domingo, 29 de dezembro de 2013

Temple Of The Dog: Histórica Homenagem





Por Davi Pascale

No inicio da década de 90, o Grunge invadiu as rádios. Seus maiores expoentes eram o Nirvana, o Pearl Jam, o Soundgarden e o Alice in Chains. Aqui no Brasil, o movimento chegou alguns meses depois. Quando o álbum do Temple of the Dog chegou às lojas por aqui, o Pearl Jam e o Soundgarden já eram grandes expoentes. E como as informações demoravam um pouquinho para chegar, muita gente ficou confusa. O que seria esse Temple of the Dog, afinal? Por que o Eddie Vedder só canta em 2 músicas do disco? Essas eram perguntas que os fãs faziam todo o tempo.


O Temple of The Dog é e sempre foi encarado como um projeto. Nunca existiu a idéia de seguirem enquanto banda. A idéia nasceu da mente do vocalista do Soundgarden, Chris Cornell. Em Março de 1990, o vocalista (e amigo) Andy Wood morreu de overdose de heroína. Aqui no Brasil, poucos conheciam seu trabalho. Em Seattle, por outro lado, o conjunto do rapaz era bem popular. Andy cantava em uma banda chamada Mother Love Bone, de onde saíram o baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossard, ambos atualmente no Pearl Jam.


Chris Cornell recebeu a informação da morte do rapaz pelo telefone enquanto fazia uma turnê européia com o Soundgarden. O amigo estava sobrevivendo ligado por aparelhos, mas os médicos decidiram desligar o equipamento porque viram que não havia mais chance de retomar a consciência. Xana, namorada de Andy, pediu para que aguardassem a chegada de Chris para que ele pudesse se despedir do amigo. Imediatamente, o cantor pegou um avião e foi vê-lo. 

O clássico "Hunger Strike" por pouco não ficou de fora.


Cornell teve que retornar à Europa para concluir a tour do Soundgarden. Nesse período, escreveu duas músicas em homenagem à Wood: “Reach Down” e “Say Hello to Heaven”. Para a primeira ele imaginou um dialogo entre ele e o amigo que lhe dizia que tudo estava ok. Fazia citações do maior sonho de Wood que era o de fazer um show nos Estados Unidos para um publico tão grande quanto o do U.S. Festival. Chris gostava das musicas, mas não se imaginava gravando elas com sua banda, achava que não combinava com a proposta do grupo. Resolveu então gravar um single e resolveu mostrá-las à Jeff Ament. Sua idéia inicial era usar o Mother Love Bone nas gravações.

Jeff Ament adorou o material e deu a idéia de gravar um disco todo, concluindo com canções inéditas do líder do Mother Love Bone. Um presente aos fãs. Uma ultima chance de ouvir material inédito do rapaz. E também uma homenagem à Wood, já que daria vida à canções suas obscuras. O cantor do Soundgarden adorou a sugestão, mas Stone Gossard ficou amedrontado. Tinha receio de que as pessoas encarassem tal atitude como um ato comercial e até mesmo que a família do falecido cantor entrasse na justiça contra eles. Por conta disso, resolveram escrever mais musicas e fazer um álbum inteiro em homenagem ao rapaz. Somente com canções inéditas!


Para completar o projeto, vieram o guitarrista Mike McReady (sugestão de Jeff Ament) e Matt Cameron (na época, baterista do Soundgarden). Cornell ficou com receio de gravar com McReady. No inicio, não foi muito com a cara dele. Cameron já era esperado porque havia gravado as primeiras demos do projeto.


