segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Titãs - Nheengatu (2014):

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Publicado originalmente no site Consultoria do Rock
Por Davi Pascale

O grupo paulista Titãs acaba de soltar um novo disco nas lojas. Reduzido agora à um quarteto (Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Belloto), trazem de volta algumas características que marcaram sua carreira na década de 80 e devem agradar seus antigos fãs.

Embora seja verdade que tenham iniciado sua carreira como um grupo pop (basta ouvir “Sonifera Ilha” para entender o que estou falando), foi com seu som mais pesado que eles fizeram a cabeça da garotada. Quando lançaram a sua obra-prima Cabeça Dinossauro, a banda atingiu um status que não tinham alcançado até então. Com um LP que era ao mesmo tempo crítico e debochado, pesado e com nuances comerciais, os músicos se tornaram ídolos de boa parte dos rockeiros da época. Toda essa ousadia e criatividade foi por água abaixo com o sucesso do Acústico MTV.

Há quem questione o acústico, eu questiono o pós-acústico. Sério mesmo. Quando fizeram o programa, os defendi com unhas e dentes, mesmo que o resultado final tenha ficado um pouco distante daquilo que eu esperava. Via aquilo como um reconhecimento digno. Afinal, os considerava – e ainda considero – uma das grandes bandas do rock brasileiro. O problema é que após o programa, eles não apenas amoleceram seu som, como modificaram sua postura. Seria ousado se o mercado não estivesse vivendo uma retomada do segmento pop na ocasião. Aquela banda que antes ia contra a maré, agora ia a favor dela. Contudo, nem todos os discos lançados nesse período foram ruins, é verdade. Considero A Melhor Banda de Todos os Tempos e Como Estão Vocês? trabalhos bem bacanas, apesar dos pesares. Imaginava que o único modo de voltarem à ligar o famoso foda-se e entregar um material de inéditas sem pensar no bolso, seria com a indústria tendo alguma crise. Algo que ninguém imaginava que fosse acontecer quando venderam 1.000.000 de cópias com o apoio da MTV, mas que acontece atualmente. Há males que vem para bem. Em Nheengatu os músicos resgatam muitas características que haviam sido deixadas de lado em seus trabalhos mais recentes. O velho Titãs está de volta.
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Titãs retornam com álbum pesado e conteúdo crítico
Mas nem só das manifestações vive o disco. Permeiam também o álbum os temas que indignaram todas essas pessoas: a falsa sensação de liberdade, a fome, a corrupção, a falta de segurança… Sim, a critica político-social é marca desse álbum.

“Cadaver Sobre Cadaver” traz talvez uma das letras mais fortes do disco. Composta por Paulo Miklos e Arnaldo Antunes, a faixa deixa nítida a insatisfação com o cenário atual. Fala sobre a dificuldade que é viver em um país com problemas graves na área de saúde e segurança (Quem vive, sobrevive. No meio do tiroteio. No seio da calmaria. Morrem na guerra e na paz. De fome ou de anorexia). “Fala, Renata” retrata sobre a ânsia de se falar mesmo quando não tem algo a dizer. De pessoas que fazem criticas sem fundamento, sem embasamento e que estão mais preocupados em criar tumulto do que em discutir algo. Algo cada vez mais comum nos dias dominados pela internet, onde a velocidade da informação é impressionante, mas a qualidade da informação, muitas vezes, é questionável. (Fala sem parar. Fala sem assunto. Difícil é escutar). A critica é válida tanto para a imprensa (cada vez dando mais importância para assuntos banais e criando diversas sub-celebridades) quanto para o publico que antes mesmo de ouvir a segunda versão da história já está julgando o personagem principal.

Não escapam também dos compositores os assuntos que são a bola da vez: o racismo (quem não comentou, nem que seja pelo Facebook ou em algum bar, sobre o jogador que recolheu a banana do campo e comeu ao ser chamado de macaco?) e a homofobia. Ambos os assuntos são retratados em “Quem São Os Animais?”, faixa de Sergio Britto, que questiona o posicionamento exagerado daqueles que se sentem incomodados com aqueles que possuem um tom de pele diferente ou uma opção sexual diferente da sua.

