sexta-feira, 11 de março de 2016

Bruce Kulick: Manifesto Bar (05/03)




Por Davi Pascale
Texto Publicado Originalmente no site Consultoria do Rock

E lá fui eu me aventurar em mais uma passagem do Bruce Kulick pelo Brasil. Tive a oportunidade de assisti-lo quando esteve com o Kiss em nosso país (na primeira edição do Philips Monsters of Rock, em 1994) e outras duas vezes, quando esteve em uma situação parecida com a de sua última passagem. Em 2007, onde esteve acompanhado da banda Killers e do vocalista Zeca Salgueiro (Mundo Cão), e em 2013, onde esteve acompanhando da banda Killers e do cantor argentino Sebastian Gava (Kefren, Mafia). Dessa vez, quem assumiu a bronca foi a banda Parasite.

Cheguei na casa pouco após às 16h. O Kiss sempre foi minha banda do coração. Sendo assim, não perderia a oportunidade de participar do Meet & Greet com o músico. Fui um dos primeiros à entrar na casa e tive a oportunidade de assistir o final da passagem de som. A banda cover já estava com os rostos pintados, mas sem as perucas e as roupas de show. Bruce fazia suas últimas checagens no equipamento. Timbragem, afinação, volume. Infelizmente, não tirei fotos desse momento. Estava assistindo à tudo com atenção. A habilidade do rapaz no instrumento é algo invejável.
17h! Chegado o horário do tal Meet & Greet. Já tinha conhecido o rapaz na vez anterior, quando falei com ele e com Sebastian Gava no final do show. Ambos, muito educados e solícitos. Como a fila estava muito grande, pedi para assinar 3 itens, tirei uma foto, agradeci a atenção e me mandei. Dessa vez, a empresa responsável pelo evento, avisou quem comprou o Meet que não haveria limites de ítens para assinar. Que o artista apenas se resguardava no direito de poder assinar ou não, caso alguém chegasse com uma coleção muito grande. Levei 6 ou 7 discos que considero raros na esperança de assinar com ele. E eis nossa decepção. Assim que chegamos no local, ouvimos que não assinaria mais do que 3 itens para cada. E o mais louco de tudo. Várias pessoas só puderam pegar uma assinatura. Mal pisavam na frente dele e já eram pressionados para saírem fora o quanto antes. A razão disso tudo? Provavelmente, venderam mais ingressos do que poderiam. E uma vez que o atendimento era antes do show… Entendo que para o músico é puxado dar milhares de autógrafos, mas do jeito que ocorreu, deu um ar de desorganização. Prometeram uma coisa. Entregaram outra.
Eu com Bruce Kulick no Meet & Greet
As pessoas que tinham esse ingresso tiveram acesso antes à área de merchandising. Consegui garantir 2 vinis (KKB e BK3) e um CD (nova edição do KKB). Fui obrigado a pagar com dinheiro vivo. Não havia maquina de cartão. Não vou dizer que os produtos estavam com valores abusivos, mas também não estavam uma pechincha. Diria, justo. Nos 3 discos, gastei 400 reais. Achei um erro. Devem ter perdido muito venda. Fiquei quieto. Estava ali para curtir a noite. Comprei os discos, fiquei na minha. Conversei com outros fãs. Não posso reclamar do Bruce. Mais uma vez, muito educado. Conversou comigo, enquanto assinava. Topou assinar até alguns itens a mais. Assinou os 3 que comprei e mais 3 dos que levei. Mas como disse, achei o evento desorganizado. Espero que solucionem na próxima vez. Já que estamos na era do politicamente correto, tenho certeza que receberei reclamações por meus parágrafos iniciais. Portanto, já deixo avisado que mais do que uma crítica, é um alerta. Acho que é papel de quem cobre o evento comentar dos acertos e dos erros. Só assim, esses podem ser sanados em uma próxima edição.
Bem… Vamos ao show. A apresentação iniciou sem muito atraso. Os músicos fizeram igual ao Kiss. Tocaram “Rock N´Roll” (Led Zeppelin) nos falantes, deixaram um pano preto estendido na frente do palco com o logo do Kiss desenhado. No final da música, entraram com “Creatures Of The Night” enquanto o pano ia ao chão. Idêntico ao que o Kiss realizou no Monsters of Rock 2015.

