quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Lafayette e os Tremendões – A Nova Guarda (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Músicos da geração anos 90/00 se unem à figura emblemática da Jovem Guarda. Em seu segundo álbum, músicos apostam em canções inéditas onde tentam reviver o início do rock brasileiro.

Aposto que muitos de vocês devem estar se perguntando: Afinal, quem é Lafayette? Lafayette é lembrado por muitos como o rapaz que gravava ao lado de Roberto Carlos na época da Jovem Guarda. Na real, ele gravava com a maior parte dos artistas do movimento. Chegou a participar de discos de diferentes artistas como Martinha, Wanderléa, Golden Boys, Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, só para citar alguns. Muitos defendem a idéia de que a Jovem Guarda não teria sido a mesma sem sua contribuição.

O músico, que já está com mais de 70 anos, se uniu ao grupo Os Tremendões em 2004, por acaso. Gabriel Thomaz assistiu à uma apresentação do tecladista em um shopping center e o convidou para comparecer ao ensaio de uma banda que havia criado para tocar canções daquela época. Para a surpresa de todos, ele apareceu, levou um som com os garotos e decidiu ficar no conjunto. Cinco anos depois, chegava às lojas o primeiro CD. As 15 Super Quentes trazia releitura de velhas canções daqueles tempos. Agora, lançam seu primeiro trabalho autoral.

O time é formado por Nervoso (Acabou La Tequila), Renato Martins (Canastra), Melvin Ribeiro (Carbona), Érika Martins (Penélope), Raphael Miranda (Luxuria), Gabriel Thomaz (Autoramas) e, é claro, Lafayette.

Músicos resgatam espírito da Jovem Guarda em novo CD

Em A Nova Guarda, os garotos tentam recriar a sonoridade da época. Mantiveram a batida das canções e a inocência das letras (embora os assuntos remetam à temas atuais). E, é claro, que o famoso tecladista não se reinventou. Segue a risca fazendo aquilo que se espera dele, utilizando o mesmo instrumento que sempre utilizou: seu famoso órgão Hammond B-3. Embora o projeto tenha nascido da cabeça de Gabriel Thomaz, a maior parte das composições são de Renato. 

“As Canções da Minha Idade” traz um vocal declamado, assim como Roberto Carlos fez em “Não Quero Ver Você Triste Assim”. O numero instrumental “A Nova Guarda de Lafayette e os Tremendões” nos remetem à grupos como The Clevers e The Jordans. “Eu Tenho Mil Garotas” é uma balada com uma levada meio anos 50, assim como ocorria em canções como “O Ritmo da Chuva” (Demétrius).

Os vocais são divididos ente Erika, Gabriel, Nervoso e Renato.  “Só Verão”, que conta com um teclado com fortes referências de “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” (tentem adivinhar o porquê), traz uma linha vocal meio brega, no melhor sentido da palavra. Nervoso soa como uma mistura entre Roberto Carlos e Reginaldo Rossi (fase rock). Erika Martins se destaca em “Tem Quem Quer”, enquanto seu marido Gabriel Thomaz se sobressai no rock “Decisão”.  

A Nova Guarda é um álbum despretensioso, alegre e bem feito. Certamente irá agradar não apenas aqueles que são fãs dos músicos que participam do projeto (grupos como Autoramas e Penélope nunca esconderam a admiração que tinham pela Jovem Guarda), como aqueles que viveram e sentem um pouco de saudades daquela época. Recomendado à nova e à velha guarda.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Alegre

Faixas:
      01)   A Nova Guarda de Lafayette e Os Tremendões
      02)   Só Verão
      03)   Eu Tenho Mil Garotas
      04)   Deixa Que Eu Deixo
      05)   Pra Viver do Seu Lado
      06)   Não Vale Mais Nada
      07)   Tem Quem Quer
      08)   Te Vejo Nos Meus Sonhos
      09)   As Canções da Minha Idade
      10)   Decisão

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Daniel Johns – Aerial Love EP (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!

Por Rafael Menegueti

Daniel Johns - Aerial Love EP
Vou começar essa resenha sendo bem direto: se você é um fã do Silverchair, das guitarras e das canções fortes e empolgantes, é bem provável que o primeiro registro solo de Daniel Johns não vá te agradar. Depois de um bom tempo longe dos holofotes, exceto por uma trilha sonora aqui ou uma colaboração ali, o (ex?) vocalista do Silverchair lança “Aerial Love”, um EP com quatro faixas que nem de perto lembram o rock que fez da banda australiana um sucesso mundial.

