sábado, 24 de setembro de 2016

Noticias do Rock



Por Davi Pascale

Hoje é dia de Noticias do Rock. Fique por dentro das principais noticias da semana. Dentro e fora do Brasil. Let´s Rock!


Graveyard anuncia fim das atividades



Uma das bandas mais badaladas do momento acaba de anunciar o fim das atividades. Em um comunicado oficial em sua página do Facebook, os músicos declararam que a banda acabou e que os shows programados foram todos cancelados. Como justificativa, deram a desculpa clássica de divergências musicais...


Morre músico do Barão Vermelho



Morreu na última segunda-feira (19), o percussionista do grupo Barão Vermelho. Paulo Humberto Pizziali, mais conhecido como Peninha, estava internado no Hospital da Lagoa (Rio de Janeiro) por conta de uma hepatite C e uma hérnia no abdômen e morreu devido à um choque hemorrágico no estômago. O músico, que se juntou ao Barão no álbum Declare Guerra (o primeiro após a saída do Cazuza), tinha 66 anos e deixa 4 filhos.


Membro da equipe de Dead Fish é acusado de estupro



Inicialmente, havia sido divulgado que um integrante da banda teria agredido uma mulher. Depois de algumas horas, foi noticiado que o tal agressor, na verdade, não é integrante da banda e sim, um roadie. Raphael Guerra está sendo acusado de ter agredido fisicamente e ter tentando estuprar sua ex-namorada. O caso foi parar nos noticiários e o rapaz foi afastado dos trabalhos com a banda por tempo indeterminado.



Ringo Starr participa de campanha da ONU






Na ultima quarta-feira (21), o eterno beatle Ringo Starr participou do vídeo de uma musica gravada para comemorar o Dia Internacional da Paz. Atendendo pelo nome de “Now The Time Has Come”, o vídeo é uma parceria com a ONU e faz parte da campanha #Hug For Peace (Abraço Pela Paz). Confira!




CPM 22 lançará apresentação no Rock In Rio



O grupo CPM 22 lançará um CD e um DVD com a apresentação que realizaram no Rock In Rio 2015. O material, que conta com o apoio da Universal Music, será lançado em CD, DVD e plataformas digitais. Ainda não foi divulgada a data exata e nem se será lançado em bluray.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Lynyrd Skynyrd – Pronounced Leh-Nérd ´Skin-Nérd & Second Helping: Live From Jacksonville At The Florida Theatre (2015):



Por Davi Pascale

Lynyrd Skynyrd revive seus dois primeiros álbuns em sua terra natal. Material foi lançado em áudio e vídeo e é um item necessário na coleção de seus fãs.

Poucas bandas conseguiram se reformular com novos integrantes e conseguiram respeito de fãs e críticos. Normalmente, quando um cara importante sai fora ou morre, é comum que perca boa parte de seu publico. Bom, os ícones do southern rock conseguiram e os rapazes nos brindam, mais uma vez, com um ótimo álbum ao vivo. De volta na estrada desde 1991, os garotos vêm mantendo o legado vivo.

Da formação original, apenas o guitarrista Gary Rossington segue adiante. O baixista Ed King está aposentado e o resto da formação original, infelizmente, já faleceu. Os músicos que fazem parte dessa nova geração não fazem feio, não. Pelo contrário, o lineup é excelente. Sendo que meus preferidos sempre foram o guitarrista Ricky Medlock (vindo do não menos emblemático Blackfoot) e o vocalista Johnny Van Zant (irmão de Ronnie Van Zant, cantor original do grupo).

Os primeiros 5 álbuns da banda são clássicos, assim como o trabalho ao vivo One More From The Road. Portanto, o set que entregam aqui é de lacrimejar os olhos de qualquer fã que se preze. Os músicos interpretam nada mais, nada menos, do que seus dois primeiros álbuns na íntegra, na ordem original. Os dois que possuem seus maiores clássicos: “Freebird” e “Sweet Home Alabama”.

Algumas músicas apresentadas aqui são constantes nos shows dos rapazes. Além dos dois clássicos citados, músicas como “Simple Man”, “Gimme Three Steps” e “Needle And The Spoon” já haviam aparecido anteriormente em outros vídeos da banda. O interessante nesse tipo de espetáculo é realmente o resgate de canções mais obscuras. Dentre essas, as minhas preferidas aqui ficam por conta de “Things Goin´ On” com seu clima meio salloon e a stoneana “Don´t Ask Me No Questions”.

