sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Tarja - Brightest Void (2016):



Esse ano, o Riff Virtual passa a publicar textos de segundas, quartas e sextas. Como estou em uma viagem, resolvi resgatar esse texto. Afinal, esse CD é um complemento do álbum que comentei na última quarta. Como o blog aumentou bastante o numero de acessos nos últimos meses, achei que valia resgatá-lo. Segunda estou de volta com material inédito. Abraços à todos.

Por Davi Pascale

Tarja Turunen lança novo álbum. Na verdade, dois. Hoje, trataremos do primeiro deles. Com sonoridade sombria e voz potente, a belíssima cantora finlandesa dá uma prévia do que está por vir em projeto que deve agradar seus fieis seguidores.

Tarja é, para mim, um dos últimos grandes nomes do rock. Sempre fui muito fã tanto do seu estilo de composição, quanto de sua voz. Hoje não é mais novidade misturar musica clássica com heavy metal, mas são poucos os que sabem mesclar os dois universos tão bem. Sim, continuo gostando do Nightwish. Gosto de Epica, After Forever, Within Temptation e afins. Mas quem realmente tem me chamado a atenção nos últimos tempos é ela. Dona de uma das vozes mais afinadas da atualidade e de uma carreira incrivelmente consistente.

Talvez, o grande diferencial seja seu conhecimento de música clássica. Enquanto a maioria dos artistas da cena são de headbangers que nutriam uma admiração pela musica clássica. No caso dela é exatamente o oposto. Sua escola musical é realmente a música clássica, as cantoras de ópera, etc. Inclusive, leva em paralelo uma carreira com uma obra mais voltada para esse universo. Sempre intercala um álbum mais clássico com um mais rock n roll. E, dessa vez, é a vez do rock falar alto novamente.

“No Bitter End” consta nos dois discos. Trata-se da faixa single. Escolha correta. Embora tenha uma guitarra suja, conta com uma linha vocal pegajosa. Com poucas ouvidas, o  refrão entra na sua cabeça e não sai mais. “Eagle Eye”, outra que aparece nos 2 trabalhos, traz a linguagem que seus fãs estão acostumados. Contando com a participação especial de seu irmão Toni Turunen nos vocais e o baterista do Chili Peppers, Chad Smith, traz aquela mescla de guitarras sujas, arranjo cadenciado, vocal variando entre o limpo e o lírico. Mesma lógica que segue desde os tempos de My Winter Storm.

As mais diferenciadas acredito que sejam “An Empty Dream” e “Witch Hunt”. Faixas marcadas por fortes inclusões de elementos eletrônicos. Foram as duas que considerei dispensáveis. A divertida “Your Heaven And Hell” também traz um 'q' de novidade ao trazer um arranjo mais direto, mais veloz, com direito até a um solo de gaita na musica. Características que têm tudo a ver com o convidado, Michael Monroe (Hanoi Rocks), mas não tão previsível no trabalho de Tarja.

Já é comum esperarmos alguns covers inusitados em seus CD´s. Aqui, temos 2. “Goldfinger”, interpretada originalmente por Shirley Bassey na trilha do 007. A música traz aquele ar cinematográfico que os fãs do Nightwish tanto gostam. Uma das melhores do álbum. E “House of Wax”, de Paul McCartney, onde manteve a pegada moderna e sombria da canção original, mas adicionando um pouco mais de peso. Os fãs de Tarja irão adorar. McCartney, ficaria orgulhoso. Os fãs dos Beatles já não tenho tanta certeza...

Outro grande destaque é a porrada “Shameless” onde entrega um trabalho vocal impressionante, demonstrando que não perdeu seu forte alcance. “What About Us”, gravada originalmente para o álbum Hydra do Within Temptation, encerra o disco com um novo mix, onde a voz de Tarja ganha mais destaque. Trabalho bem bacana. Certamente, um ótimo aperitivo. Já ansioso para ouvir The Shadow Self.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Ótimo

Faixas:
      01)   No Bitter End
      02)   Your Heaven And Your Hell
      03)   Eagle Eye
      04)   An Empty Dream
      05)   Witch Hunt
      06)   Shameless
      07)   House of Wax
      08)   Goldfinger 
      09)   Paradise (What About Us) – New Mix

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Tarja – The Shadow Self (2016):



Por Davi Pascale

Tarja Turunen chega ao seu quarto álbum de rock. Disco resgata sonoridade pesada e deve agradar seus fãs.