Daniel é o tipo de músico que gosta de deixar claro que faz música para satisfazer a si mesmo e suas ambições musicais, e não aos outros. Em “Aerial Love”, portanto, sua intenção foi mostrar uma faceta moderna de sua criatividade. Um estilo alternativo, que une elementos de R&B, pop e eletrônico. O mais próximo que esse trabalho chega de qualquer coisa que ele já tenha lançado antes talvez seja o grupo Dissociatives, de 2004, mas mesmo assim a distancia ainda é considerável.

Se para um fã dos trabalhos de Johns com suas bandas antigas o EP pode soar decepcionante pela mudança de estilo, o mesmo talvez não se aplique ao trabalho musicalmente como um todo. Analisando as composições do músico australiano por um outro ângulo, sem o olhar de fã de Silverchair que eu sou, “Aerial Love” tem elementos modernos e interessantes, que podem fazer do EP um novo e promissor rumo na carreira musical de Johns.

Esse é o primeiro trabalho solo nos mais de 20 anos de carreira de Daniel Johns
O uso de piano, sintetizadores e batidas leves torna as músicas agradáveis e fáceis de ouvir. A voz de Daniel é suave, e o cantor abusa de falsetes e notas altas, mas sem um esforço muito maior ou complexidade. Aliado a essa musicalidade simples, o que acompanhamos são canções lentas e até cativantes, mas sem algo de muito inovador. Nenhuma das músicas é exatamente marcante, inesquecível, mas são boas dentro do estilo e ideia que se propõem. A faixa-título, música que havia sido lançada no final de janeiro, é apresentada como principal do EP. Honestamente, gostei mais de “Last Night Drive”, bem mais cativante e próxima de um rock leve. “Preach” é mais arrastada, e tem nos vocais de Johns seu principal elemento. “Surrender” me pareceu a mais fraquinha, com um refrão um tanto pegajoso.

Daniel conseguiu fazer de seu primeiro trabalho solo uma boa demonstração de seu talento, de sua habilidade como cantor e de sua criatividade. O EP prova de uma vez por todas que seu compromisso é com a arte que ele quer fazer, e não com a que se espera dele. Só poderia ter sido mais empolgante, mais agitado. É um tanto frustrante pensar que o resultado de tanto tempo de espera de seus fãs tenha sido músicas lentas e simples. Ele poderia ter feito mais, pois ele sabe fazer mais. Espero que ele tenha guardado o melhor para o seu primeiro álbum completo, a ser lançado no segundo semestre. Mais agitação e um pouco mais de empolgação, dai poderemos ter certeza de que acompanhar Daniel Johns em carreira solo valerá mesmo a pena.

Nota: 5,5/10
Status: ousado, mas insosso.

Faixas:
1. Preach
2. Aerial Love
3. Surrender
4. Last Night Drive

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Scooby Doo And Kiss: Rock n Roll Mystery (2105):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Kiss faz nova parceria com a empresa Hanna-Barbera. Em sua primeira animação, os mascarados de Nova Iorque dividem a telinha com o divertido Scooby Doo. DVD já foi lançado...

Embora esse seja o primeiro desenho animado do Kiss, essa não é a primeira produção ao lado de Hanna-Barbera. O lendário filme Kiss Meets The Phantom Of The Park, lançado no Brasil com o nome de Kiss e o Fantasma das Trevas, foi uma parceria dos músicos com o estúdio. O desenho traz algumas referências ao longa.

Assim o como o filme de 1978, toda a confusão ocorre em um parque de diversões em uma noite em que ocorrerá uma apresentação do Kiss. Dessa vez, contudo, os músicos não são meros convidados. Eles são os donos do parque (Kiss World). Outras semelhanças são os superpoderes emprestados aos músicos. Paul Stanley com sua visão raio-x, Gene Simmons cuspindo fogo. Os músicos se teletransportando (com a diferença que na antiga película, esse poder era exclusividade do Spaceman). Além da cena inicial ocorrida em uma montanha russa e os créditos iniciais ao som de “Rock n´ Roll All Nite”.

