terça-feira, 29 de março de 2016

Megadeth – Dystopia (2016):



Por Davi Pascale

Dave Mustaine ataca novamente! Com nova formação, o Megadeth chega à seu décimo-quinto álbum e entrega trabalho honesto e bem resolvido.

Que o Megadeth é um dos pilares do thrash metal ninguém tem dúvidas. Só o que eles fizeram em álbuns como Peace Sells... But Who´s Buying  e Rust In Peace já é mais do que suficiente para colocá-los como um dos principais nomes do gênero. Muitos fãs gostam de ficar comparando-os ao Metallica, já que seu líder fez parte da primeira formação dos caras, mas a verdade é que hoje são 2 bandas distintas. Metallica gosta de ousar mais, de experimentar mais, não ficam mais presos ao rótulo de thrash. Megadeth por outro lado, teve suas experimentações aqui e ali, mas está cada vez mais voltado ao gênero e Dystopia é uma prova disso.

Para o bem ou para o mal, o que temos aqui é um álbum de thrash metal. Sendo assim, tem de tudo para agradar os admiradores do grupo. Claro que não dá para compará-lo à um So Far So Good So What, nem à um Youthanasia, mas o trabalho apresentado aqui é bem acima da média. Os riffs são fortes, o trabalho de bateria é matador e Kiko Loureiro está arrebentando no disco. Diria que é o melhor disco deles desde The System Has Failed.

Há algumas novidades, como uma orquestração na arrastada “Poisonous Shadows” ou a instrumental “Conquer Or Die”, onde temos Kiko demonstrando sua influência de violão clássico no início da música. Muitas qualidades, contudo, foram mantidas. O lado político de Dave Mustaine volta a aparecer em “Post American World”, “The Emperor” e “Dystopia”. A velha influência punk também volta a dar as caras. Essa não é a primeira vez que gravam algo do gênero. Já haviam registrado uma versão explosiva de “Anarchy In The Uk” em seu trabalho de 1987 e “Problems” em seu EP de 1995. Dessa vez, contudo, a escolhida não foi uma faixa dos Sex Pistols. Foi uma faixa da banda Fear. No caso, “Foreign Policy”. Ótima versão, por sinal.

Kiko Loureiro se destaca em novo disco da banda

Dystopia é um álbum típico do Megadeth. Pesado, arrastado, com várias faixas cadenciadas, com vários arranjos em mid-tempo. Dave continua cantando no seu estilo habitual. Pouca coisa mais mole, é verdade, mas nada que frustre ou espante. Faixas como “Death Fom Within”, “The Threat Is Real”, “Bullet To The Brain” e “Melt The Ice Away” já nascem clássicas e devem enlouquecer os fãs nos shows. 

Existe um boato de que Dave Mustaine havia ficado de olho no Pepeu Gomes e chegou à fazer um convite para o rapaz integrar a banda. Isso lá pelo final dos anos 80, início dos anos 90. Muitos questionavam a veracidade do fato. A realidade é que um brasileiro finalmente assumiu o posto de guitarrista do Megadeth. Não foi o rapaz dos Novos Baianos que ficou com a vaga, foi o do Angra.

Embora tenha criado seu nome na cena do heavy metal, Kiko Loureiro também vinha de uma escola diferente. Não era um nome que se imaginava quando se falava de thrash metal. Bom, essa história deve mudar daqui em diante. Kiko brilha nos solos de “The Emperor”, “Poisonous Shadows” e “Fatal Illusion”. Nunca imaginaria que iria dizer isso, mas o cara deu uma revigorada na banda. Pelo visto, a nova formação do Megadeth deu mais do que certo. Agora é ficar na torcida para que esse lineup dure e que venham mais discos como esse em um futuro próximo.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Honesto e inspirado