Era comum ocorrer jam sessions com músicas do Temple Of The Dog

Enquanto gravavam o álbum, o trio Gossard/McReady/Ament aproveitavam para testar o vocalista da nova banda que estavam criando, o hoje cultuado Pearl Jam. Na noite em que Eddie Vedder voou até Seattle para fazer sua primeira audição com a banda, Cornell marcou um ensaio do Temple of the Dog. Vedder ficou em pé, assistindo. Quando chegou o momento de “Hunger Strike”, Chris Cornell não conseguia achar um jeito que fizesse o refrão soar bacana. Depois de ver o cantor fazer várias tentativas sem sucesso, o garoto Eddie Vedder pegou o microfone e fez uma sugestão. Não apenas Cornell aprovou sua idéia, como achou que sua voz trazia um novo sentimento para a música. Dizia que Vedder havia dado um ar gospel para a faixa. Por conta disso, resolveu convidá-lo para cantar no disco. Para o vocalista do Pearl Jam, esse foi um presente e tanto. Afinal, era sua primeira gravação profissional.


Pela primeira vez, Chris Cornell se sentiu confiante com a faixa. Desde o inicio ele sentia que faltava algo e não estava contente com a canção. Tinha resolvido que ela entraria no disco, somente porque achava que o CD tinha que ter dez canções, ainda que nunca tenha explicado a razão do numero 10. Depois da parceria com Eddie Vedder, passou a considerá-la como um dos pontos altos do trabalho. Por pouco, que a musica mais lembrada deles não fica engavetada. Embora o disco tenho sido realizado sem grandes pretensões, a faixa tornou-se um grande hit, além de ter marcado toda uma geração.


O grupo chegou a fazer uma única apresentação, ocorrida em 13 de Novembro de 1990, em Seattle. Depois de do lançamento do disco, os músicos costumavam fazer jams um no show do outro tocando alguma coisa do Temple of the Dog, mas show que é bom, nunca mais. Quem viu, viu! Chris Cornell já comentou algumas vezes sobre a vontade de fazer uma reunião com o Temple of The Dog, mas até agora somente planos e mais planos. Enquanto isso, os fãs continuam torcendo para que um dia se repita essa histórica homenagem...

sábado, 28 de dezembro de 2013

Mortes no rock: como as bandas superam esse duro golpe?

Por Rafael Menegueti

Peço licença em meio ao clima de alegria e descontração desse blog para falar de um assunto que muita gente não gosta muito: a morte! Afinal, ela é a única coisa inevitável e irreversível que acontecerá com todos nós, e talvez por isso ela nos cause tantas reações diferentes.

No mundo da música ela sempre fez aparições inesperadas e indesejadas. Diversas bandas já passaram pela dor da perda. Os fãs sofrem tanto quanto os familiares e amigos mais próximos quando um ídolo se vai. Em 2013 tivemos exemplos de como a morte pode vir e surpreender a todos. Nesse ano perdemos Chorão, Champignon, Jeff Hanneman e Lou Reed, entre outros.

Todos esses acontecimentos causaram efeitos diversos nas suas bandas e fãs. Sempre que algo assim acontece fica a dúvida: e agora? O que acontecerá? Qual será o destino de seus ex-companheiros e como seus fãs ficarão após o ocorrido? Mostrarei agora exemplos de como foram as reações e os efeitos que grandes perdas geraram em bandas ao longo de suas historias. Deixarei de lado os casos mais óbvios e conhecidos, como Kurt Cobain, Freddy Mercury, Jim Morrison e outros, pois todo mundo já conhece essas historias e sabe das conseqüências dessas perdas.

The Rev (1981 - 2009)
- Em 2009, o Avenged Sevenfold e seus fãs sofreram um duro golpe. O baterista e um dos principais compositores da banda, Jimmy “The Rev” Sullivan, morreu de maneira inesperada, no dia 28 de dezembro daquele ano. Jimmy estava em casa e sua morte se deu devido a uma overdose acidental de analgésicos. Após a morte de The Ver, o A7X seguiu em frente, gravaram o álbum “Nightmare”, com Mike Portnoy na bateria, e dedicaram o álbum ao ex-integrante. Mais tarde, Arin Ilejay assumiu a bateria, eles lançaram o álbum “Hail to the King”, e a banda aos poucos vai superando a perda e retomando a sua ascendente carreira.

