domingo, 5 de junho de 2016

Ted Poley – Beyond The Fade (2016):





Por Davi Pascale

Primeiro vocalista do Danger Danger lança novo trabalho solo. Cantor mantém a áurea oitentista e deve agradar quem acompanhou seu antigo grupo na época.

Talvez muitos de vocês digam... ‘Bah, esse som ficou no passado’. A real é que música não tem prazo de validade e de tempos em tempos os artistas recorrem aos artistas do passado para criarem seu estilo. Atualmente, temos uma ótima leva de artistas bebendo na fonte dos anos 70 (caso de Blues Pills e Rival Sons, só para ficar em alguns), mas também temos vários artistas bebendo na fonte dos anos 80. Especialmente, na região da Suécia. O cantor não está cometendo nenhum crime. Apenas se mantendo fiel às suas origens.

O Danger Danger chegou a fazer bastante sucesso nos seus primeiros álbuns. Nos dois primeiros, o vocalista era justamente o Ted Poley. Fora da mídia, o rapaz não está preocupado em atualizar seu som. Apenas fazer o que curte e, quem sabe, manter seus velhos e fieis seguidores ao seu lado. Trabalho totalmente despretensioso, porém, divertido.

Beyond The Fade é seu primeiro trabalho solo desde Smile (2007). A lógica é mais ou menos a mesma. Continua resgatando aquela sonoridade anos 80 com vocalização à la Journey, refrão melódicos e meio chicletes, bateria simples, sem firulas, aquela sonoridade meio cigarros Hollywood. Sim, os arranjos são repletos de velhos clichês, mas quem se importa...

Ted Poley mantém veia oitentista em novo trabalho

O novo álbum é uma parceria com o selo italiano Frontiers e, conforme esperado, conta com a produção de Alessandro Del Vechio. Tem lançamentos que eles acertam bonito, tem lançamentos que erram feio. Nesse álbum, fizeram bonito. O trabalho é muito mais bem acabado do que Smile. Bateria mais bem gravada, guitarra mais bem timbrada, a veio AOR correndo solta... Uma diferença em relação ao anterior é que o teclado ganhou um pouco mais de evidência.

A tríade inicial traz todo o clima de festa dos anos 80. Teclados de fundo, arranjos extremamente alegres, solos de guitarra bem para cima. Destaque para a ótima faixa de abertura, “Let´s Start Something”, e para “Hands of Love”, uma canção perdida de Joe Lynn Tuner que o cantor resolveu resgatar. “Sirens” e “Higher” também despontam entre os grandes momentos do disco.

O disco é bem sólido, as qualidades meio que se mantém, mas os arranjos vão e vem. Ou seja, em meio às canções festivas, temos as velhas baladas intercaladas. Dentre essas, se destacam “We Are Young” e “Beneath The Stars”. O único ponto baixo do CD fica por conta de “Perfect Crime”. A canção é boa, mas perdeu o brilho com a participação de Issa. Honestamente, achei a voz dela bem chata. Se tivesse ficado só na voz dele, ficaria sensacional.

Beyond The Fade é um ótimo álbum para quem curte o gênero. Ótimos arranjos, ótimo trabalho vocal. Faixas bem bacanas. Se você era fã do Danger Danger ou gosta de bandas como Journey e Bon Jovi (anos 80), vá sem medo! 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Alto-astral

Faixas:
      01)   Let´s Start Something
      02)   Everything We Are
      03)   Hands of Love
      04)   The Perfect Crime
      05)   Stars
      06)   Higher
      07)   Where I Lost You
      08)   You Won´t See Me Crying
      09)   We Are Young
      10)   Sirens
      11)   Beneath the Stars

sábado, 4 de junho de 2016

Notícias do Rock

Fique por dentro de algumas das principais noticias da semana. O mundo do rock está sempre girando e fazemos aqui, um apanhado de alguns dos casos mais falados nos últimos dias. Confira!


Por Davi Pascale


Bruno Boncini fora do Malta



A banda Malta anunciou, em sua pagina oficial do Facebook, na ultima quinta, que o cantor Bruno Boncini está se desligando da banda. Segundo o post, os meninos seguirão em frente com um novo cantor e Bruno seguirá uma carreira-solo. A situação da banda não é fácil, já que Bruno era o principal compositor e era o integrante preferido de muitas garotas que acompanham o conjunto. Contudo, ele ainda cumprirá as datas já agendadas que vai até o dia 26 de Setembro. Desejamos boa sorte para ambos os lados.


