quinta-feira, 9 de março de 2017

ZZ Top – Live! Greatest Hits From Around The World (2016):



Por Davi Pascale

Trio texano lança álbum ao vivo compilando seus maiores sucessos. Para criação do material, músicos recorreram à diferentes performances e resgataram participação de cultuado guitarrista.

Por alguma razão, esse álbum está sendo divulgado como o primeiro disco ao vivo do trio formado por Billy Gibbons, Dusty Hill e Frank Beard. Juro que me  lembro de ter um trabalho ao vivo, duplo, que atende pelo nome de Live From Texas e que teve, inclusive, prensagem aqui no Brasil. Que doideira!

O disco é exatamente o que o título diz. Suas músicas mais conhecidas, registradas em diferentes cantos do mundo. O mais bacana de tudo, é reparar que os shows de São Paulo foram lembrados. E com uma musica que é clássico total, “Legs”. Demais!

A única coisa que me desanima um pouquinho é o fato de várias musicas estarem com fade-out e de grande parte dos diálogos terem sido limados, acho que acaba tirando um pouquinho o lado humano do show. Tem muita gente dizendo que esse disco não tem overdubs. Se isso for verdade, fico felicíssimo, mas suspeito que tenham realizado algumas correções na parte vocal. Está tudo muito certinho.

No início, estava meio desanimado. “Got Me Under Pressure”, responsável por abrir o CD, está com um mixagem meia pobre, guitarra sem muita evidência, mas, graças a Deus, isso não ocorre em todo o disco. Na segunda faixa, a empolgante “Beer Drinks & Hell Raisers”, o som já está mais do que acertado.

O grande destaque é, certamente, a performance de Billy Gibbons. O que esse cara toca de guitarra não é brincadeira. Na parte vocal, nunca foi de ficar fazendo malabarismos, mas tem um estilo próprio e gosto bastante de seu timbre. Forte, rasgado. Está igual aos álbuns de estúdio. Tão igual que, como disse lá em cima, suspeito de algumas correções.

Uma das grandes atrações do álbum é a participação especial do lendário Jeff Beck nas duas canções extraídas das apresentações de Londres: “Sixteen Toys” e “Rough Boy”. Essa última, uma bela balada da década de 80, do álbum Afterbunner, para ser mais preciso, ficou lindíssima na versão apresentada aqui.

Destacar uma única canção como o ponto alto é uma tarefa absolutamente ingrata. Recomendaria ouvir com atenção; “Beer Drinkers & Hell Raisers”, “Waitin´ For The Bus”, “Legs”, “Rough Boy”, “I´m Bad, I´m Nationwide”, além dos clássicos absolutos “Sharp Dressed Man”, “Gimme All Your Lovin´” e “Tush”. O trio entrega aquilo que esperamos deles. Blues-rock de primeira com uma banda afiadíssima e solos belíssimos. Para quem não tem nada deles, funciona como uma bela porta de entrada.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Ótimo repertório

Faixas:
      01)   Got Me Under Pressure – New York City
      02)   Beer Drinkers & Hell Raisers – Las Vegas
      03)   Cheap Sunglasses – Paris
      04)   Waitin´ For The Bus – Nashville
      05)   Jesus Just Left For Chicago - Nashville
      06)   Legs – São Paulo
      07)   Sharp Dressed Man – Los Angeles
      08)   Rough Boy (c/ Jeff Beck) – London
      09)   Pincusshion – Berlin
      10)   La Grange – Dallas
      11)   I´m Bad, I´m Nationwide – Vancouver
      12)   Tube Snake Boogie – Rome
      13)   Gimme All Your Lovin´ - Houston    
      14)   Tush – Chicago 
      15)   Sixteen Toys (c/ Jeff Beck) – London 

terça-feira, 7 de março de 2017

The Virginmarys – Divides (2016):



Por Davi Pascale

Trio inglês chega ao seu segundo álbum e entrega ótimas composições. Banda que tem de tudo para se tornar um dos grandes nomes do rock.

