sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Nelson - After the Rain (1990):

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Por Davi Pascale
Texto publicado originalmente no site Consultoria do Rock

Esse é um dos artistas mais injustiçados que existe. Em 1990, Matthew e Gunnar Nelson, lançaram seu debut. Muito superior a muitos álbuns lançados nessa mesma época, os irmãos sofreram – e ainda sofrem – com preconceito por parte de público e crítica. Muito se fala a respeito deles e, ao mesmo tempo, nada se fala. As críticas e piadas são sempre em cima de seu visual. Os poucos que comentam sobre seu som, usam sempre a mesma expressão: farofa. Só que no decorrer da carreira, nunca repetiram a fórmula. E, por vezes, saíram da sonoridade hard rock. Isso deixa claro, ao menos para mim, que essas caras nunca ouviram um disco deles do início ao fim com a devida atenção.

Nunca dei muita bola para críticas, principalmente para críticos e publicações que tendem a ser preconceituosas. Depois de um bom tempo acompanhando a cena como leitor fica muito fácil distinguir quem são os  jornalistas que fazem um trabalho sério. Depois que comecei a trabalhar nessa área, firmei ainda mais minha opinião.

Aqui no Brasil muitas pessoas começaram a ridicularizar o trabalho da dupla sem ao menos terem escutado o disco. Aquela velha história: a imprensa tem o poder de colocar alguém para cima ou destruir esse alguém. Uma pena! Os rapazes trouxeram para seu trabalho tudo aquilo que aprenderam com seu pai: arranjos de alta qualidade, preocupação com melodias e ótima harmonia vocal. Para os desavisados, os garotos são filhos de Ricky Nelson, figura lendária do rock.

O disco que foi, e ainda é, desprezado no Brasil foi um marco no exterior. O grupo foi capa de todas as principais revistas da época (de People à Rolling Stone), emplacou 5 videoclipes na MTV (na época em que a emissora possuía relevância), foi atração de programas como Saturday Night Live e David Letterman, além de terem vendido mais de 6 milhões de cópias. Ou seja, longe de ser uma mera piada.

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Foto da banda completa

Aqui nesse disco, Nelson ainda era uma banda. Embora na capa aparecessem apenas os irmãos, na contracapa aparecia todo o grupo. Assim como na capa do VHS e no merchandising. Completavam o time: Brett Garsed, Joey Cathcart, Paul Mirkovich (Whitesnake, Peter Gabriel) e Bobby Rock (Vinnie Vincent Invasion, Hardline).


A tônica do álbum não é o peso. E sim, melodia e harmonia vocal. Logo de cara já percebemos isso em “(I Can´t Live Without Your) Love & Affection”, faixa que abre o disco. As vozes dobradas mostram um cuidado especial nas vocalizações. Marca registrada do disco e de bons artistas pop. Ou alguém vai querer me convencer que Beatles, Beach Boys e Everly Brothers não devem ser levados a sério?

“I Can´t Hardly Wait” vem na sequência e mantém o espírito alegre do disco com refrão marcante. Impossível ouvir a canção e não sair cantarolando por aí. A faixa-título diminui o andamento, mas não a alegria, e abre espaço para o megahit “Only Time Will Tell’. Único sucesso da dupla no Brasil!

“More Than Ever”, “Desire” e “Fill You Up” são as que mais se encaixam ao padrão hair metal, mesmo com as presenças marcantes de violões em duas das canções citadas. “Everywhere I Go” é mais uma bonita balada que poderia ter sido utilizada em qualquer trilha sonora da época. Não fica nada a dever para as baladas de grupos como Firehouse e Winger. Aliás, supera muitas escritas por esses conjuntos. “Bits And Pieces” e “Will You Love Me” trazem de volta a sonoridade pop/rock com influencia de hard apresentada no início do disco.

