segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Jota Quest – Pancadélico (2015):



Por Davi Pascale

Os mineiros do Jota Quest nunca esconderam sua admiração pela black music. Especialmente, o funk. Entretanto, com o passar dos anos, essa influência foi ficando cada vez menos perceptível. As baladas começaram a aumentar, o beat deu uma diminuída. O grupo, que nunca foi unanimidade, se tornou grande alvo de críticas. O novo trabalho traz os rapazes de volta às raízes.

Em seu trabalho anterior, Funky Funky Boom Boom, os meninos já haviam começado sua reaproximação com o passado. Reaproximação que se intensifica agora em Pancadélico. Para que conseguissem reproduzir o groove em sua essência, os músicos foram direto à fonte. O guitarrista Nile Rodgers, do lendário Chic, volta a dar as caras. Além dele, pinta por aqui, Stuart Zender do cultuado Jamiroquai.

A sacada deu certo. A alegria, groove, a pegada dançante, permeiam o novo álbum. “A Vida Não Tá Fácil Pra Ninguém”, “Blecaute”, “Freak Fonk Funk” nos levam de volta aos anos 70. Quando a black music dominava as danceterias com seu swingado cheio de malícia. A faixa de trabalho, “Blecaute”, inclusive, pode deixar os ouvintes mais ortodoxos de cabelo em pé ao notarem a presença da cantora Anitta. Mas não precisam ficar preocupados. Eles não se arriscaram no universo dela. Não estão brincando de MC. Fizeram o oposto. Trouxeram ela para o universo deles. Ou seja, cheio de referências de Funkadelic, Kool And The Gang... E, verdade seja dita, ficou bacana.   

“Um Dia Para Se Esquecer” e, principalmente, “Sendo Assim” apresentam influência do reggae. “Risco Brasil” resgata o soul do síndico Tim Maia, enquanto “Mágica” e “Daqui Só Se Leva o Amor” retoma o universo das famosas baladas.

Pancadélico resgata elementos de sua fase inicial

Se tivesse que escolher uma palavra para definir o novo álbum seria ‘alegria’. As cores não aparecem somente no grafite que ilustra a arte do disco, mas também nos arranjos, nas vocalizações, nos backings, no sentimento. Enquanto vários artistas lutam para criarem canções que fiquem na cabeça dos ouvintes, os rapazes demonstram estarem em um de seus melhores momentos. Várias composições têm de tudo para se tornarem novos clássicos do conjunto. Márcio, Marco Tulio,  Paulinho, P.J. e Rogério Flausino fizeram seu melhor trabalho desde De Volta Ao Planeta. E olha que eles têm bastante discos bacanas...

O Jota Quest sempre contou com bons músicos, portanto, falar que está bem tocado é chover no molhado. Podem criticar as letras, a postura dos rapazes, a mudança de sonoridade, mas não tem como negarem que sempre foram um grupo ultra-competente. Sem dúvidas, o melhor trabalho brasileiro que ouvi esse ano. Se você gostava deles na época de J. Quest, vale a pena dar uma checada nesse novo álbum. Trabalho simplesmente contagiante.

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Alegre e contagiante

Faixas:
      01)   A Vida Não Tá Fácil Pra Ninguém (feat. Nile Rodgers)
      02)   Blecaute (feat. Anitta e Nile Rodgers)
      03)   Sexo e Paixão (feat. Mista Raja)
      04)   Um Dia Pra Não Se Esquecer (Sunrise)
      05)   Mares do Sul (feat. Stuart Zender)
      06)   Sendo Assim
      07)   Risco Brasil
      08)   Beijos em Paris
      09)   Pra Quando Você Se Lembrar de Mim
      10)   Mágica
      11)   Freak Fonk Funk (Até o Sol Raiar)
      12)   Doces Lábios (feat. Zappa) 
      13)   Daqui Só Se Leva O Amor

domingo, 6 de dezembro de 2015

Álbuns Clássicos: The Vines – Highly Evolved (2002)

Por Rafael Menegueti

The Vines - Highly Evolved
Você deve se lembrar do The Vines. No começo dos anos 2000, essa banda australiana conseguiu chamar a atenção com um som que unia psicodelia e punk de uma maneira bem interessante. “Highly Evolved”, seu disco de estreia de 2002, é um dos grandes álbuns dos anos 2000, embora seja um pouco subestimado e esquecido hoje em dia. Isso porque, de fato, a banda não conseguiu manter o nível de qualidade que seus primeiros dois álbuns, esse e “Winning Days” (2004), nos outros quatro discos que já lançou desde então.

