quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Nando Reis – Voz e Violão: No Recreio Volume 1 (2015):



Por Davi Pascale

Nando Reis lança novo álbum ao vivo. Gravado durante uma apresentação em São Paulo, disco conta com tom intimista e é recomendado aos velhos fãs.

Nando é um dos grandes compositores da cena atual brasileira. Muitos se lembram dele nos Titãs. Está certo que só isso já seria motivo de orgulho, mas nem todos se recordam que sua história não para por aí. Além de se consagrar como artista solo, se consagrou como compositor, escrevendo músicas, muitas vezes hits, para inúmeros artistas. Dentro do pop/rock e fora do pop/rock. Algumas dessas canções, regravou em trabalhos posteriores. Outras, não. Entre os artistas que foram presenteados com composições inéditas do músico estão nomes como Jota Quest, Skank, Cidade Negra, Marisa Monte, Cássia Eller, entre outros.

Voz e Violão traz um pouco dessa bonita trajetória, ao mesmo tempo em que apresenta uma nova faceta. Pela primeira vez, o artista encara o desafio de excursionar no formato voz/violão. Muitos podem acreditar que essa seja uma tarefa fácil, algo preguiçoso. Na verdade, não. Muitos artistas se tremem quando têm que tocar 1 ou 2 músicas sozinhos no palco. Imagina um show inteiro assim. Qualquer pequeno deslize é notado por todos. Não há nada para disfarçar. Não há instrumento cobrindo, efeitos de palco desviando a atenção, nada. Estão todos atentos em cada movimento seu. Todas suas qualidades se destacam e todos seus defeitos também. É mais difícil do que se imagina.

Nando Reis revive trajetória em espetáculo intimista

O seu talento enquanto compositor nunca foi questionado, já sua voz, sempre dividiu opiniões. Há quem goste e há quem não goste. Particularmente, sempre gostei de sua voz. Sempre soube fazer uso de suas limitações. Sempre achei seu timbre bem agradável e extremamente característico. Sempre gostei disso. De quando um artista tem algo que é único, que é inimitável. Acaba trazendo uma certa magia. O que é sempre muito bem-vindo. E, sim, gostei muito do trabalho vocal no disco.

O repertório é bem abrangente e passeia por diferentes fases. Não faltam canções como "All Star" (Para Quando o Arco-Iris Encontrar o Pote de Ouro), "Luz dos Olhos" (A Letra A) e "Pra Você Guardei o Amor" (Drês). Seus tempos de Titãs não foram esquecidos. Traz aqui, uma releitura de "Os Cegos do Castelo", canção que invadiu as rádios na época do Acústico MTV. Lembra que eu disse que de vez em quando regrava músicas que fez para outros artistas e que não entraram em seus discos? Pois bem, temos duas aqui: "Sutilmente", gravada originalmente pelo grupo de Samuel Rosa e "Diariamente", lançada no segundo álbum da cantora Marisa Monte.

No Recreio traz aquilo que o título aponta. Um artista relembrando canções que considera importantes, tocadas de maneira crua, espontânea, como se estivesse tocando diante de seus amigos. Como fazíamos no recreio da escola, lembra? Se você não tem nada do Nando Reis em sua prateleira, há trabalhos que acredito que você deva ouvir antes desse. Se você já é familiarizado com sua obra, a audição se torna emocionante. É possível notarmos a emoção do músico, além de descobrimos detalhes que passaram batidos até então. Trabalho divertidíssimo e infernal. 

