sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Pepeu Gomes – Alto da Silveira (2016):



Por Davi Pascale

Pepeu Gomes solta novo álbum instrumental. Longe do som das rádios, musico mantém suas origens e deve agradar quem curtia o início de sua carreira-solo.

Aqueles que acompanham apenas a cena mais pesada irão se lembrar da história do convite do Megadeth ao músico lá no início dos anos 90. Quem curte diferentes gêneros, certamente já ouviu, ao menos uma vez na vida, canções como “Alma”, “Masculino e Feminino”, “Fazendo Musica, Jogando Bola” e “Um Raio Laser”. Quem se liga no rock produzido no Brasil nos anos 70, irá se recordar dos Novos Baianos. De certa forma, todo mundo sabe quem é o Pepeu. Mas quem irá curtir mesmo esse novo álbum são aqueles que curtem o Pepeu da Geração de Som e da Terra A Mais de Mil.

Pepeu Gomes é, certamente, um dos melhores guitarristas do Brasil. Além de possuir uma grande intimidade com o instrumento, o músico conseguiu algo que poucos músicos brasileiros conseguiram, criou uma sonoridade própria. Não apenas em termos de composição, mas em termos de timbragem, de palhetada. Bastam poucos acordes para sabermos que aquela guitarra que estamos ouvindo é do Pepeu. Muito provavelmente por sua escola musical. Suas influencias vão de Waldir Azevedo à Jimi Hendrix. E essas características todas estão presentes no som do músico desde sempre.

Realizado em parceria com o Sesc, Alto da Silveira é um álbum típico do Pepeu. Canções instrumentais, mas sem exibicionismos, focados em melodias, brinca bastante com a ideia de construir temas. No disco, como já era de se esperar, temos referências das mais diversas possíveis.

“Fim da Festa” traz aquela levada suingada característica do músico, com aquela palhetada que já explorou em musicas mais pops como “Um Raio Laser”. Os tempos de Novos Baianos são lembrados em “Bolado II” e “Na Pele de Pelé”. O rock n roll surge com força em “Rock no Carnaval” e “Aurora Boreal”. A influência do chorinho aparece em “Chorando no Cantinho”, enquanto “Isabella... Eu Tive Uma Ideia” aponta em uma sonoridade latina com fortes influências de Santana. A linguagem do jazz rock aparece em diversos momentos. Como de costume, mistura o acústico com o elétrico. Passeia pela guitarra, pelo cavaquinho, pelo violão e pela guitarra baiana. Traz sua sonoridade característica misturando rock n roll com música brasileira. Brincadeira que faz desde os anos 70.

Alto da Silveira se refere ao local onde o musico foi criado. O garoto presente na capa do disco é o próprio guitarrista na época em que estava dando seus primeiros passos na musica. Na verdade, o Novos Baianos foi o primeiro grupo que ele tocou que deu certo, mas ele já estava batalhando antes disso. As primeiras gravações que conheço dele são dele ainda criança, no contrabaixo, em um conjunto chamado Os Minos. Hoje, os compactinhos dessa época são considerados verdadeiras relíquias.

Você não precisa ser um guitarrista, sequer um musico para conseguir apreciar o repertório do novo CD. Para os fãs, inclusive, é normal já que Pepeu, já se aventurou nesse território algumas vezes. Entretanto, vale frisar que esse disco não levará o guitarrista de volta às rádios. Não existe um campo para musica instrumental no Brasil. Não é um trabalho de hits. É um trabalho artístico, mas muito bem feito e construído de forma inteligente.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Dinamite
      02)   Na Quebrada do Garcia
      03)   Fim da Festa
      04)   Farroupilha Blues
      05)   Aurora Boreal
      06)   Na Pele do Pelé
      07)   Índio do Alto da Silveira
      08)   Isabella... Eu Tive Uma Ideia
      09)   Xulipe no Reggae
      10)   Para Paco “De Lucia”
      11)   Cine Pax
      12)   Caravaggio
      13)   Chorando no Cantinho
      14)   Bolado II
      15)   Coração Mudo 
      16)   Rock No Carnaval

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eric Clapton – Live in San Diego With Special Guest J. J. Cale (2016):



Por Davi Pascale

Eric Clapton lança mais um álbum ao vivo. Show traz repertório especial e participações marcantes. CD não apenas excelente, mas indispensável.