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Os famosos irmãos Matthew e Gunnar Nelson

Comprei esse álbum quando foi lançado. Na ocasião, era apenas uma criança de 8 anos de idade começando a descobrir as bandas que estavam na mídia até então. Já conhecia os grupos clássicos pela influência de meu pai e meu irmão mais velho. Hoje, com 34 anos de idade, reescuto o disco e sinto a mesma magia que senti na minha infância. Como dizem… O que é bom nunca envelhece. Uma boa canção nunca perde a graça. Não sou uma pessoa nostálgica e acompanho a cena atual, mas sinto falta da alegria e, principalmente, de melodias vocais bem trabalhadas. Tenho escutado discos fantásticos, mas não com essas características!

Para quem tiver interesse em conhecer esse trabalho um pouco mais a fundo, recomendo correr atrás de dois CD´s lançados pela dupla no final de 2010. Justamente para celebrar os 20 anos de seu lançamento. Intitulados “Before The Rain” e “Perfect Storm”. O primeiro, como o nome indica, traz o início de tudo. Ou seja, as demos que levaram à sua contratação com a Warner e ao álbum homenageado. O segundo, traz o resultado que isso trouxe aos rapazes. Ou seja, um concerto gravado no auge do sucesso que ajuda a trazer um pouco de nostalgia para aqueles que curtiram o movimento. Nelson chegava a levar até 60.000 espectadores em uma única noite. Entre os números de abertura estavam alguns grandes nomes da época: Tyketto, Cinderella, House of Lords e Lynch Mob.

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Capa de Before The Rain e Perfect Storm

No encarte do CD ao vivo, a dupla diz que se arrepende de nunca terem filmado um show daquela turnê e que aquele era o único registro que havia sobrevivido desse período. Ou seja, para aqueles que são fãs, um documento essencial. Ainda que a qualidade de gravação não seja fantástica.

Resumindo. É um disco pesado? Não! É um disco comercial? Sim! É um disco bobo? Jamais! Nesse álbum de estreia, já demonstravam que tinham herdado o talento de sua família e que possuíam grandes habilidades como compositores pop (no melhor sentido da expressão), além de serem cantores extremamente afinados. Vale a pena deixar o preconceito de lado e reviver um pouco desse momento inocente e mágico!

Track list:
01. (Can´t Live Without Your) Love and Affection
02. I Can´t Hardly Wait
03. After The Rain
04. Tracy´s Song / Only Time Will Tell
05. More Than Ever
06. Desire
07. Fill You Up
08. Interlude / Everywhere I Go
09. Bits And Pieces
10. Will You Love Me
11. Too Many Dreams (Bonus Track – Edição Japão)
12. Keep One Heart (Bonus Track – Edição Japão)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Queen Symphony (2002):





Por Davi Pascale

Esse é um disco já meio antiguinho, mas que por algum motivo só fui adquirir recentemente.  Queen Symphony foi lançado, originalmente, em 4 de Novembro de 2002. Aqui, Tolga Kashif, compositor criado em Londres, resolveu criar uma obra clássica em cima das canções do Queen. E o resultado é surpreendente.

Curioso, mas não inimaginável. Afinal, o Queen sempre apresentou uma musica mais sofisticada, buscando vários elementos fora do rock n roll. O universo clássico não é algo tão distante de sua obra. Freddie Mercury, inclusive, tinha enorme admiração por esse universo. Portanto, a ideia é bem interessante.

Kashif ficou responsável por criar as suítes e também por conduzir a Royal Philarmonic Orchestra. O compositor buscou músicas de diferentes fases. Veio de “We Are The Champions” (News From The World) até “Show Must Go On” (Innuendo). Claro, por se tratar de um projeto clássico, foram focadas mais musicas de sua fase comercial. As canções escolhidas da primeira fase são mais baladonas, caso de “Bicycle Race” ou “Killer Queen”.

Como já deu para sacar, o que temos aqui é uma orquestra interpretando movimentos criados em cima de canções do Queen. Ou seja, não é um álbum de rock n roll. É um trabalho clássico. Porque estou escrevendo sobre ele? Porque sua obra foi inspirada no repertório de uma banda de rock n roll. E, além de muitos fãs terem curiosidade do que encontrariam por aqui, temos que reconhecer que esse é um trabalho super profissional e muito bem elaborado.

