sábado, 2 de janeiro de 2016

Hollywood Vampires – Hollywood Vampires (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!

Por Rafael Menegueti


Na década de 70, um grupo de notáveis músicos costumava se reunir em um bar de Los Angeles chamado Rainbow Bar, para beber, jogar conversa fora e se divertir. Essas reuniões históricas envolveram nomes como Alice Cooper, John Lennon, Keith Moon, Ringo Starr, Harry Nilsson, entre outros que apareciam ocasionalmente. O grupinho de amigos acabou ficando conhecido como os “Hollywood Vampires”.

Agora, um disco em tributo a essas reuniões está sendo lançado, com uma banda que recebeu o mesmo nome, e nomes não menos brilhantes para formá-la. O disco do Hollywood Vampires é definitivamente um dos mais aguardados do ano. E o resultado é exatamente o esperado: fantástico.

O disco todo soa como uma grande jam, onde vários grandes nomes se reúnem para tocar alguns clássicos do rock com energia e inspiração únicas. No line-up, um timaço: Alice Cooper e o ator Johhny Depp nas guitarras são os únicos presentes em todas as faixas, daí juntam-se a eles só gente boa. Joe Perry (Aerosmith), Paul McCartney, Slash, Brian Johnson (AC/DC), Dave Grohl, Perry Farrell, a lista é grande.

O clima do disco é mesmo de descontração. Começa com uma locução de Sir Christopher Lee, ator e músico falecido nesse ano. Em sua ultima participação em um disco, ele abre o caminho para “Raise the Dead”, uma das faixas originais do disco, que soa como uma boa lembrança do rock dos anos 70. Logo em seguida, dois clássicos absolutos: “My Generation”, do The Who, soa tão empolgante quanto a versão original.  Já “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, ganhou arranjos mais pesados e intensos, com a presença de cinco guitarristas, entre eles a australiana Orianthi, Joe Walsh e Tommy Henriksen, esse último também aparecendo bastante em varias faixas, e Brian Johnson dividindo os vocais com Cooper.

Da esq. pra dir.: Abe Laboriel, Johnny Depp, Paul McCartney, Alice Copper e Joe Perry
O segundo dueto de Cooper vem na faixa “I Got A Line On You”, ao lado de Perry Farrell (Jane’s Addition), sendo essa uma cover da banda Spirit. É bem interessante, sendo uma faixa menos conhecida do que as outras. Em seguida um medley com duas faixas do The Doors, “Five to One” e “Break On Through (To The Other Side)” mostram a ótima forma de Alice Cooper, que faz uma interpretação perfeita das canções. Outro medley, dessa vez das canções “One” e “Jump Into the Fire” de Harry Nilsson, volta a trazer a parceria de Cooper com Perry Farrell. Outro tempero da faixa está na bateria feroz de Dave Grohl.

Então vem talvez um dos melhores momentos do disco, quando Paul McCartney surge em “Come and Get It”, cantando e tocando o baixo e piano. A composição de autoria dele era pra ter aparecido em “Abbey Road, mas acabou sendo gravada pelo Badfinger. Joe Perry também aparece nessa gravação. Nesse disco ela aparece com destaque, mesmo sendo rapidinha. “Jeepster” é outra cover de um clássico, dessa vez do T-Rex, bem dançante e carismática. John Lennon também marca presença quando sua música “Cold Turkey” é executada, mantendo a boa vibração da versão original.

Chegando perto do final do disco, “Manic Depression” de Jimi Hendrix tem um Zak Starkey inspirado na bateria e destaca Joe Walsh na guitarra. “Itchycoo Park”, do Small Faces ficou mais suja e selvagm do que a versão original, de 1967. Uma interessante mistura surge no medley de “Schools Out”, do próprio Alice Cooper, com “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd, mais uma vez trazendo Brian Johnson à frente. A festa termina com mais uma canção original, “My Dead Drunk Friends”, um blues rock sujo com clima descontraído de bebedeira.

O Hollywood Vampires cumpriu o que prometia quando foi anunciado. A grande reunião do rock é um dos melhores e mais divertidos álbuns de 2015. Desde o excelente repertorio até a boa seleção de astros pra fazer parte do trabalho, além das canções originais, o resultado foi incrível. Eles virão ao Rock In Rio, com uma formação que consiste de Alice Cooper, Joe Perry e Johnny Depp nas guitarras, além de Tommy Henriksen e dos ex-Guns ‘N Roses Duff Mckagan e Matt Sorum. Se antes havia a dúvida, agora temos a certeza de que esse show será simplesmente imperdível.