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Intimista

Faixas:
      01)   As Coisas Tão Mais Lindas
      02)   N
      03)   Os Cegos do Castelo
      04)   Lamento Realengo
      05)   Nos Seus Olhos
      06)   Dentro do Mesmo Time
      07)   Luz dos Olhos
      08)   Diariamente
      09)   Sutilmente
      10)   Relicário
      11)   Sei
      12)   All Star
      13)   Pra Você Guardei o Amor 
      14)   Por Onde Andei

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Beyond the Black – Lost In Forever (2016)

Por Rafael Menegueti

Beyond the Black - Lost In Forever
Não faz muito tempo que falei aqui sobre essa banda alemã. O Beyond the Black foi uma boa surpresa na cena do metal sinfônico no ano passado com o álbum Songs of Love and Death, mesmo que apostando em uma fórmula já conhecida e sem grandes inovações. Curiosamente, o grupo lança seu segundo disco, Lost In Forever, apenas um dia antes do seu trabalho de estreia completar um ano de lançamento, no dia 12 de fevereiro.

Não sei dizer por que a banda decidiu lançar seu segundo álbum tão rápido, mas o fato é que nesse trabalho é possível perceber uma leve evolução com relação à sua estreia. A essência e ideia seguem as mesmas. Músicas com melodias cativantes, riffs pegajosos e letras sobre emoções, relações e natureza humana. No entanto, dessa vez podemos ver um pouco mais de identidade própria nas composições.

A vocalista Jennifer Haben repetiu o belo trabalho vocal do primeiro disco. Sua atuação dá um ar jovial e empolgante quando ouvimos as faixas. Talvez se lembrem de que falei sobre uma clara influência de Within Temptation no primeiro disco. Ela segue presente, só que usada de uma forma mais sutil, e diluída no meio da sonoridade mais ampla que a banda usou. Como disse, a banda começou a ter sua própria cara, e mostra isso com composições mais diretas.

Os membros do Beyond the Black
Não que o disco seja tão diferente assim do primeiro, até porque se passou muito pouco tempo pra que algo radical ocorresse. A banda caprichou nos arranjos sinfônicos e melodias radiofônicas mais uma vez, nas influências folk (que seguem muito na moda ainda) e numa sonoridade estilo “trilha sonora de filme” (outra coisa bem comum nesse estilo). Então o disco soa bem como uma continuação do anterior mesmo, até o estilo da arte de capa não ficou tão diferente.

Cada faixa tem o seu modo de cativar o ouvinte. Durante aproximadamente uma hora de execução, com 13 músicas ao todo, o disco flui agradavelmente. Quase não é possível apontar uma faixa que destoe nessa qualidade. Dentre as que mais se destacaram pra mim, incluo a faixa-título, que abre o disco e é o primeiro single, Beautiful Lies, que conta com a participação do vocalista Rick Altzi (Masterplan, At Vance), Written In Blood, com um refrão excelente, Beyond The Mirror, Halo of the Dark, a densa Forget My Name, a pesada Shine and Shade, a intensa Heaven In Hell e a suave balada Love’s A Burden, que encerra o álbum.

É um disco para aqueles que não exigem de uma banda que ela seja a grande salvação do rock. A pretensão da banda claramente não é essa. É um disco sem rodeios, de uma banda que segue sincera na vontade de fazer música simples em um estilo consagrado entre os fãs. Lost In Forever é uma ótima sequencia dessa proposta, e um ótimo disco para quem gosta do gênero. Vale a pena continuar acreditando nessa garotada.


Nota: 8,5/10
Status: carismático e convidativo

Faixas:
01. Lost in Forever
02. Beautiful Lies
03. Written in Blood
04. Against The World
05. Beyond The Mirror
06. Halo of the Dark
07. Dies Irae
08. Forget My Name
09. Burning In Flames
10. Nevermore
11. Shine And Shade
12. Heaven In Hell
13. Love’s A Burden

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Lynyrd Skynyrd – One More For The Fans (2015):



Por Davi Pascale

Show em homenagem ao Lynyrd Skynyrd chega às lojas brasileiras. A apresentação é bem profissional, conta com vários nomes de peso e certamente agradará aos fãs de classic rock.

