sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Shining – International Blackjazz Society (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!

Por Rafael Menegueti

Shining - International Blackjazz Society
A banda norueguesa de metal avant-guard Shining lançou seu novo disco, “International Blackjazz Society”, o sétimo de sua carreira, dando mais um passo adiante em sua inovadora proposta. Quem viu a resenha do seu antecessor, “One One One” (2013), aqui no blog (link aqui) deve saber sobre a historia da banda, de sua origem no jazz fusion e evolução que foi caminhando rumo ao metal a cada lançamento, até que em 2010, como o disco “Blackjazz” eles assentaram nesse novo estilo.

Em “One One One”, a banda teve uma forte influencia do metal industrial, criando musicas com estruturas bem complexas e uma agressividade muitas vezes caótica. O vocalista/guitarrista/saxofonista Jørgen Munkeby criava o clima com seus vocais gritados em grande parte do tempo e incrementava as canções com seus solos de saxofone, uma das marcas da banda. Em “International Blackjazz Society” a banda usa uma abordagem um pouco diferente, onde o sax tem mais protagonismo, e as canções estão menos caóticas.

Isso não significa que não haja mais a agressividade dos trabalhos mais recentes. O flerte com o metal industrial ainda é forte, e Munkeby grita a palavra “fuck” por todo o disco como se estivesse em um filme do Tarantino. A estrutura das músicas não está tão complexa dessa vez. Alguns dos riffs e passagens são bem mais tradicionais e deixam as faixas bem mais fáceis de digerir. O trabalho dos vocais de Munkeby também está bem mais limpo em muitos momentos, facilitando até na compreensão das letras.

Alguns dos membros do Shining durante gravação do vídeo de "Last Day"
O lado jazz da banda também recebeu mais ênfase nesse disco. Os solos de saxofone não ficam limitados aos momentos de pontes e exercem papel fundamental no meio das composições como um todo. A bateria extremamente técnica de Tobias Ørnes Andersen tem fortes traços do estilo, ditando o ritmo com ao lado do baixo, agora tocado por Ole Vistnes (Tristania), e criando uma boa base que sustenta as diversas sonoridades da banda. Os arranjos de sintetizador e teclado completam o quadro sonoro que a banda cria.

Como eu já disse, esse disco é bem mais acessível do que seu antecessor. É fácil encontrar composições bem mais diversificadas e interessantes, como a bem estruturada “The Last Stand”, a agitada “Burn It All” e a jam instrumental que une perfeitamente os lados jazz e rock da banda de “House of Warship”. Destaco como as melhores do álbum o single “Last Day”, “Thousand Eyes”, com um ritmo de stoner metal de tirar o folego, e “House of Control”, que possui uma sonoridade industrial mais radiofônica e moderna. O encerramento com “Need” trata de fechar o disco com uma energia que define bem o som da banda.

Se em seus trabalhos anteriores a banda já havia provado um potencial e competência em criar um estilo único, em “International Blackjazz Society”  a banda trata de colocar tudo num casulo junto de todas as outras referencias musicais que a banda carregou em si ao longo dos anos. Como o seu próprio estilo avant-guard sugere, a banda parece estar à frente de seu tempo, mas dessa vez mostrando incrivelmente como pode relacionar elementos de gêneros já consagrados como o rock industrial, free jazz, metal alternativo, progressivo e experimental. Uma ótima banda para quem gosta de novas experiências sonoras, com um disco que merece atenção por isso.

Nota: 9,5/10
Status: insano e inovador

Faixas:
01. Admittance
02. The Last Stand
03. Burn It All
04. Last Day
05. Thousand Eyes
06. House Of Warship
07. House Of Control
08. Church Of Endurance
09. Need

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Trixter – Human Era (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Com apoio do selo Frontiers, Trixter retorna com novo trabalho. Os músicos seguem a sonoridade à risca e entregam aos seus fãs exatamente aquilo que esperam deles. O clima de festa está de volta ao rock n´ roll.

