sábado, 5 de novembro de 2016

Gamma Ray – Lust For Live (2016):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!
 
Por Davi Pascale 

Gamma Ray lança show clássico, pela primeira vez, em CD. Material mostra fim da primeira fase e é essencial na coleção daqueles que curtem heavy metal.
Sair de uma banda de sucesso é sempre algo complicado. Logo, começam a surgir várias cobranças. Não apenas para que você mantenha a qualidade do trabalho de sua banda anterior, mas também para que repita o sucesso que tinha, o que nem sempre acontece. E mesmo a questão de manter a qualidade, nesse caso, era algo bem complicado. Afinal, Kai Hansen havia saído do Helloween, logo após o Keeper Of The Seven Keys. Álbum que é considerado um clássico, não apenas da banda, mas de todo o gênero.
Por incrível que pareça, o cara conseguiu se restabelecer. Ao lado do Gamma Ray, criou uma nova leva de seguidores, além de uma discografia longa e consistente. E, sim, conseguiu criar novos clássicos, além de ter ajudado a popularizar mais uma grande voz do heavy metal, Ralf Scheepers, que muitos hoje conhecem como a voz do Primal Fear.
Esse foi o último trabalho com Scheepers. Você deve estar se perguntando, ‘como assim foi o último, se o material é inédito’? A questão é que a primeira vez que esse show é lançado em disco, mas essa apresentação já havia sido lançada em vídeo. Tanto em VHS, quanto em DVD.


 




O material é histórico. Trata-se da turnê do (ótimo) Insanity And Genious. E foi daí que grande parte do setlist foi tirada. Dá até para entender a razão do VHS não ter focado tanto no Heading For Tomorrow. Afinal, já existia um outro VHS da banda, Heading For The East, com o show do LP. Mas poderiam ter incluído, mais algumas faixas do (ótimo) Sigh No More.
De todo modo, a apresentação é destruidora. A banda transpira energia, os músicos estavam tinindo e a performance vocal de Ralf Scheepers é animalesca. O trabalho de voz dele em faixas como “Space Eater” e “Last Before The Storm” é de cair o queixo. Também gostei muito de sua performance no medley do Helloween, mas confesso que gostaria de ter visto trechos um pouco maiores. Quem sentia saudades de Kai Hansen cantando (é ele quem canta em Walls of Jericho), pôde matar as saudades em uma boa performance de “Heal Me”.
Os 3 primeiros LPs do Gamma Ray, nitidamente, são clássicos, mas é nítido que a banda crescia ainda mais nos palcos. A sonoridade ficava ainda mais pesada e agressiva. O show não tem muito papo. A porrada rola solta. Entretanto, não temos aqui 80 minutos de som, conforme prometido na capa do disco. O CD gira em torno de uma hora.
Além de trazer o áudio remasterizado, o álbum traz também duas faixas bônus que não apareciam no vídeo. O medley destruidor de “Dream Healer” e “Heading For Tomorrow”, além da interpretação da música “Gamma Ray”. Essa última, infelizmente, com uma qualidade de som bem inferior às demais.
Gravado em 25 de Setembro de 1993 no Hamburg Docks, Lust for Live revela um momento histórico em uma apresentação explosiva que merece ser conferida por todos os amantes do heavy metal. Ouça no último volume.
Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico
Faixas:
      01)   Intro
      02)   Tribute To The Past
      03)   No Return
      04)   Space Eater
      05)   Changes
      06)   Insanity and Genious
      07)   Last Before The Storm
      08)   Heal Me
      09)   I Want Out / Future World / Ride The Sky
      10)   Future Madhouse
      11)   Dream Healer / Heading For Tomorrow (Bonus Track)
      12)   Gamma Ray (Bonus Track)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Fernanda Abreu – Amor Geral (2016):

ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!
 
Por Davi Pascale 
 
Fernanda Abreu está de volta. Sem lançar um disco de inéditas desde 2004, a cantora carioca retorna revisitada. Amor Geral adapta a artista para o hoje, além de demonstrar uma mudança na criação das letras. Fernanda segue se reinventando.
 