O material foi compilado em duas apresentações ocorridas em sua terra natal – Jacksonville, Florida – e traz exatamente aquilo que esperamos deles. Uma banda afiadíssima, Johnny cada vez mais seguro nos vocais, além da dupla de guitarristas mais endiabrada do que nunca. Performance bem animada e bem profissional.

Para quem não conhece muito sobre a banda, essa também pode ser uma porta da entrada interessante, já que temos mais alguns clássicos como “Tuesday´s Gone”, “Call Me The Breeze” e “Workin´ For MCA”. Entretanto, não deixem de dar uma escutada nos álbuns da época. Como disse, são clássicos. Se você já é um convertido e está mais do que familiarizado com a obra dos rapazes, pode ir sem medo. Extremamente bem gravado, músicos afiadíssimos e repertório de primeira. Não tem o que dar errado. Simples assim...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Fantástico

Faixas:
      01)   I Ain´t The One
      02)   Tuesday´s Gone
      03)   Gimme Three Steps
      04)   Simple Man
      05)   Things Goin´ On
      06)   Mississippi Kid
      07)   Poison Whiskey
      08)   Freebird
      09)   Sweet Home Alabama
      10)   I Need You
      11)   Don´t Ask Me No Questions
      12)   Workin´ For MCA
      13)   The Ballad Of Curtis Low
      14)   Swamp Music
      15)   Needle And The Spoon
      16)   Call Me The Breeze

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Wander Taffo – Wander Taffo (1989):



Por Davi Pascale

Inédito em CD, primeiro álbum de Wander Taffo trazia hard rock de responsa e colaborações com grandes nomes da cena rock brasileira.

Wander Taffo foi um dos grandes guitarristas do rock brasileiro. Muitos devem ter escutado seu nome apenas por ter sido o fundador do IGT, mas quem é um pouco mais ligado à cena certamente já ouviu dezenas (talvez centenas?!?) de trabalhos do músico. Atuou como musico de apoio de vários artistas (Rita Lee, Joelho de Porco, Secos & Molhados, Made In Brazil...) e como guitarrista principal do Radio Taxi, com quem se destacou nas FM´s por um bom tempo.

Em 1989, Wander resolveu gravar seu primeiro LP solo. Exatamente esse disco que estamos comentando hoje. Indicados por seu aluno Edu Ardanuy, os irmãos Busic se uniram à ele. Na época, embora já tivessem lançado álbuns com o Platina e o Cherokee, ainda eram nomes desconhecidos do grande público. O resultado não poderia ser melhor. Praticamente, um dream team brasileiro.

Embora todos os três sejam grandes instrumentistas, com o domínio técnico bem acima da média dos músicos brasileiros, o LP não é um álbum exibicionista. Não se trata de um disco voltado para músicos. Muito pelo contrário. As canções estavam de acordo com o que rolava nas rádios da época e isso garantiu que “Pra Dizer Adeus” entrasse na trilha sonora de Salvadora da Pátria, novela de grande sucesso da Rede Globo de Televisão.

O disco, na verdade, é um EP. Ou, como muitos gostavam de se referir, um mini LP. Era formado por apenas 7 músicas e foi formado em parceria com grandes nomes da época. Liminha (músico respeitadíssimo e um dos grandes produtores da época) ficou responsável pela produção do disco e pela direção artística. Entre os nomes que ajudaram a compor o material estavam: Herbert Vianna (Paralamas do Sucesso), Leoni (Heróis da Resistência, Kid Abelha), Lulu Santos, André Cristovan e Bernardo Vilhena. Nas execuções, duas participações especiais: Lobão, um dos grandes nomes da época, em “Meu Punhal” e Todd Griffin, do The Graveyard Train, em “Nightchild”.

As já citadas “Meu Punhal” e “Nightchild” são as mais pesadas. Todd Griffin fez um trabalho vocal bem legal que, em muitos momentos, me remete ao Mark Slaughter (Slaughter). Lobão também fez um trabalho bem bacana, bem visceral, em “Meu Punhal”. Uma das minhas preferidas do disco.