Faixas:
      01)  The Threat Is Real
      02)   Dystopia
      03)   Fatal Illusion
      04)   Death From Within
      05)   Bullet To The Brain
      06)   Post American World
      07)   Poisonous Shadows
      08)   Conquer Or Die
      09)   Lying In The State
      10)   The Emperor
      11)   Foreign Policy 
      12)   Melt The Ice Away

segunda-feira, 28 de março de 2016

Rolling Stones – Past Masters (2016):



Por Davi Pascale

Nunca se viu tantos produtos relacionados aos Rolling Stones, nas lojas brasileiras, quanto agora. Não é segredo para ninguém que as gravadoras aproveitam as passagens dos músicos pelo país para ganhar um cascalho. Seja retirando produto do estoque e retornando às prateleiras. Seja lançando material naquele período. E as gravadoras pequenas fazem o mesmo.

Past Masters foi lançado por uma gravadora que atende pelo nome de Musik Brothers. Não preciso nem perder meu tempo em dizer que essa não é a gravadora que lança os álbuns dos Stones, certo? Entretanto, há muitos lançamentos bem interessantes dentro desse circuito alternativo. Esse é um deles e é bem fácil de ser encontrado. Está em todas as lojas. Até mesmo nas Saraivas da vida.

Afinal, o que temos de tão especial aqui? Não se trata das músicas que saíram nos compactos do grupo britânico, assim como ocorre na coletânea dupla de mesmo nome dos 4 rapazes de Liverpool. As músicas que haviam sido lançadas nesses disquinhos e não haviam entrado em seus LP´s já foram lançadas em coletâneas ao longo dos anos. A que mais gosto é o box triplo The London Years. O que temos aqui é material inédito do Rolling Stones, focado na primeira fase do grupo. Ou seja, na fase Brian Jones.

As primeiras 11 faixas do disco são músicas que haviam sido gravadas pelos Stones, mas nunca haviam sido lançadas oficialmente. Algumas haviam sido escritas para outros artistas. Caso de “It Should Be You” (segundo Mick Jagger, a primeira música que escreveu ao lado de Keith Richards) “Some Things Just Stuck In Your Mind” e “My Only Girl” (gravadas por George Bean, Dick & Dee Dee e Gene Pitney, respectivamente). Aqui, registradas na voz de seus criadores. “We Were Falling In Love” e “Leave Me Alone” também eram pedidos de seu empresário Andrew Oldham para que pudesse vendê-las para outros músicos. Mas, por algum motivo, não foram gravadas e ficaram perdidas por aí.

Disco traz raridades da fase Brian Jones

Há ainda músicas que os Stones haviam escrito para seus próprios discos, mas na ultima hora resolveram deixar de fora. Caso de “Goodbye Girl”, uma das poucas escritas por Bill Wyman. Há gravações dos Stones na Chess Records homenageando seus grandes ídolos. Caso de “Key To The Highway” de Charlie Segar, “Meet Me In The Bottom” de Willie Dixon e “Go Home” de Arthur Alexander. Sem contar em “Andrew´s Blues”, uma brincadeira de estúdio que nunca deveria ter visto a luz do dia, com os garotos sacaneando seu empresário com uma letra bem irreverente. Justamente por se tratar dos anos iniciais, o som aqui é cru, visceral e altamente influenciado pelo blues.

Completam o disco várias gravações ao vivo, ocorridas entre 1964 e 1965. Performances extremamente honestas e cativantes, onde podemos ouvir a empolgação dos músicos e a histeria das fãs. Pintam por aqui, clássicos como “Carol”, “It´s All Over Now”, “Around and Around”, “Time Is On My Side”, “The Last Time” e “I Just Want To Make Love To You”.

