sábado, 6 de fevereiro de 2016

Velhas Virgens – Carnavelhas III: Bebadoriso(2012):



Por Davi Pascale

Carnaval chegando. Quer curtir um Carnaval sem ter que ouvir Ivete Sangalo, Chiclete Com Banana ou Wesley Safadão? Trazemos uma dica para vocês...

Muitos roqueiros dizem não gostar do Carnaval. E isso, obviamente, é mais pela música do que por qualquer outro fator. Não é de hoje que a axé music predomina as festas carnavalescas. Do mais, a celebração traz toda aquela liberdade que os fãs de rock sempre curtiram. Inclusive, em relação ao álcool e ao sexo. E o Velhas soube tirar proveito disso.

Atualmente, não teria banda melhor para fazer esse tipo de arruaça do que a garotada do Velhas Virgens. Afinal, para fazer essas brincadeiras, o artista não pode ter muito pudor. A ideia nasceu com o conceito de criar novas marchinhas de carnaval. As letras das famosas marchinhas muitas vezes apontavam para o duplo sentido. E quer banda mais descarada do que o Velhas Virgens?

Banda faz trabalho menos escrachado sem descaracterizar o grupo

Desde que criaram o Carnavelhas, o conceito é o mesmo: a ideia é trazer os roqueiros para o clima do carnaval. E não afastá-lo deles. Para uma banda que sempre teve uma forte influência de blues, isso poderia ser uma jogada perigosa, mas deu mais do que certo. O que era brincadeira de um disco, tornou-se uma trilogia. E até hoje os caras fazem show cantando essas músicas. Hoje, comentaremos o terceiro volume desse projeto.

Bebadoriso é menos escrachado que os demais discos do Velhas, mas isso tem uma razão de ser. O segundo volume – Do Love Story à Avenida São João – fazia uma homenagem à cidade de São Paulo. Cidade natal do grupo. O terceiro volume continua com o clima de homenagens, mas dessa vez relembrando os grandes humoristas e seus personagens marcantes. A maioria deles, brasileiros. Portanto, se escrachassem demais, o disco poderia perder o tom de homenagem.

As letras foram criadas, na maior parte, inspiradas nos personagens. Em suas características, seus bordões. As figuras emblemáticas da televisão e do cinema brasileiro estão aqui. Velha Surda, Ronald Golias, Trapalhões, Seu Madruga... As homenagens passam por todas as épocas. Da lendária Carmem Miranda até o sucesso do momento Nina (A Praça é Nossa).

Arte inspirada em Paulinho da Viola? Será?!?

Musicalmente, não tem muita diferença dos trabalhos anteriores. A maior parte das canções continua em formato de marchinhas com levada de bateria, linha de baixo e linhas vocais criadas em influência do samba. As guitarras continuam com as distorções do rock. E muitas dessas guitarras contam com a participação de figuras lendárias do rock e do blues brasileiro. São eles: Andreas Kisser (Sepultura), Pepeu Gomes (Novos Baianos), Luiz Carlini (Tutti-Frutti), Roberto Frejat (Barão Vermelho), Clemente Nascimento (Inocentes) e Nuno Mindelis.

Há algumas que contam com uma influência maior de rock como “Balança, Mas Não Cai” e “Como Zé Bonitinho”. Outras, com uma linguagem totalmente samba como “Pro Samba Continuar”, “Samba do Mussum e do Seu Madruga” e “Eta Criola Dificil”. Há referências de maxixe e até samba de roda. Os arranjos estão mais bem desenvolvidos do que o primeiro álbum do projeto (Reveillon 2001). A homenagem ao samba não está presente somente nos arranjos, mas também na capa e no nome do disco. Muito provavelmente se inspiraram em Bebadosamba (Paulinho da Viola). A linda Juliana Kosso solta a voz em “Orfélia, Eu”, enquanto Paulão assume os vocais das demais canções.