Sai resultado sobre a morte de Prince



O cantor Prince nos deixou, aos 57 anos, no último dia 21 de Abril. A morte do rapaz chocou à todos. Desde fãs até a classe artística. E, desde então, muito se especulou sobre o que havia acontecido. Finalmente, temos a resposta oficial. Prince morreu de overdose de fentanil, um analgésico à base de ópio que o artista utilizava para driblar as fortes dores que sentia no quadril. Bem parecido com a morte de Michael Jackson. Quem diria que perderíamos dois ícones da música pop do mesmo jeito. Triste...


Debut do Faith No More será relançado



O álbum We Care A Lot chegou às lojas em 1985 e está fora de catálogo desde 1996. A boa notícia é que agora seus fãs não precisam mais recorrer à sites de leilões para conseguir uma cópia do CD.  We Care a Lot Deluxe Band Edition retornará ao mercado no próximo 19 de Agosto e trará o álbum remasterizado acrescido de mixagens alternativas, demos e faixas ao vivo. Vale recordar que esse trabalho é dos tempos de Chuck Mosley. O maluco Mike Patton ainda não fazia parte do grupo...


Roger Daltrey afirma que The Who não gravará mais



Roger Daltrey e Pete Townshend seguem fazendo shows com o nome de The Who. No entanto, um novo trabalho está fora de cogitação. E, ao que aparenta, a razão é o descontentamento dos músicos com o mundo digital. Em recente entrevista, Daltrey afirmou: “Por que gravaria um disco novo? Teria que pagar para gravar. Não existem royalties. Não existe mais industria de gravadoras. Como se consegue dinheiro para as gravações? Eu não sei. Não vou pagar para distribuir minha musica de graça. Não tenho dinheiro para isso”.


Axl Rose não dará mais autógrafos




Axl Rose, a eterna voz do Guns n´ Roses, postou em sua conta oficial do twitter que não dará mais autógrafos. A razão é a mesma de Ringo Starr. O músico está puto porque muita gente aborda ele, pede autografo, e no dia seguinte bota a venda no Ebay. No post, escreveu: “Não aguento mais os ebayers. Então, infelizmente, não irei mais autografar as coisas por um tempo. Muito amor para os verdadeiros fãs”. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Edu Falaschi – Moonlight (2016):



Por Davi Pascale

Edu Falaschi lança primeiro álbum solo como parte da comemoração de 25 anos de estrada. Disco traz releituras de velhos sucessos em arranjos calmos e sofisticados.

Meu primeiro contato com o Edu foi através do Symbols, mas boa parte do público descobriu o garoto após ele ter sido escalado para substituir o Andre Matos no Angra. Sua tarefa não era nada fácil. Além de Andre ser considerado um dos grandes vocalistas do Brasil, o Angra tinha atingido uma popularidade que pouquíssimos grupos de heavy metal brasileiro atingiram. A responsabilidade era enorme e o músico tirou de letra. Os dois primeiros registros que fez ao lado do grupo de Kiko Loureiro (Rebirth e Temple of Shadows) figuram hoje entre os trabalhos preferidos dos fãs. Várias músicas venceram a barreira do tempo. E o novo projeto é uma prova disso.

Para quem não está por dentro. Esse não é o tão comentado álbum tributo que estava/está programado. Esse é um projeto criado e produzido pelo próprio Falaschi onde ele criou novos arranjos para velhas canções. A maior parte das faixas escolhidas vieram dos tempos do Angra. E faz sentido. O músico aposta em uma sonoridade mais clássica, mais erudita. Esse tipo de roupagem realmente tem mais a ver com as músicas dessa época.

Exatamente! Esse não é um álbum de heavy metal, nem um projeto acústico nos moldes da MTV. Se você cresceu ouvindo os álbuns do rapaz porque ele era da cena metal e nunca ouviu nada fora da cena, certamente irá estranhar e, possivelmente, torcer o nariz para o disco.

Edu aposta em arranjos eruditos em sua estreia como artista solo

Moonlight é um projeto de música clássica, praticamente. Arranjos orquestrados, violões, piano, violino, voz e praticamente é isso. São pouquíssimas as faixas que contam com um trabalho de percussão. As orquestrações são bem evidentes. Aliás, é o que fala mais alto no disco. Uma conta que um trabalho percussivo mais elaborado e ficou muito bacana é “Breathe”.

