domingo, 19 de junho de 2016

Red Hot Chili Peppers – The Getaway (2016):



Por Davi Pascale

Red Hot Chili Peppers acaba de lançar seu décimo-primeiro álbum. Grupo mantém sua sonoridade já característica trazendo elementos do funk para dentro do poprock. Quem gosta da fase mais radiofônica do grupo, irá adorar o novo álbum.

Estamos entrando em uma terceira geração de fãs. Existem aqueles que são fieis ao grupo e seguem os músicos à cada álbum que lançam tentando entender sua proposta, existem aqueles que acham que a banda morreu em Californication e, agora, existem aqueles que acham que o grupo acabou com a saída de John Frusciante.

A banda também já está em sua terceira fase. A primeira se refere aos 3 primeiros álbuns, onde faziam um funkrock contagiante. A segunda, que vai de Mother´s Milk à One Hot Minute - é a fase mais roqueira. Ainda é a que mais gosto. A terceira começa em Californication. É quando os músicos decidem deixar sua sonoridade mais light e abraçar o universo das rádios sem medo de ser feliz.

Embora sofram muitas críticas dos fãs antigos, gosto da fase mais comercial do grupo. Anthony Kiedis amadureceu enquanto cantor, começou a criar linhas vocais mais melódicas. Os músicos, ainda que tenham simplificado seu som (utilizando menos quebradas de tempo nos arranjos e menos improvisos nos shows), mantiveram a qualidade do trabalho. Escreveram um punhado de ótimas canções. Em The Getaway não é diferente.

O novo álbum não é pesado. Pelo contrário, tem uma pegada bem melancólica, bem light. Portanto, se você torcia para que eles retornassem ao som de “Fight Like a Brave”, pode esquecer. Em comparação ao anterior, (o bom) I´m With You, as guitarras estão mais evidentes, ainda que contenham poucos solos no disco. A cozinha de Flea e Chad Smith continua sendo a cereja do bolo no som do Chili Peppers. O disco continua com arranjos bem variados e repletos de faixas bem bacanas de se ouvir.

Red Hot Chili Peppers mantém veia comercial em novo trabalho

Se você deixou de acompanhar a banda na década de 90 e quer dar uma nova chance, sugiro começar pelas faixas “We Turn Red” e “Detroit”. As que mais se aproximam do velho Peppers. Contando com guitarra funkeada. A linha vocal de “We Turn Red” volta a brincar com o rap. Algo comum nos primeiros trabalhos. Em “Detroit”, o trabalho vocal me remeteu aos tempos de One Hot Minute.

Outro momento de destaque é a ótima “Go Robot”, destacando a linha de baixo de Flea e um arranjo com uma levada 80´s. Os efeitos de teclado por trás e a sonoridade de bateria nos remete bastante ao pop dessa época. Tem um 'q' de Prince. “Dreams of a Samurai” e “The Hunter”, as duas últimas do CD, também saem do território comum trazendo uma pegada mais psicodélica.

“Goodbye Angels” e “Sick Love” (essa, contando com a luxuosa participação de Elton John nos teclados/sintetizadores) aposto pra se tornarem novos hits em um futuro próximo. Ambas, contam com um refrão forte. “This Ticonderoga” é a que mais foge da proposta do CD e é a mais roqueira, trazendo guitarras distorcidas altamente influenciadas por Queens Of The Stone Age. Ficou interessante.

De resto, o que temos é o red hot apostando em uma sonoridade pop-rock mais light naquela velha linguagem que estamos acostumados. Ok, uma mixagem mais moderna (influencia do produtor Danger Mouse), mas em termos de construção não muda muito com o que fizeram nos trabalhos mais recentes. Mesmo estilo de linha vocal, guitarras limpas com dedilhados, bateria com marcação simples e eficiente. “Dark Necessities” e “Feasting On The Flowers” servem como exemplo da modernização do som.

