sábado, 10 de setembro de 2016

Notícias do Rock



Voltamos com mais um capítulo do Noticias do Rock. Como de costume, fazemos um apanhado das principais noticias ocorridas nos últimos dias. Dessa vez, repleto de lançamentos. Confira!

Por Davi Pascale

Gravadora solta prévia de novo DVD dos Beatles

Os fãs dos quatro rapazes de Liverpool estão esperando ansiosamente pelo lançamento do novo DVD Eight Days a Week, que promete trazer imagens da histórica apresentação no Hollywood Bowl. Pois bem, caiu no Youtube uma versão de “Boys”, extraída do tal filme. Confira...




Kings of Leon divulga música nova

O Kings of Leon está prestes a lançar um novo álbum. Atendendo pelo nome de Walls, o material deve chegar às lojas no próximo dia 14 de Outubro. A produção ficou a cargo de Markus Dravs, renomado produtor que já trabalhou ao lado de Arcade Fire e Coldplay. Confira a nova música a seguir.





Bon Jovi divulga segundo single de novo trabalho
 


Quem também está prestes a lançar um novo álbum em Outubro é a rapazeada do Bon Jovi. This House Is Not For Sale chega às lojas no dia 21 de Outubro. Enquanto o disco não vem, seus fãs podem conferir em primeira mão o segundo single do novo álbum, “Knockout”, nas plataformas do Spotify.



Pretenders retorna com novo álbum



Outubro parece mesmo ser o mês dos lançamentos. Quem também solta novo álbum no dia 21 de Outubro é o Pretenders. O grupo de Chrissy Hynde volta com sonoridade mais moderna, o que pode espantar seus velhos fãs. O primeiro single de Alone já foi lançado. Confira a seguir...

 

Gregg Allman volta aos palcos

 

O lendário músico Gregg Allman (Allman Brothers) havia cancelado diversas apresentações no mês passado alegando um sério problema de saúde. O artista diz estar curado e já anunciou 12 datas para serem cumpridas entre Setembro e Novembro. Bacana ver o rapaz recuperado! 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Barão Vermelho – Por Que A Gente É Assim (2007):




Por Davi Pascale

CD encartado em livro da banda é uma verdadeira preciosidade. Material apresenta uma sonoridade roqueira, crua e mais empolgante que em seus primeiros álbuns.

Em 1 de Janeiro de 2007 chegava às livrarias a biografia Por Que A Gente É Assim. Livro que retratava a história de uma das melhores bandas do rock brasileiro, o Barão Vermelho. Organizado por Guto Goffi (baterista da banda), Ezequiel Neves (produtor) e Rodrigo Pinto (jornalista), o livro passa a limpo toda a trajetória do grupo carioca e traz de bônus um CD. Material realmente essencial na coleção dos fãs.

Algumas biografias importadas trazem um CD de entrevista como bônus. Algo que acaba se tornando objeto de desejo entre os colecionadores. Aqui, contudo, a sacada é outra. E muito mais legal, diga-se de passagem. Afinal, trata-se das primeiras gravações da banda. Antes de atingirem a fama, antes de conseguirem um contrato.

Capa do livro
O material foi criado a partir da junção de duas demos. A primeira foi gravada em 1981, na casa do pai de Mauricio Barros (tecladista) enquanto ensaiavam para fazer um show na Feira da Providencia, na região do Riocentro. Show que, infelizmente, acabou não ocorrendo por conta da falta de estrutura do lugar. Os músicos voltaram desolados em uma Kombi por não conseguirem se apresentar. Afinal, aquela seria a primeira apresentação do Barão Vermelho.

