segunda-feira, 25 de abril de 2016

Anthrax – For All Kings (2016):



Por Davi Pascale

Anthrax chega ao seu décimo primeiro álbum. Contando com a estreia de Jon Donais (Shadows Fall) e os vocais do cultuado Joey Belladonna, músicos entregam álbum pesado e consistente.

Os ícones do thrash metal estão tudo na ativa e, o mais importante, mandando bem. Slayer quebrou tudo em Repentless, Megadeth fez bonito em Dystopia, agora é a vez do Anthrax chamar a atenção com For All Kings. Seu primeiro álbum desde (o bom) Worship Music (2011).

Scott Ian explicou recentemente o título do álbum. “Todo mundo pode ser um rei. Podem ter controle de sua vida. Controlar seu destino. Crescer e se tornar um ser humano respeitável. É no sentido de ser um rei de você mesmo. Assumir responsabilidades, ser responsável por suas merdas”. 

Durante esses 35 anos, muitas mudanças já aconteceram no Anthrax. Mudanças de sonoridade, mudança de formação. Essas mudanças são perceptíveis no novo disco. O disco não é guiado por uma única sonoridade. “You Gotta Believe”, “Evil Twin” e “Zero Tolerance” resgatam a época dos primeiros álbuns. Traz aquela bateria veloz e reta, os vocais narrados, quase raps. Assim como acontecia em “Among The Living”, “Time” e tantas outras canções do período clássico.

Banda lança álbum destruidor

“Breathing Lightining” já aponta para uma pegada mais comercial. Calma, não estou dizendo que eles se tornaram pop, mas conta com uma sonoridade mais moderna e refrão bem fácil de memorizar. Assim como aconteceu em "Fueled". Uma música que poderia facilmente ter um clipzinho na MTV...

Charlie Benante está destruidor nas empolgantes “Suzerain” e “Defend Avenge”. Jon Donais se encaixou como uma luva no disco. Scott e Jon nos entregam ótimos riffs e solos muito bem construídos. Belladonna continua mandando muito bem.  Está muito melhor do que em Worship Music. A razão é óbvia. Essas músicas foram escritas para ele. Musicalmente falando, diria que o disco está no mesmo nível de We´ve Come For You All.

Embora tenha vários elementos que nos remeta aos anos 80, tirando umas 3 ou 4 músicas, a sonoridade não é retrô. Ele não soa como um novo Spreading The Disease ou um novo Among The Living. Soa como a banda provavelmente soaria se Belladonna não tivesse pulado fora depois de Persistence Of Time. Mistura sua sonoridade clássica com uma sonoridade mais moderna. Consigo imaginar John Bush cantando algumas faixas daqui como “This Battle Choose Us” ou “Blood Eagle Wings”, sem fazer muito esforço.

Em resumo, o que temos aqui é o Anthrax entregando um disco de heavy metal empolgante, sem frescuras. Uma banda demonstrando vontade de se reinventar, sem renegar o passado. Pode ir sem medo. Puta disco! Um dos melhores que ouvi esse ano.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   You Gotta Believe
      02)   Monster At The End
      03)   For All Kings
      04)   Breathing Lightning
      05)   Suzerain
      06)   Evil Twin  
      07)   Blood Eagle Wings
      08)   Defend Avenge
      09)   All Of Them Thieves
      10)   This Battle Chose Us 
      11)   Zero Tolerance

domingo, 24 de abril de 2016

Runaways – As Garotas do Rock (2010):



Por Davi Pascale

Em 2010 foi lançado um filme que contava a história do Runaways, famoso grupo de rock que ajudou a catapultar as cantoras Joan Jett e Lita Ford. Contando com a participação de duas garotas da série Crepúsculo, o filme diverte, mas peca em alguns aspectos.

A banda surge do encontro entre Joan Jett e o famoso produtor musical Kim Fowley, mas a história apresenta algumas modificações. Por exemplo, aqui, demonstra o produtor apresentando a baterista Sandy West à Joan, segundos depois dela se apresentar ao rapaz, como se já conhecesse West. Na história real, Kim só descobriu Sandy duas semanas depois de seu encontro com a guitarrista.

