terça-feira, 23 de agosto de 2016

Tom Keifer – The Way Life Goes (2013):





Por Davi Pascale

Publicado originalmente no site Consultoria do Rock

Comecei a me ligar em rock n roll nos anos 80. Do lado internacional, além daquela onda de NWOBHM e thrash metal, uma leva que sempre me chamou a atenção foi a da tão odiada febre de hair bands que, no Brasil, os críticos mauricinhos e intelectualóides gostavam de chamar de rock farofa. Um dos ícones dessa cena foi o Cinderella, a banda de Tom Keifer. E é justamente sobre o álbum dele que trataremos hoje.

Sempre gostei dessas bandas por uma simples razão: os caras eram a perfeita tradução do rock n roll. Vinham com um som simples, contagiante, com letras versando sobre festas e garotas. A mensagem era uma só: diversão. E uma das bandas que sempre me chamou bastante a atenção foi justamente o Cinderella. Existia um diferencial em relação aos outros grupos do gênero. Sim, eles tinham aquelas cabelos volumosos, usavam aquelas roupas espalhafatosas. Sim, eles bebiam na fonte do hard rock dos anos 70, como Kiss e Aerosmith (como vários grupos da época), mas também tinham uma forte veia vinda do blues. Todas essas influências permanecem em The Way Life Goes, primeiro álbum solo de Tom Keifer.

Esse não apenas é seu primeiro disco solo, como é o primeiro álbum de inéditas desde Still Climbing (1994). Nesse meio tempo, muita coisa rolou. A cena musical mudou. As gravadoras perderam a força. O modo de se consumir música mudou. O modo de se divulgar música mudou. O músico enfrentou sérios problemas com suas cordas vocais. O rapaz se viu diante de uma nova situação. E soube contornar como poucos.

O álbum não soa datado, mas também não traz o músico apostando em modernismos. O rapaz manteve sua identidade. A pegada hard rock com blues continua impregnada em seu trabalho, perceptível em faixas como “Ain´t That a Bitch” e “The Way Life Goes”. A influência de rock n´ roll dos anos 70 segue intacta e é perceptível em diversos momentos. “Mood Elevator” é um hard rock fervoroso com uma sonoridade bem Aerosmith, enquanto a balada “Thick In Thin” nos remete à Rod Stewart. “Cold Day In Hell” é outro dos grandes destaques. Arranjo bem rock n roll com uma vibe bem Stones.
 
Como todo bom músico dos anos 80, não esconde sua admiração pelas baladas. Temos algumas aqui. “A Different Light” traz uma influencia country, enquanto “The Flower Song” nos remete ao Cinderella fase Heartbreak Station (1990). Outra que merece destaque é a lindíssima “You Showed Me”. Em outros tempos, seria hit de FM.

O musico teve um sério problema nas cordas vocais nos anos 90. Teve que ficar afastado da cena um tempo. E mais tenso do que isso, teve que reaprender a cantar. Realmente, seu trabalho vocal está mais contido. Sim, está mandando muito bem. O cara é bom, mas está menos gritado, está rasgando menos. “It´s Not Enough” e “Solid Ground” são as duas onde ele mais se aproxima do seu velho estilo.

The Way Life Goes é um álbum honesto e cativante. Embora não soe uma continuação do Cinderella, suas principais referências se fazem presentes. O disco é bem variado e mistura elementos de hard rock, blues e country. A qualidade das composições é alta. Quem gosta do cara, vale dar uma checada. Ótimo retorno!

Faixas:
              01)   Solid Ground
02)   A Different Light
03)   It´s Not Enough
04)   Cold Day In Hell
05)   Thick And Thin
06)   Ask Me Yesterday
07)   Fools Paradise
08)   The Flower Song
09)   Mood Elevator
10)   Welcome To My Mind
11)   You Showed Me
12)   Ain´t That a Bitch
13)   The Way Life Goes
14)   Babylon

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Blues Pills – Lady In Gold (2016):





Por Davi Pascale

Blues Pills chega ao seu segundo disco. Trazendo maior influencia do soul, grupo recria sua sonoridade e entrega um dos grandes álbuns de 2016.