As músicas dessa demo eram 2: “Billy João”, mais tarde rebatizada de “Billy Negão”, e “Certo Dia na Cidade”. A primeira canção da demo era também a primeira do show e, por isso, apresenta aqui uma pequena introdução instrumental calcada no rock progressivo que é justamente o trecho que pretendiam utilizar como abertura. A estrutura da canção já era bem similar, entretanto a faixa era um pouco mais arrastadona, mais suja e mais longa. O mesmo ocorre com “Certo Dia Na Cidade”. No histórico LP de 1982, a musica foi encurtada e ganhou uma cara mais limpa, eliminando um pouco das distorções da guitarra e dos teclados.

As demais canções apresentadas aqui foram extraídas de uma demo registrada nos estúdios da Som Livre, criada com o intuito de serem apresentadas para o pessoal do Noites Cariocas, evento que ocorria no Morro da Urca. Lugar que, juntamente com o Circo Voador, foram os responsáveis por ajudar a dar cara para toda geração BRock. O Barão sonhava em tocar lá e resolveu entrar em estúdio para registrar uma demo para ver se conseguia conquistar um espaço. Essa fita acabou sendo muito importante porque foi depois de ouvi-la que Ezequiel Neves passou a investir nos meninos e foi tentar um contrato para eles com a gravadora.

A demo apresenta as primeiras versões de grandes clássicos do Barão como “Ponto Fraco” e “Por Aí”, mas o grande creme daqui é a ótima versão bluesrock que fizeram para o clássico de Erasmo Carlos, “Você Me Acende”. Simplesmente genial!!

Por Que A Gente É Assim foi lançado apenas como parte integral do livro e apresenta um resultado simplesmente mágico. A banda soa visceral, repleta de feeling e com um certo ar de descontração. Por ser extraída de uma demo registrada, muito provavelmente, em K7, a  qualidade de som não é animal. Mesmo assim, é um material que não pode deixar de ser conferido. Tanto pela ótima vibração quanto pelo seu contexto histórico. Corra atrás!

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
      01)   Billy João (Billy Negão)
      02)   Certo Dia na Cidade
      03)   Conto de Fadas
      04)   Ponto Fraco
      05)   Por Aí
      06)   Rock n´ Geral  
      07)   Você Me Acende

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Ozzy Osbourne – 30 Anos de The Ultimate Sin:



Por Davi Pascale

Existem alguns discos que ninguém discute qualidade. Caso de clássicos como Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band ou The Number of The Beast. Ozzy Osbourne tem alguns desses discos. Tanto na sua fase Sabbath quanto em sua carreira-solo. Entretanto, existem alguns álbuns que são injustamente massacrados. Esse é um deles.

Foi realmente um espanto, para mim, quando comecei a acompanhar alguns sites de publicações internacionais e reparei que grande parte de seus fãs não curtem os álbuns da fase Jake E Lee. Particularmente, considero seus 4 primeiros álbuns perfeitos. Pois bem, esse é exatamente seu quarto disco.

Em 22 de Fevereiro de 1986, o disco chegava às lojas. O príncipe da escuridão, como é conhecido entre seus admiradores, estava tentando levar uma vida mais controlada. Depois de chegar ao final de 1985 (ano em que se apresentou na primeira edição do Rock in Rio), muito acima do peso e abusando de drogas e álcool, Ozzy estava tentando entrar no eixo. O músico se trancou na clínica Betty Ford Center, localizada na California (Estados Unidos), como uma tentativa de abandonar seus vícios.

Durante esse período, o guitarrista Jake E Lee e o baixista Bob Daisley começaram a compor o material do que viria a ser The Ultimate Sin. Quando Osbourne abandonou a clínica, se deparou com dezenas de canções escritas pela dupla. Dando uma lapidada no material, nasceu seu quarto LP.

Sharon Osbourne já atuava como sua empresária. E, para variar, os músicos enfrentaram vários problemas contratuais com a moça. Jake E Lee bateu o pé e disse que não gravaria enquanto sua situação não fosse acertada. O músico alegava que havia composto uma boa parte de do álbum Bark At The Moon e não havia recebido os devidos créditos. O guitarrista fez questão que seu contrato antigo fosse rasgado e exigiu um novo acordo.

