domingo, 6 de março de 2016

Álbuns Clássicos: Red Hot Chili Peppers – Californication (1999)

Por Rafael Menegueti

Red Hot Chili Peppers - Californication
O Red Hot Chili Peppers figura entre as grandes bandas que dominaram as paradas de sucesso entre os anos 90 e início dos 00. O quarteto californiano criou um estilo único, combinando rock com elementos de funk, metal, rap, punk e psicodelia. A boa fórmula para o sucesso, no entanto, não era o suficiente para fazer com que a banda liderada por Anthony Kiedis e pelo baixista Flea fosse imune aos problemas. E eles passavam por bastantes.

Depois de provarem de um enorme sucesso com Blood Sugar Sex Magic, de 1991, a banda precisou superar a saída do guitarrista John Frusciante. Em 1995 o álbum One Hot Minute, embora tenha vendido bem, não foi tão bem recebido pela crítica, e Dave Navarro, então substituto de Frusciente, acabou deixando a banda em 1998. Flea exigiu a volta de Frusciante, que tinha passado por um longo processo de recuperação de seu vício em drogas, e a banda começa então a trabalhar em um novo disco. A energia que Frusciante trouxe de volta a banda, com a dedicação que demonstrou, foram componentes cruciais para tornar a produção daquele disco mais leve e inspirado.

Red Hot Chilli Peppers na era Californication
E daí nasceu Californication, o maior sucesso comercial da banda. O sétimo álbum de estúdio do grupo lançou alguns dos principais hits deles, que eram tocados a exaustão pelas rádios. Dá pra dizer até que absolutamente todos os singles lançados desse disco estouraram. Da abertura com Around The World, ao encerramento da bela Road Trippin’, o disco é composto por incríveis e cativantes canções que não deixam o ouvinte querer pensar em pular alguma.

A incrível sonoridade de Scar Tissue, que ganhou um Grammy, a intensidade de Otherside, a energia de Get On Top, a melodia de Californication, a suavidade de Porcelain, a potência de Parallel Universe, o peso de Emit Remmus, dentre outras grandes músicas, formaram a consistência de um disco que dividiu a carreira da banda definitivamente entre um antes e depois.

Um trabalho bem mais pra cima do que seus dois antecessores, Californication fez ainda mais bem ao carisma e imagem da banda. O grupo alcançou um pico de popularidade impressionantes com esse lançamento, com videoclipes bem produzidos fazendo sucesso na MTV e uma extensa turnê de divulgação. A banda prosseguiu na onda do sucesso que o disco trouxe pelos anos seguintes. Ao vivo, é inegável que seus sucessos ainda fornecem os melhores momentos de suas apresentações. Californication virou um clássico e um álbum definitivo para o Red Hot Chili Peppers e seus fãs.


Nota: 9/10
Status: Empolgado

Faixas:
1. Around the World
2. Parallel Universe
3. Scar Tissue
4. Otherside
5. Get on Top
6. Californication
7. Easily
8. Porcelain
9. Emit Remmus
10. I Like Dirt
11. This Velvet Glove
12. Savior
13. Purple Stain
14. Right on Time
15. Road Trippin'  

sábado, 5 de março de 2016

Delta Deep – Delta Deep (2015):



Por Davi Pascale

Guitarrista do Def Leppard brilha em álbum de estreia de seu mais novo grupo, Delta Deep. Com convidados de peso, novo álbum surpreende por caminho trilhado e, principalmente, pela qualidade das composições. Discaço!

Phil Collen (guitarrista do Def Leppard), Robert De Leo (baixista do Stone Temple Pilots), Debbi Blackwell-Cook (backing vocal do Michael Bublé) e Forrest Robinson (baterista de estúdio, mais conhecido por seu trabalho com o trio feminino TLC) decidiram criar um grupo juntos e gravaram um disco. Com um time desses o que você esperaria? Aposto que milhares de caminhos passam por sua cabeça. Porém, acredito que poucos imaginariam um álbum de blues. Pois é exatamente isso que temos aqui: um álbum de blues rock. E o resultado é absurdamente bom!