Quem viveu os anos 80, certamente lembra-se de cena de hair metal que invadiu as rádios na época. Enquanto grupos como Bon Jovi, Cinderella, Skid Row, Poison e Motley Crue tomaram as rádios de assalto, vários grupos não passaram de promessas. Bandas que chegavam a ter seu clipe exibido na MTV (USA), tocavam nas rádios, mas não tinham a mesma atenção. Alguns competentes, inclusive. É nessa panela que entra o Trixter. Seus dois primeiros álbuns chegaram a ter alguma atenção na época, mas nunca foi aquele lance de vender milhões e se tornar uma febre.

Human Era é o segundo disco que lançam desde seu retorno em 2008. Se eles não conseguiram se estabelecer na época, não vai ser agora que a situação vai mudar. E os rapazes parecem ter consciência disso. O novo álbum não é uma tentativa de se adaptar ao mercado. Contando com sua formação clássica – “Pete” Loran, Steve Brown, P.J. Farley e Mark “Guss” Scott – entregam aquilo que seus fiéis seguidores esperam: um disco de hard rock oitentista. Todas as características do gênero estão aqui: vocais melódicos, refrões facilmente memoráveis, guitarra com diversos riffs. O famoso clima de festa. O único senão é a qualidade de gravação de bateria que achei meio morta.

Trixter lança novo trabalho com formação e sonoridade clássica

“Rockin´ To The Edge Of The Night” começa com tudo. Uma espécie de cruzamento entre Def Leppard e Bon Jovi (dos anos 80). “Crash That Party” mantém o clima festivo, destacando a levada de bateria. Aquela levada clássica: rápida, reta com bumbo e caixa juntos, no melhor estilo Tommy Lee (Motley Crue). “Not Like All The Rest” conta com um refrão pegajoso e um arranjo bem pra cima. Se estivéssemos nos anos 80, esse som iria para as rádios facilmente. “For You” traz uma forte influência de Van Halen, fase Dave Lee Roth. “Every Seconds Count” e “Beats Me Up” são as inevitáveis baladas. A primeira traz bastante influencia de seus conterrâneos de New Jersey, especialmente nas linhas vocais, enquanto a segunda traz a estrutura clássica do gênero. Suave, melódica, com forte presença de violões. Quem fez isso na época? Todo mundo que você puder imaginar. Firehouse, Warrant, Poison, por aí vai...

O disco vai retomando o fôlego aos poucos. “Good Times Now” é mais uma balada, mas já mais pra cima do que a anterior. O rock volta “Midnight In Your Eyes”, mas é com “All Night Long” que o disco volta a ganhar fôlego. “Soul Of a Lovin´Man” traz uma influencia de blues. Uma pegada meia Lynch Mob fase “Tangled In The Web”. O disco se encerra com a faixa título. Mais uma que poderia ter sido, facilmente, gravada pelo grupo de Jon Bon Jovi. 

Human Era é um trabalho bem feito. Bons trabalhos vocais, bons refrões, bom trabalho de guitarra. Entretanto, sua sonoridade aponta para os trabalhos mais comerciais dos anos 80. Aquela sonoridade meia cigarros Hollywood. Quem acompanhou a banda na época ou curtia esse som, tem de tudo para curtir o novo disco. Se nessa época, você curtia somente os sons mais pesadinhos como Cult, Whitesnake e Van Halen, vá com calma! Claro que não para compará-lo com o (ótimo) Hear!, mas ainda assim, satisfaz! 

Nota: 7,5/10,0
Status: Nostálgico

Faixas:
      01)   Rockin´ To The Edge Of The Night
      02)   Crash That Party
      03)   Not Like All The Rest
      04)   For You
      05)   Every Seconds Count
      06)   Beat Me Up
      07)   Good Times Now
      08)   Midnight In Your Eyes
      09)   All Night Long
      10)   Soul of a Lovin´ Man
      11)   Human Era

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Unleash The Archers - Time Stands Still (2015):

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Por Rafael Menegueti

Unleash The Archers - Time Stands Still
Com certo merecimento, os canadenses do Unleash the Archers deixaram a independência para assinar com a gravadora Napalm Records, uma das melhores de heavy metal que existem. O grupo lança então seu terceiro álbum de estúdio, “Time Stands Still”, depois de três anos do lançamento do último trabalho, o EP “Defy the Skyes”.

O grupo segue fazendo a sua mistura de heavy metal tradicional, power metal e death melódico, mas nesse novo álbum sua proposta parece muito mais focada e direcionada. Com músicas potentes e que apostam nas virtudes da banda, como os vocais da vocalista Brittney Slayes, a banda entrega o seu melhor trabalho.

