terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Black Sabbath: Live... Gatthered In Their Masses (2013)




Por Davi Pascale

Em junho de 2013, os fãs de heavy metal tiveram a oportunidade de conferir o novo álbum do Black Sabbath, o primeiro gravado com Ozzy desde Never Say Die (1978). Embora cercado de polemicas, o trabalho agradou seus fiéis seguidores. Em Outubro, os fãs brasileiros tiveram a oportunidade de ver os pais do heavy metal de pertinho e agora têm a oportunidade de levar o show desta turnê para a casa.


A maior polêmica de 13 foi a gravação de bateria. Os fãs mais radicais consideravam um crime gravarem um CD sem a presença de Bill Ward, mesmo que no decorrer dos anos outros grandes nomes já tenham passado pelo instrumento como Vinny Appice, Eric Singer e Cozy Powell, só para citar alguns. Muitos questionaram a escolha do “Rage Against” Brad Wilk para as gravações. O próprio Ozzy chegou a demonstrar um pouco de insatisfação em algumas entrevistas. Eu, por outro lado, gostei muito do trabalho de Brad e acho que ele soube manter a atmosfera típica do Sabbath. Aquela sonoridade densa e arrastada tão característica do grupo.


Mesmo tendo essa questão que ainda gera discussões e mais discussões entre os fãs, o trabalho foi bastante elogiado. Com músicas longas, pesadas e riffs únicos, o CD resgatava muito da sonoridade clássica do Sabbath. Contrariando a todos, o álbum foi sucesso de vendas em vários países, inclusive no Brasil. Há muito tempo que um grupo de heavy metal não tinha uma evidencia tão grande...

Capa do álbum lançado em 2013


Brad Wilk, entretanto, ficou responsável somente pela gravação do disco. Para a turnê foi escolhido o músico Tommy Clufetos, músico da banda solo de Ozzy Osbourne. Os shows no Brasil mostraram que a decisão foi acertada. O rapaz demonstrou ser um verdadeiro monstro no instrumento, fazendo uso não apenas de técnica, mas de uma pegada incrível. Seu visual à la John Bonham, barbudo com uma faixa na cabeça, ajudou para que o show tivesse um clima ainda mais nostálgico. Tendo em nossa frente ¾ da banda original – Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Tony Iommi – e uma infinidade de clássicos no set list, a sensação era de que havíamos entrado em um máquina do tempo e voltado ao ano de 1976. Noite simplesmente mágica. Para ser mais perfeita, somente se a produção tivesse optado por realizar o concerto em um local melhor. Aquele Campo de Marte é tenebroso para assistir shows. 


Para aqueles que, assim como eu, assistiram a apresentação do grupo de Birmingham no Brasil, nada melhor do que esse DVD. Com um setlist bem parecido (apenas 3 ou 4 músicas mudaram), o vídeo bate uma nostalgia lascada. A qualidade de imagem e som estão boas. Minha única queixa fica por conta da imagem escolhida para a capa. Quem não acompanha a cena de perto pode imaginar que esse é mais um daqueles vídeos lançado por gravadoras menores como a Coqueiro Verde. Poderiam ter trabalhado um pouquinho mais na arte gráfica.


Banda levou 70.000 pessoas ao Campo de Marte

 Para quem não assistiu aos shows por aqui, o que vemos no palco é exatamente aquilo que sempre esperamos quando o nome Sabbath é pronunciado. O canhoto Iommi, em vários momentos, sorridente, quieto no seu canto executando seus solos com perfeição. Geezer Butler no outro canto tocando totalmente endemoniado mexendo sua cabeça para cima e para baixo. Um baterista socando a bateria com uma pegada única. E o sempre carismático Ozzy Osbourne andando encurvado de um lado para o outro, batendo palmas, jogando água do balde e gritando “C´mon” com todo o ar que resta em seus pulmões.

O repertório mistura canções clássicas como “War Pigs” (não, ela não foi escrita pelo Faith No More), “N.I.B.”, “Children Of The Grave”, “Black Sabbath” (os mais novinhos já devem ter escutado no programa do Zé do Caixão) e “Paranoid”; com faixas de seu novo trabalho como “End Of The Beginning”, “Loner” e “God Is Dead”.


