sábado, 20 de fevereiro de 2016

Queen – A Night At The Odeon DVD (2015):



Por Davi Pascale

Em comemoração aos 40 anos de A Night A The Opera, grupo britânico solta no mercado um registro da tour. Material já foi lançado no Brasil e pode ser encontrado em CD, DVD e blu-ray.

O álbum de 1975 foi um divisor de águas na carreira do grupo. Esse foi o disco responsável por catapultar o Queen ao estrelato. Graças ao enorme sucesso de “Bohemian Rhapsody”. Nas entrevistas presentes no vídeo, o guitarrista Brian May comenta que até então eles vendiam uma falsa ideia de músicos ricos, de banda de sucesso. Afirma que se o álbum não desse certo, provavelmente, teriam desistido.

Felizmente, deu mais do que certo e os rapazes se tornaram um dos grandes nomes do rock. Quando fizeram essa apresentação, o single “Bohemian Rhapsody” havia atingido o primeiro lugar das paradas. A casa – com capacidade para 3.500 pessoas – esgotou os ingressos. E o show se tornou um especial de TV na época. É exatamente esse o material do DVD.

Os velhos colecionadores, provavelmente, já conheciam o material. Durante muitos anos, essa performance foi pirateada e vendida por aí em bootlegs prensados. Claro que não com essa qualidade. Tanto a imagem, quanto o som foram devidamente tratados e estão espetaculares.

Aqui, o Queen ainda era uma banda jovem. Freddie Mercury ainda era cabeludo, não tinha seu famoso bigode. Já existia uma preocupação visual, uma preocupação de produção de espetáculo, mas ainda era bem sutil se compararmos aos shows que conhecemos da década de 80. Provavelmente, tinham menos verba para gastar. O profissionalismo, contudo, já era o mesmo.

Depois de anos de batalha, grupo finalmente atingia o estrelato

Brian May roubava a cena em diversos momentos com solos elaborados. Já começava a construir também seu famoso número solo, onde explora o eco de sua guitarra. Roger Taylor e John Deacon já estavam bem afiados. Mas quem realmente se destacava era Freddie Mercury. Cheio de caras e bocas, com ótima movimentação de palco, uma afinação invejável e já com bastante afinidade no piano, o rapaz encantava a platéia.

O som deles era bem trabalhado e bem pesado (para a época, é claro). Como disse, a produção era menor. Sendo assim, não havia ainda os samplers de “Bohemian Rhapsody”. A solução dos rapazes foi transformar a canção em um pequeno medley, limando a parte da ópera. A junção dela com “Killer Queen” ficou espetacular!

O LP estava nas lojas à poucas semanas. Sendo assim, boa parte do repertório aqui é similar ao do DVD Live At The Rainbow ´74. Os músicos continuavam focando o setlist nos álbuns Queen II e Sheer Heart Attack. Vale destacar as performances de “Now I´m Here”, “White Queen”, “Bohemian Rhapsody”, “Keep Yourself Alive” e “In The Lap Of The Gods… Revisited”.

Assim como no DVD de 2014, encerram a apresentação com um medley de clássicos do rock. Segundo o guitarrista, esse era um momento de descontração e eles nunca sabiam o que iriam puxar. Quem chamava as músicas era seu líder Freddie Mercury. As escolhidas da vez foram “Jailhouse Rock”, “Stupid Cupid” e “Be Bop a Lula”.

Por ser um especial para TV, o show era curto. Uma hora cravada. Contudo, os músicos tiveram o cuidado de adicionar meia hora de material extra. Um documentário bem legal que atende pelo nome de Looking Back At The Odeon e 3 faixas registradas na turnê do Japão, onde pela primeira vez se sentiram grandes estrelas. Documento histórico e essencial!