Parasite antes do Bruce Kulick subir ao palco

A primeira meia hora de show, fizeram sozinhos. Os músicos tiveram a preocupação de utilizar instrumentos similares. Buscaram fazer os movimentos de palco que seus ídolos faziam. A banda fez uma apresentação com bastante garra. Gustavo Winck (catman) esmurrava a bateria sem dó. Erico Soares (demon) colocava a língua para fora e imitava os movimentos de braço de Gene. Felipe Piantá (starchild) agradecia o tempo todo ao público e não parava de comentar sobre a participação do Bruce. Vale comentar também sua presença de palco. Um dos melhores caras que vi para fazer os movimentos de palco do cantor do Kiss. Colocava palheta na língua, jogava palheta pro publico, fazia biquinho, se jogava no chão. O único senão é que ele é canhoto. As músicas de Stanley são bem difíceis de serem cantadas. Achei que ele segurou bem a bronca. Fernando Santos (Spaceman) é quem menos se movimenta no palco, mas interpreta os solos corretamente. Estavam, visivelmente, felizes. A casa estava cheia, mas não exatamente lotada. Na vez anterior, o público foi maior. Provavelmente, por conta do preço dos ingressos. Mas quem apareceu, curtiu. A banda estava muito bem entrosada e fizeram por merecer a conquista. Nessa primeira parte, rolaram clássicos como “Love Gun”, “Let Me Go, Rock n´ Roll”, “Deuce”, “War Machine” e “Black Diamond”.
E eis que chega a hora de Bruce Kulick subir ao palco. Extremamente aplaudido, o rapaz demonstrou simpatia, mais uma vez. Conversava com a plateia, fazia brincadeiras, sorria o tempo todo. Parece estar em uma fase de bem com a vida. Enquanto músico, não há o que questionar. O cara é um monstro. Toca com uma puta vontade, tem uma habilidade impressionante no instrumento, uma técnica e um conhecimento invejável.
Bruce Kulick com a banda Parasite
Nessa segunda parte, focaram mais nas músicas da fase desmascarada. Os músicos já haviam avisado que focariam no Alive III para a criação do repertório. Dali, vieram “Domino”, “Unholy”, “Forever”, “God Gave Rock n Roll To You II”, “Heaven´s On Fire”, “Lick It Up”… Trouxeram também alguns clássicos que não foram regravados no álbum de 1993: “Tears Are Falling”, “Hide Your Heart”, além de um medley com “Crazy, Crazy Nights” e “Turn On The Night”. Show, no mínimo, respeitoso. Quem é fã do músico, certamente não tem do que reclamar. A noite, obviamente, foi encerrada com a execução do hino “Rock n´ Roll All Nite”. Não tinha como ser diferente.

Vi algumas pessoas na internet tentando diminuir o evento e questionando a participação do Bruce. É sempre bom lembrar que esse tipo de evento só é recomendado para aqueles que são realmente fãs da banda ou do músico. E não é para ser encarado como um show solo. Sim, como uma festa, uma celebração, com a participação de uma figura que foi importante na trajetória do grupo original. Para quem é fã, o evento é mágico. Não tem nada mais emocionante do que ver seu ídolo tocando ali, debaixo do seu nariz, músicas que foram trilha sonora da sua vida. O saldo final da noite foi extremamente positivo. Uma noite realmente bacana, com diversos momentos memoráveis. A empresa acertando os detalhes do meet na próxima vez, teremos um evento para ninguém botar defeito. Keep on rockin´!
Setlist:
      01) Creatures of the Night 
      02) Deuce 
      03) Love Gun 
      04) Let Me Go, Rock ‘N’ Roll 
      05) War Machine 
      06) Psycho Circus 
      07) I Love It Loud 
      08) Black Diamond 
      09) Heaven’s on Fire (c/ Bruce Kulick)      
      10) Domino (c/ Bruce Kulick) 
      11) Tears Are Falling (c/ Bruce Kulick) 
       12) Hide Your Heart (c/ Bruce Kulick) 
      13) Forever (c/ Bruce Kulick) 
      14) Unholy (c/ Bruce Kulick) 
      15) Crazy Crazy Nights / Turn on the Night (c/ Bruce Kulick) 
      16) God Gave Rock ‘n’ Roll to You II (c/ Bruce Kulick) 
      17) Lick It Up (c/ Bruce Kulick) 
      18) Detroit Rock City (c/ Bruce Kulick) 
      19) Rock and Roll All Nite (c/ Bruce Kulick)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

AC/DC adia turnê por problemas auditivos de Brian Johnson

Brian Johnson, do AC/DC
Os australianos do AC/DC foram forçados a adiar todas as apresentações que fariam durante esse mês por conta de uma ordem médica. O vocalista Brian Johnson, com problemas auditivos, foi instruído a se afastar dos palcos, sob o risco de perda definitiva da audição. Segundo informações, a causa dos problemas teria sido sua paixão pelo automobilismo, e não a banda. O grupo, em comunicado, afirmou que deve remarcar as datas para o fim do ano, provavelmente com um vocalista substituto convidado. Os primeiros boatos de nomes começam a pipocar pela internet, entre eles o vocalista original da banda, Dave Evans, e Jimmy Barnes.