Jeff Nanneman (1964 - 2013)
- O Slayer sempre foi um dos mestres do Trash metal. Idolotrado pelos fãs do metal, a banda é considerada uma das principais do gênero, ao lado de Metallica, Megadeth e Anthrax. Em maio de 2013, no entanto, o guitarrista, um dos fundadores da banda, Jeff Hanneman, nos deixou, vitima de insuficiência hepática. Todos sofreram a morte de Jeff, mas o Slayer decidiu seguir em frente. Eles voltaram a fazer shows e aos poucos também vão superando a perda do companheiro.



Chorão (1970 - 2013) e Champignon (1978 - 2013)
- Ídolos de uma geração no rock nacional, Chorão e Champignon formaram o Charlie Brown Jr. na década de 90 e a transformaram num dos grandes nomes do gênero. Porem em 2013, o destino viria a fazer com que os dois nos deixassem. Chorão morreu no dia 6 de março, vitima de uma overdose de cocaína. A banda decidiu seguir em frente sob novo nome, A Banca, e com Champignon nos vocais. Porem, seis meses após a morte de Chorão, Champignon cometeu suicídio em casa. Muito se especulou sobre a pressão que o músico vinha sofrendo com tudo o que vinha ocorrendo. A banda ainda não decidiu se seguirá em frente ou não.

Layne Staley (1967 - 2002)
- O Alice In Chains, ícones do grunge, estava parado havia algum tempo quando seu vocalista, Layne Staley, foi encontrado morto, em abril de 2002. A banda então foi dada como acabada. Em 2006, a banda voltou a fazer shows com um novo vocalista, William DuVall. Eles voltaram em definitivo e lançaram dois excelentes álbuns desde então, demonstrando que, apesar de sempre sentirem a falta de Layne, eles conseguiam seguir em frente em grande estilo.



Sabine Dünser (1977 - 2006)


- Um caso menos conhecido é o da banda de metal sinfônico Elis, de Liechtenstein. O grupo estava em seu auge, fazendo sucesso no circulo do metal europeu e ampliando cada vez mais seus horizontes, quando sofreram um baque. Em 2006, a banda havia acabado de gravar seu terceiro álbum de estúdio e se preparava para sair em uma nova turnê. Eles ensaiavam as novas músicas quando a vocalista, Sabine Dünser, se sentiu mal. Ela foi levada ao hospital, onde viria a morrer um dia depois, vitima de uma hemorragia cerebral em decorrência de um AVC. Após alguns meses de luto, a banda decidiu seguir em frente, lançando o disco. Mas nada foi como antes. Após tentarem duas vocalistas diferentes e lançarem mais dois trabalhos, um EP e um álbum de estúdio, eles encerraram as atividades em 2012, para dar inicio a uma nova banda e recomeçar do zero.

Mitch Lucker (1984 - 2013)
- Considerados uma das promessas do metalcore norte-americano, o Suicide Silence vinha crescendo no cenário do metal. Até que, em dezembro do ano passado, o vocalista da banda, Mitch Lucker, faleceu em um acidente de moto. A banda realizou um show em homenagem ao cantor e, meses depois, anunciou Hernan "Eddie" Hermida (All Shall Perish) como novo vocalista. O show em memória de Lucker será lançado em DVD em 2014. 
   

Ninguém sabe ao certo o que acontece quando uma pessoa morre. Nos só sabemos o que acontece com aquelas que ficam. Como eu disse antes, a morte é a única coisa inevitável e irreparável sobre a vida. Infelizmente pessoas que amamos se vão. No caso desses artistas ficam suas obras, eternizadas para sempre na memória de seus fãs, e a certeza para seus ex-companheiros de que a vida deve continuar.  

