sábado, 22 de outubro de 2016

Notícias do Rock

Por Davi Pascale

Fique por dentro das principais novidades do mundo do rock. Curiosidades, lançamentos, shows no Brasil... Todos esses assuntos, entre outros mais, estão sempre presentes na nossa matéria semanal. Confira a seguir...


Deep Purple lançará novo álbum



O baixista Roger Glover publicou um vídeo afirmando que o Deep Purple já está com um novo álbum pronto. Segundo o músico, a parte de gravação e da mixagem já estão completas. Glover afirma que as gravações iniciaram em Fevereiro e que eles ainda não têm o nome do disco decidido. O novo trabalha chegará as lojas em 2017.


Vince Neil é preso



Em Abril desse ano, o cantor do Motley Crue entrou em uma confusão em Las Vegas junto ao ator Nicolas Cage. Na história relatada na ocasião, Vince teria puxado uma mulher pelo cabelo depois que ela se aproximou da mesa deles pedindo um autografo do Nicolas Cage. Inicialmente, o artista tentou negar a história, mas a investigação continuou e o músico assumiu a culpa. Neil pagará 1.000 dólares de fiança e ficará em liberdade condicional durante 6 meses. Contudo, Kelly Guerrero, a garota em questão, contratou um advogado e abriu um processo contra o rockstar. Não foram divulgados os valores exatos, mas a expectativa é de que o cantor tenha que desembolsar algo entre US$75.000,00 e US$150.000,00. 


Zakky Wylde transmitirá show online




O músico Zakky Wylde transmitirá uma apresentação do seu projeto Zakk Sabbath. Além de Zakk, fazem parte da banda o baixista Rob Nicholson e o baterista Joey Castillo. O repertório, como o próprio nome sugere, é formado por canções do Black Sabbtah. O show ocorrerá em Nova Iorque, no dia 31 de Outubro, e será transmitida pelo site zakksabbath.live. O horário programado para inicio é de 22:30h (horário de Brasília).


Chuck Berry prepara disco novo




Essa semana o músico Chuck Berry completou 90 anos de idade. O artista que foi influência direta para grandes ícones do rock – como Beatles e Rolling Stones – anunciou que lançará um novo álbum no próximo ano. Esse será seu primeiro trabalho de inéditas desde Rock It (1979).


Lobão e Sepultura em turnê conjunta





O músico Lobão e uma das maiores bandas de heavy metal do Brasil, Sepultura, farão uma turnê juntos. Se a galera do metal for ao show de mente aberta, teremos uma gira bem interessante. Quem já viu o Lobão em cima do palco sabe que o rapaz não costuma deixar pedra sobre pedra.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Green Day – Revolution Radio (2016):



Por Davi Pascale

Novo álbum do Green Day não inova em termos de sonoridade, mas satisfaz com composições acima da média. Disco explora críticas político-sociais em várias letras.

Atualmente, os fãs de Green Day dividem-se entre os pós Dookie e os pós American Idiot. Na ópera rock de 2004, os músicos se reinventaram, explorando diferentes estruturas nas construções de suas músicas. De lá para cá, muitos críticos vêm cobrando para que os garotos repitam o feito. Só que isso não acontece a todo momento e tem que ser natural. Entre fazer algo diferente e fake ou fazer um álbum sem invencionices, mas honesto, fico com a segunda alternativa.

Para o bem ou para o mal, Revolution Radio é Green Day sendo Green Day. Os arranjos mantêm aquela pegada pop punk. Sim, a pegada comercial continua se fazendo presente, mas eles parecem gostar dessa brincadeira e fazem bem feito. De maneira geral, soa mais próximo ao que o trio vem aprontando desde American Idiot, mas há alguns momentos de nostalgia no álbum. Oras mais velozes, oras mais melódicos. O single “Bang Bang” remete aos tempos de Insomniac com guitarras diretas, bateria reta e veloz. “Too Tumb To Die” soa como um b-side de Warning. A balada “Outlaws” também levará seus fãs de volta aos anos 90.

Alguns dirão que eles reciclaram velhas ideias em algumas musicas. “Forever Now”, por exemplo, é uma nova opera-rock de quase 7 minutos construída por diferentes suítes. Estrutura explorada em “Jesus of Suburbia”. “Ordinary World” é mais uma balada voz/violão, assim como foi “Time Of Your Life”. Como podem notar, as referências existem, mas não vejo isso de maneira negativa. Se as canções foram criadas pela mesma mente, acho normal que exista alguma relação entre seus álbuns. E isso ocorre com frequência na discografia de 90% dos artistas.