É realmente incrível a criatividade dessa moça. Vira e mexe tem alguma coisa nova dela na praça. E o mais bacana de tudo é que nunca lançou um disco meia boca. Nos projetos onde foca mais no universo clássico, fez alguns trabalhos difíceis. Aqueles que não estão acostumados a ouvirem algo que não seja rock, estranham nas primeiras audições. Mesmo assim, não dá para dizer que são meia boca. Além de sempre contarem com uma qualidade de gravação impecável, sempre trabalhou com ótimos músicos e sempre tinha uma ideia por trás do projeto. Era sempre algo pensado, trabalhado.

The Shadow Self não é diferente. Trabalho extremamente bem desenvolvido. Entre os músicos envolvidos estão nomes como Tim Palmer – produtor e musico de estúdio que já trabalhou com nomes como Ozzy Osbourne, Robert Plant e Pearl Jam – Chad Smith (Red Hot Chili Peppers, Glenn Hughes) e Mike Terrana (Rage, Yngwie Malmsteen, Kiko Loureiro). A produção ficou por conta da própria cantora.

O novo álbum traz uma sonoridade mais pesada que o antecessor (Colours In The Dark). É como se fosse um sucessor de What Lies Beneath. Sonoridade mais sombria, guitarras mais sujas. “Demons In You”, que conta com a participação de Alissa White-Gluz (The Agonist, Arch Enemy), começa com um baixo meio Infectious Grooves, mas logo muda de cara. Os versos contam com uma levada meio “Psychosocial” (Slipknot), o refrão, contudo, é Tarja total. Um dos pontos altos do disco.

Outro ponto alto é o single “No Bitter End”. Faixa que tem de tudo para se tornar uma nova “I Walk Alone”. Algo que notei é que as orquestrações estão mais sutis. A tônica do disco são as linhas de guitarra e, claramente, os vocais de Tarja. Aliás, vale destacar o trabalho vocal de “Supremacy”. Simplesmente fantástico!

Assim como “No Bitter End”, a canção “Eagle Eye” volta a aparecer por aqui. Ambas haviam dado as caras no EP The Brightest Void (já comentado nesse blog e que estarei resgatando nessa sexta). Nessa, mais uma participação especial. Dessa vez, de seu irmão Toni Turunen. Faixa bacaninha. Para quem sente falta de orquestrações mais presentes, deve agradar “Undertaker”. A balada “The Living End” e a pesadinha “Too Many” também se destacam no novo CD.

Não vou dizer que é seu melhor álbum, ainda gosto mais de My Winter Storm, mas não há dúvidas de que é um trabalho excelente. Tarja está com a voz em dia, as faixas são boas, a gravação é impecável. Quem é fã da cantora, pode ir sem medo. Aliás, vale se ligar que foi lançada uma edição dupla, aqui no Brasil, onde acompanha um DVD com uma entrevista bem bacana com a sempre simpática cantora. Fica a dica!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Innocence
      02)   Demons In You (With Alissa White-Gluz)
      03)   No Bitter End
      04)   Love to Hate
      05)   Supremacy
      06)   The Living End
      07)   Diva
      08)   Eagle Eye (With Toni Turunen)
      09)   Undertaker 
      10)   Calling From The Wild 
      11)   Too Many

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Lynch Mob – Syzygy (1998):



Por Davi Pascale

Lançado de maneira independente, single resgatava formação original. George Lynch já demonstrava vontade de seguir em nova direção.

Wicked Sensation, álbum de estreia do Lynch Mob, é um trabalho que beira a perfeição. Lançado na época do hair metal, o grupo apostava em um hard rock um pouco mais pesado do que a maioria vinha fazendo. Era mais próximo de um Badlands, de um Tesla do que de um Poison ou Cinderella. Além das guitarras de George Lynch, outro ponto de destaque, para mim, eram os vocais de Oni Logan. Na época, via muita gente criticando o rapaz, mas sempre achei o trabalho vocal dele nesse disco animal. Não tive a oportunidade de vê-los em ação, mas os poucos registros piratas que tenho desse período, acho as performances boas. Nunca entendi direito as criticas em torno dele.

Por sempre ter gostado muito desse álbum e dessa formação, em especial o lançamento desse CD me deixou bem empolgado. Em 1998, depois de alguns anos afastados, George Lynch e Mick Brown (outro integrante do Dokken), resolveram reunir a banda, mas o projeto não durou muito. O retorno com a formação original não passou de alguns encontros. Esse single nasceu de uma demo que haviam criado antes de brigarem novamente. Quando caíram na estrada, o vocalista já era outro, John West. A turnê também não durou muito. 13 shows e adeus.