Mas o álbum de estreia do então trio foi realmente um estouro. Sucesso de público e crítica, “Highly Evolved” foi o responsável por dar a fama de “filhos do Beatles com o Nirvana” que a banda recebeu daqueles que descreviam seu som. E não tem jeito, essa definição parece perfeita quando ouvimos a sonoridade das composições de Craig Nicholls, vocalista e guitarrista, e único integrante daquela formação que segue na banda até hoje. É a mais pura combinação dessas duas influencias, nas melodias, nos arranjos e dissonâncias de guitarra, nos gritos eufóricos de Craig ou em seus momentos mais limpos e harmoniosos.

Craig Nicholls (à dir.) é a fonte criativa da banda
Cada uma das canções tem um modo diferente de cativar o ouvinte. Seja com melodias mais alegres, como na faixa-título, seja com um ar mais melancólico, casos de “Autumm Shade” e “Homesick”. “Get Free” funciona como o hit inegável, uma explosiva faixa que só podia ser aquilo que foi, o maior e mais popular sucesso da banda. A banda antes havia apostado na faixa “Factory” como single, mas ela falhou nesse sentido. Embora bacana e alegrinha, não tinha o impacto e imposição que “Get Free” apresentava.

Outros momentos bons no disco ficam por conta de “In The Jungle”, uma clara faixa à la Oasis, na suave e brisada (se é que você me entende) “Mary Jane”, e na guitarrada intensa e dissonante de 1969, uma psicodélica canção que parece ter saído daquele ano mesmo. E claro, “Outtathaway”, o single caótico e punk que se fez na sombra de “Get Free”, mas que é tão interessante quanto.

O temperamento difícil de Craig Nicholls, portador da síndrome de Asperger (um tipo de autismo mais leve), fez com que a banda passasse por varias mudanças de formação desde então. O estilo explosivo que a banda aparenta em sua sonoridade era elevado nos palcos pelas apresentações insanas de Craig. Uma pena que isso tudo não tenha sido suficiente para que a banda seguisse em alta. Embora ainda ativos (seu disco mais recente foi lançado no ano passado), fica claro que o único trabalho obrigatório e marcante da banda acabou sendo “Highly Evolved”, o resto ficou apenas ok. Mas os pouco mais de 40 minutos de seu empolgante debut já são suficientes pra colocar esse disco como uma das boas demonstrações de que o rock no começo dos anos 2000 ainda podia render muito.



Nota: 8,5/10
Status: Rebelde

Faixas:
1. Highly Evolved
2. Autumn Shade
3. Outtathaway
4. Sunshinin
5. Homesick
6. Get Free
7. Country Yard
8. Factory
9. In the Jungle
10. Mary Jane
11. Ain't No Room
12. 1969

sábado, 5 de dezembro de 2015

The Graviators – Motherload (2014):





Por Davi Pascale

Muitas pessoas dizem que sentem falta de diversos elementos dos artistas de décadas passadas nos artistas atuais. Pois bem, parece que a nova geração resolveu fazer a lição de casa. As novas bandas estão bebendo na fonte da geração 70 cada vez mais. E com o pessoal do The Graviators não é diferente.

Existem vários grupos atuais fazendo um som onde deixam evidente a sua preferência pelo som setentista. Seja o Airbourne com sua pegada AC/DC, o Imperial State Electric com sua fusão de punk e power pop, enfim... No caso do Graviators, sua escola foram os britânicos do Black Sabbath. Não são os únicos a seguirem esses passos (The Sword também traz bastante referência do grupo de Tony iommi), mas é um dos que estão fazendo bonito.

O grupo surgiu em 2009 na Suécia e nunca esconderam sua preferência pela cena. Pelo contrário, sempre assumiram que a ideia era criar um repertório baseado na sonoridade dessa época. Principalmente em Sabbath e Pentagram. Faz sentido! Seu som é pesado, arrastado e, muitas vezes, sombrio. As músicas são longas. Para se ter uma ideia, as 9 faixas juntas passam dos 74 minutos de gravação.

Durante a audição quem mais se destaca é o guitarrista Martin Farbanks. O rapaz é bom tanto de riff quanto de solo. O baterista Henrik Bergman também faz bonito. Completam o grupo, os competentes John Holm (baixo) e Niklas Sjöberg (vocal).

