sábado, 19 de março de 2016

The Cult – Hidden City (2016):





Por Davi Pascale

The Cult volta à atacar. A trupe liderada por Ian Astbury e Billy Duffy, lança seu décimo álbum. Material é responsável por encerrar trilogia e traz uma banda forte remetendo à diferentes fases de sua carreira.

Nunca sabemos o que esperar do The Cult. Os caras podem parar do nada. Podem sair lançando disco atrás de disco. Podem seguir o som de álbum anterior. Podem vir com algo totalmente diferente daquilo que estávamos esperando.

No Brasil, sua fase mais popular é a fase com uma pegada mais hard rock (Electric-Ceremony), mas a discografia dos garotos vai mais além. Já tiveram uma pegada mais gótica, já flertaram com o eletrônico. Já fizeram de tudo um pouco. Hidden City é, provavelmente, seu disco mais variado. Aqui, encerram a trilogia iniciada no (ótimo) Born Into This (2007). Mas o novo álbum é um pouco menos para cima, um pouco mais sombrio, do que seus dois antecessores.

Os grandes destaques continuam sendo as guitarras de Billy Duffy e os vocais de Astbury. Vi algumas pessoas reclamando da voz dele. Não sei como está sua performance nos palcos, mas no disco, achei boa. Está dentro daquilo que esperava.

“Goat” e “Dark Energy” são as duas que trazem um arranjo mais hard, com um ar mais festivo. Nos levam imediatamente ao auge do grupo. “Birds of Paradise” e “In Blood” nos remetem aos anos iniciais, contando com uma forte influência de pós-punk. Enquanto faixas como “Hinterland” nos leva à fase U2. Como disse anteriormente, o álbum tem uma pegada meio sombria. E isso fica evidente em músicas como “No Love Lost”, “Lillies” ou “Sound And Fury” (essa, a mais fraca do CD, na minha opinião). 

Grupo retorna com álbum consistente e variado

O time que está em volta deles é sensacional. Na bateria, temos o monstro John Tempesta (Testament, White Zombie). No baixo, o experiente Chris Wyse (Mick Jagger, Ace Frehley). Na produção, mais uma vez, o lendário Bob Rock. Essa já é a quinta vez que trabalha com os garotos. Tiro certeiro. Sabe exatamente como tirar o melhor da banda. Embora usem referências ao passado, o disco tem um pé no presente. É como se fosse o velho Cult estivesse se adaptando ao hoje. 

Quem colocar Hidden City esperando se deliciar com um ótimo álbum de rock n´ roll, irá se satisfazer. Quem estiver esperando um álbum com uma sonoridade 80´s, algo como um novo Sonic Temple, um novo Electric, poderá se decepcionar. De minha parte, satisfeito! 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Consistente e variado

Faixas:
      01)   Dark Energy
      02)   No Love Lost
      03)   Dance The Night
      04)   In Blood
      05)   Birds of Paradise
      06)   Hinterland
      07)   Goat
      08)   Deeply Ordered Chaos
      09)   Avalanche of Light
      10)   Lilies
      11)   Heathens  
      12)   Sound and Fury

sexta-feira, 18 de março de 2016

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Nervosa divulga detalhes de novo disco

O trio Nervosa
A banda de thrash metal paulista Nervosa divulgou na última semana a capa e tracklist de seu novo álbum, Agony. O disco, que será lançado no dia 03 de junho, mais uma vez pela Napalm Records, é o segundo da carreira do trio feminino. Recentemente a banda esteve em turnê pela América do Norte, divulgando seu primeiro álbum Victim of Yourself. Confira a capa e faixas do novo disco abaixo:


1. Arrogance
2. Theory Of Conspiracy
3. Deception
4. Intolerance Means War
5. Guerra Santa
6. Failed System
7. Hostages
8. Surrounded By Serpents
9. CyberWar
10. Hypocrisy
11. Devastation
12. Wayfarer (Bonus Track)

Baterista deixa o In This Moment

Tom Hane ficou 4 anos na banda
Depois de quatro anos, o baterista Tom Hane deixou a banda de metal alternativo In This Moment. O músico, que havia entrado na banda em 2011, gravou nos dois últimos álbuns do grupo (Blood, de 2012, e Black Widow, de 2014). Segundo o próprio, o motivo de sua saída vem da intenção de focar em outros projetos musicais. A banda não anunciou um substituto até o momento.