Debbi Blackwell se destaca com sua voz forte. Assim como grande parte das cantoras negras americanas, coloca toda sua alma na interpretação. Soa como uma versão moderna de Tina Turner. Uma judiação que tenha trilhado a carreira de backing vocal. A mulher canta mais do que 90% das cantoras atuais.  Collen se destaca com um belíssimo trabalho de guitarra, repleto de riffs e solos inspirados. Também se sai bem quando se arrisca nos vocais. Não é segredo para ninguém que grandes músicos ganham a vida fazendo gravações e acompanhando artistas pop em turnê. Portanto, podem esperar um trabalho extremamente preciso por conta de Robinson.

Músicos de diferentes vertentes se juntam e lançam disco de blues rock

As surpresas não param por aí. O disco conta com algumas participações especiais. São elas: Simon Laffy (Girl), Paul Cook (Sex Pistols), David Coverdale (Whitesnake) e Joe Elliot (Def Leppard). Ok, tirando David Coverdale, todos os outros músicos fazem parte da história musical de Phil. O rapaz tocava no Girl, toca no Def Leppard e Paul Cook tocou com ele no Manraze. Só que, mais uma vez, tirando Coverdale, os outros nomes não consigo associar ao blues de imediato.

“Bang The Lead” abre o álbum com altas influências de 70´s e uma guitarra explodindo nos alto-falantes explorando o slide ao máximo. O lado mais porrada reaparece na ótima “Down In The Delta” e na razoável “Shuffle Sweet”. O lado blues mais sutil, mais calmo, mais desnudo aparece com força em “Whiskey”, “Private Number” (essa contando com uma boa performance de Mr. Coverdale) e “Treat Her Like a Candy”. O lado mais swingado surge com força na releitura de “Black Coffee” (versão Black Crowes total) e em “Miss Me”. Certeza que se Richie Kotzen ouvir esse som, ele grava. Joe Elliot manda bem no vocal de “Mistreated” (não, eles não regravaram com Coverdale). O ponto baixo fica por conta da fraquíssima “Feelit”. Uma tentative frustrada e desnecessária de soar mais moderno. Música dispensável e soa meio perdida. Não tem muito a ver com o resto do disco.  

Delta Deep é uma volta ao passado. Um álbum que segue a tradição dos álbuns clássicos. Não muito longo, com sonoridade direta, trabalho de guitarra inspirado, vocal forte e uma forte influência do blues por todo o disco, sem a pretensão de soar pop e com diversas faixas memoráveis. Para quem curte rock n roll em sua forma mais crua, audição indispensável!

Nota: 9,0/10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   Bang The Lid
      02)   Whiskey
      03)   Down In The Delta
      04)   Treat Her Like a Candy
      05)   Miss Me
      06)   Burnt Sally
      07)   Private Number (feat David Coverdale)
      08)   Shuffle Sweet
      09)   Black Coffee (feat Paul Cook, Simon Laffy)
      10)   Feelit 
      11)   Mistreated (feat Joe Elliot)

sexta-feira, 4 de março de 2016

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Foo Fighters desmente boatos bem ao seu jeito

Desde o início da semana, rumores de uma possível separação do Foo Fighters se espalharam pelos principais sites e portais de notícia sobre rock. Dentre o que foi dito, havia até boatos de que Dave Grohl estaria iniciando uma carreira solo, o que não teria agradado o baterista Taylor Hawkins. Por isso a banda decidiu desmentir tais boatos de um modo, digamos, no seu estilo. A banda soltou um vídeo (veja abaixo) onde brincava com os boatos e fazia graça com a situação, terminando o mesmo com uma clara mensagem que dizia “não estamos nos separando, e ninguém está indo em carreira solo”. O que se sabe, apesar de tudo, é que de fato a banda está entrando em hiato, como já havia sido comentado pelos próprios integrantes em algumas entrevistas.