Depois de ter encantando os roqueiros em uma mágica apresentação na primeira edição do Rock in Rio (1985), ao lado da Blitz, com quem ajudou a abrir espaço para a cena BRock (o compacto “Você Não Soube Me Amar” é considerado o primeiro lançamento daquela geração de artistas), Fernandinha marcou uma segunda geração fazendo um pop classudo misturando diferentes sonoridades. Misturava no seu som; o disco, o samba, a black music. Tanto a de Jorge Ben, quanto de James Brown. Vieram hits e mais hits. “Rio 40 Graus”, “Veneno da Lata”, “Garota Sangue Bom”, “Você Pra Mim”...
 
Embora tenha feito um enorme sucesso ao lado do grupo de Evandro Mesquita, o único proveito que tirou dessa história foi a experiência de palco. Seu álbum de estreia, Sla Radical Dance Disco Club (1990), apresentava uma nova linguagem. Tanto estética, quanto musical. Demorou um tempinho até que se fizesse entender. Sua discografia é curta, esse álbum que chega agora às lojas é seu sétimo trabalho de inéditas, mas é forte. Todos os seus trabalhos traziam alguma novidade, alguma inovação. Por isso, esse disco era aguardado com bastante ansiedade entre os apreciadores do universo pop e da cena BRock (sim, a galera gosta dela). E ela fez valer a espera.
 
Lobão, primeiro baterista da Blitz, também retornou à ativa esse ano com um novo álbum. Demorou, mais ou menos, o mesmo período. Mas as razões foram outras. O velho lobo aproveitou esses anos para se aprofundar na lógica de gravação caseira. Decidiu que queria fazer tudo por conta e foi estudar sobre os equipamentos de gravação. Fernanda Abreu, infelizmente, se afastou dos estúdios por problemas pessoais. Passou por poucas e boas. Perdeu sua mãe, enfrentou uma separação de um casamento que durou mais de duas décadas e gerou 2 filhas. Levou um tempo até que conseguisse colocar a cabeça no lugar. E também para que entendesse a nova lógica de se trabalhar com música. Aliás, a cantora promete disponibilizar toda sua discografia nas plataformas digitais em breve. Uma boa sacada.
 
Fernanda Abreu se reinventa em novo álbum
 
As experiências refletem nas letras do disco. Fernandinha larga um pouco das crônicas tão marcantes em sua trajetória e retrata um pouco mais sobre o seu dia-a-dia. “O Que Ficou” é dedicada à seu ex-marido Luiz Stein. Fala sobre o sentimento que ficou após o término da relação. “Por Quem” retrata a dor de lidar com a separação. “Antídoto” foi criada pensando em sua mãe que, na época, enfrentava um coma.
 
Musicalmente, a proposta é basicamente a mesma que vem apresentando em sua carreira-solo. Mistura os beats, a influencia do funk, da disco. Só que com uma linguagem atualizada. Para nós, amantes do rock, aceitar a linguagem do que hoje é vendido como ‘funk carioca’ é uma tarefa quase impossível. Quem acompanha a artista, contudo, sabe que ela é uma das defensoras do baile funk. A artista, que já tinha brincado com a sonoridade em “Baile da Pesada” (Entidade Urbana), volta a brincar com os batidões em “Tambor” e usa uma influencia de leve em “Double Love”, faixa onde retoma a parceria de Fausto Fawcett. Mas não se preocupem, as musicas continuam harmoniosas e sem baixaria.
 
“Deliciosamente” e “Por Quem”, minhas preferidas, resgatam a sonoridade disco. “Amor Geral”, a faixa titulo, mescla batidas eletrônicas com o violão do samba. “Antídoto”, “O Que Ficou” e “Valsa do Desejo” trazem a garota sangue bom em slow beat. Ou seja, as velhas baladas. “Outro Sim” é a famosa canção pop, pronta para tocar nas rádios. 
 
Amor Geral traz a artista de volta à cena com um álbum maduro, bem resolvido e sem renegar suas raízes. Não sei se ela vai conseguir entrar novamente nas paradas de sucesso, espero que sim, mas em uma época onde nossa cena pop anda tão rasa, é ótimo ter uma artista como ela de volta à ativa. Bem-vinda de volta!
 
Nota: 8,0 / 10,0
Status: Maduro e honesto
 
Faixas:
      01)   Outro Sim
      02)   Tambor (part. Afrika Bambaataa)
      03)   Deliciosamente
      04)   Saber Chegar
      05)   Antídoto
      06)   O Que Ficou
      07)   Double Love (Amor em Dose Dupla)
      08)   Por Quem
      09)   Valsa do Desejo  
      10)   Amor Geral

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Sammy Hagar & Friends - Deluxe Edition (CD + DVD):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!