Descobri essa banda alguns anos atrás fuçando pela internet. Quando assisti o clipe de “Bang, Bang, Bang” fiquei bem impressionado com o trio. Faziam um rock n roll meio Foo Fighters, com um pouco mais de sujeira e muito bem tocado. A logica se mantém no novo trabalho. Continuam fazendo seu rock n roll com um pé no alternativo, um pé no britpop (não, eles não são um clone do Foo Fighters) e a qualidade das composições é bem alta.

Os rapazes de Manchester ainda não têm aquele grande hit capaz de fazer milhares de pessoas cantarem juntos, mas já apresentam um certo prestígio na cena. Já tiveram matérias estampadas ao seu respeito em algumas das principais revistas musicais e já dividiram o palco com grandes nomes do rock como Slash e Queens Of The Stone Age. Começaram como várias das grandes bandas, lançando EP´s independente, e ousaram ao soltar seu primeiro álbum, King Of Conflicts (2013), em formato duplo.

A razão que eu digo que eles têm de tudo para se tornarem um dos grandes nomes do rock é que eles têm aquela sonoridade com um pé no mainstream. Ainda que usem guitarras bem distorcidas e deixem o som da bateria na cara, as linhas vocais são repletas de melodias pop. Uma banda realmente bem interessante. Se eu tivesse que escolher uma musica desse novo álbum para ir às rádios, apostaria em “For You My Love”. Uma faixa pesadinha, cadenciada e com um refrão que gruda na cabeça. “Motherless Land”, embora não esteja entre minhas favoritas, é outra que funcionaria para esses fins.

Assim como diversas bandas dos anos 90/00 – como Hellacopters, Nashville Pussy, Backyard Babies, entre tantas outras – os músicos apresentam uma forte influencia de punk em seu trabalho. Muitos artistas da cena grunge também tinha essa influencia e acredito que seja por isso que muitos digam que sua sonoridade tem um pé no grunge.  “Halo In Her Silhouette”, por exemplo, traz aquela bateria direta e guitarra rocker acelerada, remetendo à grupos como MC5 e Stooges.

O refrão de “Free To Do Whatever They Say”, assim como “Into The Dust” trazem uma forte influencia de Foo Fighters. Não me surpreenderia se Dave Ghrol resolvesse cantar “Into The Dust” algum dia ou convidasse os rapazes para uma jam. É nítido que eles bebem na fonte.

Os arranjos não são exatamente complexos, não se trata de uma banda técnica, mas o material é muito bem gravado e muito bem tocado. É nítido que os caras sabem o que estão fazendo. Algo que fica comprovado ao ouvirmos faixas como “I Wanna Take You Home” ou “Push To The Pedal”, algumas de minhas favoritas nesse novo álbum. Outra boa notícia é que a maioria das faixas são muito boas. Os caras realmente sabem compor.

Para quem está atrás de um rock n roll descompromissado, com boas melodias e que tenha um acento mais comercial, o som do The Virginmarys é mais do que indicado. Arrisque!

Nota:  8,0 / 10,0
Status: Ótimo

Faixas:
      01)   Push The Pedal
      02)   For You My Love
      03)   Halo In Her Silhouette
      04)   Free To Do Whatever They Say
      05)   I Wanna Take You Home
      06)   Walk In My Shoes
      07)   Kill The Messenger
      08)   Into Dust
      09)   Moths To a Flame
      10)   Fallin Down
      11)   Motherless Land 
      12)   Living In My Peace 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Lobão – 50 Anos a Mil (2010):


Por Davi Pascale

Em sua autobiografia, musico carioca revela detalhes de sua trajetória. Em uma narrativa rica de informações, cantor comenta sobre sua infância, sua experiência com as drogas e, é claro, sua carreira no rock n´ roll..