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Evanescence: Uma década de rock e incertezas





Por Davi Pascale

No mundo do Evanescence, ou melhor de Amy Lee, tudo é feito com calma. Sem pressas. O grande problema é que é um universo tumultuado. Os fãs nunca sabem quanto irá demorar para terem em suas mãos um novo trabalho do conjunto e nem mesmo durante quanto tempo irá durar a turnê. Mesmo sem gerar muita expectativa, mesmo abusando de grandes hiatos entre um trabalho e outro, a jovem conquistou uma fiel legião de seguidores, tornou-se símbolo de uma geração e musa dos garotos.

Depois do lançamento do multi-platinado Fallen, o quinteto passou por diversas formações tendo Amy como a única integrante original. De lá para cá, várias polêmicas ocorreram. Em 2005, a cantora comprou uma briga com o empresário Dennis Rider. A confusão começou com Dennis que resolveu processar a artista pedindo um valor de 10 milhões de dólares, acusando-a de ter ficado com o dinheiro de suas comissões. Amy Lee não ficou quieta e acusou o rapaz de assédio sexual, de utilizar o cartão de crédito dela (sem autorização) para pagar divida de amantes e de fazer uso de drogas durante as reuniões da banda. Fora isso, em 2008, a vocalista prometeu um álbum solo que nunca viu a luz do dia. Isso sem contar, nas inúmeras trocas de integrantes. Assunto que sempre levantou polêmica. É... Realmente é um universo tumultuado!

Amy Leen Hartzler nasceu em 13 de Dezembro de 1981 em Riverside. Filha de John Lee (DJ e personagem televisiva) e Cargill Sara, começou a ter aulas de piano aos 9 anos de idade, tendo escrito suas primeiras canções aos 11: “Eternity of Remorse” e “A Single Tear”. Aos 6, passou por um dos períodos mais difíceis de sua vida: perdeu sua irmã Bonnie, de apenas 3 anos de idade, por conta de uma doença não diagnosticada. 

Ao menos duas canções do Evanescence foram escritas em homenagem à Bonnie: “Hello” de Fallen e “Like You” de The Open Door. Na primeira, Amy conta seus momentos de angustia quando descobriu o ocorrido. Na segunda canção, relata a dificuldade de seguir em frente sem a presença da irmã. Frases como “Eu me odeio por continuar vivendo sem você” e “Um dia serei como você. Estarei deitada fria no chão como você estava”, aparecem durante a letra, mostrando que a ferida ainda não estava cicatrizada.

A imprensa sempre teve dificuldade em rotular o som que fazem. A mistura de elementos eletrônicos, guitarras pesadas, piano clássico, vocal mezzo soprano popular e elementos pop, fundiu a cabeça dos críticos. Já tentaram rotulá-los de tudo quanto é nome: “new metal”, “metal gótico”, “metal alternativo”, o diabo a quatro. Todos esses rótulos estão corretos, mas são muito pouco para definir o som que fazem. Acredito que não exista uma definição exata, portanto, prefiro me referir a eles como rock. Assim, não tem como errar...

Única integrante original, tornou-se um dos poucos ídolos da geração 00.

O grupo nasceu em Little Rock, Arkansas, a partir de uma amizade de Amy Lee com o guitarrista Ben Moody. Os dois se conheceram em um acampamento promovido pela igreja local. Os pais da cantora a enviaram no acampamento como uma tentativa de fazê-la criar novos amigos. Durante o passeio, a vocalista que tinha até então 13 anos de idade, costumava ficar o tempo todo tocando piano. Moody, um ano mais velho, ouviu o treino da jovem enquanto jogava basquete com os amigos. A menina prodígio estava tocando uma canção do Meat Loaf chamada “I´d Do Anything For Love (But I Won´t Do That)”. O garoto correu até ela, mostrou algumas de suas composições e sugeriu que montassem um grupo juntos. Nascia ali o Evanescence.

Nesses 10 anos, o grupo soltou pouco material. Apenas 3 discos de inéditas: Fallen, The Open Door e Evanescence. Em seu ultimo trabalho, sua sonoridade foi mantida, mas deram um passo adiante. Alguns novos elementos foram adicionados e as letras ganharam uma nova conotação, escritas de maneira menos depressivas, menos melancólicas.