O álbum dura aproximadamente 1 hora e, como é comum em composições clássicas, seus arranjos combinam diferentes ambientações. Ora mais alegre, ora mais triste, porém sempre muito emotivo, os músicos trazem a obra do Queen para um novo universo. É difícil comentar faixa por faixa um projeto desse porte porque esse é um trabalho para ser ouvido no todo. As faixas, inclusive, são ligadas umas nas outras, mas para não ficar em cima do muro meus movimentos favoritos foram o “Adagio Mysterioso-Allegro Com Brio” e “Moderato-Allegro-Andante Maestoso”. Além da orquestra, temos a participação de um bonito coral em alguns momentos do álbum.

Essa edição que adquiri traz também um DVD com uma apresentação realizada em 6 de Novembro de 2002. Apenas dois dias após o lançamento do disco. Essa apresentação ocorreu no Royal Festival Hall em Londres e chegou ao mercado, oficialmente, em 3 de Março de 2003. Na plateia, estava ninguém mais, ninguém menos do que Brian May, Roger Taylor e Jer Bulsara (mãe de Freddie Mercury). A performance, como era de se esperar, é impecável. Afinal, ninguém leva musica tão a serio quanto um musico clássico, certo?

Queen Symphony é um trabalho lindíssimo e super bem resolvido, mas só é indicado para aqueles que apreciam, ao menos um pouco, musica clássica. Mais uma vez, não se trata de uma banda de rock tocando com uma orquestra e utilizando-a como um complemento de luxo.  É um trabalho clássico, no sentido mais literal da palavra. Curte também esse universo? Vá de olhos fechados. Só gosta de rock e heavy metal? Afaste-se!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
     Movement I: Adagio Misterioso-Allegro Con Brio-Maestoso-Misterioso-Allegro (Radio Gaga, The Show Must Go On, One Vision, I Was Born To Love You)
     Movement II: Allegretto-Allegro Scherzando-Tranquillo (Love Of My Life, Another One Bites The  Dust, Killer Queen)
      Movement III: Adagio (Who Wants To Live Forever, Save Me)
      Movement IV: Allegro Vivo-Moderato Cantabile-Cadenza-A Tempo Primo (Bicycle Race, Save Me)
    Movement V: Andante Doloroso-Allegretto-Alla Marcia-Moderato Risoluto-Pastorale-Maestoso   (Bohemian Rhapsody, We Will Rock You, We Are The Champions, Who Wants To Live Forever)
     Movement VI: Andante Sostenuto (We Are The Champions, Bohemian Rhapsody, Who Wants To Live Forever)

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Michael Sweet – One Sided War (2016):



Por Davi Pascale

Michael Sweet ataca novamente e lança um dos melhores álbuns de sua carreira-solo. Pesado, com som de guitarra na cara e trabalho vocal impactante, músico deve agradar seus fãs.

Esse é um dos melhores álbuns que ouvi nos últimos tempos e é, certamente, um dos melhores álbuns de sua carreira-solo. Diria que é o que mais se aproxima do trabalho que realiza ao lado do Stryper. Mas esse não é o fato principal para considerá-lo como um enorme destaque. Sim, gosto muito do Stryper, mas sempre curti também sua carreira-solo. Sempre ficava na expectativa para ver o que iria aprontar. E, mais uma vez, o cara não decepciona. O grande destaque aqui é a qualidade das composições. Uma faixa melhor do que a outra.

Para registrar esse material, o músico contou com a presença de Joel Hoekstra (Whitesnake) nas guitarras, o baterista Will Hunt (Evanescence) e os baixistas John O´Boyle e Ethan Brosh. One Sided War é um álbum mais focado nas guitarras, mais pesado e menos moderno do que anterior, (o ótimo) I´m Not Your Sacrifice.

Além de ser dono de uma bela voz, Michael também é um guitarrista de mão cheia. No Stryper, sempre fez bonito ao dividir o instrumento com Oz Fox. Inclusive, criando e interpretando parte dos solos. E aqui não é diferente. O cara arrebenta nos vocais e as guitarras se destacam com bastante intensidade.