Por Davi Pascale

Sammy Hagar está de volta com mais um grande álbum. Normalmente nesses projetos realizados com amigos é comum o artista regravar suas antigas canções ou gravar um álbum de covers. No caso do red rocker, o músico optou por fazer uma mistura de faixas inéditas com composições de outros artistas. Entre os músicos convidados estão nomes do porte de Taj Mahal, Nancy Wilson (Heart), Joe Satriani, Michael Anthony (Van Halen), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e Kid Rock.

O disco não tem uma sonoridade única. Há diversas referências. Blues (“Winding Down”), música hawaiiana (“All We Need Is an Iland”), rock n roll setentista (“Not Goin´ Down”)... Entretanto, não há nada que faça o fã pensar “o que deu na cabeça desse cara para gravar isso?”. Bem... Na verdade, há uma música que deixará os mais radicais de cabelos em pé. Pelo menos até ouvirem a versão final. A versão de “Personal Jesus” do Depeche Mode. Essa talvez seja a única faixa que possa deixar seus seguidores inconformados. Mas não se preocupem, Sammy não fez um álbum eletrônico. Na verdade, ele transformou o hit oitentista em uma faixa de rock n roll. E deu certo! Aposto que vocês nunca imaginariam ouvir Michael Anthony, Chad Smith e Neal Schon (Journey) tocando Depeche Mode, certo? Bem... Aqui está a oportunidade.

Os outros covers são “Rambin´ Gamblin´ Man” de Bob Seger, “Margaritaville” de Jimmy Buffet e o clássico do blues “Going Down”, imortalizado na voz de Freddie King. Agora o melhor momento blues do disco é realmente a faixa de abertura “Winding Down” que traz um dueto de Sammy com Taj Mahal. Simplesmente matadora! Arranjo simples, mas empolgante. Os outros grandes momentos ficam por conta de “Not Going Down”, que nos remete aos seus tempos de Montrose, e a faixa “Father Sun”. Nesta edição deluxe há ainda uma excelente versão de “Space Station #5”, gravado em um show realizado em homenagem ao falecido guitarrista Ronnie Montrose. Nessa apresentação, Ronnie foi substituído por Joe Satriani, parceiro de Sammy no Chickenfoot.

Músico junta time de peso em álbum inspirado


A faixa ao vivo não é o único bônus da deluxe edition. Há ainda um DVD de aproximadamente 1 hora de duração que conta com cenas de bastidores, o (ótimo) clipe de “Knockdown Dragout”, além de um vídeo com comentários faixa-a-faixa. Essa idéia de ficarem falando sobre todas as musicas do disco, costumo achar meio cansativo, mas aqui foi legal de assistir. Sammy Hagar nunca foi prepotente e acaba fazendo algumas declarações divertidas. Além disso, há depoimentos do produtor do álbum e de outros músicos que participaram da gravação, intercalados com os de Sammy. Tal atitude nos dá uma sensação de estar assistindo um mini-documentário, o que torna o vídeo mais atraente.

Samuel Roy Hagar encontra-se com 66 anos de idade. É incrível ver como sua voz ainda continua forte. De todos os vocalistas de rock n roll que já passaram dos 60 anos, os únicos que me recordo e ainda estão com uma voz incrivelmente potente são Steven Tyler e ele. A energia do cara não se esgota. No vídeo, há imagens dele participando de corridas de stock car, brincando com outros músicos nos bastidores, correndo no palco de um lado para o outro. Pelo visto, ainda tem muita lenha para queimar. Só espero que antes de parar, resolva fazer uma apresentação no Brasil. Esse é um artista que gostaria de assistir.

Nota: 08/10
Status: Diversificado e inspirado

Faixas:
      01)   Winding Down
      02)   Not Going Down
      03)   Personal Jesus
      04)   Father Sun
      05)   Knockdown Dragout
      06)   Ramblin´ Gamblin´ Man
      07)   Bad on Fords And Chevrolets
      08)   Margaritaville
      09)   All We Need Is An Island
      10)   Going Down
11)   Space Station #5 (Bonus Deluxe Edition)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Garbage – Strange Little Birds (2016):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!
Por Davi Pascale

Garbage acaba de lançar novo álbum. Strange Little Birds mantém suas principais características, ao mesmo tempo em que inova os aproximando de uma pegada mais sombria, mais melancólica. Seus fieis seguidores, contudo, irão gostar do material.