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
      01)   Now I´m Here
      02)   Ogre Battle
      03)   White Queen (As It Began)
      04)   Bohemian Rhapsody
      05)   Killer Queen
      06)   The March of The Black Queen
      07)   Bohemian Rhapsody Reprise
      08)   Bring Back That Leroy Brown
      09)   Brighton Rock
      10)   Guitar Solo
      11)   Son And Daughter
      12)   Keep Yourself Alive
      13)   Liar
      14)   In The Lap Of The Gods… Revisited!
      15)   Big Spender
      16)   Jailhouse Rock / Stupid Cupid / Be-Bop-a-Lula
      17)   God Save The Queen

Bonus:
      01)   Now I´m Here (Japan 75)
      02)   Killer Queen (Japan 75)
      03)   In The Lap Of The Gods… Revisited! (Japan 75) 
      04)   Looking Back At The Oden Documentary

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Judas Priest lancará novo álbum ao vivo

Um dos pioneiros do heavy metal, o Judas Priest irá lançar mais um material ao vivo, para
alegria de seus fãs. Battle Cry trará a apresentação realizada pelos ícones do metal no festival Wacken Open Air, no passado, durante a turnê do álbum Redeemer of Souls. O lançamento será em CD e DVD/Blu-ray, e chegará às lojas no dia 25 de março. Confira o tracklist e um teaser abaixo:


CD:

01. (Intro) Battle Cry
02. Dragonaut
03. Metal Gods
04. Devil's Child
05. Victim Of Changes
06. Halls Of Valhalla
07. Redeemer Of Souls
08. Beyond The Realms Of Death
09. Jawbreaker
10. Breaking The Law
11. Hell Bent For Leather
12. The Hellion
13. Electric Eye
14. You've Got Another Thing Coming
15. Painkiller

DVD/Blu-ray:

01. (Intro) Battle Cry
02. Dragonaut
03. Metal Gods
04. Devil's Child
05. Victim Of Changes
06. Halls Of Valhalla
07. Turbo Lover
08. Redeemer Of Souls
09. Beyond The Realms of Death
10. Jawbreaker
11. Breaking the Law
12. Hell Bent For Leather
13. The Hellion
14. Electric Eye
15. You've Got Another Thing Coming
16. Painkiller
17. Living After Midnight

Bonus tracks (Live at The Ergo Arena, Gdansk, Poland)

18. Screaming For Vengeance
19. The Rage
20. Desert Plains

Merch do Nervosa é roubada na Califórnia

As integrantes do Nervosa passaram por imprevisto em turnê nos EUA
As integrantes do trio de thrash metal paulista Nervosa passaram por um susto e tanto durante sua turnê norte-americana nessa semana. A banda teve seu material de merchandising, que incluía camisetas e CDs da banda, além da caixa da bateria de Pitchu Ferraz, roubadas na cidade de San Francisco, onde a banda havia se apresentado. Por sorte, com a ajuda de algumas pessoas locais, a banda conseguiu recuperar os itens roubados algumas horas depois e prossegue com sua turnê normalmente.

ZP Theart, ex-Dragonforce, deve ser o novo vocalista do Skid Row

ZP Theart
Após a saída de Tony Harnell (ex-TNT), que ficou pouco tempo na banda, o Skid Row pode estar próximo de anunciar seu novo vocalista oficialmente. E não deve ser Sebastian Bach, como muitos queriam. ZP Theart, ex-vocalista do Dragonforce e atualmente na banda I Am I, pode ser o nome da vez. O músico sul-africano fez um show como frontman da banda de New Jersey, realizado em Uncasville, Connecticut. Resta agora saber se o cantor será oficializado na função permanentemente.

Shadowside terá participação do guitarrista Andy La Rocque no novo álbum

O guitarrista Andy La Rocque
A banda de metal santista Shadowside anunciou que terá uma colaboração especial em seu novo álbum, que esta em fase de produção. Depois da entrada do baixista ex-Hammerfall Magnus Rosen, a banda agora confirmou que o guitarrista Andy La Rocque, conhecido pelo seu trabalho no King Diamond, irá fazer participação especial no disco. O músico ajudou a compor algumas faixas ao lado de Magnus e elas estão sendo trabalhadas pela banda. O novo álbum do Shadowside será gravado na Suécia, entre junho e agosto desse ano.