Já vi nas lojas brasileiras duas versões. Uma apenas com o DVD. E outra com DVD+CD. Comprei essa que vem com o compact disc. No disquinho tem 10 músicas extraídas do show registrado em vídeo com sua ordem pouca coisa alterada. O filme não possui nenhum extra, nem legendas. Uma curiosidade legal foi ver a presença dos músicos Joe Perry e Steven Tyler (Aerosmith) assistindo ao show do Sabbath. Quem assistir a fita com um pouquinho de atenção, irá notar a aparição dos dois, logo nos primeiros minutos.Sem dúvidas, um item essencial na coleção dos amantes do Black Sabbath, do heavy metal e do Rock n Roll!


Nota: 09/10

Status: Indispensável



    Faixas:

    01. War Pigs
    02. Into The Void
    03. Loner
    04. Snowblind
    05. Black Sabbath
    06. Behind The Wall of Sleep
    07. N.I.B.
    08. Methademic
    09. Fairies Wear Boots
    10. Symptom of the Universe
    11. Iron Man
    12. End Of The Beginning
    13. Children of the Grave
    14. God Is Dead
    15. Sabbath Bloody Sabbath (Intro) / Paranoid

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Nirvana Unplugged in New York: a despedida de Kurt Cobain

Por Rafael Menegueti

A capa do Unplugged in New York
No último sábado (14/12/13) completaram-se 20 anos da data em que a MTV norte-americana levou ao ar pela primeira vez o MTV Unplugged in New York do Nirvana. O programa, que havia sido gravado no dia 18 de novembro de 1993, acabou se tornando a ultima grande obra do Nirvana. Mais do que isso. O aspecto cerimonial da apresentação, com uma decoração que mais lembrava a de um velório do que um show de rock, deu uma ar de despedida ao show, já que Kurt morreria meses depois.

A verdade é que Kurt pareceu moldar o acústico do Nirvana para que ele fosse perfeito, como ele queria. Diferente de muitas outras atrações que participaram do programa, o Nirvana gravou tudo de uma vez, sem precisar regravar nenhuma música. Ele fez questão de fazer o set-list do jeito que ele queria, deixando sucessos como “Smells Like Teen Spirit” e “In Bloom” de fora. Ao invés disso, ele preferiu faixas mais intimistas da banda, alem de covers de canções com as quais ele se identificava.

Não foi apenas pelo dinheiro ou sucesso que Kurt topou participar do MTV Unplugged. Ele viu no programa a oportunidade de mostrar uma outra face do Nirvana, uma face mais tranquila, mais calma e despojada, diferente do barulho habitual que a banda fazia nos palcos. Era a oportunidade perfeita de mostrar como Kurt realmente era: um rapaz introspectivo e sensível, ao contrario da imagem de rockstar que sempre tentavam lhe aplicar.

Kurt Cobain usou o programa para mostrar uma outra faceta do Nirvana
No palco do Sony Studios em Nova York, a banda executou 14 canções. Dessas 6 foram covers. As mais prestigiadas foram as de “Jesus Don’t Want Me For A Sunbean”, dos Vaselines, “The Man Who Sold The World”, do David Bowie, e “Where DId You Sleep Last Night” do cantor de blues Leadbelly. Alem dessas, ele incluiu três faixas de uma banda nada conhecida naquela época: o Meat Puppets. E ainda chamou os caras pra tocar no palco com ele.

A inclusão dos irmãos Curt e Kirk Kurtwood, dos Meat Puppets, como convidados especiais no show, gerou um certo desconforto na direção da emissora musical. Os caras queriam mesmo era que ele chamasse algum dos grandes nomes do grunge, que estava em alta naquela época. Obvio que Kurt não iria querer que isso ocorresse. Transformar o Unplugged em mais um material que atraísse novos fãs eventuais para a banda era tudo que Kurt não queria. “Smells Like Teen Spirit” já havia feito estrago demais nesse sentido.


