sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Beatles – Eight Days a Week Special Edition (2016):



Por Davi Pascale

Novo documentário dos Beatles resgata imagens de arquivo e apresenta entrevistas inéditas. Longa dá uma boa repassada nos primeiros anos de banda.

Os 4 garotos de Liverpool se aposentaram dos palcos em 1966. Embora tivessem tido alguns contratempos – como a polêmica e mal compreendida declaração de John Lennon de que os Beatles eram mais populares do que Jesus – sua popularidade continuava em alta. Entretanto, a banda já apresentava sinais de desgaste e estavam cansados da falta de estrutura das apresentações.

Em uma época onde retorno não existia, o amplificador mais potente era de 100W e a mesa de som mais moderna tinha 8 canais, apresentar-se em arenas e estádios não era algo muito confortante. Muitas vezes, os músicos não conseguiam sequer ouvir o que estavam tocando. Ringo Starr comenta no filme que quando apresentaram-se no Shea Stadium ficava olhando para o pé dos rapazes para ter uma ideia de que parte das musicas eles estavam. Tocar assim, diante de uma multidão, deve ser, no mínimo, desesperador.

É exatamente esse primeiro período que o filme retrata. Das turnês dos músicos. Desde quando se apresentavam no Cavern Club, passando pela chegada aos EUA até sua apresentação final. Quando resolvem se reunir depois de alguns anos para uma apresentação no topo do edifício de Apple.

Está tudo bem documentado. O inicio de tudo, a explosão da Beatlemania, as entrevistas bem humoradas dos rapazes. Para quem acompanha a banda por um bom tempo, meu caso, nenhuma declaração bombástica, nenhuma novidade fora do comum. Entretanto, o documentário está muito bem montado e acaba agradando.

Há algumas revelações interessantes. Como a da atriz Whoopie Goldberg contando sobre sua experiência em um show dos Beates. No caso, o histórico Shea Stadium. E também dos músicos comentando sobre a vez que se negaram a tocar para uma plateia segregada. “Não tocamos para este tipo de pessoa ou aquele tipo de pessoa. Tocamos para as pessoas”, explica Ringo.

Paul McCartney e Ringo Starr concederam entrevistas exclusivas para o filme. Os falecidos John Lennon e George Harrison tiveram imagens resgatadas de arquivos. A maioria dos fãs já as conhecem, mas dentro da película causam impacto. E também seria uma enorme falha não termos depoimentos dos 2 músicos. Há ainda algumas imagens ao vivo. As musicas não estão inteiras, mas contam com um bom trecho e uma qualidade de imagem muito acima da média.

Essa edição em bluray, que em breve deve estar saindo no Brasil (a minha trouxe dos EUA), conta com um segundo DVD apenas de extras, com mais entrevistas e com 5 musicas ao vivo na integra. Para os fãs, material imprescindível. Dos documentários adicionais, o mais bacana é um que se chama Words And Music onde comentam um pouco mais a fundo sobre como funcionava o processo de composição dos Beatles.

Eight Days a Week é um belo documentário que te ajuda a entender melhor a decisão de pararem de excursionar, te dá um bom panorama do que era o cenário pop da época e de como funcionava a banda na época. Como disse, quem é realmente dedicado à banda, já deve conhecer uns 90% das histórias, mas ainda assim é um material obrigatório. Realmente muito bacana a ideia desse resgate histórico. E que venham mais filmes como esse em um futuro próximo.

Nota: 9,0 / 10,0 
Status: Bem produzido 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

L.A. Guns – Boston 1989 (2015):



Por Davi Pascale

Disco traz apresentação da banda no auge. Apesar do erro da capa, material é essencial para quem curte o som da banda.

L.A. Guns é aquela típica banda que, apesar de não contar com inúmeros hits radiofônicos, conseguiu se tornar um nome bem respeitado dentro da cena da qual faz parte. Quem conhece a historia do Guns n Roses, já leu o nome deles, ao menos. Eles e o Hollywood Rose foram bandas embrião. Só que, ao contrário do Hollywood Rose que durou apenas um LP, esses caras permanecem na estrada até os dias atuais.