As críticas política-sociais aparecem em diversas letras, algo sempre bem vindo. A ideia da faixa-título nasceu dois anos atrás, na cidade de nova Iorque, depois que o cantor Billy Joe Armstrong se infiltrou no Black Matter Protest, uma manifestação contra a violência policial em relação à comunidade negra. “Estava no meu carro, fazendo o trajeto do Brooklyn à Manhattan e haviam aqueles protestantes, sobre o que havia ocorrido em Fergunson, segurando o trafico. Saí do carro e marchei junto com eles durante um tempo. Estive observando, reparando no que acontecia e acabei escrevendo sobre isso”, explicou o músico para a Rolling Stone americana.  “Troubled Times” retrata a ideia de se viver em um mundo com forte racismo (algo muito forte na cultura norte-americana) e desigualdade financeira.

Há também algumas questões pessoais. “Somewhere Now”, fala sobre enfrentar seus próprios demônios e foi escrita após o cantor sair de um rehab, enquanto “Youngblood” é dedicada à sua esposa Adrienne.

É bem capaz que vários críticos malhem o álbum. Seus fãs, entretanto, irão se empolgar com o novo CD. Desde o já citado American Idiot que os músicos não vinham com um álbum tão consistente. As músicas, em sua maioria, continuam sendo curtas. Os refrãos pop continuam. As linhas vocais seguem o mesmo padrão. Enfim, trazem tudo aquilo que seus seguidores esperam. Se você curte a banda pode ir sem medo. Ótimo disco!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Fiel

Faixas:
      01)   Somewhere Now
      02)   Bang Bang
      03)   Revolution Radio
      04)   Say Goodbye
      05)   Outlaws
      06)   Bouncing Off The Wall
      07)   Still Breathing
      08)   Youngblood
      09)   Too Dumb To Die
      10)   Troubled Times
      11)   Forever Now 
      12)   Ordinary World

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Lisa Marie Presley – To Whom It May Concern (2003):



Por Davi Pascale

Filha do rei do rock se arriscava na carreira de cantora. Disco apostava em sonoridade de contemporânea e trazia um resultado satisfatório.

Não é raro vermos filhos de grandes astros da música tentando seguir os passos de seus pais. Isso ocorre dentro e fora do rock. Para ser mais justo, diria que ocorre na arte de um modo geral. A ideia de ser filho de um grande ídolo abre algumas portas, mas também gera uma cobrança maior. É necessário provar que você tem um enorme talento para que não seja acusado de aproveitador.

Indiscutivelmente, Lisa Marie Presley, não tinha o mesmo talento que seu pai, o rei do rock, Elvis Presley. O garoto de Tupelo deu uma nova cara ao gênero, foi influencia direta para diferentes gerações de músicos, foi ousado, além de ter uma voz fora do comum. Qualquer canção que gravasse, passava a ser sua, ficava quase impossível desassociar dele. Lisa Presley fazia um trabalho competente, mas comum.

Bonita, a garota poderia ter causado um certo alvoroço no mercado, caso não tivesse que lidar com uma cobrança tão grande. Não vamos nos esquecer que imagem no meio artístico, queira ou não, vende. Musicalmente falando, ela não era ruim, mas passava longe de ser inovadora ou de ter uma voz que impressionasse. De todo modo, estava fazendo a jogada certa.

Todas as composições do disco tinham suas mãos por trás. Entre seus grandes parceiros, estava Glen Ballard. No Brasil, ele é muito lembrado por ter produzido o emblemático Jagged Little Pill, da cantora canadense Alanis Morissette, mas sua história vai além. Glen também é responsável por auxiliar na construção de diversas letras do Aerosmith, além de ter ajudado a compor “Man In The Mirror”, sucesso do rei do pop, no álbum Bad.

A associação não poderia ser mais perfeita. Lisa tinha um histórico com Michael (para quem não sabe ela foi casada com ele. É ela quem contracena com o cantor no clipe de “You Are Not Alone”) e tentava surfar nessa onda mais alternativa. Os arranjos do disco são uma mescla de Alanis Morissette com Sheryl Crow.