Limp Bizkit toca no Brasil em maio

Limp Bizkit
A banda norte-americana Limp Bizkit virá mais uma vez ao Brasil. Dessa vez, no entanto, para apenas um show. O quinteto se apresentará em São Paulo no mês de maio, ainda sem data e local definidos. A última vez da que a banda passou por aqui foi na edição de 2013 do festival Monsters of Rock. A banda deve lançar em breve seu novo álbum, Stampede of the Disco Elephants.

Izzy Stradlin não se reunirá com o Guns N’ Roses

Izzy Stradlin nos tempos de Guns
Izzy Stradlin confirmou aquilo que já se imaginava, ele não participará da reunião oficial do Guns N’ Roses. O guitarrista, que fez dupla com Slash nos primeiros anos da banda até sua saída em 1991, deixou claro que não terá participação na turnê que o grupo irá realizar em breve. Ainda sobre o Guns, foi confirmado que o Alice In Chains abrirá os shows da banda em Las Vegas, nos dias 08 e 09 de abril.

Dream Theater lançará game inspirado em The Astonishing

A banda de metal progressivo Dream Theater anunciou que está produzindo, em parceria com a Turbo Tape Games, um game inspirado no conceito de seu mais novo álbum, o recém lançado The Astonishing. Segundo o grupo, o game se passará no universo futurista do disco, e deve ser lançado em breve para PC, MAC e plataformas Android e iOS.

Rival Sons anuncia novo álbum para esse ano

A capa de Hollow Bones
Os californianos do Rival Sons estão com trabalho novo engatilhado para esse ano. O quarteto, considerado uma das melhores bandas da atualidade, ainda não confirmou a data de lançamento de seu quinto álbum de estúdio, que se chamará Hollow Bones, mas a expectativa é grande para o sucessor de Great Western Valkyrie, lançado em 2014. A capa do novo álbum foi o único detalhe revelado por enquanto, alem do nome.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Mamonas Assassinas – Show Ao Vivo DVD



Por Davi Pascale

Ontem foi dia 2 de Março. Uma data lembrada por milhares de brasileiros como um momento de tristeza, de luto. Foi no dia 2 de Março de 1996 que o avião dos Mamonas Assassinas caiu na Serra da Cantareira. Fui (e ainda sou) um fã dos Mamonas. Portanto, não tinha como deixar a data passar batida. Já havia feito um texto em 2014 homenageando os garotos, portanto, para não ficar repetitivo decidi fazer diferente e relembrar um DVD do grupo. Confere aí...

O sucesso dos garotos de Guarulhos foi curto, mas foi intenso. Quem viveu, não esquece. O impacto que causaram na juventude foi grande. A fórmula estava certinha. Criaram um som deles, tinham um visual diferenciado, eram extremamente competentes, carismáticos e não tinham ataques de estrelismo. Os shows eram simples, mas alegres e muito bem montados. Mais uma vez, quem viveu a experiência, não esquece.

Por conta de sua carreira ter sido curta – 1 disco e 6 meses de sucesso – os registros de imagens são extremamente limitados. Uma prova disso são os documentários ou especiais de TV homenageando os garotos. Sempre com inúmeras imagens do especial MTV Na Estrada. Complementadas com suas aparições no Faustão, no programa do Gugu, do programa do Jô, do Programa Livre e dos clipes. Raramente aparece algo diferente disso. Portanto, quando esse DVD chegou às lojas, muitas pegavam a fita com os olhos brilhando.

Não era por menos. Oficialmente, o único vídeo à venda havia sido o especial MTV Na Estrada, lançado em VHS e DVD. Os garotos tocando ao vivo, somente gravações caseiras dos programas citados acima. Claro que por ser um produto póstumo, as gravações aqui também nasceram como caseiras, mas são imagens que nunca haviam sido vistas pelo grande público até então. Saídas do arquivo familiar.