Livro extremamente surpreendente. Mesmo! Quando fiquei sabendo que Lobão iria lançar sua autobiografia, fiquei me questionando se a ideia era das melhores. O cara tem história para contar aos montes, mas será que teria coragem de passar a limpo as suas polêmicas? Porque, um artista que nem ele, se lança um livro passando as polemicas por cima, frustra. João Luiz Woerdenbag Filho ficou conhecido por seu talento na música e, principalmente, por não ter papas na língua. Suas entrevistas são como rajadas de metralhadora. Não sabemos em quem vai acertar.  

Está tudo aqui. O casamento com sua prima, sua prisão por porte de drogas, sua fuga para os Estados Unidos, a briga que terminou com o musico quebrando um violão na cabeça de seu pai, os problemas de sua mãe, suas primeiras experiências com a música, seu romance com a mulher de Julio Barroso, a ideia de lançar disco na banca, sua ida para o mercado independente, sua proximidade com Cazuza, os tempos de Vímana, sua saída da Blitz... A primeira parte de sua carreira é extremamente detalhada.

Lobão nos brinda com detalhes sobre a construção de suas músicas, quem gravou o que, quem escreveu o que, o que pretendia com aquele álbum. E soa honesto em suas colocações. O musico afirma que acha estranho o LP Vida Bandida ter vendido apenas 350.000 cópias, com todo o estouro que as faixas estavam tendo nas FM´s, do mesmo jeito que afirma que Cuidado foi um disco precipitado e com uma qualidade abaixo de seus demais trabalhos. Segundo ele, salvam-se umas 3 músicas.


Durante sua narrativa, há histórias curiosas como a vez em que foi expulso de sua própria banda, Os Ronaldos. O musico comenta que foi ao Baixo Leblon para encher a cara quando se deparou com Cazuza, também abalado. E quando comentou o que havia ocorrido, Cazuza havia lhe dito que havia acontecido o mesmo com ele. Ou seja, havia sido expulso do Barão. A história é curiosa porque sempre foi vendida a versão de que o rapaz havia abandonado o grupo por sua própria vontade. Curiosíssimo! Um momento divertidíssimo é quando ele comenta sobre ter destruído uma sala dos estúdios RCA, mas não entrarei em detalhes para não estragar a surpresa.

Essa fase inicial está muito bem detalhada. Não faltam comentários sobre suas aventuras na Gang 90, na banda de Marina Lima, assim como os atritos com Hebert Vianna. Narra aqui como e porque começou a ficar puto com o líder dos Paralamas. A história é interessante. Além disso, arranca gargalhadas quando comenta sobre os shows dos anos 80, especialmente os que subia bêbado no palco. Histórias, no mínimo, surreais.

O único senão, não sei se pelo tamanho do livro (próximo de 600 páginas), é que a segunda etapa de sua carreira é contada de maneira mais corrida. Gostaria de ter lido um pouco mais sobre os álbuns Nostalgia da Modernidade e, especialmente, Noite. Dois bons trabalhos que foram comentados um pouco superficialmente. Em relação ao emblemático A Vida É Doce, contudo, narra em detalhes a busca por gravadora, a ideia de distribuir material nas bancas, a construção das músicas, a briga da numeração de discos e sua tentativa de suicídio.

50 Anos a Mil está muito bem escrito e demonstra que Lobão está de bem com a vida e buscando um caminho, cada vez mais, honesto. O material, certamente, irá divertir seus velhos fãs com histórias de bastidores e resgate de situações que vamos nos esquecendo com o tempo, enquanto ajudará aos novos fãs à entender melhor quem é aquela emblemática e polêmica figura. Vários capítulos, trazem ao final, uma parte chamada Lobão na Mídia, onde resgata trechos de reportagens históricas sobre aquele período. De boa, belíssimo livro. Decadence avec elegance!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Fresno - A Sinfonia De Tudo Que Há (2016):



Por Davi Pascale

Os gaúchos da Fresno lançam novo álbum com participação especial de medalhão da MPB. Banda segue a trilha independente com som mais melancólico...