Sim, houve inúmeras trocas de lineup, discos bons, discos fracos, discos longe da sonoridade clássica. Passaram por tudo que vocês podem imaginar. Na época, o show dos caras era uma loteria. Dependendo do quão louco estavam os músicos, o show poderia ser excepcional ou uma tragédia total. Para nossa sorte, a performance aqui é excelente. Tracii Guns e Phil Lewis estavam pegando fogo.

Esse show foi resgatado dos arquivos e não houve tratamento de som. Portanto, já aviso que o a qualidade de som está longe de ser animal, mas também não é nada vergonhoso. Diria que a qualidade de gravação é ok. O lado bom, nisso tudo, é que não há overdubs. É a performance nua e crua. E o show é contagiante.

O repertório é fantástico. Focado em cima dos três primeiros álbuns. Sem direito à baladas, nem mesmo a conhecida “The Ballad of Jayne” entrou. É porrada atrás de porrada. Com direito à lados B como “Wild Obsession” e “17 Crash”, que são musicas difíceis de ter registro ao vivo, até as preferidas dos fãs como “Sex Action”, “Rip And Tear” e “Kiss My Love Goodbye”. De quebra, ainda mandaram um cover do Montrose. O classicão “Hard Candy”.

Show tipicamente de hard rock. Banda extremamente enérgica. Solos de guitarra inspiradíssimos, vocalista cantando com a voz lá em cima quase todo o tempo, baterista sentando a mão. Performance incrivelmente competente. Algumas vezes, soam melhores ao vivo do que em estúdio.

O único senão é que o cara que lançou o material, não se dignou a ouvir o registro com a atenção devida. Essa performance não é de 1989, é de 1991. Dá para sacar pelo repertório. E também não é um único show. Durante as gravações, ouvimos Phil Lewis agradecendo cidades diferentes. Um nome como Live From The Vaults, seria mais honesto.

De todo modo, para quem é fã da banda, o registro é obrigatório. Os 3 primeiros álbuns são o período de ouro da banda e, como disse, a qualidade da performance é avassaladora. Superior, inclusive, às performances mais recentes. Apesar da falta de capricho da produção, o CD é empolgante. E, ah, sim, quando for comprar sua cópia, pegue a edição em CD. É mais barata e tem 4 faixas à mais do que o vinil. Fica a dica.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Kiss My Love Goodbye
      02)   Wild Obsession
      03)   Dirty Love
      04)   Slap In The Face
      05)   Electric Gypsy
      06)   Rip And Tear
      07)   Never Enough
      08)   Malaria (somente no CD)
      09)   Sex Action
      10)   Bitch Is Back
      11)   17 Crash (somente no CD)
      12)   I Wanna Be Your Man (somente no CD)
      13)   One More Reason
      14)   Rock Candy
      15)   Some Lie For Love (somente no CD)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Detonator – Metal Folclore: The Zoeira Never Ends (2013):



Por Davi Pascale

Personagem mais famoso do Massacration fez álbum solo brincando com o folclore brasileiro. Projeto é bem inteligente e merece ser conferido...

Sim, esse disco saiu já tem um tempinho, eu sei. Mas, somente agora parei para ouvi-lo do início ao fim. E realmente, fiquei bem surpreso. Claro, o disco é um trabalho humorístico. Não é para ser levado à ferro e fogo. Mas, dentro do propósito, ele atende as expectativas.

Sem zoeira, dentro dessa pegada engraçadinha, foi o trabalho mais inteligente que ouvi desde o debut dos Mamonas Assassinas. O álbum foi muito bem pensado. As letras trazem umas sacadas sensacionais. Não tem como não rir em tiradas como as que aparecem em “Curupira”, “Boto” e “Saci” e também está muito bem tocado.

Para que conseguisse uma sonoridade adequada, Bruno Sutter trouxe uma penca de convidados especiais. Músicos como Michel Leme, Edu Ardanuy (Dr. Sin), Thiago Bianchi (Noturnall), Felipe Andreoli (Angra), Rafael Bittencourt (Angra), João Gordo (Ratos de Porão) e Ricardo Confessori (Shaman) emprestam seus dotes. Pelo visto, ao menos entre os músicos, o garoto tem respeito.

