domingo, 26 de junho de 2016

Nenhum de Nós – Teatro Paulo Machado (24/06/2016):



Por Davi Pascale
Fotos: Davi Pascale

O Nenhum de Nós animou aqueles que resolveram sair de casa e comparecerem ao Teatro Paulo Machado na ultima sexta. Durante aproximadamente 100 minutos, os músicos relembraram canções de diferentes fases de sua carreira.

Infelizmente, o publico que compareceu ao espetáculo foi um pouco abaixo do esperado. Com quase 30 anos de estrada nas costas, os rapazes levaram a situação numa boa. Logo no início da apresentação, o cantor Thedy Corrêa brincou com a plateia. “Obrigado a todos vocês que saíram de casa nesse frio para nos ver. Talvez isso tenha afastado o pessoal. Ou talvez eles tenham descoberto que não tocávamos sertanejo”.

Embora estejam longe da mídia há alguns anos, o grupo nunca se acomodou. Nunca parou de produzir. Nunca abandonou a estrada. Contando com a capa de seu mais recente álbum, Sempre É Hoje, como pano de fundo, o show se iniciou com a canção que abre o CD em questão, a ótima “Milagre”. Mais algumas desse álbum foram apresentadas. “Descompasso”, “Caso Raro” e o dueto com a Roberta Campos “Foi Amor” foram algumas delas. “Ela não pode nos acompanhar em todos os shows, mas a tecnologia de hoje permite que ela esteja aqui”, anunciou antes da música. Exato, os músicos samplearam a voz dela. Ficou bacana.

Obviamente grandes hits de sua trajetória – como “Astronauta de Mármore” e “Vou Deixar Que Você Se Vá” – não ficaram de fora. Além daquelas que são favoritas dos fãs e que poderiam ter se tornado tão fortes quanto caso tivesse ocorrido uma projeção maior. Caso de “Amanhã Ou Depois” e “Diga a Ela”. 

Músicos relembraram canções de diferentes períodos

A banda está muito bem entrosada. É bem difícil pegarmos algum erro na execução das músicas. Para quem é fã, o show foi ótimo. Os músicos misturaram grandes hits com lados B e passaram por boa parte de sua discografia. “Tocar em teatro nos permite tocar algumas musicas que normalmente não tocamos em shows maiores. Por isso, hoje o show é um pouco maior”.

O espetáculo começou com aproximadamente 20 minutos de atraso, mas isso não incomodou os presentes. Todos que compareceram, aplaudiram bastante os músicos e cantaram junto com eles boa parte do show. Na plateia, estava presente um ilustre convidado, o guitarrista Sergio Hinds do Terço. “Somos muito fãs da banda dele. Uma honra o termos aqui”.

O novo trabalho do grupo homenageia outro de seus grandes ídolos. O musico argentino Gustavo Cerati (Soda Stereo). Além do álbum ser uma homenagem, uma de suas canções foi executada. “De Musica Ligera”, canção que fez muito sucesso no Brasil na voz do Capital Inicial, que a transformou em “À Sua Maneira”. Contudo, os músicos a interpretaram em seu formato original.

A apresentação se encerrou próximo da meia-noite com duas canções do início de sua trajetória: “Eu Caminhava” e o clássico “Camila, Camila”. Quem resolveu encarar o frio, se divertiu assistindo um show alegre, descontraído, recheado de canções marcantes e, acima de tudo, muito bem executado. Quem preferiu ficar em casa vendo TV, agora tem que torcer para uma nova visita dos músicos ao ABC. E da próxima vez, vê se aparece, vale a pena! 

sábado, 25 de junho de 2016

Notícias do Rock



Por Davi Pascale

Hoje é dia de resgatarmos alguns dos principais acontecimentos da semana. Fique por dentro do que está rolando no universo do rock, dentro e fora do Brasil. Confira!


Vinyl é cancelada pela HBO



A famosa série de Mick Jagger e Martin Scorcese, sobre a cena musical dos anos 70, não terá segunda temporada. A notícia foi dada pela HBO na ultima terça (22). A série foi sucesso de crítica, mas pelo visto, não atingiu uma grande audiência. Pena...