Outra mudança evidente está no estilo de cantar. Edu está cantando muito bem, mas está cantando todo o tempo em uma região mais baixa. Não temos aqui, o músico atacando voz para cima, explorando falsetes, nem nada do tipo. Em uma comparação meia besta, já que são gêneros diferentes, mas para pegar um trabalho conhecido como exemplo. Lembra de quando o Whitesnake lançou o Starkers in Tokyo com o David Coverdale cantando para baixo o tempo todo? Mesma lógica. Quem quiser ouvir um trabalho vocal mais potente terá que esperar o novo do Almah.

Os arranjos são muito bem desenvolvidos, o trabalho está muito bem gravado. Edu já dava algumas dicas nos arranjos acústicos que fazia em seus shows, mas acredito que nem seu fã número 1 esperaria por um álbum inteiro nesse pique. Uma ousadia bacana foi ter criado novos arranjos para músicas pesadas, não apenas para as baladas dos discos. No mínimo, curioso, ouvir “Nova Era” e “Angels and Demons” nesse formato. Disco muito bem feito e muito bonito.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Calmo e sofisticado

Faixas:
      01)   Nova Era
      02)   Bleeding Heart
      03)   Arising Thunder
      04)   Rebirth
      05)   Breathe
      06)   Angels and Demons
      07)   Spread Your Fire
      08)   Wishing Well 
      09)   Heroes of Sand

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Gary Moore – The Essential Montreux (2009):





Por Davi Pascale

O primeiro contato que tive com a música de Gary Moore foi com a balada “Still Got The Blues” nas rádios. Uma vez que ouvi o LP na íntegra, virei fã. Embora a balada fosse realmente muito bonita, não dá dimensão da obra dele. O LP trazia um guitarrista inspiradíssimo, fazendo um bluesrock de primeira. Não demorou muito e comecei a revirar seus discos mais antigos e descobri que ele veio do hard rock. Mas onde mais me chamava a atenção era realmente nos VHS´s ao vivo. Gary sempre tocou com alma, seus solos eram inspiradíssimos. E, isso, fica claro, mais uma vez, nas apresentações incluídas nesse box.

Temos aqui 5 apresentações de 5 turnês diferentes. Sim, há algumas músicas que se repetem. “All Your Love”, por exemplo, está presente em 4 apresentações. Se não me engano, é a que mais aparece por aqui. Mas os shows variam bastante. Sempre tinham músicas diferentes. Versões diferentes. Até por serem registros de anos diferentes. Estava sempre com um álbum para promover nas costas, o que ajudava a mudar o ritmo do show.

Quase todas as apresentações são fantásticas. Tecnicamente, todas são impecáveis. Gary Moore sempre foi um puta músico e sua banda de apoio nunca ficou por baixo. Tanto em seus discos, quanto em suas apresentações, sempre esteve rodeado de instrumentistas de primeiro time. A primeira performance, contudo, é a cereja do bolo.

Gravada em 7 de Julho de 1990, a apresentação é justamente do LP que citei no primeiro parágrafo. Curiosamente, a faixa-titulo, que foi um enorme sucesso na época, não aparece no setlist. Mas a participação de Albert Collins emociona. Mesmo que os dois tenham estilos diferentes de tocar, a parceria funciona muito bem. O dueto acontece em 4 músicas do show: “Too Tired”, “Cold Cold Feeling”, “Further Up On The Road” e “King of The Blues”. Espetacular!

Albert Collins se junta à Gary Moore no primeiro CD do box

A apresentação de 1995 era da ocasião em que estava lançando um trabalho em homenagem ao músico do Fleetwood Mac, Peter Green (Blues for Greeny). Mistura músicas desse álbum com clássicos de Willie Dixon, John Mayall, além de relembrar “Since I Met You Baby”, de seu álbum After Hours (1992). Outro showzaço! A pegada blues também aparece com tudo nas apresentações de 1999 e 2001. A de 99 é a minha preferida. Para mim, o segundo melhor show do box. Mistura aqui classicões como “Still Got The Blues”, “Oh Pretty Woman” e “Walking By Myself” com releituras fantásticas de “The Sky Is Crying” (clássico de Elmore James muito conhecido pela interpretação de Stevie Ray Vaughan) e “Fire” (Jimi Hendrix). Show realmente impressionante.O cara tinha uma pegada e uma garra inacreditável.