O fato é que na apresentação o Nirvana conseguiu o que queria. Mostrou que é uma banda que vai alem da atitude explosiva, da quebradeira e dos excessos. Era também excelente com arranjos acústicos e mais intimistas. E de quebra, o acústico serviu pra definir uma ultima imagem de Kurt. Sua atuação cheia de sentimentalismo e intensidade definiu o Kurt como um musico de verdade, bem mais do que em outras performances ao vivo. O show seria lançado oficialmente em CD um ano depois, e 7 meses após o suicídio de Kurt. Uma performance exemplar e um lançamento digno da grandeza que o Nirvana sempre teve e sempre terá.   

domingo, 15 de dezembro de 2013

Humberto Gessinger – Insular (2013)




Por Davi Pascale

Humberto Gessinger, a voz do Engenheiros do Hawaii, está lançando seu primeiro trabalho solo. Na verdade, essa não é a primeira vez que o cantor se arrisca em um trabalho longe dos Engenheiros. Em 1996, o músico tinha criado o Humberto Gessinger Trio, que lançou apenas um álbum auto-intitulado. Quando o Engenheiros passou por uma nova reformulação, o rapaz trouxe os músicos Adal Fonseca e Luciano Granja para sua banda principal. Em 2008, criou ao lado de Duca Leindecker (Cidadão Quem) o Pouca Vogal. E, agora, solta no mercado esse CD. O primeiro solo e o terceiro longe do grupo que o tornou famoso em todo o país.


Muitos questionam sobra a volta do Engenheiros do Hawaii, Gessinger quase sempre desconversa. E, para ser honesto, prefiro assim. Acho mais honesto. Desde o lançamento de Minuano que o rapaz é o único integrante da banda original. Nunca fui um fã rebelde. Nunca tive aquela postura de “se não tem Maltz e Licks, não me interessa”. Pelo contrário, continuei acompanhando até o fim. Tenho todos os discos, todos os vídeos, fui à gravação de 10.000 Destinos. O que sempre me atraiu no Engenheiros, mais do que a criatividade de Licks ou a pegada de Maltz, foram as letras de Humberto. Sendo assim, não preciso dizer que estou acompanhando seu trabalho como escritor também. 


Agora... Verdade seja dita. Sempre achei estranho adquirir um trabalho com o nome de Engenheiros do Hawaii e só encontrar a figura de Gessinger, dentre aqueles rostos que estava familiarizado desde meus tempos de infância quando ouvia os LP´s de A Revolta dos Dandis e Ouça O Que Eu Digo, Não Ouça Ninguém. É verdade que Adal Fonseca e Luciano Granja são excelentes músicos - Sou baterista e lembro que fiquei impressionado com a performance de Adal na gravação de 10.000 Destinos - É verdade também que fizeram ótimos discos, mas sempre achei que quando Carlos Maltz saiu da banda, Humberto deveria ter gravado como artista solo.

Humberto Gessinger em ação

Para os fãs, a situação não mudará muito. Acredito que continuará executando suas antigas canções em seus shows solo. E a sonoridade do álbum não é muito distante do trabalho que vem fazendo há quase 30 anos. Esse é um disco que poderia ter sido lançado com o nome de Engenheiros do Hawaii e nenhum fã reclamaria. Fico feliz que Gessinger tenha mantido suas raízes. Todas suas características principais estão aqui: suas letras com seus famosos jogos de palavras e bonitas mensagens, sua linha de baixo extremamente melódica... Só quem irá reclamar serão os executivos, afinal, Engenheiros do Hawaii já é uma marca. Foi um grupo que marcou época e atravessou gerações. E eles terão que trabalhar em cima do projeto sem fazer uso dessa marca, pelo menos sem ser direto. Se bem que todo mundo que viveu a década de 80 e 90 está careca de saber quem esse cara é. E se bem que também não há muito pelo que se preocupar, já que a indústria fonográfica está indo para o espaço...