Led Zeppelin inocentado da acusação de plágio



O Led Zeppelin é acusado de inúmeros plágios em sua carreira. Recentemente, a famosa canção “Stairway to Heaven” foi avaliada por juízes para saber se era ou não um plágio. A ação foi movida por Michael Skidmore, representante de Randy Wolfe, autor da faixa “Taurus” (Spirit). A responsável por toda a confusão. Foi explicado que a progressão de acordes nela é uma progressão cromática comum, utilizada há centenas de anos, em artistas dos mais diversos gêneros. Lawrence Ferrara, professor de musica de NY, comprovou a teoria ao demonstrar que canções como “Insensatez” (Tom Jobim) e “Michelle” (Beatles) tinham a mesma sequencia. Na decisão final, o júri voltou a favor do Led Zeppelin.


Lars Ulrich irá colaborar com Radio Dreams



Lars Ulrich está colaborando com um filme chamado Radio Dreams. A película retrata a história de uma banda de heavy metal do Afeganistão chamada Kabul Dreams, cujo maior sonho deles era conhecer o Metallica. Lars decidiu ajudar os garotos, ajudando-os a financiar a produção independente e fazendo uma breve aparição no filme. O baterista do Metallica comentou sobre o caso no So What Podcast. “É algo muito bacana e único. Amei a ideia de poder colaborar com o filme e a cultura de uma parte do mundo que não tem destaque de maneira global. Estou ajudando a colocar o filme na rota dos festivais de cinema para gerar a atenção que eles merecem.”


Ira! promete novo álbum para o segundo semestre



O músico Edgard Scandurra afirmou em entrevista à Rolling Stone Brasil que o Ira! está planejando um novo álbum para o segundo semestre. Segundo Edgard, a ideia é fazer a gravação com os músicos tocando juntos no estúdio, como as bandas faziam antigamente. O novo álbum, que não conta com a presença de Ricardo Gaspa e André Jung, misturará canções inéditas com releituras de canções obscuras da trajetória da banda. Esse será o primeiro lançamento com a marca Ira! desde Invisível DJ de 2007.


Pitty lançará novo DVD ao vivo no dia do rock



No próximo dia 13 de Julho chegará às lojas o novo DVD ao vivo da roqueira baiana Pitty. Atendendo pelo título de Turnê Sete Vidas Ao Vivo, o material traz uma recente apresentação na casa Audio Club (São Paulo) e será lançado pela Deckdisc, sua velha parceira. O vídeo estará disponível em material físico e digital.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

The Bangles – Ladies And Gentlemen… The Bangles (2014):



Por Davi Pascale

Coletânea de raridades dos Bangles traz o grupo em uma roupagem bem diferente da que estamos acostumados e surpreende pela qualidade das músicas e das gravações.

Quem viveu os anos 80, certamente se lembra de vários grupos pop femininos que lideraram as paradas de sucesso da época. Os mais lembrados são, provavelmente, o Bananarama e os Bangles. Sempre gostei do grupo liderado pelas irmãs Peterson. É comum elas serem lembradas nessas paradas One Hit Wonder, mas sendo justo elas tiveram mais alguns sucessos além de “Walk Like An Egyptian”. Faixas como “Eternal Flame” e “Manic Monday” (escrita por Prince e assinada pelo pseudônimo Christopher) também tocaram bastante nas rádios.

Hoje, elas são lembradas pelo seu som pop, suas power ballads e seus cabelos volumosos, mas antes de terem seus quinze minutos de fama (duraram apenas 3 LP´s), elas tiveram seu momento de rock n roll. Curiosamente, depois que Michael Steele (uma das baixistas do Runaways) se uniu ao conjunto foi quando começaram a ficar mais comerciais. De todo modo, esse álbum foca no período inicial.

Ladies And Gentlemen... resgata as primeiras gravações das garotas. Desde quando ainda atendiam pelo nome de The Bangs. Nessas gravações temos de tudo. Músicas lançadas previamente em compactos, o primeiro EP do grupo, além de faixas nunca lançadas antes. As famosas demos e faixas ao vivo. É o material mais completo que existe desse período.