Em 2006, o bluesman Eric Clapton gravou um álbum ao lado de J.J. Cale. Musico que sempre admirou. O álbum, obviamente, foi celebrado entre críticos e fãs. Havia uma enorme expectativa para que rolasse uma série de shows envolvendo os dois músicos. Algo que, infelizmente, não rolou. De todo modo, Cale topou fazer uma pequena participação no show de San Diego. Justamente esse show, chega agora ao mercado em CD e vídeo.

J.J. Cale participa de apenas 5 musicas. Os músicos reviveram 3 faixas do álbum que gravaram juntos, The Road to Escondido: “Don´t Cry Sister”, “Who Am I Telling You” e “Anyway The Wind Blows”. Os momentos mais celebrados, contudo, foram quando resolveram reviver “After Midnight” e “Cocaine”. Duas canções de Cale que ficaram conhecidas na voz de Clapton.

Embora o nome do músico esteja estampado na capa como um diferencial do disco ao vivo – e certamente é – não dá para dizer que as surpresas param por aí. Todos que acompanham a carreira de Clapton estão carecas de saber que esse cara só trabalha com músico de ponta, mas é realmente de tirar o chapéu o time que reuniu por aqui contando com as guitarras slide de Derek Trucks, além da bateria sempre precisa de Steve Jordan.

O repertório também é muito bacana. A apresentação começa com uma pegada roqueira com as empolgantes “Tell The Truth” e “Key To The Highway”. Estava dada a dica. O musico aproveitaria a presença de Derek Trucks, musico do Allman Brothers altamente influenciado pelo Duane Allman, para reviver os dias de Derek & The Dominos. Seguiram na sequencia “Got To Get Better In a Little While”, “Little Wing”, “Anyday”, uma atrás da outra. Claro, o grande hit do disco, “Layla”, foi deixada mais para o fim do show.


Essa apresentação não é focada em hits. Você não irá encontrar por aqui músicas como “Bad Love”, “Tears In Heaven”, “Change The World”, mas o repertório é mais do que especial para quem acompanha de perto a trajetória do músico.  Várias das canções escolhidas são consideradas clássicos entre os fãs. Achei o repertório realmente genial.

E para quem acha que as surpresas acabaram por aí, engana-se. Clapton resolveu encerrar a noite com o hino “Crossroads”. Clássico de Robert Johnson que gravou nos tempos do Cream. Embora essa seja uma musica que aparece com regularidade no seu set, aqui ela se torna mais do que especial por contar com a participação mais do que especial do guitarrista Robert Cray.

Em resumo, álbum recomendado à todo mundo que curte boa música. Apresentação profissionalíssima, com músicos de ponta, repertório fantástico e convidados mais do que especiais. Simplesmente necessário em sua coleção. Compre!

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Profissionalíssimo

Faixas:
CD 01:
      01)   Tell The Truth
      02)   Key To The Highway
      03)   Got To Get Better In a Little While
      04)   Little Wing
      05)   Anyday
      06)   Anyway The Wind Blows
      07)   After Midnight
      08)   Who Am I Telling You
      09)   Don´t Cry Sister

CD 02:
      01)   Cocaine
      02)   Motherless Children
      03)   Little Queen Of Spades
      04)   Further Up On The Road
      05)   Wonderful Tonight
      06)   Layla
      07)   Crossroads

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Golpe de Estado – Sesc Santo Andre (21/01/2017):



Por Davi Pascale

O ano já começou com tudo aqui no ABC. A lendária banda Golpe de Estado retornou à Santo André no ultimo fim-de-semana para duas apresentações repletas de convidados. Estive na segunda noite e saí da casa mais do que satisfeito.

Confesso que fui à apresentação com um pé atrás. O fato de não ter mais o Helcio e o Zinner, me deixava com um pouco de receio. Acompanho o Golpe desde garotinho. Sério mesmo.  Cheguei a participar da tarde de autógrafos dos músicos na loja Aqualung, na Galeria do Rock, quando estavam lançando o quinto álbum Zumbi. Vendo os músicos de bem com a vida, dando altas risadas, conversando com todo mundo, nem imaginava que pouco tempo depois Catalau se enveredaria para uma carreira gospel e a banda começaria a ficar cada vez mais underground.