O terceiro CD é o mais fraco, na minha opinião. Obviamante, que tecnicamente falando, é perfeito. Mas o repertório é apenas mediano. Em 1997, estava lançando Dark Days In Paradise. Um trabalho de rock mais moderno, com umas paradas eletrônicas por trás. Uma sonoridade que estava na moda, mas que não era muito a cara dele. Focou aqui, em sua fase mais rock. Quando revive suas musicas dos anos 80, como “Over The Hills and Far Away” (sim, a que o Nightwish canta) ou “Out In The Fields” fica bem legal. Quando toca os sons do álbum que estava lançando não me empolga tanto, mesmo com os beats estando bem mais moderados. De álbuns ao vivo mais roqueiros, ainda gosto mais do Rockin Every Night: Live In Japan e do Live At The Marquee.

The Essential Montreux é um trabalho essencial na coleção de quem curte blues ou de quem é fã do artista. As apresentações, como disse, são de altíssimo nível e, como já disse, o cara era um monstro. Era um dos poucos guitarristas que sabia dosar técnica e emoção, que brilhava tanto nos solos mais contidos, quanto nos mais velozes. E cantava bem também. Uma pena que tenha ido embora cedo. Um dos artistas que lamento não ter tido chance de ver de perto. Pelo menos, o box serve para matar a saudade...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Emocionante

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Last In Line – Heavy Crown (2016):



Por Davi Pascale

Last In Line nada mais é do que a primeira formação de Dio sem o falecido vocalista. Aliás, a ideia era justamente homenagear o cantor. Quando Vivian Campbell, Vinny Appice, Jimmy Bain e Claude Schnell caíram na estrada em 2013, a ideia era reviver o repertório que gravaram ao lado do baixinho. Ou seja, faixas da época de Holy Diver, The Last In Line e Sacred Heart. Em 2014 começaram a gravar seu primeiro álbum de inéditas, justamente esse que comentamos hoje.

O futuro dos rapazes é incerto. Infelizmente, Jimmy Bain faleceu no início do ano, vítima de câncer. Não conseguiu, sequer, ver esse disco sendo lançado. Os músicos caíram na estrada para divulgar o álbum ao lado de Phil Soussan. O responsável pelo baixo de The Ultimate Sin (Ozzy Osbourne). Mas não se sabe se a decisão é temporária ou definitiva. Também tem o problema de Vivian Campbell com um câncer que vai e volta. A situação é extremamente delicada.

Aliás, o guitarrista é um dos grandes destaques desse álbum. Já tinha anos e anos que o rapaz não fazia um som sujo desse, mas seu trabalho é irrepreensível. Excelentes riffs, excelentes solos. Performance simplesmente brilhante. Outro grande destaque é o vocalista Andrew Freeman. O rapaz já esteve envolvido em vários projetos como figurante. Chegou até a tocar guitarra com o Offspring. Quem acompanha a cena hard rock de perto, contudo, irá se lembrar dele no Hurricane e em uma curta passagem no Lynch Mob. Ambos, no posto de vocalista. A escolha é certeira. O cara tem um ótimo alcance, um timbre animal. Fez um belo trabalho no disco.

Disco é o último trabalho do falecido Jimmy Bain

“Devil In Me” é uma das que mais remetem ao som que faziam nos anos 80. Inclusive, a linha vocal. Mas não se preocupem. Não se trata de um clone de Ronnie James Dio. O rapaz tem personalidade. A galera que os acompanhou nos anos 80, também irá encontrar semelhanças nos arranjos de “Starmaker” e de “Already Dead”. Essa última, com um riff bem na cola de “Stand Up And Shout”. Já os fãs de Sabbath, abrirão um sorrisão de orelha à orelha com o riff de “Blame It On Me”.

A sonoridade de Heavy Crow nada mais é do que um heavyrock com uma pegada bem 80´s. As velhas características são mantidas. Músicas pesadas e arrastadas, músicas velozes, canções que começam com um dedilhado para depois crescer. Som de bateria seco, voz forte. Tudo aqui. Contudo, nem sempre soam como Dio ou Sabbath. Há uma forte e bem vinda influência de hard rock em diversos momentos, o que faz com que a banda perca aquela cara de nostalgia.