Faixas:
01. The Last Vampire
02. Raise The Dead
03. My Generation
04. Whole Lotta Love
05. I Got A Line On You
06. Five To One/Break On Through (To The Other Side)
07. One/Jump Into The Fire
08. Come And Get It
09. Jeepster
10. Cold Turkey
11. Manic Depression
12. Itchycoo Park
13. School's Out/Another Brick In The Wall
14. My Dead Drunk Friends 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Feliz 2016!

À todos os leitores e parceiros do Riff Virtual, gostaríamos de desejar um ótimo 2016. Que todos os seus sonhos se realizem e que nunca deixem de acreditar em si mesmo. Muita paz, muita luz e, claro, muito rrrrrrock!



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Acústicos & Valvulados – Meio Doido e Vagabundo: O Fino do Rock Mendigo (2014):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!




Por Davi Pascale

No ano passado, a banda gaucha Acústicos & Valvulados soltou dois trabalhos no mercado. Diamantes Verdadeiros, que trazia novas versões para velhas canções, e Meio Doido e Vagabundo, formado por material inédito. E é desse álbum que falaremos hoje.

Vocês devem estar se questionando o que seria o tal rock mendigo, expresso no título. O baterista Paulo James explicou, em entrevista, que se trata da dificuldade de fazer rock no Brasil. Segundo o mesmo, “enquanto a moda é ostentar, o rock anda mendigando, na sarjeta, matando cachorro à grito”. Velha realidade. Entretanto, o termo é muito legal, diz aí.

Faixas como “Meio Doido e Vagabundo”, “Efeito”, “Fogo e Gasolina”, “O Que Eu Sinto Por Você” e a divertidíssima “Vai Se Danar” trazem um bluesrock de primeira. Desde os tempos do Barão Vermelho que uma banda nacional não fazia esse tipo de som tão bem feito.

Formada em Porto Alegre, as influências do grupo sempre foram bem delineadas: rockabilly, folk, jovem guarda, bluesrock. Em sua maioria, rock n roll dos anos 60 e 70. Como não poderia deixar de ser, as guitarras falam alto. Daniel Mossman e Alexandre Moica são os grandes destaques do disco. Uma banda de rock não é nada sem um bom guitarrista e um bom cantor, certo? Desse mal, eles não sofrem. Rafael Malenotti não é de ficar cantando notas altíssimas, mas tem estilo próprio e ajudar a dar uma cara própria para o conjunto. Sem contar que tem um timbre de voz muito bacana.

Grupo gaúcho chega à seu sétimo disco

“Alguém Pra Gostar de Mim” e “Corações Partidos” trazem uma sonoridade mais radiofônica, com refrões pegajosos e poderiam se tornar canções de sucesso, caso fossem executadas nas grandes rádios. “Juntos Podemos Tudo”, “Sarjeta” e “Chalaça Total” apontam para um clima de festa. Essa ultima, inclusive, de maneira literal. Chalaça é um termo utilizado para se referir à escárnio, uma piada de mau gosto, e os garotos gravaram em arranjo com uma pegada meio de saloon. Conseguem a intenção, serem divertidos.

Como disse anteriormente, suas influências sempre foram nítidas. E aqui, deixam uma delas explícitas no título de uma de suas canções: “Tia Rita”. Uma singela homenagem dos garotos à rainha do rock brasileiro, Rita Lee. Meio Doido e Vagaundo traz um rock básico, direto e empolgante. Para quem sentia falta de um grupo fazendo um som mais raiz, sem se preocupar em se adequar às tendências do momento, está aí uma boa pedida. Belo disco!

Nota: 8,0/10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   Meio Doido e Vagabundo
      02)   Alguém Pra Gostar de Mim
      03)   Efeito
      04)   Tia Rita
      05)   Corações Partidos 
      06)   Não Vou Desistir
      07)   Sarjeta
      08)   Fogo e Gasolina
      09)   Juntos Podemos Tudo
      10)   Vai Se Danar
      11)   O Que Eu Sinto Por Você  
      12)   Chalaça Total

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Stone Sour – Meanwhile In Burbank… EP (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!