Bem gravado, a única reclamação é que o álbum poderia trazer algumas canções que fossem rock de fato. O que temos aqui são 11 baladas pop/rock. As músicas são boas, o trabalho era bem feito, mas carecia de hit, daquela musica que ficasse na sua cabeça e te fizesse querer ouvir de novo e de novo.

Não tive acesso à nenhum registro da moça ao vivo, mas seu trabalho vocal no disco é bom. Não chega a ser tão marcante quanto o trabalho de uma Alanis, mas é respeitável. Diria que a garota fez um trabalho correto e bem agradável. Seu timbre de voz é muito bom e ela parecia conhecer bem seu limite.

Outro problema que pode – e deve – ter colaborado para que sua carreira não decolasse creio que seja sua postura. Quando alguns críticos se dirigiam à ela como princesa do rock, era apenas uma brincadeira por ser filha do rei do rock, de santinha não tinha nada. Casou com Michael, meses após o músico ter sido acusado de estar envolvido em pedofilia, separou de Nicolas Cage após 3 meses em um segundo casamento, teve experiências com drogas pesadas na adolescência. Nesse exato momento, encontra-se em uma clinica de reabilitação para tentar largar seus vícios, mais uma vez. Estados Unidos é um país conservador e esse tipo de postura em um artista que deseja fazer parte da cultura pop é sempre complicado.

To Whom It May Concern, contudo, independente de qualquer situação, era um projeto bem desenvolvido e contava com faixas bem interessantes como “S.O.B”, “Lights Out”, “Important”, além da faixa-título, responsável por fechar o álbum. Vale uma conferida.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   S.O.B.
      02)   The Road Between
      03)   Lights Out
      04)   Better Beware
      05)   Nobdy Noticed It
      06)   Sinking In
      07)   Important
      08)   So Lovely
      09)   Indifferent
      10)   Gone
      11)   To Whom It May Concern

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Kip Winger – Another Way:



Por Davi Pascale

Em 1997, Kip Winger lançava seu primeiro trabalho acústico. Álbum foi bem recebido entre seus admiradores e ganhou diferentes versões com pequenas mudanças. CD merece ser redescoberto.

Existe muita gente que gosta de tirar sarro dessa turma dos anos 80. As razões são duas: o visual exagerado e a questão de não se importarem em serem comerciais. Os refrãos eram chicletes, os álbuns tinham baladas, toda aquela velha história. Entretanto, muitos tinham uma qualidade alta em seu trabalho. O Winger era um desses casos.

Kip Winger era o baixista, cantor e um dos compositores da banda. O músico sempre se manteve na ativa. Seja ao lado do Winger (que voltou à estrada em 2006 e seguem na ativa), seja enquanto cantor solo. A primeira vez que esteve em nosso país, foi exatamente na época do lançamento desse álbum, para uma apresentação voz/violão.

Pessoalmente, essa foi uma fase difícil para o músico. Um ano antes, em 1996, sua esposa Beatrice morreu em um acidente de carro. Fato que deixou o músico extremamente abalado e desiludido. Esse projeto acústico é como se ele estivesse tentando compreender quem ele era. Resgatava músicas de seu primeiro álbum solo, o ótimo This Conversation Seems Like a Dream, ao mesmo tempo em que trazia versões repaginadas de seus tempos de MTV.

Se, por um lado, sua vida pessoal estava abalada. De outro, sua vida profissional estava em um ótimo período. Não exatamente em termos de popularidade. Seus trabalhos solo nunca tiveram a atenção que mereceriam. Mas, em termos artísticos. Seu debut trazia um músico inspirado e totalmente repaginado. Apostando em um pop meio Sting, digamos assim.

O álbum desplugado foi lançado com três capas, três nomes e algumas (poucas) mudanças de setlist. A versão europeia atendia pelo nome de Made By Hand e trazia um retrato do músico, a versão japonesa é a imagem que vocês conferem no início da matéria e traz de bônus, uma releitura de “Who´s The One”. Já a versão norte-americana, atende pelo nome de Down Incognito e conta com o repertório de Made By Hand, acrescido de “Rainbow In The Rose” e “Blind Revolution Mad”. Não existe nenhuma versão que contenha todas as faixas.