Embora Fallen seja considerado sua estréia, qualquer fã que se preze já ouviu falar de um outro álbum chamado Origin. Os músicos insistem em rotulá-lo como material demo. Não sei se essa seria a definição correta. Embora, a tiragem tenha sido pequena (segundo consta, 2.500 cópias apenas) e eles tenham vendido somente em seus shows, o CD não foi feito de maneira caseira. Ele chegou a ser prensado por um selo independente e a qualidade de gravação é muito boa. Aqui, é possível conferir as primeiras versões de antigos sucessos como “My Immortal” e “Whisper”, além de faixas inéditas. Tenho o CD em casa. A sonoridade não é muito distante daquilo que se espera do Evanescence. Não consigo entender porque não relançam esse material já que existe tanta procura. 

Amy Lee durante apresentação no Parque Antartica
 
Nesse meio tempo, o grupo de Amy Lee se apresentou três vezes em nosso país. Tive a oportunidade de conferir a primeira apresentação deles por aqui em 2007 quando se apresentaram no Parque Antartica para um publico de mais de 25.000 pessoas em uma noite chuvosa. Embora a apresentação tenha sido um pouco curta (lembro que não chegou à uma hora e meia), lembro que saí bastante satisfeito com o desempenho da banda. A única pena é que a vocalista estava pouco comunicativa. 

Até o momento, não há previsão para que seu álbum solo seja lançado, não há previsão para que Origin seja relançado e, principalmente, ainda não há previsão para que um novo material chegue às lojas. Ou seja, só nos resta esperar...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

5 motivos para conhecer o Serenity

por Rafael Menegueti

Se eu te perguntar sobre uma banda chamada Serenity, eu aposto que você nunca ouviu falar. E não é culpa sua. De fato, a banda ainda não tem tanto público por aqui, mas aos poucos eles estão conquistando seu espaço no cenário do power metal europeu, de modo que, em breve, eu acredito que eles serão tão famosos quanto o Kamelot, uma de suas principais influencias.

Os membros do Serenity
Lembro que recentemente fiz uma busca pelos discos da banda na famosa Galeria do Rock, no centro de São Paulo. Entrei em uma loja e mandei: “Vocês tem os CDs do Serenity?”. O sujeito atrás do balcão me olhou com uma cara de quem havia sido questionado sobre o significado da vida na Terra. “Acho... que não. Mas vou olhar...”. Então, o cara olhou em volta, se enfiou debaixo de um dos balcões e, alguns instantes depois, ele reapareceu com os quatro (!) CDs da banda nas mãos. “É isso aqui?”, ele me perguntou. “Esses mesmos”, respondi pensando em “como esses caras não sabem o que eles têm pra vender na própria loja!”

Se eu me surpreendi com o fato do vendedor não saber que tinha aquilo na loja, não me causou surpresa que ele não conhecesse a banda. Como já disse, é uma banda que está crescendo aos poucos, apesar de já ter 12 anos de estrada. Eles são da Áustria e fazem um som que, apesar de não ser inovador, é bastante potente e bem inspirado. Por isso eu vou listar aqui cinco motivos para você conhecer essa promessa do power metal sinfônico austríaco.

1) Os temas das musicas são simplesmente excelentes. Nos últimos dois trabalhos do grupo, “Death and Legacy”, de 2011, e “War of Ages”, de 2013, a banda fez suas musicas baseadas na historia de grandes personalidades da historia da humanidade, mais especificamente da Europa. Beethoven, Nero, Napoleão Bonaparte, Rei Henrique VIII, Elizabeth Bathory, Galileu Galilei e Giacomo Casanova estão entre as figuras homenageadas pela banda em suas composições.


2) O guitarrista Thomas Buchberger sabe o que faz com a guitarra. Seus riffs são maciços e entusiasmados, com uma sonoridade agressiva e ao mesmo tempo bem definida. Em certos momentos ele sabe dosar o ritmo das músicas com uma pegada mais cadenciada. Ele também sabe fazer excelentes solos, embora muitas vezes eles aparentem não ser tão próprios quanto seus riffs.

