quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Vespas Mandarinas – A Man Without Qualities (2015):



Por Davi Pascale

Compacto do Vespas Mandarinas resgata faixas obscuras e traz sonoridade bem diferente do seu debut Animal Nacional. Trabalho bem bacaninha...

Desde que a Polysom resolveu resgatar o bom e velho vinil que o pessoal resolveu fazer uma verdadeira viagem no tempo. Atualmente, temos artistas brasileiros prensando seus discos em fitas K7. Outro resgate bem interessante foi o do compacto. Nos anos 80, a galera prensava compacto com as faixas de trabalho. Depois, pararam. O mais bacana desse resgate é que grande parte dos compactinhos de hoje são formados com canções inéditas. É exatamente esse o caso do Vespas Mandarinas.

Entre os fãs, é comum se referirem à ele como O Ovo Enjaulado. Muito provavelmente por conta da arte que estampa a campa do disco, mas não há nenhuma faixa com esse nome por aqui. O formato optado foi o do compacto simples. Ou seja, uma musica em cada lado. Alguns artistas, antigamente, prensavam compacto duplo. Tratava-se de uma mídia apenas, porém, com duas faixas em cada lado.

“Estrada Escura” é uma canção que ficou de fora do seu debut. A faixa é boa, mas é bem diferente da sonoridade tradicional do conjunto. Trata-se de uma balada psicodélica. Lembra um pouco o Oasis fase Standing On The Shoulder Of Giants. Ou ainda, alguma faixa perdida da banda gaúcha Cachorro Grande.

O grande creme, contudo, é a versão em inglês de “Um Homem Sem Qualidades” cantada pelo Mark Arm (Mudhoney). O Vespas chegou a abrir um show do Mudhoney e convidou o músico para gravar a versão em inglês da canção e ele topou. 

A versão em inglês, contudo, não foi escrita pelo Mark e, sim, pelo letrista do grupo Adalberto Rabelo Filho. Outra curiosidade é que o baixo de “A Man Without Qualities” foi gravado pelo não menos genial Lee Marcucci (Tutti-Frutti, Radio Taxi). A música ganhou uma sonoridade mais crua, bem alternativo, nos remetendo direto à cena grunge. Ficou bem interessante!

A Man Without Quailities ou O Ovo Enjaulado, como queiram, é um trabalho simples, mas bem resolvido. O Vespas Mandarinas fez um álbum de estreia bem interessante. Dessa galera que faz um rock com um pé no mainstream foi o que se saiu melhor, nos últimos tempos. Boas faixas, boas letras. Provavelmente, irei escrever sobre o Animal Nacional e o DVD ao vivo deles daqui um tempo. De todo modo, como disse, as faixas aqui fogem do som do debut. Portanto, mesmo se você não curtiu o disco de estreia, vale uma checada.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Bom

Faixas:
      01)   A Man Without Qualities 
      02)   Estrada Escura

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Twisted Sister – Metal Meltdown: Live From The Hard Rock Casino Las Vegas (2016):



Por Davi Pascale

Twisted Sister lança novo DVD ao vivo. Show, realizado em homenagem à A.J. Pero, é focado em clássicos e traz banda transbordando energia. Mike Portnoy se mantém fiel às canções.

Em 20 de Março de 2015, os fãs do Twisted receberam uma notícia que os deixaram chocados. Anthony Jude Pero, mais conhecido como A.J. Pero, havia morrido de uma parada cardíaca aos 55 anos de idade. Algumas semanas depois, mais precisamente em 07 de Abril de 2015, os músicos anunciaram que fariam alguns shows em homenagem ao baterista e logo depois embarcariam para sua última tour, Forty And Fuck It. Quem ocuparia o lugar de Pero nessas apresentações finais seria nada mais, nada menos do que o ex-Dream Theater, Mike Portnoy.

Esse DVD que chega agora ao mercado é justamente o primeiro show dessa leva final. A apresentação foi registrada no The Joint Hard Rock Hotel, em Las Vegas. Na mesma noite, apresentaram-se Extreme, Great White e Skid Row. Tudo que um fã de hard rock poderia querer...