Outra característica marcante de seu grupo principal e que dá as caras por aqui são os vocais dobrados. Continua apresentando aqueles backings cheios e harmoniosos, que seus fãs estão tão acostumados. Os arranjos aqui são heavy metal tradicional. Sem nenhum toque de modernidade. Sem programações, sem teclados. Não temos também por aqui aquelas baladas mais melosas e/ou repletas de violões. A faixa mais lenta é a sombria “Who Am I”.

“Bizarre” traz um riff inicial inspirado em Van Halen. “Radio” traz uma pegada mais bluesy country rock para dentro do heavy metal. Não é a primeira vez que alguém brinca com esse universo, mas são poucos os que se saem bem. “Can´t Take This Life” foi gravada duas vezes. Uma contando apenas com o trabalho vocal de Michael Sweet. E outra contando com a participação especial de Moriah Formica. Uma garota de apenas 16 anos de idade. Embora prefira a versão em que cante sozinho, é nítido que a menina possui um enorme talento.

Os fãs de Stryper irão se identificar com “Comfort Zone” e “Golden Age”. Já “You Make Me Wanna Move” e “Only You” contam com uma pegada mais radiofônica, embora sejam faixas fortes. “Only You” é uma das minhas favoritas do disco.

Michal Sweet demonstra, mais uma vez, como fazer um álbum de heavy metal. Riffs impactantes, refrãos memoráveis, solos empolgantes, trabalho vocal louvável. Álbum pesado e melódico ao mesmo tempo. Altamente recomendado!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Bizarre
      02)   One Sided War
      03)   Can´t Take This Life
      04)   Radio
      05)   Golden Age
      06)   Only You
      07)   I Am
      08)   Who Am I
      09)   You Make Me Wanna
      10)   Comfort Zone
      11)   One Way Up 
      12)   Can´t Take This Life (c/ Moriah Formica)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sheryl Crow: O Álbum Nunca Lançado [1992]

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Por Davi Pascale
Publicado originalmente no site Consultoria do Rock

Revirando minha coleção de discos, me deparei com esse CD que não escutava há algum tempo. Todo mundo conhece o famoso trabalho de estréia da norte-americana Sheryl Crow intitulado Tuesday Night Music Club que invadiu as rádios do mundo todo em 1993 com musicas como “All I Wanna Do”, “Leaving Las Vegas”, “Strong Enough”, “Can´t Cry Anymore”, “Run, Baby Run”… O que muitos não sabem, contudo, é que esse não era exatamente o início de sua carreira.

Antes de atingir o estrelato, Sheryl Suzanne Crow, nascida na pequena cidade Kenett, foi professora de música em uma escola primária chamada Kellison (localizada em outra pequena cidade dos Estados Unidos, Fenton). Atuou ainda como cantora de jingles, foi backing vocal em turnês de artistas do calibre de Michael Jackson, Joe Cocker e Bonnie Raitt, compôs para artistas renomados (como “Love You Blind” de Celine Dion, por exemplo) e gravou backing vocals no disco de outras grandes estrelas como Rod Stewart, Stevie Wonder e Don Henley.

Seu primeiro álbum, na realidade, foi gravado dois anos antes de atingir a fama. Para a produção foi chamado o inglês Hugh Charles Padhgam, profissional renomado que já tinha trabalhado em álbuns como Invisible Touch (Genesis), Synchronicity (The Police) e Press to Play (Paul McCartney), só para citar alguns. Na lista de músicos, além da própria Sheryl, estavam nomes como Vinnie Colaiuta (baterista que já acompanhou artistas como Jeff Beck, Sting e Frank Zappa), Pino Palladino (atual baixista do The Who) e o guitarrista Dominic Miller (guitarrista que já trabalhou com Sting, Phil Collins e King Swamp).

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Sheryl Crow atuando como backing do Michael Jackson

A cantora norte-americana assinou seu contrato com a A&M Records em 1991. Logo de cara, entrou em estúdio para gravar seu material de estréia. O material ficou pronto no ano seguinte e deveria ter sido lançado em 22 de Setembro de 1992. No entanto, de ultima hora, o material foi engavetado. A gravadora dizia que o álbum não era comercial o suficiente. Sheryl, por outro lado, gostava das músicas, mas não gostava da sonoridade do álbum. Unindo o útil ao agradável, a artista resolveu começar com outro projeto, do zero mesmo, que acabou resultando no disco que todos conhecem.