Em resumo. As faixas são excelentes. O disco é muito bem gravado e muito bem tocado. Entretanto, ainda é um trabalho bem comercial. Se você gosta do red hot apenas em sua primeira fase, o trabalho não irá ter agradar. Se você curte discos como Californication e By The Way, irá delirar. Eu gosto do trabalho deles meio que geral e gostei bastante, mas vai por sua conta e risco.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Consistente

Faixas:
      01)   The Getaway
      02)   Dark Necessities
      03)   We Turn Red
      04)   The Longest Wave
      05)   Goodbye Angels
      06)   Sick Love
      07)   Go Robot
      08)   Feasting On The Flowers
      09)   Detroit
      10)   This Ticonderoga
      11)   Encore
      12)   The Hunter  
      13)   Dreams Of a Samurai

sábado, 18 de junho de 2016

Notícias do Rock

Por Davi Pascale

Como de costume, aos sábados, lembramos de alguns dos principais acontecimentos da semana. E, essa semana, não foge à regra. Fique por dentro do que está rolando no mundo do rock na matéria abaixo...

Camisa de Vênus lança música nova

O grupo Camisa de Vênus lançará um novo álbum no mês de Agosto. O disco leva o nome de Dançando na Lua e já teve sua primeira música divulgada. Da formação original, apenas o cantor Marcelo Nova e o baixista Roberio Santana seguem em frente. Confira a nova música.



Ian Paice sofre derrame



Ian Paice, o lendário baterista do Deep Purple, deixou todos assustadíssimos ao anunciar o motivo de terem cancelado os shows que fariam em Estocolmo, Gotemburgo e Horsens. “Sinto muito por não ser capaz de tocar para vocês. São os primeiros shows que perco desde a criação do Deep Purple em 1968. Na manhã do dia 14 de Junho, acordei sentindo o lado do meu corpo direito anestesiado. Não conseguia controlar minha mão direita e meus dedos. Então fui para um hospital, onde me diagnosticaram com um mini-derrame. Estou muito esperançoso de recomeçar a turnê no próximo mês”. Apesar do desejo do musico, as datas ainda não foram remarcadas. Desejamos uma breve recuperação ao rapaz.


Meat Loaf cai no palco



A situação não está nada fácil para os amantes do rock n roll. Virou senso comum recebermos notícias de que nossos ídolos estão parando ou partindo para outro plano. O cantor Meat Loaf também nos deu um grande susto essa semana. O musico simplesmente apagou no palco durante a execução de “I Would Do Anything For Love” em sua apresentação em Edmonton. A causa, ao que aparenta, teria sido uma forte desidratação, assim como aconteceu recentemente com Ace Frehley. Pessoal, parem de nos dar esses sustos...


Heart lança música com James Hetfield

Heart estará lançando um novo álbum no dia 8 de Julho. O disco, o primeiro desde Fanatic (2012), atende pelo nome de Beautiful Broken. A faixa-título conta com a participação de nada mais, nada menos do que James Hetfield. Exatamente.... O cantor do Metallica. Confira o som a seguir.




L.A. Guns cancela shows no Brasil



Ainda não será dessa vez que os fãs do L.A. Guns irão conferir os músicos de perto. Depois de terem cancelado os shows que fariam no Brasil em 2008, os músicos cancelaram também a única apresentação que fariam no Manifesto Bar no próximo dia 10 de Julho. Os músicos alegaram que querem vir para a America do Sul com algo mais “completo” e, por isso, manterão somente as datas programadas para os Estados Unidos. Sei não, achei o depoimento meio sem pé, nem cabeça...

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Jorn – Heavy Rock Radio (2016):



Por Davi Pascale

Jorn Lande ataca de novo! O cantor norueguês lança novo álbum de covers, onde demonstra um pouco mais de suas influencias. Entre canções mais do que esperadas, há espaços para algumas surpresas. Trabalho divertido e muito bem feito.

Essa não é a primeira vez que Jorn resolve fazer um álbum do tipo. Em 2010, o músico fez um disco homenageando uma de suas maiores influencias: o baixinho Ronnie James Dio (Black Sabbath, Rainbow). Embora o trabalho seja bem bacana, foi apedrejado na época por ter sido lançado pouquíssimos dias após a morte do lendário cantor. Muitos o acusaram de estar se aproveitando da morte do músico para se promover. Antes disso, em 2007, Lande já havia lançado Unlocking The Past, onde homenageava seus heróis. Sua sequencia chega agora ao mercado, quase dez anos depois, atendendo pelo nome de Heavy Rock Radio.

Como já era de se esperar, seus dois maiores ídolos – David Coverdale e Ronnie James Dio – ganham novas homenagens. Dio é lembrado em 2 faixas: “Rainbow In The Dark”, do cultuado Holy Diver, e “Die Young”, dos seus tempos de Sabbath. Coverdale é resgatado em “Stormbringer”, clássico do Deep Purple.