No ano seguinte, George Lynch tentou uma nova reencarnação, somente com músicos desconhecidos e apostando em uma sonoridade moderna. Na época, estava em ascensão o nu-metal com grupos como Korn e Limp Bizkit liderando a cena. Smoke This (1999) era uma tentativa de se encaixar nessa onda de rap-metal. Os fãs, claro, torceram o nariz.

Syzygy não ia tão longe, muitos dos velhos elementos foram mantidos, mas já demonstrava uma vontade de seguir em outra direção. Oni Logan continuava cantando no seu velho estilo e, mais uma vez, fez um trabalho muito satisfatório. George Lynch, contudo, embora continuasse o monstro que sempre foi, já buscava timbragens mais modernas. Utilizando de afinação mais suja do que o de costume, seu trabalho de guitarra muitas vezes me remete ao grunge. Inspiração que utilizou também nos álbuns de reunião do Dokken, lançados nesse período.

“Into The Light” é onde essa influência aparece mais descarada, fazendo o uso de uns backings meio Alice in Chains em diversos momentos. “All Things Must Pass” e “Waterfall” já são baladas que poderiam estar presentes no Wicked Sensation. “All Things Must Pass” é minha preferida, com direito, inclusive, à pandeirinho no refrão. Brincadeira que faziam bastante no álbum de estreia. “Waterfall”, também excelente, traz algumas passagens mais pesadas e, mais uma vez, notamos George Lynch com influencias do grunge nessas passagens. A impressão que me dá é que se esse álbum tivesse ido para frente, viria com uma mixagem mais moderna, mais ou menos como o Shadowlife.

De toda forma, embora sejam apenas 3 musicas extraídas de uma demo, o disquinho vale a pena. As composições são boas e era muito bacana ouvir os músicos originais juntos novamente, ainda que por um breve período. Quem é fã, vale correr atrás. Quem não conhece nada, comece pelo Wicked Sensation.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Bom

Faixas:
      01)   Into The Light
      02)   All Things Must Pass 
      03)   Waterfall

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Pepeu Gomes – Alto da Silveira (2016):



Por Davi Pascale

Pepeu Gomes solta novo álbum instrumental. Longe do som das rádios, musico mantém suas origens e deve agradar quem curtia o início de sua carreira-solo.

Aqueles que acompanham apenas a cena mais pesada irão se lembrar da história do convite do Megadeth ao músico lá no início dos anos 90. Quem curte diferentes gêneros, certamente já ouviu, ao menos uma vez na vida, canções como “Alma”, “Masculino e Feminino”, “Fazendo Musica, Jogando Bola” e “Um Raio Laser”. Quem se liga no rock produzido no Brasil nos anos 70, irá se recordar dos Novos Baianos. De certa forma, todo mundo sabe quem é o Pepeu. Mas quem irá curtir mesmo esse novo álbum são aqueles que curtem o Pepeu da Geração de Som e da Terra A Mais de Mil.

Pepeu Gomes é, certamente, um dos melhores guitarristas do Brasil. Além de possuir uma grande intimidade com o instrumento, o músico conseguiu algo que poucos músicos brasileiros conseguiram, criou uma sonoridade própria. Não apenas em termos de composição, mas em termos de timbragem, de palhetada. Bastam poucos acordes para sabermos que aquela guitarra que estamos ouvindo é do Pepeu. Muito provavelmente por sua escola musical. Suas influencias vão de Waldir Azevedo à Jimi Hendrix. E essas características todas estão presentes no som do músico desde sempre.

Realizado em parceria com o Sesc, Alto da Silveira é um álbum típico do Pepeu. Canções instrumentais, mas sem exibicionismos, focados em melodias, brinca bastante com a ideia de construir temas. No disco, como já era de se esperar, temos referências das mais diversas possíveis.

“Fim da Festa” traz aquela levada suingada característica do músico, com aquela palhetada que já explorou em musicas mais pops como “Um Raio Laser”. Os tempos de Novos Baianos são lembrados em “Bolado II” e “Na Pele de Pelé”. O rock n roll surge com força em “Rock no Carnaval” e “Aurora Boreal”. A influência do chorinho aparece em “Chorando no Cantinho”, enquanto “Isabella... Eu Tive Uma Ideia” aponta em uma sonoridade latina com fortes influências de Santana. A linguagem do jazz rock aparece em diversos momentos. Como de costume, mistura o acústico com o elétrico. Passeia pela guitarra, pelo cavaquinho, pelo violão e pela guitarra baiana. Traz sua sonoridade característica misturando rock n roll com música brasileira. Brincadeira que faz desde os anos 70.