Com roteiro inspirado em Neon Angel: A Memoir of a Runaway, livro escrito pela cantora Cherie Currie, o filme foca mais em Cherie e Joan Jett (produtora executiva do longa). As outras aparecem como coadjuvantes. Inclusive, no final do filme, quando vão comentar o que ocorreu com as garotas, aparece somente sobre as duas e sobre Kim. Ignorando assim, momentos marcantes como a carreira de sucesso de Lita Ford ou a morte de Sandy West, por exemplo.

A película serve para demonstrar um pouco como era a cena da época. As festas regadas à sexo e drogas. A promiscuidade. As falsas promessas. A influência do glam. Além, é claro, da excentricidade do famoso produtor. 

Kristen Stewart é o grande destaque do filme

A baixista Robin é um personagem fictício. Na banda, a responsável pelas 4 cordas era Jackie Fox. A moça aparentemente guarda más recordações da época e alegou que gostaria de ficar de fora do filme. Durante os anos comentou de várias mágoas desse período: abusos de Kim Fowley (ela alega ter sido sedada e estuprada por ele durante seus anos na banda), abusos e humilhações por parte de Ken Smith (roadie), descaso da equipe, falta de grana e brigas internas. Chegou, inclusive, a criar um documentário junto com a sua sucessora Vicki Blue, que atende pelo nome de Edgeplay, comentando das polêmicas. O material foi lançado em 2004 e emputeceu Joan Jett, na ocasião.

Muito se falou nas performances de Dakota Fanning (I Am Sam, Crepúsculo) no papel de Cherie, e de Kristen Stewart (Crepúsculo, O Quarto do Pânico) no papel de Joan Jett. Realmente, a atuação delas é boa e acaba sendo o grande destaque do longa. Especialmente de Kristen que conseguiu resgatar todos os trejeitos da guitarrista.

Infelizmente, como forma de mostrar a história da tão importante banda (embora não tenham um currículo com inúmeros hits, as garotas foram responsáveis por ajudar a derrubar o estereótipo de que meninas não poderiam fazer um som mais pesado), o filme peca. Floria Sigismond, responsável pela direção do filme e criação do roteiro, focou exclusivamente no livro da cantora. Sendo assim, a fase final do grupo é ignorada. E, por consequência, o impacto que causaram na cena. 

The Runaways – As Garotas do Rock diverte. Prende a atenção, mostra um pouco do famoso universo do sexo, drogas e rock n roll. Mostra a importância que Joan Jett teve dentro da banda, mas se você quer saber mais sobre a história do grupo, não será aqui que você se tornará um expert.

sábado, 23 de abril de 2016

Notícias do Rock

Estamos de volta com a retrospectiva da semana. Essa última semana foi bem difícil para os amantes do rock. Alguns músicos se foram, outros nos deram um susto. Fique por dentro do que está rolando.

Por Davi Pascale


O Adeus à Prince e Lonnie Mack


Essa semana, perdemos dois grandes nomes da música. Ontem, perdemos Lonnie Mack. O músico de 74 anos era considerado um dos grandes nomes da guitarra e era citado como influência direta por músicos do calibre de Jeff Beck, Ted Nugent, Greg Allman e Stevie Ray Vaughan. Um dia antes, perdemos mais um ícone da música pop, o cantor Prince. O músico norte-americano foi encontrado morto em sua residência. No Brasil, teve um enorme destaque nos anos 80 e início dos anos 90. Canções como “Let´s Go Crazy”, “When The Doves Cry”, “1999”, “Raspberry Barrett”, “Kiss”, “Get Off” e “Purple Rain” marcaram a vida de milhares de pessoas. Embora não tivesse mais o destaque de outrora nas rádios e TV, o músico seguia lotando shows e lançando discos com frequência. Ambos, farão falta.


Ace Frehley sofre de desidratação


Essa semana também não foi uma boa semana para os fãs do Kiss. Dias depois de Paul Stanley passar por uma cirurgia no ombro, Ace Frehley também foi parar no hospital. O músico de 64 anos foi internado por estafa e desidratação. Por orientação médica, o guitarrista desmarcou o show que faria na noite seguinte em Nova Iorque. Já haviam boatos na internet de que o guitarrista havia sofrido um ataque cardíaco. Vão catar coquinho...


Black Country Communion de volta


O grupo Black Country Communion retornará as atividades no próximo ano. Glenn Hughes escreveu em seu Facebook que ele e o musico Joe Bonamassa refizeram as pazes. Logo em seguida, Kevin Shirley, produtor do álbum Afterglow escreveu: ‘reabastecendo os tanques. Quem está preparado para mais uma dose de BCC?’. Jason Bonham acabou com todas as eventuais duvidas ao postar uma imagem do grupo com a legenda 2017.