Quem assumiu os vocais de Catalau, na época, foi um cara chamado Rogerio Fernandes. O musico tinha um estilo totalmente diferente do antigo vocalista. Cantava mais rasgado, mais alto, com uma pegada mais Dio. Depois do Catalau é o cantor que mais gosto entre todos que se aventuraram no posto. Fiquei muito feliz de vê-lo de volta ao grupo. E, o melhor de tudo, com a voz em dia.

Infelizmente, o musico Helcio Aguirra não está mais entre nós. Para seu posto veio Marcello Schevano. Parceiro de Rogerio no respeitado – e ultra-competente – Carro Bomba. Segurou bem a bronca. O lendário Paulo Zinner também não está mais no conjunto. Segue com os caras Roby Pontes, responsável pelas baquetas em Direto do Fronte. Manda bem, senta a mão, mas confesso que o estilo do Zinner ainda me agrada mais, com aquela pegada meia Ian Paice, abusando dos contratempos. De toda forma, o garoto cumpriu bem o seu papel. No baixo, continua firme e forte, o baixista Nelson Brito.

Com a ideia de celebrar os 30 anos, o setlist focou em sua fase auge. Ou seja, os 5 primeiros trabalhos. A noite iniciou com o classicão “Nem Polícia, Nem Bandido” e emendou de cara “Quantas Vão”. Foi o suficiente para colocar fogo na galera.

Com casa cheia, os músicos estavam bem a vontade no palco. O publico do ABC é bem fiel ao Golpe. Sempre tiveram um bom publico por aqui. Mais do que fiel, diria fanático. A galera sabe as letras de música por música. Desde hits como “Noite de Balada” e “Caso Sério” até os lados B como “Underground” e “Cobra Criada”. As músicas foram escolhidas à dedo. “Não é Hora”, “Todo Mundo Tem Um Lado Bicho”, “Velha Mistura”, “Real Valor”... A maior parte dos clássicos foram apresentados.

Como se não bastasse, os rapazes trouxeram uma série de convidados. Mateus Schanoski, conhecido por seu trabalho ao lado do (ótimo) Tomada, ficou responsável pelos teclados durante toda a apresentação.  Cada convidado participava de, ao menos, 2 músicas. Mariana Duarte se destacou em uma performática interpretação de “Zumbi”, Marcello Pompeu (Korzus) animou a galera com sua espontaneidade e irreverência. Gostei de sua performance em “Cobra Criada”. Martin Mendonça (Cascadura, Pitty) tocou com garra e impôs respeito, mas o grande destaque foi mesmo a participação do lendário Luis Carlini (Tutti-Frutti). O que esse cara toca não é brincadeira.

O show chegou ao fim com “Paixão”, tocada graças à um enorme pedido de bis. Os músicos que haviam dado a noite por encerrado, resolveram atender o pedido da moçada e mandaram mais um som. Depois de pouco mais de 90 minutos chegava ao fim, uma apresentação pesada, enérgica e, acima de tudo, divertida. Quem foi, curtiu e bastante. Agora é esperar pelo CD ao vivo...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sepultura – Machine Messiah (2016):



Por Davi Pascale

Ícones do thrash metal brasileiro se reinventam em novo disco. Machine Messiah traz o Sepultura para o presente e deve dividir seus fãs.

Desde que Max Cavalera saiu do grupo após o emblemático Roots que os fãs se dividiram. Muitos diziam que a banda sem Max não era a mesma coisa. A novela se intensificou depois que Iggor pediu as contas. Durante muitos anos, a banda foi vista como a banda dos irmãos Cavalera. Atualmente, ela é vista como a banda de Andreas Kisser. Embora não seja um integrante original, já tem um tempo que o músico puxou a bronca para si. Se você é um desses que acha que a banda perdeu a magia com a saída dos irmãos, afaste-se do novo álbum.