Vale ressaltar uma curiosidade… Muitos tratam esse álbum como o disco “nunca lançado”. O CD que eu tenho (bootleg, obviamente), inclusive, traz essa informação. No entanto, isso é uma meia verdade. Como assim? É verdade que esse CD nunca foi para as lojas, mas a gravadora chegou a iniciar seu trabalho de divulgação antes de abortá-lo. O material realmente não existe no formato compact disc, mas algumas fitas cassetes foram distribuídas para os jornalistas da época com esse material. Essas fitas foram prensadas pela A&M Records, portanto, é um material oficial.  Ou seja, ele existe promocionalmente. Foi daí que nasceram os famosos bootlegs…

O lado A trazia as canções “All Kinds Of People”, “Father, Son”, “What Does It Matter”, “Indian Summer”, “I Will Walk With You” e encerrava com “Love You Blind”. Já o lado B trazia as faixas “Near Me”, “When Love Is Over”, “You Want It All”, “Hundreads of Tears”, “The Last Time” e “The Borrowed Time”.

Mas afinal de contas… O album era tão ruim assim? Ele é ou não é comercial? Vamos à ele… No meu CD, está gravado primeiro o lado B e depois o lado A, mas vou manter a sequência acima para não confundir os leitores…

Começaremos pelo primeiro lado da tal fita. “All Kinds os People” e “Indian Summer” são musicas que poderiam facilmente terem se tornado grandes hits na década de 80. Traziam boas linhas vocais, teclado em excesso e refrões de fácil assimilação. Entretanto, em se tratando de anos 1990, os arranjos já soavam um pouco ultrapassados para a época. As músicas, contudo, não são ruins. Inclusive, “All Kinds of People” foi regravada mais tarde por Tina Turner em seu álbum Wildest Dreams. “Father´s Son”, por outro lado, já dava uma dica do que a cantora faria no futuro com forte presença de violões e já trazendo seu estilo característico de cantar. Poderia facilmente ter sido regravado em trabalhos posteriores, assim como a linda balada “What Does It Matter” que além de trazer uma bonita orquestração, ainda contou com a participação mais do que especial do ‘eagle’ Don Henley. A faixa já trazia uma roupagem bem madura e agradaria seus atuais fãs. “I Will Walk With You” é mais uma balada que tem o piano como base principal. Entretanto o refrão com coral por trás, com uma guitarra crescendo no solo no meio de uma musica, traz de volta aquela sonoridade pop oitentista que me agrada, mas já estava saindo de moda nessa época. O lado A encerra com “Love You Blind” que é aquela faixa que citei ter sido gravada por Celine Dion lá no inicio do texto. Uma faixa não mais do que razoável.

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O lado B inicia com a boa “Near Me” que, mais uma vez, eliminando os teclados, torna-se uma canção típica da artista. A única desse segundo lado com tal característica, mas não a única faixa bacana. As animadas “You Want It All” e “The Last Time” também são muito boas. Além de trazerem um ótimo trabalho vocal, já davam a dica de quão talentosa era Sheryl Crow enquanto compositora. Os arranjos são bem legais. “The Last Time”, para mim, é um dos pontos alto do álbum. “When Love Is Over”, “Hundreds of Tears” e “Borrowed Times”  trazem de volta aquele lado baladeiro com fortes influencias da década de 80. Dessas 3, a única que considero fraquinha é “When Love Is Over”.

