terça-feira, 16 de agosto de 2016

Motorhead – Clean Your Clock (2016):





Por Davi Pascale

Chega ao mercado mais um álbum ao vivo do Motorhead. Com registros de 2015, trabalho mostra força do legado construído e o esforço sobrenatural de Lemmy. Uma homenagem digna à uma das vozes mais emblemáticas da música pesada.

Poucas bandas se mantiveram tão fiéis aos seus princípios quanto o Motorhead. Durante os mais de 40 anos que tiveram na estrada, os músicos nunca se renderam à tendências. Sempre mantiveram seu som, sua postura. Mesmo nos períodos de dificuldades. Como é comum em uma banda com tantos anos, sua discografia possui álbuns mais inspirados e menos inspirados. Mas, no palco, nunca ficaram a dever.

Clean Your Clock traz os melhores momentos das apresentações ocorridas em Munich (Alemanha) nos dias 20 e 21 de Novembro de 2015. São conhecidos por serem os últimos registros profissionais do trio em cima de um palco. A gravação é como Lemmy gostaria, extremamente honesta. Sem truques para disfarçar os deslizes. Com uma audição mais atenta pegamos alguns erros de execução, mas nada que comprometa a performance, muito menos sua importância dentro do cenário.

O mesmo vale para a interpretação do saudoso Lemmy Kilmister. Seus colegas Mikkey Dee e Phil Campbell soam imbatíveis, transpiram energia em uma performance avassaladora. Lemmy, entretanto, já demonstrava fragilidade. Sua voz já havia sofrido um grande baque. Algo perceptível tanto nas falas quanto no canto. Seu baixo também já não tinha o destaque de outrora. Infelizmente, já era nítido que nosso herói estava enfraquecendo. Estava sendo cobrado pelos seus anos de excessos.

Algo que não enfraqueceu no decorrer dos anos é o repertório. Pelo contrario, parecia cada vez mais forte. De seu último álbum, (o ótimo) Bad Magic, apenas “When The Sky Comes Looking For You” marca presença.  “Lost Woman Blues” de Aftershock também aparece por aqui, mas é realmente nos seus grandes clássicos que o bicho pega.

Mesmo com seu líder estando um tanto debilitado, o público respondia bem à petardos como “Bomber”, “Stay Clean”, “Overkill”, “Ace of Spades”, “Orgasmatron” e “Doctor Rock”. Embora Phil tenha realizado um número solo extremamente curto, ele é um dos grandes destaques do show executando as músicas com perfeição e com seu timbre característico.

Houve tempo ainda para clássicos menores como “Rock It” (Another Perfect Day) e “Over The Top” (Bomber). Entretanto, entre essas não tão manjadas a que me chamou realmente a atenção foi a inclusão de “Whorehouse Blues” (Inferno), interpretada apenas com violão, voz e gaita. Algo que não é exatamente aquilo que esperávamos quando o trio subia no palco. Mas sempre gostei dessas 'excentricidades'.

Certamente, Clean Your Clock não é o melhor registro ao vivo do Motorhead. Ainda mais para uma banda que tem um disco do nível de No Sleep ´til Hammersmith. Entretanto, serve como uma homenagem digna e também para matarmos as saudades. Play it loud, “if it´s too loud, you´re too old”! 

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Homenagem digna

Faixas:
      01)   Bomber
      02)   Stay Clean
      03)   Metropolis
      04)   When The Sky Comes Looking For You
      05)   Over The Top
      06)   Guitar Solo 
      07)   The Chase Is Better Than The Catch
      08)   Lost Woman Blues
      09)   Rock It
      10)   Orgasmatron
      11)   Doctor Rock
      12)   Just ´Cos You Got The Power
      13)   No Class
      14)   Ace of Spades
      15)   Whorehouse Blues
      16)   Overkill

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Don´t Stop Believin´: Everyman´s Journey (2012):





Por Davi Pascale

Trago hoje mais um documentário que descobri fuçando na Netflix. Filme foca na história de seu novo vocalista e traz imagens bem interessantes.

Normalmente quando uma grande banda realiza um documentário, tende a ser em cima de sua trajetória ou de um disco em específico. Nesse caso, é sobre um período de sua história. Para ser mais preciso, de sua fase mais recente.