Tudo que faz sucesso no Brasil incomoda e vira motivo de ataques. Com a galera da Fresno não foi diferente. Se bem que nesse caso, até que dá para entender os ataques, já que foram associados à uma cena emo forjada e, graças à Deus, já afundada. O problema é que os músicos mesmos não se identificavam com aquilo – lembro de uma vez que entrevistei o Rodrigo Tavares e ouvi da boca do mesmo ‘cara, nunca usei calça rosa’ – e apresentavam um trabalho bem mais maduro do que as bandas às quais eram associadas.

Tudo bem que não precisa ser nenhum grande gênio, nem nenhum poeta para superar as canções de artistas fraquérrimos como ForFun e Strike, mas a trupe liderada pelo Lucas Silveira sempre apresentou um trabalho bem resolvido. E desde que resolveram retornar à cena independente – isso já deve estar em torno de uns 5 ou 6 anos – que os músicos vêm realizando trabalhos mais elaborados e menos comerciais. Se você ainda tem na sua cabeça, aquela imagem de banda teenager feita para tocar na MTV, sugiro dar uma escutada nos álbuns lançados de 2011 para cá. De boa, é outra banda. Claro que ninguém é obrigado a gostar de nada, mas a jogada é realmente outra. Vale dar uma conferida para entender do que se trata.

Em A Sinfonia de Tudo Que Há, os garotos trazem de volta a orquestração que haviam apresentado em Infinito (para mim, seu melhor álbum). O único senão é que as musicas diminuíram um pouco as guitarras e focaram um pouco mais nos teclados. Ok, é um diferencial, mas perde um pouco de volume.

As influências de Muse e Queens Of The Stone Age seguem firmes e fortes (não disse que a banda mudou?) e podem ser conferidas de perto em faixas “Astênia” e “A Maldição”. A mais pesada do álbum é, sem dúvidas “Axis Mundi”. Com guitarras distorcidas, o Guerra sentando a mão e orquestrações cinematográficas, deve crescer bem nos shows.

Esse álbum tem sido muito comentado porque os rapazes conseguiram um dueto com o ícone da MPB, Caetano Veloso, na faixa “Hoje Sou Trovão”. Antes que perguntem, Caetano não colaborou na construção da letra. A faixa é uma parceria entre Lucas Silveira e Thiago Guerra. Ou seja, o cantor e o baterista. Caetano apenas emprestou sua voz à canção. O que, de boa, já é um grande feito. Goste ou não de seu trabalho, trata-se de um ícone da musica brasileira e que está longe de ser um arroz de festa. Portanto, aplausos para os rapazes. Agora, de boa, o trabalho vocal dele poderia ter sido melhor explorado. Achei que sua participação poderia ter sido um pouco maior. 

“Deixa Queimar” destaca-se por trazer uma introdução esperta que foge da lógica de começar lentamente e explodir depois, fórmula bastante utilizada no disco. “Abrace Sua Sombra” traz uma atmosfera meio Coldplay em sua introdução. A influencia MPB pode ser percebida nos arranjos de violão dessa canção e também de “O Ar”.

A Sinfonia de Tudo Que Há, ainda que não seja seu melhor trabalho, é um álbum bem resolvido, maduro, com letras bem elaboradas. Se para você, rock n roll não se resume à guitarras sujas e vocais berrados, vale uma checada..

Nota: 7,5 / 10,0
Status:  Bem elaborado

Faixas:
      01)   Sexto Andar
      02)   Deixa Queimar
      03)   Hoje Sou Trovão
      04)   Poeira Estelar
      05)   O Ar
      06)   Abrace Sua Sombra
      07)   Astenia
      08)   A Sinfonia De Tudo Que Há
      09)   Axis Mundi
      10)   A Maldição 
      11)   Canção Desastrada

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Imperial State Electric – Pop War (2012):



Por Davi Pascale

Lançado em 2012, segundo álbum do grupo mantinha pegada setentista. Banda se demonstra uma sequencia logica do The Hellacopters.