O primeiro fator que chama a atenção é a qualidade de som. Algumas dessas faixas, os fãs mais doentes e colecionadores, já conheciam através de bootlegs ou arquivos de internet, mas nunca com o som tão límpido. Nunca com um estéreo tão bacana. Outro fator é que nos salta aos olhos é como elas mudaram de som depois que assinaram com uma grande gravadora.

“Bitchen Summer / Speedway” abre o disco no formato de um surf rock instrumental. Já algo bem distinto das garotas. Sim, elas tinham uma influencias 60´s no trabalho delas. Mas era um lado mais Beatles ou até mesmo Sonny & Cher e mesmo assim, era bem mais de leve. De todo modo, não se tratada de um álbum surf rock. O que temos aqui é um garage rock cruzado com uma sonoridade bubblegum.

A influência de anos 60 é ainda mais alta. Se tocar para alguém sem demonstrar a capa, a pessoa imaginará ser alguma banda desse período que não atingiu estrelato. O trabalho vocal trabalha conta com toda aquela harmonia vocal que grupos como Beach Boys e Beatles trabalhavam, o lado surf volta a aparecer no trabalho de guitarra de “Want You”. O som, de um modo geral, tinha mais guitarra, bateria mais trabalhada, sem teclados ou sintetizadores, o som tinha uma certa sujeira.

O lado garage rock surge com tudo em “Getting Out of Hand”, “I´m In Line” e ‘How Is The air Up There?”. As releituras de “Outside Chance” (The Turtles) e de “Steppin´ Out” (Paul Reveire & the Raiders) só reforçam a ideia de quererem soar como uma banda sixties, ainda que as gravações tenham ocorrido entre 1981 e 1984.

As faixas ao vivo já contavam com a presença de Michael Steele, mas ainda contavam com uma sonoridade bem visceral. Até mais do que as faixas em estúdio. A faixa “7&7 Is” do psicodélico Love soa quase punk. Trabalho bem interessante que merece uma chance até mesmo se você não for um admirador da fase pop das garotas.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Curioso

Faixas:
      01)   Bitchen Summer / Speedway
      02)   Getting Out of Hand
      03)   Call On Me
      04)   The Real World
      05)   I´m In Line
      06)   Want You
      07)   Mary Street
      08)   How Is The Air Up There?
      09)   Outside Chance (Demo Version)
      10)   Steppin´ Out (Demo Version)
      11)   The Real World (Demo Version)
      12)   Call On Me (Demo Version)
      13)   Tell Me (Live)
      14)   7 & 7 Is (Live)
      15)   No Mag Commercial
      16)   The Rock and Roll Alternative Program Theme Song

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Mamonas Assassinas – Mamonas Assassinas (1995):



Por Davi Pascale

Em 23 de Junho de 1995, exatos 21 anos atrás, o debut do Mamonas Assassinas chegava às lojas. Com um trabalho irreverente e bem construído, os 5 garotos de Guarulhos encantaram o publico brasileiro e deram nó na cabeça dos críticos musicais.

Já vi muita gente questionando a qualidade musical do grupo. Questão de gosto é sempre algo complicado. Eu, particularmente, sempre fui fã dos rapazes. Tive, inclusive, a felicidade de assisti-los ao vivo. Mas, independente de gosto, é preciso reconhecer o talento de alguém que faz algo diferente. E eles fizeram...

Mamonas Assassinas era um disco extremamente bem construído. Muitos até se questionavam se os músicos conseguiriam repetir o feito em um segundo álbum. A banda se destacou pela criatividade e também pela irreverência. Algo que alimentava ainda mais a dúvida, uma vez que, por incrível que pareça, atingiram todo o núcleo familiar. Mesmo com letras repletas de deboche e palavrões, várias crianças compareciam às apresentações acompanhadas de seus pais. Dúvidas que, infelizmente, ficarão latejando para sempre. O disco, hoje, é considerado um marco dos anos 90.

“1406” abria o disco com uma levada de baixo funkeada, bem no espírito Chili Peppers (lembrem-se, nessa época, eles ainda não estavam apostando nesse som mais comercial que fazem hoje). A letra era inspirada em um famoso canal de televendas. O Grupo Imagem, que injetava anuncio na Rede Manchete. O numero do titulo era o famoso número para vendas, enquanto quase todos os produtos mencionados na letra eram anunciados no canal.