Rush anuncia aposentadoria dos palcos

Rush: Essa cena não deve mais se repetir
Os canadenses do Rush confirmaram aquilo que já era especulado há algum tempo. A banda não deve mais realizar turnês. Segundo o guitarrista Alex Lifeson afirmou em entrevista à Rolling Stone, o principal motivo seria o baterista Neil Peart, que não tem mais vontade de realizar turnês e quer se dedicar mais a família e a cuidar de sua saúde. A turnê R40, que comemorava os 40 anos da banda e se encerrou em agosto do ano passado, já havia deixado Neil no seu limite, o que o fez declarar que não pretendia mais tocar no final do ano passado.

De La Tierra anuncia novo álbum

Os integrantes do De La Tierra
O projeto de metal latino, integrado por músicos argentinos, além de Andreas Kisser, do Sepultura, e o mexicano Alex González, do Maná, De La Tierra, está preparando seu segundo disco. Ainda não há muitos detalhes sobre a produção do trabalho, mas a expectativa é de que o álbum seja lançado ainda em 2016. A banda abriu um dos dias do Palco Mundo, no Rock In Rio do ano passado.

Melvins anuncia álbum com participação de Krist Novoselic

Uma das bandas pioneiras no movimento grunge, o Melvins anunciou uma novidade inusitada em seu novo álbum. A banda de Buzz Osborne e Dale Crover (aquele mesmo que tocou bateria no Nirvana por um breve período) irá contar com participações de seis baixistas diferentes no disco Basses Loaded. Dentre os nomes estão JD Pinkus (Butthole Surfers), Travor Dunn (Mr Bungle, Fantomas) e Krist Novoselic, ex-Nirvana. O álbum será lançado no dia 06 de junho.

Hammerfall planeja disco novo para novembro

Os suecos do Hammerfall
O Hammerfall está preparando seu novo álbum de estúdio, o décimo de sua carreira. A banda sueca de power metal ainda não definiu o nome do disco, mas ele já tem data pra sair: 04 de novembro. Esse será o primeiro disco da banda na nova gravadora, a Napalm Records. O grupo anunciou nessa semana a mudança, depois de um longo período na Nuclear Blast. O último trabalho da banda, (r)Evolution, foi lançado em 2014.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Leif´s – Fobus In Totum / Nem Sei de Mim (2014):





Por Davi Pascale

Raro compacto dos Leif´s foi relançado recentemente em uma embalagem luxuosa. Compacto marca importante transição de um renomado músico brasileiro e durante muitos anos foi item de colecionador.

Afinal, quem é Leif´s? E que músico é esse? Leif´s foi um grupo de rock brasileiro surgido no final dos anos 60 no meio daquele turbilhão de tropicália, ditadura militar e afins. Hoje, muitos não sabem de quem se trata. Na época, eram bem respeitados, principalmente entre os músicos. Seu registro mais conhecido é justamente um que realizaram como banda de apoio. Em 1969, Gilberto Gil convidou os rapazes para acompanharem ele e Caetano no show que realizariam de despedida (os músicos haviam sido exilados). Havia ficado impressionado com uma apresentação que tinha assistido na televisão. Esse registro chegou ao mercado em 1972 com o nome de Barra 69.

Nesses três anos que se sucederam, os garotos dos Leif´s fizeram algumas gravações. Duas delas foram lançadas em um compacto com o nome de Os da Bahia. Jogada de marketing da gravadora. Os músicos não gostaram da ideia, ficaram extremamente putos. Portanto, a ideia de relançar com o nome original é meio que um modo de corrigir um erro do passado. Sim, é exatamente esse o disquinho que retornou ao mercado. As demais gravações permanecem inéditas.