Há ainda espaço para uma releitura de “Canalha”. Vale lembrar os mais jovens que essa canção não é do Camisa de Venus como tenho lido por aí. O grupo de Marcelo Nova fez uma versão dessa música, mas a faixa é do Walter Franco, um dos principais nomes da música brasileira dos anos 70.
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Em seu primeiro álbum como quarteto, banda retoma relevância
Outras velhas características estão de volta. As guitarras voltam a ganhar volume. Os palavrões e a ironia voltam à rondar seu trabalho. Em muitos momentos, os arranjos nos remetem aos seus discos mais pesados: Cabeça Dinossauro, Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas, Tudo Ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia. Parece que essa turnê que eles realizaram comemorando os 20 anos do Cabeça acabou influenciando o rumos das novas composições. A maior diferença fica por conta de Mario Fabre. Embora seu trabalho de bateria mantenha o espírito da banda, ele é mais contido do que Charles Gavin. Senti falta de algumas viradas em algumas composições. Mas isso pode ser chatice minha, já que sou baterista. Talvez os demais fãs não pensem assim… De todo modo, não resta duvidas de que é um bom musico e combina com o grupo.

A influência da MPB ainda está presente em seu material. “Baião de Dois” é uma que deixa isso presente. Tanto na concepção do seu arranjo quanto nas referências contidas na letra. Fazem parte da letra frases como ‘o mundo é um moinho’ (Cartola) e ‘a vida é um buraco’ (Pixinguinha). Mas tudo bem. Já haviam feito isso em “32 Dentes” com a frase: meu pai um dia me falou para que eu nunca mentisse, mas ele se esqueceu de me dizer a verdade. Frase “roubada” da canção “Traumas” de Roberto Carlos. 

Nheengatu resgata a criatividade e ousadia que os Titãs haviam deixado de lado há muito tempo. Seu melhor trabalho desde Domingo. Se você curtiu a banda nos anos 80 e inicio dos anos 90 pode comprar sem medo. Se alguém tiver medo de comprar no escuro e quiser ouvir antes, os músicos disponibilizaram o CD na integra no seu canal oficial do Youtube. Agora é torcer para que continuem no caminho certo. Para aqueles que curtirem muito o novo disco ou forem muito fãs, vale a pena encomendar o kit limitadíssimo na loja oficial dos Titãs (www.lojatitas.com.br).
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Kit limitado em 100 unidades: camiseta, caneca, bottom, 2 adesivos, 1 certificado de autenticidade e o novo CD autografado 


Nota:  8,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
01. Fardados
02. Mensageiros da Desgraça
03. Republica dos Bananas
04. Fala, Renata
05. Cadaver Sobre Cadaver
06. Canalha
07. Pedofilia
08. Chegada ao Brasil
09. Eu Me Sinto Bem
10. Flores Pra Ela
11. Não Pode
12. Senhor
13. Baião de Dois
14. Quem São Os Animais

domingo, 9 de outubro de 2016

L.A. Guns – Man In The Moon (2001):



Por Davi Pascale

Álbum marcava retorno de Phil Lewis e o retorno à velha forma. Provavelmente, um dos melhores trabalhos gravados pelo grupo de L.A.

O L.A. Guns chegou a ter um certo destaque no período inicial, mais claramente em seus três primeiros álbuns. Quem viveu os anos 80 e acompanhou de perto a cena de Los Angeles, certamente se lembra de sons como “Sex Action, “Rip And Tear” ou “Kiss My Love Goodbye”. Nunca chegaram a ter aquela musica que marcasse toda uma geração, aquele megahit que levasse à venda de milhões de álbuns, mas sempre conseguiram admiração e respeito entre os admiradores da cena.