Fita traz show quase na íntegra

Em 6 de Janeiro de 1996, os 5 rapazes de Guarulhos subiram ao palco do Parque Municipal Monsenhor Bruno Nardini, em comemoração aos 100 anos de Valinhos. O irreverente grupo levou 33.000 pessoas à loucura por aproximadamente 1 hora. É exatamente esse o show que está apresentado aqui. A qualidade de imagem é muito boa. O som, contudo, é razoável. Afinal, o concerto não foi gravado com a intenção de ser lançado. Apenas com a intenção de ser uma lembrança para os músicos.

Infelizmente, a apresentação inicia na segunda música “Chopis Centis”, mas aqui já dá para sacar a catarse que era apresentação dos rapazes (as meninas ficavam histéricas e a plateia sabia todas as letras de cor) e o profissionalismo dos músicos. Nenhum deslize por conta dos garotos. A produção de palco era simples, mas os caras tiravam de letra. Dinho se utilizava de vários artifícios visuais. Um boné de jacarezinho em “Mundo Animal”, vestido e peruca em “Robocop Gay”, sunga e chapéu de toureiro em “Bois Don´t Cry”, bigodinho em “Vira-Vira” e por aí vai...

Justamente por serem um grupo cômico, esperava-se uma postura mais escrachada. E os músicos não deixavam barato. Rolavam várias piadas entre os músicos e brincadeiras com o público. Musicalmente falando, destacavam-se o guitarrista Bento Hinoto e o baterista Sérgio Reoli. Outro grande destaque era o cantor Dinho. Afinado e extremamente carismático. Para quem teve a oportunidade de vê-los em ação, o DVD se torna uma aventura emocionante. A nostalgia se torna ainda maior.

No material extra, trazem algumas (poucas) imagens feitas pelos próprios músicos durante as viagens com a banda, mas o grande destaque é a versão de “Cabeça de Bagre II” (a canção que havia sido cortada no filme principal), gravada no extinto Olympia em SP. Acredito que esta ainda seja a melhor maneira de se lembrar dos garotos. Assistindo eles tocando com uma postura alegre, irreverente e contagiante. Para quem viveu a febre, não há lembrança melhor do que essa.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Emocionante

Faixas:
      01)   Chopis Centis
      02)   Jumento Celestino
      03)   1406
      04)   Mundo Animal
      05)   Vira-Vira
      06)   Sabão Crá-Crá
      07)   Robocop Gay
      08)   Debil Metal
      09)   Boys Don´t Cry
      10)   Uma Arlinda Mulher
      11)   Lá Vem o Alemão
      12)   Sábado de Sol
      13)   Pelados em Santos
      14)   Vira Vira
      15)   Cabeça de Bagre II (Olympia) 
      16)   Bastidores da Fama

quarta-feira, 2 de março de 2016

Música comentada: Guns N’ Roses – Welcome to the Jungle

Por Rafael Menegueti

A formação clássica do Guns N' Roses
O álbum de estreia do Guns N’ Roses, Appetite for Destruction, de 1987, é considerado por muitos um dos melhores da história do rock. O sólido início de carreira da banda formada em Los Angeles foi marcado por polêmicas com a capa do álbum e um estrondoso sucesso que se iniciou após a banda começar a abrir shows para grupos como o Aerosmith, The Cult, Motlëy Crüe, Alice Cooper e até os Rolling Stones.

No disco, podemos apontar alguns dos maiores hits da banda, como a sempre lembrada Sweet Child O’ Mine, Paradise City e It´s So Easy, que foi o primeiro single. Welcome to the Jungle, faixa que abria o álbum, foi o segundo single lançado, e até hoje uma das favoritas dos fãs e uma das melhores faixas da banda. A história da origem dessa canção tem algumas curiosidades bem interessantes.