O disco já começa com pegada e peso com a rápida “Northern Passage”, que serve mais como uma introdução, levada por um riff  arrastado e os guturais dos guitarristas Grant Truesdell e Andrew Kingsley.Enquanto “Frozen Still” tem um inicio que, apesar de clichê, é bem empolgante para uma faixa mais tradicional, com refrão estridente e fácil de memorizar. Menos previsível é “Hail of the Tide”, que tem uma energia bem distribuída com as partes mais agressivas. O primeiro single do trabalho, “Tonight We Ride” é um dos pontos fortes do disco. Veloz, intensa, com potência que faz perder o folego e solos alucinantes, é a síntese do trabalho da banda.

Banda canadense lança seu terceiro disco, o primeiro não independente
Voltando um pouco às influências mais tradicionais e clássicas, a faixa “Test Your Metal” parece ter vindo diretamente dos anos 80. Já “Crypt” é moderna e traz mais do death melódico em sua composição. Um pouco mais cadenciada, “No More Heroes” é outra que se destaca pela versatilidade. Em seguida vem “Dreamcrusher”, que é a mais longa faixa do álbum, com nove minutos de duração, mas também é uma das melhores e mais vibrantes do disco. Chegando ao fim do disco, “Going Down Fighting” chama a atenção pelo ritmo, muito definido com a bateria de Scott Buchanan e o baixo de Kyle Sheppard. Pra encerrar o disco, mais uma faixa com ar épico: “Time Stands Still”, que dá nome ao álbum. Com um coral introduzido na faixa, a banda cria uma canção potente e cheia de cadência. Como faixa bônus, a banda apresentou a versão editada para o videoclipe de “Tonight We Ride”.

“Time Stands Still” tem uma temática interessante, quase como uma historia de ficção cientifica. É um disco que tem criatividade nas composições, ótimos solos de guitarra, pegada e vocais eletrizantes, tanto de Brittney, que enche o disco de potencia com agudos impecáveis, quanto dos guturais dos rapazes. Se seguirem nessa boa direção agora que estão com uma gravadora eficiente e boa divulgação, tem tudo para construírem um futuro brilhante no gênero.

Nota: 8,5/10
Status: Alucinante

Faixas:
1. Northern Passage (Intro)
2. Frozen Steel
3. Hail of the Tide
4. Tonight We Ride
5. Test Your Metal
6. Crypt
7. No More Heroes
8. Dreamcrusher
9. Going Down Fighting
10. Time Stands Still
11. Tonight We Ride (Video Edit)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

RPM – 30 Anos de Revoluções Por Minuto:

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Por Davi Pascale

Certamente não dava para deixar essa data passar batida. Nesse mês de Maio comemoramos três décadas do álbum de estreia do RPM. Tanto o grupo quanto seu líder, Paulo Ricardo, sempre geraram relação de amor/ódio, mas quando se trata do disco em questão, todos colocam o rabinho entre as pernas. Mesmo as publicações que os massacram, quando resolvem elaborar listas de melhores álbuns da década de 80 ou até mesmo de melhores discos da música brasileira, acabam elegendo-o. E não é por acaso...

Não consegui descobrir o dia exato, apenas que foi lançado em Maio de 1985. O Brasil passava por um momento delicado. Tancredo Neves havia falecido há pouco tempo, poucos meses após assumir a presidência. Sua posse ocorreu em 15 de Janeiro de 1985 e marcava o fim do regime militar. É por conta desse feito que o Cazuza dá seu famoso discurso no final da canção “Pro Dia Nascer Feliz” durante o primeiro Rock in Rio. A notícia deu uma abalada no povo. Fora isso, aquela velha história que já conhecemos. Inflação correndo solta, censura pra todo lado, por aí vai...

Por que estou relembrando isso? Por que todos esses dados se cruzam de algum modo emRevoluções Por Minuto. Tudo aqui foi pensado. Roupa, cabelo, arranjos, discurso. Os caras sabiam o que estavam fazendo. Em depoimento ao livro Quem Tem Um Sonho Não Dança, o cantor do RPM afirma que “o primeiro disco define o que o RPM queria. Era uma coisa libertária, de garotos que tinham crescido na época da ditadura e queriam, antes de qualquer coisa, desestigmatizar a palavra ‘revolução’, que o golpe militar de 64 teimou em querer usar para definir seu golpe”.