21 anos se passaram desde que o Garbage lançou seu álbum de estreia (o ótimo G) e Shirley Manson encantou milhares de jovens roqueiros ao redor do mundo. Isso seria tempo suficiente para que a banda criasse dezenas de discos. Infelizmente, poucos trabalhos foram lançados. Esse é o sexto de sua trajetória. Agora... Verdade seja dita, sempre apresentaram materiais interessantes. E esse é mais um deles.

Algumas (poucas) faixas aqui nos remetem aos seus dias de glória. “Empty” e “We Never Tell”, por exemplo, poderiam facilmente estar no seu debut de 1995. Resgatam a sonoridade clássica do grupo. Linhas vocais bem 90´s. Programações bem no espírito da época. Quem sente saudades de quando faixas como “Only Happy When It Rains” e “Stupid Girl” invadiram as programações de rádio mundo afora, irá delirar.

Contudo, os músicos estão com um pé no presente. Embora nunca tenham se distanciado muito de sua proposta, procuraram sempre trazer algo novo em seus trabalhos. Nunca apostaram na fórmula mais do mesmo. E não seria agora, que já possuem uma base de seguidores consolidada, que iriam relaxar.

Strange Little Birds aposta em sonoridade mais melancólica


Claro, suas principais características estão ali. As baterias programadas de Butch Vig, a voz inconfundível de Shirley Manson, as guitarras levemente distorcidas. Caso contrário, não soaria um álbum do Garbage. O grande diferencial é que, de uma maneira geral, o álbum está mais melancólico, com várias faixas arrastadas, melodramáticas, com um ‘q’ experimental. “Sometimes”, responsável por abrir o CD, já dá a dica. Essa pegada aparece com força em faixas como “If I Lost You”, “Even Though Our Love Is Doomed” ou “Amends”.

Outro lado sempre presente no trabalho do grupo são as músicas com uma pegada mais dançante. E isso continua presente em seu trabalho. “Magnetized” é a primeira a resgatar esse espírito, mas a mais forte é, sem dúvidas, “So We Can Stay Alive”.

Strange Little Birds , segundo trabalho lançado de maneira independente, irá satisfazer seus fieis seguidores e não aquele que busca novos hits. A influência da musica pop, da pegada dançante continua marcando seu som, mas não é um álbum exatamente comercial. Não se encaixa nos padrões de rádio dos dias atuais. De todo modo, é seu trabalho mais forte e mais consistente em anos. Vá sem medo!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Sombrio

Faixas:
      01)   Sometimes
      02)   Empty
      03)   Blackout
      04)   If I Lost You
      05)   Night Drive Loneliness
      06)   Even Though Our Love Is Doomed
      07)   Magnetized
      08)   We Never Tell
      09)   So We Can Stay Alive
      10)   Teaching Little Fingers To Play 
      11)   Amends

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Stryper – Live In Japan (1986):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!

Por Davi Pascale

Sexta-feira santa! Dia de lembrarmos da crucificação e da morte de Jesus Cristo. Muitas pessoas optam por não comer carne vermelha no dia de hoje, mas não há nada que te proíba de ouvir um bom rock n roll. Ainda mais quando existem bandas com temática cristã, como essa que tratamos no post de hoje.

O Stryper é uma das mais populares bandas da cena de white metal. Foram a primeira banda do gênero a cruzarem território. Ou seja, saírem da cena local, irem além dos ouvintes de música cristã. E foi exatamente na época dessa apresentação. Seu segundo disco, Soldiers Under Command, foi o primeiro álbum do gênero à atingir disco de ouro. O LP vendeu, na época, pouco mais de 500.000 discos. Um número bem expressivo para a vertente, até então.

O trabalho foi lançado em 15 de Maio de 1985. O show foi gravado em 8 de Julho do mesmo ano. Ou seja, bem no momento da explosão, do alvoroço. O fato de ter sido filmado no Japão, faz com que a histeria seja ainda maior, ganhe ar de uma banda realmente grande. Por alguma razão, os japoneses são apaixonados por heavy metal. Pode notar que, até hoje, os grupos brasileiros comemoram quando há uma turnê por lá. O Viper, por exemplo, gravou seu primeiro álbum ao vivo (Live Maniacs In Japan) na terra do sol nascente.