Os arranjos são simples, com poucos instrumentos, contam com uma pegada intimista, mas são muito bem construídos. São ricos em detalhes. Algumas apostam no formato violão/voz, caso de seu maior hit “Miles Away”. Mas a maioria traz algum complemento. Um segundo violão, um teclado, um baixo...

As linhas vocais foram mantidas. Entretanto, vários arranjos foram repaginados. Kip Winger ficou responsável pela gravação de quase todos os violões, todos os baixos e todos os vocais. A maioria dos convidados atacou na área da percussão. Uma participação nas seis cordas que vale ser mencionada é a do monstro Andy Timmons (Danger Danger) em “Daniel”. Simplesmente fantástico. O trabalho vocal de Kip Winger é absurdo. Canta com alma e possui uma voz forte a um alcance alto.

Para quem já conhece um pouco de sua obra, diria que a aquisição desse trabalho é essencial. Conseguimos enxergar sua música, através de uma outra ótica, ao mesmo tempo em que viajamos no tempo relembrando alguns de seus grandes sucessos. Para quem não está familiarizado, o álbum só serve para notar o quão talentoso é o rapaz e o quão injusto é o tratamento que merece de parte da crítica especializada, mas não dará uma noção da musicalidade que o tornou famoso. Para esses recomendaria ouvir o primeiro álbum solo, This Conversation Seems Like a Dream, e o CD ao vivo Winger Live, que chegou a ser lançado no Brasil, inclusive. E depois disso, por favor, recorram ao álbum Pull.

Another Way mostra um artista criativo, um excelente compositor, excelente cantor e ótimo músico. Demonstra que é possível fazer um grande álbum com poucos recursos. A importância de se ter boas canções, boas melodias, em seu repertório. Disco bem legal!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Intimista e bem resolvido

Faixas:
      01)   Another Way
      02)   Down Incognito
      03)   Under One Condition
      04)   Miles Away
      05)   Steam
      06)   Headed for a Heartbreak
      07)   How Far Will We Go
      08)   Naked Son
      09)   Spell I´m Under
      10)   Easy Come Easy Go
      11)   Who´s The One 
      12)   Daniel

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Stars on 45 – Long Play Album (1981):



Por Davi Pascale

Hoje, resolvi fazer diferente e comentar sobre um LP que escutei bastante na minha infância. Um projeto diferente e muito bem feito. Quem viveu a época certamente irá se lembrar, já que o LP fez bastante sucesso na ocasião, o Stars On 45.

Aqui no Brasil, o disco que fez sucesso foi o primeiro volume, esse que estou comentando hoje, mas ao todo foram lançados 6 álbuns desse projeto. Chegaram a lançar por aqui até um álbum de um dos cantores envolvidos, o Bas Muys. Um LP que ele criou somente com as músicas que Lennon/McCartney escreveram e deram para outros artistas, mas deixarei esse assunto para outra ocasião.

Se por acaso, você resolver se aprofundar no trabalho dos rapazes e for correr atrás dos discos, cuidado porque esse primeiro LP foi lançado com várias capas diferentes. Eu mesmo, tenho duas em casa...

Algum tempo atrás escrevi sobre o Jive Bunny que é um álbum de remixes criado somente em cima de músicas dos anos 50 e 60. A pegada é parecida aqui. Foram criados medleys, utilizando varias musicas com poucos segundos e, nesse caso aqui, sempre mantendo a mesma levada de bateria por trás. Uma pegada meia disco, ainda que tenham mantido os trabalhos de guitarra e as linhas vocais.

Capa da edição americana
A grande curiosidade é que eles não utilizaram as vozes originais, todos os vocais foram regravados e os caras cantavam muito bem. Fizeram as mesmas linhas, as mesmas harmonias, muitíssimo bem executadas. O repertório, em sua maioria, era de canções de rock n roll dos anos 50 e 60. O lado A, tinha somente música dos Beatles. O lado B era variado. Passando por Roy Orbison, Neil Sedaka, Little Richard, The Archies entre tantos outros. O disco é divertidíssimo. É um trabalho bem bacana para deixar rolando em festas, eventos...

A mente por trás desse trabalho era o Jaap Eggermont, um produtor holandês. Quem é ligado em rock dos anos 60, já deve ter lido sobre ele por aí, já que ele foi o primeiro baterista do Golden Earring. Exato, aquele grupo que cantava “Radar Love”. Em 1979, o músico ouviu um medley em uma loja de discos onde misturavam disco com rock n roll e daí veio a ideia de fazer algo similar.