Carnavelhas III: Bebadoriso é o álbum perfeito para alegrar suas festas. Alegre, engraçado, para cima e dessa vez pode até tocar perto de seus familiares mais caretas que não apenas não ficarão horrorizados com as letras (Velhas é somente para os fortes) como ficarão emocionados com os interludes com sonoridade de alguns dos personagens homenageados. Junte a família, aperte o play e boa diversão.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Divertido e inteligente

Faixas:
      01)   Pro Samba Continuar
      02)   Proíbe Que Eu Gosto
      03)   Marcha da Catifunda
      04)   Carmemiranda
      05)   Como Zé Bonitinho
      06)   Samba do Mussum e do Seu Madruga
      07)   Didi Mocó
      08)   Síndrome da Velha Surda
      09)   Orfélia, Eu?
      10)   Marcha do Bullying
      11)   No Banco da Praça
      12)   Eta Criola Difícil
      13)   Balança, Mas Não Cai 
      14)   Hino da Eterna Bebedeira

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Black Sabbath adia shows por problemas de saúde de Ozzy

Saúde de Ozzy causou cancelamento de três shows
A turnê The End, que vem sendo apontada como a de despedida do Black Sabbath dos palcos, já começou, mas está tendo problemas. Isso porque o vocalista Ozzy Osbourne está passando por problemas de saúde, o que vem resultando no cancelamento de alguns shows da turnê nessa semana. A sinusite de Ozzy impediu a banda de realizar três shows, todos eles no Canadá. A banda deve voltar aos palcos amanhã (06), em Tacoma, nos EUA. Isso se Ozzy estiver melhor, claro.

Megadeth confirma shows no Brasil

O que já era esperado foi confirmado. O Megadeth irá fazer uma turnê pela América Latina em agosto, com três datas confirmadas por aqui. Além de São Paulo (07), a banda também está confirmada em Brasília (12) e Fortaleza (13). Outras datas devem ser confirmadas em breve. Essa será a primeira passagem da banda pelo país com a nova formação, que conta com o guitarrista brasileiro Kiko Loureiro e o baterista Chris Adler, apresentando a turnê do novo álbum Dystopia.

Phil Anselmo teria pedido para Down seguir sem ele

Phil Anselmo vem sendo acusado de racismo após incidente em show
Após o lamentável episódio em que Phil Anselmo fez gestos racistas em um show, o músico vem sofrendo as consequências por sua atitude impensada. Duramente criticado publicamente por colegas e fãs de metal do mundo todo, o ex-vocalista do Pantera pode agora estar saindo de sua outra banda, o Down. Em uma postagem em sua pagina oficial, o músico voltou a se mostrar arrependido, pedindo perdão mais uma vez e afirmando que sugeriu que seus companheiros seguissem em frente sem ele, para não prejudicar a banda. Ainda não se sabe se ele realmente saíra do Down ou não. A banda foi excluída do festival holandês FortaRock por conta do episódio com Phil.

Novo álbum do Otep em abril

O Otep, banda liderada pela vocalista e ativista Otep Shamaya, irá lançar seu novo álbum de estúdio, o sétimo da carreira, no dia 15 de abril. Nomeado Generation Doom, o disco contará com doze faixas, e será lançado pela gravadora Napalm Records. Chama a atenção no tracklist a presença de uma cover da música Royals, da cantora Lorde. Confira a tracklist completa e capa abaixo.


01. Zero
02. Feeding Frenzy
03. Lords Of War
04. Royals (LORDE cover)
05. In Cold Blood
06. Down
07. God Is A Gun
08. Equal Rights, Equal Lefts
09. No Color
10. Lie
11. Generation Doom
12. On The Shore

Hollywood Vampires fará tributo à Lemmy no Grammy Awards

Hollywood Vampires
O supergrupo Hollywood Vampires, formado por nomes como Alice Cooper, Joe Perry e o ator Johnny Deep, irá prestar uma homenagem ao eterno líder do Motörhead, Lemmy Kilmister, morto no final do ano passado. A banda fará um tributo à Lemmy durante sua apresentação no Grammy Awards, na próxima semana. Além de uma música nova, chamada As Bad As I Am, eles devem fazer uma cover do clássico Ace of Spades para o evento.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Música Comentada: Green Day – Basket Case

Por Rafael Menegueti

Green Day em 1994
Dookie pode ser considerado um dos grandes álbuns do punk rock moderno, mesmo que o Green Day sofra de uma certa resistência por parte de muitos fãs do gênero. O fato é que o terceiro disco de estúdio dessa banda formada na cidade de Berkeley, na Califórnia, conseguiu um sucesso comercial estrondoso após seu início consistente no cenário underground. Essa semana, Dookie completou 22 anos de seu lançamento, e segue sendo idolotrado pelos fãs da banda.