Apesar de ter sido criado em homenagem ao falecido músico, o show não tem um clima down. Mark Mendoza continuava socando o baixo, Dee Snider pulando feito um louco de um lado para o outro, gritando no microfone e chacoalhando a cabeça. Os guitarristas Eddie Odeja e Jay Jay French são os que apareciam mais abalados. Apesar de não falarem no assunto, era perceptível pelas suas expressões faciais que estavam um pouco tristes. Moviam-se pouco, estavam mais sérios do que o de costume. As músicas, contudo, eram executadas com a mesma garra de sempre.

O repertório é o típico repertório do Twisted Sister. Iniciando com “What You Don´t Know” e “The Kids Are Back” e encerrando com “S.M.F.”. Sem espaço para novidades ou lados B, mandam clássicos atrás de clássicos: “Come Out And Play”, “Stay Hungry”, “Shoot ´Em Down”, “I Believe In Rock n´ Roll”, “We´re Not Gonna Take It”, “The Price”, “I Wanna Rock”...

Mike Portnoy foi o escolhido para completar a tour. Quem conhece seu trabalho ao lado do Dream Theater, ou ainda com o Liquid Tension Experiment, sabe o quão fera esse cara é. Dono de uma técnica absurda, Portnoy virou referência no instrumento. Depois que a banda de James La Brie despontou com “Pull Me Under” todo mundo que comprava uma bateria queria aprender algo do Dream Theater. Conseguir tocar uma música do cara era a certeza de que estava no caminho certo no mundo da música.

O grande problema quando se coloca um músico muito técnico em uma banda com uma sonoridade mais direta, como o Twisted Sister, é que corre-se o risco do músico matar a essência do conjunto. Isso não ocorre aqui, contudo. Assim como faz em seus projetos covers, Portnoy se manteve fiel às canções, tocou do jeito como foram escritas. Portanto, se você não curte prog metal, não precisa ficar com medo de adquirir o novo trabalho.

A.J. Pero foi lembrado no show com o número “A.J. Pero Tribute”, onde foi exibido nos telões um número solo do musico. Atitude muito bacana. Além do show, o DVD traz um documentário de 90 minutos e o áudio do show em CD. Para mim, o único ponto baixo. Sim, gosto de discos ao vivo e os considero uma boa banda nos palcos. O problema é que no CD, todas as faixas acabam com fade out. Isso acaba tirando um pouco o brilho, para mim.

Metal Meltdown é uma bonita despedida da cena e uma bonita homenagem ao companheiro de longa data. A apresentação do Extreme já foi lançada oficialmente e em breve estarei comentando por aqui. Na torcida agora para lançarem os outros shows, em especial, o do Skid Row. Será que lançam?

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Fantástico

Faixas:
      01)   What You Don´t Know (Sure Can Hurt You)
      02)   The Kids Are Back
      03)   Stay Hungry
      04)   The Beast
      05)   Shoot Em´ Down
      06)   You Can´t Stop Rock n´ Roll
      07)   I Believe In Rock n´ Roll
      08)   Under The Blade
      09)   I´Am (I´m Me)
      10)   We´re Not Gonna Take It
      11)   The Fire Still Burns
      12)   The Price
      13)   Burn In Hell
      14)   A.J. Pero Tribute
      15)   I Wanna Rock
      16)   Come Out And Play
      17)   S.M.F.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

George Michael and Queen with Lisa Stansfield – Five Live (1993):



Por Davi Pascale

Ontem à noite, em pleno Natal, recebemos uma das notícias mais tristes do ano. O astro pop George Michael morreu aos 53 anos. A causa da morte não foi revelada. E, infelizmente, pode ter sido qualquer coisa. O cantor tinha histórico de vida desregrada com aventuras sexuais, bebidas e drogas. Entretanto, nada disso tira seu valor e seu inegável talento na música. George foi um dos artistas pop que ganharam a admiração dos roqueiros. Tanto entre os ouvintes, quanto entre os músicos. Não poderíamos deixar de fazer nossa homenagem ao rapaz.

Considero Listen Without Prejudice sua grande obra-prima, contudo, para aqueles que não estão muito acostumados com a sonoridade pop ou que questionam seus dotes vocais, esse EP acaba sendo uma grande porta de entrada. Em 19 de Abril de 1993 chegava às lojas Five Live. Disco muito aguardado entre muitos pois, finalmente, seria lançado oficialmente sua tão falada participação no show tributo ao Freddie Mercury.