Quem conhece a história do Guns n´ Roses, ao menos já leu uma citação ao nome deles. Pois bem, quem é fã da trupe de Axl, tem mais um motivo para ir atrás deste álbum. Esse disco, para quem não sabe, foi gravado, produzido e mixado pelo Gilby Clarke. Guitarrista que excursionou com o Guns na tour do Use Your Illusion. Além disso, ele ajudou o guitarrista Tracii Guns a construir os arranjos de todo o disco.

A história do L.A. Guns é cheia de polêmicas, cheia de idas e vindas, brigas entre os integrantes, mas algo ninguém nega. Quando Tracii Guns e Phil Lewis se juntam é sinal que vem coisa boa por aí. Por isso, esse álbum foi aguardado com tanto ansiedade entre seus admiradores. Afinal, ele marcava a volta de Phil Lewis às banda.

Os álbuns sem o rapaz não chegam a serem ruins, mas perderam muito a essência do conjunto. O melhor trabalho desse período é o excelente e raro EP Wasted que conta com o trabalho vocal de Ralphn Saenz (o Michael Starr do Steel Panther). Depois de diversas experimentações, os garotos voltavam a fazer o que sabiam de melhor, hard rock com guitarra falando alto, com sonoridade nua a crua.

A sonoridade àla Guns n Roses surge com tudo nos empolgantes riffs de “Man In The Moon”,  “Hypnotized” e “Scream”. Slash ficaria orgulhoso. Contudo, o disco também conta com uma bem-vinda influencia de 70´s. Em composições como “Good Thing”, “Fast Talkin´  Dream Dealer” e, especialmente, “Out Of Sight” é facilmente perceptível a influência de Led Zeppelin.

Phil Lewis demonstrava estar com a voz em dia. Seu trabalho vocal não estava distante daquilo que havia entregado em álbuns como Hollywood Vampires, por exemplo. Steve Riley nunca foi de fazer levadas ultra-técnicas, mas sempre realizou um trabalho eficiente que casava com a proposta do grupo. E aqui não é diferente.

Conforme esperado, o álbum apresenta 2 baladas: “Turn It Around” e, a minha predileta, entre as baladas, “Beautiful”. De boa, se essa musica tivesse sido trabalhada nas rádios, o grupo teria mais um hit em seu catálogo.

Man In The Moon se distanciava um pouco de seus antigos álbuns por não trazer uma influencia tão descarada da cena punk, como acontecia em seus primeiros registros (em especial, no seu debut auto-intitulado). Ainda assim, o grupo apresentava um repertório forte, riffs impactantes e demonstrava que ainda tinha muita lenha para queimar. Vamos ver se agora que Phil e Tracii pararam com aquela viadagem de 2 L.A. Guns e voltaram a trabalhar juntos, se eles nos brindam com mais trabalhos desse nível. Torço para que sim...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Man In The Moon
      02)   Beautiful
      03)   Good Thing
      04)   Spider´s Web
      05)   Don´t Call Me Crazy
      06)   Hypnotized
      07)   Fast Talkin´ Dream Dealer
      08)   Out of Sight
      09)   Turn It Around
      10)   Scream

sábado, 8 de outubro de 2016

Noticias do Rock

Por Davi Pascale

Estamos de volta com mais um Noticias do Rock. Aqui, você fica a par das principais novidades do mundo do rock. Confira, agora, as principais noticias da ultima semana. Rock On!


Violeta de Outono lança novo álbum



A banda Violeta de Outono está prestes a lançar um novo disco. Spaces chega às lojas no dia 14 de Outubro e encerra a trilogia iniciada em 2007 com o álbum Vol. 7.  O disco conta com 7 faixas e a produção ficou a cargo do cantor Fabio Golfetti.


Rolling Stones lança álbum de covers



No próximo dia 2 de Dezembro, os veteranos do Rolling Stones soltam um novo álbum. Blue & Lonesome será lançado em 4 formatos (digital, LP, CD e Deluxe Box Set). O setlist é formado por canções de blues e contará com a participação especial do músico Eric Clapton. Os fãs já podem adquirir os discos no site da banda (www.rollingstones.com).