O terceiro single que foi lançado desse álbum foi Basket Case, e podemos arriscar dizer que é o maior hit da banda. A faixa está entre as mais populares dos anos 90 e, assim como todo o álbum de que faz parte, é bem simples e direta na sua ideia. O nome da música é uma expressão da língua inglesa que se refere a uma pessoa disfuncional, instável, inútil. O vocalista e guitarrista Billie Joe se refere na música a suas crises de ansiedade e pânico que tinha na adolescência. Billie achava que estava ficando louco, e compor músicas era o único modo que ele encontrava para entender o que se passava com ele.

Com o passar do tempo, Billie afirmou que a canção passou a ter um novo significado para ele, passou a falar sobre outras pessoas. Segundo ele, conforme relatado em uma entrevista à Rolling Stone em 2014, ao olhar para o público durante seus shows ele vê as pessoas tendo seu próprio momento enquanto curtem a música, então ele se torna o espectador de seu próprio público.

Assim como varias faixas de Dookie, Basket Case começa direto nos versos, sem uma introdução. Isso porque a banda queria as composições o mais simples possível, sem enrolações. O baterista Tre Cool afirmou que o álbum de estreia dos Beatles, Please Please Me foi uma das influências de Dookie nesse sentido.



Do you have the time
To listen to me whine
About nothing and everything all at once?
I am one of those
Melodramatic fools
Neurotic to the bone
No doubt about it

Sometimes I give myself the creeps
Sometimes my mind plays tricks on me
It all keeps adding up
I think I'm cracking up
Am I just paranoid?
Am I just stoned?

I went to a shrink
To analyze my dreams
She says it's lack of sex that's bringing me down
I went to a whore
She said my life's a bore
And quit my whining cause it's bringing her down

Grasping to control
So I better hold on

Você tem tempo
Pra me ouvir choramingar
Sobre nada e tudo ao mesmo tempo?
Eu sou um desses
Tolos melodramáticos
Neurótico até o osso
Sem dúvida nenhuma

Às vezes eu me causo arrepios
Às vezes minha mente apronta comigo
Isso tudo se acumula
Acho que estou que estou sofrendo um colapso
Eu estou apenas paranóico?
Estou apenas chapado?

Eu fui a uma psicóloga
Para analisar meus sonhos
Ela diz que é a falta de sexo que me deixa pra baixo
Eu fui a uma prostituta
Ela disse que minha vida é um tédio
E me fez parar de reclamar porque estava deixando ela pra baixo

Fugindo do controle
Então é melhor eu aguentar

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Lobão – O Rigor e a Misericórdia (2016):



Por Davi Pascale

Depois de 10 anos sem lançar um trabalho de inéditas, o velho lobo volta a atacar. E o cara está mais afiado do que nunca.

Lobão sempre foi o típico artista ame ou odeie. Sempre fez o que teve vontade, sempre disse o que estava pensando no momento. Como aquela velha música de Raul, “eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, muitas vezes mudou de convicção. Atacou o formato acústico, mas gravou álbum acústico. Fez propaganda para o PT, agora é símbolo de oposição ao partido. Nunca foi uma figura fácil de compreender, talvez por isso mesmo seja um artista tão interessante. É irrequieto.

Pode-se questionar suas declarações (se bem que costumo concordar com o que diz), algumas de suas atitudes, porém não dá para questionar seu talento na música. Ao lado de Cazuza, Renato Russo e Arnaldo Antunes, foi considerado um dos melhores compositores da geração 80. Sempre foi um bom guitarrista, um bom baterista e um ótimo compositor. Prova disso é seu novo trabalho, O Rigor e a Misericórdia, que deve ir muito em breve para as lojas. Nele, Lobão gravou todos os instrumentos. As músicas são todas suas. Falem o que quiserem, mas gravar um álbum autoral completamente só é tarefa para poucos.

João Luiz Woerdenbag Filho diversas vezes correu riscos em sua discografia. Flertou com o samba (Cuidado!), o eletrônico (Noite), o rock progressivo (Vímana), o hard rock. O novo disco é um álbum de rock n´ roll. Há músicas pesadas, com guitarra distorcida, sonoridades oras épicas, oras sombrias. E claro, há suas baladas com o som do seu violão invadindo os alto-falantes. Os arranjos soam atuais, mas mantêm sua essência.