Na historinha, Daphne é apaixonada pelo Starchild (Paul Stanley) e arma uma cilada para que seus amigos – Velma, Fred, Salsicha e o velho cachorro Scooby – levem ela ao show que ocorrerá na noite de Halloween. Quando chegam ao local, descobrem que o parque realmente está com problemas e resolvem ajudar os músicos à decifrarem o mistério. The Demon (Gene Simmons), não está muito confiante da idéia, mas os demais músicos convencem o linguarudo à aceitar a ajuda dos colegas. 

Animação traz várias referências da Kisstory

Juntos, precisam decifrar o mistério e resolve-lo antes do início da apresentação. Uma bruxa que está atrás de um poderoso diamante do grupo (Black Diamond) está aterrorizando o parque. Precisam detê-la o quanto antes e manter o diamante à salvo. Assim como no filme Detroit Rock City (1999), há várias referências à kisstory. A vidente Chikara, o ancião The Elder, o vilão Destroyer, o universo paralelo Kissteria. Sem contar nos personagens Shandi Strutter e Dellilah Domino. Há ainda Stanley pintando um retrato de Daphne (para quem não sabe, ele realmente pinta telas) e a menção ao enorme merchandising da banda.
   
O papel dos músicos não é muito diferente do tão odiado filme dos anos 70: músicos com superpoderes que combatem o mal e levam alegria para as pessoas através de sua música. A diferença é que desenho animado sempre vendeu a idéia de que tudo é possível ocorrer ali. Seja na incrível velocidade do Taz Mania, seja nas trapalhadas de Pernalonga, seja na historinha do Kiss. E funcionou bem! E já que muitos estão atacando os músicos pelo projeto, vale lembrar que essa não é a primeira vez que um artista de rock se aventura nesse universo. Que o diga as várias participações na série Os Simpsons ou ainda a animação Yellow Submarine (The Beatles). 

O desenho é extremamente bem feito e conta com diversos efeitos, além de uma música escrita especialmente para o projeto. Vi algumas pessoas reclamando da dublagem em português. Assisti com o áudio original, mas não duvido que tenha ficado ruim. A dublagem do filme dos anos 70 já não era nenhum primor. Contudo, esse desenho é legal assistir com o áudio original, já que foram os próprios músicos que gravaram as vozes dos personagens. O DVD ainda não foi lançado no Brasil, mas a prensagem importada (tanto do DVD, quanto do Blu-Ray) conta com legenda em português. O desenho é muito bacana. Deixe a raivinha de lado e se divirta. Caso contrário, o senhor não ganhará um biscoito Scooby...

domingo, 10 de janeiro de 2016

Bullet for My Valentine - Venom (2015):

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Por Rafael Menegueti

Bullet for My Valentine - Venom
Os galeses do Bullet for My Valentine sabiam que não seria uma tarefa fácil colocar no mercado o sucessor do mediano “Temper Temper”. A banda de metalcore sempre prezou por fazer um som pesado e ácido, mas a temática de angustia adolescente e os refrães e melodias com apelo comercial afastavam um pouco a banda do público mais maduro e exigente do metal.

Talvez por isso a melhor escolha tenha sido de fato buscar um meio termo entre o que tornou a banda popular em primeiro lugar, resgatando um pouco da sonoridade dos primeiros álbuns, e um uso maior de agressividade e força para mostrar que a banda amadureceu e consegue sim fazer um disco de metal empolgante. O resultado dessa busca está em “Venom”, que foi lançado nessa semana.

A banda conseguiu de certo modo cumprir com esse objetivo. “Venom” é de fato um álbum com muito peso, quase repetindo o clima de “The Poison”, primeiro disco da banda. Mas as melodias e arranjos me remetem principalmente ao terceiro disco da banda, o também bom “Fever”. A primeira pancada do disco, “No Way Out” é uma faixa que poderia facilmente estar naquele disco. A influência forte de thrash metal continua sendo uma aposta da banda, mas eles adquirem uma cara própria com seu jeito de criar andamentos velozes e foco em riffs rápidos. Essa é a principal característica de “Army of Noise”. Em “Worthless” e “Venom”, a banda volta a mostrar seu lado mais radiofônico, sendo essas canções com apelo mais “adolescente”.