Nos registros ao vivo, a qualidade de som varia um pouquinho, mas na maior parte do tempo é excelente. Mais limpo e mais na cara do que a gravação do histórico Got Live If You Want It. Único registro ao vivo desse período. As faixas de estúdio o som é perfeito! Para quem curte aquele Stones mais visceral, mais sujo, com dois pés no blues, o disco é essencial. Compre, antes que suma do mercado.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Visceral

Faixas:

CD 1:
      01)   Key To The Highway
      02)   Meet Me In The Bottom
      03)   Go Home Girl  
      04)   It Should Be You 
      05)   Andrew´s Blues
      06)   Some Things Just Stick In Your Mind
      07)   Stewed And Keeped (Brian´s Blues)
      08)   We Were Falling In Love
      09)   Leave Me Alone
      10)   Goodbye Girl
      11)   My Only Girl (That Girl Belongs To Yesterday)
      12)   Off The Hook
      13)   The Last Time
      14)   I´m Alright

CD 2:
      01)   Carol
      02)   It´s All Over Now
      03)   Everybody Needs Somebody To Love
      04)   Not Fade Away
      05)   I Just Want To Make Love To You
      06)   Around And Around
      07)   I´m Moving On
      08)   Time Is On My Side
      09)   Confessin´ The Blues
      10)   If You Need Me
      11)   Little By Little
      12)   Hi-Hell Sneakers
      13)   Mona (I Need Your Baby) 
      14)   Down The Road Apiece

domingo, 27 de março de 2016

Jive Bunny & The Mastermixers – The Album (1989):



Por Davi Pascale

Amanhã irei comentar de mais um lançamento, mas hoje decidi que queria manter o clima de festas. O primeiro disco que me veio à cabeça foi justamente esse primeiro LP do Jive Bunny. Na época, me referia à ele como o disco do coelho. Em época de páscoa, difícil outro disco vir à memória...

Atualmente, anda uma febre enorme de DJ´s. Vários deles se apresentando em festivais. Outros dividindo palco com mega-artistas. Lembro que assisti o show de um DJ quando fui ao Estádio do Morumbi assistir a rainha do pop Madonna. Também estamos vendo várias artistas atacarem de DJ em festas. Não é de agora que a profissão se destaca. Nos anos 80, com a explosão das danceterias, houve uma febre do gênero por aqui. No Brasil, um rapaz que fez muito sucesso foi o Iraí Campos que, além de remixar canções de vários artistas de rock brasileiro, também comandou uma série de muito sucesso chamado O Som Das Pistas. Outra série que fez muito sucesso, e tem muito mais a ver com o nosso blog, é a do Jive Bunny.

Estou comentando de tudo isso porque foi exatamente nesse cenário que surgiu o álbum. No meio da explosão de movimentos como house music e acid house. Um DJ inglês que atendia pelo nome de Les Hemstock teve a ideia de reviver os anos dourados. Ou seja, os anos 50 e início dos anos 60. O período que é conhecido como o início do rock n´ roll. Teve a ideia de pegar as músicas daquela época e fazer um LP que pudesse ser tocado nas pistas de dança. Para isso, contou com a ajuda do produtor Andy Pickles e do gerente John Pickes (pai de Andy e, empresário da dupla e dono da gravadora Jive Records).

Trecho do videoclipe da época
Já disse diversas vezes que não consigo compreender a lógica de um show de DJ. Talvez seja um preconceito de minha parte, mas na minha cabeça, sempre foi uma profissão de balada ou de produtor, de dar uma nova cara à um som (como fizeram com “A Little Less Conversation” de Elvis Presley, alguns anos atrás). Mas verdade seja dita, existem vários trabalhos interessantes desses caras. Esse é um deles.

Jive Bunny And The Mastermixers era para ter sido, inicialmente, um compacto. Mas o projeto acabou ganhando vida e se transformando em um LP. Não apenas em um LP qualquer, mas em um sucesso da época. Alguns desses medleys atingiram as paradas. O remix mais famoso é o “Swing In The Mood”.

Como estava dizendo, o projeto nasceu no meio do turbilhão da dance music. A ideia era parecida. Pegavam um tema central, muitas vezes instrumental, para ir costurando as colagens realizadas através de samplers. Assim como ocorria nos megamixes do universo da música dançante.