Se Jake, por um lado, conseguia ajustar sua situação, Bob, de outro, não conseguia se sentir confortável nas negociações. Tal situação fez com que o músico fosse afastado da banda. Com isso, veio Phil Soussan, contratado para ser um músico temporário e registrar as linhas de baixo do disco. Mesmo assim, o rapaz conseguiu incluir uma faixa sua no LP, justamente a faixa-título. Aliás, o título foi alterado no ultimo momento por Ozzy. Inicialmente, o disco se chamaria Killer of Giants, outro nome de canção. Soussan durou pouco. Logo, Ozzy chamaria Bob de volta para ajuda-lo a terminar as letras. Parceria que fez com que, pouco tempo depois, o musico fosse chamado de volta ao grupo.

Além de ser o único álbum a contar com Phil Soussan, The Ultimate Sin marcava outra alteração no lineup. A entrada do baterista Randy Castillo no lugar de Tommy Aldridge. Saía um monstro, entrava outro. Realmente, Ozzy sabe escolher músicos.

Mesmo não figurando os favoritos dos fãs, o disco foi um enorme sucesso de vendas, batendo a marca de 2.000.000 de cópias vendidas. Na época, o heavy metal estava em alta e tanto “The Ultimate Sin” quanto “Shot In The Dark” conseguiram destaque nas rádios e na MTV.

Musicalmente, seguia mais ou menos a mesma lógica de seu antecessor. As músicas ganhavam uma vibe mais hard rock, com linhas vocais mais melódicas. A qualidade das músicas era altíssima. Não tem nenhuma faixa que considere tenebrosa, mas a balada “Killer of Giants” e o rock “Fool Like You” são as que menos empolgam quando coloco o LP para tocar. As demais? Perfeitas!
 
Logo, os problemas com o Jake E Lee retornaram. O músico foi se afastando aos poucos da banda. Não comparecendo nas festas pós-show ou nos jantares com os músicos, preferindo ficar trancado no quarto do hotel. E foi assim até que um belo dia, o guitarrista recebeu um telegrama de Sharon Osbourne dizendo que havia sido demitido, sem dar maiores explicações. A saída forçada de Jake abriu as portas para que outro grande nome se juntasse ao madman, o cultuado Zakk Wylde, mas essa fica para a próxima. 


Faixas:
      01)   The Ultimate Sin
      02)   Secret Loser
      03)   Never Know Why
      04)   Thank God For The Bomb
      05)   Never
      06)   Lightning Strikes
      07)   Killer of Giants
      08)   Fool Like You
      09)   Shot In The Dark 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Vintage Trouble – The Bomb Shelter Sessions (2011):



Por Davi Pascale

Misturando blues, rock e soul, grupo de Los Angeles se destaca como uma das melhores bandas da nova geração. Vale conferir...

Esse álbum não é exatamente novo. Já tem 5 anos que o disco chegou ao mercado, mas o trabalho ainda é inédito no Brasil e ainda é o meu favorito dos rapazes. Aqui, em nosso país, foi lançado somente seu mais recente álbum, o (bom) 1 Hopeful Rd, mas honestamente sempre achei esse trabalho mais impactante. Por isso, optei por abordar ele no post de hoje.

Esse é um dos melhores álbuns de estreia que ouvi nos últimos tempos. E o mais impressionante é que os caras fizeram esse registro em poucos dias e com pouquíssimo tempo de estrada. A banda iniciou as atividades em 2010, apenas um ano antes do lançamento do disco. E todo o registro aqui aconteceu em apenas 3 dias de estúdio.

Não demorou muito para que o lendário empresário Doc McGhee (Kiss, Scorpions) tomasse conhecimento dos rapazes e passasse a trabalhar para eles. Vivo como todo macaco velho, o produtor sacou que toda essa rapazeada que apostava em uma sonoridade mais vintage (Amy Winehouse, Duffy e afins), havia se destacado primeiro na Inglaterra e somente depois adentrado nos Estados Unidos. Por isso, mesmo a banda sendo de L.A., ficou decidido que o primeiro território que atacariam seria a Europa.