Paulo Ricardo era critico musical antes de assumir o comando do RPM

Tendo atuado como jornalista em um passado não muito distante, Paulo Ricardo estava por dentro de tudo o que estava rolando em nosso país. E mais do que isso, de tudo que estava rolando fora de nosso país. Se por um lado, as letras retratavam nosso cotidiano, de outro, os arranjos traziam o que havia de mais moderno na cena internacional. Nos seus anos de crítico musical, trabalhou como correspondente internacional da SomTrês. Experiência que abriu os olhos do rapaz para todo um universo musical que até então não era muito corriqueiro em nosso país. Começou a se corresponder através de cartas com Luis Schiavon, deixando claro o som que queria fazer. Assim que chegou de Londres, mostrou algumas canções que tinha na cabeça e deixou claro de uma vez por todas sua proposta: fazer um som new romantic (uma vertente da new wave, muito popular na Inglaterra na década de 80) cruzando com o progressivo. Foi daí que veio o lance dos sintetizadores, da bateria eletrônica, do baixo marcado.

As questões políticas aparecem em várias letras do disco. Principalmente, nas canções presentes no lado B. A faixa-título fazia referência direta à todos os problemas que o país estava atravessando. Os caras foram tão direto na ferida que a canção foi proibida de ser tocada nas rádios. Sim, o Brasil estava passando por uma transformação, mas tudo estava no começo ainda e a censura demoraria mais alguns anos para sumir. “Juvenília” é uma crítica aos anos de chumbo do Brasil. “Liberdade /Guerra Fria”, questionava o conflito entre Estado Unidos e União Soviética.

A cena BRock ainda estava dando seus primeiros passos. Iniciados poucos anos antes com a explosão do compacto “Você Não Soube Me Amar” da Blitz, o movimento começava a ganhar força com o sucesso da primeira edição do Rock In Rio. O Brasil começava a descobrir que havia uma cena forte rolando no país. Em pouco tempo, o movimento se tornaria o momento de maior popularidade do rock brasileiro desde a explosão da Jovem Guarda. O RPM é um marco desse período. Seu LP de estréia vendeu 500.000 LPS quando o desejo dos executivos era de que vendesse 50.000 para cobrir os gastos. Quando entraram em estúdio para registrar esse LP, a realidade era um pouco diferente. A maior parte das programações das rádios era montada por canções internacionais. Foi por conta disso que nasceu a canção "Rádio Pirata". Uma crítica contra essa situação.


Elementos da new wave e do progressivo rondam o LP

Havia um ceticismo em torno do álbum, já que a gravadora não havia gostado da capa do disco. Mas a banda bateu o pé que era aquela arte que eles queriam. A imagem foi criada pelo artista Alex Flemming em cima de uma foto do Rui Mendes. Quem conhece a capa do LP, notará que o baterista P.A. não aparece nela. A razão era muito simples. O musico entrou durante as gravações do álbum e quando o acordo foi fechado (inicialmente, queriam utiliza-lo como musico contratado, mas ele se negou), a imagem da capa já estava pronta. Naquela época, fazia-se a arte de capa antes do término das gravações por ser um processo extremamente demorado.

RPM foi um fenômeno. Não apenas de vendas, mas também de impacto na juventude. Os músicos tinham seus rostos estampados em tudo quanto era lugar, suas apresentações eram uma verdadeira histeria, os rapazes eram perseguidos nos aeroportos. Não demorou muito para que começassem à associa-los aos 4 rapazes de Liverpool e a explosão da Beatlemania.

Sem querer, os garotos criaram uma aproximação do rock brasileiro com o universo do remix. Naquela época, antes da gravadora investir na criação de um LP, os artistas eram testados com um compacto. Só que o compacto do grupo paulista não emplacou. E alguém de dentro da gravadora teve a ideia de pedir para que alguns DJs (entre eles, o hoje cultuado Iraí Campos) fizessem alguns remixes de "Louras Geladas" para que pudessem atacar a música nas danceterias. Deu certo! Em pouco tempo a música foi para as rádios e a gravadora armou um esquema para explorar o recurso a partir dali. Foi por conta desse auê que nasceu uma série de LPS, que fez muito sucesso na época, chamada Dance Mix.