O concerto foi realizado em 20 de Abril de 1992. Aproximadamente, 5 meses após a morte do emblemático cantor do Queen. Grandes nomes do rock e do pop celebraram a obra de Freddie Mercury em uma histórica apresentação no Wembley Stadium. Entre eles; Axl Rose, Metallica, Extreme, Annie Lennox, Seal, mas quem chamou a atenção mesmo foi George Michael. Contando apenas com 29 anos nas costas, o cantor optou por interpretar “Somebody To Love”, uma faixa extremamente difícil e, mesmo assim, brilhou no evento. Além de ser super afinado, conseguiu reproduzir o dificílimo falsete no fim da canção.

Era comum em determinado momento do show rolarem alguns duetos. O cantor britânico dividiu os microfones com a cantora Lisa Stansfield em “These Are The Days Of Our Lives”. Mais uma vez, funcionou incrivelmente bem. Ambas as versões, entraram no CD. No dia, ainda teve mais uma que ficou de fora, “39”, originalmente cantada por Brian May. Quem sabe não lançam um dia?

Em 1991, George Michael lançou sua turnê Cover to Cover, onde misturava canções de seu repertório com suas músicas preferidas. A turnê passou pelo Brasil, como parte da segunda edição do Rock In Rio. O EP foi concluído com 3 faixas dessa turnê. De quando ele se apresentou no mesmo Wembley Stadium, mais precisamente no dia 22 de Março de 1991. As escolhidas da vez foram “Killer” (Adamski), “Papa Was a Rolling Stone” (Temptations) e “Calling You”, trilha sonora do filme Bagddad Café. O medley de “Killer/Papa Was a Rolling Stone” ganhou uma versão editada e foi transformada em um single de bastante sucesso.

Five Live teve grande repercussão e conseguiu atingir a marca de 5.000.000 de discos vendidos. Nenhum músico viu um tostão sequer. Todo o dinheiro arrecadado com as vendas desse material foi destinado à Mercury Phoenix Trust, entidade criada pelos músicos do Queen para ajudar no combate à Aids.

Algumas edições receberam uma sexta faixa, “Dear Friends”. A música já era conhecida entre os fãs do Queen, faz parte do clássico Sheer Heart Attack, e acredito que tenha entrado aqui pela mensagem da letra. A versão era a mesma.

Em relação ao George Michael... É inegável seu talento, uma das vozes mais afinadas, além de ser um artista extremamente versátil, com arranjos de uma qualidade ímpar. Também é inegável a influência que tinha no mundo da música. Entre seus admiradores estavam gente do porte de Elton John, Paul McCartney, Paul Stanley, Queen... Esqueça esses posts do tipo ‘gênio coisa nenhuma’, ‘agora todo mundo é fã’ e outras babaquices e dê uma chance à um dos grandes talentos do universo pop. Agora não é hora de diminuir o trabalho do cara. Pelo contrário, é hora de celebrar sua arte...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Somebody to Love
      02)   Killer
      03)   Papa Was a Rollin´ Stone
      04)   These Are The Days of Our Lives with Lisa Stansfield
      05)   Calling You 
      06)   Dear Friends

domingo, 25 de dezembro de 2016

Brian Setzer Orchestra – Rockin´ Rudolph (2015):



Por Davi Pascale

Hoje é Natal!!! E, como de costume, trago uma dica para alegrar suas festas com álbuns de primeiríssimo nível. A dica, dessa vez, é um álbum gravado pelo Brian Setzer Orchestra. Recheado de rock e jazz, o disco vai deixar seu Natal mais feliz.

Adquiri esse CD meio por acaso. Foi mais um daqueles discos que trouxe da minha recente viagem. Quando visitei a Best Buy, no ultimo Novembro, haviam vários discos de Natal em oferta. Como sei que vários artistas do rock fazem esse tipo de registro, dei uma checada. Dito e feito. Encontrei dois CDs do gênero que não conhecia. Um registro do Train e esse do Brian Setzer.