3) A banda conseguiu uma boa interação entre as partes sinfônicas e as mais pesadas, mesclando esses dois modelos em suas canções de maneira a prender o ouvinte aos discos. É bem difícil você sentir vontade de pular uma música dos álbuns.

4) Os vocais de Georg Neuhauser possuem aquela característica básica que todo bom vocalista de metal precisa: a dosagem entre a potencia vocal mais forte e a mais cadenciada. Nas baladas ele leva as canções com precisão, elevando sua técnica nas faixas mais pesadas para dar mais peso. Definitivamente um bom vocalista.

5) As participações vocais femininas são outro caso a parte. A mescla entre os vocais de Georg com as vozes femininas trás um ótimo contraste as músicas. Nos primeiros discos elas eram proporcionadas por vocalistas convidadas. Em especial em “Death & Legacy”, que conta com participações de Ailyn (Sirenia), Charlotte Wessels (Delain) e Amanda Somerville (Trillium, Kiske/Somerville), que emprestaram suas vozes de maneira marcante no álbum. Já no mais recente trabalho, “War of Ages”, a banda optou por contratar uma vocalista em definitivo. Clementine Delauney conseguiu fazer excelentes participações nas músicas e deu uma nova cara a banda, que ficou ainda mais interessante com ela dividindo as atenções com Georg.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Kiss: Por trás de Rock n Roll Over



 

Por Davi Pascale

Em 1976, o Kiss começava a crescer. Depois de fracassarem em 3 lançamentos, os álbuns Kiss Alive!, lançado um ano antes, e Destroyer tiveram boa repercussão. Contudo, Gene e Paul não estavam seguros se queriam passar por tudo aquele pesadelo novamente. O LP produzido por Bob Ezrin, embora trouxesse seu maior sucesso até então (a balada Beth), havia sido produzido de maneira desgastante. Os músicos queriam fazer as coisas de maneira mais simples e, para isso, trouxeram de volta ao estúdio o antigo parceiro Eddie Kramer.

Destroyer era um álbum quase experimental, contando com orquestrações, corais e efeitos sonoros entre as músicas. Para o álbum seguinte, queriam retornar ao básico. A idéia era trazer o som da banda no palco para o vinil. É por essa razão que o vocalista Paul Stanley diz que acredita que não atingiram seus objetivos em Rock n Roll Over. O cantor gosta das músicas, mas acha o som limpo demais. Ele queria o som das guitarras mais pesadas, queria que o disco soasse mais cru.

Agora não dá para dizer que a metodologia tenha sido errada. Pelo contrario, na gravação do LP, não foi utilizado o método de gravar um instrumento por vez. Foi utilizado o método de se gravar tocando ao vivo. O local escolhido foi o The Star Theater, em Nova Iorque. Não, você não leu errado. Não foi em um estúdio, foi em uma casa de shows. Segundo Gene Simmons, o local comportava um publico entre 2.000 e 3.000 pessoas. Para a gravação, eles montaram todo o set no palco, como se fossem fazer um concerto realmente. A única diferença é que Peter Criss não estava nesse palco. A bateria foi gravada dentro do banheiro da casa (por conta da acústica) e o músico se comunicava com os demais integrantes através de vídeo.

Não concordo com Stanley. Gosto muito da sonoridade desse álbum. Talvez o músico acredite que o som tenha soado magro porque ainda tinha em sua mente a sonoridade das primeiras demos, gravadas 3 anos antes. Aliás, os músicos sempre a citavam como referencia para o produtor. Agora... Devemos lembrar que nessa altura do campeonato, os caras já tinham um pouco mais de experiência, equipamentos melhores... Isso tira um pouco dessa crueza naturalmente.