O hit “Pra Dizer Adeus”, o AOR “Não Se Esquece de Mim” e a releitura de “Luna Caliente” (Rádio Táxi) também são grandes destaques do disco. Apontam para aquela sonoridade mais comercial, com refrão que gruda na cabeça. São faixas que ouvi inúmeras vezes.

Wander Taffo, além de responsável pelas guitarras (onde era mestre), também ficou responsável pelas linhas vocais. O músico nunca foi dono de uma grande extensão vocal, mas soube trabalhar bem com seu alcance. Ficou bem agradável. Andria, que assumiria os vocais no (ótimo) LP Rosa Branca, quase não aparece enquanto cantor por aqui. Onde parece com maior destaque é realmente na música que tocou nas rádios. Nas demais, atacava apenas no backing.

Para quem curte hard rock, especialmente dos anos 80, o trabalho é extremamente recomendável. Essa formação tinha de tudo para ter nos brindado com vários LPS de altíssimo nível, mas infelizmente não foi o que ocorreu. Em 2008, os músicos estavam planejando retomar as atividades, que não foi adiante devido à morte inesperada de Wander Taffo. Realmente, uma pena! Quem não conhece, vá atrás...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Meu Punhal
      02)   Luna Caliente
      03)   Nossos Erros
      04)   Não Esquece De Mim
      05)   Nightchild
      06)   Balões de Gás
      07)   Pra Dizer Adeus

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Joe Lynn Turner – Undercover 2 (1998):





Por Davi Pascale

Em 1998, Joe Lynn Turner lançava seu segundo álbum de covers. Recheado de clássicos do rock e contando com convidados de peso, álbum merece ser redescoberto.

Joe Lynn Turner se tornou um nome conhecido depois de ter integrado o Rainbow. O rapaz fez parte da fase mais comercial do conjunto e foi o responsável por gravar álbuns como Difficult to Cure, Straight Between The Eyes e Ben out Of Shape. Seu primeiro álbum solo, Rescue You, foi lançado em 1985 e mantinha essa veia mais radiofônica. Quem curte essa pegada, irá se identificar com a versão de “Waiting For a Girl Like You” (Foreigner) e de “The Race Is On”, faixa que aparecia no citado álbum de 85.

Entretanto, esse não é o foco principal aqui. Embora seja conhecido por realizar trabalhos tidos como mais ‘comerciais’, suas influencias principais sempre foram artistas como Led Zeppelin, Free e Jimi Hendrix. E é justamente esse lado que mais aparece por aqui. Esse lado mais hard rock com uma veia blueseira.

Além de regravar uma faixa de seu primeiro trabalho solo, ele também gravou uma musica do Deep Purple (foi ele quem gravou o álbum Slaves & Masters e acompanhou o grupo em sua primeira excursão no Brasil), mas não de sua fase. Optou por uma faixa da fase Coverdale/Hughes. No caso, o clássico “Lady Double Dealer” (Stormbringer). Ficou matadora!

Na maior parte do tempo, o cantor fez versões fieis, mudando uma ou outra característica (como solo de guitarra, virada de bateria, etc) e trazendo um pouco mais de peso. Entretanto, o grande destaque, para mim, ficou por conta da releitura de “Helter Skelter” (The Beatles). Faixa onde foi desmontada quase que inteira. Também soa mais pesada e o trabalho vocal está fantástico.

Aliás, esse é um cara que acho meio que injustiçado. Vira e mexe, vejo gente tirando sarro dele e questionando suas habilidades vocais, mas na verdade, sempre se tratou de um grande cantor. E o músico prova isso aqui. O trabalho vocal dele, nesse álbum, é absurdo.

Absurdo também é o time que reuniu para acompanhá-lo. O time principal é formado pelo guitarrista Tony Bruno (ex-Saraya), o baterista Kenny Kramme (Joe Bonamassa), o tecladista Paul Morris (Ritchie Blackmore´s Rainbow) e o baixista Greg Smith (Alice Cooper, Ted Nugent). Nos convidados especiais, temos nomes como Vernon Reid (Living Colour), Rick Derringer, Leslie West (Mountain) e Al Pitrelli (Alice Cooper, Megadeth).