O grande barato é que as músicas não foram descaracterizadas. Não foram sequer modernizadas. Pegaram uma batida e foram colando as músicas em torno dela. E, mais legal ainda, foram utilizadas as gravações originais. Ou seja, você ouve aqui as vozes de Jerry Lee Lewis, Little Richard, Chuck Berry, Bill Halley, Paul Anka... Todas as principais vertentes da época aparecem por aqui; a surf music, a doo wop, o rockabilly, o twist.

Capa do compacto

São 8 remixes no total. 4 em cada lado. “Swing In The Mood”, “Rock n Roll Party” e “That´s What I Like” privilegiam o rock n roll dos anos 50. Revivem aqui Chubby Checker, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Bill Halley. “Lover´s Mix”, como o nome entrega, é voltado às músicas românticas. Aquelas músicas que o pessoal costumava dançar coladinhos nos bailes da escola: Paul Anka, Everly Brothers, The Tremeloes...

“Do You Wanna Dance” foge um pouquinho da temática principal e corre para os anos 70, revivendo os tempos do glitter com Suzi Quatro, Gary Glitter e T-Rex. “Hopping Mad” apostava nas canções alegres de The Crystals, Beach Boys e Herman´s Hermits. “Glenn Miller Medley” e “Swing Swisters Swing” são mais voltados para o jazz. Na maior parte do tempo, daquela sonoridade meia de big band.

The Album é um disco bem legal para ouvir em uma reunião familiar. Um trabalho bem feito, bem produzido, alegre, recheado de clássicos. Um disco que agrada as crianças e os adultos. Uma boa pedida para soltar essa noite nos alto-falantes. Fica a dica.

Faixas:
      01)   Swing In The Mood
      02)   Rock n Roll Party Mix
      03)   Lover´s Mix
      04)   Do You Wanna Rock
      05)   That´s What I Like
      06)   Glenn Miller Medley
      07)   Swing Sisters Swing 
      08)   Hopping Mad

sábado, 26 de março de 2016

Notícias do Rock


Fique por dentro dos principais acontecimentos do universo do rock n roll. Trocas de lineup? Novo álbum? Nova banda? Nova tour? Comentamos sobre tudo o que envolve a cena. Confira!

Axl Rose no AC/DC?



Todos foram pegos de surpresa quando foi anunciado que Brian Johnson seria forçado à se aposentar por perda de audição. E, agora, todos foram pegos de surpresa, mais uma vez. A banda ainda não oficializou, mas os boatos estão cada vez mais fortes. Ao que tudo indica, Axl Rose se juntará ao AC/DC para cumprir aqueles shows que haviam sido marcados e que Brian não tem condições de fazer. Como tudo que envolve o nome de Axl, a história é um mistério. Aguardaremos os próximos capítulos.


Álbum clássico do Metallica ganha edição de luxo



Dia 11 de Novembro chegará às lojas um box set com material do Kill ´Em All, álbum de estreia do Metallica. O valor de mercado está girando em torno de 150 dolares. A caixa virá acompanhado de 4 LP´s, 5 CD´s, 1 DVD e 1 livro de capa dura. Tudo com material da época do disco. O material é formado por mixagens alternativas, shows da época, entrevistas, EP´s, além do disco remasterizado, é claro.


Paulo Ricardo anuncia novo álbum e nova tour



O cantor Paulo Ricardo está prestes a lançar um novo disco. O cantor jura que o RPM segue na ativa e que em breve teremos novidades da banda. Enquanto esse dia não chega, Paulo lança novo álbum, monta uma nova banda e cai na estrada. Rock? Romantico? Dançante? Só saberemos quando estivermos com o disco em mãos. Fiquem ligados, pois escreverei sobre o álbum nessa página em breve. Aqueles que residem em São Paulo, podem ter uma previa do que está por vir em uma apresentação na casa Tom Brasil, hoje à noite.