A letra da música fala sobre Los Angeles, mais precisamente sobre o lado mais sombrio da cidade onde o grupo surgiu, encontrado muitas vezes por aqueles que chegam lá buscando a fama. Segundo Slash, a faixa foi composta em um dia (há quem diga que em apenas 3 horas), em sua casa. Ele trabalhava em um riff quando Axl Rose chegou com a letra pronta e eles então combinaram ambas as partes. Então, a banda completou o resto dos arranjos. Curiosamente, Axl escreveu a letra quando estava em Seattle, e não em Los Angeles.

A música não se tornou hit na época do lançamento original. Assim como o primeiro single, It´s So Easy, ela não chamou muita atenção, até que Sweet Child O’ Mine estourou e trouxe o sucesso para Welcome to the Jungle junto. A banda decidiu relançar o single após isso. Já na MTV, o videoclipe da música só vingou porque a gravadora da banda, Geffen, insistiu que a emissora o exibisse, o que ela não queria por conta de algumas imagens violentas que aparecem nele.


Welcome to the jungle
We got fun and games
We got everything you want
Honey we know the names
We are the people that can find
Whatever you may need
If you got the money, honey
We got your disease

In the jungle
Welcome to the Jungle
Watch it bring it to your
Knees, knees
I wanna watch you bleed

Welcome to the jungle
We take it day by day
If you want it you're gonna bleed
But it's the price you pay
And you a very sexy girl
That's very hard to please
You can taste the bright lights
But you won't get them for free
In the jungle
Welcome to the jungle
Feel my, my, my, my serpentine
I, I wanna hear you scream

Welcome to the jungle
It gets worse here everyday
Ya learn to live like an animal
In the jungle where we play
If you got a hunger for what you see
You'll take it eventually
You can have anything you want
But you better not take it from me

In the jungle
Welcome to the Jungle
Watch it bring it to your
To your knees, knees
I wanna watch you bleed

When you're high you never
Ever want to come down, so down

You know where you are?
You're in the jungle baby
You're gonna die
In the jungle
Welcome to the jungle
Watch it bring you to your
Knees, knees
In the jungle
Welcome to the jungle
Feel my, my, my, serpentine
In the jungle
Welcome to the jungle
Watch it bring you to your
Knees, knees
Down in the jungle
Welcome to the jungle
Watch it bring you to your
It's gonna bring you down

Bem-vinda à selva
Nós temos diversões e jogos
Nós temos tudo que você quer
Querida, sabemos os nomes
Nós somos as pessoas que podem encontrar
Tudo que você pode precisar
Se você tem o dinheiro, querida
Nós temos sua doença

Na selva
Bem vinda à selva
Assista ela te levar aos seus
Aos seus joelhos, joelhos
Eu quero ver você sangrar

Bem-vinda à selva
Nós a enfrentamos dia por dia
Se você a quer, você vai sangrar
Mas este é o preço que você paga
E você é uma garota muito sexy
Que é muito difícil agradar
Você pode provar as luzes brilhantes
Mas você não vai tê-las de graça
Na selva
Bem-vinda à selva
Sinta meu, meu, meu chicote
Eu quero ouvir você gritar

Bem-vinda à selva
Fica pior todo dia
Você vai aprender a viver como um animal
Na selva em que jogamos
Se você tem uma fome pelo o que vê
Você vai tê-lo, finalmente
Você pode ter o que quiser
Mas é melhor não tira-los de mim

Na selva
Bem vinda à selva
Assista ela te levar aos seus
Aos seus joelhos, joelhos
Eu quero ver você sangrar

E quando você está no alto, você nunca
Nunca quer voltar pra baixo, tão baixo

Você sabe onde você está?
Você está na selva, baby
Você vai morrer
Na selva
Bem-vinda à selva
Assista ela te levar aos seus
Aos seus joelhos, joelhos
Na selva
Bem-vinda à selva
Sinta meu, meu, meu chicote
Na selva
Bem-vinda à selva
Assista ela te levar aos seus
Aos seus joelhos, joelhos
Na selva
Bem-vinda à selva
Assista ela te levar aos seus
Vai te deixar pra baixo

terça-feira, 1 de março de 2016

Alice Cooper – Peter And The Wolf In Hollywood (2015):





Por Davi Pascale

História clássica ganha nova versão. E, mais uma vez, um roqueiro se aventura no universo de narrador. Dessa vez, o escolhido foi o cantor Alice Cooper. A escolha não poderia ter sido melhor.