Lacuna Coil apresenta informações de seu novo álbum

Capa de Delirium
Os italianos do Lacuna Coil liberaram mais informações sobre o seu aguardado novo disco, o oitavo da carreira da banda. O álbum, que já se sabia que se chamará Delirium, chegará às lojas no dia 27 de maio e contará com onze novas músicas. Esse será o primeiro álbum da banda após a saída de ambos os guitarristas, Maus e Cris Migliori, e do baterista Criz Mozzati. Quem ficou a cargo das guitarras e bateria no novo disco são, respectivamente, Daniel Sahagún e Ryan Folden. Confira a tracklist:

1. The House Of Shame
2. Broken Things
3. Delirium
4. Blood, Tears, Dust
5. Downfall
6. Take Me Home
7. You Love Me 'Cause I Hate You
8. Ghost In The Mist
9. My Demons
10. Claustrophobia
11. Ultima Ratio

Novo álbum de Tarja a caminho

Capa de The Shadow Self
Os fãs de Tarja também não terão de esperar muito por um trabalho novo. Depois de Ave Maria – En Plein Air, onde a cantora finlandesa interpretou releituras clássicas de canções inspiradas na oração que dá nome ao trabalho, agora a cantora irá voltar ao seu lado metal no disco The Shadow Self, que irá ser lançado em vários formatos no dia 05 de agosto. A tracklist do disco ainda não foi divulgada.

Avião do Iron Maiden sofre acidente em aeroporto do Chile

Os membros do Iron Maiden à frente do Ed Force One
Em turnê pela América Latina, o Iron Maiden passou por um susto durante sua passagem pelo Chile. Isso porque o Ed Force One, avião particular da banda que os leva ao redor do mundo em suas turnês, sofreu um pequeno acidente no aeroporto internacional de Santiago. A aeronave, um Boeing 747-400, estava sendo levada para ser reabastecida quando se soltou do reboque, colidindo com o mesmo. Dois operadores tiveram ferimentos leves e a nave sofreu danos nos motores. A turnê da banda segue normalmente, e o grupo já está no Brasil, onde ontem realizou seu primeiro show, no Rio de Janeiro.

quinta-feira, 17 de março de 2016

The Trews – The Trews (2014):



Por Davi Pascale

Os canadenses do The Trews chegam ao seu quinto álbum. Grupo aposta em um pop/rock de qualidade e entrega um disco com diversas faixas cativantes e com ar de hit.

Eles estão na estrada desde 1997, mas descobri a banda recentemente quando recebi o álbum encartado na revista inglesa Classic Rock. Na verdade, iniciaram a ativa com o nome de One L´d Trouse, uma fala de uma música da trupe do Monty Python. Depois, passaram seu nome para The Trouser. E foi somente em 2002 que os rapazes resolveram alterar seu nome para The Trews. Um acerto. Expressão muito mais fácil de pronunciar e escrever.

Vi algumas publicações se dirigindo à eles como uma banda de hard rock. Não conheço seus primeiros discos. Até agora, somente esse CD caiu em minhas mãos. Pelo que ouvi aqui, não os consideraria uma banda de hard rock. Certamente, eles devem curtir o gênero. Há alguns (poucos) riffs que poderiam executados por um grupo do gênero; como o de “New King”, por exemplo. Entretanto, se tivesse que rotular seu som classificaria como pop/rock ou apenas rock.

Sim, existe uma pegada comercial em todo o disco. Refrões pegajosos, guitarra não muito suja, faixas curtas. Banda pronta para tocar na rádio. Não julgo isso como algo ruim, contudo. Principalmente, quando o trabalho é tão bem feito, tão redondinho. The Trews traz fortes influências de Beatles, Collective Soul, R.E.M. Em alguns momentos, me remetem um pouco ao Train. Como podem notar, nada de baixa qualidade.

Grupo aposta em som comercial, mas convence

“Rise In The Wake” começa com uma guitarra levemente distorcida, interpretando um bom riff e com uma bateria bem 70´s. A faixa é muito boa, mas não se deixe enganar. O disco não é inteiro nessa pegada. As que contam que essa influência mais hard, são “What´s Is Fair, Is Fair” e a já citada “New King”. De resto, como já disse, é mais comercial.