Por Rafael Menegueti


Depois de uma separação polemica com o guitarrista Jim Root, o Stone Sour, uma das maiores forças do metal alternativo lança um EP para marcar sua nova fase. “Meanwhile In Burbank...” é composto de cinco covers, e marca a estreia de Christian Martucci na guitarra e Johny Chow no baixo em estúdio.

A banda não escolheu as cinco faixas trabalhadas por acaso. Todas as canções já haviam sido executadas ao vivo em shows da banda no ano passado e em 2013. A ideia de leva-las a estúdio e lançar um EP surgiu ainda durante a turnê. E elas foram escolhidas com um propósito. Todas são faixas de bandas que influenciaram a carreira dos membros do Stone Sour. Muito bem trabalhadas, as faixas também mostram mais uma vez a capacidade dos músicos de passear por diferentes estilos com eficiência.

O interessante é ver que, apesar das bandas homenageadas serem grandes nomes do rock mundial, as faixas escolhidas não são exatamente os maiores hits deles, embora elas sejam cultuadas pelos fãs, e também pelos músicos que se incluem como admiradores desses grupos. Para abrir o EP, a banda escolheu “We Die Young”, primeiro single do primeiro álbum do Alice In Chains. Ficou claro a partir dali que a ideia não era fazer versões das canções, mudando arranjos, estilo ou incluindo elementos ausentes nas canções originais. Eles estão simplesmente executando as músicas, sem rodeios, mas também sem parecer imitarem os homenageados. Eles incluíram sua própria personalidade às faixas.


A segunda música é “Heading Out to the Highway”, do Judas Priest, onde a banda foi bem sucedida em dar um aspecto mais clássico ao seu som. Interessante também foi a versão de “Love Gun”, do Kiss, com destaque para Corey Taylor, que mostrou que é realmente um vocalista talentoso, fazendo bonito na interpretação de Paul Stanley, pra quem ainda acha que ele só sabe gritar. Outro grande clássico, agora do thrash metal, veio com “Creeping Death” do Metallica, uma faixa bem mais simples para uma banda como o Stone Sour reproduzir. Logo, impossível não ter ficado boa. Para encerrar, o grupo escolheu uma canção dos pioneiros do Black Sabbath, “Children of the Grave”, tirada do terceiro disco da banda, “Master of Reality”, uma boa alternativa de uma banda que não podia faltar.

O banda já anunciou que irá lançar ainda mais dois EPs de covers, ainda não se sabe quando. Ficamos no aguardo de mais boas demonstrações da capacidade dos músicos, que, apesar de sofrerem certa resistência dos fãs mais xiitas do metal (principalmente o vocalista Corey Taylor), são incrivelmente habilitados e souberam fazer desses clássicos do rock uma boa aventura musical para a banda explorar entre suas diversas influências.

Nota: 9/10
Status: Fiel e competente

Faixas:
1. We Die Young (Alice In Chains cover)
2. Heading Out to the Highway (Judas Priest cover)
3. Love Gun (Kiss cover)
4. Creeping Death (Metallica cover)
5. Children of the Grave (Black Sabbath cover)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Motorhead – Bad Magic (2015):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!


Por Davi Pascale

Motorhead celebra seus 40 anos de estrada com álbum de inéditas. Disco mantém sua sonoridade típica e deve agradar seus fãs de longa data.

Há algumas discussões no mundo do rock que são infinitas. Uma delas é a questão de se o artista deve ou não mudar sua sonoridade com o passar dos anos. Há artistas que adoram se arriscar em novas aventuras sonoras e há aqueles que adoram manter sua tradição. Motorhead está no segundo time. Bad Magic apresenta, mais uma vez, Motorhead sendo Motorhead. E, mais uma vez, o resultado é inacreditavelmente bom.

Não é preciso ser um fã de carteirinha para saber que Lemmy Kilmister, infelizmente, não está passando por um período bom em relação à sua saúde. À todo momento, recebemos notícias sobre sua situação e as ultimas não foram muito animadoras. Os 3 últimos concertos do trio não chegaram ao fim porque o cantor simplesmente não apresentava condições físicas para isso e interrompeu a apresentação após poucas canções. Com isso, muitos começaram a questionar a interpretação vocal de Lemmy no último álbum. A verdade é que está dentro do que já é esperado. O baixista realmente está com a voz um pouco mais fraca, o que fica evidente na balada “Till The End”. Nas músicas mais porradaria, contudo, não se sente tanto. Até porque Lemmy nunca teve voz de molequinho, sejamos sensatos.