O grupo sueco foi abraçado tanto pelos fãs quanto pela crítica assim que se debut foi lançado. Mais precisamente em 2014. As comparações imediatas eram de Led Zeppelin e Janis Joplin. As influências setentistas continuam intactas, mas definitivamente não dá para chamar Lady In Gold de um álbum mais do mesmo.

Embora seja um grande fã de hard rock, em especial dos anos 70 e 80, achei esse novo trabalho bem superior ao debut. Mais consistente, com composições mais fortes. Do lineup, mudou apenas o baterista. Saiu Cory Berry e entrou Andre Kvarnström. Elin Larsson, contudo, continua sendo o grande destaque do conjunto com sua voz forte.

Assim que faixa-título foi divulgada, muitos começaram a declarar que a moça estava copiando o fenômeno Adele. Na verdade, não. A real é que a cantora britânica bebe na fonte da Aretha Franklin. Uma das artistas que a cantora do Blues Pills admira e certamente deve ter se inspirado na hora de trazer esse universo mais soul ao novo trabalho.

Lady In Gold está menos focado no hard rock, com uma pegada psicodélica em maior evidência, conforme demonstram faixas como “Burned Out” e “Elements and Things”. A influência do blues também continua marcando presença e se destaca com clareza no arranjo de “You Gotta Try”.

Escutar o novo álbum do Blues Pills é como entrar em uma maquina do tempo e voltar ao final dos anos 60. A sonoridade praticada pela banda é facilmente assimilável aos trabalhos dos grupos da cena de San Francisco como Jefferson Airplane, Blue Cheer e Big Brother And The Holding Company. Cheia de emoção, alternando momentos calmos, com momentos pesados e sem perder o lado experimental.

Outra mudança notável é a forte presença do coro gospel por trás das canções. Algo que ajuda a deixar as músicas ainda mais com esse ar retro. Os backings de “Little Boy Preacher”, por exemplo, ficaram simplesmente mortais.  Os grandes momentos ficam por conta de “Lady In Gold”, “Little Boy Preacher”, “Burned Out”, “Bad Talkers”, “You Gotta Try” e “Rejection”. Até agora um dos discos que mais me empolgaram esse ano. Pode ir sem medo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   Lady In Gold
      02)   Little Boy Preacher
      03)   Burned Out
      04)   I Felt a Change
      05)   Gone So Long
      06)   Bad Talkers
      07)   You Gotta Try
      08)   Won´t Go Back
      09)   Rejection
      10)   Elements And Things

domingo, 21 de agosto de 2016

Metrô – Olhar: Edição Comemorativa 30 Anos (2016):



Por Davi Pascale

Enquanto o disco de inéditas não vem, o Metrô relança seu álbum mais famoso repleto de bônus. Montado com gravações da época e ótimo trabalho gráfico, material emociona quem viveu o sucesso do grupo e se torna item definitivo na coleção de seus admiradores.

Nos anos 80, tivemos vários grupos de rock dominando as paradas brasileiras. Alguns sobreviveram, conseguiram atravessar gerações e se mantiveram no mercado. Caso do Capital Inicial, do Paralamas do Sucesso, do Lulu Santos... Outros, tiveram um grande destaque na época, mas não tiveram a mesma sorte. Seja porque brigaram e separaram, porque não conseguiram continuar criando hits ou qualquer outro motivo. Uma dessas bandas que é lembrada com carinho entre as pessoas da época, mas que a garotada talvez não saiba muito sobre é o Metrô.

O grupo Metrô surgiu a partir de um outro grupo: o Gota Suspensa. Embora tenham registrado um (bom) LP com esse nome e tenham criado uma admiração no circuito underground da época, eles só caíram na boca do povo depois que alteraram seu nome e deixaram seu som mais comercial.

A referência principal aqui é a new wave. É possível pegarmos referências claras de artistas como Blondie, Roxy Music, B-52´s. O fato de ter uma cantora de frente e ter essa pegada em seu trabalho fez com que muitos começassem a compara-los com o Kid Abelha. Outra banda que estava em enorme destaque na ocasião. Mas o som deles era um pouco diferente, com mais ênfase nos teclados e nas batidas eletrônicas. Embora também apostassem em melodias fáceis e acento pop.