Em resumo, o álbum é bem legal, mas realmente não traz, ao menos na maior parte do tempo, uma sonoridade que nos remeta imediatamente à imagem da artista. Durante o CD ela transita por diferentes sonoridades, o que demonstra que ainda estava em busca do seu som. Algo perfeitamente normal para quem está iniciando uma carreira. Entretanto, não concordo com a gravadora de que o álbum não era comercial. Pelo contrario, acho mais pop do que o som posterior dela. E algumas músicas daí, com pequenos ajustes (dando uma atualizada nos arranjos, para ser mais preciso), tornariam-se hits fácil, fácil…

Entendo a crítica que a artista faz ao material. Para quem não está por dentro, ela costuma dizer que acha a produção exagerada e que quando resolveu fazer o (ótimo) Tuesday Night Music Club, a principal meta dela era buscar um som mais polido. Realmente há um exagero no uso dos teclados, que na verdade é o que ajuda a dar essa cara oitentista que tanto mencionei no texto. Entretanto, não acho que seja um material ultrajante a ponto de ficar trancando a sete chaves. Pelo contrario, como disse anteriormente, o disco é bom… Ainda acho que deveria lançar esse material oficialmente, afinal faz parte da historia e o respeito dela enquanto artista já está mais do que conquistado. Em 2013, fez 20 anos que ela atingiu a fama. Teria sido uma boa “desculpa” para colocar esse material nas lojas, mas não rolou…

Para os fãs e colecionadores, existem várias edições bootlegs desse material. Essa edição que tenho é tida como uma das que tem melhor qualidade de som, mas não tive acesso à outros bootlegs para comparar e afirmar com precisão. Esse CD que tenho foi prensado em 1997 e além de trazer o material demo, trazia ainda versões ao vivo de “Leaving Las Vegas”, “Can´t Cry Anymore” e “Happy” (canção dos Rolling Stones). A capa foi extraída do single da “All I Wanna Do”. O cara não se dignou nem em apagar o nome da musica da foto. A única mudança foi transformar a imagem em preto e branco, como se fosse um xerox. Embora a produção gráfica não seja animal, nem encarte tem, a qualidade de áudio é muito boa. Quem é fã, vale a pena ter. Ele é conhecido pelo nome de The Unreleased Album. Na contracapa vocês vão ver um pequeno texto indicando que o material foi gravado em 1990. Não foi!, a capa está errada! É de 1992. Vocês vão ralar um pouquinho para encontrar, desembolsar uma grana razoável (não tenho idéia de quanto custe esse exemplar atualmente, mas normalmente um CD bootleg costuma custar em torno de 70 a 100 reais, salvo raras exceções), mas até que ela resolva colocá-lo nas lojas, é nossa única alternativa.

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Capa do bootleg

Tracklist (obedecendo a ordem original):
1. All Kinds of People
2. Father´s Son
3. What Does It Matter
4. Indian Summer
5. I Will Walk With You
6. Love You Blind
7. Near Me
8. When Love Is Over
9. You Want It All
10. Hundreds of Tears
11. The Last Time
12. Borrowed Time

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Bruce Kulick – Audio Dog (2001):



Por Davi Pascale

Em 2001, Bruce Kulick lançou seu primeiro álbum solo. Material misturava temas instrumentais com faixas cantadas e certamente agradará aos fãs do rapaz.

Bruce Howard Kulick tem uma longa carreira e atingiu a fama ao se juntar ao Kiss em 1984, substituindo o guitarrista Mark St John, que havia ficado responsável pelas guitarras de Animalize. Seu primeiro trabalho com a banda foi o LP Asylum. Durante os onze anos em que esteve frente ao grupo, o rapaz se destacou por dar uma nova cara à banda. Possuía a técnica e destreza dos dois guitarristas anteriores, mas sabia trabalhar melhor com esse universo e era um musico mais completo. Depois de Ace Frehley, foi o melhor guitarrista que passou pelo Kiss.

Audio Dog é seu primeiro trabalho solo e o primeiro após o Union. O grupo havia sido criado após sua saída do quarteto norte-americano. Os músicos haviam decidido retornar às máscaras e à formação original. O musico resolveu encarar uma nova empreitada e criou uma banda ao lado de John Corabi, ex-vocalista do Motley Crue que vivia uma situação parecida.

Esse álbum de 2001 traz muitas similaridades ao trabalho da Union. Nas faixas cantadas, ele resgata aquela sonoridade mais suja, quase alternativa, que havia influenciado Carnival of Souls e havia dado a tônica para criação das canções de seu novo grupo. Já assisti uma entrevista do Paul Stanley, onde declarava que o direcionamento musical do álbum de 97 foi criado para agradar Kulick. Embora as decisões musicais sempre tenham ficado a cargo da dupla Stanley/Simmons, realmente faz sentido se analisarmos o que cada um deles fez após esse período.