É mais comercial, mas a qualidade se mantém. A influência country surge com força nas guitarras de “Age of Miracles” e na balada “65 Roses”. A faixa “The Sentimentalist” poderia ter aparecido nos 2 primeiros discos do Collective Soul. A acústica “In The Morning” traz um dueto com a cantora Serena Ryder. Uma artista canadense de 33 anos. Canta aqui, com uma vez meio rasgada. Como se fosse uma versão mais jovem de Melissa Etheridge. A influência dos quatro rapazes de Liverpool é sentida com clareza em “Living The Dream”, enquanto a bateria de “Under The Sun” deixaria Larry Mullen Jr com um sorrisão de orelha à orelha.

Quase todas as músicas desse disco poderiam se tornar grandes hits, caso ganhassem execução massiva nas rádios. A rapaziada do The Trews demonstra que é possível fazer um som comercial gostoso de se ouvir, com boas melodias, sem soar pasteurizado. Recomendado aos fãs de uma sonoridade mais pop.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Trabalho comercial de qualidade

Faixas:
      01)   Rise In The Wake
      02)   Age of Miracles
      03)   Permanent Love
      04)   The Sentimentalist
      05)   65 Roses
      06)   What´s Fair Is Fair
      07)   Where There´s Love
      08)   In The Morning (c/ Serena Ryder)
      09)   New King
      10)   Living The Dream 
      11)   Under The Sun

quarta-feira, 16 de março de 2016

The Unguided – Lust and Loathing (2016)

Por Rafael Menegueti

The Unguided - Lust and Loathing
A cada novo lançamento, o The Unguided consegue se distanciar mais das comparações do passado de seus integrantes no Sonic Syndicate. O grupo surgiu após a gradual ruptura de três importantes membros da banda anterior, os vocalistas Roland Johansson e Richard Sjunnesson, e o guitarrista Roger Sjunnesson. A intenção deles era voltar a fazer um som que eles planejavam no Sonic Syndicate, mas que não conseguiam por conta do controle que a gravadora impunha sobre eles. Agora, no terceiro álbum de estúdio do The Unguided, Lust and Loathing, é fácil perceber que a banda foi além disso.

A começar pela temática das músicas. O grupo deixou de lado as letras pessoais e simples e passou a criar historias conceituais de ficção científica para ilustrar sua sonoridade. A fórmula musical remete aos primeiros anos de Sonic Syndicate. Riffs agressivos, mistura de vocais gritados (Richard) e limpos (Roland), com refrães incrivelmente melódicos e arranjos de teclado e sintetizadores. Mas se você espera muita inovação a partir disso, aqui não é o caso. Com uma mistura de death melódico, metalcore e groove metal moderna e que apela bem com o público mais jovem, o álbum é praticamente igual aos outros dois primeiros.

Os membros do The Unguided
Isso é ruim? Não. A banda é coesa e tem capacidade pra fazer composições interessantes. Do mesmo jeito que os dois primeiros álbuns são pesados e possuem músicas bem empolgantes, Lust and Loathing não deixa por menos. Abre com a boa Enraged, que possui um nome bastante adequado ao som da banda. The Worst Day (Revisited) dá um banho de melodia e é uma das mais fortes canções do disco. As faixas seguintes mantêm a boa e intensa pegada do grupo, e o disco encontra um novo pico em Black Eyed Angel e Operation: E.A.E. Nas duas últimas canções do disco, Boneyard e Hate (and Other Triumphs), a banda não deixa o ritmo agressivo cair, entregando assim um disco bem equilibrado, sem os altos e baixos que costumamos ver às vezes.

Ainda há quatro faixas bônus, duas delas versões ao vivo de canções mais antigas, e outras duas, chamadas Mercy e Judgement, que já haviam sido lançadas sozinhas em um EP no ano passado, e soam exatamente como as outras. O The Unguided pode até não fazer questão de se renovar a cada lançamento, mas não dá pra ignorar que seu som é potente e é muito mais evoluído do que nos tempos em que seus principais integrantes formavam o Sonic Syndicate. A banda sueca é uma das boas investidas daqueles que curtem um som moderno e atual, sem o preconceito que às vezes encontramos pela mistura de tantos elementos.


Nota: 9/10
Status: explosivo

Faixas:
01. Enraged
02. The Worst Day (Revisited)
03. King Of Clubs
04. Heartseeker
05. Photobs Grip
06. Black Eyed Angel
07. Operation: E.A.E.
08. Boneyard
09. Hate (And Other Triumphs)
10. Mercy (Bonus Track)
11. Judgment (Bonus Track)
12. Betrayer Of The Code (Live)
13. Phoenix Down (live) (Não presente em algumas versões)

terça-feira, 15 de março de 2016

Brollies & Apples – This Is An Organized Orgy (2011):



Por Davi Pascale

Em 2011, chegava às lojas o álbum de estreia do Brollies & Apples. Lançado de maneira totalmente independente, músicos brincavam com a ideia de flertar o eletrônico com o rock n roll. Disco é bem resolvido e deve agradar aos fãs do gênero.