Em 1985, chegou ao mercado o LP Olhar. Com produção de Luiz Carlos Maluly (o mesmo que produziu o emblemático Revoluções Por Minuto do RPM), o disco se tornou um marco da época com faixas que se tornaram grandes hits nas rádios, entraram em trilha de filmes e foram executadas em novelas da Rede Globo. “Cenas Obscenas”, “Johnny Love”, “Sândalo de Dândi”, “Tudo Pode Mudar”, “Olhar” certamente estão no inconsciente de quem pertenceu àquela geração.

Além do famoso LP, foram adicionadas as músicas que saíram em compactos – caso dos hits “Ti Ti Ti” e “Beat Acelerado” – a versão de “Johnny Love” criada para o filme Rock Estrela – contando com a participação de Léo Jaime, um dos protagonistas do longa – remixes, demo e versões ao vivo da época. Os registros de shows são muito bacanas, pois mostram uma banda bem afiada, que tocava com garra, mas também mostra um pouco da inocência da época.

Nas demos, temos “Tudo Pode Mudar” em uma versão bem próxima à original (uma execução um pouco mais crua, mas o arranjo já bem próximo da versão final), “Sândalo de Dândi” ainda contando apenas com a voz guia e a inédita “Eu Digo Stop”. Música bem bacaninha por sinal.

Atualmente, os músicos estão fazendo shows Brasil afora com a mesma formação que gravou esse disco e prometem material inédito para breve. Enquanto não vem, vamos juntos relembrar esse ótimo período da música popular brasileira. Ítem essencial entre os admiradores da cena BRock.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
CD 1:
      01)   Olhar
      02)   Cenas Obscenas
      03)   Johnny Love
      04)   Sândalo de Dândi
      05)   Melodix
      06)   Beat Acelerado II
      07)   Tudo Pode Mudar
      08)   Hawaii-Bombay
      09)   Solução
      10)   Stabilo
      11)   Que Loucura!
      12)   Ti Ti Ti
      13)   Beat Acelerado (Bônus)
      14)   Ti Ti Ti – Dance Mix (Bônus)
      15)   Johnny Love – Trilha Rock Estrela (Bônus)
      16)   Beat Acelerado – Remix Por DJ Zé Pedro (Bônus)

CD 2:
      01)   Tudo Pode Mudar – Ao Vivo Em Cruzeiro
      02)   Beat Acelerado – Ao Vivo Em Jaú
      03)   Sândalo de Dândi – Ao Vivo Em Jaú
      04)   Olhar – Ao Vivo Em Cornélio Procópio
      05)   Johnny Love – Ao Vivo Em Recife
      06)   Cenas Obscenas – Ao vivo Em Tupã
      07)   Stabilo – Ao Vivo Em Tupã
      08)   Melodix – Ao Vivo Em Recife
      09)   Tudo Pode Mudar – Demo 1984 (Bônus)
      10)   Sândalo de Dândi – Demo 1984 (Bônus)
      11)   Eu Digo Stop – Demo 1984 (Bônus)

sábado, 20 de agosto de 2016

Notícias do Rock



Fique por dentro de tudo que está rolando na cena do rock. Dentro e fora do Brasil. Aqui, trazemos alguns dos maiores destaques da última semana. Confira!

Por Davi Pascale


Rex Brown prepara álbum solo



O baixista do Pantera, Rex Brown, está preparando um álbum solo. O músico promete um trabalho bem diferente daquilo que esperam dele. O material que chegará às lojas em 2017, apresenta uma forte influencia de 70´s e trará o músico se aventurando nas guitarras e nos vocais. Além do baixo, é claro. No mínimo, curioso.


Meshuggah grava novo álbum em velho formato



Tomas Haake, baterista do Meshuggah, admitiu em recente entrevista à Metal Hammer que considera Obzen (2008) e Koloss (2012) muito perfeitinhos. Segundo o musico, ele gosta dos discos, mas acha que não transmite o que a banda realmente é. Para que conseguissem um trabalho mais satisfatório, ao menos para eles, resolveram gravar o próximo trabalho tocando ao vivo no estúdio, como costumavam fazer nos primórdios. O disco em questão se chama The Violent Sleep Of Reason e chegará às lojas no dia 17 de Outubro.