Grandes nomes da guitarra se reúnem para turnê especial

Os guitarristas que formam o projeto
Uma espécie de novo supergrupo, o Generation Axe promete ser uma das mais interessantes reuniões de gênios da guitarra dos últimos tempos. Steve Vai, Yngwie Malmsteen (que deve passar pelo Brasil em breve), Nuno Bittencourt (Extreme), Zakk Wylde (ex-Ozzy, Black Label Society) e Tosin Abasi (Animals as Leaders) unirão forças em uma turnê, que por enquanto tem datas apenas na América do Norte. Eles irão executar músicas de seus próprios repertórios, além de se unirem em colaborações e músicas conhecidas, formando uma grande jam session. O grupo começa a se apresentar a partir de abril.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Nando Reis – Voz e Violão: No Recreio Volume 1 (2015):



Por Davi Pascale

Nando Reis lança novo álbum ao vivo. Gravado durante uma apresentação em São Paulo, disco conta com tom intimista e é recomendado aos velhos fãs.

Nando é um dos grandes compositores da cena atual brasileira. Muitos se lembram dele nos Titãs. Está certo que só isso já seria motivo de orgulho, mas nem todos se recordam que sua história não para por aí. Além de se consagrar como artista solo, se consagrou como compositor, escrevendo músicas, muitas vezes hits, para inúmeros artistas. Dentro do pop/rock e fora do pop/rock. Algumas dessas canções, regravou em trabalhos posteriores. Outras, não. Entre os artistas que foram presenteados com composições inéditas do músico estão nomes como Jota Quest, Skank, Cidade Negra, Marisa Monte, Cássia Eller, entre outros.

Voz e Violão traz um pouco dessa bonita trajetória, ao mesmo tempo em que apresenta uma nova faceta. Pela primeira vez, o artista encara o desafio de excursionar no formato voz/violão. Muitos podem acreditar que essa seja uma tarefa fácil, algo preguiçoso. Na verdade, não. Muitos artistas se tremem quando têm que tocar 1 ou 2 músicas sozinhos no palco. Imagina um show inteiro assim. Qualquer pequeno deslize é notado por todos. Não há nada para disfarçar. Não há instrumento cobrindo, efeitos de palco desviando a atenção, nada. Estão todos atentos em cada movimento seu. Todas suas qualidades se destacam e todos seus defeitos também. É mais difícil do que se imagina.

Nando Reis revive trajetória em espetáculo intimista

O seu talento enquanto compositor nunca foi questionado, já sua voz, sempre dividiu opiniões. Há quem goste e há quem não goste. Particularmente, sempre gostei de sua voz. Sempre soube fazer uso de suas limitações. Sempre achei seu timbre bem agradável e extremamente característico. Sempre gostei disso. De quando um artista tem algo que é único, que é inimitável. Acaba trazendo uma certa magia. O que é sempre muito bem-vindo. E, sim, gostei muito do trabalho vocal no disco.

O repertório é bem abrangente e passeia por diferentes fases. Não faltam canções como "All Star" (Para Quando o Arco-Iris Encontrar o Pote de Ouro), "Luz dos Olhos" (A Letra A) e "Pra Você Guardei o Amor" (Drês). Seus tempos de Titãs não foram esquecidos. Traz aqui, uma releitura de "Os Cegos do Castelo", canção que invadiu as rádios na época do Acústico MTV. Lembra que eu disse que de vez em quando regrava músicas que fez para outros artistas e que não entraram em seus discos? Pois bem, temos duas aqui: "Sutilmente", gravada originalmente pelo grupo de Samuel Rosa e "Diariamente", lançada no segundo álbum da cantora Marisa Monte.

No Recreio traz aquilo que o título aponta. Um artista relembrando canções que considera importantes, tocadas de maneira crua, espontânea, como se estivesse tocando diante de seus amigos. Como fazíamos no recreio da escola, lembra? Se você não tem nada do Nando Reis em sua prateleira, há trabalhos que acredito que você deva ouvir antes desse. Se você já é familiarizado com sua obra, a audição se torna emocionante. É possível notarmos a emoção do músico, além de descobrimos detalhes que passaram batidos até então. Trabalho divertidíssimo e infernal. 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Intimista