As maiores surpresas estão logo no início do álbum. “Running Up That Hill” da britânica Kate Bush e “I Know There´s Something Goin´ On”, canção da carreira-solo de Frida, uma das cantoras do Abba. Artistas não tão óbvios quando ouvimos falar que um cantor de heavy metal irá gravar um álbum de covers. Outras surpresas foram as escolhas de “Live To Win” do álbum solo do líder do Kiss e “The Final Frontier” do ícone Iron Maiden. Faixas não tão manjadas e longe de serem hits.

Cantor lança novo álbum de covers

Algumas músicas estão bem próximas do arranjo original, tendo recebido apenas uma dose extra de peso. Caso de “Don´t Stop Believin´” ou “Killer Queen”. Outras, ganharam uma nova cara.

“Live To Win” perdeu o toque moderno de sua versão original, ficou mais direta. A balada “Hotel California” se transformou em uma canção de heavy-rock. Por sinal, ficou bem bacana. “I Know There´s Something Goin´ On”, embora seja de uma cantora do Abba, já tinha uma levada mais rock. Mesmo assim, as guitarras ganharam mais peso, os backings sumiram. As que mais se modificaram, contudo, acredito que tenham sido as canções de Kate Bush e John Farnham. Canções pop repletas de sintetizadores que ganharam uma cara mais metálica. A versão de “You´re The Voice” ficou fenomenal.

Álbum de covers já faz um tempo que deixou de ser novidade, mas são sempre divertidos. Jorn Lande entrega, mais uma vez, um excelente trabalho vocal e os músicos que estão por trás dele são excelentes. As faixas escolhidas são muito boas e estão muito bem gravadas. Vale a pena conferir...

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Divertido

Faixas:
      01)   I Know There´s Something Goin´ On (Frida)
      02)   Running Up That Hill (Kate Bush)
      03)   Rev On The Red Line (Foreigner)
      04)   You´re The Voice (John Farnham)
      05)   Live To Win (Paul Stanley)
      06)   Don´t  Stop Believin´ (Journey)
      07)   Killer Queen (Queen)
      08)   Hotel California (Eagles)
      09)   Rainbow In The Dark (Dio)
      10)   The Final Frontier (Iron Maiden)
      11)   Stormbringer (Deep Purple) 
      12)   Die Young (Black Sabbath)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Farmikos – Farmikos (2015):



Por Davi Pascale

Joe Holmes. Nome que não é muito lembrado, mas mereceria ser. Foi ele quem acompanhou Ozzy Osbourne quando esse fez sua apresentação no Monsters of Rock 1995 aqui no Brasil. Pois bem, o cara reapareceu com nova banda, novo álbum e o fez em grande estilo.

Farmikos, na realidade, é uma dupla. O já citado Joe Holmes nas guitarras e o vocalista Robbie Locke (Laid Law). Os demais instrumentos ficam a cargo de músicos convidados. Robert Trujillo (Metallica) ficou responsável pelo baixo, enquanto a bateria ficou a cargo de Brooks Wackerman (Avenged Sevenfold) e Ken Schalk (Candiria). O disco ainda conta com a participação do guitarrista Brent Hoffort na faixa “King of Dust” e do cantor Benji Webbe (Skindred) em “Fragile”.

Na época, muitos se frustraram com o visual do guitarrista. Lembro de ter assistido ao show pela televisão e ter reparado que o cara subiu no palco com um visual meio grunge, o que fez com que muitos torcessem o nariz de imediato. Recordo que o madman resolveu apostar suas fichas nele depois de ter descoberto que o garoto havia sido aluno de Randy Rhoads. Pois são exatamente essas as influencias que vocês encontrarão aqui. Um mix de Alice In Chains, Soundgarden e Ozzy Osbourne.

Ozzy sempre foi teve um faro incrível para escolher guitarristas. Não me lembro de nenhum cara ruim que tenha trabalhado com ele. E Joe Holmes não é exceção. Antes de dividir os palcos com o madman na tour de Ozzmosis, o rapaz havia substituído Jason Becker na banda de David Lee Roth. Tarefa para poucos. Infelizmente, não fez nenhum registro ao lado do vocal do Sabbath. Gravou apenas “Walk On Water”, faixa da trilha sonora Beavis and Butt-Head Do America. E, de boa. O cara está, simplesmente, endiabrado.  Criou ótimos riffs, excelentes solos. Mesmo!