Para quem não associou o nome à pessoa, Brian Setzer era o líder do Stray Cats. Aquele grupo que invadiu as rádios nos anos 80 com canções de rockabilly como “Rock This Town” e “Stray Cat Stuff”. Esse trabalho, contudo, está com uma pegada mais jazz. Aquela sonoridade bem típica de Natal norte-americano.

O repertório é extremamente agradável. Quem já ouviu algum disco do gênero, certamente, identificará várias das canções apresentadas aqui. Não se trata de um trabalho autoral. Simplesmente, criou releituras para canções natalinas. Aqui no Brasil, não foi criado esse costume, mas nos Estados Unidos essas músicas são tão parte do Natal, quanto montar uma árvore de Natal.

Uma pena que não exista esse costume por aqui. As canções são alegres, quase sempre com uma mensagem bonita por trás. Embora seja conhecido por ser um cantor de rock, Setzer sai bem na interpretação vocal. As faixas escolhidas casaram bem em sua voz. Em especial; “Here Comes Santa Claus” e “Have Yourself a Merry Little Christmas”.

Também há espaço para algumas canções instrumentais, presentes na segunda metade do disco. As faixas são bonitas, mantém o espírito natalino de paz e alegria. A produção do disco ficou nas mãos de Peter Collins. Renomado produtor que já trabalhou com nomes como Alice Cooper, Rush, Queensryche e Suicidal Tendencies. Apesar do currículo, o rapaz conseguiu manter o espírito do projeto.

O lado rockabilly de Setzer está mais sutil, mas aparece em algumas canções. Para ser mais preciso em “Rockabilly Rudolph” e “Rockin´ Around The Christmas Tree”. O ponto alto do disco, contudo, fica por conta da jazzy “Yabba-Dabba Yuletide”. Uma genial paródia criada em cima de “Flinstones Theme Song”. Sim, é isso mesmo que você está imaginando. O cara criou uma música de natal em cima do tema do Flinstones. E, de boa, ficou genial!

Rockin´ Rudolph é muito bem feito. Muito bem gravado, muito bem cantado e muito bem tocado. E o mais bacana de tudo, resgata direitinho o clima natalino. Disco muito bacana para deixar rolando durante a reunião de família. Fica a dica!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Divertido

Faixas:
      01)   Rockin´ Around The Christmas Tree
      02)   Yabba-Dabba Yuletide
      03)   Most Wonderful Time Of The Year
      04)   Rockabilly Rudolph
      05)   Here Comes Santa Claus
      06)   Have Yourself a Merry Little Christmas
      07)   Swingin´ Joy
      08)   Carol Of The Bells
      09)   Little Jack Frost
      10)   Hark! The Herald Angels Sing
      11)   O Little Town of Bethelehem 
      12)   Yabba-Dabba Yuletide (Extended)

sábado, 24 de dezembro de 2016

Notícias do Rock

Por Davi Pascale

Hoje é véspera de Natal. Amanhã farei um post relacionado ao tema. Enquanto o post não vem, trago para vocês, alguns dos principais acontecimentos da ultima semana. Fiquem com mais uma edição do Notícias do Rock. Ho, ho, ho... Feliz Natal!!!


Judas Priest lançará edição deluxe de Turbo



O lendário grupo Judas Priest está em estúdio preparando o sucessor de Redeemer of Souls. Enquanto o disco novo não vem, os músicos reeditam o polêmico Turbo. Assim como a recente reedição de Defenders Of The Faith, o CD será triplo e trará como bônus um show da turnê. Nesse caso, a apresentação de Kansas City. Muito bacana...


Journey ganha votação para Rock n Roll Hall of Fame



Como de costume, o Rock n Roll Hall of Fame lançou uma votação para que o público escolhesse um dos artistas a serem premiados em 2017. As opções eram Pearl Jam, Cars, Yes, Electric Light Orchestra e Journey. O grupo de Neal Schon venceu.Vamos ver como fica a história agora. A premiação tem mania de homenagear somente a formação original. No caso do Journey, a fase mais amada é a do Steve Perry. E aí? Irão ignorar o trabalho de Fleischman? De Perry? Bem, certeza que Augeri e Pineda estarão fora da premiação, o que considero uma pena... Parabéns à banda, contudo!