Ao contrário de seus demais trabalhos, onde tinha uma banda fixa, aqui cada faixa é uma formação diferente. Entre os músicos convidados, estão nomes do porte de Frank Solari, Rodrigo Tavares, além dos ‘engenheiros’ Adal Fonseca e Luciano Granja. Humberto tem uma imagem forte enquanto baixista, mas no disco vai além e ataca de guitarra 12 cordas, violão, harmônica, teclado, viola caipira e acordeão. Além, claro, do trabalho vocal.


Não sou de acompanhar rádio. Já fui, mas boa parte dos artistas que estão sendo investidos, não me atrai. Então, parei de ouvir. Carro, agora, somente com CD. Ou, de preferência, Ipod. Prefiro ouvir meu CD em casa com melhor qualidade de som, com mais calma e sem chances de danificar a mídia. Mesmo assim, cheguei a ouvir “Tudo Está Parado”, parceria de Gessinger com Rogerio Flausino (Jota Quest), em alguma estação, um dia desses, totalmente por acaso. Fiquei feliz. O que me deixa mais feliz ainda é perceber que essa não é a única do disco com característica de hit. Canções como “Bora” e “Tchau Radar, A Canção” se entrarem na programação de alguma rádio tornam-se sucessos instantâneos. Não tenho dúvidas!

Cantor em foto promocional de seu novo CD

Foi muito legal ver o cantor voltando a gravar novas canções. E, principalmente, voltando com um trabalho tão legal. Não sei o que acontece no Brasil ultimamente, mas a maior parte da galera que tem expressão está sem lançar nada há tempos. Onde estão os novos álbuns de artistas como Lobão? Titãs? Paralamas do Sucesso? Skank? Pitty? Raimundos? Frejat? Algo precisa ser feito. A cena roqueira do Brasil está paralizada. Ainda bem que ainda temos alguns nomes que ainda se sujeitam a gravar. Caso contrário, a cena estaria morta. Espero, claro, que este seja apenas o primeiro de uma série de lançamentos do artista. Gessinger, bem-vindo de volta!


Nota: 08/10

Status: Excelente!


Faixas:
0    01.   Terei Vivido
02.   Sua Graça      
03.   Bora 
04.   A Ponte Para o Dia 
05.   Tchau Radar, A Canção 
06.   Tudo Está Parado 
07.   Recarga 
08.   Milonga do xeque Mate 
09.   Insular 
10.   Essas Vidas da Gente 
11.   Segura a Onda, DG 
12.   Plano B

sábado, 14 de dezembro de 2013

Joey Jordison deixa o Slipknot: E agora?

Por Rafael Menegueti
Os mascarados do Slipknot: Shock rock levado ao nível máximo
O Slipknot causou uma reviravolta no metal quando surgiu, lá no finalzinho da década de 90, com suas mascaras e visual de “shock rock”. Eles eram a grande novidade numa cena que já não produzia nada de muito diferente há um certo tempo. Sua mistura de metal agressivo com elementos de hip-hop, hardcore e muita percussão fez da banda um sucesso instantâneo. Desde o homônimo álbum de estréia, em 1999, até os dias de hoje, o sucesso do grupo só cresceu e a banda adquiriu status como uma das maiores e mais importantes do cenário mundial.

A banda foi fundada em 1995, em Iowa, nos EUA. Alem da música, sempre chamaram a atenção pelo visual nada normal. Os uniformes industriais com códigos de barras e, principalmente, as máscaras personalizadas se tornaram a marca registrada da banda, que muitas vezes era associada a uma atmosfera de terror. Mas, acima de tudo, a combinação desses elementos com a capacidade técnica de seus músicos tornou o Slipknot o fenômeno que ele é hoje.

Dos membros fundadores, quatro nomes se destacaram na banda ao longo de sua trajetória: o vocalista Corey Taylor, o percussionista Shawn “Clown” Crahan, o baixista Paul Grey, e o baterista Joey Jordison. Juntos eles formavam a principal força criativa do grupo. Corey sempre teve um papel mais de porta-voz. Até por ser o frontman, ele sempre teve uma imagem ligada a polemicas e controvérsias devido a suas declarações por trás ou pela frente das mascaras, alem de seu inegável talento como vocalista. Shawn, por sua vez, age mais como um líder interno.