Revoluções Por Minuto foi extremamente pensado. O Lado A trazia as canções mais dançantes, mais comerciais. O lado B as músicas mais densas, mais sombrias, repletas de críticas políticas. RPM também foi um marco em relação à shows, trazendo tecnologias inéditas ao nosso país, mas deixaremos isso para quando fomos comentar o LP seguinte em um futuro post. Quem não conhece esse LP, vá atras. Certamente, um clássico do rock brasileiro.

Faixas:
01) Radio Pirata
02) Olhar 43
03) A Cruz e a Espada
04) Estação do Inferno
05) A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade
06) Louras Geladas
07) Liberdade/Guerra Fria
08) Sob a Luz do Sol
09) Juvenília
10) Pr´esse Vício
11) Revoluções Por Minuto

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Cain’s Offering – Stormcrow (2015)

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Por Rafael Menegueti

Cain's Offering - Stormcrow
O projeto que une o vocalista do Stratovarius, Timo Kotipelto, e o ex-guitarrista do Sonata Arctica, Jani Liimatainen, lançou recentemente seu segundo álbum. O Cain’s Offering ficou algum tempo parado depois do seu primeiro disco de estúdio, “Gather the Faithful”, lançado em 2009. Ou melhor, apenas Jani e Timo fizeram alguns shows acústicos juntos. Todo esse tempo entre um lançamento e outro parece que serviu para uma coisa: tornar o Cain’s Offering uma banda mais focada em suas composições.

O som da banda é exatamente o que poderia se esperar de um grupo formada por tais nomes. Power metal sinfônico carregado de melodia e riffs agressivos. A fórmula poderia parecer repetitiva em se tratando desse estilo, mas o grupo consegue dar um aspecto único e criativo em suas canções. A combinação de arranjos de teclado, os vocais competentes de Timo e a musicalidade que as faixas exalam tornam “Stormcrow” um álbum muito interessante.

Os membros atuais do Cain's Offering
As primeiras faixas são animadas e com uma melodia bem forte. A faixa-título, que abre o disco, e a segunda, “The Best of Times”, são pesadas e aceleradas, mas ainda próximas do estilo do próprio Stratovarius. O nível segue alto com a mais cadenciada “A Night to Forget”. Em “I Will Build You A Rome” temos uma das canções mais melodicamente alçadas do disco, com um refrão cativante e que faz dela uma das mais viciantes do disco.

Após isso o disco dá uma quebrada no barulho com a tranquila “Too Tired to Run”, baladinha sinfônica obrigatória em um disco de power metal, mas sem parecer aquele clichê forçado. Em “Constelation of Stars” voltamos a velocidade e peso normais, com uma faixa que destaca também os arranjos de teclado de Jens Johansson, outro membro do Stratovarius na banda. Em “Antemortem” está mais uma boa sequencia de riffs e arranjos sinfônicos, com pegada forte e intensa. “My Heart Beats for No One” é outra das faixas que se destacam pelo bom uso dos riffs agressivos e teclado. Já “I Am Legion” é uma faixa instrumental com uso forte dos arranjos orquestrais e evolução rítmica progressiva que serve de transição para o encerramento do disco, que vem com intensidade em “Rising Sun”, e suavidade em “On the Shore”.

Jani Liimatainen e Timo Kotipelto
O trabalho do Cain’s Offering é uma bela amostra de power metal que consegue ser ao mesmo tempo tradicional e fugir da mesmice. São faixas que unem bons elementos dos trabalhos e influências de seus integrantes, boa técnica e bem mais produzido do que o seu antecessor. As canções são fáceis de ouvir, não enfeitam nem inventam. Puro power metal sinfônico de ótima qualidade, feito na medida pra fãs do gênero e também para os que estão começando a curtir o estilo agora.