“Change Is Coming”, “Need Me”, “I Can´t Take” e “Dogs of Morrison” seguem exatamente essa linha. Vale prestar atenção, inclusive, no solo de guitarra de “Need Me”, um dos melhores do disco. Outro ponto a ser notado é a evolução de Bruce enquanto cantor. Ok, o alcance dele não é alto, mas o trabalho vocal está muito mais agradável, consistente e seguro do que o trabalho realizado na faixa “I Walk Alone” (Carnival of Souls).

Bruce Kulick em uma de suas passagens no Brasil

“I Can´t Take” e “Need Me” acredito que seja as que tenham mais a ver com o Kiss. “Dogs of Morrison” não tem nenhuma relação com o vocalista do Doors, a letra se refere à Morrison Street, rua onde o musico morava na época, localizada na região de Sherman Oaks. A mais fraquinha do álbum acredito que seja a balada “I Don´t Mind”.

Muitos gostam de questionar a habilidade técnica dos músicos do Kiss. Bruce dá um tapa na cara dessas pessoas, principalmente nos temas instrumentais. “Pair of Dice”, “Monster Island”, “Liar” (faixa que já havia aparecido no álbum Return Of The Comet), “495” e “Skydome” trazem fortes influências de Steve Vai, Gary Moore, Jeff Beck e, mais claramente, Joe Satriani. Nada mal, né?

Kulick fez o álbum sem pressa. Gravou todo o material em um estúdio que tinha em sua casa, recorrendo muitas vezes à demos inacabadas de outros grupos onde tinha passado – como Kiss e Good Rats – para criar as faixas apresentadas aqui. Ótimo musico, o cara sabe dosar técnica e feeling como poucos.

Bruce Kulick ficou responsável pela gravação de todas as guitarras, baixo e parte vocal. Para bateria contou com a ajuda de seu velho companheiro de Union, Brent Fitz (sim, o músico da banda do Slash) e o monstro Kenny Aronoff (John Fogerty, Chickenfoot). Audio Dog demonstra um músico inspirado, criativo e apresenta composições bem interessantes e consistentes. Confira!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   Pair Of Dice
      02)   Strange To Me
      03)   Change Is Coming
      04)   Need Me
      05)   I Don´t Mind
      06)   Monster Island
      07)   Please Don´t Wait
      08)   Liar
      09)   I Can´t Take
      10)   Dogs of Morrison
      11)   Skydome 
      12)   495

domingo, 28 de agosto de 2016

Lucas Silveira – Eu Não Sei Lidar (2015):



Por Davi Pascale

Cantor e compositor da Fresno lança seu primeiro livro. Embora não muito comprido, o material é bem interessante e se torna uma leitura necessária entre os fãs do grupo.

Para o bem ou para o mal, a banda Fresno já se encontra no mercado há mais de 15 anos. Embora possuam uma leva de admiradores bem fiéis, os músicos nunca foram unanimidade. Nem entre os fãs de rock, muito menos entre a crítica especializada. Sim, hoje, o ódio em torno dos meninos diminuiu já que eles não são mais a tal novidade. Mas é algo que continua presente com uma certa força.

Se você faz parte da leva que nutre alguma admiração pelos gaúchos, a leitura do livro de Lucas Silveira se torna algo bem interessante. Aqui, o músico explica algumas de suas letras. Desde expressões que parecem não fazer muito sentido, até o real significado da canção. Qual foi a mensagem que quis transmitir e o que o levou a escrever sobre aquele tópico.

Existem vários tipos de artistas, vários estilos de composição e vários tipos de letristas. Existem aqueles que gostam de escrever sobre críticas político-sociais. Caso de bandas como Dead Fish. Existem aqueles que gostam de trabalhar com crônicas. Caso de Fausto Fawcett. Existem aqueles que gostam de trabalhar com aquilo que o brasileiro tem de melhor, ou seja, o bom humor. Caso de Roger Moreira. E existem aqueles que gostam de escrever sobre si próprio. Esse é o universo de Lucas.