Em 2014, o grupo Lynyrd Skynyrd recebeu um show em sua homenagem. No Brasil, talvez muitos só conheçam “Sweet Home Alabama” e “Freebird”, mas nos Estados Unidos eles são reverenciados. São reconhecidos como um dos criadores daquilo que é conhecido como southern rock. Pois bem... Em 12 de Novembro de 2014, vários músicos subiram ao palco do lendário Fox Theater para homenagear o grupo. O local há uma razão de ser. Era meio que uma campanha para tentar salvar a casa que estavam querendo demolir. Foi exatamente nessa casa que foi gravado o histórico One More For The Road

A sonoridade da banda, nada mais é do que uma mistura de hard rock, blues e country. Os organizadores do evento sacaram isso e convidaram músicos dos 3 gêneros para participarem da apresentação. No cast, misturavam-se veteranos e novatos. Nada mais justo, já que o conjunto está até hoje na ativa e há gente de todas as idades na plateia dos caras. Como disse anteriormente, em sua terra natal são idolatrados.

Cheap Trick é um dos artistas que participam do evento

O show inicia com uma versão correta de “Whiskey Rock-A-Roller” na voz de Randy House. Entretanto, o primeiro a me chamar a atenção foi Robert Randolph & Jimmy Hall com sua interpretação de “You Got That Right”. Randolph rouba a cena com um belíssimo solo na sua pedal steel guitar. Outro que se destaca nas seis cordas é o guitarrista Warren Haynes. Tanto na sua interpretação de “That Smell”, quanto na versão de “Simple Man” que realiza ao lado de seu (ótimo) grupo Gov´t Mule.

Aqueles que já são ouvintes de rock n´ roll há alguns anos, certamente irão reconhecer o guitarrista Peter Frampton e o músico Gregg Allman (Allman Brothers). Aliás, Gregg é outro dos grandes destaques do show. O rapaz coloca toda sua alma na interpretação do clássico “Tuesday´s Gone”. Quem acompanha a nova cena, irá se deliciar com a participação do Blackberry Smoke. Um nome atual da cena southern que vem crescendo cada vez mais. Foi montada uma super banda para acompanhar os artistas solo. Esses tocaram, em sua maioria, com arranjo bem próximo ao original. Aqueles que foram com o grupo completo ou optaram por violão/voz, tiveram um pouco mais de liberdade nos arranjos. Caso da ótima performance do Cheap Trick. Não descaracterizaram a música, mas certamente inseriram a marca deles.

Músicos se unem no final do show

O repertório foi escolhido a dedo. Todas as canções retratadas aqui podem ser consideradas clássicos da carreira dos músicos. Quem admira a banda, certamente vai se emocionar com a participação de Donnie Van Zant (38 Special), irmão dos dois vocalistas que passaram pela banda. E também quando a formação atual sobe ao palco para fechar a noite. Em “Travellin´ Man”, Johnny Van Zant faz um dueto com seu falecido irmão Ronnie. Ainda encontram tempo para relembrarem seus dois maiores clássicos. As já citadas “Freebird” e “Sweet Home Alabama”. Essa última com a participação de todos os convidados no palco.

O show - que chega ao mercado em CD, DVD e blu-ray – virou especial da AXS TV e é muito bem gravado. Os músicos são todos de alto calibre. E as músicas são deliciosas. Para quem curte rock n´ roll não muito pesado, prato cheio. E para quem é fã da banda, essencial!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
      01)   Whiskey Rock-a-Roller – Randy Houser
      02)   You Got That Right – Robert Randolph & Jimmy Hall
      03)   Saturday Night Special – Aaron Lewis
      04)   Workin´ For MCA – Blackberry Smoke
      05)   Don´t Ask Me No Questions – O.A.R.
      06)   Gimme Back My Bullets – Cheap Trick
      07)   The Balld of Curtis Loew – Moe & John Hyatt
      08)   Simple Man – Gov´t Mule
      09)   That Smell – Warren Haynes
      10)   Four Walls of Raiford – Jamey Johnson
      11)   I Know a Little – Jason Isbell
      12)   Call Me The Breeze – Peter Frampton
      13)   What´s Your Name – Trace Adkins
      14)   Down South Junkin´ - Charlie Daniels & Donnie Van Zant
      15)   Gimme Three Steps – Alabama
      16)   Tuesday´s Gone – Gregg Allman
      17)   Travelin´ Man – Lynyrd Skynyrd
      18)   Free Bird – Lynyrd Skynyrd
      19)   Sweet Home Alabama – Lynyrd Skynyrd & All Star Ensemble
Extra:
-          Lynyrd Skynyrd Interview
-          Influence of Lynyrd Skynyrd 
-          Country and Lynyrd Skynyrd