Grupo mantém a tradição em um dos grandes álbuns de 2015

O início do álbum mata do coração qualquer fã que se preze. Em “Victory Or Die”, após o baixista gritar o nome da canção, Phil Campbell entra com um riff rocker matador, no melhor estilo “Bomber”. “Thunder & Lightning” traz uma sonoridade mais direta. Com poucos acordes nos remete à canções como “Iron Fist”. Na sequência vem “Fire Storm Hotel” que traz uma sonoridade rock n roll, com ar mais festivo, nos remetendo à seus tempos de “Born to Raise Hell”. Mikey Dee demonstra que continua sendo uma metralhadora nos versos de “Shoot Out All Your Lights”, com uma bateria à la “Sacrifice”. Verdade seja dita, fazia tempos que o trio britânico não demonstrava composições tão fortes quanto às apresentadas aqui.

Para o bem ou para o mal, o Motorhead segue sem novidades. O que também significa sem modernidades, sem se render à modismos. A sonoridade é a de sempre. A voz ríspida de Lemmy com seu baixo distorcido, as guitarras rock n roll, a bateria acelerada. Lemmy traz o vocal cavernoso de “Orgasmatron” de volta em “Choking On Your Screams”.  Canções como “Teach Them How To Bleed”, “Tell Me Who To Kill” e “When The Sky Comes Looking For You” estão entre os grandes destaques do disco. Os pontos baixos ficam com “Evil Eye” e a já citada “Till The End”.

O disco se encerra com uma versão de “Sympathy For The Devil” dos Rolling Stones. Não, ela não ficou melhor do que a original, mas ficou empolgante e matadora. Infelizmente, pelo andar da carruagem, esse deve ser o último disco dos caras. Se esse realmente for o último capítulo, os caras podem ficar descansados que estão encerrando com chave de ouro. Um dos grandes álbuns de 2015.

Nota: 8,0/10,0
Status: Empolgante e inspirado

Faixas:
      01)   Victory Or Die
      02)   Thunder & Lightning
      03)   Fire Storm Hotel
      04)   Shoot Out All Of Your Lights
      05)   The Devil
      06)   Electrify
      07)   Evil Eye
      08)   Teach Them How To Bleed
      09)   Till The End
      10)   Tell Me Who To Kill
      11)   Choking On Your Screams
      12)   When The Sky Comes Looking For You
      13)   Sympathy For The Devil

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Nightwish – Endless Forms Most Beautiful (2015)

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!


Por Rafael Menegueti

Nightwish - Endless Forms Most Beautiful
Foi um longa espera. Os fãs de Nightwish conviveram com longos meses de ansiedade pelo lançamento de “Endless Forms Most Beautiful”, e eram inúmeros os motivos que fizeram a ansiedade aumentar. O mistério em torno das canções, quando a banda simplesmente não mostrou nada, nem uma nota sequer, enquanto apareciam em trailers falando sobre a criação e produção do novo álbum. A expectativa de saber como seria o primeiro registro de inéditas com Floor Jansen, e também com Troy Donockley, novo integrante da banda que incorporou instrumentos de sopro à sua sonoridade. O anuncio de uma música de 24 minutos, a mais longa da carreira da banda. E a participação improvável do escritor e biólogo Richard Dawkins. E então o álbum foi lançado. E dividiu opiniões.

Não sei ao certo o que pode ter provocado tamanho contraste na reação dos fãs ao receberem o novo disco, mas talvez uma explicação simples possa ser que a própria ansiedade criada em torno do disco, provocado pelo mistério em torno dele, fez com que se criasse uma expectativa muito acima do que o disco deveria ter recebido. O vazamento do single “Élan” ajudou para criar um clima não muito positivo para o que viria. Enquanto alguns fãs receberam o novo álbum com certa decepção, outros consideraram um trabalho digno da banda.