Lendo o título e olhando a capa, parece que Nicke Andersson declarou guerra à música pop. Na verdade, não. Os arranjos diretos, as melodias cativantes, a pegada comercial, seguem todas aqui intactas. Conforme já esperado, a referência de anos 70 fala alto. Algo perceptível do início ao fim.

Na real, assim como Dave Ghrol, Nicke é um musico que ataca em diferentes territórios e sempre fez com competência. Já fez heavy metal com o Entombed, soul music com o The Solution, mas foi mesmo o seu trabalho com o The Hellacopters que deu um pouco mais de projeção ao rapaz. E parece seguir a mesma logica nesse grupo.

A influência de Kiss continua falando alto. Na faixa “Sheltered In The Sand”, torna-se descarado. É nítido que se inspirou em “Wouldn´t You Like To Know Me” para compor o arranjo.  A pegada glam rock aparece com tudo na faixa de introdução “Uh-Hu”, com direito até à algumas palmas, remetendo um pouco ao T-Rex ou ao Mott The Hoople. E, de certa forma, em “Walter For Vincent”. A faixa é meio que uma balada, mas carrega um ‘q’ de Alice Cooper por trás.

Algo muito curioso é a duração das faixas. Apenas 2 delas passam dos 4 minutos. A maioria fica entre 2 e 3 minutos. A faixa de abertura não chega à isso, assim como acontece com a pesadinha “Monarchy Madness”. O resultado disso? Um disco bacanérrimo, mas extremamente curto. Por volta de 30 minutos de som.

Os arranjos continuam simples, porém empolgantes. E Nicke continua com seu trabalho vocal característico. O cara não é de ficar abusando, mas cria linhas vocais bem interessantes e tem um timbre de voz extremamente agradável. Se você gostava do trabalho vocal dele no The Hellacopters, não há do que reclamar por aqui. Mesma lógica.

“The Narrow Line” remete ao Slade, enquanto “Enough To Break You Heart” nos lembra muito o Cheap Trick dos tempos de Dream Police. Uma faixa bem bacaninha é a balada “Can´t Seem To Shake It off My Mind”, que traz uma influência forte de Beatles. Parece uma daquelas musicas compostas para grupos como The Rembrandts ou até mesmo a fictícia The Wonders. Essa talvez seja a maior diferença em relação à sua ex-banda, ela também bebe um pouquinho na década de 60, embora os anos 70 sejam realmente sua maior fonte de inspiração. Outro destaque fica por conta da empolgante “Back On Main” com um belo riff de guitarra.

Pop War atesta, mais uma vez, quão bom compositor esse cara é e demonstra uma banda sólida que tem de tudo para se destacar na mídia. Eles não são pesados, mas as faixas são excelentes e extremamente divertidas. Confira!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Honesto
Faixas:
      01)   Uh Huh
      02)   The Narrow Line
      03)   Can´t Seem To Shaken It Off My Mind
      04)   Back On Main
      05)   Waltz For Vincent
      06)   Sheltered In The Sand
      07)   Empty Hands
      08)   Monarchy Madness
      09)   Deride and Conquer 
      10)   Enough To Break Your Heart

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Scream – Let It Scream (1991):



Por Davi Pascale

Formado por músicos respeitados na cena, o Scream durou um único álbum e deixou saudades. Álbum trazia um hard rock pesado, contagiante e altamente inspirado.

Atendo hoje um pedido de nossos leitores para comentar sobre o álbum do Scream. Um trabalho de altíssima qualidade que ficou meio que perdido, já que a banda nunca atingiu a fama de fato. Aliás, esse é o único álbum deles.