Guitarrista reaparece em novo projeto e surpreende

A influência de grunge aparece, principalmente, nos vocais de Robbie. Em vários momentos ele lembra o Chris Cornell (Soundgarden), principalmente quando ataca os vocais para cima. Algumas linhas vocais também vão em uma onda meio Alice In Chains. Caso de “The Sound of My Gun”.  O álbum tem uma veia 90´s. Em muitos momentos, lembra a sonoridade clássica do Soundgarden. Pesado. Às vezes, sombrio, arrastado com uma influência Sabbath (que o grupo de Chris Cornell também carregava). Às vezes, mais direto, mais agressivo.

O trabalho de guitarra vai bem na onda dos trabalhos do Ozzy. Guitarra suja, com afinação baixa. Riffs, às vezes lentos e melódicos, outras, mais rápidas com uma influência de hard rock. Os solos quase sempre velozes. A influência de Randy Rhoads é sentida em diversos momentos. Um bom exemplo é o trabalho de guitarra em “Am I One”. Benji Webbe traz um ar meio Coal Chamber, meio Korn à “Fragile”. Ficou interessante, gosto de ambos os grupos (mais do Korn), mas a música teria funcionado melhor sem ele.

Farmikos é um álbum bem consistente. Os músicos mantém o nível das composições do início ao fim. Fica até difícil destacar um som. Sem brincadeira, um dos melhores trabalhos que ouvi nos últimos anos. Agradabilíssima surpresa. Vale a pena conferir.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Scapegoat
      02)   Am I One
      03)   King Of Dust
      04)   Spoon and Sun
      05)   Fragile
      06)   The Sound of My Gun
      07)   Ascension
      08)   I Was Them
      09)   Exit Stencils
10)   Facing East

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Eric Burdon – Til Your Rivers Run Dry (2013):





Por Davi Pascale

Eric Burdon escancara influência do blues em seu novo trabalho. Com bom trabalho vocal, apresenta seu primeiro trabalho de inéditas desde 2004 e deve agradar seus velhos fãs.

Ele está em um estágio da vida onde não está mais preocupado com a criação de hits, venda de álbuns, nem nada do gênero. Já tendo passado da marca dos 70 anos de idade e 50 de carreira, a voz do Animals só quer se manter ativo e fiel ao que sempre fez. E ele conseguiu. Til Your Rivers Run Dry soa vintage e atual, ao mesmo tempo.

Certamente, ele não tem mais o mesmo alcance que tinha quando fez parte da British Invasion empunhando canções com “We´ve Got Get Out Of This Place”, “It´s My Life” ou “The House of The Rising Sun”. Canções, hoje consideradas clássicos do rock. E também apresenta uma rouquidão que não tinha na sua juventude. Mas que músico de 70 anos que ainda apresenta o mesmo gás que tinha aos 20? E, sendo honesto, o cara ainda está cantando bem. Pelo menos, no disco...

Seu último álbum de inéditas havia sido My Secret Life (2004), onde o cantor Marcelo Nova (Camisa de Vênus) viu seu nome registrado em 4 músicas do álbum. Vergonhosamente, o disco passou despercebido pelo publico brasileiro e até hoje é um item difícil de encontrarmos por aqui. Depois disso, lançou Soul of a Man, um trabalho com uma pegada blues/R&B, dedicado à Ray Charles e John Lee Hooker. As influências permanecem no novo registro.

Eric Burdon volta a compor

Til Your Rivers Run Dry é um trabalho de inéditas, mesmo assim homenageia mais um de seus grandes ídolos. “Bo Diddley Special” é, conforme o nome entrega, uma homenagem ao guitarrista dos anos 50. Traz ainda um clássico do rapaz no final do álbum. O blues “Before You Accuse Me”, regravado por centenas de artistas mundo afora. 

“Wait” é uma homenagem à sua esposa. “27 Forever” é criada em cima da história dos grandes artistas morrerem aos 27. Eric diz que escreveu como um aviso, uma observação aos jovens músicos que estão chegando nessa idade. Que ele ainda não conseguiu compreender se é algo astrológico ou se é uma causa de começaram a sentir o peso da idade. “Water” fala sobre a falta de água no planeta. Sobre alguns desperdiçarem, enquanto outros não têm sequer uma gota. "Devil & Jesus" fala sobre termos um lado bom e um lado ruim dentro de nós.