Lobão lança disco contundente e consistente

“A Posse dos Impostores” e “Os Vulneráveis” trazem à tona sua influência setentista com fortes referências de Led Zeppelin, Black Sabbath e afins. “Alguma Coisa Qualquer” é arrastada e sombria. Bem nos moldes de “Boa Noite Cinderella” (Canções Dentro da Noite Escura). “Uma Ilha na Lua”, “Ação Fantasmagórica à Distância” são as famosas baladas violão/voz que ele faz desde os anos 80, à exemplo de “Chorando no Campo”. “O Rigor e a Misericórdia” traz o gingado dos tempos de Nostalgia da Modernidade / Noite.

Não é de hoje que Lobão faz letras com sua insatisfação com o país, com nossa política. Faixas como “O Eleito”, “Presidente Mauricinho” e “Samba da Caixa Preta” já iam direto na ferida. Aqui, continua com o assunto de maneira descarada em “A Marcha dos Infames” e “A Posse dos Impostores”. Há outras, menos direta, mas que podemos sentir a provocação como “Os Vulneráveis”. Mas nem todas as faixas são de cunho político. Não faltam letras versando sobre amor, solidão, perda... Em “Ação Fanstamagórica à Distância”, por exemplo, faz uma bonita homenagem à seu pai. As letras são muito bem escritas e sempre tem uma mensagem por trás.

O Rigor e a Misericórdia figura entre os grandes discos já gravados pelo músico – como Vida Bandida, O Rock Errou, A Vida É Doce. O disco demorou para ver a luz do dia, mas o cantor fez valer a espera. Quem é fã, pode ir sem medo.

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Intrigante

Faixas:
      01)   Overture
      02)   Os Vulneráveis
      03)   A Marcha dos Infames
      04)   Assim Sangra e Mata
      05)   O Que Es La Soledad En Sermos Nosotros
      06)   Alguma Coisa Qualquer
      07)   Dilacerar
      08)   Os Últimos Farrapos da Liberdade
      09)   A Posse dos Impostores
      10)   Ação Fantasmagórica à Distância
      11)   Profunda e Deslumbrante Como o Sol
      12)   Uma Ilha na Lua
      13)   A Esperança é a Praia de Um Outro Mar
14)   O Rigor e a Misericórdia

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Eclipse – Armageddonize (2015):



Por Davi Pascale

Grupo sueco chega ao seu quinto trabalho. Músicos continuam apostando na sonoridade hard 80´s e devem empolgar os fãs do gênero.

Quem viveu os anos 80 e curtiu a cena de L.A. deve estar com um sorriso no rosto com a retomada do gênero. Vários ótimos grupos surgiram nos últimos anos tentando reviver aquela atmosfera: Crashdiet, Reckless Love, H.E.A.T., Dynazty, Steel Panther... Outro ótimo exemplo é o grupo que estamos comentando hoje, o Eclipse.

A banda ainda é vista pela crítica como um novato, mas lá se vão 15 anos desde que os caras iniciaram sua trajetória. A dupla Erik Martensson (vocal) e Magnus Henriksson (guitarra) são considerados heróis por aqueles que curtem essa retomada. E verdade seja dita, são os dois que sobressaem durante a audição mesmo. Bom... sendo honesto, o grupo começou a chamar a atenção da moçada com seu trabalho anterior, o ótimo Bleed & Scream. Talvez, por isso, ainda sejam vistos como um ‘novo nome’. E não tem nada de errado com isso. Alguns grupos demoram a acontecer mesmo. Nos anos 90, tivemos alguns exemplos disso. Soundgarden e Soul Asylum se destacaram na mídia depois de anos ralando no cenário underground.

Erik Martensson se sobressai no disco

“I Don´t Wanna Say I´m Sorry”, “Wide Open”, “Love Bites” (não, não é a do Def Leppard. Nem a do Judas Priest), “Caught Up In The Rush” e “All Died Young” são as mais rocks, as mais pesadas. Como um bom grupo de hard rock, o CD é guiado por guitarra e voz. E isso é o que se destaca nessas faixas. Os riffs e as linhas vocais melódicas se sobressaem. Sim, há a presença de teclados, mas são sutis.  Em “Stand On Your Feet” e “The Storm”, duas que contam com uma pegada um pouco mais comercial, o teclado se sobressai mais, mas mesmo assim não chega a encobrir as guitarras. O peso é mantido. Influências de grupos como Def Leppard, Journey e Skid Row são sentidas durante a audição.