Mike Portnoy: celebração em cruzeiro

 


Dia 20 de Abril de 2017, o baterista Mike Portnoy estará comemorando 50 anos. E o artista resolveu celebrar a data de uma maneira um tanto inusitada. Para comemorar seu aniversário, Portnoy anunciou um show em um cruzeiro. Ele promete um show formado somente com estrelas do rock, repassando musicas de toda sua trajetória. A apresentação será parte do anual Cruise To The Edge e ocorre de 7 à 11 de Fevereiro.



Motorhead + Saxon?



Os músicos Mikey Dee e Phil Campbell se unirão ao lendário Saxon para celebrarem Lemmy Kilmister. O evento V8 Thunder Car Series, ocorrido anualmente na Suecia, ganhará um novo nome esse ano: Lemmy 500. No dia 24 de Setembro após a tradicional corrida, o Saxon irá fazer um show e contará com a participação especial de Mikey e Phil. Juntos, relembrarão alguns dos grandes clássicos do Motorhead. Tomara que alguém filme isso!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Stryper – Live In Japan (1986):



Por Davi Pascale

Sexta-feira santa! Dia de lembrarmos da crucificação e da morte de Jesus Cristo. Muitas pessoas optam por não comer carne vermelha no dia de hoje, mas não há nada que te proíba de ouvir um bom rock n roll. Ainda mais quando existem bandas com temática cristã, como essa que tratamos no post de hoje.

O Stryper é uma das mais populares bandas da cena de white metal. Foram a primeira banda do gênero a cruzarem território. Ou seja, saírem da cena local, irem além dos ouvintes de música cristã. E foi exatamente na época dessa apresentação. Seu segundo disco, Soldiers Under Command, foi o primeiro álbum do gênero à atingir disco de ouro. O LP vendeu, na época, pouco mais de 500.000 discos. Um número bem expressivo para a vertente, até então.

O trabalho foi lançado em 15 de Maio de 1985. O show foi gravado em 8 de Julho do mesmo ano. Ou seja, bem no momento da explosão, do alvoroço. O fato de ter sido filmado no Japão, faz com que a histeria seja ainda maior, ganhe ar de uma banda realmente grande. Por alguma razão, os japoneses são apaixonados por heavy metal. Pode notar que, até hoje, os grupos brasileiros comemoram quando há uma turnê por lá. O Viper, por exemplo, gravou seu primeiro álbum ao vivo (Live Maniacs In Japan) na terra do sol nascente.

Músicos tinham preocupação com figurino

Live In Japan foi gravado em 1985, mas só chegou às lojas em 1986. O material nunca foi lançado em vinil. Somente em VHS. Quem colecionava gravações de artistas de heavy metal nos anos 80 e início dos anos 90, eram familiarizados com esse vídeo e com o In The Beginning (filme com clipes e imagens de bastidores). Atualmente, a galera pode correr atrás de um bootleg prensado que atende pelo nome de The End Is The Beginning. O DVD traz as 2 fitas de vídeo e um show raro de 2006. A qualidade de imagem é ótima.

Como era comum entre as fitas da época, principalmente das bandas novatas, o registro não era muito longo. O vídeo dura aproximadamente 55 minutos. O show é uma paulada só. Pouquíssimas falas. Sem solo de bateria ou de guitarra. Som atrás de som. O setlist é super bem dosado. 6 músicas do Soldiers Under Command, 5 do Yellow And Black Attack. Só lamento que tenha ficado de fora “The Rock That Makes Me Roll” e “Reach Out”. Tirando essas, as demais músicas que são essenciais desse período estão aqui.

Haviam algumas mudanças em relação aos shows de hoje. Existiam algumas coreografias. Michael Sweet arriscava algumas dancinhas. Principalmente nas duas faixas onde não tocava guitarra: “Makes Me Wanna Sing” e “C´mon Rock”. Os músicos se vestiam todos iguais, utilizando as cores amarelo e preto, presentes também no palco.  Usavam os cabelos compridos e volumosos, como pedia o figurino. Certamente, o pessoal de igreja não aplaudia o visual dos rapazes tanto quanto aplaudiam a mensagem das letras. Após o letreiro, há algumas rápidas palavras dos músicos e o cantor manda. “Sei que nosso visual não é muito cristão, mas tenho certeza que Jesus julga as pessoas pelo coração e não por sua aparência”. Na real, o visual deles era exatamente o mesmo das bandas de hair metal da época.