Paul Simon descarta reunião de Simon & Garfunkel


No ano passado, o cantor Art Garfunkel respondeu durante uma entrevista que estava disposto à trabalhar com Paul Simon novamente. Contudo, parece que as feridas ainda não foram cicatrizadas. Em tempos passados, Art havia chamado Simon de idiota e imbecil publicamente. Ao ser questionado essa semana, pela revista Rolling Stone, se existiria uma chance da reunião acontecer, Paul Simon foi categórico: “Não. Está fora de questão. Nós sequer nos falamos”. Está vendo o que dá falar demais?


Reunião do Poison depende da recuperação de Rikki Rockett


O cantor Brett Michaels voltou a comentar o assunto da reunião do grupo. Em 1986, foi lançado o primeiro álbum do quarteto, Look What The Cat Dragged In. Os músicos gostariam de cair na estrada para celebrar a data. Contudo, depende da recuperação de Rikki Rockett. Para quem está por fora, o baterista está enfrentando um câncer na língua. O músico já passou por 9 quimioterapias e 35 radioterapias. Michaels declarou ao Eddie Trunk Live: “Nesse momento estamos focados na saúde de Rockett. Essa é a prioridade número um. Ele está lutando bravamente. Se ele melhorar, em um futuro próximo cairemos na estrada. Se não, tudo que posso dizer é que foi uma ótima jornada repleta de ótimos momentos”.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Prince – The Gold Experience (1995):



Por Davi Pascale

Ontem, perdemos mais um dos grandes nomes da música. Prince Rogers Nelson foi encontrado morto em sua casa aos 57 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada. De todo modo, o que importa nessa hora é nos lembrarmos da obra que o artista nos deixou. E Prince deixou uma obra espetacular. Resolvi comentar um de meus discos favoritos, como uma forma de homenageá-lo.

Em 1995, Prince lançava um excelente álbum rodeado de polêmicas. O álbum trazia, pela primeira vez, uma arte sem seu nome estampado. Apenas com o símbolo que havia adotado como nome artístico. Queria emplacar de todo modo a idéia de 'the artist formerly know as Prince'. Sem contar que um ano antes, havia comprado briga com sua gravadora (Warner) porque haviam se negado a lançar dois discos dele no mesmo ano. O rapaz começou a fazer protestos público alegando ser um escravo da gravadora. Ainda que não tenha atingido um número de vendas expressivo (levando em consideração as vendas da época e seu histórico), o disco foi muito bem recebido pela crítica.

Muitos críticos diziam ser seu melhor trabalho desde Sign O´ The Times. Eu, particularmente, gosto bastante de Graffitti Bridge e Diamonds And Pearls, mas realmente o nível atingido era impressionante.

Produzido pelo próprio cantor, The Gold Experience é um trabalho bem eclético, onde deixa nítido todas as suas influências. O lado rap aparece em “Pussy Control” e “Now”. O lado soul surge em “Shhh”, “The Most Beautiful Girl In The World” e “I Hate U”. Sua aproximação com o funk se dá em “Shy” (faixa que poderia ter sido gravada pelo Lenny Kravitz, fácil, fácil) e “Billy Jack Bitch”. Há ainda espaço para o pop de “Dolphin”, a balada “Gold” e o rock de “Endorphinmachine”.

Musico escreveu e produziu o álbum sozinho

O disco conta com várias vinhetas. Sempre contando com declarações e efeitos. Algo que chama a atenção é a qualidade das composições. O músico conseguia transitar por todas essas vertentes sem deixar a qualidade do disco cair. Além, é claro, de seu trabalho enquanto músico.

Muitos se recordam do cantor pelas excentricidades (exigências nonsense, manias totalmente malucas...), pelos seus clipes e seu visual quase sempre exagerado nos palcos. Sem dúvidas, foi um artista que ditou moda, que ajudou a moldar o visual da época; assim como Michael Jackson, David Bowie e Madonna. Mas também é necessário nos lembrarmos de sua qualidade enquanto músico. Muitos comentam da sua banda de apoio, a (ótima) New Power Generation, mas quase nunca comentam de seu trabalho de instrumentista.