Quinto álbum da banda galesa funciona como um retorno às origens
O single “You Want a Battle? (Here’s A War)” é outra canção simples e com a cara da banda. Serve como hit, mas não chega a surpreender. “Broken” por sua vez é mais amadurecida e se destaca no álbum. A sonoridade mais jovial e com pitadas pop-rock volta a dar as caras em “Skin” e “Hell or High Water”. A faixa que encerra o disco, “Pariah”, já volta a ser mais agressiva e investe em uma sequencia de riffs bem elaborados. O disco ainda tem faixas bônus variadas em cada uma de suas versões diferentes lançadas pelo mundo.

“Venom”, a meu ver, é um disco onde o BFMV procura um espaço maior dentro da cena metal. Em determinados momentos, com o uso de bons riffs, andamentos rápidos e muito peso, a banda consegue essa aproximação. Mas a temática e clima das canções, reforçadas pelo retorno à sonoridade dos primórdios de sua carreira, ainda impedem que grupo possa se firmar entre os fãs exigentes do gênero. O Bullet for My Valentine lançou mais um bom disco, mas que continuara sendo ouvido apenas pelos adolescentes e fãs menos xiitas do estilo. Pra eles deu certo até agora, então tudo bem.

Nota:7,5/10
Status: Jovial e agressivo 

Faixas:
01. V
02. No Way Out
03. Army of Noise
04. Worthless
05. You Want a Battle? (Here's a War)
06. Broken
07. Venom
08. The Harder the Heart (The Harder It Breaks)
09. Skin
10. Hell or High Water
11. Pariah
12. Playing God (Bonus Deluxe Edition)
13. Run for Your Life (Bonus Deluxe Edition)
14. In Loving Memory (Bonus Deluxe Edition)
15. Raising Hell (Bonus Deluxe Edition)

sábado, 9 de janeiro de 2016

Bryan Adams – Get Up (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Bryan Adams chega ao seu décimo-terceiro álbum. Com produção de Jeff Lynne (Electric Light Orchestra), artista entrega álbum retrô misturando a sonoridade que fazia nos anos 80 com uma pegada anos 50/60. Seu melhor disco nos últimos anos.

Durante os anos 80 e início dos anos 90, o artista canadense era tido como um hitmaker. Cada vez que lançava um disco, era certeza que pelo menos umas 3 faixas iriam para as rádios. Infelizmente, o mundo foi mudando, a sonoridade das rádios foi mudando e muitos artistas extremamente talentosos – como Prince, Billy Idol e o próprio Bryan, somente para citar alguns – acabaram perdendo seu espaço na grande mídia.

Durante os anos, aventurou-se em todos os universos que seu som permite. Gravou álbuns acústicos, fez experimentações com eletrônico. Aparentemente, o rapaz quer reconquistar aquela moçada que o seguia nos anos 80 e 90. Embora seja um trabalho de composições inéditas, o CD tem um ‘q’ de nostalgia.

O cantor/compositor segue sua velha fórmula de misturar rocks suaves com baladas. A festiva “Do What You Gotta Do” e o rock “Go Down Rockin´” nos dá a sensação de entrarmos no velho De Lorean de Marty McFly e cairmos no ano de 1984, quando o músico lançou seu clássico LP Reckless. Suas marcas principais estão aqui. Seus riffs simples e marcantes, seus refrões grudentos.

Musico canadense aposta em álbum retrô

Entretanto, as mãos de Jeff Lynne trouxe algumas peculiaridades ao seu som. O lendário músico, responsável pela produção do novo álbum, trouxe elementos dos anos 50 e 60 e os colocou em bastante evidência nas canções do rapaz. O rock “You Belong To Me” aponta para uma pegada mais rockabilly. “That´s Rock n´ Roll” traz o refrão marcado por palmas, como os Beatles faziam em seus primeiros anos. A balada “Don´t Even Try” poderia ter sido gravada por Roy Orbison, caso esse estivesse vivo.

Aliás, o rapaz parece continuar não se incomodando com a presença de baladas e entrega mais duas aqui: “We Did It All” e “Yesterday Was Just a Dream”. A influência de Lynne é sentida nos violões e nas slide guitar. Sem problemas, ambos são feras nesse universo. No final do álbum, temos Bryan interpretando 4 músicas somente com violão e voz. Bacana, mas sem o brilho das versões anteriores.