A performance de Michael Sweet já chamava a atenção

A banda apostava em um heavy metal direto, mas nunca deixaram de fazer baladas. A escolhida desse show foi “First Love”. Porém, como todo bom grupo de rock, os destaques eram realmente nas porradarias. “Loud n Clear”, “You Know What To Do”, “Together Forever” e “Soldiers Under Command” são os grandes destaques do show.

Michael Sweet já se destacava no trabalho vocal. Canta o tempo todo com a voz para cima, arrisca alguns agudos. Também chamava a atenção na guitarra, embora nesse quesito o tresloucado Oz Fox fosse imbatível. Robert Sweet já tocava, ou melhor, socava sua bateria com o instrumento posicionado de lado. O público ia à loucura com a performance enérgica dos garotos.

A produção de palco era simples, porém eficiente. Logo da banda bem grande atrás do palco, iluminação correta. Ao contrário de vários grupos do segmento, os músicos não são de ficar pregando no microfone. O máximo que faziam era distribuir algumas bíblias em determinado momento do show. Algo que fazem até hoje. As mensagens estão nas letras. Talvez esse seja um dos motivos de conseguirem aproximar várias pessoas que não são exatamente religiosas para suas apresentações. Um show do Stryper é nada mais do que um show de heavy metal. Bumbo duplo, vocal gritado, duelos de guitarra, refrãos fáceis de cantar.

Foi através desse vídeo que me tornei fã do grupo, portanto posso dizer que serve de porta de entrada para quem não conhece a obra dos rapazes. Outra excelente porta de entrada é o magnífico álbum Against The Law, CD que conta com letras mais afastadas da temática religiosa, o que ajudou a perder um pouco de público na época, mas deixaremos isso para um futuro post. Coloque o DVD para rodar e boa sexta-feira santa.

Faixas:
      01)   Make Me Wanna Sing
      02)   Lound n Clear
      03)   From Wrong to Right
      04)   You Know What To Do
      05)   Surrender
      06)   Together Forever
      07)   First Love
      08)   Loving You
      09)   Soldiers Under Command
      10)   C´mon Rock 
      11)   Battle Hymn Of The Republic

quinta-feira, 24 de março de 2016

Álbuns Clássicos: Traveling Wilburys –Vol. 1 (1988)



Por Davi Pascale

Hoje, optei por não falar de um lançamento, mas sim de um álbum clássico. E coloca clássico nisso. O termo pode ser aplicado à sonoridade do disco (totalmente focado nas raízes do rock n roll), pode ser aplicado aos músicos envolvidos e principalmente por ter sobrevivido tão bem à prova do tempo.

Traveling Wilburys nasceu de maneira totalmente despretensiosa. George Harrison estava retornando à ativa depois de um hiato de 5 anos e havia recém-lançado o LP Cloud Nine. Um dos favoritos dos críticos e fãs. Particularmente, considero esse e o histórico All Things Must Pass seus melhores discos solo. Várias músicas ficaram na mente dos fãs: “Devil´s Radio”, “Got My Mind Set On You”, “When We Was Fab”....

Outra que é marcante é o hit “This Is Love”. E foi justamente essa canção, a responsável por juntar esses monstros do rock. Os executivos da gravadora procuraram o beatle pedindo uma faixa inédita para que pudessem utilizar como lado B do compacto. E é aí que nasce o histórico projeto Traveling Wilburys.