O rapaz continua sacaneando o heavy metal indo nos pontos-chave. Fez um trabalho temático, com narração e muita gritaria. Como de se esperar, tudo altamente escrachado. A narração foi feita pelo ator Alexandre Frota. O tema foi o folclore brasileiro, mas não faltam as sacaneadas básicas. Zumbi foi acrescentado por ser o personagem “da moda”, como deixa claro na letra da música, mas a trolada máster foi a inclusão do Saquito. Um mascote criado em 2013 para uma campanha contra o câncer de próstata.

Quem adquire o álbum original, ganha mais algumas tiradas. Uma pelo formato de encarte. Como a galera tem mania de se dirigir à discos, e eu me incluo nessa leva, como álbuns, o livrinho é um álbum de figurinhas. E também tem alguns textos adicionais que te ajudam a entender a sequencia de algumas faixas e a inclusão de algumas referências.

O único senão é a qualidade de gravação que poderia ser um pouquinho melhor. Os discos do Massacration eram mais bem gravados, mas sejamos francos, muita banda séria de metal também entrega discos com gravação meia-bomba. Muitos, inclusive, com uma qualidade bem abaixo da apresentada aqui, sejamos francos.

The Zoeira Never Ends não é muito longo. Em torno de 40 e poucos minutos, então não dá tempo de cansar. Algumas faixas são, na verdade, vinhetas. Algumas passagens instrumentais e algumas interações engraçadinhas entre o filhinho do Deus Metal e Frota. Como disse, o trabalho é bem feito, bem agradável, mas só é recomendado para quem tem bom humor e não leva tudo tão à sério. Se esse for seu caso, vá sem medo.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Inteligente

Faixas:
      01)   Introdução
      02)   Metaleiro
      03)   Uma Grande Tragédia
      04)   Metal Zumbi
      05)   Tadinho Dele
      06)   Curupira
      07)   Boto
      08)   Boitatá
      09)   Mula-Sem-Cabeça
      10)   Cuca
      11)   Saci
      12)   O Pimpolho do Folclore
      13)   Saquito
      14)   Missão Cumprida
      15)   Qual É o Negócio? 
      16)   Mestre do Santuário

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Tarja - Brightest Void (2016):



Esse ano, o Riff Virtual passa a publicar textos de segundas, quartas e sextas. Como estou em uma viagem, resolvi resgatar esse texto. Afinal, esse CD é um complemento do álbum que comentei na última quarta. Como o blog aumentou bastante o numero de acessos nos últimos meses, achei que valia resgatá-lo. Segunda estou de volta com material inédito. Abraços à todos.

Por Davi Pascale

Tarja Turunen lança novo álbum. Na verdade, dois. Hoje, trataremos do primeiro deles. Com sonoridade sombria e voz potente, a belíssima cantora finlandesa dá uma prévia do que está por vir em projeto que deve agradar seus fieis seguidores.

Tarja é, para mim, um dos últimos grandes nomes do rock. Sempre fui muito fã tanto do seu estilo de composição, quanto de sua voz. Hoje não é mais novidade misturar musica clássica com heavy metal, mas são poucos os que sabem mesclar os dois universos tão bem. Sim, continuo gostando do Nightwish. Gosto de Epica, After Forever, Within Temptation e afins. Mas quem realmente tem me chamado a atenção nos últimos tempos é ela. Dona de uma das vozes mais afinadas da atualidade e de uma carreira incrivelmente consistente.

Talvez, o grande diferencial seja seu conhecimento de música clássica. Enquanto a maioria dos artistas da cena são de headbangers que nutriam uma admiração pela musica clássica. No caso dela é exatamente o oposto. Sua escola musical é realmente a música clássica, as cantoras de ópera, etc. Inclusive, leva em paralelo uma carreira com uma obra mais voltada para esse universo. Sempre intercala um álbum mais clássico com um mais rock n roll. E, dessa vez, é a vez do rock falar alto novamente.

“No Bitter End” consta nos dois discos. Trata-se da faixa single. Escolha correta. Embora tenha uma guitarra suja, conta com uma linha vocal pegajosa. Com poucas ouvidas, o  refrão entra na sua cabeça e não sai mais. “Eagle Eye”, outra que aparece nos 2 trabalhos, traz a linguagem que seus fãs estão acostumados. Contando com a participação especial de seu irmão Toni Turunen nos vocais e o baterista do Chili Peppers, Chad Smith, traz aquela mescla de guitarras sujas, arranjo cadenciado, vocal variando entre o limpo e o lírico. Mesma lógica que segue desde os tempos de My Winter Storm.