Músicos tinham preocupação com figurino

Live In Japan foi gravado em 1985, mas só chegou às lojas em 1986. O material nunca foi lançado em vinil. Somente em VHS. Quem colecionava gravações de artistas de heavy metal nos anos 80 e início dos anos 90, eram familiarizados com esse vídeo e com o In The Beginning (filme com clipes e imagens de bastidores). Atualmente, a galera pode correr atrás de um bootleg prensado que atende pelo nome de The End Is The Beginning. O DVD traz as 2 fitas de vídeo e um show raro de 2006. A qualidade de imagem é ótima.

Como era comum entre as fitas da época, principalmente das bandas novatas, o registro não era muito longo. O vídeo dura aproximadamente 55 minutos. O show é uma paulada só. Pouquíssimas falas. Sem solo de bateria ou de guitarra. Som atrás de som. O setlist é super bem dosado. 6 músicas do Soldiers Under Command, 5 do Yellow And Black Attack. Só lamento que tenha ficado de fora “The Rock That Makes Me Roll” e “Reach Out”. Tirando essas, as demais músicas que são essenciais desse período estão aqui.

Haviam algumas mudanças em relação aos shows de hoje. Existiam algumas coreografias. Michael Sweet arriscava algumas dancinhas. Principalmente nas duas faixas onde não tocava guitarra: “Makes Me Wanna Sing” e “C´mon Rock”. Os músicos se vestiam todos iguais, utilizando as cores amarelo e preto, presentes também no palco.  Usavam os cabelos compridos e volumosos, como pedia o figurino. Certamente, o pessoal de igreja não aplaudia o visual dos rapazes tanto quanto aplaudiam a mensagem das letras. Após o letreiro, há algumas rápidas palavras dos músicos e o cantor manda. “Sei que nosso visual não é muito cristão, mas tenho certeza que Jesus julga as pessoas pelo coração e não por sua aparência”. Na real, o visual deles era exatamente o mesmo das bandas de hair metal da época.

A performance de Michael Sweet já chamava a atenção



A banda apostava em um heavy metal direto, mas nunca deixaram de fazer baladas. A escolhida desse show foi “First Love”. Porém, como todo bom grupo de rock, os destaques eram realmente nas porradarias. “Loud n Clear”, “You Know What To Do”, “Together Forever” e “Soldiers Under Command” são os grandes destaques do show.

Michael Sweet já se destacava no trabalho vocal. Canta o tempo todo com a voz para cima, arrisca alguns agudos. Também chamava a atenção na guitarra, embora nesse quesito o tresloucado Oz Fox fosse imbatível. Robert Sweet já tocava, ou melhor, socava sua bateria com o instrumento posicionado de lado. O público ia à loucura com a performance enérgica dos garotos.

A produção de palco era simples, porém eficiente. Logo da banda bem grande atrás do palco, iluminação correta. Ao contrário de vários grupos do segmento, os músicos não são de ficar pregando no microfone. O máximo que faziam era distribuir algumas bíblias em determinado momento do show. Algo que fazem até hoje. As mensagens estão nas letras. Talvez esse seja um dos motivos de conseguirem aproximar várias pessoas que não são exatamente religiosas para suas apresentações. Um show do Stryper é nada mais do que um show de heavy metal. Bumbo duplo, vocal gritado, duelos de guitarra, refrãos fáceis de cantar.

Foi através desse vídeo que me tornei fã do grupo, portanto posso dizer que serve de porta de entrada para quem não conhece a obra dos rapazes. Outra excelente porta de entrada é o magnífico álbum Against The Law, CD que conta com letras mais afastadas da temática religiosa, o que ajudou a perder um pouco de público na época, mas deixaremos isso para um futuro post. Coloque o DVD para rodar e boa sexta-feira santa.

Faixas:
      01)   Make Me Wanna Sing
      02)   Lound n Clear
      03)   From Wrong to Right
      04)   You Know What To Do
      05)   Surrender
      06)   Together Forever
      07)   First Love
      08)   Loving You
      09)   Soldiers Under Command
      10)   C´mon Rock 
      11)   Battle Hymn Of The Republic

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Alice Cooper – Peter And The Wolf In Hollywood (2015):



ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!