Para conseguir um trabalho satisfatório, recorreu a músicos de estúdio para criar as linhas vocais. Daí, o motivo de ser tão bem feito. Era tudo músico profissional. As linhas vocais foram gravadas por Bas Muys, Hans Vermeulen, Okkie Huysdens, Jody Pijper, Albert West e Arnie Treffers. Além das canções conhecidas, existe uma vinheta criada para o projeto que é utilizada a cada grande mudança ocorrida. Essa vinheta foi criada por Eggermont e por um compositor chamado Martin Duiser. A letra da vinheta era original. A melodia, não. Altamente inspirada nos clássicos da musica disco. A referência de Bee Gees, fase Embalos do Sábado à Noite, por exemplo, é gritante. Mas, mesmo que você odeie esse som, não se preocupe, já que é uma vinheta, ou seja, passagens curtas.

Mesmo sabendo que a maioria dos rockers odeiam disco music, achei bacana escrever sobre o projeto por aqui, porque as composições são todas de rock e também pela qualidade do material desenvolvido. Quem for fã de Beatles, em especial, irá adorar, já que algumas vozes são bem similares. O disco fez um baita barulho na época, rendendo músicas nas rádios e lançamentos de singles. Um álbum, no mínimo, divertido. Vale dar uma checada.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Divertido

Faixas:
      01)   Beatles Medley
      02)   Stars On Medley
      03)   Long Tall Ernie & The Shakers Medley 1 
      04)   Long Tall Ernie & The Shakers Medley 2

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Paulo Ricardo & RPM - Paulo Ricardo & RPM (1993):

pauloricardo1


Texto publicado originalmente no site Consultoria do Rock
Por Davi Pascale


Paulo Ricardo & RPM – Hard e pop na mesma frequencia:

Muitas vezes o carisma de um artista acaba encobrindo seu talento. As pessoas começam a olhar com certa desconfiança e deixam de acompanhar o trabalho de artistas extremamente competentes por conta do visual do cantor, da sua popularidade com as garotas e outras bobeiras mais. Acabam pegando raiva sem mesmo ter ouvido algo do mesmo. Poderia citar uma infinidade de exemplos. Um exemplo polêmico no Brasil é o do eterno “RPM”, Paulo Ricardo. A coisa piorou ainda mais depois que na segunda metade da década de 90 ele se arriscou em uma (curta) carreira romântica. E, para ser honesto, os discos não eram ruins. Dentro daquilo que ele se propunha a fazer, eram projetos bem sucedidos.

É verdade que o rapaz fez alguns discos realmente questionáveis (como o fraco projeto PR.5), mas fez muita coisa legal também. E dentro do nosso tão amado rock n´ roll, inclusive. Nem só de Revoluções Por Minuto vive sua discografia. Aposto que muitos leitores que acompanham esse site, nunca ouviram o trabalho que o músico lançou no longínquo ano de 1993. Exatamente duas décadas atrás. E aposto que uma boa parte iria se apaixonar pelo disco se deixasse o preconceito de lado.

Na época, Paulo Ricardo Oliveira Nery de Medeiros, queria retomar o grupo RPM. Na década anterior, o grupo tinha sido o grande vendedor de discos do Brasil. O sucesso que esses caras fizeram na época do LP Rádio Pirata talvez só pudesse ser comparado ao estardalhaço causado pelo Secos & Molhados, nos anos 70. Até hoje ninguém conseguiu repetir o sucesso deles. Quem mais chegou perto foi o irreverente grupo Mamonas Assassinas, talvez o último verdadeiro fenômeno da música popular brasileira. Os caras eram perseguidos nos aeroportos, os shows eram verdadeiras histerias, capa de tudo quanto é revista, aparição em todos os programas de televisão. Venderam 2.500.000 de discos em uma época onde 500.000 era um megasucesso. Tiveram até LP´s pirateados. Pode acreditar, naquela época isso era raro. Viviam literalmente uma “beatlemania”. Portanto, não é de se estranhar essas novas tentativas de resgatar o RPM. Concordo que é praticamente impossível que repitam o sucesso daquela época, mas é bem provável que nasçam registros bem interessantes como esse álbum.