Morre musico do Status Quo



Essa manhã recebemos a notícia de que Rick Parfitt, guitarrista do Status Quo, morreu. O musico, presente desde o início, havia sido internado em um hospital da Espanha para tratar de um machucado no ombro e acabou contraindo uma infecção. Seu estado de saúde, contudo, era delicado. O músico já tinha vencido um câncer na garganta e tinha 4 stents no coração. Descanse em paz!


Sepultura lança música nova

O maior grupo de heavy metal do Brasil, acaba de lançar sua nova música. A faixa estará presente em Machine Messiah, seu décimo quarto álbum de estúdio que chega às lojas dia 13 de Janeiro via Nuclear Blast. O guitarrista Andreas Kisser declarou em recente entrevista à Metal Hammer que o disco trata sobre a robotização da sociedade. Confira a faixa a seguir...


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Toto – Live At Montreux 1991 (2016):



Por Davi Pascale

Show raro do Toto chega ao Brasil pela Som Livre. Material, lançado em CD e DVD, traz o grupo em época delicada, mas com o profissionalismo de sempre.

Início dos anos 90 foi uma época delicada para a galera do Toto. Joseph William saiu da banda. Na época, os integrantes queriam trazer Bobby Kimball de volta, mas a gravadora insistiu que contratassem Jean-Michael Byron, um cantor sul-africano. A parceria durou pouco. Os músicos não aguentaram os ataques de estrelismo de Byron e demitiram o rapaz. O guitarrista Steve Lukather resolveu assumir temporariamente o vocal. Foi nessa época que o registro ocorreu.

Quando realizaram essa apresentação em Montreux, o álbum Kingdom of Desire estava sendo preparado. Os músicos optaram por demonstrar algumas músicas em primeira mão. As escolhidas foram a faixa-título e a instrumental “Jake To The Bone”. Essa conta com uma pegada meio jazz, bastante quebrada de tempo, serve para demonstrar todo o potencial dos músicos. O Toto sempre trabalhou com músicos de primeiro nível. Conforme esperado, os caras arregaçam.

O primeiro LP do grupo – Toto (1978) – contava com 6 integrantes. Nesse show, estavam reduzidos à um quarteto: Mike Porcaro (baixo), Jeff Porcaro (bateria), David Paich (teclado) e Steve Lukather (guitarra). Para cair na estrada, contrataram um percussionista e 3 backing vocals (2 garotas e um rapaz). Anos 80 e 90 era comum, os artistas utilizarem backing no palco. Eric Clapton, Rolling Stones e Phil Collins são ótimos exemplos.

O setlist é curto. 8 faixas em um pouco mais de uma hora de show. Dos hits, apenas 3 aparecem por aqui: “Rosanna”, “I´llbe Over You” e “Africa”. Ou seja, somente aquelas que foram realmente um marco na trajetória dos rapazes. Por incrível que pareça, “Hold The Line” ficou de fora. “Africa” foi cantada pelo tecladista David Paich e Fred White, um dos backings.

No resto do espetáculo, quem assume os vocais é o guitarrista Steve Lukather. Foi ele, inclusive, quem assumiu o vocal no trabalho seguinte. Steve demonstrou ser um bom vocalista, afinado e seguro, mas é nas guitarras mesmo que ele chama a atenção. Principalmente, na versão de “Red House”, canção de Hendrix que o rapaz dedicou aqui à Stevie Ray Vaughan. Famoso guitarrista que havia morrido à pouco menos de um ano.

Mais uma tragédia ocorreria um pouco tempo. Marcante, principalmente, para os fãs de Toto. O baterista Jeff Porcaro seria encontrado morto em 5 de Agosto de 1992, vítima de uma overdose de cocaína. Portanto, esse show acaba sendo meio essencial na coleção dos fãs. Afinal, é uma das últimas apresentações ao lado do músico.

Embora todos sejam excelentes instrumentistas, quem rouba a cena mesmo, nessa apresentação, é o guitarrista Steve Lukather e o tecladista David Paich. Assisti-los com atenção é o mesmo que ter uma aula de música. Não é brincadeira o que esses caras tocam e os dois estavam inspiradíssimos nessa noite.