Brollies & Apples nasceu de maneira totalmente inusitada. As duas garotas da banda – Bianca Jhordão (Leela) e a escritora Carol Teixeira – se conheceram durante uma premiação, se tornaram grandes amigas e resolveram fazer uma bagunça juntas. Dessa bagunça, nasceu o conjunto.

Em outras épocas, esse disco bombaria nas danceterias. Repleto de programações eletrônicas, guitarras roqueiras, conta com uma pegada bem jovem, sonoridade típica das boates das grandes metrópoles. Sujo, sensual, pra cima.

O grupo entrega aqui um álbum que poderia ser intitulado de electrorock. Para quem nunca ouviu ter uma vaga ideia, algo como uma feliz mistura entre Garbage e Cansei de Ser Sexy Trouxeram as guitarras sujas do grunge, a batida das discotecas.

O marido de Bianca Jhordão (Rodrigo Brandão, guitarrista do Leela) e o marido de Carol Teixeira (Fredi Endres, guitarrista do Comunidade Nin Jitsu) completaram o time. Fredi, além de ajudar nas guitarras, ficou responsável pelas programações, pela produção e pela mixagem. O som não é tão organizado quanto sugere o nome do disco. Pelo contrário, é bem experimental, bem viajadão.

Banda flerta rock com eletrônica em projeto bem sucedido

Carol ficou responsável pelas letras. Como não gosta de músicas com letras em português e fazem um som que não é exatamente brasileiro, optou por escrever em inglês. As letras falam sobre possessão, desejos. As duas dividem os vocais, mas nesse território quem se sobressai é realmente a Bianca. Mais segura, com maior domínio, maior confiança.

This Is An Organized Energy é muito bem gravado. As guitarras estão bem timbradas, as programações estão bem resolvidas. O disco tem uma pegada pop, mas não é um álbum descaradamente comercial. OS arranjos são um pouco complexos. Não é aquele som quadradinho, clichezão. Meia hora de pura viagem. Para quem curte um som dançante e repleto de atitude, é uma boa pedida.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Dançante e com atitude

Faixas:
      01)   Rented Dreams
      02)   She
      03)   Why Would You Read Shakespeare?
      04)   Roller Coaster
      05)   Lack of Ability
      06)   Organized Orgy
      07)   I Want My Hype In Money
      08)   Not My Fault
      09)   So What 
      10)   Sei

segunda-feira, 14 de março de 2016

Discografia Comentada: Trivium

Por Rafael Menegueti

Formação atual do Trivium
Uma das bandas com a trajetória mais interessante dentre os novos grandes nomes do metal americano é o Trivium. O quarteto de Orlando, Flórida, cresceu e se desenvolveu ao longo dos anos produzindo discos incrivelmente empolgantes e mostrando uma enorme evolução entre um trabalho e outro. A cada novo lançamento, crio mais admiração pelo trabalho de Matt Heafy (vocal e guitarra), Corey Beaulieu (guitarra e vocal de apoio) e Paolo Gregoletto (Baixo e backing vocals), que amadureceram em meio a cena e seus fãs.

A banda passou por algumas mudanças de formação, principalmente na bateria, mas basicamente, os três integrantes citados são os grandes responsáveis pela direção que a banda toma em sua sonoridade. Matt Heafy entrou pra banda ainda adolescente, após surpreender os outros integrantes durante seu teste. Curiosamente, Matt é o único da formação original que segue na banda, tendo virado rapidamente seu líder e principal compositor.

Ember To Inferno (2003)


Ainda muito jovens e sem muita experiência, os rapazes gravaram uma demo de sete músicas que chamou a atenção de uma gravadora alemã, a Lifeforce. Com isso, eles gravaram seu primeiro disco, que contava com Matt nos vocais e guitarra, além de Brent Young, no baixo (único disco dele com a banda), e Travis Smith na bateria. O guitarrista Corey Beaulieu entraria na banda apenas após a gravação. O resultado das gravações foi um disco sólido e agressivo. Uma banda com um metalcore cru e cheio de melodia. Ember To Inferno é simples, mas agradável. Tem o peso necessário e mostra uma banda incrivelmente promissora. Destaques: Requiem, Ember to Inferno, When All Light Dies.