Rolling Stones canta música dos Beatles



Ontem, teve início o tão aguardado Desert Trip com as apresentações de Bob Dylan e Rolling Stones. A trupe de Mick Jagger surpreendeu ao interpretar uma canção dos Beatles em sua apresentação. No caso, o clássico "Come Together" (Abbey Road). Performance bem interessante. Confira!


Bon Jovi adia lançamento de novo álbum



This House Is Not For Sale estava programado para ser lançado no dia 21 de Outubro. O material, contudo, foi adiado para o dia 4 de Novembro. A turnê do novo álbum começa dia 8 de Fevereiro em Greenville e já conta com 20 datas agendadas.


Livro de Rick Bonadio é lançado



Acaba de ser lançado um livro sobre o produtor musical Rick Bonadio. Escrito em colaboração com o experiente Luiz Cesar Pimentel, o material foca sua trajetória profissional. Bonadio foi o responsável por descobrir alguns dos grandes nomes do rock brasileiro como Mamonas Assassinas, NX Zero e Charlie Brown Jr. Ele tem para os anos 90/00, mais ou menos, a mesma importância que Liminha teve para os anos 80 (avaliando pelo lado de produtor). Parece ser interessante...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Stone Free: A Tribute to Jimi Hendrix (1993):



Por Davi Pascale

Lançado nos anos 90, álbum-tributo misturava artistas lendários com artistas da nova cena. Livres para imprimir sua marca, muitos entregaram versões inspiradíssimas em um álbum interessantíssimo.

A influência de Jimi Hendrix no mundo do rock é enorme. Esse era um daqueles guitarristas fora do comum que trouxe uma nova maneira de se olhar para o instrumento. Com uma obra que ainda se mantém viva, o artista inspirou (e ainda inspira) milhares de músicos mundo afora, das mais diversas vertentes.

Nesse projeto, 4 nomes atacaram na área da produção: Jeff Gold, Michael Ostin e os que, nesse caso, são os nomes mais importantes; John McDermott e Eddie Krammer. Para quem está por fora, McDermott é o rapaz responsável por supervisionar todas as coletâneas, trabalhos ao vivo e reedições dos discos do guitarrista de Seattle. E Krammer, o principal engenheiro de som de Hendrix, tendo trabalhado em álbuns como Are You Experienced, Axis: Bold As Love e Electric Ladyland.

Hendrix era famoso, entre outras coisas, pela alta influencia de blues que trazia para dentro do seu rock n roll. Portanto, já era esperado alguns artistas e alguns arranjos do gênero por aqui. E foram as que mais me chamaram a atenção no disco. Para mim, as melhores versões ficaram por conta da versão de “Manic Depression” - que conta com um excelente trabalho de guitarra de Jeff Beck e um ótimo trabalho vocal de Seal – e a interpretação matadora do bluesman Buddy Guy para o clássico “Red House”.

Vários artistas procuraram imprimir sua marca na canção que haviam escolhido. E muitos se saíram muito bem. A versão de “Bold As Love” com o Pretenders ficou agradabilíssima, assim como a interpretação do Living Colour para o clássico “Crosstown Traffic”. O grupo de Vernon Reid não alterou tanto, mas deram uma atualizada. A maior diferença é o trabalho de baixo com uma levada funkeada.

Jeff Beck é um dos grandes destaques do disco

Falando em versões funkeadas, a grande surpresa do disco ficou pela ótima versão de “Spanish Castle Magic”, registrada pelo Spin Doctors. Muito bem gravada. Mesmo! A junção de Slash, Paul Rodgers (Free, Bad Company) e a famosa Band of Gypsys (um dos grupos de Hendrix) também funcionou incrivelmente bem. A decepção fica por conta do arranjo sem sal de “Purple Haze”, gravada pelo The Cure.