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Música Comentada: Smashing Pumpkins – Today

Por Rafael Menegueti

A formação do Smashing Pumpkins em 1992
Billy Corgan é, na minha opinião, um dos caras mais notáveis na historia do rock alternativo. Enquanto o mundo da música pirava com as bandas de Seattle, no inicio dos anos 90, Billy fazia de tudo para conseguir com que seu Smashing Pumpkins, de Chicago, fosse o próximo grande fenômeno da música. Pode-se dizer que ele conseguiu, talvez não tanto quanto ele queria, mas a banda estourou, e muito por causa do que ele conseguiu em seu segundo álbum, Siamese Dream, de 1992.

Quando a banda entrou em estúdio para gravá-lo, a gravadora colocou uma certa pressão para que ele ficasse pronto logo. Nessa época, Billy estava tendo alguns problemas para compor. Ele passava por uma depressão e toda a expectativa em cima da banda ajudou a fazer com que ele tivesse um bloqueio criativo. E foi Today a primeira música que ele conseguiu compor para o disco.

A música tem um tom irônico, visto que sua melodia alegrinha contrasta com uma letra suicida e depressiva escrita por Corgan. Muita gente nem nota isso, visto que os versos iniciais dizem “hoje é o melhor dia que eu já tive”, mas na verdade isso seria uma ironia, com a ideia de que ele seria o melhor porque pior não podia ficar.

O pessoal da gravadora gostou da canção, por acreditar que ela tinha cara de hit. Billy, com sua personalidade forte e obsessão por controle, precisava que as músicas ficassem perfeitas. E era uma preocupação para ele o fato de o baterista Jimmy Chamberlin estar tendo problemas com drogas e o fim do relacionamente entre o guitarrista James Iha e a baixista D’arcy Wretzky atrapalharem o andamento das gravações. Por isso, dizem que ele acabou gravando a maior parte de todos os instrumentos no álbum.

Today sempre foi idealizada para ser a música que alavancaria as vendas do disco, pelo menos para a gravadora. Mesmo assim, após perder o prazo final de entrega do álbum (foram meses de atraso) e estourar a verba de produção, Billy decidiu insistir com a gravadora para que Cherub Rock fosse o primeiro single. Nisso ele errou, já que Today, que foi lançada depois, acabou de fato abrindo caminho para a banda no mainstream, enquanto Cherub Rock passou mais desapercebida. Ao lado de Disarm, foram os primeiros grandes hits da banda.


Today is the greatest
Day I've ever known
Can't live for tomorrow
Tomorrow's much too long
I'll burn my eyes out
Before I get out

I wanted more
Than life could ever grant me
Bored by the chore
Of saving face

Today is the greatest
Day I've ever known
Can't wait for tomorrow
I might not have that long
I'll tear my heart out
Before I get out

Pink ribbon scars
That never forget
I tried so hard
To cleanse these regrets
My angel wings
Were bruised and restrained
My belly stings

I want to turn you on

Hoje é o melhor
Dia que já vivi
Não posso viver para o amanhã
O amanhã é muito longo
Eu qeimarei meus olhos
Antes que o dia chegue

Eu quis mais
Do que a vida poderia me dar
De saco cheio da rotina
De salvar minha honra

Hoje é o melhor
Dia que já vivi
Não posso esperar pelo amanhã
Posso não chegar tão longe
Vou arrancar meu coração fora
Antes que o dia chegue

Cicatrizes de laços rosas
Que nunca se esquecem
Eu tentei tanto
Limpar estes desgostos
Minhas asas de anjo
Foram machucadas e enfaixadas
Sinto pontadas na barriga

Quero te excitar

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Rock e Carnaval: Traição ou Liberdade?