Em 1936, o compositor russo Serguei Prokofiev, escreveu uma história infantil conhecida pelo nome de Pedro e o Lobo. O grande barato é que a historinha era contada através da música. Cada personagem tinha um instrumento que o representava. Isso fez com que, ao passar dos anos, músicos renomados fossem convidados para gravar a narração de alguma versão que estivesse sendo realizada. No Brasil, tivemos o cantor Roberto Carlos e a roqueira Rita Lee se aventurando no universo. No exterior, tivemos o camaleão do rock David Bowie e, agora, Alice Cooper.

Na história original, Pedro é um garoto que vive com seu avô no campo russo. Um belo dia, ao deixar a porta do jardim aberta, começa uma baita confusão no universo dos bichos. O pato se ataca na lagoa e começa a discutir com o pássaro. O gato fica na dele. O avô rabugento vai buscar o garoto e fecha a porta do jardim com o medo de aparecer algum lobo. Dito e feito, o animal aparece. O gato e o pássaro escapam, mas o pato não. Pedro monta uma armadilha para capturar o lobo e resgatar o pássaro. Alguns caçadores tentam atirar no animal, mas o garoto o impede. Ao invés disso, o animal é levado ao zoológico através de uma triunfante procissão.

A ideia do disco é mantida. Cada animal continua sendo representado por um instrumento. A parte musical continua sendo criada através da música clássica. Dessa vez, conduzida pelo maestro inglês Alexander Shelley. Os arranjos são muito bem executados e intrigantes. Dão asas à imaginação.

Alice Cooper é o responsável pela narração do disco

A história, contudo, foi adaptada ao presente. Agora, Pedro é um garoto russo que vai à Hollywood conhecer seu avô, um velho hippie. O lobo é um animal que fugiu do zoológico. A cidade entra em desespero ao receber a notícia nas rádios e na televisão. Paparazzis estão por todos os cantos, tentando conseguir um registro. O garoto resolve criar armadilhas para caçar o animal e devolvê-lo ao zoológico. Chega até mesmo a construir um robô, mas acaba mesmo resgatando o animal, usando a velha tática com uma árvore, uma corda e a ajuda do pássaro, assim como acontecia na história original.

Alice Cooper se sai muito bem narrando a história. Faz diferentes vozes. Utiliza-se de diferentes entonações. Narra no tempo certo. É como se estivéssemos ouvindo um desenho animado. Por vezes, até nos esquecemos que estamos ouvindo um astro do rock contar uma história infantil. “Escutei a história pela primeira vez em Detroit. Devia ter uns 5 ou 6 anos. Minha mãe costumava tocar o disco para mim. Imediatamente, era transportado para outro mundo. Foi muito divertido, para mim, fazer algo diferente, depois de 50 anos nesse negócio. E  eu amo o fato do personagem ter progredido”, declarou o cantor em nota oficial.

A nova historinha também foi lançada no idioma de seu criador, realizada por Campino, um cantor russo. No Brasil, entretanto, a versão que chega às lojas é a versão em inglês com Alice Cooper. Lembrando que o encarte não traz a história por escrito, nem em inglês, nem em português. Portanto, se você não tiver um bom domínio da língua inglesa, terá grandes dificuldades de compreender a história. Se você tem um bom domínio do idioma e gosta de ouvir coisas diferentes (afinal, esse disco deve ser encarado como um disco infantil), o registro é interessantíssimo. Achei a audição bem intrigante, mas é por sua conta e risco.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Inteligente e bem produzido