Faixas:
      01)   As Coisas Tão Mais Lindas
      02)   N
      03)   Os Cegos do Castelo
      04)   Lamento Realengo
      05)   Nos Seus Olhos
      06)   Dentro do Mesmo Time
      07)   Luz dos Olhos
      08)   Diariamente
      09)   Sutilmente
      10)   Relicário
      11)   Sei
      12)   All Star
      13)   Pra Você Guardei o Amor 
      14)   Por Onde Andei

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Beyond the Black – Lost In Forever (2016)

Por Rafael Menegueti

Beyond the Black - Lost In Forever
Não faz muito tempo que falei aqui sobre essa banda alemã. O Beyond the Black foi uma boa surpresa na cena do metal sinfônico no ano passado com o álbum Songs of Love and Death, mesmo que apostando em uma fórmula já conhecida e sem grandes inovações. Curiosamente, o grupo lança seu segundo disco, Lost In Forever, apenas um dia antes do seu trabalho de estreia completar um ano de lançamento, no dia 12 de fevereiro.

Não sei dizer por que a banda decidiu lançar seu segundo álbum tão rápido, mas o fato é que nesse trabalho é possível perceber uma leve evolução com relação à sua estreia. A essência e ideia seguem as mesmas. Músicas com melodias cativantes, riffs pegajosos e letras sobre emoções, relações e natureza humana. No entanto, dessa vez podemos ver um pouco mais de identidade própria nas composições.

A vocalista Jennifer Haben repetiu o belo trabalho vocal do primeiro disco. Sua atuação dá um ar jovial e empolgante quando ouvimos as faixas. Talvez se lembrem de que falei sobre uma clara influência de Within Temptation no primeiro disco. Ela segue presente, só que usada de uma forma mais sutil, e diluída no meio da sonoridade mais ampla que a banda usou. Como disse, a banda começou a ter sua própria cara, e mostra isso com composições mais diretas.

Os membros do Beyond the Black
Não que o disco seja tão diferente assim do primeiro, até porque se passou muito pouco tempo pra que algo radical ocorresse. A banda caprichou nos arranjos sinfônicos e melodias radiofônicas mais uma vez, nas influências folk (que seguem muito na moda ainda) e numa sonoridade estilo “trilha sonora de filme” (outra coisa bem comum nesse estilo). Então o disco soa bem como uma continuação do anterior mesmo, até o estilo da arte de capa não ficou tão diferente.

Cada faixa tem o seu modo de cativar o ouvinte. Durante aproximadamente uma hora de execução, com 13 músicas ao todo, o disco flui agradavelmente. Quase não é possível apontar uma faixa que destoe nessa qualidade. Dentre as que mais se destacaram pra mim, incluo a faixa-título, que abre o disco e é o primeiro single, Beautiful Lies, que conta com a participação do vocalista Rick Altzi (Masterplan, At Vance), Written In Blood, com um refrão excelente, Beyond The Mirror, Halo of the Dark, a densa Forget My Name, a pesada Shine and Shade, a intensa Heaven In Hell e a suave balada Love’s A Burden, que encerra o álbum.

É um disco para aqueles que não exigem de uma banda que ela seja a grande salvação do rock. A pretensão da banda claramente não é essa. É um disco sem rodeios, de uma banda que segue sincera na vontade de fazer música simples em um estilo consagrado entre os fãs. Lost In Forever é uma ótima sequencia dessa proposta, e um ótimo disco para quem gosta do gênero. Vale a pena continuar acreditando nessa garotada.


Nota: 8,5/10
Status: carismático e convidativo

Faixas:
01. Lost in Forever
02. Beautiful Lies
03. Written in Blood
04. Against The World
05. Beyond The Mirror
06. Halo of the Dark
07. Dies Irae
08. Forget My Name
09. Burning In Flames
10. Nevermore
11. Shine And Shade
12. Heaven In Hell
13. Love’s A Burden

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Lynyrd Skynyrd – One More For The Fans (2015):



Por Davi Pascale

Show em homenagem ao Lynyrd Skynyrd chega às lojas brasileiras. A apresentação é bem profissional, conta com vários nomes de peso e certamente agradará aos fãs de classic rock.