Um momento interessantíssimo, que deve interessar aos colecionadores de rock dos anos 90, é que temos aqui o M.A.C.C. com uma boa interpretação de “Hey Baby (Land Of The New Rising Sun)”. Para quem não sabe do que se trata, esse era um supergroup criado por Mike McReady (Pearl Jam), Jeff Ament (Pearl Jam), Matt Cameron (Soundgarden) e Chris Cornell (Soundgarden). Esse é considerado o único registro oficial do grupo.

Stone Free: A Tribute to Jimi Hendrix é apenas um, dos vários álbuns tributos interessantíssimos, que existem por aí. Aos poucos, vou trazendo mais algumas dicas para vocês.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   The Cure – Purple Haze
      02)   Eric Clapton – Stone Free
      03)   Spin Doctors – Spanish Castle Magic
      04)   Buddy Guy – Red House
      05)   Body Count – Hey Joe
      06)   Seal And Jeff Beck – Manic Depression
      07)   Nigel Kennedy – Fire
      08)   Pretenders – Bold As Love
      09)   P.M. Dawn – You Got Me Floatin´
      10)   Slash And Paul Rodgers With The Band of Gypsys – I Don´t Live Today
      11)   Belly – Are You Experienced
      12)   Living Colour – Crosstown Traffic
      13)   Pat Metheny – Third Stone From The Sun
      14)   M.A.C.C. – Hey Baby (Land Of The New Rising Sun)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Aerosmith – Video Scrapbook (1987):



Por Davi Pascale

Inédito em DVD/Bluray, material traz imagens de concerto e videoclipes filmados nos anos 70. Embora curto, vídeo é essencial na coleção dos fãs.

Video Scrapbook é um vídeo oficial do Aerosmith lançado nos anos 80. Para ser mais específico, no ano de 1987. O ano que ficou marcado como o retorno do grupo ao estrelato. Um ano antes, o duo Run DMC havia gravado uma versão de “Walk This Way” com a participação especial de Joe Perry e Steven Tyler. A música fez enorme sucesso e colocou os músicos em evidência novamente. Em 87, eles dominaram a parada de sucessos com o álbum Permanent Vacation e os hits “Rag Doll” e “Angel”. Era o início de uma nova era.

Nessa mesma época, foi lançado o VHS, e pouco tempo depois o LD, Video Scrapbook. Contudo, a fita não registrava o momento da reconquista e, sim, o auge. O vídeo traz registros ocorridos entre 1976 e 1978. Existem fãs que preferem o Aerosmith no final dos anos 80, início dos anos 90. E existem fãs que ainda preferem o período inicial. Para quem curte a primeira fase da banda, esse é realmente o auge. A maior parte das imagens vieram das turnês de Toys In The Attic e Draw The Line. Realmente, o melhor período dessa primeira etapa. Época dos melhores álbuns e pré confusão com Joe Perry.

Vídeo foca em imagens dos anos 70

Como a fita foi lançada já nos anos 80, o assunto é comentado. Ainda assim, bem por cima. O foco desse homevideo não são as imagens de bastidores e entrevistas, que são bem superficiais e, sim, os vídeos musicais. Contudo, achei muito bacana a inclusão dos 2 vídeos que fizeram ao lado de Jimmy Crespo: "Lightning Strikes" (do álbum que gravou ao lado do grupo, Rock In A Hard Place) e "Chiquita", vindo do Night In The Ruts, com o músico dublando as guitarras de Joe Perry. Algo comum no universo dos videoclips.

As apresentações ao vivo são mágicas. Steven Tyler já tinha uma ótima presença de palco e uma ótima voz, mas quem me chamava a atenção, nesse período, era mesmo o Joe Perry. O cara faz uns puta solos nos shows. Para quem também é fã do Kiss (existem muitos fãs em comum), vale prestar atenção no começo de "Walk This Way", onde Paul Stanley aparece de relance cumprimentando os músicos.

O grande barato, contudo, é poder presenciar o começo de tudo. Como eram as performances da época e notar o quanto a banda mudou. Além de que é sempre super satisfatório termos a chance de conferirmos sons como "Toys In The Attic", "Draw The Line" e "Dream On", além de clássicos menores como "Chip Away The Stone", "Same Old Song And Dance" e "Adam´s Apple". Como esse registro é oficial, a qualidade de imagem é excelente (considerando os padrões da época, é claro).