Pauloricardo2
Paulo Ricardo no auge da fama

Quando reformulou a banda, o musico decidiu que não queria uma volta nostálgica. Não queria soar como os anos 80. Resolveu fazer um som mais voltado para a época. Daí a razão de eu falar que muitos leitores iriam adorar esse disco. Nesse LP, Paulo Ricardo resolveu flertar com o hard rock. Os teclados ganharam mais corpo, a bateria ganhou mais peso, as guitarras ganharam mais volume. Da formação original veio o guitarrista Fernando Deluqui (que já tinha participado dos primeiros trabalhos solo de Paulo como musico convidado). Completavam o time, o tecladista Franco Junior e o baterista Marquinho Costa.

O disco abre com a primeira musica de trabalho, “Perola”, uma musica bem pra cima que conta com um bom riff de Fernando Deluqui. “Genese” vem em seguida dando uma cara um pouco mais sombria. A primeira balada do disco vem em seguida com a belíssima “Veneno”. Mas, calma, não é uma balada sonsa, trata-se da famosa balada rocker, manja? “Surfista Prateado” traz uma sonoridade mais pop. O lado mais hard volta na ótima “O Fim”, incrível como essa letra ainda soa atual. “Outro lado”, faixa que encerra o lado A traz uma sonoridade pop/rock, mesclando momentos calmos com momentos mais pesados.

O lado B começa bem com “Hora do Brasil”. Trazendo uma sonoridade mais pesada e direta. “Eclipse” e “Ninfa” trazem o lado baladeiro de volta. Essa ultima já recebeu várias regravações de Paulo mas, na minha opinião, nenhuma chega perto dessa. O lado pop/rock reaparece com “Trem”, “Virus” e “Falsos Oasis”, que encerra o disco.

Quando lançou o famoso Revoluções Por Minuto, o musico dividiu o LP deixando as musicas que julgava possíveis hits no Lado A e as musicas que julgava de mais difícil compreensão no Lado B. Aqui não foi diferente. As musicas com uma pegada mais pesada ficaram, em sua maioria, na lado A. Enquanto as músicas mais comerciais, digamos assim, ficaram em maioria no Lado B.

Esse disco era pra ter sido lançado com o nome de RPM, mas o até então ex-tecladista Luiz Schiavon (que tinha direito do nome) abriu um processo judicial impedindo que eles se apresentassem com o nome que os tornaram famosos. Depois de muita conversa e negociação, Schiavon cedeu, porém com uma condição, teria que ter um outro nome na frente. Nada mais eficaz do que utilizar a velha prática de colocar o nome de seu líder na frente, até porque todos já sabiam quem ele era. Pronto! Nascia ali o projeto Paulo Ricardo & RPM.


Pauloricardo3

Encarte do CD lançado em 1993

Nas apresentações, algumas músicas antigas foram rearranjadas para combinar com esse novo repertorio. Caso da clássica “London, London” (musica escrita por Caetano Veloso em seu tempo de exílio, que fez grande sucesso com a versão teclado e voz gravada pelo RPM em 1985).

As letras desse disco seguem a mesma lógica de sempre. Nesse ponto, as características principais de seu líder aparecem por aqui intactas: oras com letras românticas, oras com criticas políticas. Paulo Ricardo, além de ser um bom showman, sempre foi um bom letrista. Portanto, é interessante parar para ler as letras enquanto se escuta o álbum. O disco também ganhou uma versão em espanhol que nunca foi lançada no Brasil. Apenas no exterior. Se houver algum colecionador por aí, corra atrás. Eu consegui o meu.

Muitos julgam esse LP como o terceiro trabalho solo de Paulo Ricardo (uma vez que ele sucedia o também ótimo Psicotropico e fugia um pouco da sonoridade clássica do grupo), muitos como o terceiro do RPM (alguns fãs, inclusive, têm pedido para que os músicos incluam canções desse disco no seu show atual). Eu sempre preferi considerá-lo um trabalho solo. E você? Já ouviu esse disco? Como o encara?

Faixas:
01. Perola
02. Gênese
03. Veneno
04. Surfista Prateado
05. O Fim
06. Outro Lado
07. Hora do Brasil
08. Eclipse
09. Ninfa
10. Trem
11. Vírus
12. Falsos Oásis

domingo, 16 de outubro de 2016

White Lion – Bang Your Head Festival 2005 (2008):



Por Davi Pascale

DVD apresentava Mike Tramp de volta ao hard rock. Com lineup reformulado e entrosado, músicos mostravam a força de seu repertório.