Undercover 2 é um trabalho divertidíssimo, muito bem feito e merece ser conferido. Seja você um grande fã de Joe Lynn Turner ou não. Momentos de destaque: “Lady Double Dealer”, “Wishing Well”, “Helter Skelter”, “Movin´ On” e “Mississipi Queen”.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Mortal

Faixas:
      01)   Lady Double Dealer
      02)   Wishing Well
      03)   Helter Skelter
      04)   Rock Bottom
      05)   Waiting For a Girl Like You 
      06)   Movin´ On
      07)   Rock And Roll Hootchie Koo
      08)   The Boys Are Back In Town
      09)   Born To Be Wild
      10)   The Race Is On
      11)   Fool For Your Loving
      12)   Mississipi Queen
      13)   Lost In Hollywood

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Beatles – Live At The Hollywood Bowl (2016):





Por Davi Pascale

Histórico álbum dos Beatles é lançado pela primeira vez em CD. Material ganha nova arte e bônus tracks. Disco essencial na coleção de qualquer fã de rock que se preze.

Em Maio de 1977, chegava ao mercado o primeiro LP ao vivo dos Beatles. O disco, que chegou a ser lançado no Brasil, nunca havia sido lançado em CD. Ao menos, não de maneira oficial. Não se trata de uma performance única, contudo. O material, na realidade, é uma compilação de três apresentações que os rapazes realizaram no Hollywood Bowl (Los Angeles): 23 de Agosto de 1964, 29 e 30 de Agosto de 1965.

A ideia inicial da gravadora era lançar um LP ao vivo para aproveitar o momento. Queriam lança-lo em 1964, para aproveitar a chamada beatlemania. Entretanto, os músicos não gostaram do registro. Para ser mais claro, haviam gostado da performance, mas não gostavam da qualidade do áudio. Por isso, quando retornaram ao local um anos depois, para 2 shows sold-out, resolveram tentar novamente. Mais uma vez, não gostaram do resultado final e o material foi arquivado.

Só que, com o passar do tempo, os shows começaram a ser pirateados e com isso, surgiu um pedido da gravadora para que lançassem as apresentações. George Martin resolveu dar uma lapidada no material e criou o famoso LP. Resolveu dar uma melhorada no som. Transferiu as gravações, realizadas originalmente em 3 canais, para maquinas de 24 canais. Foi a partir daí que nasceu o famoso LP. E foi a partir desse áudio previamente corrigido que Giles Martin (filho de George Martin) criou o CD que agora está em suas mãos.

A primeira parte do CD é justamente o LP de 1977. Se o mercado já havia evoluído de 1964 para 1977, imagina o que não evoluiu (falando em termos de tecnologia, é claro) de 1977 para 2016. A qualidade de som está realmente excelente e superior ao vinil da época. Claro que o LP é mágico, mas o som dos músicos está muito mais nítido. Dá para ouvir melhor os instrumentos. 

É comum que os artistas entrem em estúdio para corrigir os erros das apresentações, antes de colocaram no mercado. Aqui, contudo, temos a performance nua e crua. Não há overdubs nesse material. Até porque, nem seriam possíveis correções por conta do formato gravado (vários instrumentos e várias vezes dentro de um único canal). A energia dos músicos e a vibração da plateia é simplesmente contagiante. O álbum é emocionante!

Nessa nova versão, foram adicionadas mais 4 musicas. Ouvindo com atenção, pega-se algumas falhas, inclusive técnicas. Em “You Can´t Do That”, por exemplo, os backings ora estavam nítidos, ora não. Mas nada disso tira o brilho da audição, nem sua importância histórica. Durante muito tempo esperei que esse material fosse devidamente relançado e remasterizado. E, finalmente, foi! Agora é esperar pelo filme Eight Days a Week que promete trazer imagens das apresentações e continuar rezando para que um dia resgatem o filme Let It Be.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
      01)   Twist And Shout
      02)   She´s a Woman
      03)   Dizzy Miss Lizzy
      04)   Ticket to Ride
      05)   Can´t Buy Me Love
      06)   Things We Said Today
      07)   Roll Over Beethoven
      08)   Boys
      09)   A Hard Day´s Night
      10)   Help!
      11)   All My Loving
      12)   She Loves You
      13)   Long Tall Sally
      14)   You Can´t Do That
      15)   I Want To Hold Your Hand
      16)   Everybdoy´s Trying To Be My Baby
      17)   Baby´s In Black

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Kiss: Lick It Up - Um Novo Começo

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Por Davi Pascale
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock

É capaz que a nova geração não saiba que o Kiss chegou a gravar e se apresentar sem suas famosas máscaras durante 12 anos. Depois de muita especulação, finalmente o quarteto mostrava seus rostos publicamente. Uma nova etapa iniciava-se.