Prince era muito mais do que um entertainer. Dono de uma bela voz, o rapaz escrevia os arranjos, as letras, era multi-instrumentista, tocava guitarra como poucos. The Gold Experience prova, mais uma vez, a habilidade do músico. O trabalho vocal em “Endorphinmachine” é de deixar qualquer cantor de heavy metal enciumado com os berros que solta. O rapaz também rouba a cena com um belíssimo solo de guitarra em “Gold”. Disco extremamente bem feito e empolgante. Dizem que a canção "The Most Beautiful Girl In The World" foi escrita para uma modelo brasileira que o artista havia conhecido durante sua passagem no Rio de Janeiro. Será?

Prince era um artista completo, único. Lamento não ter tido a chance de assistir um concerto do rapaz. Cheguei a acompanhar a transmissão, da Rede Globo, de sua apresentação no Rock In Rio II (1991), mas nunca tive a oportunidade de conferi-lo de perto. Realmente, uma pena. Infelizmente, o músico se foi cedo demais, mas deixou um extenso material de primeira qualidade. Para quem não tem muita afinidade com seu trabalho, esse disco pode ser uma boa parte de entrada. Dê uma chance...

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Variado

Faixas:
      01)   Pussy Control
      02)   NPG Operator
      03)   Endorphinmachine
      04)   Shhh
      05)   We March
      06)   NPG Operator
      07)   The Most Beautiful Girl In The World
      08)   Dolphin
      09)   NPG Operator
      10)   Now
      11)   NPG Operator
      12)   319
      13)   NPG Operator
      14)   Shy
      15)   Billy Jack Bitch
      16)   I Hate U
      17)   NPG Operator 
      18)   Gold

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Ultraje a Rigor – Por Quê Ultraje a Rigor, Vol2 ?



Por Davi Pascale

A galera do Ultraje a Rigor lançou recentemente um novo álbum. Estava esperando ter a oportunidade de ter o disco físico em mãos para fazer a resenha, mas até agora não consegui encontrar. Se alguém souber onde encontro o álbum, me diga, porque gostaria de ter o CD original.

Por Quê Ultraje a Rigor, Vol 2? foi lançado em 2015, exatos 25 anos após a primeira parte. No primeiro volume, os músicos resolveram reviver músicas de seus ídolos, músicas que tocavam com o grupo antes de gravarem o (clássico) Nós Vamos Invadir Sua Praia e se tornar uma banda de sucesso Brasil afora. Mantiveram a alegria do conjunto e o ar de deboche, várias letras foram alteradas para o projeto. A continuação traz um outro espírito. Somente músicas instrumentais dessa vez.

Existe uma outra diferença entre os dois discos. Quando lançaram o Vol 1, os músicos atravessavam uma fase complicada de relacionamento entre eles. Tanto que a banda passou por uma mudança de lineup logo em seguida e o LP trazia a participação especial de outros músicos. Entre eles, os irmãos Andria e Ivan Busic (Taffo, Dr. Sin). O LP também era uma colcha de retalhos. Misturavam sobras de estúdio com músicas gravadas para o projeto. Hoje, a realidade é outra. A formação está estabilizada, os músicos estão de bem com a vida e todas as gravações foram realizadas especialmente para o disco.

Esse ar de alegria transparece nas gravações. Embora não tenha a irreverência esperta de Roger Moreira, o álbum é bem para cima. Quem acompanha o programa do humorista Danilo Gentili já está acostumado à assistir o grupo fazendo vinhetas instrumentais. Aqui, as músicas estão completas. Deixam explicito, mais uma vez, a influência da surf music em seu trabalho. Se já era perceptível nos arranjos de Os Invisiveis e até mesmo em alguns momentos de seu debut, aqui a admiração é escancarada. Os rapazes revivem grupos como The Chantays, The Challengers e The Surfaris.

Ultraje lança álbum instrumental

Não faltam aqui também músicas que foram trilhas de filmes/séries e canções de músicos que foram influências para a galera do surf rock, como Link Wray e Duane Eddy. O material é super bem gravado e a banda está redonda. Nesse tipo de som, quase sempre o que mais se destaca é o trabalho de guitarra, mas vale também destacar a (ótima) performance de Bacalhau.

Dentre as músicas gravadas aqui, minhas preferidas são “Love Pipe”, “O Milionário” (canção que fez muito sucesso no Brasil com Os Incríveis), “Walk Don´t Run”, “Penetration” e a lindíssima “Sleepwalk” (muito lembrada entre os brasileiros por sua aparição no filme La Bamba). 