Andrew rouba a cena em “Martyr” e “I Am The Revolution”. Vivian Campbell apresenta riffs bem criativos e impactantes. Jeff Pilson, conhecido por seu o baixista do Dokken, ficou a cargo da produção do disco. Como já havia trabalhado com Dio no passado, sabe exatamente o que tirar. Guitarra está com um puta som. Vocal está bem na cara. Do jeito que os fãs old school gostam. Até agora é o melhor disco de 2016.

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Álbum do ano

Faixas:
      01)   Devil In Me
      02)   Martyr
      03)   Starmaker
      04)   Burn This House Down
      05)   I Am Revolution
      06)   Blame It On me
      07)   In Flames (Bonus Track)
      08)   Already Dead
      09)   Curse The Day
      10)   Orange Glow 
      11)   Heavy Crown 
      12)   The Sickness

terça-feira, 31 de maio de 2016

Judas Priest – Battle Cry (2016):



Por Davi Pascale

Judas Priest foi uma das bandas que ajudou a definir o que hoje chamamos de heavy metal. Tanto em termos de sonoridade, quanto de estética. O mais impressionante é que os caras já estão na estrada há mais de 40 anos e pelo que vemos aqui, e pelo que vimos durante sua participação na última da edição do Monsters of Rock, ainda têm muita lenha para queimar.

Para aqueles que, assim como eu, estiveram na última edição do festival, o DVD dá um sabor à mais, traz um ar de nostalgia, bate um pouco de saudade daquela noite. Afinal, é a mesma gira e o setlist é bem parecido. De diferente, se não me falha a memória, trocaram aqui no Brasil “Beyond The Realms of Death” por “Love Bites”. De resto, é praticamente o mesmo show.

Quem já assistiu o Judas Priest ao vivo, pelo menos uma vez na vida, mesmo que em vídeo, já sabe o que esperar. Uma apresentação super profissional, com uma banda afiadíssima e a presença de inúmeros clássicos no setlist.

Os músicos não deixam por menos. Richie Faulkner demonstra ter sido a escolha correta para o grupo. Arrebenta na guitarra e, justamente por ser mais jovem, ainda tem uma disposição física que os outros músicos não possuem mais. Scott Travis continua sendo uma máquina. Incrivelmente preciso. Quem mais chama a atenção, contudo, é Rob Halford. Com 64 anos nas costas, continua mandando ver nos agudos. Ainda possui uma força na voz que muitos cantores da sua idade não apresentam mais.

Banda entrega show impecável em novo DVD ao vivo

Existe muita banda longínqua que, depois de algum tempo, deixa de apresentar material novo. Esse não é o caso do Judas. Não só lançaram um álbum recentemente, o (bom) Redeemer of Souls, como incluíram três delas no setlist. Inclusive, uma delas, “Dragonaut”, foi escolhida para abrir a noite. Fantástico. Gostaria de ver mais artistas seguindo esse exemplo.

Os momentos tradicionais continuam presente. Rob Halford entra de moto no palco na hora de chamar o clássico “Hell Bent For Leather”. Grande parte dos hinos do conjunto continuam marcando presença. Não faltam no setlist “Painkiller”, “Metal Gods”, “Breaking The Law”, “Victim of Changes”... Halford continua com suas habituais trocas de roupa. Os músicos usam e abusam das twin guitars. Tudo conforme pede o figurino.

A apresentação foi gravada no Wacken Festival (Alemanha), diante de uma plateia de 85.000 headbangers. O público é bem receptivo, mas poderia ser um pouco mais barulhento. Há um momento curioso contudo, pouco antes de introduzir “You´ve Got Another Thing Comin´”, quando Rob Halford brinca de Freddie Mercury fazendo alguns vocalizes junto com a plateia. Nesse momento, podemos notar com clareza algumas bandeiras do Brasil entre os espectadores. Muito bacana!

A qualidade de gravação é fantástica. Tanto imagem, quanto som. O show é praticamente impecável, conforme esperado. Como se não bastasse, os músicos ainda nos brindam com três músicas de sua apresentação na Polônia, que não haviam sido incluídas na outra performance. Imperdível!