Depois de uma turnê na América do Sul (incluindo o Brasil), o quarteto voltava para os estúdios de Nova York para o registro de mais um LP. Paul Stanley, que já tinha dado a idéia na época das gravações de Creatures of The Night, voltou com o assunto durante as gravações do novo disco. Ele queria abandonar as máscaras. Stanley disse ao seu colega Gene Simmons que achava essa a decisão mais acertada, uma vez que as vendas estavam caindo e os fãs não estavam aceitando bem o personagem de Vinnie Vincent, The Wizard. Era o momento de mudar. Simmons inicialmente era contra, mas depois de um tempo acabou concordando. Vinnie e Eric Carr ouviam a discussão sem se manifestar.

O baixista depois esclareceu em sua auto-biografia Kiss And The Makeup que teve mais um motivo que o levou a abandonar os personagens: a chegada da MTV. O linguarudo comentava que a situação era irônica porque a MTV unia pela primeira vez musica e imagem em proporções iguais, que era o seu ideal de show, mas o visual do Kiss não se encaixava com aquilo que os fãs de rock procuravam no momento.

Podemos perceber que a escolha para aparecerem pela primeira vez sem as famosas máscaras em uma transmissão da Music Television não foi por acaso. A jogada deu certo! O álbum Creatures of The Night, cultuado nos dias de hoje, teve uma receptividade morna na época. Lick It Up, por outro lado, trouxe o Kiss de volta à mídia. A banda recebeu disco de ouro pela vendagem. Algo que não ocorria há algum tempo…

Mas nem tudo foi um mar-de-rosas nesse período. Se por um lado, o quarteto demonstrava força para vir com algo novo e conquistar um novo público. Por outro, as crises internas recomeçaram. E a briga era justamente com o mais novo integrante, Vincent John Cusano. Ou seja, o Vinnie Vincent.

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As gravações ocorreram bem. Mais uma vez, a banda demonstrou interesse pelo lado compositor do músico que acabou entrando como co-autor de 8 das 10 faixas do disco. Curiosamente, a faixa-titulo (talvez a mais conhecida do álbum) por pouco não ficou de fora do LP. Vinnie mostrou a melodia para Paul Stanley que mostrou desinteresse. Só depois que Gene pediu para que ouvisse novamente é que o cantor mudou de idéia. Uma que foi registrada em demo, mas ficou de fora foi “So Many Girls, So Little Time” que depois foi gravada pela banda Keel, no álbum The Right to Rock, produzido por Gene Simmons.

A outra canção a ser trabalhada nas rádios foi “All Hell´s Breakin´ Loose”, composta pelo baterista Eric Carr. O músico ficou sem reação quando viu sua musica ser aceita, mas ficou incomodado com a idéia de Stanley querer incluir um rap na composição. Carr dizia que imaginava a musica em uma pegada totalmente distinta, um jeito meio Led Zeppelin.

O disco foi registrado em diversos estúdios. Entre eles: Right Track Studios, Atlantic Studios, Hit Factory e Record Plant. De músicos convidados, dessa vez, somente Rick Derringer no solo de “Exciter”. Durante muito anos acreditava-se que isso fosse um boato. Mas depois de um tempo tanto Vinnie quanto Derringer reconheceram a história. A versão demo, contudo, é tocada por Vincent. O guitarrista diz que acredita que tenham feito isso por não terem gostado do solo que ele criou.

A sonoridade do álbum é meio que uma continuação de Creatures of the Night. Aquele heavy/rock direto com guitarras no talo, bateria forte e vocal cantado aos plenos pulmões. Os grandes destaques, para mim, ficam por conta do trabalho vocal de Paul Stanley e da bateria de Eric Carr.

A dupla Simmons/Stanley chegou a afirmar em algumas entrevistas que apesar de Vincent aparecer na capa e ter seu nome creditado no disco, nunca foi um membro oficial. O rapaz não chegou a assinar o contrato com a banda. Não concordava com o valor e as exigências da dupla. Para piorar, Vinnie se sentia responsável por colocar o Kiss de volta à mídia e pedia participação nos lucros de tudo em que envolvia o nome do grupo. Por conta disso, começaram a procura de um novo substituto.