Metallica divulga nova musica

O novo álbum do Metallica finalmente está para ser lançado.  Hardwired... To Self-Destruct chega às lojas no dia 18 de Novembro. O disco será duplo, tendo 12 faixas e 80 minutos de som. Quando soube que o produtor seria Greg Fieldman (o mesmo de Lulu), me deu um frio na barriga, mas o novo single me empolgou bastante. Confira!




Temple of The Dog relançará álbum e fará shows

O supergroup Temple Of The Dog relançará seu único álbum como forma de comemorar os 25 anos do material. Para a alegria dos fãs, os músicos resolveram estender a celebração aos palcos. Ao que tudo indica, serão apenas 5 shows, todos em território norte-americano. O disco será lançado em 4 formatos diferentes. O material chega às lojas dia 30 de Setembro. Os músicos já soltaram uma das faixas inéditas. Saca só...




Morre músico do Azul 29



Quem viveu os anos 80, certamente se lembra do Azul 29. O grupo, que fazia um som calcado na new wave, conseguiu um enorme destaque com a faixa “Videogame”, uma das canções à integrar a trilha do filme Bete Balanço. Na ultima quinta (18), Thomas Bielefeld, vocalista e tecladista do grupo, faleceu em Pindamonhangaba. O musico havia sido internado em Julho por conta de insuficiência cardíaca e respiratória e havia sido transferido para a UTI por conta de uma grava infecção. R.I.P.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Kurt Cobain – All Apologies (2008):





Por Davi Pascale

E eu continuo revirando os documentários de rock no mundo da Netflix. É sério, acostumem-se. Já tem pelo menos uns 4 na minha lista para assistir. Dessa vez, foi a vez de um sobre o líder do Nirvana, Kurt Cobain. A ideia é bacana, mas o resultado poderia ter sido um pouco melhor.

All Apologies foi produzido pelo grupo BBC. A ideia era tentar compreender o mito e toda a áurea criada em torno do compositor. No mínimo, interessante e, de certa forma, diferente já que não se trata de mais um filme em torno de sua morte.

O impacto do Nirvana realmente foi enorme. Esse eu posso afirmar, sem medo de errar, porque eu vivi a época de explosão do trio. Não é exagero o que comentam sobre o megahit “Smells Like Teen Spirit”. Lembro do quão rápido ela subiu nas paradas e do quanto impactou os jovens na época. Não demoraria muito para que começasse a notar retratos do grupo colados nos fichários dos colegas de classe e nem para presenciar inúmeras bandas interpretando suas canções em festivais ou para notar jovens colegas deixando a franja crescer para se parecer com o Kurt.

Houve também um enorme impacto no cenário. O sucesso do grupo abriu as portas para que o gênero grunge finalmente tomasse as rádios de assalto. Do nada, víamos surgir bandas à todo momento. E também alguns que já estavam na cena há algum tempo, finalmente ganhando o destaque que mereciam. Caso do Soundgarden.

Portanto, a ideia do documentário é bem realista. O grande problema é que foram entrevistadas pouquíssimas pessoas e quase todas com um ponto de vista parecido. Com isso, o assunto não deslancha como deveria. Outro grande problema que vejo é que as informações que costuram o filme são todas super manjadas entre os fãs. Nenhuma informação que te faça dizer ‘uau. Olha isso!’

Embora a morte do cantor não seja o tema principal, obviamente ela é mencionada e os entrevistados dão sua versão. Vão em cima da versão oficial. Ou seja, de que Kurt se matou por não aguentar a pressão gerada em cima da ideia de ser o porta-voz de uma geração. Os entrevistados até falam algumas frases bonitas, mas nada que cause um choque realmente.

Achei que faltaram alguns personagens principais. Courtney Love poderia ter participado (afinal, foi ela quem leu a carta do suicídio para os fãs), Dave Grohl deveria ter sido entrevistado. Foi bacana ver Chad Channing, mas eles estouraram depois que Grohl assumiu as baquetas. Se a ideia é retratar o sucesso do trio e seu legado...

Enfim, All Apologies é um filme que diverte, ajuda a passar o tempo, mas não mudará sua visão em cima do grupo e nem trará nada de novo, caso vocês os acompanhe à algum tempo. Esperava mais...

Status: Razoável
Nota: 6,0 / 10,0