Por Que Ultraje Vol 2 é um disco bem bacana, para cima, disco bem agradável de escutar. Agora, fico na torcida para que os músicos coloquem esse material nas lojas (se é que já não colocaram e não estou sabendo) e que gravem em breve um CD de inéditas. O rock bem humorado do Ultraje está fazendo falta na cena.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Alegre

Faixas:
      01)   Nitro
      02)   Rawhide
      03)   Arnold Layne
      04)   Love Pipe
      05)   O Milionário (The Millionaire)
      06)   La Cumparsita
      07)   Walk Don´t Run
      08)   Sleep Walk
      09)   Run Chicken Run
      10)   Green Hornet
      11)   Penetration
      12)   Rise and Fall of Flingel Bunt
      13)   March Funebre (Chopin´s Funeral March)
      14)   Rebel Rouser
      15)   Perfidia
      16)   Mae
      17)   Caravan
      18)   Pipeline
      19)   The Man From U.N.C.L.E. Theme 
      20)   Tema de Abertura do The Noite

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Lita Ford – Time Capsule (2016):



Por Davi Pascale

Quem viveu os anos 80 provavelmente se lembra de músicas como “Shot of Poison” e “Kiss me Deadly” nas rádios. Pois bem, Lita Ford acaba de soltar um novo álbum justamente com gravações inéditas dessa época.

Existem artistas que entram no estúdio já para registrar aquilo que será o novo trabalho. Existem artistas que registram músicas e mais músicas e depois fazem um apanhado geral e assim criam o novo disco. Lita Ford parece fazer parte do segundo time.

Time Capsule é um apanhado de canções que nunca haviam visto a luz do dia. Bem, 3 delas - "Where Will I Find My Heart Tonight", "Killing Kind" e "War Of The Angels" - já haviam parecido no álbum Black (1995). Mas, ali, ela havia regravado as canções. Revirou o catálogo dela, pegou 3 músicas que gostava e as modernizou para o projeto. Aqui, temos as músicas em seu formato original. "Where Will I Find My Heart Tonight", traz inclusive um dueto com o cantor Jeff Scott Soto (Yngwie Malmsteen, Talisman) que ficou simplesmente animal!

Lita optou por não alterar as fitas originais. Sendo assim, o que temos aqui é sua sonoridade clássica. Ou seja, linhas vocais que grudam na cabeça. Arranjos predominados por guitarra e teclado. Se você curte os álbuns Stiletto e Lita, pode ir sem medo. Parece uma continuação desses 2 discos. Vários músicos renomados participaram dessas gravações. Jeff não é o único. Além dele, temos aqui Gene Simmons (Kiss), Blues Saraceno (Poison), Dave Navarro (Jane´s Addiction), Billy Sheehan (Mr. Big), Robin Zander (Cheap Trick) e Bruce Kulick (Kiss). Temos ainda Chris Holmes (W.A.S.P.) em uma brincadeira de estúdio que acabou sendo utilizada como uma introdução. Parece aquelas brincadeiras que o Twisted Sister fazia no início de algumas músicas. Divertido!

Disco é formado por gravações inéditas dos anos 80

A sonoridade é 80´s total. "Rotten To The Core" é uma parceria de Lita com o baixista do Kiss. Traz aquela sonoridade mais pesadinha estilo "Gotta Let Go"."Anything For The Wild" traz um clima bem festivo, sonoridade rock de arena. Assim como os clássicos Lita e Stilleto, o disco traz bastante baladas, mas pode ficar tranquilo, tirando a bonita "War of The Angels", não são baladas tão down quanto um "Close My Eyes Forever", a maioria delas é no pique de músicas como "Shot Of Poison" ou "Broken Dreams".

Além de ser uma ótima cantora, Lita Ford sempre foi uma boa guitarrista. Sim, ela era linda, mas certamente não era uma cria de gravadora, a mulher sempre teve talento. Aqui, explora seu lado de guitarrista na (razoável) "On The Fast Track" e na (boa) releitura de "Littlle Wing" (Jimi Hendrix). Ambas, instrumentais.