Musicalmente, traz um rock n roll sessentista mergulhado no soul, no gospel e, principalmente, no blues. A única música que foge a premissa é a balada “Wait” que conta com uma pegada meio latina por trás. Ótimo cantor, bom álbum. Faixas de destaque: “Water”, “Old Habits Die Hard”, “Bo Diddley Song”, “In The Ground” e “Memorial Day”.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Honesto

Faixas:
      01)   Water
      02)   Memorial Day 
      03)   Devil and Jesus
      04)   Wait
      05)   Old Habits Die Hard
      06)   Bo Diddley Special
      07)   In The Ground
      08)   27 Forever
      09)   River is Rising
      10)   Medicine Man
      11)   Invitation to The White House  
      12)   Before You Accuse Me

terça-feira, 14 de junho de 2016

George Martin – Produced By George Martin:





Por Davi Pascale

Recentemente, chegou ao mercado brasileiro um documentário sobre o lendário produtor George Martin, mais conhecido por seu trabalho ao lado dos Beatles. Filme narra sua história, traz curiosidades de bastidores e deve ser conferido por aqueles que têm interesse não apenas no artista, mas no funcionamento da indústria musical.

Consegui essa edição em blu-ray recentemente. Curiosamente, a edição é brasileira, lançada pela ST2, mas não possui legendas em português. Somente inglês, espanhol e francês. Portanto, se você não tem um bom domínio da língua inglesa ou do espanhol, desencana.

Produced by George Martin é um documentário que foi exibido, pela primeira vez, pela rede BBC em 2012. Ano em que marcava 50 anos desde que o produtor havia assinado com os Beatles. Como era de se esperar, Paul McCartney e Ringo Starr dão o ar da graça. Portanto, os colecionadores da banda não terão como escapar de adquirir esse disco.

O documentário é extremamente simples. Foi criado através de poucas entrevistas, não tem narração, poucas imagens intercaladas. Contudo, o conteúdo é ótimo. As conversas rendem comentários bem interessantes e explicam muito bem a sua trajetória.

Conhecido como quinto beatle, o produtor tinha uma formação mais clássica, havia estudado composição. Muitas das ideias de orquestrações, nas canções dos rapazes de Liverpool, vieram de sua cabeça. Muitas vezes, tinha que convencer os próprios músicos que achavam que aquilo não era exatamente algo relacionado ao rock. Rick Rubin, um dos mais cultuados produtores dos dias atuais, comenta que herdou de George Martin a ideia de experimentação, de sair do senso comum.

Produtor comenta sobre seu trabalho com os Beatles

Embora seja muito reconhecido por seu trabalho ao lado do fabfour, essa não foi sua única conquista. Foi ele quem fortaleceu o selo Parlophone. Antes de cair em suas mãos, o selo era minúsculo, de pouco interesse. Nunca tinha tido um artista de destaque. Famoso por criar discos de comédia - tendo trabalhado, inclusive, com o lendário Peter Sellers – o rapaz decidiu que fortaleceria o selo. E conseguiu. Começou a investir mais em artistas pop e conseguiu emplacar diversos deles nas paradas de sucesso: Cilla Black, Billy J. Kramer, Cliff Bennett...

A direção do pequeno selo da EMI foi entregue às suas mãos, jovem ainda. O papel de Martin não era apenas de produzir o artista, mas também de escolher quem gravaria ou não para o selo. A grande sacada, inegavelmente, foi o grupo de Paul, John, George e Ringo. Muitos dão risada pelo fato da Decca ter negado um contrato para os garotos alguns anos antes. Curiosamente, o produtor comenta que também não havia ficado impressionado com as gravações que havia escutado dos rapazes. Resolveu trabalhar com eles porque havia gostado dos garotos, do senso de humor deles.