Particularmente, gostei muito de Machine Messiah, mas eles vão meio que na contramão daquilo que faziam quando a formação clássica se esfacelou. Nos últimos trabalhos ao lado do Max – Chaos A.D. e Roots – a banda explorava mais uma proximidade com a cultura brasileira. Esse toque brasileiro aparece em pouquíssimos momentos por aqui e quando aparece é bem de leve. Um exemplo seria a introdução do single “Phantom Self”. Na real, eles estão soando mais internacionais do que nunca. Talvez seja influência do renomado produtor Jens Bogren (Kreator, James LaBrie), mas achei que eles estão mais para In Flames do que qualquer outra coisa.

Já tem um tempo que os músicos têm procurado se aventurar em novos territórios. E esse disco representa exatamente isso. Não apenas a mixagem está mais moderna, como os arranjos estão mais ousados. Embora sejam um forte representante do thrash, os músicos não ficam naquela camisa de força tentando soar old school todo o tempo e em vários momentos buscam referências em outras vertentes. Talvez, essa seja uma influência vinda do Metallica, banda que o Andreas adora.

A faixa de abertura, “Machine Messiah”, já deixa isso claro. Uma faixa densa, arrastada com Derrick Green cantando fora de seu território comum. Ou seja, com a voz limpa. As linhas vocais dessa música, por algum motivo, me remeteram ao Ghost. Derrick, aliás, é um dos grandes destaques do disco. Fez linhas vocais diferentes, mais melódicas. Outro trabalho de destaque do rapaz é na pesada “Cyber God”, onde está mais próximo de Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour) do que de Chris Barnes (Cannibal Corpse).

Outro grande destaque no disco é o trabalho de bateria de Eloy Casagrande. O garoto está um verdadeiro monstro. Toda sua criatividade e técnica podem ser conferidas na instrumental “Iceberg Dances”, que traz passagens influenciadas pelo progmetal. Sem brincadeiras.

Andreas Kisser continua sendo o homem de frente. À essa altura do campeonato, ninguém questiona mais suas habilidades nas seis cordas. Como era de se esperar, o músico fez um ótimo trabalho com ótimos riffs e excelentes solos. Paulo Jr. segura o baixo com eficiência. Para quem sente saudade de quando faziam um som mais direto, pode se deliciar com petardos do porte de “I Am The Enemy” ou “Silent Violence”, mas como disse, esse trabalho não é old school. Está mais recomendado para os fãs de Kairos do que para os fãs de Arise.

Em outras palavras, Machine Messiah traz um Sepultura pesado, criativo e com os pés no presente. Lançado na última sexta-feira 13, o trabalho tem dividido seus fãs. Tem gente que acha que ficaram com uma sonoridade internacional demais (o que é verdade, mas não vejo muito problema nisso) e tem gente afirmando que é o melhor trabalho da fase Derrick, o que também acho exagero. Meu disco favorito da fase Derrick ainda é o Roorback. De todo modo, bela banda e belo álbum. Recomendo!

Nota: 8,5 / 10,0
Status: Ousado

Faixas:
     01)   Machine Messiah
     02)   I Am The Enemy
     03)   Phantom Self
     04)   Alethea
     05)   Iceberg Dances
     06)   Sworn Oath
     07)   Resistant Parasites
     08)   Silent Violence
     09)   Vandals Nest 
     10)   Cyber God

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Janis Joplin – Little Girl Blue:



Por Davi Pascale

Documentário retrata carreira de Janis Joplin e ajuda a entender um pouco mais de sua personalidade. Sua visita ao Brasil é comentada, mas sua aventura com artista brasileiro não é sequer mencionada.

Janis Lyn Joplin é uma das artistas que fazem parte do tal clube dos 27. Uma das maiores cantoras do rock n roll se despediu desse mundo em 3 de Outubro de 1970, aos 27 anos, vítima das drogas e do álcool.

Sua carreira foi curta, mas intensa. Teve apenas 4 discos registrados, mas foi o suficiente para mudar a cena e o rumo que o gênero tomou. É inegável a influência que seu trabalho teve em milhares de artistas posteriores. Sua voz ainda impressiona. É inacreditável o alcance e o domínio que tinha com tão pouca idade. Eric Burdon e Joe Cocker são sempre referidos como cantores brancos com voz de cantores negros. O mesmo podemos dizer de Janis. A força, a intensidade, o timbre, a entrega que tinha era apenas comparável às cantoras de blues.