Nota: 8,5/10
Status: Melodico e tradicional

Faixas:
1. "Stormcrow"
2. "The Best of Times"
3. "A Night to Forget"
4. "I Will Build You a Rome"
5. "Too Tired to Run"
6. "Constellation of Tears"
7. "Antemortem"
8. "My Heart Beats For no One"
9. "I Am Legion"
10. "Rising Sun"
11. "On the Shore"

domingo, 3 de janeiro de 2016

Slayer – Repentless (2015):

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Por Davi Pascale

Slayer lança mais um petardo. Em seu primeiro trabalho sem Jeff Hanneman, quarteto demonstra que ainda tem lenha para queimar e lança um dos melhores trabalhos de 2015.

Os últimos anos do Slayer renderiam uma minissérie. Nos últimos anos, passamos pela doença e afastamento de Hanneman. A morte do rapaz. Gary Holt dizendo que seria apenas substituto, mas sendo declarado membro efetivo tempos depois. Dave Lombardo saindo grupo novamente. Paul Bostaph retornando. Emoção atrás de emoção, diz aí...

O mais bacana de tudo é que Kerry King não deixou o nível da musicalidade cair. Sim, ele é o cabeça do novo projeto. O guitarrista do Exodus não teve liberdade para compor e sua participação no disco se restringiu à gravação de alguns solos para o disco.

Polêmicas à parte, Slayer continua fazendo o que sabe fazer de melhor. Heavy metal agressivo, direto e empolgante. Se em tempos passados, os músicos se aventuraram em novos horizontes musicais, como no sempre polêmico Diabulous In Musica, aqui seguem à risca sua velha fórmula: Tom Araya cantando como se o mundo estivesse prestes à acabar, bateria rápida, riffs sombrios e solos velozes. Slayer sendo Slayer.

Disco é empolgante, mas Gary Holt aparece pouco

Paul Bostaph fez seu melhor trabalho desde Divine Intervention. O rapaz está espancando o instrumento sem dó. Jeff Hanneman é lembrado em “Piano Wire” – uma composição inédita do rapaz – e na letra de “Chasing Death”. Lembra que o Ozzy fez uma homenagem à Bon Scott escrevendo uma canção sobre alcoolismo no Blizzard Of Ozz? Mesma idéia por aqui...

A já citada “Piano Wire” nos leva de volta ao Seasons The Abyss com aquele som porrada mais cadenciado. “Repentless” abre o álbum e segue a linha de “World Painted Blood”. Veloz, direta, agressiva. “Cast The Stone” tem um arranjo um pouco mais arrastado, sombrio, remetendo um pouco à “Gemini”. “When The Stillnes Comes” e “Atrocity Vendor” possuem riffs que nos remetem ao velho Slayer. O disco, contudo, de uma maneira geral, me remeteu muito ao Christ Illusion.

Próximo à 40 minutos de som, os garotos da California não deixam espaço para respirar. Porrada atrás de porrada. Podem até questionar não terem dado espaço para Holt – músico que já toca com eles há alguns anos e que quando entrou no Slayer já era um veterano na cena. Podem questionar a falta de novidades. Mas não dá para questionar a qualidade do som dos caras, nem das composições desse disco. Kerry King demonstrou que sabe melhor do que ninguém o que seus fãs querem ouvir. Slayer não reinventou a roda, mas manteve sua vitalidade. Simplesmente, um dos álbuns mais empolgantes de 2015. Ouça no talo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Delusions of Saviour
      02)   Repentless
      03)   Take Control
      04)   Vices
      05)   Cast The First Stone
      06)   When The Stillness Comes
      07)   Chasing Death
      08)   Implode
      09)   Piano Wire
      10)   Atrocity Vendor
      11)   You Against You
      12)   Pride In Prejudice

sábado, 2 de janeiro de 2016

Hollywood Vampires – Hollywood Vampires (2015):

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Por Rafael Menegueti


Na década de 70, um grupo de notáveis músicos costumava se reunir em um bar de Los Angeles chamado Rainbow Bar, para beber, jogar conversa fora e se divertir. Essas reuniões históricas envolveram nomes como Alice Cooper, John Lennon, Keith Moon, Ringo Starr, Harry Nilsson, entre outros que apareciam ocasionalmente. O grupinho de amigos acabou ficando conhecido como os “Hollywood Vampires”.

Agora, um disco em tributo a essas reuniões está sendo lançado, com uma banda que recebeu o mesmo nome, e nomes não menos brilhantes para formá-la. O disco do Hollywood Vampires é definitivamente um dos mais aguardados do ano. E o resultado é exatamente o esperado: fantástico.