Uma coisa eu digo, “Endless Forms Most Beautiful” não é o melhor álbum da banda, mas está muito longe de ser o desastre que alguns fãs decepcionados apontam. O disco segue a linha dos trabalhos mais recentes da banda, como uma continuação da evolução que o Nightwish vinha promovendo em sua música. Alias, evolução é justamente um dos temas centrais do disco.

Segundo o tecladista e compositor da banda, Tuomas Holopainen, o disco é inspirado na obra de Charles Darwin, “A Origem das Especies”, tendo inclusive o nome sido tirado de uma passagem do mesmo. Segundo o compositor, o disco trata da beleza da vida, da existência e da evolução, sendo o conceito do álbum um tributo à ciência e ao poder da razão. A obra “O Maior Espetaculo da Terra: O Poder da Evolução”, de Richard Dawkins (que contribuiu com algumas narrações no disco), serviu de inspiração principalmente para a faixa que encerra o disco, “The Greatest Show On Earth”, a já citada canção mais longa da banda.

A sonoridade do disco remete muito ao que a banda apresentou em seus dois trabalhos anteriores. Muita melodia, arranjos feitos com instrumentos não comuns no metal, como flautas, gaitas e percussão, mas com a mesma pegada característica da banda. “Shudder Before the Beautiful” é uma faixa com a energia característica das que costumam abrir os discos da banda. Guitarra agressiva, levada empolgante e um refrão contagiante, ela é precedida por uma rápida narração de Richard Dawkins. A canção seguinte, “Weak Fantasy”, é uma das melhores do disco, agitada e com vocais potentes de Floor e Marco Hietala. Em seguida vem o single “Élan”, que divide os fãs. Embora ele possa parecer muito limpa e suave, a faixa aparece como um respiro no disco, dando um toque de melodia e beleza antes do que viria a seguir.

Os membros do Nightwish
“Yours Is An Empty Hope” compete com “Weak Fantasy” para ser a mais pesada do disco. Riff de guitarra potente, vocais com personalidade de Floor, que chega a mandar guturais no refrão, e boa participação do baterista Kai Hahto, que substitui Jukka Nevalainen no disco. Já “Our Decades In The Sun” é uma balada com uso de corais e belos arranjos sinfônicos e de violão. “My Walden” é uma faixa onde começa a se destacar a figura de Troy Donockley na banda, com vocais e suas flautas. A faixa título vem em seguida com mais peso e um refrão bem destacado.

A faixa “Edema Ruh” tem um andamento mais calmo, mas com um pouco mais de peso do que “Élan” por exemplo, além de um solo de guitarra interessante. “Alpenglow” tem uma pegada característica da banda, mas não empolga tanto quanto as demais do disco. O disco vai chegando ao final com a instrumental “The Eyes of Sharbat Gula”, totalmente orquestral e com uso de corais.

E enfim, a faixa que encerra o disco é “The Greatest Show on Earth”, uma canção grandiosa, que se inicia com um piano e vai crescendo junto com a orquestração e a voz de Floor durante alguns minutos. Mais da narração de Richard Dawkins surgem antes da canção ganhar nova cara com a entrada de Floor meio como declamando a letra e a guitarra de Emppu Vuorinen. A canção logo vai progredindo, ganha energia, arranjos com backing vocals de corais, até ganhar um novo andamento, com o ritmo da bateria aliado as vozes antes de uma sequencia de sons de animais selvagens misturados a alguns toques de orquestração interromper a canção. Logo, a guitarra volta com peso e a voz de Marco Hietala.

E isso é só a primeira metade da faixa. É curioso que mesmo assim, a canção não cansa. Ela ganha vida nova depois disso, os vocais trazem empolgação, uma verdadeira evolução dentro da música. Por volta dos 16 minutos, a canção para totalmente, entra de novo o piano e arranjos orquestrais leves, seguido em seguida pela bateria e baixo ditando um ritmo cadenciado, lento, para mais narração de Dawkins. Mais orquestração, que vai diminuindo, sons de mar, mais narração. A canção já acabou, agora o que resta são sons da natureza e de animais, até que com 24 minutos o ciclo se encerra. Encerra um bom disco, com ótimas canções, com a cara atual do Nightwish.