Álbum foi gravado em um teatro vazio

Para compor o disco, foram utilizadas músicas escritas durante a turnê de Destroyer. Algumas demos de trabalhos anteriores foram reaproveitadas também. Algumas vezes, duas canções foram juntadas em uma. Caso de “Calling Dr. Love” que nasceu de uma mistura entre “Bad Bad Lovin´” e “High and Low”. Uma curiosidade bacana é da faixa ainda inédita “Queen for a Day”. Ainda não consegui encontrar nenhum bootleg que tenha ela. Essa é a estréia de Ace Frehley nos vocais. A música acabou não indo para o disco porque o Spaceman não se sentia confiante para cantar ao vivo. “Hard Luck Woman”, imortalizada na voz de Peter Criss, foi composta por Stanley. The Starchild a escreveu pensando em entregá-la para Rod Stewart, mas de ultima hora acabou entregando para o baterista porque acreditava que ela poderia se tornar a segunda “Beth”.

Para aumentar a curiosidade do lançamento do novo trabalho do Kiss, o grupo gravou uma participação no televisivo “Paul Lyndes Halloween Special”. No programa, contudo, não houve nenhuma prévia do novo LP. O quarteto resolveu atacar 3 musicas do Destroyer: “Beth”, “Detroit Rock City” e “King Of The Knightime World”. Embora tenha ido ao ar na noite de Halloween (31 de Outubro), o programa foi gravado dois dias antes. Na noite da famosa festa, Simmons e Stanley resolveram assistir um show em uma famosa casa de Los Angeles, o Gazzarries. A atração daquela noite era o The Boyz.

Esse não foi a única vez que The Demon os assistiu. Alguns meses antes, esteve em uma apresentação deles no Starwood, em Hollywood, quando dividiram o palco com Bebe Buell. Naquela noite, havia um artista convidado que chamou a atenção de Gene Simmons e o levou a produzir a primeira demo dos rapazes. O nome dessa atração? Van Halen! Quando o vocalista dos The Boyz, Michael White, foi contar essa história ele falou de uma apresentação onde eles estavam dividindo o palco com o Van Halen, mas que a banda dele havia feito uma má apresentação, enquanto o grupo de David Lee Roth havia brilhado. Essa, entretanto, não é a versão contada por Gene. E as datas dadas por White também não batem com a agenda do Van Halen. O grupo tocou com os The Boyz, mas não no período afirmado pelo musico. O grupo de Michael White não fez sucesso, mas dois de seus músicos conquistaram fama na década seguinte: o guitarrista George Lynch e o baterista Mick Brown. Para quem não se lembra, eles atingiram o sucesso ao lado do Dokken.

 
Capa da rara edição argentina

O LP foi bem nas paradas, mas não repetiu o sucesso do trabalho anterior. Rock n Roll Over atingiu disco de ouro, enquanto Destroyer atingia disco de platina. Esse trabalho existe com pelo menos 4 capas diferentes. No Mexico existem duas edições alternativas (Com Todo El Poder De La Musica e 30 Anos de Musica: Rock Salvat), editadas em 1984, cada uma com uma imagem. Na Argentina, também foi lançada uma outra capa, mantendo seu título original. Como curiosidade, vale lembrar que foi na turnê desse álbum que o guitarrista Ace Frehley foi eletrocutado durante uma apresentação em Georgia, em 24 de Novembro. O guitarrista pisou em um fio não aterrado enquanto descia as escadas do palco. O show, entretanto, não foi cancelado. A apresentação foi interrompida até que o músico se recuperasse. Logo depois, os mascarados retornaram ao Lakeland Civic Center para entregar aos seus fervorosos fãs o show mais quente do mundo. Pelo visto, nada, nem ninguém poderia apagar a chama do Kiss.  

Faixas:

01) I Want You
02) Take Me
03) Calling Dr. Love
04) Ladies Room
05) Baby Driver
06) Love ´Em Leave ´Em
07) Mr. Speed
08) See You In Your Dreams
09) Hard Luck Woman
10) Makin´ Love