A estratégia deu certo. Não demorou muito e logo o grupo começou a dividir palco com grandes nomes como Queen+Adam Lambert, Bon Jovi, entre outros e, assim, começaram a aparecer com força para a mídia especializada e o grande público.

Doc McGhee ficou conhecido por seu trabalho com o grupos de hard rock, mas sua atuação não para por aí. Um dos artistas com quem chegou a trabalhar foi o lendário cantor James Brown. Não há dúvidas de que é o cara certo para guiar essa banda. A influência da voz de “I Feel Good” é latente na interpretação de Ty Taylor. Inclusive, em sua presença de palco. O rapaz corre de um lado para o outro, sai dançando, se joga no chão.

A influencia da soul music se faz presente em diversos momentos. Tanto no trabalho vocal de Taylor, quanto nos arranjos de algumas músicas, principalmente nas baladas como “Nobody Told Me” e “Gracefully”. A galera do Vintage Trouble também possui uma forte pegada de blues-rock em sua sonoridade. Algo nítido em faixas como “You Better Believe It”, “Total Strangers” e “Still And Always Will”.

A sacada deles é exatamente essa. Fazer um mix entre o bluesrock com a sonoridade motown. Uma sonoridade retro, ou vintage como diz o nome da banda, carregada de referências dos anos 60. Sonoridade bastante suingada, funkeada e inspiradíssima. Tendo à frente, excelentes músicos, um excelente vocalista e faixas fortes, os caras têm de tudo para construírem uma carreira brilhante. Vale se ligar.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Blues Hand Me Down
      02)   Still And Always Will
      03)   Nancy Lee
      04)   Gracefully
      05)   You Better Believe It
      06)   Not Alright By Me
      07)    Nobody Told Me
      08)   Jezzebella
      09)   Total Strangers
  10)   Run Outta You

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dingo Bells – Maravilhas da Vida Moderna (2015):



Por Davi Pascale

Trio de Porto Alegre lança seu primeiro álbum. Em uma interessante equação entre pop, rock e MPB, rapazes se destacam com repertório variado e consistente.

Já andei comentando por aqui sobre algumas bandas da nova safra do rock. Só que, aqui mesmo no Brasil, também temos uma leva bem interessante surgindo. Pois bem, decidi começar a mostrar um pouquinho do que está acontecendo na nossa cena. E a banda que escolhi para dar esse start foi o Dingo Bells.

O trio gaúcho foi criado em 2006, na cidade de Porto Alegre. Da maneira mais despojada possível. Três colegas de escola que decidiram montar uma banda e levar um som. Dez anos se passaram e aqueles três garotos estão lançando agora seu primeiro trabalho.

Buscaram trazer algumas novidades. A começar pela capa do disco. Assim como Ed Motta fez em Dwitza (2002), a versão em CD de Maravilhas da Vida Moderna vem embalada em uma capa 23X23. Ou seja, o tamanho da capa de um LP. Outra sacada interessante foi a ideia de criar 4 artes diferentes e encartá-las no disco. Com isso, cada um escolhe a capa que gostar mais.

O trio vem dando o que falar. Várias pessoas passaram a se ligar em seu trabalho por conta dos vídeos no Youtube e também por conta das apresentações que realizaram ao lado de Ringo Starr em sua recente turnê brasileira. Já são considerados um dos grandes destaques da cena independente brasileira.

Lançar um disco é o sonho de toda banda que se preze, mas sabemos que não é uma brincadeira barata. Os artistas independentes ralam para conseguirem colocar um álbum na praça. Para que o processo fosse um pouco facilitado, falando na área de recursos, o trio optou por criar um crowdfunding, através do Catarse. O projeto deu certo. E o resultado ficou bem satisfatório. Não somente no já citado projeto gráfico, mas também na qualidade de gravação.