Antes de sair do Brasil, Gilberto Gil presenteou o guitarrista da banda com o LP Smash Hits, de Jimi Hendrix. O garoto havia iniciado sua trajetória como baixista, onde havia tido uma certa repercussão com um grupo chamado Os Minos. Mais um grupo que teve sua discografia restrita à compactos (nesse caso, 2). A partir daqui, se tornaria guitarrista. E não um guitarrista qualquer. O garoto, no caso, é um músico chamado Pepeu Gomes.

 A influência de Jimi Hendrix pode ser sentida na audição do compacto. Já assisti várias entrevistas de Pepeu, onde comenta a importância que o guitarrista de Seattle teve na sua formação musical. Talvez, muitos tenham dificuldade de ligar uma coisa à outra. Até porque Pepeu Gomes desenvolveu um estilo próprio, misturando inclusive técnicas de música brasileira. Aqui, contudo, é bem nítido. Os Leif´s faziam um rock n roll psicodélico, meio experimental, tinha a ver com o som dos artistas tropicalistas.

Completavam o time: Jorginho Gomes, Carlinhos Gomes e Leif Erickson Lico. As músicas, ambas da dupla Pepeu/Lico, eram curtas. Pouco mais de 2 minutos cada. Muitos artistas tropicalistas ficaram marcados por trabalhar de maneira escancarada a influencia da musica brasileira nos arranjos. Aqui, esse lado regional é bem mais sutil. O que fala alto aqui é mesmo a guitarra de Pepeu. As músicas são muito boas. Minha favorita é a faixa do lado A, “Fobus In Totum”.

Essa nova edição é muito bacana. O disco ganhou uma capa, encarte e a primeira edição vinha junto com um pôster. A qualidade do áudio está muito boa. Disco indispensável na coleção de quem curte rock nacional. Na torcida para que mais pérolas sejam resgatadas no decorrer dos anos.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
      01)   Fobus In Totum  
      02)   Nem Sei de Mim

terça-feira, 8 de março de 2016

Lacey Sturm – Life Screams (2016)

Por Rafael Menegueti

Lacey Sturm - Life Screams
Os fãs do Flyleaf ficaram um pouco órfãos quando Lacey Sturm anunciou que estava saindo da banda, em 2011. O grupo de rock alternativo da cena cristã formado no Texas estava em um ótimo momento na carreira quando, na véspera do lançamento do terceiro álbum, New Horizons, a cantora anunciou oficialmente sua saída da banda. O grupo seguiu em frente com uma nova vocalista e Lacey buscou se dedicar a família, lançou uma autobiografia, e fez uma participação em uma música da banda We As Humans. Agora, ela definitivamente volta à ativa com seu primeiro álbum solo, intitulado Life Screams.

Nesse trabalho, Lacey volta a mostrar sua boa desenvoltura e capacidade de criar canções de rock cativantes e únicas. A energia é bem próxima de seus trabalhos com o Flyleaf, e suas motivações também. A cantora tem uma experiência de vida interessante, tendo passado por problemas com drogas ainda antes da adolescência, depressão e problemas familiares. Mas a vida dela mudou quando encontrou a religião. E após converter-se ao cristianismo, passou a fazer música com o propósito de tocar a vida das pessoas, através de suas próprias experiências. Life Screams é mais um trabalho com essa marca.

A vocalista ex-Flyleaf, Lacey Sturm, lança seu primeiro álbum solo
A cantora assina a maior parte das canções com seu marido, Josh Sturm, guitarrista da banda Kairos. Em algumas composições, ela conta com a parceria da guitarrista Korey Cooper, integrante do Skillet. E diferente de sua fase no Flyleaf, fica nítido aqui uma maior liberdade para ampliar seus horizontes musicais além das influências de post hardcore, metal e pop rock. O hard rock começa a fluir através da primeira canção, o ótimo single Impossible. Estilo que se segue também em faixas como I’m Not Laughing, The Soldier e Rot. Em outros momentos, o disco ganha tons intimistas, como nas canções Life Screams, Faith e na faixa final, Run to You. Com uma veia mais pop e radiofônica, You’re Not Alone e Feels Like Forever também empolgam.

Outro momento que chama a atenção fica com a cover de Roxanne, do The Police, em versão ao vivo e que ganhou arranjos bem rock n’ roll, mais intensos e modernos do que a versão original da banda de Sting. E é essa a grande marca do trabalho de Lacey. É rock n’ roll, intenso e atual. Tem energia e uma mensagem pra mostrar. Life Screams coloca de volta a cantora entre os nomes a serem observados dentro do rock alternativo, e não falo apenas das paradas de rock cristão. A música dela fala com todo mundo, independente do que você acreditar.