Por Davi Pascale

História clássica ganha nova versão. E, mais uma vez, um roqueiro se aventura no universo de narrador. Dessa vez, o escolhido foi o cantor Alice Cooper. A escolha não poderia ter sido melhor.

Em 1936, o compositor russo Serguei Prokofiev, escreveu uma história infantil conhecida pelo nome de Pedro e o Lobo. O grande barato é que a historinha era contada através da música. Cada personagem tinha um instrumento que o representava. Isso fez com que, ao passar dos anos, músicos renomados fossem convidados para gravar a narração de alguma versão que estivesse sendo realizada. No Brasil, tivemos o cantor Roberto Carlos e a roqueira Rita Lee se aventurando no universo. No exterior, tivemos o camaleão do rock David Bowie e, agora, Alice Cooper.

Na história original, Pedro é um garoto que vive com seu avô no campo russo. Um belo dia, ao deixar a porta do jardim aberta, começa uma baita confusão no universo dos bichos. O pato se ataca na lagoa e começa a discutir com o pássaro. O gato fica na dele. O avô rabugento vai buscar o garoto e fecha a porta do jardim com o medo de aparecer algum lobo. Dito e feito, o animal aparece. O gato e o pássaro escapam, mas o pato não. Pedro monta uma armadilha para capturar o lobo e resgatar o pássaro. Alguns caçadores tentam atirar no animal, mas o garoto o impede. Ao invés disso, o animal é levado ao zoológico através de uma triunfante procissão.

A ideia do disco é mantida. Cada animal continua sendo representado por um instrumento. A parte musical continua sendo criada através da música clássica. Dessa vez, conduzida pelo maestro inglês Alexander Shelley. Os arranjos são muito bem executados e intrigantes. Dão asas à imaginação.

Alice Cooper é o responsável pela narração do disco

A história, contudo, foi adaptada ao presente. Agora, Pedro é um garoto russo que vai à Hollywood conhecer seu avô, um velho hippie. O lobo é um animal que fugiu do zoológico. A cidade entra em desespero ao receber a notícia nas rádios e na televisão. Paparazzis estão por todos os cantos, tentando conseguir um registro. O garoto resolve criar armadilhas para caçar o animal e devolvê-lo ao zoológico. Chega até mesmo a construir um robô, mas acaba mesmo resgatando o animal, usando a velha tática com uma árvore, uma corda e a ajuda do pássaro, assim como acontecia na história original.

Alice Cooper se sai muito bem narrando a história. Faz diferentes vozes. Utiliza-se de diferentes entonações. Narra no tempo certo. É como se estivéssemos ouvindo um desenho animado. Por vezes, até nos esquecemos que estamos ouvindo um astro do rock contar uma história infantil. “Escutei a história pela primeira vez em Detroit. Devia ter uns 5 ou 6 anos. Minha mãe costumava tocar o disco para mim. Imediatamente, era transportado para outro mundo. Foi muito divertido, para mim, fazer algo diferente, depois de 50 anos nesse negócio. E  eu amo o fato do personagem ter progredido”, declarou o cantor em nota oficial.

A nova historinha também foi lançada no idioma de seu criador, realizada por Campino, um cantor russo. No Brasil, entretanto, a versão que chega às lojas é a versão em inglês com Alice Cooper. Lembrando que o encarte não traz a história por escrito, nem em inglês, nem em português. Portanto, se você não tiver um bom domínio da língua inglesa, terá grandes dificuldades de compreender a história. Se você tem um bom domínio do idioma e gosta de ouvir coisas diferentes (afinal, esse disco deve ser encarado como um disco infantil), o registro é interessantíssimo. Achei a audição bem intrigante, mas é por sua conta e risco.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Inteligente e bem produzido

Faixas:
      01)   Peter Arrives And Settles In Los Angeles
      02)   Peter´s Birthday
      03)   The Wolf Hunt Begins
      04)   Peter Builds The Robot
      05)   The Hunt Continues
      06)   Back At Grandfather´s Home
      07)   Peter Is Greeted By The Bird
      08)   The Duck Waddles Over
      09)   Peter Notices The Cat
      10)   Grandfather Warns Peter
      11)   The Wolf Reappears
      12)   The Duck Is Caught
      13)   The Wolf Stalks The Bird And The Cat
      14)   Peter Prepares To Catch The Wolf
      15)   The Bird Diverts The Wolf
      16)   Peter Catches The Wolf
      17)   The Paparazzi Arrive  
      18)   The Procession To The Zoo

sábado, 29 de outubro de 2016

Yngwie Malmsteen – World On Fire (2016):

ESTOU DE FÉRIAS. POR CONTA DISSO, ATÉ O DIA 15 DE NOVEMBRO, O BLOG RIFF VIRTUAL REPRISARÁ ALGUMAS MATÉRIAS. APÓS ESSA DATA, RETORNAREI COM TEXTO INÉDITO. LET´S ROCK!!!