As composições são excelentes, o disco é muito bem feito. Se você curtiu nas suas fitinhas cassetes sons como “It´s Only Love”, “Somebody” e “Summer of ´69” ou curtiu em bailinhos sons como “Heaven”, “Please, Forgive Me” e “Everything I Do (I Do It For You)”, tem de tudo para gostar desse CD. Seu melhor disco desde 18 Til I Die (1996).

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Nostalgico

Faixas:
      01)   You Belong To Me
      02)   Go Down Rockin´
      03)   We Did It All  
      04)   That´s Rock n´ Roll
      05)   Don´t Even Try
      06)   Do What You Gotta Do
      07)   Thunderbolt
      08)   Yesterday Was Just a Dream
      09)   Brand New Day
      10)   Don´t Even Try (Acústico)
      11)   We Did It All (Acústico)
      12)   You Belong To Me (Acústico) 
      13)   Brand New Day (Acústico)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Shining – International Blackjazz Society (2015):

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Por Rafael Menegueti

Shining - International Blackjazz Society
A banda norueguesa de metal avant-guard Shining lançou seu novo disco, “International Blackjazz Society”, o sétimo de sua carreira, dando mais um passo adiante em sua inovadora proposta. Quem viu a resenha do seu antecessor, “One One One” (2013), aqui no blog (link aqui) deve saber sobre a historia da banda, de sua origem no jazz fusion e evolução que foi caminhando rumo ao metal a cada lançamento, até que em 2010, como o disco “Blackjazz” eles assentaram nesse novo estilo.

Em “One One One”, a banda teve uma forte influencia do metal industrial, criando musicas com estruturas bem complexas e uma agressividade muitas vezes caótica. O vocalista/guitarrista/saxofonista Jørgen Munkeby criava o clima com seus vocais gritados em grande parte do tempo e incrementava as canções com seus solos de saxofone, uma das marcas da banda. Em “International Blackjazz Society” a banda usa uma abordagem um pouco diferente, onde o sax tem mais protagonismo, e as canções estão menos caóticas.

Isso não significa que não haja mais a agressividade dos trabalhos mais recentes. O flerte com o metal industrial ainda é forte, e Munkeby grita a palavra “fuck” por todo o disco como se estivesse em um filme do Tarantino. A estrutura das músicas não está tão complexa dessa vez. Alguns dos riffs e passagens são bem mais tradicionais e deixam as faixas bem mais fáceis de digerir. O trabalho dos vocais de Munkeby também está bem mais limpo em muitos momentos, facilitando até na compreensão das letras.

Alguns dos membros do Shining durante gravação do vídeo de "Last Day"
O lado jazz da banda também recebeu mais ênfase nesse disco. Os solos de saxofone não ficam limitados aos momentos de pontes e exercem papel fundamental no meio das composições como um todo. A bateria extremamente técnica de Tobias Ørnes Andersen tem fortes traços do estilo, ditando o ritmo com ao lado do baixo, agora tocado por Ole Vistnes (Tristania), e criando uma boa base que sustenta as diversas sonoridades da banda. Os arranjos de sintetizador e teclado completam o quadro sonoro que a banda cria.

Como eu já disse, esse disco é bem mais acessível do que seu antecessor. É fácil encontrar composições bem mais diversificadas e interessantes, como a bem estruturada “The Last Stand”, a agitada “Burn It All” e a jam instrumental que une perfeitamente os lados jazz e rock da banda de “House of Warship”. Destaco como as melhores do álbum o single “Last Day”, “Thousand Eyes”, com um ritmo de stoner metal de tirar o folego, e “House of Control”, que possui uma sonoridade industrial mais radiofônica e moderna. O encerramento com “Need” trata de fechar o disco com uma energia que define bem o som da banda.

Se em seus trabalhos anteriores a banda já havia provado um potencial e competência em criar um estilo único, em “International Blackjazz Society”  a banda trata de colocar tudo num casulo junto de todas as outras referencias musicais que a banda carregou em si ao longo dos anos. Como o seu próprio estilo avant-guard sugere, a banda parece estar à frente de seu tempo, mas dessa vez mostrando incrivelmente como pode relacionar elementos de gêneros já consagrados como o rock industrial, free jazz, metal alternativo, progressivo e experimental. Uma ótima banda para quem gosta de novas experiências sonoras, com um disco que merece atenção por isso.