O disco todo soa como uma grande jam, onde vários grandes nomes se reúnem para tocar alguns clássicos do rock com energia e inspiração únicas. No line-up, um timaço: Alice Cooper e o ator Johhny Depp nas guitarras são os únicos presentes em todas as faixas, daí juntam-se a eles só gente boa. Joe Perry (Aerosmith), Paul McCartney, Slash, Brian Johnson (AC/DC), Dave Grohl, Perry Farrell, a lista é grande.

O clima do disco é mesmo de descontração. Começa com uma locução de Sir Christopher Lee, ator e músico falecido nesse ano. Em sua ultima participação em um disco, ele abre o caminho para “Raise the Dead”, uma das faixas originais do disco, que soa como uma boa lembrança do rock dos anos 70. Logo em seguida, dois clássicos absolutos: “My Generation”, do The Who, soa tão empolgante quanto a versão original.  Já “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, ganhou arranjos mais pesados e intensos, com a presença de cinco guitarristas, entre eles a australiana Orianthi, Joe Walsh e Tommy Henriksen, esse último também aparecendo bastante em varias faixas, e Brian Johnson dividindo os vocais com Cooper.

Da esq. pra dir.: Abe Laboriel, Johnny Depp, Paul McCartney, Alice Copper e Joe Perry
O segundo dueto de Cooper vem na faixa “I Got A Line On You”, ao lado de Perry Farrell (Jane’s Addition), sendo essa uma cover da banda Spirit. É bem interessante, sendo uma faixa menos conhecida do que as outras. Em seguida um medley com duas faixas do The Doors, “Five to One” e “Break On Through (To The Other Side)” mostram a ótima forma de Alice Cooper, que faz uma interpretação perfeita das canções. Outro medley, dessa vez das canções “One” e “Jump Into the Fire” de Harry Nilsson, volta a trazer a parceria de Cooper com Perry Farrell. Outro tempero da faixa está na bateria feroz de Dave Grohl.

Então vem talvez um dos melhores momentos do disco, quando Paul McCartney surge em “Come and Get It”, cantando e tocando o baixo e piano. A composição de autoria dele era pra ter aparecido em “Abbey Road, mas acabou sendo gravada pelo Badfinger. Joe Perry também aparece nessa gravação. Nesse disco ela aparece com destaque, mesmo sendo rapidinha. “Jeepster” é outra cover de um clássico, dessa vez do T-Rex, bem dançante e carismática. John Lennon também marca presença quando sua música “Cold Turkey” é executada, mantendo a boa vibração da versão original.

Chegando perto do final do disco, “Manic Depression” de Jimi Hendrix tem um Zak Starkey inspirado na bateria e destaca Joe Walsh na guitarra. “Itchycoo Park”, do Small Faces ficou mais suja e selvagm do que a versão original, de 1967. Uma interessante mistura surge no medley de “Schools Out”, do próprio Alice Cooper, com “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd, mais uma vez trazendo Brian Johnson à frente. A festa termina com mais uma canção original, “My Dead Drunk Friends”, um blues rock sujo com clima descontraído de bebedeira.

O Hollywood Vampires cumpriu o que prometia quando foi anunciado. A grande reunião do rock é um dos melhores e mais divertidos álbuns de 2015. Desde o excelente repertorio até a boa seleção de astros pra fazer parte do trabalho, além das canções originais, o resultado foi incrível. Eles virão ao Rock In Rio, com uma formação que consiste de Alice Cooper, Joe Perry e Johnny Depp nas guitarras, além de Tommy Henriksen e dos ex-Guns ‘N Roses Duff Mckagan e Matt Sorum. Se antes havia a dúvida, agora temos a certeza de que esse show será simplesmente imperdível.

Faixas:
01. The Last Vampire
02. Raise The Dead
03. My Generation
04. Whole Lotta Love
05. I Got A Line On You
06. Five To One/Break On Through (To The Other Side)
07. One/Jump Into The Fire
08. Come And Get It
09. Jeepster
10. Cold Turkey
11. Manic Depression
12. Itchycoo Park
13. School's Out/Another Brick In The Wall
14. My Dead Drunk Friends