As mais diferenciadas acredito que sejam “An Empty Dream” e “Witch Hunt”. Faixas marcadas por fortes inclusões de elementos eletrônicos. Foram as duas que considerei dispensáveis. A divertida “Your Heaven And Hell” também traz um 'q' de novidade ao trazer um arranjo mais direto, mais veloz, com direito até a um solo de gaita na musica. Características que têm tudo a ver com o convidado, Michael Monroe (Hanoi Rocks), mas não tão previsível no trabalho de Tarja.

Já é comum esperarmos alguns covers inusitados em seus CD´s. Aqui, temos 2. “Goldfinger”, interpretada originalmente por Shirley Bassey na trilha do 007. A música traz aquele ar cinematográfico que os fãs do Nightwish tanto gostam. Uma das melhores do álbum. E “House of Wax”, de Paul McCartney, onde manteve a pegada moderna e sombria da canção original, mas adicionando um pouco mais de peso. Os fãs de Tarja irão adorar. McCartney, ficaria orgulhoso. Os fãs dos Beatles já não tenho tanta certeza...

Outro grande destaque é a porrada “Shameless” onde entrega um trabalho vocal impressionante, demonstrando que não perdeu seu forte alcance. “What About Us”, gravada originalmente para o álbum Hydra do Within Temptation, encerra o disco com um novo mix, onde a voz de Tarja ganha mais destaque. Trabalho bem bacana. Certamente, um ótimo aperitivo. Já ansioso para ouvir The Shadow Self.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Ótimo

Faixas:
      01)   No Bitter End
      02)   Your Heaven And Your Hell
      03)   Eagle Eye
      04)   An Empty Dream
      05)   Witch Hunt
      06)   Shameless
      07)   House of Wax
      08)   Goldfinger 
      09)   Paradise (What About Us) – New Mix

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Tarja – The Shadow Self (2016):



Por Davi Pascale

Tarja Turunen chega ao seu quarto álbum de rock. Disco resgata sonoridade pesada e deve agradar seus fãs.

É realmente incrível a criatividade dessa moça. Vira e mexe tem alguma coisa nova dela na praça. E o mais bacana de tudo é que nunca lançou um disco meia boca. Nos projetos onde foca mais no universo clássico, fez alguns trabalhos difíceis. Aqueles que não estão acostumados a ouvirem algo que não seja rock, estranham nas primeiras audições. Mesmo assim, não dá para dizer que são meia boca. Além de sempre contarem com uma qualidade de gravação impecável, sempre trabalhou com ótimos músicos e sempre tinha uma ideia por trás do projeto. Era sempre algo pensado, trabalhado.

The Shadow Self não é diferente. Trabalho extremamente bem desenvolvido. Entre os músicos envolvidos estão nomes como Tim Palmer – produtor e musico de estúdio que já trabalhou com nomes como Ozzy Osbourne, Robert Plant e Pearl Jam – Chad Smith (Red Hot Chili Peppers, Glenn Hughes) e Mike Terrana (Rage, Yngwie Malmsteen, Kiko Loureiro). A produção ficou por conta da própria cantora.

O novo álbum traz uma sonoridade mais pesada que o antecessor (Colours In The Dark). É como se fosse um sucessor de What Lies Beneath. Sonoridade mais sombria, guitarras mais sujas. “Demons In You”, que conta com a participação de Alissa White-Gluz (The Agonist, Arch Enemy), começa com um baixo meio Infectious Grooves, mas logo muda de cara. Os versos contam com uma levada meio “Psychosocial” (Slipknot), o refrão, contudo, é Tarja total. Um dos pontos altos do disco.

Outro ponto alto é o single “No Bitter End”. Faixa que tem de tudo para se tornar uma nova “I Walk Alone”. Algo que notei é que as orquestrações estão mais sutis. A tônica do disco são as linhas de guitarra e, claramente, os vocais de Tarja. Aliás, vale destacar o trabalho vocal de “Supremacy”. Simplesmente fantástico!