A maioria das composições são excelentes. Mesmo as baladas são muito boas. Muito bacana a atitude da moça, de revirar os baús e resgatar essas verdadeiras pérolas. Embora eu goste de seus discos mais atuais, tem monte gente que torce o nariz para seus álbuns mais recentes. De todo modo, se você curtiu o trabalho dela na época, pode ir sem medo. Esse é o disco que os fãs das antigas estavam esperando desde Dangerous Curves. Rock on!

Nota: 8,0 / 10 ,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Intro
02) Where Will I Find My Heart Tonight 
03)   Killing Kind
      04)   War Of The Angels
      05)   Black Leather Heart
      06)   Rotten To The Core
      07)   Little Wing
      08)   On The Fast Track
      09)   King Of The Wild Wind 
      10)   Mr. Corruption 
      11)   Anything For The Thrill

terça-feira, 19 de abril de 2016

Magnéticos 90: A Geração do Rock Brasileiro lançada em fita cassete (2016):



Por Davi Pascale

Algo bem interessante acaba de chegar às livrarias. Magnéticos 90 traz um retrato da cena brasileira dos anos 90. Daquelas bandas que vendiam fitinhas cassetes nos seus shows (quando isso era uma necessidade e não um objeto cult) e que participavam dos festivais independentes.

A leitura é rápida, matei o livro em 2 horas. A razão disso é que foi escolhida uma narrativa não muito usual nesse tipo de projeto: a linguagem em quadrinhos. Exatamente, o que temos aqui não é um texto recheado de depoimentos de músicos e jornalistas. É a linguagem de gibi.  As ilustrações, por sinal, são muito bacanas, muito bem feitas.

Quem narra a história é Gabriel Thomaz, que nessa época pertencia ao Little Quail And The Mad Birds. Gabriel vai narrando a sua história artística e vai misturando com a da cena da época. Da galera que foi conhecendo no caminho, das amizades que foram sendo construídas, dos festivais que participavam, de fazer rock em Brasília...

Os músicos dessa geração trocavam fitas demos entre eles. Faziam shows juntos, montavam bandas paralelas com músicos de outras bandas. Um tipo de brothagem que faz toda a diferença no fortalecimento da cena e que hoje em dia, infelizmente, é cada vez mais raro.

Alguns desses grupos se tornaram grandes nomes do rock brasileiro. Alguns exemplos? Raimundos, Planet Hemp, Mundo Livre, Pato fu, Los Hermanos... Não falta por aqui comentário das criações dos selos que foram responsáveis por lançar essas bandas como o Rock It!, o Banguela e o Super Demo. Nem as bandas que bombaram na cena underground, mas nunca tiveram o merecido reconhecimento como Graforreia Xilarmonica, Acabou La Tequila, Filhos de Mengele e Pin Ups.

Gabriel Thomaz e Daniel Juca lançam livro sobre cena independente dos anos 90

Para quem acha que rock n roll é luxo e que as bandas acontecem do nada, esse livro demonstra uma boa dose de realidade. Retrata o esforço para fabricar, divulgar e distribuir as fitas demos. Da dificuldade de conseguir shows, dos perrengues que passam pela estrada, etc etc etc. Glamour é só depois que você se torna um verdadeiro astro do rock. Até lá, é porrada atrás de porrada.

O texto conta com um tom bem descontraído, como se fosse um bate-papo, a linguagem é bem simples e é repleto de histórias curiosas. Existem várias histórias sobre presepadas dos músicos envolvidos que rendem altas gargalhadas.

Magnéticos 90 foi um trabalho de muito suor, onde o músico demorou quase 10 anos para conseguir finaliza-lo. Reeditou cada uma das fitas demos que tinha (segundo ele, mais de 400), sempre que possível fazia um breve comentário sobre como era o som daquela banda, qual música mais agitava, os refrãos que a galera cantava nos shows. O livro apresenta um bom panorama do que foi a cena independente da época.

Como sou colecionador de discos, alguns desses nomes eu já conhecia como Pravda, Killing Chainsaw, Ultramen, Tequila Baby, Virna Lisi... Mas outros, confesso que nunca tinha ouvido falar. Para aqueles que tiverem a curiosidade de conferir um pouco da sonoridade desses grupos, a equipe do livro criou um blog, onde disponibilizam várias das fitinhas demos que eles citam na historinha. O endereço do blog é www.magneticos90.com.br. Projeto divertido e bacana que deveria ser conferido por qualquer pessoa que tenha um mínimo de interesse pelo rock fabricado no Brasil.