Por Davi Pascale

E mais uma vez tivemos a prova de que os headbangers do Brasil não são tão mente aberta quanto gostaríamos. Angra e Sepultura participaram do Carnaval desse ano. E o que era para ser celebrado tornou-se motivo de críticas. Ambos os grupos foram atacados por boa parte da base de fãs e muitos deixaram de seguir seus ídolos por conta do ocorrido. Mas e aí? Os músicos estão certos ou errados?

Carnaval é uma das festas mais populares do Brasil. Todos os anos, multidões vão às ruas para ver os desfiles de escolas de samba, para seguir os trios elétricos ou apenas para se divertir com os amigos (beber, namorar, etc). Há quem diga que o “Brasil só funciona depois do Carnaval”. Provocações à parte, uma das principais reclamações dos roqueiros nessa temporada sempre foi a música. Termos que aturar aqueles hits de verão de décima nona categoria, inúmeros artistas de axé, etc, mas quando o rock n roll adentra a avenida ele não é recebido com aplausos, mas com descaso. Isso, por parte dos próprios roqueiros. Ideologias, ideologias, ideologias...

O mais triste de tudo é que os músicos não fizeram nada demais. Sim, subiram em um trio elétrico. Sim, durante uma festa de Carnaval. Mas os caras subiram lá para tocar seu repertório e músicas de artistas que os influenciaram. Não subiram para tocar Araketu, Babado Novo e Chiclete Com Banana. Não gostei do resultado final, mas a situação deveria ser vista como uma conquista e não como uma vergonha. Depois do rock perder o espaço na grande mídia para axé, sertanejo e funk, dois dos maiores expoentes do heavy metal brasileiro conseguiram conquistar espaço na principal festa do país. Maior tapa na cara do que esse, não há...

Vídeo do Rafael Bittencourt foi um erro

Se houve um erro, foi o vídeo do Rafael Bittencourt. Digo isso por 2 razões. 1) Ele não deveria ter gravado um vídeo falando sobre o assunto. Quando faz isso, demonstra que está se importando com opinião alheia. E o artista tem que estar acima das picuinhas. O artista está à frente do seu tempo. Deveria rir dos comentários e não se doer com eles. 2) Se realmente achasse extremamente necessário um vídeo, não deveria ter gravado naqueles trajes. Onde o deboche era tão grande que fica difícil saber se está falando à sério ou não...

Outro grande motivo de discussão foi a participação do Carlinhos Brown no trio. Ao que tudo indica, o convite partiu dele. Não sou um fã de Carlinhos Brown. Mas não dá para tirar o valor de um cara que escreve músicas com artistas do calibre de Marisa Monte e Arnaldo Antunes. Sem contar que o cara é um ótimo percussionista. Vale lembrar que Carlinhos Brown já havia participado da gravação do disco Roots (Sepultura). Ou seja, não é exatamente uma novidade a junção. Em relação ao Angra? Pelo amor de Deus, os caras misturam heavy metal com música brasileira desde sempre. Poupe-me...

Parceria entre artistas de metal e Carlinhos Brown não é de hoje

Infelizmente, temos mais uma demonstração que ainda persiste aquele pensamento retrógrado de gueto, de underground. O próprio Bittencourt comete essa gafe no vídeo. “Carlinhos Brown nos convidou porque sabe que o heavy metal pertence ao gueto”. Pelo amor de Deus, heavy metal pertence ao mundo. Músicos têm que querer dominar o mundo. Sem essa conversa de quero ser do underground. Até porque se isso fosse verdade não gravariam em inglês, não almejariam mercado internacional. Tudo bem, não há nada de errado e não é nenhuma vergonha ser um artista underground. A vergonha é bater no peito que o gênero se resume à isso.