Em 2009, os fãs da banda lamentaram a morte de Paul Grey. Sua morte colocou um ponto de interrogação no futuro do grupo, uma vez que ela foi profundamente sentida pelos outros membros. Mas os maggots (modo como os fãs da banda são conhecidos) logo puderam ver o retorno da banda, como num tributo a memória do parceiro morto. Em 2013, depois de quase cinco anos de “All Hope Is Gone”, último disco de inéditas da banda, finalmente veio a noticia que todos esperavam: tinha disco novo no forno!

Pois é, a euforia, no entanto, deu lugar a um novo ponto de interrogação quando a banda anunciou a saída do baterista Joey Jordison ontem (13/12/2013), uma sexta feira 13 que nenhum fã vai esquecer. Joey era um dos mais queridos membros do grupo. Considerado por muitos o melhor baterista do mundo, ele era idolatrado pelos fãs e astro das principais manobras engenhosas que a banda exibia nos palcos. Os fãs iam a loucura quando sua bateria era levantada e girada durante os solos, até que Joey ficasse de ponta cabeça durante os shows, sem sequer perder o tempo das batidas.

O ex-baterista da banda: Joey Jordison
Esse novo ponto de interrogação está presente em muitas perguntas: Quais motivos levaram Joey a decidir deixar o grupo? Quem deve substituir Joey? Ele seguirá apenas com os seus outros projetos ou algo novo está por vir? Essas perguntas, ao que parece, serão respondidas com o tempo.


Tempo esse que não deve demorar. O Slipknot continua trabalhando em seu novo disco, e eles esperam anunciar seu novo baterista até março do ano que vem. Já começou a temporada de especulações. Será que o novo dono das baquetas do grupo dera um baterista consagrado ou uma aposta desconhecida? Esperemos que eles encontrem alguém com um talento e carisma tão grandes quanto o de Joey. E que o ex-baterista também encontre seu caminho e consiga seguir em frente após o Slipknot. Afinal, o (freak) show tem que continuar.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

5 lançamentos de 2013 que você precisa ouvir

Por Rafael Menegueti

Fim do ano chegou e, como de praxe, é hora de relembrar o que se passou no mundo do rock em matéria de novos discos. E esse ano tivemos muita coisa interessante, de modo que separar apenas 5 para mim foi bem difícil. Por isso decidi fazer baseado em meus próprios gostos.

Antes de qualquer coisa, já aviso: ISSO NÃO É UM RANKING! É apenas uma lista para quem não se situou nesse ano achar algo que possa se interessar. Portanto, não precisa lamentar se o disco que você gostou não está aqui. Isso não significa que ele não seja bom, apenas que eu não o considerei dentre os outros que eu acompanhei nesse ano. Mas se você achar que seria interessante lembrar de mais algum, sinta-se livre para deixar nos comentários.


Black Sabbath – 13

Só por ser Black Sabbath eu não precisaria falar mais nada. Esse disco marca o retorno da banda que deu origem ao metal com o vocalista e comedor de morcegos Ozzy Osbourne. Pena que Bill Ward tenha ficado de fora, mas Brad Wilk (Rage Against the Machine, ex- Audioslave) deu conta do recado de maneira brilhante. Essencialmente “13” traz uma fusão dos elementos que fizeram do Sabbath a banda lendária que é, com elementos mais modernos. Tudo sem parecer forçado ou deixar a banda com um aspecto fora de época. Talvez o lançamento mais representativo do ano.



Alice in Chains – The Devil Put Dinosaurs Here

O Alice in Chains já havia provado com “Black Gives Way to Blue”, de 2009, que existe vida após Layne Staley. Agora com “The Devil Put Dinosaurs Here” eles dão continuidade aos trabalhos nos mesmos moldes. Alias, eles são uma das poucas bandas que pode tranquilamente lançar um trabalho semelhante aos anteriores sem soarem repetitivos ou afastarem os fãs. William DuVall se confirma como um frontman a altura da banda mais uma vez e Jerry Cantrell continua compondo canções que oscilam entre a melancolia grunge e uma acidez metaleira como apenas o Alice in Chains consegue fazer.