Assim como “No Bitter End”, a canção “Eagle Eye” volta a aparecer por aqui. Ambas haviam dado as caras no EP The Brightest Void (já comentado nesse blog e que estarei resgatando nessa sexta). Nessa, mais uma participação especial. Dessa vez, de seu irmão Toni Turunen. Faixa bacaninha. Para quem sente falta de orquestrações mais presentes, deve agradar “Undertaker”. A balada “The Living End” e a pesadinha “Too Many” também se destacam no novo CD.

Não vou dizer que é seu melhor álbum, ainda gosto mais de My Winter Storm, mas não há dúvidas de que é um trabalho excelente. Tarja está com a voz em dia, as faixas são boas, a gravação é impecável. Quem é fã da cantora, pode ir sem medo. Aliás, vale se ligar que foi lançada uma edição dupla, aqui no Brasil, onde acompanha um DVD com uma entrevista bem bacana com a sempre simpática cantora. Fica a dica!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Innocence
      02)   Demons In You (With Alissa White-Gluz)
      03)   No Bitter End
      04)   Love to Hate
      05)   Supremacy
      06)   The Living End
      07)   Diva
      08)   Eagle Eye (With Toni Turunen)
      09)   Undertaker 
      10)   Calling From The Wild 
      11)   Too Many

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Lynch Mob – Syzygy (1998):



Por Davi Pascale

Lançado de maneira independente, single resgatava formação original. George Lynch já demonstrava vontade de seguir em nova direção.

Wicked Sensation, álbum de estreia do Lynch Mob, é um trabalho que beira a perfeição. Lançado na época do hair metal, o grupo apostava em um hard rock um pouco mais pesado do que a maioria vinha fazendo. Era mais próximo de um Badlands, de um Tesla do que de um Poison ou Cinderella. Além das guitarras de George Lynch, outro ponto de destaque, para mim, eram os vocais de Oni Logan. Na época, via muita gente criticando o rapaz, mas sempre achei o trabalho vocal dele nesse disco animal. Não tive a oportunidade de vê-los em ação, mas os poucos registros piratas que tenho desse período, acho as performances boas. Nunca entendi direito as criticas em torno dele.

Por sempre ter gostado muito desse álbum e dessa formação, em especial o lançamento desse CD me deixou bem empolgado. Em 1998, depois de alguns anos afastados, George Lynch e Mick Brown (outro integrante do Dokken), resolveram reunir a banda, mas o projeto não durou muito. O retorno com a formação original não passou de alguns encontros. Esse single nasceu de uma demo que haviam criado antes de brigarem novamente. Quando caíram na estrada, o vocalista já era outro, John West. A turnê também não durou muito. 13 shows e adeus.

No ano seguinte, George Lynch tentou uma nova reencarnação, somente com músicos desconhecidos e apostando em uma sonoridade moderna. Na época, estava em ascensão o nu-metal com grupos como Korn e Limp Bizkit liderando a cena. Smoke This (1999) era uma tentativa de se encaixar nessa onda de rap-metal. Os fãs, claro, torceram o nariz.

Syzygy não ia tão longe, muitos dos velhos elementos foram mantidos, mas já demonstrava uma vontade de seguir em outra direção. Oni Logan continuava cantando no seu velho estilo e, mais uma vez, fez um trabalho muito satisfatório. George Lynch, contudo, embora continuasse o monstro que sempre foi, já buscava timbragens mais modernas. Utilizando de afinação mais suja do que o de costume, seu trabalho de guitarra muitas vezes me remete ao grunge. Inspiração que utilizou também nos álbuns de reunião do Dokken, lançados nesse período.

“Into The Light” é onde essa influência aparece mais descarada, fazendo o uso de uns backings meio Alice in Chains em diversos momentos. “All Things Must Pass” e “Waterfall” já são baladas que poderiam estar presentes no Wicked Sensation. “All Things Must Pass” é minha preferida, com direito, inclusive, à pandeirinho no refrão. Brincadeira que faziam bastante no álbum de estreia. “Waterfall”, também excelente, traz algumas passagens mais pesadas e, mais uma vez, notamos George Lynch com influencias do grunge nessas passagens. A impressão que me dá é que se esse álbum tivesse ido para frente, viria com uma mixagem mais moderna, mais ou menos como o Shadowlife.