No longa, é comentado sobre sua mudança para San Francisco, sua entrada no Big Brother & The Holding Company, sua inevitável saída do conjunto. De quando passa de uma ilustre desconhecida para um dos grandes nomes do momento. Os músicos reconhecem que se sentiram incomodados com a atenção em cima de Janis. É explicável, uma vez que ela entrou em uma banda que já existia. Entretanto, não há como negar que o maior talento ali era ela. Sem querer desmerecê-los, mas uma audição mais atenta em suas apresentações ao vivo demonstra que estava uns dez níveis acima dos demais músicos do conjunto.

Janis sofreu alguns problemas. Foi humilhada na sua época de estudante, não gostava de sua aparência, era uma garota meia tristonha. Todos esses casos são comentados e explicados no filme. Little Girl Blue dá a entender que realmente encontrou a felicidade na estrada.

Apesar do sucesso, a artista mantinha a simplicidade. Não deixou com que o sucesso subisse à sua cabeça. Continuava se misturando com os músicos, se encontrando com os amigos. Muitos artistas entram no universo das drogas como válvula de escape, para driblar dores (físicas ou emocionais). No caso de Janis, todos os entrevistados fazem questão de afirmar que, para ela, era uma diversão. Não queria fugir de nada. Apenas curtia a sensação de estar chapada. Na cabeça dela, a morte era algo distante...

São misturadas entrevistas de pessoas próximas à ela com imagens de arquivo. Como, infelizmente, ela não está mais entre nós, foram buscadas cenas de entrevistas em programas de TV. Há também flashes dela nos bastidores, nos estúdios de gravação e, principalmente, nos palcos. Lamentavelmente não existe muito material filmado da cantora. Portanto, quem coleciona seu trabalho, já deve conhecer uma boa parte das imagens apresentadas.

No Brasil, uma história muito conhecida é a sua visita ao Rio de Janeiro, onde teria conhecido um holandês e se envolvido com o cantor Serguei. Pois bem, o tal holandês realmente aparece no filme. Conta sobre sua relação com a artista, mostra algumas imagens dos dois juntos. O artista brasileiro, contudo, foi limado da história. Não sei se ele realmente se envolveu com ela, mas os dois realmente passaram um tempo juntos...



De todo modo, Little Girl Blue dá uma boa repassada em sua curta e brilhante trajetória. Ajuda a entender um pouco suas raízes, suas decisões, seus pensamentos. Filme recomendado para qualquer fã de rock n roll que se preze.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Skank – O Samba Poconé: Edição Especial 20 Anos (2016):



Por Davi Pascale

Álbum clássico do grupo mineiro retorna ao mercado em versão luxuosa repleta de material inédito. Disco essencial na coleção dos fãs.

Em 1994, o Skank tomou as rádios de assalto com o seu segundo álbum Calango. Canções como “Te Ver”, “Jackie Tequila”, “Esmola”, “Pacato Cidadão” e “É Proibido Fumar” (releitura da fase roqueira de Roberto Carlos), tocavam sem parar nas AM´s e FM´s de todo o país. Em 1996, vinha a prova de fogo. Tinham que demonstrar que haviam vindo para ficar. Que não eram banda de um disco só. E deu certo...

Para a produção de O Samba Poconé, os músicos recrutaram Dudu Marote. Ou seja, o mesmo produtor do CD que tinha os levado ao estrelato. Mais uma vez, diversas músicas foram para as paradas de sucesso. “É Uma Partida de Futebol”, embora nunca tenha estado entre minhas preferidas, foi um enorme hit. A primeira música de trabalho, “Garota Nacional”, um dos grandes destaques do disco, também foi tocada à exaustão. Assim como a simpática balada “Tão Seu”. Faixa que foi, inclusive, regravada por outros artistas da época como Banda Eva (ainda com Ivete Sangalo nos vocais) e Penélope.