White Lion foi uma banda que teve um sucesso moderado nos anos 80. Aquela banda com poucas músicas nas FM´s, mas que todo mundo que é da cena conhece. Sem exceções. O período de maior popularidade deles foi na época do (ótimo) Pride. E, lamentavelmente, se separaram após lançar aquele que considero seu melhor álbum, Mane Attraction.

Após o término da banda, Mike Tramp formou um ótimo grupo de hard rock, que não foi para frente, que atendia o nome de Freak of Nature. E também se aventurou em uma boa carreia solo, apostando em um som mais ameno, com claras referências de Tom Petty. O baterista Greg D´Angelo chegou a participar do Pride & Glory (ao lado do Zakky Wylde) e acompanhou os músicos Ace Frehley (Kiss) e Stephen Pearcy (Ratt), James Lomenzo, também fez parte do Pride & Glory e acompanhou artistas do calibre de Dave Lee Roth, Ozzy Osbourne, Slash´s Snakepit, Megadeth e Black Label Society. E Vito Brata sumiu do mapa. Desiludido com a indústria do rock, abandonou a musica e foi cuidar de sua mãe.

Nessa reunião de 2005, apenas Mike Tramp vinha da formação clássica. “O importante não é quem está ali, mas sim as músicas. Tentei me afastar desse material durante um tempo, mas reparei quão forte são as composições e a força que ela tem entre meu publico. Até hoje aparece gente em meus shows solo com camiseta e capa de disco do White Lion”, declarava o musico em entrevista.

Honestamente, tenho um pé atrás com essas voltas que não são voltas. Se a banda ainda segue na ativa e vai mudando os integrantes, ok, porque você vai criando uma afinidade com aquela galera depois de um tempo, mas ficar parado 13 anos, anunciar volta da banda e só ver um integrante no palco, sempre me pareceu meio duvidoso. Pelo menos, dessa vez, o projeto era muito bem feito.

A apresentação é curta. Trata-se de uma performance no festival Bang Your Head de 2005, onde se apresentaram como atração surpresa. Em 1999, Mike Tramp lançou um álbum com o nome de Mike Tramp´s White Lion trazendo novas versões para os clássicos da banda. Aqui, já havia mudado todo mundo novamente. Trata-se do lineup de Return Of The Pride (2008). As músicas foram apresentadas em cima dos arranjos originais e não das regravações.

Mike Tramp nunca teve uma extensão vocal absurda, mas nunca comprometeu porque sempre escreveu linhas vocais dentro do seu limite. O músico tinha uma energia absurda, corria de um lado para o outro, arriscava alguns pulos. Dos músicos de apoio, o melhor era o baterista Troy Patrick Farrel. O cara desce a mão sem dó e tem uma pegada absurda.

A banda estava muito bem entrosada. O setlist é matador e traz alguns dos principais sucessos da banda como “Wait”, “Tell Me”, “Broken Heart” e “Hungry”. A baladinha “When The Children Cry”, presente entre 10 de 10 coletâneas de 80´s, ficou de fora. O único senão é que o guitarrista Jamie Law não chega nem perto do que era Vito Brata. Para quem não conhece a trajetória, Vito era o grande destaque do grupo e chegou a ser considerado um dos melhores guitarristas de heavy metal pelos críticos da época. Muitos o comparavam ao Eddie Van Halen por conta do uso de tapping, mas o rapaz tinha identidade. O cara destruía em cima dos palcos. Jamie apenas cumpre seu papel.

O show, apesar desse detalhe, é muito bom e deixa seus fãs com gosto de quero mais. Nos anos 80, dois shows deles foram gravados profissionalmente (Live At The Ritz e One Night In Tokyo).  Em 2005 foi colocado no mercado um DVD com o nome de Concert Anthology que trazia os melhores momentos de cada um desses shows. Permaneço na espera do lançamento desse material na integra. Sonhar não custa nada!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Nostálgico

Faixas: 
     01)   Lights n Thunder
     02)   Hungry
     03)   Lonely Nights
     04)   Broken Heart
     05)   Fight To Survive
     06)   Little Fighter 
     07)   Living On The Edge
     08)   Tell Me
     09)   Wait
     10)   Radar Love