De toda forma, embora sejam apenas 3 musicas extraídas de uma demo, o disquinho vale a pena. As composições são boas e era muito bacana ouvir os músicos originais juntos novamente, ainda que por um breve período. Quem é fã, vale correr atrás. Quem não conhece nada, comece pelo Wicked Sensation.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Bom

Faixas:
      01)   Into The Light
      02)   All Things Must Pass 
      03)   Waterfall

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Pepeu Gomes – Alto da Silveira (2016):



Por Davi Pascale

Pepeu Gomes solta novo álbum instrumental. Longe do som das rádios, musico mantém suas origens e deve agradar quem curtia o início de sua carreira-solo.

Aqueles que acompanham apenas a cena mais pesada irão se lembrar da história do convite do Megadeth ao músico lá no início dos anos 90. Quem curte diferentes gêneros, certamente já ouviu, ao menos uma vez na vida, canções como “Alma”, “Masculino e Feminino”, “Fazendo Musica, Jogando Bola” e “Um Raio Laser”. Quem se liga no rock produzido no Brasil nos anos 70, irá se recordar dos Novos Baianos. De certa forma, todo mundo sabe quem é o Pepeu. Mas quem irá curtir mesmo esse novo álbum são aqueles que curtem o Pepeu da Geração de Som e da Terra A Mais de Mil.

Pepeu Gomes é, certamente, um dos melhores guitarristas do Brasil. Além de possuir uma grande intimidade com o instrumento, o músico conseguiu algo que poucos músicos brasileiros conseguiram, criou uma sonoridade própria. Não apenas em termos de composição, mas em termos de timbragem, de palhetada. Bastam poucos acordes para sabermos que aquela guitarra que estamos ouvindo é do Pepeu. Muito provavelmente por sua escola musical. Suas influencias vão de Waldir Azevedo à Jimi Hendrix. E essas características todas estão presentes no som do músico desde sempre.

Realizado em parceria com o Sesc, Alto da Silveira é um álbum típico do Pepeu. Canções instrumentais, mas sem exibicionismos, focados em melodias, brinca bastante com a ideia de construir temas. No disco, como já era de se esperar, temos referências das mais diversas possíveis.

“Fim da Festa” traz aquela levada suingada característica do músico, com aquela palhetada que já explorou em musicas mais pops como “Um Raio Laser”. Os tempos de Novos Baianos são lembrados em “Bolado II” e “Na Pele de Pelé”. O rock n roll surge com força em “Rock no Carnaval” e “Aurora Boreal”. A influência do chorinho aparece em “Chorando no Cantinho”, enquanto “Isabella... Eu Tive Uma Ideia” aponta em uma sonoridade latina com fortes influências de Santana. A linguagem do jazz rock aparece em diversos momentos. Como de costume, mistura o acústico com o elétrico. Passeia pela guitarra, pelo cavaquinho, pelo violão e pela guitarra baiana. Traz sua sonoridade característica misturando rock n roll com música brasileira. Brincadeira que faz desde os anos 70.

Alto da Silveira se refere ao local onde o musico foi criado. O garoto presente na capa do disco é o próprio guitarrista na época em que estava dando seus primeiros passos na musica. Na verdade, o Novos Baianos foi o primeiro grupo que ele tocou que deu certo, mas ele já estava batalhando antes disso. As primeiras gravações que conheço dele são dele ainda criança, no contrabaixo, em um conjunto chamado Os Minos. Hoje, os compactinhos dessa época são considerados verdadeiras relíquias.

Você não precisa ser um guitarrista, sequer um musico para conseguir apreciar o repertório do novo CD. Para os fãs, inclusive, é normal já que Pepeu, já se aventurou nesse território algumas vezes. Entretanto, vale frisar que esse disco não levará o guitarrista de volta às rádios. Não existe um campo para musica instrumental no Brasil. Não é um trabalho de hits. É um trabalho artístico, mas muito bem feito e construído de forma inteligente.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Dinamite
      02)   Na Quebrada do Garcia
      03)   Fim da Festa
      04)   Farroupilha Blues
      05)   Aurora Boreal
      06)   Na Pele do Pelé
      07)   Índio do Alto da Silveira
      08)   Isabella... Eu Tive Uma Ideia
      09)   Xulipe no Reggae
      10)   Para Paco “De Lucia”
      11)   Cine Pax
      12)   Caravaggio
      13)   Chorando no Cantinho
      14)   Bolado II
      15)   Coração Mudo 
      16)   Rock No Carnaval