Alto da Silveira se refere ao local onde o musico foi criado. O garoto presente na capa do disco é o próprio guitarrista na época em que estava dando seus primeiros passos na musica. Na verdade, o Novos Baianos foi o primeiro grupo que ele tocou que deu certo, mas ele já estava batalhando antes disso. As primeiras gravações que conheço dele são dele ainda criança, no contrabaixo, em um conjunto chamado Os Minos. Hoje, os compactinhos dessa época são considerados verdadeiras relíquias.

Você não precisa ser um guitarrista, sequer um musico para conseguir apreciar o repertório do novo CD. Para os fãs, inclusive, é normal já que Pepeu, já se aventurou nesse território algumas vezes. Entretanto, vale frisar que esse disco não levará o guitarrista de volta às rádios. Não existe um campo para musica instrumental no Brasil. Não é um trabalho de hits. É um trabalho artístico, mas muito bem feito e construído de forma inteligente.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Dinamite
      02)   Na Quebrada do Garcia
      03)   Fim da Festa
      04)   Farroupilha Blues
      05)   Aurora Boreal
      06)   Na Pele do Pelé
      07)   Índio do Alto da Silveira
      08)   Isabella... Eu Tive Uma Ideia
      09)   Xulipe no Reggae
      10)   Para Paco “De Lucia”
      11)   Cine Pax
      12)   Caravaggio
      13)   Chorando no Cantinho
      14)   Bolado II
      15)   Coração Mudo 
      16)   Rock No Carnaval

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eric Clapton – Live in San Diego With Special Guest J. J. Cale (2016):



Por Davi Pascale

Eric Clapton lança mais um álbum ao vivo. Show traz repertório especial e participações marcantes. CD não apenas excelente, mas indispensável.

Em 2006, o bluesman Eric Clapton gravou um álbum ao lado de J.J. Cale. Musico que sempre admirou. O álbum, obviamente, foi celebrado entre críticos e fãs. Havia uma enorme expectativa para que rolasse uma série de shows envolvendo os dois músicos. Algo que, infelizmente, não rolou. De todo modo, Cale topou fazer uma pequena participação no show de San Diego. Justamente esse show, chega agora ao mercado em CD e vídeo.

J.J. Cale participa de apenas 5 musicas. Os músicos reviveram 3 faixas do álbum que gravaram juntos, The Road to Escondido: “Don´t Cry Sister”, “Who Am I Telling You” e “Anyway The Wind Blows”. Os momentos mais celebrados, contudo, foram quando resolveram reviver “After Midnight” e “Cocaine”. Duas canções de Cale que ficaram conhecidas na voz de Clapton.

Embora o nome do músico esteja estampado na capa como um diferencial do disco ao vivo – e certamente é – não dá para dizer que as surpresas param por aí. Todos que acompanham a carreira de Clapton estão carecas de saber que esse cara só trabalha com músico de ponta, mas é realmente de tirar o chapéu o time que reuniu por aqui contando com as guitarras slide de Derek Trucks, além da bateria sempre precisa de Steve Jordan.

O repertório também é muito bacana. A apresentação começa com uma pegada roqueira com as empolgantes “Tell The Truth” e “Key To The Highway”. Estava dada a dica. O musico aproveitaria a presença de Derek Trucks, musico do Allman Brothers altamente influenciado pelo Duane Allman, para reviver os dias de Derek & The Dominos. Seguiram na sequencia “Got To Get Better In a Little While”, “Little Wing”, “Anyday”, uma atrás da outra. Claro, o grande hit do disco, “Layla”, foi deixada mais para o fim do show.


Essa apresentação não é focada em hits. Você não irá encontrar por aqui músicas como “Bad Love”, “Tears In Heaven”, “Change The World”, mas o repertório é mais do que especial para quem acompanha de perto a trajetória do músico.  Várias das canções escolhidas são consideradas clássicos entre os fãs. Achei o repertório realmente genial.

E para quem acha que as surpresas acabaram por aí, engana-se. Clapton resolveu encerrar a noite com o hino “Crossroads”. Clássico de Robert Johnson que gravou nos tempos do Cream. Embora essa seja uma musica que aparece com regularidade no seu set, aqui ela se torna mais do que especial por contar com a participação mais do que especial do guitarrista Robert Cray.