Toto Live At Montreux 1991 não é uma fita greatest hits live. Contudo, chama atenção pela qualidade da performance e conta com um bom repertório. Fita recomendada não apenas aos fãs do conjunto, mas aos fãs da boa música em geral.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
      01)   On The Run
      02)   Kingdom of Desire
      03)   I´ll Be Over You
      04)   Africa
      05)   Take To The Bone
      06)   Red House
      07)   Rosanna 
      08)   I Want To Take You Higher

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Skid Row – Under The Skin: The Making of Thickskin (2003):



Por Davi Pascale

Under The Skin marca recomeço do Skid Row. Vídeo é curto e mostra músicos bem-intencionados, com gana de seguir em diante.

Sim, eu sei. Sebastian Bach era a cara do grupo e grande parte de seus fãs sentem sua falta. Indiscutível. Ainda assim, a trupe do Skid Row vem fazendo um trabalho digno. Se por um lado, não resgata a magia do passado; de outro, está acima do que boa parte das bandas fazem atualmente. Posso dizer isso sem medo porque tive a oportunidade de assisti-los mês passado e o show me surpreendeu.

O vocalista aqui não era nem o Tony Harnell, nem o Sebastian Bach e nem o ZP Theart. O responsável por assumir a bronca, nessa época, era o Johnny Solinger. Um vocal que sempre dividiu opiniões. Realmente, o alcance dele era um pouco mais baixo do que o dos outros caras, mas eu curtia seu trabalho vocal. Tinha um bom timbre. Meio rasgadão. Nas músicas mais pesadas, em alguns momentos, ele me lembrava o John Bush (Anthrax). Aparentemente, a intenção dos músicos era se desligar do passado. Se era isso, conseguiram. Não apenas o vocal era diferente, como a banda seguia por outros caminhos.

O show que assisti recentemente foi bem nostálgico. Me senti de volta à 1993. Parece que as músicas dessa segunda fase ficaram para trás. Claro que para nós, fãs, é genial a sensação de voltar no tempo, mas se fosse músico da banda, insistiria em alguns sons da fase mais atual. Os discos mais recentes têm boas músicas. Em especial, o Thicksin, que era o trabalho que estavam lançando nessa época.

O curta mostra a banda nesse período. Explicam a ideia do retorno, a busca pelo novo vocalista, trazem alguns trechos de shows e das gravações do então novo álbum. Apenas 2 músicas estão na íntegra – “Thick Is The Skin” e “One Light”. Clipes criados com imagem a partir da gravação do CD. Interessante!

A ideia da fita é seguir o padrão dos VHS´s dos anos 80. Ou seja, trata-se do que era chamado de homevideo. Um filme curto – nesse caso, aproximadamente 50 minutos – com depoimentos dos músicos, cenas de bastidores, filmes caseiros, cenas engraçadas. Não é um documentário realizado com a intenção de explicar a trajetória e, sim, mostrar o que a banda é naquele momento. Como o vídeo não é muito longo, acaba sendo interessante de assistir.

Era possível notar que os dias de glória, infelizmente, haviam ficado para trás. Os shows eram realizados em locais pequenos, os ensaios em lugares minúsculos. É nítido que a ideia de recomeço reapareceu em todos os sentidos. Legal que os músicos não deixaram se abalar com a situação...

A única frustração veio nos extras. A ideia é bacana. Entra uma imagem do grupo na tela, você clica em um integrante e aparece algo relacionado à aquele integrante. O mais bacana foi o do guitarrista Dave Snake Sabo com um solo inspirado no meio de “Beat Yourself Blind”. Phil Varone colocou imagens dele gravando uma música do novo álbum. A ideia é legal, mas não tem o músico indo e voltando e a linha de bateria é bem simples. Não é algo tão curioso assim. Solinger poderia ter optado por algo mais bacana do que mostrar ele cozinhando ao som de uma música mexicana. Fala sério...

Under The Skin, certamente, não tem a mesma magia de Oh Say Can You Scream ou Roadkill, mas diverte. Ainda estou esperando por um DVD ao vivo desses caras, Para assistir de forma despretensiosa...

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Agradável