O primeiro CD do pacote é exatamente o disco da época, sem tirar, nem por. Parece que o Brasil finalmente entrou no mercado deluxe. Vale lembrar que álbuns como Cabeça Dinossauro (Titãs), Olhar (Metrô) e o debut da Legião também ganharam versões luxuosas pouco tempo atrás. Realmente, muito bacana. Espero que façam essa brincadeira com mais títulos. É realmente interessante reescutar o disco 20 anos depois e notar como a banda mudou nesse meio tempo. E, sim, o disco ainda soa bem agradável. Sem duvidas, venceu a barreira do tempo.

Reedição traz faixa inédita e diversas versões alternativas

Para quem acompanhou eles na época, o que interessa são os bônus. Pois bem, o segundo CD é formado por demos e registros de ensaio. Registros sempre interessantes de se ouvir. Contudo, as faixas que mais me chamaram a atenção estão no terceiro disco.

Tem muito ouvinte que não curte esse lance de ouvir várias versões de uma mesma faixa. Aqui no Brasil, essa prática é mais rara. No mercado internacional, contudo, é bem comum. Não apenas em edições comemorativas, como essa, mas também nos famosos singles e promos. Eu acho a prática interessante quando as versões se diferem bastante da original. Quando não é aquela onda de você ouvir a mesma coisa, várias vezes, por 4, 5 minutos para ouvir um acorde, um verso ou um fade out diferente. Se for essa a sacada, uma versão alternativa de cada faixa me basta. Aqui, contudo, há algumas versões bem diferenciadas. Embora não seja muito fã de “É Uma Partida de Futebol”, foi muito divertido escuta-la com um arranjo totalmente diferente como ocorre na versão 3.

Outras versões muito interessantes ficam por conta de “Chica Nacional”, ou seja, a versão em espanhol do hit “Garota Nacional”, a versão quase reggae de “Tão Seu” (com o subtítulo “The Stroll Through The Park”) e, principalmente, a inclusão de “Minas Com Bahia”. Durante muitos anos, os fãs só tiveram acesso à (boa) versão registrada pela musa baiana Daniela Mercury em seu quarto álbum Feijão Com Arroz. Muito legal ver essa faixa sendo resgatada.

Nos anos 90, o Skank foi um dos principais nomes da cena pop brasileira, ao lado de grupos como Cidade Negra e Jota Quest. O Samba Poconé foi um dos registros mais fortes dessa fase. Aqui, eles ainda não exploravam o lado mais rock, mais beatle, se preferir, como ocorreria anos mais em tarde em trabalhos como Maquinarama e, principalmente, Cosmotron. Contudo, se você curte música pop brasileira, é uma ótima pedida. Trabalho divertidíssimo e muito bem feito.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Caprichado

Faixas:

CD 1:
      01)   É Uma Partida de Futebol
      02)   Eu Disse à Ela
      03)   Zé Trindade
      04)   Garota Nacional
      05)   Tão Seu
      06)   Sem Terra
      07)   Os Exilados
      08)   Um Dia Qualquer
      09)   Los Pretos
      10)   Sul da América
      11)   Poconé

CD 2:
      01)   Zé Trindade (Ensaio)
      02)   Um Dia Qualquer (Ensaio)
      03)   Los Pretos (Ensaio)
      04)   Sem Terra (Ensaio)
      05)   Eu Disse a Ela (Demo)
      06)   Zé Trindade (Demo)
      07)   Garota Nacional (Demo)
      08)   Sem Terra (Demo)
      09)   Os Exilados (Demo)
      10)   Um Dia Qualquer (Demo)
      11)   Minas Com Bahia (Demo)
      12)   Los Pretos (Demo 1)
      13)   Los Pretos (Demo 2)
      14)   Sul da América (Demo)

CD 3:
      01)   É Uma Partida de Futebol (Versão 2)
      02)   É Uma Partida de Futebol (Versão 3)
      03)   É Uma Partida de Futebol (Versão 3 Instrumental)
      04)   Eu Disse a Ela (Mix Alternativa)
      05)   Eu Disse a Ela (Instrumental)
      06)   Garota Nacional (Take 1)
      07)   Chica Nacional (Garota Nacional)
      08)   Tão Seu (The Horny European)
      09)   Tão Seu (The Note So Late Jungle Voyage)
      10)   Tão Seu (A Stroll Through The Park)
      11)   Minas Com Bahia
      12)   Sul da América (Instrumental)
      13)   Poconé (Remix)
      14)   Poconé (Remix Instrumental) 
      15)   Poconé (Mix Alternativa)

sábado, 14 de janeiro de 2017

Hansen & Friends: Three Decades In Metal (2016):



Por Davi Pascale

Kain Hansen comemora três décadas de carreira lançando seu primeiro trabalho solo que conta com diversos convidados especiais. Álbum realmente muito bacana que merece ser conferido.