A banda pode não ter se tornado um grande nome, mas seus integrantes são famosos entre aqueles que acompanham a cena hard/heavy de perto. John Corabi chegou a assumir os vocais do Motley Crue por um tempo, o guitarrista Bruce Boillet e o baixista John Alderete fizeram parte do cultuado Racer X. Somente Walt Woodward III que é mais desconhecido, mas se levarmos em conta que ele entrou na banda substituindo Scott Travis, que largou os rapazes para se juntar ao Judas Priest, já dá para sacar que talento o cara tem de sobra, certo? Scott Travis é um monstro e os caras não iriam pegar qualquer zé mané para substituir o cara...

O lineup estava mais do que correto, o repertório é matador. A produção é certeira. Afinal, o trabalho foi produzido pelo ‘macaco velho’ Eddie Kramer. Em seu currículo, estão nomes como Alice Cooper, Kiss e Jimi Hendrix. Para quem faz um som mais puxado para o hard, esse cara é meio que o produtor dos sonhos.

1991 foi um bom ano para o hard rock. Foi o ano em que vimos lançamentos do porte de Use Your Illusion (Guns n Roses), Slave To The Grind (Skid Row), Ceremony (The Cult), Psychotic Supper (Tesla), Hungry (XYZ), Dangerous Curves (Lita Ford), Lean Into It (Mr. Big), A Little Ain´t Enough (David Lee Roth), somente para citar alguns. Foi no meio desse cenário que veio o Scream.

Ainda estava na moda aquelas bandas que faziam um som mais comercial, com cabelos volumosos e visuais espalhafatosos. Nos USA, eram tratados como hair metal. No Brasil, eram ridicularizados com o termo rock farofa. Nossos críticos não compreendiam o lado festeiro dos garotos. De todo modo, o Scream fazia um som mais pesado.

Há os momentos mais festivos, mas não chegam a ser tão comerciais quanto o Poison. “Give It Up”, “Every Inch a Woman” e o single “I Believe In Me” são as que melhor resgatam esse clima de festa, sendo que “I Believe In  Me” é minha favorita, me remetendo ao (ótimo) Cinderella.

Quem conhece o Union, ótima banda que John Corabi montou junto com o guitarrista Bruce Kulick (Kiss), após sua saída do Motley, já ouviu “Man In The Moon”, um hard rock cativante com uma pegada meia Lynch Mob. Outra que me remete ao grupo de George Lynch é a porrada “I Don´t Cry”. Sempre que escuto a intro desse som me recordo de “Street Fightin´ Man” (Wicked Sensation) por alguma razão.

As bandas de hard rock desse período costumavam fazer baladas inspiradas em levada country. Aqui, não é diferente e podemos notar a influencia em “Father, Mother, Son”. A pegada mais blues aparece na acústica “Never Loved Her Anyway” que remete um pouco ao Tesla quando se aventuravam nesse universo voz/violão. Quem já ouviu Five Man Acoustic Jam vai me entender.

Outros grandes destaques ficam por conta de “Loves Got a Hold On Me” com sua influência stones, “Catch Me If You Can”, com um trabalho de guitarra àla Van Halen e a balada “You Are All I Need” que traz o talentosíssimo Ray Gillen (Badlands) nos backing vocals.

Trabalho de guitarra é matador, trabalho vocal é matador (aliás, John Corabi, para mim, é um dos melhores vocalistas de rock da atualidade) e repertório, como disse, é fantástico. Para quem curte hard rock, audição obrigatória.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Outlaw
      02)   I Believe In Me
      03)   Man In The Moon
      04)   Father, Mother, Son
      05)   Give It Up
      06)   Never Loved Her Anyway
      07)   Tell Me Why
      08)   Loves Got a Hold On Me
      09)   I Don´t Cry
      10)   Every Inch a Woman
      11)   You Are All I Need
      12)   Catch Me If You Can

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

The Cult – Electric Peace(2016):



Por Davi Pascale

Álbum clássico do Cult é relançado em edição dupla.  Reedição traz as 2 versões do disco e é um ítem indispensável na coleção dos fãs.