George estava sem nenhuma ideia para compor. Jeff Lynne (Electric Light Orchestra), que havia ajudado a produzir seu último disco, o aconselhou a entrar em contato com Bob Dylan e perguntar se havia a possibilidade de utilizarem o estúdio que havia construído em sua casa. O musico aceitou e disse que poderiam ficar o tempo que quisessem. Harrison e Lynne combinaram de se encontrar na casa de Dylan para tentar compor uma música. George Harrison sabia que Jeff estava trabalhando com um de seus maiores ídolos, o cantor Roy Orbison, e perguntou se existia a possibilidade dele aparecer por lá. Tudo acertado, saíram em caminho ao estúdio.

Disco foi o último álbum de Roy Orbison

No meio do trajeto, George Harrison, lembrou que não estava com nenhuma de suas guitarras no carro. Para não retornarem tudo, resolveram fazer uma rápida visita ao músico Tom Petty e questioná-lo se poderia emprestar uma de suas guitarras para a sessão. Assim que o musico soube que Dylan e Orbison estariam por lá, disse que gostaria de ir junto. Assim nascia o Traveling Wilburys.

Os músicos se juntaram. Cada um foi escrevendo um trecho, uma frase e assim nasceu “Handle With Care”. Ao entregar a canção para a gravadora, os executivos ficaram boquiabertos com o que tinham em mãos e decidiram que aquilo era grande demais para ser utilizado em um lado B de um compacto. Acabaram preenchendo o compacto com “Breath Away From Heaven”, uma faixa menor de Cloud 9. Como não eram bobos, questionaram se havia a possibilidade daquela reunião virar um disco. George Harrison se sentiu atraído com a oportunidade de voltar a trabalhar em grupo. Algo que não fazia desde os tempos dos Beatles. E tratou de persuadir os colegas.

Como todos eram amigos, não houve pressão, não havia ego. Todos tinham liberdade para compor ou para cantar. A gravação aproximou os músicos ainda mais. Talvez, por isso o resultado seja tão divertido. Os músicos levaram tão na brincadeira que resolveram apelidar a banda com uma piada interna. Jeff Lynne costuma dizer durante as gravações “we´ll bury in the mix” (iremos desaparecer com isso na mixagem). Por conta disso, começaram a se referir aos equipamentos do estúdio como wilburys. Daí veio a expressão. Incialmente se chamariam The Trembling Wilburys. Jeff Lynne sugeriu trocar Trembling por Traveling. Todos concordaram.

Projeto nasceu de maneira despretensiosa

Vol. 1 é um álbum bem variado. É fácil reconhecer as marcas principais dos compositores com uma rápida audição. Além de “Handle With Care”, fica nítida a as mãos de George Harrison em “End Of The Line” e “Heading for The Light”. Assim como também é fácil reconhecer as mãos de Dylan em “Dirty World” e “Tweeter And The Monkey Man”.

Os músicos seguiram sua tradição. Fizeram um LP com 10 faixas, pouco mais de 30 minutos de gravação, grande cuidado com as melodias vocais, fortes influências do folk e do início do rock  n roll. “Rattled” tem uma pegada bem rockabilly, bem anos 50. “Not Alone Anymore” traz todas as características de Roy Orbison. Parece ter vindo direto de algum disco do cantor. “Last Night” tem uma pegada meio reggae. É bem para cima.

O disco foi bem recebido. “Handle With Care” se tornou um grande sucesso. Infelizmente, a alegria duraria pouquíssimos meses. Em 6 de Dezembro de 1988, Roy Kelton Orbison, foi encontrado morto, vítima de uma parada cardíaca. A banda nunca se apresentou ao vivo. Em 1990, os quatro músicos sobreviventes se reuniram para fazer um segundo e último disco, mas deixaremos isso para outra oportunidade.

Faixas:
      01)   Handle With Care 
      02)   Dirty World
      03)   Rattled
      04)   Last Night
      05)   Not Alone Any More
      06)   Congratulations
      07)   Heading For The Light
      08)   Margarita
      09)   Tweeter And The Monkey Man
      10)   End Of The Line