Se tivesse que defini-los em uma expressão, diria que os músicos apostam em uma sonoridade meia indie rock. São diversas as influências. A balada folk “Anéis de Saturno” foi registrada durante uma temporada do grupo em um sítio localizado na região de Viamão, no Rio Grande do Sul. Nos arranjos, é possível ouvir a atmosfera do local. Interessante! “Olhos Fechados Pro Azar” e “Bahia”, mostram a aproximação do grupo com a sonoridade mais MPB.  “Dinossauros” traz um forte uso dos violões e uma linha vocal meio melosa, remetendo à bandas como Vanguart. “Hoje o Céu” e “Todo Nó” apontam para uma influência mais beatle, mais nítida na última faixa do disco.

A ideia de misturar metais em seu som vai fazer com que muitos os comparem ao Los Hermanos, mas a pegada aqui é outra. Letras menos poéticas, não temos a influência do samba descarada também. As letras giram em tornos dos problemas que temos que lidar quando chegamos à maturidade. Oras tratadas com sarcasmo, oras tratadas com melancolia.

As canções de Maravilhas da Vida Moderna trazem uma aproximação com o pop, mas sem soar plastificado ou datado. Esse é um grupo que poderia facilmente tocar nas rádios Brasil afora. Principalmente, com a responsável por abrir o CD, "Eu Vim Passear”. Ar de hit total. Altamente recomendado!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   Eu Vim Passear
      02)   Misterio dos 30
      03)   Fugiu do Dia
      04)   Dinossauros
      05)   Maria Certeza
      06)   Olhos Fechados Pro Azar
      07)   Bahia
      08)   Hoje o Céu
      09)   Funcionário do Mês
      10)   Anéis de Saturno
 11)   Todo Nó

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Tarja - Henkays Ikuisuudesta [2006]

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Por Davi Pascale
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock 

Em 8 de Novembro de 2006, a cantora finlandesa Tarja Turunen lançou um de seus álbuns mais controversos em um de seus períodos mais polêmicos. Agora, verdade seja dita, o álbum não tem nada de controverso como dizem. Acredito que toda essa polêmica tenha ocorrido por ter sido o primeiro trabalho a ser lançado pela artista depois de sua conturbada saída do Nightwish. Os fãs esperavam um álbum de heavy metal e ela entregou um álbum natalino focado em arranjos clássicos e flertando com o pop em alguns momentos. Quem conhece um pouco da artista, sabe que esses são universos comuns dentro de suas influencias, principalmente a música clássica. Portanto, não entendo o motivo de tanto auê.

O disco fez bastante sucesso em sua terra natal, onde rendeu um especial de televisão, infinitamente pirateado por aí. Aliás, essa apresentação me agrada bem mais do que o show Tarja Turunen & Harus: In Concert Live At Sibelius Hall que ela editou em 2011. Nessa época, a cantora fez uma pequena excursão (conhecida pelo nome de Breath From Heaven Tour) pela Finlândia e pela Rússia para promover o disco.

O CD é um trabalho basicamente de interprete. Apenas 1 canção é de sua autoria: a faixa de abertura “Kuin Henkays Ikuisuutta”. A escolha do repertório deixa evidente sua pretensão. Afinal, ela passeia de Franz Schubert à Abba. O disco é bom, sim, mas deve ser escutado com outros ouvidos. Não adianta você querer escutar tendo como base o trabalho do Nightwish. Afinal, não é um disco de heavy metal. Se fizer isso, não irá compreendê-lo. Todo o trabalho gira em torno de canções natalinas que são populares na Finlândia, terra natal de Tarja Turunen. Algumas dessas canções são conhecidas em todo o mundo, outras nem tanto.

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Mesmo que o álbum, como um todo, seja bem distante ao trabalho de sua ex-banda, a faixa composta pela cantora poderia facilmente ter sido gravada pelo grupo. Se incluirmos uma guitarra com distorção nela, fica a cara das baladas do Nightwish.