Quando o The Cult começou a preparar o sucessor do bem sucedido Love, de imediato pensaram em trabalhar com o mesmo produtor, Steve Brown. Por alguma razão, os músicos não ficaram satisfeitos com o resultado final. Demitiram Steve, contrataram Rick Rubin e regravaram todo o material. Essa versão que chega agora nas lojas trazem as 2 edições. A de Steve e a de Rick.

Aposto que você deve estar se questionando, mas há muita diferença nas versões? Tem musica que não entrou no disco que conhecemos? Ou são as mesmas musicas com uma guitarra mais alta aqui, um fadeout diferente ali...? Sim, há muitas diferenças e é justamente isso que torna o material tão intrigante.

Se fosse uma dessas edições remasterizadas com algumas faixas acústicas, remixes e ao vivo, já seria bem interessante, já que esse LP é um clássico. A fase de ouro deles é justamente a que vai do Love ao Sonic Temple. Eu, particularmente, acho o Ceremony tão bom quanto, mas tem alguns fãs que, sei lá por qual razão, não gostam do disco. Pois bem... O Electric é o sucessor do Love e é o disco que tem um de seus maiores sucessos, “Love Removal Machine”.

O CD 1 é exatamente o LP da época. Que é a versão produzida pelo Rick Rubin. O disco está remasterizado. Achei o áudio bom, mas vi gente comentando que não viu muita diferença da outra edição em CD. Isso não vou saber comentar porque só tinha ele em vinil, que comprei na época.

O segundo disco é a versão não lançada. E, cara, é mortal. Os tempos das músicas são diferentes, a mixagem é outra, os arranjos são outros. Uma coisa que notei é que a maioria das músicas eram mais longas. Varias musicas entre 5 ou 6 minutos. As primeiras, as hoje clássicas, “Love Removal Machine”, “Wild Flower” e “Peace Dog”, notei que tinham uma sonoridade mais próxima à do segundo LP. Com aquelas guitarras meio U2, com uma onda parecida em que fizeram em “Rain” ou “She Sells Sanctuary”. A que mais me chamou atenção, contudo, foi “Electric Ocean”. A musica era mais cadenciada, os riffs eram mais impactantes. Honestamente, achei melhor do que a versão final.

Como se não bastasse, 4 musicas da primeira versão dançaram e elas estão aqui. E, sim, as musicas são boas. “Zap City” se lançada na época poderia ter se tornado um clássico do grupo, embora eu concorde que esteja mais próxima de “She Sells Sanctuary” do que de “Wild Flower”. Outro grande destaque é o rock “Groove Co”. Preferia que tivessem colocado ela do que o cover de “Born To Be Wild” (Steppenwolf).

O único senão é que o encarte não traz nenhuma informação extra, não tem entrevistas dos caras comentando sobre as gravações, o porquê não haviam curtido (o disco já era bom), tem apenas as letras. De todo modo, o CD é indispensável na coleção dos fãs. Mesmo quem já tem a edição anterior, vale a pena pegar essa e vender a antiga, se for o caso.  Sério mesmo...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Indispensável

Faixas:

CD 1:
      01)   Wild Flower
      02)   Peace Dog
      03)   Li´l Devil
      04)   Aphrodisiac Jacket
      05)   Electric Ocean
      06)   Bad Fun
      07)   King Contrary Man
      08)   Love Removal Machine  
      09)   Born To Be Wild
      10)   Outlaw
      11)   Memphis Hip Shake

CD 2:
      01)   Love Removal Machine
      02)   Wild Fower
      03)   Peace Dog
      04)   Aphrodisiac Jacket
      05)   Electric Ocean
      06)   Bad Fun
      07)   Conquistador
      08)   Zap City
      09)   Love Trooper
      10)   Outlaw 
      11)   Groove Co.