Nota: 9,5/10
Status: insano e inovador

Faixas:
01. Admittance
02. The Last Stand
03. Burn It All
04. Last Day
05. Thousand Eyes
06. House Of Warship
07. House Of Control
08. Church Of Endurance
09. Need

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Trixter – Human Era (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Com apoio do selo Frontiers, Trixter retorna com novo trabalho. Os músicos seguem a sonoridade à risca e entregam aos seus fãs exatamente aquilo que esperam deles. O clima de festa está de volta ao rock n´ roll.

Quem viveu os anos 80, certamente lembra-se de cena de hair metal que invadiu as rádios na época. Enquanto grupos como Bon Jovi, Cinderella, Skid Row, Poison e Motley Crue tomaram as rádios de assalto, vários grupos não passaram de promessas. Bandas que chegavam a ter seu clipe exibido na MTV (USA), tocavam nas rádios, mas não tinham a mesma atenção. Alguns competentes, inclusive. É nessa panela que entra o Trixter. Seus dois primeiros álbuns chegaram a ter alguma atenção na época, mas nunca foi aquele lance de vender milhões e se tornar uma febre.

Human Era é o segundo disco que lançam desde seu retorno em 2008. Se eles não conseguiram se estabelecer na época, não vai ser agora que a situação vai mudar. E os rapazes parecem ter consciência disso. O novo álbum não é uma tentativa de se adaptar ao mercado. Contando com sua formação clássica – “Pete” Loran, Steve Brown, P.J. Farley e Mark “Guss” Scott – entregam aquilo que seus fiéis seguidores esperam: um disco de hard rock oitentista. Todas as características do gênero estão aqui: vocais melódicos, refrões facilmente memoráveis, guitarra com diversos riffs. O famoso clima de festa. O único senão é a qualidade de gravação de bateria que achei meio morta.

Trixter lança novo trabalho com formação e sonoridade clássica

“Rockin´ To The Edge Of The Night” começa com tudo. Uma espécie de cruzamento entre Def Leppard e Bon Jovi (dos anos 80). “Crash That Party” mantém o clima festivo, destacando a levada de bateria. Aquela levada clássica: rápida, reta com bumbo e caixa juntos, no melhor estilo Tommy Lee (Motley Crue). “Not Like All The Rest” conta com um refrão pegajoso e um arranjo bem pra cima. Se estivéssemos nos anos 80, esse som iria para as rádios facilmente. “For You” traz uma forte influência de Van Halen, fase Dave Lee Roth. “Every Seconds Count” e “Beats Me Up” são as inevitáveis baladas. A primeira traz bastante influencia de seus conterrâneos de New Jersey, especialmente nas linhas vocais, enquanto a segunda traz a estrutura clássica do gênero. Suave, melódica, com forte presença de violões. Quem fez isso na época? Todo mundo que você puder imaginar. Firehouse, Warrant, Poison, por aí vai...

O disco vai retomando o fôlego aos poucos. “Good Times Now” é mais uma balada, mas já mais pra cima do que a anterior. O rock volta “Midnight In Your Eyes”, mas é com “All Night Long” que o disco volta a ganhar fôlego. “Soul Of a Lovin´Man” traz uma influencia de blues. Uma pegada meia Lynch Mob fase “Tangled In The Web”. O disco se encerra com a faixa título. Mais uma que poderia ter sido, facilmente, gravada pelo grupo de Jon Bon Jovi. 

Human Era é um trabalho bem feito. Bons trabalhos vocais, bons refrões, bom trabalho de guitarra. Entretanto, sua sonoridade aponta para os trabalhos mais comerciais dos anos 80. Aquela sonoridade meia cigarros Hollywood. Quem acompanhou a banda na época ou curtia esse som, tem de tudo para curtir o novo disco. Se nessa época, você curtia somente os sons mais pesadinhos como Cult, Whitesnake e Van Halen, vá com calma! Claro que não para compará-lo com o (ótimo) Hear!, mas ainda assim, satisfaz! 

Nota: 7,5/10,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Rockin´ To The Edge Of The Night
      02)   Crash That Party
      03)   Not Like All The Rest
      04)   For You
      05)   Every Seconds Count
      06)   Beat Me Up
      07)   Good Times Now
      08)   Midnight In Your Eyes
      09)   All Night Long
      10)   Soul of a Lovin´ Man
      11)   Human Era