Em resumo, álbum recomendado à todo mundo que curte boa música. Apresentação profissionalíssima, com músicos de ponta, repertório fantástico e convidados mais do que especiais. Simplesmente necessário em sua coleção. Compre!

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Profissionalíssimo

Faixas:
CD 01:
      01)   Tell The Truth
      02)   Key To The Highway
      03)   Got To Get Better In a Little While
      04)   Little Wing
      05)   Anyday
      06)   Anyway The Wind Blows
      07)   After Midnight
      08)   Who Am I Telling You
      09)   Don´t Cry Sister

CD 02:
      01)   Cocaine
      02)   Motherless Children
      03)   Little Queen Of Spades
      04)   Further Up On The Road
      05)   Wonderful Tonight
      06)   Layla
      07)   Crossroads

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Golpe de Estado – Sesc Santo Andre (21/01/2017):



Por Davi Pascale

O ano já começou com tudo aqui no ABC. A lendária banda Golpe de Estado retornou à Santo André no ultimo fim-de-semana para duas apresentações repletas de convidados. Estive na segunda noite e saí da casa mais do que satisfeito.

Confesso que fui à apresentação com um pé atrás. O fato de não ter mais o Helcio e o Zinner, me deixava com um pouco de receio. Acompanho o Golpe desde garotinho. Sério mesmo.  Cheguei a participar da tarde de autógrafos dos músicos na loja Aqualung, na Galeria do Rock, quando estavam lançando o quinto álbum Zumbi. Vendo os músicos de bem com a vida, dando altas risadas, conversando com todo mundo, nem imaginava que pouco tempo depois Catalau se enveredaria para uma carreira gospel e a banda começaria a ficar cada vez mais underground.

Quem assumiu os vocais de Catalau, na época, foi um cara chamado Rogerio Fernandes. O musico tinha um estilo totalmente diferente do antigo vocalista. Cantava mais rasgado, mais alto, com uma pegada mais Dio. Depois do Catalau é o cantor que mais gosto entre todos que se aventuraram no posto. Fiquei muito feliz de vê-lo de volta ao grupo. E, o melhor de tudo, com a voz em dia.

Infelizmente, o musico Helcio Aguirra não está mais entre nós. Para seu posto veio Marcello Schevano. Parceiro de Rogerio no respeitado – e ultra-competente – Carro Bomba. Segurou bem a bronca. O lendário Paulo Zinner também não está mais no conjunto. Segue com os caras Roby Pontes, responsável pelas baquetas em Direto do Fronte. Manda bem, senta a mão, mas confesso que o estilo do Zinner ainda me agrada mais, com aquela pegada meia Ian Paice, abusando dos contratempos. De toda forma, o garoto cumpriu bem o seu papel. No baixo, continua firme e forte, o baixista Nelson Brito.

Com a ideia de celebrar os 30 anos, o setlist focou em sua fase auge. Ou seja, os 5 primeiros trabalhos. A noite iniciou com o classicão “Nem Polícia, Nem Bandido” e emendou de cara “Quantas Vão”. Foi o suficiente para colocar fogo na galera.

Com casa cheia, os músicos estavam bem a vontade no palco. O publico do ABC é bem fiel ao Golpe. Sempre tiveram um bom publico por aqui. Mais do que fiel, diria fanático. A galera sabe as letras de música por música. Desde hits como “Noite de Balada” e “Caso Sério” até os lados B como “Underground” e “Cobra Criada”. As músicas foram escolhidas à dedo. “Não é Hora”, “Todo Mundo Tem Um Lado Bicho”, “Velha Mistura”, “Real Valor”... A maior parte dos clássicos foram apresentados.

Como se não bastasse, os rapazes trouxeram uma série de convidados. Mateus Schanoski, conhecido por seu trabalho ao lado do (ótimo) Tomada, ficou responsável pelos teclados durante toda a apresentação.  Cada convidado participava de, ao menos, 2 músicas. Mariana Duarte se destacou em uma performática interpretação de “Zumbi”, Marcello Pompeu (Korzus) animou a galera com sua espontaneidade e irreverência. Gostei de sua performance em “Cobra Criada”. Martin Mendonça (Cascadura, Pitty) tocou com garra e impôs respeito, mas o grande destaque foi mesmo a participação do lendário Luis Carlini (Tutti-Frutti). O que esse cara toca não é brincadeira.