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Mortal

Faixas:
      01)   Intro
      02)   Dragonaut
      03)   Metal Gods
      04)   Devil´s Child
      05)   Victim of Changes
      06)   Halls of Valhalla
      07)   Turbo Lover
      08)   Redeemer of Souls
      09)   Beyond The Realms of Death
      10)   Jawbreaker
      11)   Breaking the Law
      12)   Hell Bent For Leather
      13)   The Hellion
      14)   Electric Eye
      15)   You´ve Got Another Thing Comin´
      16)   Painkiller
      17)   Living After Midnight
      18)   Screaming for Vengeance (Bonus)
      19)   The Rage (Bonus) 
      20)   Desert Plains (Bonus)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Backbeat: Os Cinco Rapazes de Liverpool (1994):



Por Davi Pascale

Algum tempo atrás escrevi sobre a trilha sonora desse filme, mas ainda não tinha escrito sobre a película. Como temos o costume de, vez ou outra, resgatar algum longa relacionado ao rock n roll, decidi por alguma razão que esse era o momento. Depois de comentar uma série de lançamentos, decidi quebrar o ritmo resgatando algo um pouco mais antigo. Mas não se preocupem, continuarei a escrever sobre os últimos lançamentos. É que, às vezes, é legal sair da rotina.

Backbeat, mais conhecido no Brasil como Os Cinco Rapazes de Liverpool, foi lançado em 1994. Na ocasião, comemorava-se 30 anos de beatlemania. Por ser uma data emblemática, começou a se falar mais e mais sobre o grupo britânico. E isso fez com que o filme ganhasse um pouco de destaque. A trilha sonora, que misturava músicos dos grandes nomes do momento, gerou interesse na garotada. O grupo criado para gravar a trilha misturava músicos de bandas como Nirvana, Soul Asylum, R.E.M. e Sonic Youth. Contudo, engana-se quem acredita que a explosão dos Beatles é o tema retratado. É justamente o oposto.

Antes de se tornarem o tão adorado fab four, os Beatles passaram por poucas e boas. Inicialmente, eram um quinteto: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Pete Best e Stuart Sutcliffe. E é exatamente esse o período que é focado aqui. Ainda não tínhamos Ringo Starr na jogada, nem George Martin.

Stu, como era conhecido, foi o primeiro baixista do grupo. Paul McCartney, nessa época, atacava nas guitarras ao lado de John e George. A grande paixão de Stu era a pintura. A banda para ele era uma curtição e dizem, inclusive, que não se sentia confortável no palco. Existe até um boato que diz que, em várias apresentações, ele havia tocado de costas para a plateia por medo de encarar a situação. O que ninguém nega, contudo, era a aproximação que existia entre ele e John Lennon.

Filme resgata os primeiros anos do grupo

Stucliffe estava ao lado dos Beatles quando fizeram a sua famosa excursão em Hamburgo em 1961. Essa fase é revivida no longa. Aparecem aqui as farras com garotas, os ‘remédios’ que usavam para ficarem ligadões e aguentarem tocar por horas à fio. As discussões de bastidores e o triângulo amoroso, envolvendo a fotógrafa Astrid Kirccherr, garota de Klaus Voorman. Mesmo causando uma situação um tanto quanto dramática, os retratos de Astrid marcaram época. Todos aqueles retratos que vocês encontram nos livros dos Beatles, desse período, são dela.

O filme resgata alguns momentos conhecidos entre os pesquisadores do grupo inglês. Mostra os músicos sendo deportados da Alemanha por conta de George Harrison ter sido descoberto como menor de idade, o lado irônico e explosivo de John Lennon, as diferenças entre John e Paul em relação ao Stu e, é claro, a morte do rapaz. Poucas semanas após abandonar o grupo para se dedicar exclusivamente à arte, Stuart Stucliffe, um garoto de apenas 21 anos, morreu vítima de um aneurisma.

Os Cinco Rapazes de Liverpool retrata um período de dificuldade da banda. E o mais legal de tudo é que abordaram o tema de uma maneira bem respeitosa. Para quem quer ter uma noção das origens do grupo que ajudou a redefinir o rock ou quiser ter uma noção do que é a vida de um músico que está lutando para conquistar seu espaço, o filme é bem-vindo. A película não é muito longa, os atores trabalham legal, é bem bacana de assistir. O tempo passa rapidinho.

Aqui no Brasil, o filme foi exibido nos cinemas e frequentou as prateleiras das vídeo-locadoras na época. Para divulgar o filme por aqui, também foi criada uma banda envolvendo músicos conhecidos do rock brasileiro, mas vamos deixar esse assunto para um próximo post...