Faixas:
      01)   Peter Arrives And Settles In Los Angeles
      02)   Peter´s Birthday
      03)   The Wolf Hunt Begins
      04)   Peter Builds The Robot
      05)   The Hunt Continues
      06)   Back At Grandfather´s Home
      07)   Peter Is Greeted By The Bird
      08)   The Duck Waddles Over
      09)   Peter Notices The Cat
      10)   Grandfather Warns Peter
      11)   The Wolf Reappears
      12)   The Duck Is Caught
      13)   The Wolf Stalks The Bird And The Cat
      14)   Peter Prepares To Catch The Wolf
      15)   The Bird Diverts The Wolf
      16)   Peter Catches The Wolf
      17)   The Paparazzi Arrive  
      18)   The Procession To The Zoo

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Disturbed - Immortalized (2015)

Por Rafael Menegueti

Disturbed - Immortalized
Foi uma surpresa para os fãs quando no ano passado, de repente, o Disturbed anunciou que estava pra lançar disco novo. Após saírem dos holofotes em 2011, muita gente achou que a banda tivesse até encerrado as atividades. Quando ninguém esperava a banda soltou a bomba. Não só estava de volta à ativa, quanto já tinha um disco novo pronto, o sexto da carreira. Immortalized foi lançado em agosto do ano passado, cinco anos depois do quinto trabalho da banda.

O grupo de Chicago é sem duvida um dos melhores nomes do heavy metal moderno. A banda já tem mais de 20 anos de estrada, mas foi apenas na última década que eles começaram a chamar a atenção e lançaram seus discos. O grupo nem sempre é tão bem recebido pela crítica e público, dividindo opiniões, mais talvez por sua tendência a não se ater a um estilo definido no metal. Hard rock, nu metal, metal alternativo ou tudo isso junto, é basicamente assim que a banda acaba sendo descrita.

O fato é que o quarteto não precisa se explicar quanto a sua originalidade. A proposta da banda nesse novo álbum continua direta e moderna. O grupo sabe como poucos combinar riffs maciços e refrães empolgantes. As levadas são sempre alucinantes e pra cima. E nesse álbum a banda ainda conseguiu colocar um certo fator surpresa.

O Disturbed não lançava material novo desde 2010
O que não é surpresa é a potencia dos vocais de David Draiman, que combina com toda essa energia das composições do grupo. Ela já fica latente nas faixas iniciais do disco, como o ótimo single Immortalized, que deu nome ao disco, The Vengeful One e na faixa Open Your Eyes. Em The Light a banda mostra um pouco mais de sua versatilidade com o uso de mais sintetizadores em uma faixa bem atual. Outras composição bem interessantes são You’re Mine, com um refrão bem explosivo, e Fire It Up.

Outro grande destaque do disco fica com a excelente cover de The Sound of Silence, originalmente lançada pela dupla folk norte-americana Simon & Garfunkel. A faixa ganhou um ar ainda mais sombrio mas incrivelmente belo na versão feita pelo Disturbed. Pra fechar, outras duas boas músicas. Never Wrong tem um ritmo mais característico do nu metal, enquanto Who Taught You To Hate tem um riff e pegada mais clássicos, ainda dento do que a sonoridade do Disturbed oferece.

Com Immortalized a banda chegou a uma grande marca: quatro álbuns de estúdio consecutivos a entrar direto no primeiro lugar da parada Billboard 200. No rock, apenas o Metallica e a Dave Matthews Band conseguiram esse feito. O que comprova a eficiência do grupo quando o assunto é entregar trabalhos expressivos e competentes. Se isso não é o suficiente pra esses caras serem incrivelmente respeitados no estilo, eu não sei o que é.


Nota: 8,5/10
Status: potente

Faixas:
01. The Eye Of The Storm
02. Immortalized
03. The Vengeful One
04. Open Your Eyes
05. The Light
06. What Are You Waiting For?
07. You're Mine
08. Who
09. Save Our Last Goodbye
10. Fire It Up
11. The Sound Of Silence (Simon And Garfunkel cover)
12. Never Wrong
13. Who Taught You How To Hate