Por Davi Pascale
Yngwie Malmsteen acaba de soltar um novo álbum. Disco mantém seu velho estilo e traz o músico se aventurando pela primeira vez como cantor.
Quem viveu os anos 80 e início dos anos 90 lembra-se com clareza do impacto que o guitarrista sueco teve entre os músicos e ouvintes daquela geração. Influencia direta para músicos como Timo Tolkki (Stratovarius), Malmsteen se destacou por trazer referências da musica clássica para dentro do heavy metal e pela enorme velocidade nos momentos dos solos.
Também se destacou pelo seu perfeccionismo, pela sua presença de palco e por trabalhar com grandes músicos. Vários deles ganharam destaque na cena depois de terem trabalhado com o guitarrista. Caso de Mark Boals ou Jeff Scott Soto. E aí entra a primeira a decepção dessa nova fase. Cada vez mais, ele quer fazer tudo sozinho. Em World On Fire, por exemplo, ele escreveu as letras, fez os arranjos, produziu o disco, gravou teclado, violão, baixo, violoncelo, sítar, guitarra e voz. Somente a bateria que ele não se arriscou e deixou a cargo de Mark Ellis. Musico que o acompanha desde 2013. Nick Marino colaborou em alguns teclados, mas não cantou uma nota sequer (é ele quem canta nos shows).
Ninguém duvida da capacidade dele enquanto músico. O cara na guitarra é praticamente um gênio. Utilizar as técnicas que ele utiliza na velocidade em que ele utiliza é algo surreal. Mas, para produção, por exemplo, acho que ele fica a dever. Sonoridade um pouco pobre, em termos de mixagem, para alguém com sua história.
Musico faz estreia nos vocais
Querendo gastar cada vez menos com músicos de apoio, agora ele se aventurou nos vocais também. Ele já tinha gravado voz em algumas faixas antes, mas sempre musicas com uma pegada mais blues. Agora, ele resolveu cantar o material de heavy metal mesmo. No disco, isso não é um grande problema. Ele tem um timbre de voz bacana e é afinado. Até porque são poucas as faixas cantadas. Três, se não me engano. O problema é se ele inventar de assumir o microfone na próxima turnê. Embora cante bem, ele não tem o alcance necessário para reproduzir seus grandes clássicos que o publico sempre espera.
O disco é Yngwie Malmsteen sendo Yngwie Malmsteen. Bateria veloz, solos velozes. A logica musica clássica + heavy metal continua firme e forte. Aposta cada vez mais em faixas instrumentais. As músicas são boas, mas nenhuma tem a força para se tornar uma nova “Black Star” ou uma nova “Far Beyond The Sun”.
É um trabalho bacana de se ouvir, sem duvidas, mas longe do brilho de álbuns como Seventh Sign, Trilogy ou Odyssey. Em um próximo álbum também gostaria de ver um cantor de frente e mais músicas cantadas. Esse cara escreveu verdadeiros hinos do heavy metal como “You Don´t Remember, I´ll Never Forget”, “I´ll See The Light Tonight”, “Queen In Love”, “Rising Force”, “Heaven Tonight”, “Deja Vu”… A impressão que me dá é que ele está meio acomodado. Ainda estou esperando o próximo grande album do rapaz. Malmsteen, ainda acredito em você. 
Nota: 7,0 / 10,0

Status: Fiel

Faixas:
      01)   World On Fire
      02)   Sorcery (Instrumental)
      03)   Abandon (Instrumental)
      04)   Top Down, Foot Down (Instrumental)
      05)   Lost In The Machine
      06)   Largo (Instrumental)
      07)   No Rest For The Wicked (Instrumental)
      08)   Soldier
      09)   Duf 1220 (Instrumental)
      10)   Abandon (Slight Return) (Instrumental)
11)   Nacht Musik (Instrumental)