As coisas foram piorando durante a turnê. Vinnie reclamava de não ter muita visibilidade nos concertos e começou a provocar seus colegas fazendo números solos cada vez mais longos. Reza a lenda que depois do show realizado em Los Angeles em Janeiro de 1984, o músico se desentendeu com Paul Stanley a ponto de Gene, Eric Carr e alguns roadies terem que segurá-los para não saírem no braço. Não sabemos até onde a historia é real e até onde é ficção, mas é fato que Paul guarda rancor dessa época. No DVD Kissology 2, o cantor afirma que considera Creatures of the Night um álbum muito melhor do que Lick It Up e vai além: “A única razão que enxergo para que mais pessoas comprem o Lick it Up do que o Creatures of the Night é pelo fato de estarmos sem maquiagem na capa. Essa é a única razão”.

A saída do musico é um mistério. Há quem diga que ele saiu por conta própria, há quem diga que ele foi expulso da banda. Simmons no documentário X-Treme Close Up dá a entender que o guitarrista foi expulso ao declarar “deixe-me mostrar as botas que o chutaram para fora” e levantar seu pé para a câmera. Outro mistério que se permanece. Por que se não havia contrato assinado, chutá-lo de onde?

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Na turnê, musicas como “Exciter”, “Gimme More” e “Fits Like a Glove” estavam sempre presentes. Essa última, por sinal, manteve-se durante muitos anos nos shows do grupo.

Os shows deixaram Gene Simmons inseguro. “Pela primeira vez, não sabia o que fazer em cima de um palco”, declarou o músico em sua auto-biografia. A banda sabia que não tinha como manter os mesmos números, mas não queria deixar de fazer um mega espetáculo. Algumas coisas foram mantidas como o número em que o baixista cospe fogo, explosões de fogos, mas grande parte teve que ser reinventada.

Uma curiosidade que vale citar é justamente a guitarra de Vinnie que foi feita por Grover Jackson. O musico queria um modelo que chamasse a atenção. “Ele disse que tinha algo para mim e mostrou o corpo de guitarra do Randy Rhoads. Ele não me disse isso naquele momento porque, infelizmente, Randy havia morrido e não tinha tido a oportunidade de utilizá-la em um show de grandes proporções. Ele pediu para que eu mostrasse para Paul e Gene para ver a reação deles. Eles adoraram”. Reza a lenda que o modelo utilizado por Vincent é limitadíssimo, tendo apenas 40 unidades no mundo. Esse instrumento pode ser visto com clareza no vídeo-aula “Metal Tech”.

Outra curiosidade legal é que em vários shows desta turnê, o Kiss executou o cover de “Whole Lotta Love” do Led Zeppelin (versão que pode ser escutada no bootleg Simmon’s Meteor). Era a primeira vez que eles incluíam um cover no setlist em mais de 10 anos.

Houve uma tentativa de se livrar de Vincent no final da turnê européia. Paul Stanley chegou inclusive a entrar em contato com o baixista Dana Strum (Slaughter), por intermédio do Ozzy Osbourne, pedindo por indicação de guitarrista. Como não conseguiram encontrar um substituto a tempo, tiveram que agüentar o rapaz por mais um tempo. A idéia era terminar de cumprir os compromissos que já haviam sido agendados.

LickItUp-outtake-1Independente de como tenha sido sua saída definitiva, ela aconteceu. E em Abril de 1984, Vincent Cusano começou a trabalhar no que viria a ser o Vinnie Vincent Invasion. Finalmente realizaria seu grande sonho de ser o centro das atenções, o principal compositor, único guitarrista e seu próprio chefe. Sua manobra não deu certo. A banda encerrou após 2 discos gravados. O Kiss não demoraria muito para encontrar um novo substituto, Mark St John, mas essa fica para a próxima…


Faixas:
01) Exciter
02) Not For The Innocent
03) Lick It Up
04) Young And Wasted
05) Gimme More
06) All Hell´s Breakin´ Lose
07) A Million To One
08) Fits Like a Glove
09) Dance All Over Your Face
10) And On The 8th Day