Mesmo assim, reconhece o talento deles, colocando-os como um dos grandes compositores da história, e o amadurecimento que adquiriram durante os anos. Comenta sobre todos os assuntos esperados: de criação das musicas, dos arranjos, da brincadeira de George Harrison no dia em que foram apresentados à ele, do disco Let It Be ter sido entregue à Phil Spector. Comenta dos demais discos que produziu, como conheceu sua esposa, como perdeu sua audição. Filme essencial para quem se interessa saber um pouco mais sobre a história do lendário produtor, mas também é recomendado para aqueles que gostam de saber um pouco mais sobre o que está por trás de um grande artista, uma grande canção.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Heart – Fanatic Live From Caesars Colosseum (2014):



Por Davi Pascale

As irmãs Ann e Nancy Wilson provam que ainda têm muita lenha para queimar. Na estrada há 40 anos, as garotas demonstram enorme energia em seu mais recente vídeo.

Desde que se lançaram no universo do rock, muito mudou. Inúmeras formações, diferentes sonoridades. Tiveram uma fase mais rock n roll, outra mais pop ali pelos anos 80. Formados atualmente por Craig Bartock (guitarra), Debbie Shair (teclado), Ben Smith (bateria), Dan Rothchild (baixo), Ann Wilson (voz), Nancy Wilson (guitarra), somente as irmãs seguem desde o começo.

Ann não tem mais o corpo que tinha nos anos 70 e 80. Quando retornaram às rádios brasileiras em 1985 com canções como “If Looks Could Kill” e “These Dreams”, os garotos babavam por ela. Entretanto, sua voz continua intacta. Canta com segurança, ataca a voz para cima diversas vezes, não pede arrego na hora de interpretar canções que gravou com seus 20 e poucos anos, como “Crazy On You” e “Dog And Butterfly”.

Quando realizaram essa apresentação, estavam com um novo álbum nas costas, o (bom) Fanatic. Resgatam aqui 5 faixas desse trabalho. Praticamente, metade do disco. “Fanatic”, “Mashallah”, “59 Crunch”, “Walking Good” e a minha preferida desse álbum, “Dear Old America”. O show é curto. Apenas 70 minutos, mas isso não as impede de reviverem diferentes períodos de sua trajetória. Relembram o início da carreira com faixas como “Heartless” e “Barracuda”, assim como relembram seus momentos mais comerciais com as lindíssimas “What About Love” e “Alone”.

Irmãs Wilson apresentam empolgante apresentação em Las Vegas

Nancy Wilson se empolga no palco. Além de também possuir uma boa voz e ser uma ótima instrumentista, a moça se move o tempo todo. Pula, gira os braços, move a guitarra para cima e para baixo. Tem uma bela presença de palco. Os músicos que estão por trás são extremamente eficientes e ajudam a manter o profissionalismo da apresentação. Vale destacar a performance do guitarrista Craig Bartock. Há ainda a presença de uma orquestra convidada, o que deixa o espetáculo ainda mais contagiante.

Recentemente, muitos garotos e garotas descobriram o Heart por conta de um vídeo que se tornou meio que um viral na internet. Falo daquela famosa apresentação onde as moças interpretam “Stairway to Heaven” na frente dos músicos do Led Zeppelin, emocionando Robert Plant. Aqui não há nenhuma música do Led. Até poderiam ter gravado. A banda é influência direta para as garotas. No passado, já fizeram registros de “Battle of Evermore” e “Rock n Roll”. No entanto, resolveram focar na sua obra mesmo. O mais próximo de uma possível homenagem é a introdução do show com uma sonoridade bem próxima de “In The Light” (Physical Graffiti).

A produção de palco está bacana. Todos os músicos aparecem com destaque, iluminação está certinha. Tem um telão atrás do palco reproduzindo algumas imagens durante as canções. Tudo conforme pede o figurino. A qualidade de gravação é excelente. Tanto áudio, quanto som estão impecáveis.

O único senão é realmente a duração do vídeo. Com 40 anos de estrada, 15 álbuns nas costas, um show de 14 músicas, onde 5 são de seu mais recente álbum, realmente deixa muita canção marcante de fora. O que é uma pena porque elas realmente estão em uma fase incrível. Bem que poderiam fazer um showzinho aqui no Brasil. Essas, eu gostaria de assistir...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
      01)   Fanatic
      02)   Heartless
      03)   What About Love
      04)   Mashallah!
      05)   Even It Up
      06)   59 Crunch
      07)   Straight On
      08)   Dog And Butterfly
      09)   Walking Good
      10)   These Dreams
      11)   Alone
      12)   Dear Old America
      13)   Crazy On You
14)   Barracuda