Video Scrapbook traz o Aerosmith em poder de fogo e imagens antológicas. Embora não tenha sido lançado em DVD/Blu-ray, o VHS é facilmente encontrado nos Ebays da vida. Corra atrás que vale a pena.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Essencial

Faixas:
      01)   Toys In The Attic
      02)   Same Old Song And Dance
      03)   Chip Away At The Stone
      04)   Draw The Line
      05)   Dream On
      06)   Sweet Emotion
      07)   Chiquita
      08)   Lightning Strikes
      09)   Walk This Way
      10)   Adam´s Apple
      11)   Train Kept a Rollin´
      12)   S.O.S. (Too Bad)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Stryper – The Covering (2011):



Por Davi Pascale

Banda de hard rock cristã brilha em álbum de covers criado em 2011. Ao contrário do que possam imaginar, tracklist não foca bandas gospel.

Regravar canções clássicas, bandas clássicas, é sempre algo complicado. Como essas musicas já estão em nosso DNA, muitas vezes, a comparação acaba sendo inevitável. E artistas endeusados costumam ter fãs xiitas. É impressionante o que vi de gente malhando esse álbum na época. E muito injustamente, diga-se de passagem.

O pessoal do Stryper sempre mandou bem. Oz Fox sempre foi um guitarrista de primeiro time. E Michael Sweet sempre impressionou no trabalho vocal. O que esse cara canta em discos como In God We Trust e Against The Law não é brincadeira. Sem querer desmerecer os demais instrumentistas, que também são muito competentes, os dois sempre foram, para mim, o diferencial do grupo.

Algo que sempre foi questionado no Stryper é sobre o quão fiel eles são aos princípios religiosos. Muitos os acusam de estarem nessa apenas por dinheiro. Esse rolo todo ganhou força justamente quando lançaram o Against The Law. Como os álbuns anteriores haviam conseguido emplacar algumas músicas na MTV da época, eles tentaram fazer um álbum sem contar com letras cristãs para ampliar seu publico. E a atitude não foi bem vista entre seus seguidores.

Essas pessoas, certamente, ficaram inconformadas novamente com esse álbum. Existem grandes bandas dentro do universo white metal. Alguns exemplos: Guardian, Bride, Whitecross, King´s X, Holy Soldier... Mas esse não é o foco do disco. Aliás, não temos nenhuma canção nessa pegada aqui. Pelo contrário, resolveram homenagear grandes nomes do rock n roll como Scorpions, Black Sabbath, Kiss, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Deep Purple. E o resultado final é excelente.

Como disse anteriormente, os caras são excelentes músicos. O material é incrivelmente bem executado. E, como disse, Michael Sweet é um puta cantor. Na minha opinião, está entre os melhores da atualidade. O cara só pegou pedrada e se saiu muito bem. De boa, cantar Rob Halford, Bruce Dickinson, Ronnie James Dio, não é tarefa para qualquer um e o rapaz fez bonito.

Os arranjos, na maior parte do tempo, se mantêm fieis aos originais. Por vez ou outra, ganham um pouco mais de peso, mas nada a ponto de deixar o ouvinte revoltado. Há alguns momentos em que eles deram uma ousada, como em “Shout It Out Loud” (Kiss), onde mudaram a palhetada da guitarra e “Over The Mountain”, onde criaram um novo solo, mas nada que faça neguinho ficar salivando, dizendo ‘que absurdo’. Aliás, o solo de “Over The Mountain” ficou bem interessante. É claro que não supera o original, mas ficou bonito.