Em 2014, o grupo Lynyrd Skynyrd recebeu um show em sua homenagem. No Brasil, talvez muitos só conheçam “Sweet Home Alabama” e “Freebird”, mas nos Estados Unidos eles são reverenciados. São reconhecidos como um dos criadores daquilo que é conhecido como southern rock. Pois bem... Em 12 de Novembro de 2014, vários músicos subiram ao palco do lendário Fox Theater para homenagear o grupo. O local há uma razão de ser. Era meio que uma campanha para tentar salvar a casa que estavam querendo demolir. Foi exatamente nessa casa que foi gravado o histórico One More For The Road

A sonoridade da banda, nada mais é do que uma mistura de hard rock, blues e country. Os organizadores do evento sacaram isso e convidaram músicos dos 3 gêneros para participarem da apresentação. No cast, misturavam-se veteranos e novatos. Nada mais justo, já que o conjunto está até hoje na ativa e há gente de todas as idades na plateia dos caras. Como disse anteriormente, em sua terra natal são idolatrados.

Cheap Trick é um dos artistas que participam do evento

O show inicia com uma versão correta de “Whiskey Rock-A-Roller” na voz de Randy House. Entretanto, o primeiro a me chamar a atenção foi Robert Randolph & Jimmy Hall com sua interpretação de “You Got That Right”. Randolph rouba a cena com um belíssimo solo na sua pedal steel guitar. Outro que se destaca nas seis cordas é o guitarrista Warren Haynes. Tanto na sua interpretação de “That Smell”, quanto na versão de “Simple Man” que realiza ao lado de seu (ótimo) grupo Gov´t Mule.

Aqueles que já são ouvintes de rock n´ roll há alguns anos, certamente irão reconhecer o guitarrista Peter Frampton e o músico Gregg Allman (Allman Brothers). Aliás, Gregg é outro dos grandes destaques do show. O rapaz coloca toda sua alma na interpretação do clássico “Tuesday´s Gone”. Quem acompanha a nova cena, irá se deliciar com a participação do Blackberry Smoke. Um nome atual da cena southern que vem crescendo cada vez mais. Foi montada uma super banda para acompanhar os artistas solo. Esses tocaram, em sua maioria, com arranjo bem próximo ao original. Aqueles que foram com o grupo completo ou optaram por violão/voz, tiveram um pouco mais de liberdade nos arranjos. Caso da ótima performance do Cheap Trick. Não descaracterizaram a música, mas certamente inseriram a marca deles.

Músicos se unem no final do show

O repertório foi escolhido a dedo. Todas as canções retratadas aqui podem ser consideradas clássicos da carreira dos músicos. Quem admira a banda, certamente vai se emocionar com a participação de Donnie Van Zant (38 Special), irmão dos dois vocalistas que passaram pela banda. E também quando a formação atual sobe ao palco para fechar a noite. Em “Travellin´ Man”, Johnny Van Zant faz um dueto com seu falecido irmão Ronnie. Ainda encontram tempo para relembrarem seus dois maiores clássicos. As já citadas “Freebird” e “Sweet Home Alabama”. Essa última com a participação de todos os convidados no palco.

O show - que chega ao mercado em CD, DVD e blu-ray – virou especial da AXS TV e é muito bem gravado. Os músicos são todos de alto calibre. E as músicas são deliciosas. Para quem curte rock n´ roll não muito pesado, prato cheio. E para quem é fã da banda, essencial!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
      01)   Whiskey Rock-a-Roller – Randy Houser
      02)   You Got That Right – Robert Randolph & Jimmy Hall
      03)   Saturday Night Special – Aaron Lewis
      04)   Workin´ For MCA – Blackberry Smoke
      05)   Don´t Ask Me No Questions – O.A.R.
      06)   Gimme Back My Bullets – Cheap Trick
      07)   The Balld of Curtis Loew – Moe & John Hyatt
      08)   Simple Man – Gov´t Mule
      09)   That Smell – Warren Haynes
      10)   Four Walls of Raiford – Jamey Johnson
      11)   I Know a Little – Jason Isbell
      12)   Call Me The Breeze – Peter Frampton
      13)   What´s Your Name – Trace Adkins
      14)   Down South Junkin´ - Charlie Daniels & Donnie Van Zant
      15)   Gimme Three Steps – Alabama
      16)   Tuesday´s Gone – Gregg Allman
      17)   Travelin´ Man – Lynyrd Skynyrd
      18)   Free Bird – Lynyrd Skynyrd
      19)   Sweet Home Alabama – Lynyrd Skynyrd & All Star Ensemble
Extra:
-          Lynyrd Skynyrd Interview
-          Influence of Lynyrd Skynyrd 
-          Country and Lynyrd Skynyrd