O show chegou ao fim com “Paixão”, tocada graças à um enorme pedido de bis. Os músicos que haviam dado a noite por encerrado, resolveram atender o pedido da moçada e mandaram mais um som. Depois de pouco mais de 90 minutos chegava ao fim, uma apresentação pesada, enérgica e, acima de tudo, divertida. Quem foi, curtiu e bastante. Agora é esperar pelo CD ao vivo...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sepultura – Machine Messiah (2016):



Por Davi Pascale

Ícones do thrash metal brasileiro se reinventam em novo disco. Machine Messiah traz o Sepultura para o presente e deve dividir seus fãs.

Desde que Max Cavalera saiu do grupo após o emblemático Roots que os fãs se dividiram. Muitos diziam que a banda sem Max não era a mesma coisa. A novela se intensificou depois que Iggor pediu as contas. Durante muitos anos, a banda foi vista como a banda dos irmãos Cavalera. Atualmente, ela é vista como a banda de Andreas Kisser. Embora não seja um integrante original, já tem um tempo que o músico puxou a bronca para si. Se você é um desses que acha que a banda perdeu a magia com a saída dos irmãos, afaste-se do novo álbum.

Particularmente, gostei muito de Machine Messiah, mas eles vão meio que na contramão daquilo que faziam quando a formação clássica se esfacelou. Nos últimos trabalhos ao lado do Max – Chaos A.D. e Roots – a banda explorava mais uma proximidade com a cultura brasileira. Esse toque brasileiro aparece em pouquíssimos momentos por aqui e quando aparece é bem de leve. Um exemplo seria a introdução do single “Phantom Self”. Na real, eles estão soando mais internacionais do que nunca. Talvez seja influência do renomado produtor Jens Bogren (Kreator, James LaBrie), mas achei que eles estão mais para In Flames do que qualquer outra coisa.

Já tem um tempo que os músicos têm procurado se aventurar em novos territórios. E esse disco representa exatamente isso. Não apenas a mixagem está mais moderna, como os arranjos estão mais ousados. Embora sejam um forte representante do thrash, os músicos não ficam naquela camisa de força tentando soar old school todo o tempo e em vários momentos buscam referências em outras vertentes. Talvez, essa seja uma influência vinda do Metallica, banda que o Andreas adora.

A faixa de abertura, “Machine Messiah”, já deixa isso claro. Uma faixa densa, arrastada com Derrick Green cantando fora de seu território comum. Ou seja, com a voz limpa. As linhas vocais dessa música, por algum motivo, me remeteram ao Ghost. Derrick, aliás, é um dos grandes destaques do disco. Fez linhas vocais diferentes, mais melódicas. Outro trabalho de destaque do rapaz é na pesada “Cyber God”, onde está mais próximo de Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour) do que de Chris Barnes (Cannibal Corpse).

Outro grande destaque no disco é o trabalho de bateria de Eloy Casagrande. O garoto está um verdadeiro monstro. Toda sua criatividade e técnica podem ser conferidas na instrumental “Iceberg Dances”, que traz passagens influenciadas pelo progmetal. Sem brincadeiras.

Andreas Kisser continua sendo o homem de frente. À essa altura do campeonato, ninguém questiona mais suas habilidades nas seis cordas. Como era de se esperar, o músico fez um ótimo trabalho com ótimos riffs e excelentes solos. Paulo Jr. segura o baixo com eficiência. Para quem sente saudade de quando faziam um som mais direto, pode se deliciar com petardos do porte de “I Am The Enemy” ou “Silent Violence”, mas como disse, esse trabalho não é old school. Está mais recomendado para os fãs de Kairos do que para os fãs de Arise.

Em outras palavras, Machine Messiah traz um Sepultura pesado, criativo e com os pés no presente. Lançado na última sexta-feira 13, o trabalho tem dividido seus fãs. Tem gente que acha que ficaram com uma sonoridade internacional demais (o que é verdade, mas não vejo muito problema nisso) e tem gente afirmando que é o melhor trabalho da fase Derrick, o que também acho exagero. Meu disco favorito da fase Derrick ainda é o Roorback. De todo modo, bela banda e belo álbum. Recomendo!

Nota: 8,5 / 10,0
Status: Ousado

Faixas:
     01)   Machine Messiah
     02)   I Am The Enemy
     03)   Phantom Self
     04)   Alethea
     05)   Iceberg Dances
     06)   Sworn Oath
     07)   Resistant Parasites
     08)   Silent Violence
     09)   Vandals Nest 
     10)   Cyber God