O errado é o artista deixar de ser quem ele é para ganhar visibilidade, para ganhar dinheiro. Se puder adentrar esses campos sendo ele mesmo, que faça. Vai ver se Bruce Dickinson se envergonha de cantar em estádios, de ter jatinho, se o Ozzy se nega à fazer propagandas, se o Pantera se importava de ter clip na MTV. Regras estão aí para serem derrubadas. E esse show no Carnaval foi o primeiro passo. Menos mimimi, mais atitude, por favor...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Noticias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Netflix irá lançar animação com versões cover de Beatles como trilha

Personagens da animação Beat Bugs
O serviço de streaming mais popular do mundo, o Netflix, está investindo cada vez mais em produções originais, e a próxima promete agradar muito aos fãs de rock de todas as idades. Está em produção uma série animada que tem como inspiração as canções dos Beatles. Beat Bugs conta com direção musical de Daniel Johns (ex-Silverchair), direção de Josh Wakely e terá participação de inúmeros músicos ilustres como Chris Cornell, Eddie Vedder, Pink, Of Monsters and Men, Regina Spector, entre outros, interpretando mais de 50 músicas do Fab Four na trilha sonora. Já estão confirmadas duas temporadas da animação, que deve estrear no segundo semestre.


Korpiklaani anuncia primeiro CD/DVD ao vivo

Os membros do Korpiklaani
A banda de folk metal finlandesa Korpiklaani anunciou o lançamento de seu primeiro DVD ao vivo na carreira. O lançamento conterá material gravado em dois shows realizados pela banda em 2015, em Moscou e Buenos Aires, além de mais algumas apresentações que ainda serão gravadas esse ano, entre elas a no festival Masters of Rock, na Republica Tcheca. Mas os fãs ainda terão uma longa espera, já que o lançamento do CD e DVD está previsto apenas para 2017.

Eths anuncia novo álbum pra abril

A banda Eths
Os franceses do Eths, banda de metalcore liderada pela vocalista Rachel Aspe e pelo guitarrista Staif Bihl, irão lançar seu quarto álbum de estúdio, Ankaa, em abril. Esse será o primeiro full-lenght com a vocalista que substituiu Candice Clot em 2013. A banda, no entanto, já havia estreado Rachel no EP Ex Umbra In Solem, lançado no ano passado. A banda ainda não deu maiores detalhes sobre o novo lançamento.

Membros do Sepultura e Angra participam do carnaval em Salvador

Sepultura, Angra e Carlinhos Brown
Pela primeira vez em suas carreiras, Angra e Sepultura fizeram uma histórica participação especial no carnaval de Salvador esse ano. As bandas foram convidadas pelo músico Carlinhos Brown para participarem de seu trio elétrico, onde executaram mais de 50 canções, entre músicas próprias e covers de clássicos do rock e metal, de bandas como Queen, AC/DC e Twisted Sister. Foi a primeira vez que bandas de heavy metal fizeram parte do circuito Barra-Ondina, considerado uma das maiores festas de rua do mundo.

Angra fará turnê especial de 20 anos de Holy Land

E por falar no Angra, a banda preparou uma ótima surpresa para seus fãs. O grupo anunciou que fará uma turnê especial em comemoração aos 20 anos de lançamento do álbum Holy Land, álbum conceitual que falava sobre o descobrimento do Brasil. Até o momento, a única data confirmada da turnê é do dia 27 de maio, em Belo Horizonte.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Lenny Kravitz – Just Let Go Live (2015):



Por Davi Pascale

Lenny Kravitz lança novo DVD ao vivo. Vídeo continua com o formato de filme e traz o artista em ótimo momento nos palcos. Recomendado!