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Música Comentada: Smashing Pumpkins – Today

Por Rafael Menegueti

A formação do Smashing Pumpkins em 1992
Billy Corgan é, na minha opinião, um dos caras mais notáveis na historia do rock alternativo. Enquanto o mundo da música pirava com as bandas de Seattle, no inicio dos anos 90, Billy fazia de tudo para conseguir com que seu Smashing Pumpkins, de Chicago, fosse o próximo grande fenômeno da música. Pode-se dizer que ele conseguiu, talvez não tanto quanto ele queria, mas a banda estourou, e muito por causa do que ele conseguiu em seu segundo álbum, Siamese Dream, de 1992.

Quando a banda entrou em estúdio para gravá-lo, a gravadora colocou uma certa pressão para que ele ficasse pronto logo. Nessa época, Billy estava tendo alguns problemas para compor. Ele passava por uma depressão e toda a expectativa em cima da banda ajudou a fazer com que ele tivesse um bloqueio criativo. E foi Today a primeira música que ele conseguiu compor para o disco.

A música tem um tom irônico, visto que sua melodia alegrinha contrasta com uma letra suicida e depressiva escrita por Corgan. Muita gente nem nota isso, visto que os versos iniciais dizem “hoje é o melhor dia que eu já tive”, mas na verdade isso seria uma ironia, com a ideia de que ele seria o melhor porque pior não podia ficar.

O pessoal da gravadora gostou da canção, por acreditar que ela tinha cara de hit. Billy, com sua personalidade forte e obsessão por controle, precisava que as músicas ficassem perfeitas. E era uma preocupação para ele o fato de o baterista Jimmy Chamberlin estar tendo problemas com drogas e o fim do relacionamente entre o guitarrista James Iha e a baixista D’arcy Wretzky atrapalharem o andamento das gravações. Por isso, dizem que ele acabou gravando a maior parte de todos os instrumentos no álbum.

Today sempre foi idealizada para ser a música que alavancaria as vendas do disco, pelo menos para a gravadora. Mesmo assim, após perder o prazo final de entrega do álbum (foram meses de atraso) e estourar a verba de produção, Billy decidiu insistir com a gravadora para que Cherub Rock fosse o primeiro single. Nisso ele errou, já que Today, que foi lançada depois, acabou de fato abrindo caminho para a banda no mainstream, enquanto Cherub Rock passou mais desapercebida. Ao lado de Disarm, foram os primeiros grandes hits da banda.


Today is the greatest
Day I've ever known
Can't live for tomorrow
Tomorrow's much too long
I'll burn my eyes out
Before I get out

I wanted more
Than life could ever grant me
Bored by the chore
Of saving face

Today is the greatest
Day I've ever known
Can't wait for tomorrow
I might not have that long
I'll tear my heart out
Before I get out

Pink ribbon scars
That never forget
I tried so hard
To cleanse these regrets
My angel wings
Were bruised and restrained
My belly stings

I want to turn you on

Hoje é o melhor
Dia que já vivi
Não posso viver para o amanhã
O amanhã é muito longo
Eu qeimarei meus olhos
Antes que o dia chegue

Eu quis mais
Do que a vida poderia me dar
De saco cheio da rotina
De salvar minha honra

Hoje é o melhor
Dia que já vivi
Não posso esperar pelo amanhã
Posso não chegar tão longe
Vou arrancar meu coração fora
Antes que o dia chegue

Cicatrizes de laços rosas
Que nunca se esquecem
Eu tentei tanto
Limpar estes desgostos
Minhas asas de anjo
Foram machucadas e enfaixadas
Sinto pontadas na barriga

Quero te excitar

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Rock e Carnaval: Traição ou Liberdade?