Delain – Interlude

Esse não é um de álbum estúdio normal, é uma compilação com covers, versões alternativas, faixas ao vivo e duas inéditas. Provavelmente 90 % de quem ler esse texto nunca ouviu falar nesses holandeses, mas já comentei no meu primeiro post no blog que eles são minha banda favorita atualmente, e nesse lançamento tem vários exemplos dos meus motivos. Uma banda em ótima sintonia, que foge dos lugares comuns do metal sinfônico com uma abordagem mais pop e uma sonoridade que vai dos riffs pesados às baladas radiofônicas. Sem falar na voz de Charlotte Wessels, que funciona como um tranquilizante natural.





Amaranthe – The Nexus

Aqui o bicho começa a pegar. O Amaranthe é uma daquelas bandas “ame ou odeie” do rock. Quem gosta diz que eles são inovadores, tem um trabalho vocal excelente e oferece uma mistura entre metal e pop como nenhuma banda jamais ousou fazer. Quem não gosta acha eles comerciais e os chama de “RBD” do metal. Honestamente, eu faço parte da primeira opção. The Nexus é o segundo disco da banda e tem composições mais bem estruturadas e uma melhor interação entre as partes eletrônicas e o metal. Perfeito pra quem não tem preconceitos com música.



Hibria – Silent Revenge


Agora uma banda nacional. Silent Revenge é o quarto disco do Hibria, e com certeza veio pra firmar a banda como uma das novas potencias do metal brasileiro no exterior. Basta pesquisar a banda para ver o quanto eles são elogiados lá fora. E não poderia deixar de ser. O Disco é excelente, tem uma pegada avassaladora e vocais potentes e marcantes. A banda dividiu o palco do Rock in Rio esse ano com o Almah, de Edu Falaschi, mas eu aposto que, se continuar como está indo, pode comandar seu próprio show na próxima edição do festival. Quem sabe talvez no Palco Mundo.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Kiss: a primeira autobiografia



 

 
Por Davi Pascale

Existem vários livros sobre o Kiss por aí. Acabam de serem lançados no Brasil, inclusive, as edições em português de Nothing To Lose: The Making of Kiss e a autobiografia de Peter Criss: Makeup to Breakupup. Engana-se, contudo, quem acredita que o catman foi o primeiro integrante da banda a lançar uma autobiografia. O primeiro cara a se aventurar nesse universo foi o judeu Chaim Witz, ou como é mais conhecido por aí, Gene Simmons.


Apesar de interpretar o demônio nos palcos - ou como costumava brincar nas entrevistas no início de carreira, a reencarnação do próprio mal - ele é o mais certinho do grupo. Tanto ele quanto Paul Stanley são extremamente caretas. Nunca foram viciados em drogas, não fumam e Gene, além de tudo isso, não bebe. Stanley ainda bebe alguma coisa, mas não a ponto de cair de bêbado. Ace e Peter já são outra história...

Embora nunca tenha se entregado aos vícios, o linguarudo é conhecido pela proeza de levar mais de 4.000 mulheres para a cama. Segundo Gene, ele tem foto Polaroid de várias delas e faz questão de afirmar que todos esses retratos foram tirados com permissão das moças. O guitarrista Ace Frehley chegou a declarar recentemente que acredita que Simmons é viciado em sexo. No livro, o baixista conta algumas histórias envolvendo garotas, incluindo algumas um tanto quanto bizarras como quando ele foi reconhecido por uma velhinha no aeroporto e depois de um tempo, se deu conta que era uma das mulheres com quem havia dormido nos anos 70.


Explica aqui as mudanças de nome. De Chaim Witz para Gene Klein. De Gene Klein para Gene Simmons. Comenta sobre sua mudança de Israel para os Estados Unidos, sobre seus ídolos de infância, sobre a importância e a influencia dos quadrinhos em sua vida. Há algumas histórias curiosas de quando era criança, como quando contraiu poliomielite aos 3 anos de idade chegando a ser encaminhado para o hospital. Certa noite depois de chorar e berrar o mais alto que podia por ter necessidade de ir ao banheiro, decidiu descer da cama e fazer suas necessidades no chão do quarto. Quando a enfermeira retornou, encontrou as fezes no chão e foi à loucura.