Ascendancy (2005)


No seu segundo trabalho, a banda traz uma sonoridade ainda mais solta. Os gritos de Matt Heafy estão ainda mais agressivos, os solos de guitarra mais bem trabalhados e os riffs continuam bem pesados. Agora, o grupo debutava na gravadora Roadrunner, e com isso esse trabalho acabou ficando bem mais elaborado, o que garantiu a ascensão da banda (talvez até por isso o nome Ascendancy). Com uma forte influência thrash, a banda seguiria a partir dessa pegada nos trabalhos seguintes. Nesse disco estreiam em estúdio Paolo e Corey, marcando o inicio da formação mais popular da banda e da melhor química entre os integrantes. Destaques: Rain, Like Light to the Flies e A Gunshot to the Head of Trepidation.


The Crusade (2006)



A banda não perdeu tempo e um ano e meio depois lançou seu terceiro álbum. The Crusade mostra uma banda ainda mais entrosada e com um domínio maior de técnica. A maturidade das composições é bem mais perceptível e cada vez mais o grupo usa influências que variam do heavy metal clássico e thrash. Possivelmente esse seja um dos álbuns favoritos de muitos fãs da banda, e que garantiu um respeito ainda maior dentro da cena. Destaques: Anthem (We Are The Fire), Becoming The Dragon, The Rising, To The Rats.


Shogun (2009)



Chegamos a um momento de ápice na popularidade da banda. Shogun, o quarto álbum de estúdio é considerado pela maioria dos fãs o melhor trabalho do Trivium. As composições estão bem mais complexas e bem trabalhadas, com a banda investindo em uma sonoridade mais atmosférica e pesada. Era a combinação perfeita das influencias clássicas com um estilo novo e único que a banda possui. Apesar do sucesso, as coisas seguiriam mudando. Uma das primeiras coisas a mudar foi a formação da banda, com o baterista Travis Smith deixando o grupo. Destaques: Kirisute Gomen, Down From the Sky, Throes of Perdition e Shogun.


In Waves (2011)


Da complexidade de Shogun, a banda partiu pra algo mais direto e simplificado em In Waves. Com uma agressividade mais latente e apostando em riffs mais curtos, a banda seguiu tendo um som bem atual e empolgante. Mesmo assim, o disco acabou dividindo um pouco os fãs, que demoraram a entender a opção por simplificar nesse trabalho. O álbum, apesar disso, possui algumas das faixas mais cativantes da banda. Foi o primeiro disco a contar com o ex-técnico de bateria, Nick Augusto, na banda, substituindo Travis. Destaques: In Waves, Black, Built to Fall.


Vengeance Falls (2013)


Muito marcado por ter sido o álbum produzido por David Draiman, líder do Disturbed, Vengeance Falls acaba sofrendo com as comparações com a banda de David. De fato, a sonoridade que o produtor trouxe para o trabalho é bem perceptível, mas eu encaro esse álbum como uma das melhores apostas da banda. Dessa vez a banda trouxe mais equilíbrio entre o peso e a melodia, entre a sonoridade antiga e a nova proposta. O álbum é bem cativante, especialmente pelos bons refrães, e mostra um Trivium ainda mais moderno e elaborado. Vengeance Falls também é o ultimo álbum com Nick Augusto na banda. Destaques: Strife, Brave This Storm, No Way to Heal.


Silence In the Snow (2015)



O álbum mais recente da banda é também o que trouxe mais novidades. Algumas os fãs sentiram bastante, como a completa falta de vocais gritados no disco. E isso foi intencional. Matt Heafy deixou claro que estava disposto a fazer um trabalho vocal totalmente limpo dessa vez, e investiu em um estilo que unia mais o metal clássico com a proposta moderna da banda. Apesar das mudanças, toda a criatividade da banda para criar riffs, a boa sincronia das guitarras de Matt e Corey, a ótima pegada rítmica, fazem de Silence In The Snow o mais ambicioso e bem elaborado disco da banda. Um passo enorme na direção de se tornar uma das grandes referencias do metal de nossa geração. Unico álbum com Mat Madiro na bateria, que pouco após seu lançamento, foi substituido por Paul Wandtke. Destaques: Silence In The Snow, Blind Leading the Blind, Dead and Gone, Until the World Goes Cold.

domingo, 13 de março de 2016

O Adeus à George Martin





Por Davi Pascale

Essa semana foi uma semana negra para os amantes do rock n´roll. Perdemos recentemente Keith Emerson. O tecladista do Emerson Lake & Palmer, influência direta para 10 entre 10 tecladistas, foi encontrado morto em sua casa. Ao que tudo indica ele se matou com um tiro na cabeça por conta de uma forte depressão. O músico estaria abalado por conta de uma doença degenerativa na mão direita, que o impedia de fazer milhares de coisas. Inclusive, de tocar teclado. Mas a morte que mais me entristeceu foi a de George Martin. O lendário produtor dos Beatles.