É muito difícil um grupo se reerguer depois de perderem um vocalista onde os fãs possuem tamanha admiração e que possui um estilo bem característico. Pouquíssimas vezes na história presenciamos essa superação. E eles conseguiram isso com um ilustre desconhecido.

A história é um pouco parecida com a do Judas Priest e o Ripper Owens. Quando o emblemático Rob Halford se afastou do grupo, os músicos correram atrás de um vocalista cover que tivesse as mesmas características. E assim, Owens entrou na história. O Journey foi parecido. Neal Schon, guitarrista e líder do grupo, começou a revirar o Youtube assistindo cantores que tivessem registrado alguma musica do Journey. Chegou assim em um garoto das Filipinas, Arnel Pineda.

Esse é o foco principal de Don´t Stop Believin´. Como chegaram nele, como ele recebeu o convite, as primeiras impressões, a audição que realizou, os primeiros shows com ele, as reações da imprensa e do publico. E, claro, de onde ele veio.

Longa conta história de Arnel Pineda

Como vários de nossos heróis, o garoto teve uma história repleta de dificuldades. Perdeu sua mãe cedo, morou na rua, cantava em troca de comida. Arnel comenta sobre as dificuldades de sua infância, sobre sua relação com bebidas, drogas e até uma perda temporária de sua voz.

A banda faz um breve retrospecto de sua trajetória, onde tentam explicar a saída de Steve Perry, comentam sobre a mudança da sonoridade do conjunto quando esse se juntou à eles, o afastamento de Steve Augeri, mas eles pularam o período em que Jeff Scott Soto esteve no conjunto. Sim, foi curto, eu sei. Não chegaram nem a registrar um CD juntos, mas já que tiveram essa preocupação de fazer esse panorama poderiam ter explicado a não continuidade com ele. Algo que foi alvo de fortes críticas na época.

Everyman´s Journey traz imagens bem interessantes de bastidores. Flashes dos músicos na estrada, nos estúdios, nos palcos. Sua relação com os fãs. Demonstra Arnel Pineda como um garoto simples, ainda desacreditado com suas conquistas. O cantor diz não se incomodar com as críticas de parte dos seguidores e que até entende o ponto de vista deles.

De todo modo, o garoto venceu na história. Journey pode não ter mais a popularidade que tinha na época de Steve Perry, mas enfrenta seu melhor momento entre todas suas idas e vindas. Pelo menos em relação à shows, o grupo está bem mais forte do que nos anos 90 e início dos anos 2000. E isso se deve, em parte, pelos fãs terem abraçado o novo cantor.

Don´t Stop Believin´: Everyman´s Journey é um filme de rock, mas acima de tudo, de esperança e superação. Registro bem interessante que merece ser conferido por seus inúmeros admiradores.

domingo, 14 de agosto de 2016

Especial Dia dos Pais

 
Por Davi Pascale
Publicado originalmente em 09/08/2015

Hoje, é o Dia dos Pais. Por conta disso, resolvi fazer uma seleção de 10 músicas que os artistas se inspiraram em seu pai para compor. Algumas canções se tornarem grandes hits, outras são músicas obscuras. Entre seus temas temos de tudo que envolve a vida: saudades, mágoas, revolta, admiração, agradecimento. Trago aqui uma rápida explicação sobre a letra e o vídeo da canção para que possam conferi-la. Confira! 
 
Pearl Jam – Alive 
 
Nesse clássico do grunge, Eddie Vedder escreve sobre um garoto que descobre que seu pai não é seu pai biológico e que seu verdadeiro pai está morto. Por muitos anos acreditou-se que a letra era ficcional. Entretanto, o cantor já a declarou como autobiográfica. 
 

Bruce Springsteen – My Fathers House
 
The Boss sempre teve uma relação difícil com seu pai. Aqui, escreve sobre os conflitos que teve com seu pai na juventude. Springsteen era um garoto rebelde e seu pai tinha uma postura severa. Entretanto, fala em tom de superação, de deixar os tempos ruins para trás. 