Gene em sesão para a Playboy


Claro que não poderiam faltar histórias envolvendo o Kiss. É narrada, em detalhes, a trajetória da banda nos anos 70 com direito à algumas histórias de bastidores como o segredo para o rosto de Ace Frehley não estar 100% nítido na capa de Hotter than Hell. Ainda envolvendo o spaceman, conta como salvou o rapaz durante a turnê desse mesmo disco. Segundo Simmons, ele havia descido para o saguão do hotel com o intuito de conhecer algumas garotas e quando retornou ao quarto encontrou Ace desmaiado na banheira. A água já havia coberto sua boca, mais alguns minutos o rapaz teria morrido afogado.


Comenta também sobre sua longínqua parceria com Paul Stanley, segundo ele, uma das poucas pessoas em quem aprendeu a confiar. E claro que não poderia faltar também alguns ataques ao baterista Peter Criss, mais um integrante envolvido nas drogas e nas bebidas. Segundo o autor, a razão de Peter não ter tocado em todo o álbum Dynasty era pelo fato de Vini Poncia, produtor do álbum, acreditar que o catman não tinha condições de tocar em um álbum do Kiss. O mais tenso de tudo é que uma das razões que os levaram a escolher Vini era o fato dele ter sido o responsável pela produção do álbum solo do baterista um ano antes. Era um modo de demonstrarem que não tinham vergonha do seu disco, como o músico acreditava. 


A parte dos anos 80 passou um pouco por cima. Fala bastante sobre seu romance com a cantora Cher e sua aventura no cinema. Diz que não sentia confortável com aquela idéia de se apresentarem sem as mascaras. Que fizeram isso por não haver outra alternativa. Diz que os fãs não aceitavam os novos personagens e que a chegada da MTV trouxe uma nova linguagem visual, que tiveram que se adaptar para não deixar o projeto morrer. Declara que durante essa época chegou a deixar o Kiss em segundo plano, deixando Paul Stanley no comando principal e que hoje se arrepende de ter deixado a banda um pouco de lado. Explica ainda sobre a gravadora que fundou, comenta sobre os artistas que produziu, rasga elogios ao falecido baterista Eric Carr e relata sobre como conheceu sua atual esposa Shannon Tweed. Mas as histórias sobre as gravações e turnês desse período meio que passaram batido.

Gene Simmons e Paul Stanley sem as máscaras


Não faltam detalhes sobre a volta do grupo às mascaras e sobre o retorno dos integrantes originais. Fala abertamente sobre a dificuldade de estar na estrada com os velhos rapazes retornando aos velhos hábitos, sobre a dificuldade de ensaiar com Ace chegando ao estúdio com horas de atraso e sobre a decisão de realizar a Farewell Tour. Em respeito às polêmicas gravações de Psycho Circus, não esconde o fato de ter utilizado outros músicos no lugar de Ace e Peter, mas defende a idéia de que tiveram que fazer isso porque os dois simplesmente não apareciam no estúdio para tentar pressioná-los a aumentar o valor de seus contratos. Explica, aliás, o fato de Ace ganhar mais do que Peter. The demon diz que quando retornaram os dois ganhavam a mesma quantia, mas que Ace exigiu a receber mais do que Peter e ameaçou sair da banda caso não concordassem com isso. O linguarudo disse que por ele ok, mas que Ace teria que se encarregar de contar ‘as boas novas’ ao seu amigo Peter. Óbvio que ele não contou e depois de um tempo a coisa esquentou...


Quando escreveu esse livro, em 2001, a banda estava planejando parar, portanto, não está explicado aqui o porquê o grupo não se aposentou no final da Farewell Tour. Esse material não foi lançado no Brasil, mas é bem fácil de se encontrar em sites como a Amazon. Certamente, uma leitura não apenas divertida, mas essencial para qualquer fã do quarteto.