Quando chegou a notícia, ninguém acreditou. Tudo bem, o rapaz já tinha uma idade avançada. O fato é que apenas 2 dias antes, havia sido vítima de uma trollagem na internet, justamente brincando com sua morte. O que o obrigou a fazer uma declaração dizendo estar vivo. Quando recebemos a notícia, acreditamos que era uma repercussão do tal boato. 

Nunca entendi esse povo que fica matando gente na internet antes do tempo. Além de ser uma brincadeira de péssimo gosto, pode levar os familiares ao desespero. Certa vez, assisti uma entrevista do cantor porto-riquenho Ricky Martin dizendo que acordou de madrugada com um telefonema de seu irmão, pedindo para que o mesmo ligasse para sua mãe o quanto antes, pois ela havia recebido uma noticia de que ele havia morrido em um acidente de carro e não parava de chorar. O autor da brincadeira divulgou, inclusive, um falso vídeo da tal batida apontando que o motorista era o cantor. Incrível como esse pessoal tem tempo livre... Todos só passaram a acreditar na morte de George Martin quando Ringo Starr, baterista dos Beatles, publicou uma homenagem ao produtor em seu twitter.

George Martin não foi um produtor qualquer. Pelo contrário, é considerado um dos grandes produtores do rock. Não apenas por ter trabalhado com os Beatles, mas principalmente por tudo o que fez pelos Beatles. Era considerado, e não era nenhum exagero, o quinto beatle. Claro, os músicos eram fantásticos. A banda era mágica, mas sem suas mãos acredito que teriam trilhado um caminho diferente.

Martin teve diversas sacadas à frente de seu tempo. Muitas sacadas que revolucionaram não apenas a música dos Beatles. Mas a música pop em geral. Ele brincava com a velocidade das fitas de gravação. Na canção “Rain”, por exemplo, para criar aquela sonoridade meio psicodélica, ele gravou o instrumental em uma velocidade, a voz de John em outra e brincou com as duas fitas na mixagem. Nessa mesma música, explora outra de suas técnicas. Gravar com efeito reverso. Efeito que utilizou diversas vezes. Não apenas nos vocais, mas também no instrumental dos Beatles. A guitarra de “I´m Only Sleeping”, o chimbal de “Strawberry Fields Forever”. Foi tudo gravado com essa técnica.

George Martin também já brincava com colagem para corrigir trechos, décadas antes da criação do Pro Tools. Em “Strawberry Fields Forever”, John Lennon queria misturar dois takes que estavam em velocidades e tonalidades diferentes. Martin conseguiu isso. Alterou a velocidade das duas fitas e fez uma colagem. Foi ele que trouxe à influência de música clássica à música dos quatro rapazes de Liverpool. As orquestrações de “Yesterday” e “Eleanor Rigby” são ideias dele. Sem contar o lado B do LP Yellow Submarine.

É incrível como ele brincava com os poucos recursos da época. Atualmente, existem mesas de som com 64 canais digitais. O rapaz gravou o Please Please Me com uma mesa de 2 canais analógicos. O mais impressionante, contudo, foi a gravação de Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band. Onde gravou uma infinidade de instrumentos, efeitos e vocalizações com uma mesa de 4 canais. Se você pegar um produtor atual, um técnico de gravação atual e pedir para repetir o feito, muito provavelmente irão te entregar um disco com sonoridade abafada, sem brilho. Até hoje, esses discos soam mágicos, quando colocamos o LP para rodar.

Sua carreira não ficou restrita aos Beatles. Ao todo, produziu mais de 700 discos. Sting, Cilla Black, Elton John, Cheap Trick, Jeff Beck, America, Paul McCartney, Celine Dion... Todos eles tiveram a mão de George Martin em algum momento de sua carreira. Podemos dizer, sem medo de errar, que dificilmente teremos outro produtor com a criatividade e o profissionalismo dele algum dia. A música já sente sua falta...