Um trabalho bem produzido, com uma proposta interessante e com belos arranjos de metal sinfônico. Floor Jansen também não decepciona em sua estreia em um álbum de estúdio da banda. Mesmo que ela não tenha mostrado toda a potencia de sua voz no disco, o fato é que ela não precisa, a música do Nightwish não pede isso. Sua participação é exatamente da forma que as canções pedem, harmoniosa e com personalidade nos momentos certos. “Endless Forms Most Beautiful” não é como os grandes álbuns clássicos da banda finlandesa. Ele é único e diferente, mas ainda belo, e faz jus a historia da banda.

Nota: 8/10
Status: Espetacular

Faixas:
01. Shudder Before The Beautiful
02. Weak Fantasy
03. Élan
04. Yours Is An Empty Hope
05. Our Decades In the Sun
06. My Walden
07. Endless Forms Most Beautiful
08. Edema Ruh
09. Alpenglow
10. The Eyes Of Sharbat Gula
11. The Greatest Show On Earth

domingo, 27 de dezembro de 2015

Courtney Love – You Know My Name / Wedding Day (2014):

A equipe do blog Riff Virtual se encontra de férias. Retomaremos nossas atividades no dia 20 de Janeiro. Enquanto essa data não chega, trazemos para vocês alguns de nossos melhores posts. Recordar é viver. Confira!



Por Davi Pascale

Cantora sai do ostracismo e lança um compacto com novo material. Embora sejam apenas duas músicas, material mostra Courtney Love em seu melhor momento criativo desdeCelebrity Skin.  

Courtney Michelle Love sempre foi altos e baixos. Não apenas em seu dia-a-dia (oras aparece desleixada, totalmente fora de si, falando coisas desconexas. Oras aparece extremamente sexy, dando respostas sagazes o suficiente para quebrar a cara de qualquer um que a provoque, utilizando sempre o seu sarcasmo), mas também em sua carreira. Live Through ThisCelebrity Skin e até mesmo America´s Sweetheart são ótimos álbuns.Materiais acima da media, capazes de fazer com que o jornalista que mais a odeie, pense e repense na escolha das palavras na hora de escrever um review. Por outro lado, trabalhos como Nobody´s Daugher, o disco da tal volta do Hole, frustrou boa parte de seus admiradores com uma gravação sem brilho e poucas faixas memoráveis.

“You Know My Name”, primeira canção do disquinho, traz a velha Courtney. Canção curta, rápida, com guitarras sujas e vocais gritados. Embora traga um acento pop no refrão, nos recorda de seus anos iniciais. Mas peraí... Live Thorugh This e Celebrity Skin também possuíam um acento pop. Imagine a sujeira de Pretty On The Inside com um refrão no estilo de Celebrity Skin. É mais ou menos disso que se trata.

Tommy Lee participou das gravações do novo compacto de Courtney Love

Se “You Know My Name” já nos traz uma vaga recordação dos anos 90, a faixa do lado B, “Wedding Day” nos leva de volta aos tempos onde o grupo se apresentava em casas como Whisky A Go Go e CBGB, com uma Courtney endiabrada mergulhando no publico, trazendo fãs ao palco e quebrando instrumentos no final de suas apresentações. Aqui, o acento pop, a pegada mais comercial, some de vez, apostando em uma sonoridade alternativa ao pé da letra. Canção que tem de tudo para agradar aos admiradores não apenas do Hole, mas da cena grunge em geral. O mais legal de tudo, Tommy Lee, baterista do Motley Crue (banda de hair metal, estilo acusado de ter sido destruído pelo grunge) participa das gravações.

Inicialmente, essas faixas seriam um aperitivo de um novo trabalho solo da cantora. Ideia que foi engavetada após Courtney se reconciliar com Eric Erlandson. Aparentemente a dupla estaria compondo material junto e planejando uma turnê do Hole ao lado de Melissa Auf Der Maur e Patty Schemel. Se bem que essa história também está meio nebulosa. E do jeito que a cantora é cheia de altos e baixos, recomendo aqueles que curtem, correrem atrás do disquinho antes que essas faixas se tornem raridades. Aos colecionadores, existe uma prensagem de 3.000 cópias com vinil rosa. Quem desejar, terá que revirar os ebays da vida, pois já encontra-se esgotado. Contudo, o vinil preto está em catálogo e as faixas encontram-se no Itunes. 

Nota: 9,0/10,0
Status: Empolgante

Faixas:
01) You Know My Name
02) Wedding Day