Suas letras são reflexos de suas experiências pessoais ou profissionais. Pelo que entendi pela leitura, mais pelo lado pessoal. Ao contar sobre a criação de suas letras, o cantor acaba revelando muito sobre sua historia. Algo que torna a experiência bem interessante.

O musico soa bem honesto em seus relatos. Aborda temas pesados como morte, traição, bullying, o que ajuda a entender a melancolia em torno de várias de suas letras. Esses tópicos retratam não apenas como lida com esse universo, mas também como eles interferiram no seu crescimento e amadurecimento.

Lucas não vai tão a fundo quanto Lobão fez em seu mais recente livro (Em Busca do Rigor e Da Misericórdia) ao explicar seus arranjos. O velho lobo explicava por A+B a escolha de determinada guitarra para gravar tal faixa, corda que trocou para conseguir afinação, porque optou por determinada sequencia de acordes, etc. Entretanto, faz alguns depoimentos interessantes como o uso da tal linguagem poética, a acentuação de sílabas errada pelo ponto de vista gramatical, as críticas recebidas pelo produtor Rick Bonadio e a razão de não dar o braço a torcer. E pior que o garoto tem razão no que diz.

O livro não traz fotos de arquivo, mas traz um projeto gráfico interessante. Embora bem escrito, a linguagem utilizada aqui é bem simples. Uma leitura prazerosa e rápida. Li o material em 2 dias apenas. Para quem quer entender um pouco mais do que se passa na cabeça do musico e entender um pouco da bandeira que a banda defende, a leitura é essencial.

sábado, 27 de agosto de 2016

Noticias do Rock



Fique por dentro do que está rolando no universo do rock. Lançamentos, mortes, curiosidades... Trazemos um resumo com alguns dos principais acontecimentos da semana. Confira! 

Por Davi Pascale


Morre ex-guitarrista do 3 Doors Down

O ex-guitarrista do 3 Doors Down, Matt Roberts, morreu sábado passado aos 38 anos. O músico morreu de madrugada após ter realizado um show beneficente em West Bend (Wisconsin). Matt abandonou o grupo em 2012 por problemas de saúde e tomava medicamentos controlados. Acredita-se que a causa da morte tenha sido uma overdose acidental de remédios.



Malta divulga nova musica e novo vocalista

Já havíamos anunciado aqui que Bruno Boncini havia se desligado do Malta. Para encontrar um substituto, o grupo Malta criou um reality show, exibido pelo GShow, que atendia pelo nome de Malta – Faça Parte Desse Sonho. O vencedor foi a cantora Luana Camarah, ex-Superstar e ex-The Voice Brasil. O grupo já divulgou a primeira musica com a nova vocalista. Confira abaixo.



Novo DVD do Scorpions à caminho

O Scorpions confirmou o lançamento de um novo DVD/Blu-ray. Atendendo pelo nome de Forever And a Day, o documentário mostra a Final Sting Tour ocorrida entre 2011-2012, que prometia ser a ultima tour do grupo, e conta a historia da banda. Junto com o material, vem um segundo disco com a apresentação de 17 de Dezembro de 2012, em Munique, programada para ter sido o ultimo show da carreira do Scorpions. Não entendi a razão do lançamento, já que a banda já desistiu da aposentadoria e segue tocando e lançando discos até hoje.




Prophets of Rage lança seu primeiro EP

O mais novo supergroup da praça, o Prophets of Rage, acaba de lançar seu primeiro EP. Atendendo pelo nome de Party´s Over, o material chegou às lojas dos EUA ontem e conta com 6 faixas. Para quem está por fora, Prophets of Rage é uma banda criada a partir da fusão de ex-membros do Rage Against The Machine com integrantes do Public Enemy e Cypress Hill. Confira o primeiro som a seguir.




Eddie Vedder expulsa fã de show

O vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, expulsou um fã durante uma apresentação que a banda realizava em Chicago. Ao que tudo indica, o rapaz teria agredido uma mulher na plateia. O cantor, ao notar a cena, parou o show e pediu que o rapaz se retirasse.