Mas tudo começa a mudar de foco já na segunda faixa, “You Would Have Loved This”. A música é formada apenas por piano, uma pequena orquestra e uma linha de voz bem suave. Nada de bateria, violões, contrabaixo ou algo do tipo. É quando o projeto começa a tomar uma cara mais Sarah Brightman.

“Happy New Year” é uma musica composta pelo grupo Abba em 1980. A canção fez um enorme sucesso e acabou tornando-se uma canção típica do gênero. Vários artistas a regravaram durante esses anos. Aqui, Tarja a interpreta em espanhol, mantendo somente a frase happy new year em inglês. Mais um momento pop do disco com uma boa interpretação da artista. Um dos pontos altos do disco, na minha opinião.

tarja-turunen-12O disco volta a ficar com um ar mais intimista em “En Etsi Valtaa, Loistoa”. Logo em seguida, Tarja traz uma boa versão de “Happy Xmas (War Is Over)” de John Lennon em uma versão bem próxima à original. “Vorpunen Jouluaama” e “Ave Maria” servem para demonstrar todo o domínio vocal que a cantora possui e que seu trabalho no Nightwish não permitia demonstrar. Calma, não estou criticando a banda. Sou um grande fã do trabalho dos caras e foi através deles que tomei conhecimento da existência de Tarja. Agora, é fato que a musica clássica possibilita que a soprano explore mais sua voz.

A segunda metade do disco começa com a bonita balada “The Eyes of a Child” e segue com mais duas músicas totalmente voltadas ao universo clássico, com vocais que, por vezes, se esbarram na ópera: “Mokit Nukku Lumiset” e “Jo Jouttu Ilta”. “Marian Poika” é uma canção com um arranjo mais simples e alegre. Lembra aquelas musicas que a gente escuta nos filmes de comedia de Natal. Poderia facilmente fazer parte da trilha sonora de filmes como “Esqueceram de Mim”, “Um Natal Muito, Muito Louco” ou “Milagre Na Rua 34”, por exemplo.

Depois de “Magnificat: Quia Respexit” vem o que talvez seja o único momento do disco que deixe seus fãs mais antigos felizes. A cantora entrega uma nova versão de “Walking In The Air”. Essa canção foi composta por Howard Blake para a trilha sonora de Snowman (desenho animado criado em cima de um livro do mesmo nome que é considerado um símbolo do Natal em diversos países) e já havia recebido uma regravação do Nightwish em seu segundo álbum, Oceanborn. O CD termina com uma bonita versão de “Jouluyo, Juhlayo” ou, como é conhecida mundialmente, “Silent Night”.

Henkäys_IkuisuudestaEm 2010, o álbum foi relançado no mercado com uma nova capa e 3 faixas diferentes: “Heinilla Harkien” no lugar de “Happy New Year”, “Maa On Niin Kaunis” no lugar de “Happy Xmas”, além da adição de “Arkihuolesi Kaikki Heita”, faixa composta exclusivamente para essa reedição.

Tarja fez um trabalho bonito e honesto com arranjos bem feitos e vocais cheios de emoção. Se você não é aquele headbanger ortodoxo que escuta heavy metal e mais nada, vale a pena a tentativa. Caso contrário, basta conferir os álbuns com pegada mais rock, já lançados pela cantora.

Faixas:
01. Kuin Henkays Ikuisuutta
02. You Would Have Loved This
03. Happy New Year
04. En Etsi Valtaa, Loistoa
05. Happy Xmas (War Is Over)
06. Vorpunen Jouluaama
07. Ave Maria
08. The Eyes of a Child
09. Mokit Nukku Lumiset
10. Jo Jouttu Ilta
11. Marian Poika
12. Magnificat: Quia Respexit
13. Walking In The Air
14. Jouluyo, Juhlayo