Grupo conquistou o país se utilizando do humor

“Vira-Vira” era a famosa brincadeira com os portugueses. Brincadeira esperada em um álbum cômico. A letra foi inspirada em uma piada do famoso humorista Costinha, presente no LP O Peru da Festa Vol 2. Enquanto o instrumental foi inspirado na canção “Vira-Vira” do cantor português Roberto Leal.

“Pelados Em Santos” era uma brincadeira de Dinho com um amigo dele que tinha mania de falar gírias. Foi a primeira musica escrita pelo cantor. “Chopis Centis” buscava inspiração em The Clash. Sim, o riff de “Should I Stay or Should I Go” é usado intencionalmente.  “Jumento Celestino” trazia a brincadeira clássica com os nordestinos. O arranjo era uma homenagem à um grande ídolo nordestino, o forrozeiro Genival Lacerda. “Sabão Crá-Crá” é uma brincadeira popular que eles musicaram.

O CD segue com “Uma Arlinda Mulher”. Para essa, buscaram inspiração na história de Uma Linda Mulher. As guitarras distorcidas no meio da canção foram retiradas de “Creep” do Radiohead, sem contar na famosa sátira de Belchior no final da faixa. “Cabeça de Bagre II” era uma brincadeira em cima do título “Cabeça Dinossauro” (Titãs). A letra era inspirada nos anos estudantis de Dinho. “Robocop Gay” era uma homenagem ao Capitão Gay, famoso personagem que Jô Soares interpretava em Viva o Gordo.

Trabalho não foi bem recebido pela crítica na época

“Boys Don´t Cry” brincava com a ideia do corno manso. Qual o gênero eles se inspiraram? Exato, na canção brega, naquela época, quem não gostava, utilizava o termo música de corno. A inspiração maior era em Waldick Soriano. Consegue imaginar Rush nisso? Bem, eles conseguiram e inseriram um trecho de “Tom Sawyer” no meio. A linha vocal de “Debil Metal” era uma homenagem ao Sepultura, enquanto “Lá Vem o Alemão” era uma tiração de onda com o sucesso “Lá Vem o Negão”. Para conseguirem reproduzir a sonoridade dos pagodeiros da época, contaram com a ajuda de Leandro Lehart e Fabinho (Art Popular). Na vocalização, Dinho satiriza Luiz Carlos (Raça Negra) e Netinho Di Paula (Negritude Junior), dois cantores que estavam em destaque na ocasião. “Sábado de Sol” era uma canção do grupo Baba Cósmica. Dinho ouviu a fita demo do trio, morreu de rir com a letra e perguntou aos garotos se poderia incluí-la no disco.

O trabalho, como podem ver, era extremamente inteligente. A ideia de ser uma banda de rock que satirizava outros gêneros confundiu a cabeça de vários críticos que escreviam artigos rebuscados dizendo que a banda não tinha identidade, que não sabiam onde queriam chegar (será mesmo?!?!). Hoje, com o lance do politicamente correto, eles seriam facilmente acusados de racismo, homofobia entre outras coisas mais. Felizmente, pude viver esse fenômeno e dar risada inúmeras vezes com o disco e com as apresentações em TV. Obrigado, Mamonas pelos ótimos momentos.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Clássico

Faixas:
      01)  1406
      02)   Vira Vira
      03)   Pelados Em Santos
      04)   Chopis Centis
      05)   Jumento Celestino
      06)   Sabão Crá-Crá
      07)   Uma Arlinda Mulher
      08)   Cabeça de Bagre II
      09)   Mundo Animal
      10)   Robocop Gay
      11)   Boys Don´t Cry
      12)   Débil Metal
      13)   Sábado de Sol
 14)   Lá Vem o Alemão

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Mike Tramp – Nomad (2015):





Por Davi Pascale

Ex-vocalista do White Lion lança novo trabalho solo e resgata sua velha conhecida sonoridade na melhor Tom Petty vibe.  Trabalho bonito e consistente.

É difícil algum artista se reinventar quando teve uma banda de sucesso. Nesses casos, é bem comum que mantenha a sonoridade (ou boa parte dela) na sua trajetória solo. Mas Mike Tramp fez isso 3 vezes. No Freak Of Nature, nos álbuns de reunião do White Lion e em sua carreira-solo. Ponto para o cara.

