre a vontade de fazer uma reunião com o Temple of The Dog, mas até agora somente planos e mais planos. Enquanto isso, os fãs continuam torcendo para que um dia se repita essa histórica homenagem...