Green Day – Wake Me Up When September Ends
A música se tornou um dos maiores sucessos do grupo e talvez, um dos maiores sucessos da cena roqueira mais atual. Muito provavelmente, muitos americanos viram na canção uma válvula de escape para parentes e conhecidos que perderam no atentado de 11 de Setembro. A canção, entretanto, teve outra inspiração. Billy Joe Armstrong escreveu a letra como uma homenagem ao seu pai que morreu de câncer quando ele tinha 10 anos. A letra era para ser como uma terapia para o rapaz.

 
 
Eric Clapton – My Fathers Eyes

A ideia dessa letra é bonita, mas é triste. O icônico guitarrista perdeu um filho de 4 anos que caiu do 53º andar de um prédio no início dos anos 90. Abalado, acabou escrevendo 4 canções inspirado no garoto. Nessa canção lançada no álbum Pilgrim, o garoto serve como referência para outro triste momento na vida do músico. Aqui, escreve sobre seu pai que nunca conheceu. Clapton dizia que olhar nos olhos de seu filho era a experiência mais próxima que tinha dessa relação. Esse é o conceito da música.
 
 
Black Stone Cherry – Things My Father Said
 
Essa é um pouco mais light. Lançada no álbum Folklore and Superstition, o cantor Chris Robertson agradece à seu pai por todos conselhos, tudo que aprendeu com ele e sobre como isso lhe tornou uma pessoa melhor. 

 
Madonna – Oh Father

A rainha do pop nunca escondeu de ninguém sobre o quão severo foi seu pai em sua criação, assim como sua madrasta (a mãe biológica da Madonna morreu quando ela ainda era criança). A letra embora tenha um ar de superação, deixava claro que existia uma certa mágoa ali. 
 
 
Jane´s Addiction – Had a Dad
A idéia é parecida com a canção do Pearl Jam. A letra fala sobre como Eric Avery, baixista do grupo, se sentiu quando descobriu que aquela pessoa que havia criado ele não era seu pai biológico. O cantor Perry Farrel ajudou a escrever a letra.
 
 
Queen – Father to Son
Lançada originalmente no álbum Queen II, a letra foi baseada na perspectiva de um pai que tenta passar algumas “lições” para o filho, mesmo sabendo que não está tendo atenção do mesmo.
 
 
U2 – Sometimes You Can´t Make It On Your Own
Quando os irlandeses do U2 entraram no estúdio para gravar All That You Can´t Leave Behind, Bono Vox já sabia que seu pai tinha pouco tempo de vida. Resolveu, então, escrever essa canção em sua homenagem. A letra é escrita no formato de uma carta. Contudo, a música não ficou pronta à tempo e só foi lançada no álbum seguinte How to Dismantle An Atomic Bomb, quando seu pai já havia falecido, mais uma vítima do câncer.
 
 
Ugly Kid Joe – Cats In The Cradle
Essa canção foi escrita originalmente pelo cantor folk Harry Chapin. A letra fala sobre acontecimentos importantes na vida de um ser humano, que muitas vezes demoramos demais para aprender. A ideia nasceu porque o rapaz lamentava não estar por perto quando seu filho Josh nasceu. Servia como uma reflexão da importância entre família e carreira. Essa música voltou a fazer um enorme sucesso nos anos 90 com a regravação do Ugly Kid Joe e é essa versão que trazemos aqui.
 
 
 

sábado, 13 de agosto de 2016

Noticias do Rock



Por Davi Pascale


Green Day lança música nova


O trio de punk rock Green Day acaba de soltar uma musica nova. “Bang Bang” estará presente em seu próximo álbum, Revolution Radio, que chega às lojas em Outubro. Billie Joe promete canções repletas de críticas político-sociais. Confira agora a nova música dos rapazes...


Bon Jovi solta novo som


Quem também está soltando som novo são os garotos de New Jersey, o Bon Jovi. “This House Is Not For Sale” é o nome da faixa e também do novo álbum que chega às lojas dia 26 de Outubro. A música mantém a pegada pop/rock dos últimos anos. Particularmente, achei uma mistura de Have a Nice Day com The Circle. Confira!