Quem não está acostumado com seus discos é bom ir com calma. Aqui não temos aqueles hard rocks pesados com guitarras altamente influenciadas por Van Halen, como acontecia nos tempos de White Lion (sua banda mais famosa). E nem aquelas baladas estilo Poison e Bon Jovi. Em seus trabalhos solo, sempre apontou para um rock mais simples, mais pop, com uma influencia country por trás. Com uma sonoridade mais próxima à de Tom Petty ou John Cougar Mellencamp. E essa é á lógica por aqui.

Seu estilo vocal não mudou. Continua com seu sotaque acaipirado, sem ficar atacando voz para cima. Até porque, embora seja um bom cantor, nunca teve um alcance animalesco como ocorrem com alguns parceiros de geração (vide Oni Logan ou Sammy Hagar).

Álbum encerra trilogia

Seu último álbum, Museum, havia sido apedrejado por vários críticos por conter muitas baladas. Espero que não ocorra o mesmo com o rapaz agora. O novo CD mantém a mesma lógica. O disco é repleto de baladas, misturando violões e guitarras na mesma faixa. Só que as composições estão muito mais legais. Álbum bem consistente.

Esse disco que chega agora às lojas encerra uma trilogia iniciada em Cobblestone Street. Difícil saber o que está por vir. Difícil saber se o próximo álbum vai voltar com rocks estilo “Already Gone” ou se vai largar o estilo de escrita storyteller que adotou nos últimos álbuns. Só o tempo dirá...

Os grandes destaques de Nomad ficam por conta de “Give It All You Got”, “Wait Till Forever”, “High Like a Mountain”, “Who Can You Believe” e “Moving On”. Álbum bem legal, desde que você curta um rock com uma pagada mais soft, sem distorções, solos velozes e afins. 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Baladeiro, mas consistente

Faixas:
      01)   Give It All You Got
      02)   Wait Till Forever
      03)   Counting The Hours
      04)   Bow And Obey
      05)   High Like a Mountain
      06)   No More
      07)   Stay
      08)   Who Can You Believe
      09)   Live To Tell
      10)   Moving On

terça-feira, 21 de junho de 2016

Garbage – Strange Little Birds (2016):



Por Davi Pascale

Garbage acaba de lançar novo álbum. Strange Little Birds mantém suas principais características, ao mesmo tempo em que inova os aproximando de uma pegada mais sombria, mais melancólica. Seus fieis seguidores, contudo, irão gostar do material.

21 anos se passaram desde que o Garbage lançou seu álbum de estreia (o ótimo G) e Shirley Manson encantou milhares de jovens roqueiros ao redor do mundo. Isso seria tempo suficiente para que a banda criasse dezenas de discos. Infelizmente, poucos trabalhos foram lançados. Esse é o sexto de sua trajetória. Agora... Verdade seja dita, sempre apresentaram materiais interessantes. E esse é mais um deles.

Algumas (poucas) faixas aqui nos remetem aos seus dias de glória. “Empty” e “We Never Tell”, por exemplo, poderiam facilmente estar no seu debut de 1995. Resgatam a sonoridade clássica do grupo. Linhas vocais bem 90´s. Programações bem no espírito da época. Quem sente saudades de quando faixas como “Only Happy When It Rains” e “Stupid Girl” invadiram as programações de rádio mundo afora, irá delirar.

Contudo, os músicos estão com um pé no presente. Embora nunca tenham se distanciado muito de sua proposta, procuraram sempre trazer algo novo em seus trabalhos. Nunca apostaram na fórmula mais do mesmo. E não seria agora, que já possuem uma base de seguidores consolidada, que iriam relaxar.

Strange Little Birds aposta em sonoridade mais melancólica

Claro, suas principais características estão ali. As baterias programadas de Butch Vig, a voz inconfundível de Shirley Manson, as guitarras levemente distorcidas. Caso contrário, não soaria um álbum do Garbage. O grande diferencial é que, de uma maneira geral, o álbum está mais melancólico, com várias faixas arrastadas, melodramáticas, com um ‘q’ experimental. “Sometimes”, responsável por abrir o CD, já dá a dica. Essa pegada aparece com força em faixas como “If I Lost You”, “Even Though Our Love Is Doomed” ou “Amends”.