Quem curte power metal, certamente sabe quem é Kai Hansen. Já tem um bom tempo que o músico lidera o Gamma Ray. Grupo que é referência dentro do cenário. Sua grande contribuição com a cena, contudo, foi o período em que esteve à frente do Helloween. Foi ele quem gravou os emblemáticos álbuns Keeper Of The Seven Keys e Walls of Jericho. Discos de cabeceira entre os fãs do gênero.

Normalmente, quando a galera lança discos comemorativos, tendem a fazer álbuns de regravações. Não é o caso aqui. O material apresentado é inédito. O grande diferencial, que ajuda a trazer o ar de celebração, é a participação especial de diversos nomes do heavy metal. Alguns já esperados (caso do ex-Helloween, Michael Kiske) e outros um tanto surpreendentes (caso de Dee Snider). Curiosamente, o músico convidou Roland Grapow para participar do disco. Exatamente, o guitarrista que o substituiu no Helloween. Realmente interessante.

Alguns convidados aparecem de maneira realmente discreta. Honestamente, gostaria de ter visto Dee Snider (Twisted Sister) e Hansi Kursch (Blind Guardian) serem mais explorados. Para quem o venera e acha que ele deveria ter gravado sozinho, não precisa esquentar a cabeça. O CD é duplo e o disco 2 é exatamente isso. Ou seja; sem os vocalistas convidados.

A primeira metade do disco aponta em um heavy metal mais tradicional. “Born Free” traz uma pegada bem agressiva, com bumbo duplo e Hansen dando seus famosos agudos. “Strange In Time” conta com riffs iniciais e linhas vocais dos versos em uma vibe bem Iron Maiden. A que mais me empolgou nessa primeira parte, contudo, foi “Enemies of Fun”. Accept total! Tanto levada de bateria, quanto linha vocal. Tinha momentos que eu jurava que o Udo estava cantando. E, de boa, puta som!

Algo precisa ser comentado de Three Decades In Metal. As guitarras estão com um peso fora do comum. O disco soa altamente empolgante, mesmo nos momentos onde ele se distancia de sua pegada mais tradicional. A segunda metade do disco conta com uma pegada mais moderna. Riffs mais palhetados, presença de teclados. A partir de “Fire And Ice”, o disco dá uma mudada de direção. A minha preferida nessa segunda parte é “Burning Bridges” que conta com um refrão bem pegajoso.

Na hora de fechar, o CD, contudo, ele volta à sua pegada tradicional. O disco fecha como abriu. Um heavy metal mais agressivo que traz todas as características que seus fãs esperam. Embora seus arranjos sejam variados, a qualidade das composições é alta. E os convidados também. Para se ter uma ideia, além dos nomes já citados, temos convidados do porte de Ralf Scheepers (Primal Fear), Michael Weikath (Helloween) e Tobias Sammet (Edguy). Discaço!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:

CD 1:
      01)   Born Free
      02)   Enemies of Fun (Ralf Scheepers &  Piet Sielck)
      03)   Contract Song (Dee Snider & Steve McT)
      04)   Making Headlines (Tobias Sammet)
      05)   Stranger In Time (Michael Kiske, Frank Beck, Tobias Sammet & Roland Grapow)
      06)   Fire And Ice (Clementine Delauney, Marcus Bischoff, Richard Sjunnesson & Michael Weikath)
      07)   Left Behind (Alexander Dietz & Clementine Delauney)
      08)   All or Nothing (Clementine Delauney)
      09)   Burning Bridges (Eike Freese)  
      10)   Follow The Sun (Hansi Kursch & Tim Hansen)

CD 2:

Mesmo repertorio somente com Kai nos vocais