Os grandes destaques do disco ficam por conta de “Set Me Free” (Sweet), “Lights Out” (Ufo), “On Fire” (Van Halen), “Blackout” (Scorpions) e a inédita “God”. Hard rock poderosíssimo que conta com um ótimo refrão e uma pegada meia 80´s. Quem curtia os primeiros LP´s do conjunto, irá se identificar com esse som. Discaço!!!!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Divertido e empolgante

Faixas:
      01)   Set Me Free (Sweet)
      02)   Blackout (Scorpions)
      03)   Heaven And Hell (Black Sabbath)
      04)   Lights Out (Ufo)
      05)   Carry On Wayward Son (Kansas)
      06)   Highway Star (Deep Purple)
      07)   Shout It Out Loud (Kiss)
      08)   Over The Mountain (Ozzy Osbourne)
      09)   The Trooper (Iron Maiden)
      10)   Breaking The Law (Judas Priest)
      11)   On Fire (Van Halen)
      12)   Immigrant Song (Led Zeppelin)

      13)   God (Stryper)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Rush – The Garden (2013):





Por Davi Pascale

Trago hoje uma dica para os colecionadores. Não tem muito tempo que escrevi sobre um compacto do Deep Purple, lançado pela Record Store Day. Pois bem, dessa vez tratarei de um disco do Rush, também lançado pela Record Store Day.

Mais uma vez, temos 2 músicas presentes. A diferença é que dessa vez temos 2 versões de uma mesma música. Nesse caso: “The Garden”, uma balada do álbum Clockwork Angels. No lado A, temos a versão do disco. No lado B, uma versão ao vivo. Trata-se da mesma versão do DVD ao vivo Clockwork Angels Tour. Esse disco chegou às mãos do publico um pouco antes do lançamento do vídeo, portanto, quem conseguiu pegá-lo na época, teve acesso à uma música, em primeira mão, do até então novo trabalho do trio canadense. Infelizmente, só tive acesso agora. Portanto, já conhecia ambas as versões. De todo modo, é um belo item de colecionador.

Outra mudança é o formato. O compacto de “Black Night” mantinha o formato 7”, com a mesma arte do LP In Rock. De curiosidade, tínhamos o vinil azul. Aqui, os músicos optaram por lançar o álbum no formato de 10”. E também optaram por lançar o vinil no formato picture. Ou seja, a arte vem estampada no próprio disco e não na capa. As imagens escolhidas foram duas imagens exibidas no telão do show enquanto tocavam a música do disco. Fazem parte das famosas projeções que os músicos exibem.

Imagens utilizadas no disco

Tem muita gente que questiona a qualidade de discos pictures e de discos coloridos. Dizem que pecam na qualidade de som. Discutível. Na verdade, depende mais da maneira que o álbum foi prensado e da gramatura do disco. Quando optam por criar vinil nesse formato, o ideal é que peguem mídias um pouco mais pesadas. Tenho LP´s coloridos com qualidade de som perfeita e LP´s pictures com qualidade excelente também. Esse é um deles. A qualidade de som do disquinho é muito boa.

“The Garden” foi a faixa utilizada para encerrar o disco na época. A música é uma balada muito bem construída, com violões e orquestrações, e na época causou polêmica entre os fãs por conta do conteúdo da sua letra. Nela, o personagem descreve sentimentos e memórias sobre eventos que marcaram sua vida, através de uma metáfora. Muitos admiradores acreditavam que era uma indireta sobre ser seu ultimo álbum. Que, desse modo, encerrariam o disco e sua trajetória. O trio segue tocando, mas até o momento nenhum outro álbum de inéditas foi lançado. Será? Eu acho que eles ainda lançam, pelo menos, mais um disco...

A versão ao vivo é bem fiel e, conforme esperado, incrivelmente bem executada. O grupo nunca fez feio em cima de um palco (aliás, os três são exímios músicos) e aqui não é diferente. Se você não é muito fanático pelo trio, vale mais investir no DVD ao vivo. Se você idolatra os caras, vale a pena correr atrás do disquinho. Afinal, a prensagem é limitadíssima. É certeza que daqui uns anos, você terá algo bem valioso em suas mãos. 

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Ítem de colecionador

Faixas:
      01)   The Garden (Versão Estúdio)
      02)   The Garden (Versão Ao Vivo)