“Breakdown” é a que mais se afasta do restante álbum, contando com uma pegada mais bluesy e uma linha vocal bem David Coverdale. Me lembrou bastante grupos como Whitesnake e Blue Murder, mas é a única nessa linha. Como todo bom grupo do gênero, não poderia faltar uma baladinha. Trazem aqui “Live Like I´m Dying”. Boa faixa, mas foi a que menos me agradou.

Talvez a galera exagere na paixão à dupla Erik/Magnus, mas não há como negar que são extremamente competentes e fazem a diferença na banda. Para quem sente falta dos dias em que os grupos de rock enchiam arenas, dos dias em que os grupos celebravam diversão acima de tudo, dos dias em que os músicos não tinham vergonha de serem comerciais, a audição é obrigatória. Aperte o play e boa viagem no tempo!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Nostálgico e Empolgante

Faixas:
      01)   I Don´t Wanna Say I´m Sorry
      02)   Stand On Your Feet
      03)   The Storm
      04)   Blood Enemies
      05)   Wide Open
      06)   Live Like I´m Dying
      07)   Breakdown
      08)   Love Bites
      09)   Caught Up In The Rush
      10)   One Life – My Life 
      11)   All Died Young

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Serenity – Codex Atlanticus (2016)

Por Rafael Menegueti

Serenity - Codex Atlanticus
Na ultima sexta feira tivemos vários lançamentos oficiais de bandas diversas. Um deles foi o novo álbum da banda de power metal austríaca Serenity. Embora ainda não estejam entre as mais conhecidas do estilo, eles caminham para isso a cada lançamento, e Codex Atlanticus é mais um grande passo para isso.

Em meio a um estilo que costuma se prender a temáticas de fantasia, o Serenity é uma banda que se difere em preferir trazer em suas letras referencias históricas reais, com personagens e eventos que fazem parte da historia da humanidade e, mais especificamente, da Europa. Se nos dois últimos álbuns, Death & Legacy (2011) e War of Ages (2013), a banda escolheu diversos nomes históricos para ser o tema de suas canções, em Codex Atlanticus a banda focou em uma só personalidade: Leonardo Da Vinci. Todas as músicas do álbum são inspiradas na vida do pintor, inventor, cientista, dentre outras atividades, nascido em Florença (atual Itália).

O som da banda parece bem mais encorpado em algumas canções desse novo disco. A banda passou por algumas alterações desde War of Ages. A vocalista Clementine Delauney, que dividiu a função com Georg Neuhauser no disco, deixou a banda e não teve substituta. O guitarrista Thomas Buchberger foi substituído por Cris Tían, que conseguiu manter a qualidade na pegada, nos riffs e solos dos trabalhos anteriores. E o baixista Fabio D’Amore ainda aparece como segundo vocalista em alguns trechos do álbum.

Serenity
Mas a essência de tudo segue sendo como antigamente. Melodias belas que se intercalam com riffs poderosos e orquestrações que trazem a banda para o universo do metal sinfônico que tanto os identifica. É notável como a banda consegue fazer músicas épicas sem toda aquela pomposidade que as vezes encontramos no estilo. Follow Me apresenta uma boa abertura para o disco (após a faixa-introdução que leva o nome do disco), na medida de uma canção melódica e típica do estilo. Surpreende ouvir uma certa influência de thrash nos versos de Sprouts of Terror, cantados pelo baixista Fabio com um tom maior de agressividade, antes de um refrão que nos traz de volta ao power metal. Iniquity funciona mais na proposta de uma faixa bem mais sinfônica e clássica.

Há ainda o momento “balada sinfônica” em My Final Chapter, entre outras canções que se destacam, como a mais sombria Caught In a Myth, a pesada Fate of Light, e a incrivelmente melódica The Perfect Woman, que conta com a participação de Amanda Sommerville. Mais perto do fim do disco, outra faixa épica e cativante, Spirit In the Flesh, traz o vocalista Georg intercalando o refrão com Fabio. Pra encerrar, The Order mostra elementos progressivos e empolgantes, além de um ótimo riff.