Catton Park inaugura bar em homenagem ao Lemmy



O festival inglês Caston Park acaba de reformar e renomear um de seus bares. Atendendo pelo nome de Bloodstock´s Lemmy Bar, o local conta com fotos do cantor do Motorhead espalhadas em todo o ambiente. O local foi inaugurado na última quinta pelas mãos de ninguém mais, ninguém menos do que Phil Campbell, ex-guitarrista do grupo. Bonita homenagem!


Rodrigo Santos dá susto em fãs



No ultimo domingo, Rodrigo Santos, ex-baixista do Barão Vermelho deu um susto em todos os seus fãs ao postar imagens suas dentro do hospital. As fotos vinham com a seguinte legenda: “O problema, agora, foi comigo... Pericardite, inflamação no coração. Unidade coronária alguns dias. Let´s Rock!” O músico foi liberado do hospital na terça e volta à estrada essa noite para uma apresentação em Niteroi. Se cuida, brother.


Bullet for My Valentine dá banho de água fria em fãs


A rapazeada do Bullet For My Valentine anunciou que entrará em estúdio para gravarem novas canções já no final de Agosto. A notícia que poderia ser empolgante para seus fãs, logo muda de conotação quando seu guitarrista Michael Paget declara em entrevista ao Arte Concert que “a ideia agora é manter o foco e se preparar para a turnê de inverno. Esperamos finalizar duas canções, se possível. Se não conseguirmos será apenas uma”. É... Pelo visto o álbum não sai tão cedo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Soto – Divak (2016):





Por Davi Pascale

Banda do veterano vocalista Jeff Scott Soto chega ao seu segundo álbum. Trabalho mantém o espírito do debut e deve agradar aos fãs.

Existem alguns músicos que não se cansam de trabalhar. Jeff Scott Soto é um deles. Pelo visto, a ideia de pisar no freio está fora de seus planos. Apenas 1 ano depois de Inside The Vertigo, um novo álbum de inéditas chega às lojas. E o que é mais bacana, o material também foi lançado no Brasil.

As razões para terem apostado nesse CD podem ter sido várias, mas acredito que o fato de termos 2 músicos brasileiros tenha ajudado. O lineup é o mesmo do disco anterior. Ou seja, Jorge Salan nas guitarras, David Z no baixo e os brasileiros Edu Cominato na bateria e BJ nos teclados.

Divak segue, mais ou menos, a mesma proposta do primeiro álbum. Ou seja, músicas pesadas com linhas vocais melódicas. Edu solta a mão na bateria, mas quem dá o peso mesmo são as guitarras de Salan.

Um diferencial é o fato de estarem explorando menos os recursos mais modernos. Eles até aparecem com uma certa evidência nas introduções de algumas músicas, como a ótima “Freakshow”, mas estão longe de serem a tônica do disco.

Algo que chama a atenção são os riffs criados por Jorge. Os de “Paranoia”, “Forgotten” e “Time” são simplesmente mortais. Edu Cominato se destaca nas levadas de “Cyber Masquerade” e “Misfired”. Canções onde explora bastante o recurso de quebradas de tempo. O bumbo duplo em “Awakened” também é digno de nota.

Jeff Scott Soto continua o mesmo de sempre. Voz forte, linhas bem melódicas. Embora o som do conjunto seja bem pesadinho, suas linhas vocais não diferem muito das criadas para o Talisman. Pelo contrário, se em algum momento nos lembramos de seus álbuns mais hard rock é justamente por conta de seu trabalho vocal.

Quem é fã do cantor, pode ir de olhos fechados. Quem gostou de Inside The Vertigo também. O novo trabalho está tão consistente quanto. Mas acima de tudo, é recomendado para quem procura um ótimo álbum de rock n roll. Um dos discos que mais me empolgaram, até agora, nesse ano. Faixas de destaque: “Weight Of The World”, “Freakshow”, “In My Darkest Hour”, “Suckerpunch” e “Awakened”. Recomendadíssimo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Mortal

Faixas:
      01)   Divak
      02)   Weight Of The World
      03)   Freakshow
      04)   Paranoia
      05)   Unblame
      06)   Cyber Masquerade
      07)   In My Darkest Hour
      08)   Forgotten
      09)   Suckerpunch
      10)   Time
      11)   Misfired
      12)   Fall From Grace
      13)   Awakened