Outro lado sempre presente no trabalho do grupo são as músicas com uma pegada mais dançante. E isso continua presente em seu trabalho. “Magnetized” é a primeira a resgatar esse espírito, mas a mais forte é, sem dúvidas, “So We Can Stay Alive”.

Strange Little Birds , segundo trabalho lançado de maneira independente, irá satisfazer seus fieis seguidores e não aquele que busca novos hits. A influência da musica pop, da pegada dançante continua marcando seu som, mas não é um álbum exatamente comercial. Não se encaixa nos padrões de rádio dos dias atuais. De todo modo, é seu trabalho mais forte e mais consistente em anos. Vá sem medo!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Sombrio

Faixas:
      01)   Sometimes
      02)   Empty
      03)   Blackout
      04)   If I Lost You
      05)   Night Drive Loneliness
      06)   Even Though Our Love Is Doomed
      07)   Magnetized
      08)   We Never Tell
      09)   So We Can Stay Alive
      10)   Teaching Little Fingers To Play 
      11)   Amends

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Frejat – Teatro Paulo Machado (19/6/2016):



Por Davi Pascale
Foto: Davi Pascale

Na noite de ontem, tivemos a oportunidade de conferir na região de São Caetano uma apresentação do Frejat. O músico trouxe para a cidade seu show de voz e violão e encantou os presentes com um ótimo setlist e performance afiada.

Muita gente não gosta de apresentações, assim, mais crua, somente com o artista principal em cena. Sempre gostei. Nesse tipo de espetáculo é possível perceber mais da riqueza dos arranjos, sempre tem algumas histórias curiosas durante o show. Além de vermos o artista um pouco mais de perto do que estamos acostumados. Raramente esses shows mais intimistas são apresentados em locais grandes.

Também é necessário ressaltar que não é qualquer músico que pode se dar ao luxo de fazer algo do tipo. Se o cara for um instrumentista ruim ou não for um cantor afinado, a noite se transforma em uma verdadeira tortura, pois não há nada para disfarçar. Não há segundo guitarrista, não há tecladistas, efeitos programados, backings, nada do tipo. Qualquer deslize é notado por todos os presentes de imediato.

Frejat soube tirar proveito da situação. Fez um show com duração correta (aproximadamente 100 minutos). Criou um setlist bacana misturando músicas da época do Barão com músicas de sua carreira-solo. Hits com lado B. Para quem é fã, nada poderia ser mais perfeito.

Ingresso do show

Entre uma música e outra, o cantor contava algumas histórias sobre as composições. Quem foram seus parceiros, qual era a ideia da letra, o que ele queria passar. Arrancou até algumas risadas da plateia na hora de apresentar uma canção do disco Barão Vermelho (2004). “Minha filha, quando tinha 9 anos, disse que queria cantar uma musica em meu show. Disse: ‘Claro, qual música?’. E ela me responde ‘Embriague-se’. Estou enrolando ela até os dezoito para não ser preso”.

O show começou com “Eu Não Quero Brigar Mais, Não” e desde o início já deixou claro o clima do espetáculo. Palco extremamente simples com o cantor ao centro, iluminação baixa. O artista conversando, de maneira descontraída, com a plateia.

Dos seus discos solo as que mais levantaram os presentes foram “Tunel do Tempo” e “Segredos”. Das faixas do Barão, “O Poeta Está Vivo” e “Pro Dia Nascer Feliz”, responsável por fechar a noite, foram as que mais animaram os fãs. Reação esperada já que se tratam de grandes hits. Particularmente, gostei muito de ouvir “Homem Não Chora”, “Sombras No Escuro” e “Bilhetinho Azul”, canções menores, mas igualmente belas.

Frejat interpretou todas as faixas com enorme segurança e demonstrou estar em uma grande fase enquanto cantor. Afinadíssimo! Se você é um admirador da sua trajetória enquanto todo, e não somente das músicas que tocaram nas FM´s, vale muita a pena conferir o espetáculo.