Me arrisco a dizer que esse é o melhor álbum da banda, e pelo menos, já é um dos meus favoritos dentre os lançamentos mais recentes do estilo. Codex Atlanticus não cansa com sua sonoridade imensamente cativante e ao mesmo tempo mostra peso e referências musicais excelentes. Vale a pena em todos os sentidos, tanto pelas músicas como pelas letras interessantes e bem trabalhadas que a banda apresenta. Que o Serenity continue com suas grandes ideias.


Nota: 9/10
Status: Inspirador e empolgante

Faixas:
01. Codex Atlanticus
02. Follow Me
03. Sprouts of Terror
04. Iniquity
05. Reason
06. My Final Chapter
07. Caught in a Myth
08. Fate of Light
09. The Perfect Woman
10. Spirit in the Flesh
11. The Order

domingo, 31 de janeiro de 2016

Phil Anselmo e o white power



Por Davi Pascale

Os headbangers ficaram chocados ao assistirem ao vídeo que caiu no Youtube do evento Dimebash. A ideia do evento é muito bacana. Nele, vários músicos se juntam para celebrar Dimebag Darrell, genial guitarrista do Pantera que foi covardemente assassinado em 2004. A participação de Phil Anselmo, vocalista do grupo, está sendo super comentada. E, infelizmente, não por um aspecto positivo.

Seu convite foi realmente uma surpresa para mim, já que a relação do cantor com Dimebag não era das mais amigáveis. Tanto que Phil foi proibido pelos familiares do músico (onde inclui o irmão de Dimebag, Vinnie, baterista da banda) de comparecer ao velório e ao enterro do rapaz, na ocasião. Claro que, quem é fã, não se importa muito com essas picuinhas e quer ver os músicos juntos levando um som. O problema é que a postura de Anselmo não foi da mais inteligente.

Sim, sou fã do Pantera, do Down, do Superjoint Ritual. Sou um fã de Phil Anselmo. Acho o cara extremamente carismático, acho que tem uma ótima voz e considero alguns discos que gravou como clássicos. Mas quando nossos ídolos pisam no tomate, precisamos reconhecer a mancada, certo?

Pois bem, no show dessa semana o cara teve uma atitude injustificável ao reproduzir um gesto nazista e berrar com os pulmões cheios a expressão ‘white power’. No bom e velho português, poder branco. Muita gente está defendendo o cantor dizendo que a expressão não está necessariamente associada ao racismo. Qual o problema nessa expressão, afinal? Essa expressão, white power, é utilizada por aqueles que consideram a raça ariana (branca) superior às demais. E é muito utilizada por grupos que promovem atentados contra negros, homossexuais e miscigenados (árabes, por exemplo, não escapam dos ataques). Quando alguém diz isso seguido de um gesto nazista, a ligação à esses grupos é quase que automática.

Além de ser uma burrice (todo preconceito é burro), é algo extremamente perigoso. Phil Anselmo é um dos ícones do heavy metal, possui influência em milhares de jovens. Existem muitos garotos que são fanáticos por algo/alguém, que seguem à risca tudo que falam, que seguem suas atitudes como exemplo. O Pantera já sofreu com fanatismo. Dimebag Darrell foi assassinado no palco, durante uma apresentação com o Damageplan, por um fã que o culpava pelo fim do grupo. Já pensou na pancadaria que poderia ter ocorrido no local se tivesse por lá algum daqueles fãs que consideram Phil Anselmo um Deus? Será que não tinha um negro sequer no local? Duvido!

Inicialmente, o músico tentou se esquivar do assunto dizendo que havia sido uma piada por conta de um vinho (?!?!?!) que havia tomado nos bastidores e que não iria comentar o caso. Mas não teve jeito. Muitos fãs se revoltaram. Muitos colegas de profissão se revoltaram. O cantor foi forçado a se desculpar publicamente. Tenho certeza que a ideia foi do seu assessor de imprensa. Pelo menos, topou a parada. Tem músicos que se negam a postar pedido de desculpas (Por mais que a equipe aconselhe, a palavra final é sempre do artista).

Phil Anselmo não é mais um garotinho. Já tem idade suficiente para saber o que está fazendo e já tem tempo de estrada suficiente para saber o poder que possui com seus admiradores. Está na hora de começar a refletir um pouquinho, pensar antes de falar, antes que suas atitudes imaturas resultem em algum tipo de tragédia. Torço para que essa tenha sido a última pisada de bola do rapaz.