Nota: 8/10
Status: Enérgico

Faixas:
01. Impossible
02. The Soldier
03. I'm Not Laughing
04. Vanity
05. Rot
06. You're Not Alone
07. Feels Like Forever
08. Life Screams
09. Faith
10. Roxanne (The Police Cover Live)
11. Run To You

segunda-feira, 7 de março de 2016

KKB – Got To Get Back (2015):



Por Davi Pascale

Ex-guitarrista do Kiss reedita álbum raro. Gravado despretensiosamente nos anos 70, material impressiona pela qualidade das músicas e pelo nível dos instrumentistas. Álbum recomendado não apenas aos fãs de Kiss, mas aos fãs de rock setentista em geral.

Bruce Kulick ficou conhecido mundialmente ao integrar o grupo norte-americano Kiss. Se juntou ao grupo em 1984 substituindo Mark St John e permaneceu no mesmo até 1996, quando foi afastado do Kiss para retornarem a formação original. Bruce ajudou a reinventar a sonoridade do grupo ao trazer seu estilo mais técnico. Mas antes que conseguisse esse destaque, era apenas mais um (ótimo) músico correndo atrás de seu ganha pão e sonhando em conseguir viver de música um dia. Suas primeiras gravações ocorreram em um estúdio na cidade de Nova Iorque no ano de 1974. E é exatamente esse o material do CD.

Como qualquer garoto, resolveu montar uma banda. Se juntou ao baixista/vocalista Mike Katz. Um rapaz que morava na sua rua, que tinha habilidade para composição. Completava o time, um baterista ali da região que atendia pelo nome de Guy Bois. Além de ser um bom músico, a casa de seus pais tinha um espaço que poderiam utilizar para ensaios e criação das músicas. O power trio não foi para frente. Nunca subiram juntos em um palco e nunca conseguiram bolar um nome para a banda. Tudo o que resistiu foi uma fita de rolo com as gravações de suas músicas. A ideia até então era de registrar as músicas que haviam escrito.

Em 2008, alguns amigos de Bruce convenceram o guitarrista à lançar o disco. Foi criado um CD, com uma prensagem baixíssima, vendida somente em seu site. O material se esgotou rapidamente e o disco se tornou ítem de colecionador. No ano passado, foi criada uma nova prensagem, com algumas modificações. Duas faixas foram retiradas, uma foi adicionada e outra ganhou uma nova mixagem. Também foi criada uma nova capa para o disco.

Gravado em formato de power trio, disco é curto e intenso.

A nova faixa, responsável por dar título ao disco, é literalmente nova. Foi gravada especialmente para o álbum. Cada músico gravou sua parte por conta e juntaram depois num estúdio. Os músicos tentaram recriar a sonoridade da época. O arranjo é um pouco mais direto do que as músicas que faziam na época. A canção é boa. O único senão é a gravação de bateria que poderia ser melhor.

Logo na segunda música, entramos no registro original de 1974. O nível da banda era excelente. Bom trabalho de baixo, vocal bacana, excelente trabalho de guitarra e bateria. Com um bom empresário, tinham de tudo para terem se tornado um dos grandes grupos da época. Os músicos faziam um hard rock com influência de progressivo. Algo como uma feliz mistura entre Cream, Grand Funk Railroad e Rush (dos dois primeiros discos).

O trabalho do KKB traz um Bruce Kulick mais emoção, menos virtuose. Influências de Jimi Hendrix são sentidas em diversos momentos do EP. “Trying to Find a Way” é uma das que me lembram o grupo de Geddy Lee. “I´ll Never Take You Back” e “You´ve Got a Hold On Me” trazem altas influências de Cream. A curta balada “Someday” ganhou uma nova orquestração que traz uma dramaticidade à música.

Infelizmente, o disco conta com apenas 7 músicas e dura aproximadamente meia hora. Realmente uma pena. Gostaria muito de ouvir mais material deles. Para os colecionadores de plantão, o EP de 2008 foi reeditado em vinil, mas corre logo porque tanto o CD quanto o LP foram prensadas em apenas 500 cópias numeradas. Corre atrás porque vale a pena. Disco bem bacana! 

Nota: 9,0 / 10,0                     
Status: Surpreendente

Faixas:
      01)   Got to Get Back
      02)   I´ll Never Take You Back
      03)   My Baby
      04)   Someday
      05)   Trying To Find a Way
      06)   You Won´t Be There 
      07)   You´ve Got A Hold On Me