Por Davi Pascale

E mais uma vez tivemos a prova de que os headbangers do Brasil não são tão mente aberta quanto gostaríamos. Angra e Sepultura participaram do Carnaval desse ano. E o que era para ser celebrado tornou-se motivo de críticas. Ambos os grupos foram atacados por boa parte da base de fãs e muitos deixaram de seguir seus ídolos por conta do ocorrido. Mas e aí? Os músicos estão certos ou errados?

Carnaval é uma das festas mais populares do Brasil. Todos os anos, multidões vão às ruas para ver os desfiles de escolas de samba, para seguir os trios elétricos ou apenas para se divertir com os amigos (beber, namorar, etc). Há quem diga que o “Brasil só funciona depois do Carnaval”. Provocações à parte, uma das principais reclamações dos roqueiros nessa temporada sempre foi a música. Termos que aturar aqueles hits de verão de décima nona categoria, inúmeros artistas de axé, etc, mas quando o rock n roll adentra a avenida ele não é recebido com aplausos, mas com descaso. Isso, por parte dos próprios roqueiros. Ideologias, ideologias, ideologias...

O mais triste de tudo é que os músicos não fizeram nada demais. Sim, subiram em um trio elétrico. Sim, durante uma festa de Carnaval. Mas os caras subiram lá para tocar seu repertório e músicas de artistas que os influenciaram. Não subiram para tocar Araketu, Babado Novo e Chiclete Com Banana. Não gostei do resultado final, mas a situação deveria ser vista como uma conquista e não como uma vergonha. Depois do rock perder o espaço na grande mídia para axé, sertanejo e funk, dois dos maiores expoentes do heavy metal brasileiro conseguiram conquistar espaço na principal festa do país. Maior tapa na cara do que esse, não há...

Vídeo do Rafael Bittencourt foi um erro

Se houve um erro, foi o vídeo do Rafael Bittencourt. Digo isso por 2 razões. 1) Ele não deveria ter gravado um vídeo falando sobre o assunto. Quando faz isso, demonstra que está se importando com opinião alheia. E o artista tem que estar acima das picuinhas. O artista está à frente do seu tempo. Deveria rir dos comentários e não se doer com eles. 2) Se realmente achasse extremamente necessário um vídeo, não deveria ter gravado naqueles trajes. Onde o deboche era tão grande que fica difícil saber se está falando à sério ou não...

Outro grande motivo de discussão foi a participação do Carlinhos Brown no trio. Ao que tudo indica, o convite partiu dele. Não sou um fã de Carlinhos Brown. Mas não dá para tirar o valor de um cara que escreve músicas com artistas do calibre de Marisa Monte e Arnaldo Antunes. Sem contar que o cara é um ótimo percussionista. Vale lembrar que Carlinhos Brown já havia participado da gravação do disco Roots (Sepultura). Ou seja, não é exatamente uma novidade a junção. Em relação ao Angra? Pelo amor de Deus, os caras misturam heavy metal com música brasileira desde sempre. Poupe-me...

Parceria entre artistas de metal e Carlinhos Brown não é de hoje

Infelizmente, temos mais uma demonstração que ainda persiste aquele pensamento retrógrado de gueto, de underground. O próprio Bittencourt comete essa gafe no vídeo. “Carlinhos Brown nos convidou porque sabe que o heavy metal pertence ao gueto”. Pelo amor de Deus, heavy metal pertence ao mundo. Músicos têm que querer dominar o mundo. Sem essa conversa de quero ser do underground. Até porque se isso fosse verdade não gravariam em inglês, não almejariam mercado internacional. Tudo bem, não há nada de errado e não é nenhuma vergonha ser um artista underground. A vergonha é bater no peito que o gênero se resume à isso.

O errado é o artista deixar de ser quem ele é para ganhar visibilidade, para ganhar dinheiro. Se puder adentrar esses campos sendo ele mesmo, que faça. Vai ver se Bruce Dickinson se envergonha de cantar em estádios, de ter jatinho, se o Ozzy se nega à fazer propagandas, se o Pantera se importava de ter clip na MTV. Regras estão aí para serem derrubadas. E esse show no Carnaval foi o primeiro passo. Menos mimimi, mais atitude, por favor...