No final do ano passado, saíram vários DVD´s ao vivo, como vocês já devem ter percebido em nossas resenhas nesse início de ano. Lenny Kravitz foi mais um dos artistas que se aventurou no formato. E, sim, o vídeo vale a pena! A discografia de Lenny Kravitz é polêmica. Há quem defenda que o artista perdeu o brilho em 5. Entretanto, em cima de um palco o rapaz sempre se destacou.

Concordo com quem diz que os anos iniciais representam o momento de maior inspiração do músico. Mesmo assim, consigo admirar seus trabalhos mais recentes. Em especial, os dois últimos: Black And White America e Strut. Sorte minha, já que das 12 músicas do filme principal, 5 saíram de seu mais recente álbum. Entre elas, as ótimas “Dirty White Boots” e “New York City”.

Quem o acompanhou nos anos 90, deve se lembrar dos VHS´s que lançava (e que ainda seguem inéditos em DVD), sendo o mais famoso Alive From Planet Earth. Nos vídeos, o músico misturava imagens de bastidores com imagens de concertos. A ideia prevalece. Não temos uma apresentação de cabo a rabo. O filme mistura depoimentos de Lenny e de seus músicos com canções ao vivo. Para criar o longa, foram escolhidas imagens de diferentes apresentações.

Seus grandes hits continuam fazendo parte de seu repertório. E alguns deles estão aqui. Não faltam canções como “Fly Away”, “It Ain´t Over Til It´s Over” e “Are You Gonna Go My Way”. Até mesmo sua versão de “American Woman” (clássico do Guess Who) se faz presente. O músico soube dosar bem seu set. Mistura faixas do início da carreira, como “Sister”, com faixas de seus álbuns mais recentes, como “Dancing Til Dawn” vinda do It´s Time For a Love Revolution.

Musico mistura entrevista com imagens de shows

Lenny Kravitz sempre foi um puta músico. Quem acompanha o seu trabalho de perto, sabe que grava várias faixas de seus discos sozinho, que é multi-instrumentista. No palco, como não poderia deixar de ser, chama a atenção. Toca guitarra com extrema segurança, canta bem, tem boa presença de palco. Seus músicos de apoio também são excepcionais, onde vale destacar a performance de seu guitarrista Craig Ross e da sua baterista Cindy Blackman. Durante o filme, Kravitz diz algo interessante: “não posso ter um ótimo músico de rock ou um ótimo músico de blues ou um ótimo músico de funk. Preciso de um músico que consiga tocar incrivelmente bem todos esses gêneros, o que não é fácil”. Pode ficar sossegado, estão fazendo bonito.

Esse não é o único depoimento interessante. O que achei mais bacana foi quando o músico comenta do choque de realidade que tomou de Robert Plant quando estava no auge do sucesso. Mas não vou contar a história aqui para não estragar a surpresa.

Uma marca registrada de seus shows são os longos improvisos. Quem curte, pode celebrar. Eles estão aqui, mas em maior parte no material extra. Quem assistir somente o filme principal pode ter uma imagem diferente dos shows. O número de improvisos é maior do que se imagina. A qualidade de gravação está excelente e o repertório é muito bacana. Sim, faltam algumas músicas, mas à essa altura do campeonato, já era de se esperar. Indispensável!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Profissional

Faixas:
      01)   Fly Away
      02)   Dirty White Boots
      03)   American Woman
      04)   Dancin´ Til Dawn
      05)   Strut
      06)   It Ain´t Over ´Til It´s Over
      07)   New York City
      08)   The Chamber
      09)   Sister
      10)   Dig In
      11)   Let Love Rule
      12)   Are You Gonna Go My Way
      13)   Sister (Extra – Versão Completa)
      14)   Always On The Run (Extra)
      15)   Sex (Extra)
      16)   I Belong To You (Extra)
      17)   New York City (Extra – Versão Completa) 
      18)   Let Love Rule (Extra – Versão Completa)