Grupo aposta em sonoridade doom metal e traz fortes influências de Black Sabbath

 São justamente nos momentos mais sombrios onde eles brilham mais. “Leifs Last Breath/Dance Of The Valkyrie”, “Eagles Rising”, “Druid´s Ritual”, “Bed of Bitches” e “Narrow Minded Bastards” são os pontos de destaque. “Lost Lord” traz uma pegada mais lenta, trazendo um ar de blues em alguns mais momentos, e também funciona bem.  Infelizmente, o nível cai um pouquinho em “Drowned In Leaves”, mas nada que prejudique a audição.

Motherload é o terceiro álbum dos meninos e ainda é seu trabalho mais recente. O disco foi lançado pela Napalm Records, gravadora austríaca especializada em heavy metal que tem em seu cast nomes como Grave Digger, Devildriver, Delain, além das brasileiras do Nervosa. Ao julgar pelo que ouvi aqui, acredito que os garotos tenham um futuro bem promissor. Chequem o vídeo e me digam o que acharam. 



Nota: 8,0 / 10,0
Status: Pesado e cativante

Faixas:
      01)   Leifs Last Breath / Dance Of The Valkyrie
      02)   Narrow Minded Bastards
      03)   Bed of Bitches
      04)   Tigress Of Siberia
      05)   Lost Lord
      06)   Corpauthority
      07)   Drowned In Leaves
      08)   Eagles Rising  
      09)   Druid´s Ritual

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Sonata Arctica lançará single de natal

capa do single
A banda finlandesa, que já planeja seu próximo álbum de estúdio, irá lançar um single especial de natal no próximo dia 18. Contendo a faixa “Christimas Spirits” em três versões diferentes (normal, radio edit e orquestral), o single será disponibilizado em formato digital e em uma tiragem limitada em CD exclusivamente na loja online oficial da gravadora Nuclear Blast. Segundo a banda, a faixa já tem aproximadamente 10 anos, mas só agora a banda conseguiu gravá-la e finaliza-la para disponibilizar aos fãs.

The Unguided revela detalhes de novo disco

Os membros do The Unguided
A banda de metalcore/death metal melódico sueca The Unguided divulgou os detalhes de seu novo álbum, que se chamará “Lust and Loathing”. Esse será o terceiro álbum de estúdio da banda liderada pela ex-dupla de vocalistas do Sonic Syndicate, Roland Johansson e Richard Sjunnesson. O novo disco chegará as lojas no dia 26 de fevereiro e terá a seguinte capa e tracklist:


1. Enraged
2. The Worst Day (Revisited)
3. King Of Clubs
4. Heartseeker
5. Photobs Grip
6. Black Eyed Angel
7. Operation: E.A.E.
8. Boneyard
9. Hate (and Other Triumphs)
10. Mercy (Bonus Track)
11. Judgment (Bonus Track)
12. Betrayer Of The Code (Live)

Festival do Epica terá edição no Brasil

Banda holandesa realizou recentemente 1ª edição de seu festival
Os holandeses do Epica realizaram na última semana a primeira edição de seu próprio festival, o Epic Metal Fest. A banda lançou um vídeo com cenas do evento e no final houve uma surpresa para o público brasileiro. Após anunciarem a próxima edição no ano que vem surgiram bandeiras de Holanda e Brasil, o que deixou muitos intrigados. O guitarrista da banda Mark Jansen então confirmou que sim, haverá também uma edição do festival no Brasil. A edição desse ano realizada na Holanda contou, além do Epica, com nomes como Fear Factory, Sepultura, Delain e Moonspell, entre outros.

Bruno Sutter lança dois singles de seu álbum solo

Prestes a lançar seu primeiro álbum solo fora do personagem Detonator, Bruno Sutter decidiu colocar as duas primeiras músicas desse trabalho disponíveis para os fãs. As canções “The Best Singer In The World” e “GrAttitude” podem ser conferidas através do Youtube (videos abaixo). O disco será lançado oficialmente na próxima semana, dia 10, mais uma vez de forma independente.



Pink Floyd lança EP de inéditas de surpresa

O EP lançado na última semana
Alguns fãs europeus do Pink Floyd tiveram uma agradável surpresa na última sexta-feira (27/11) ao se deparar com um EP inédito do Pink Floyd lançado na surdina. Com uma tiragem limitada de 1000 cópias, o disquinho “1965 – Their First Recordings” traz 6 músicas inéditas, sendo quatro delas compostas por Syd Barret, uma por Roger Waters e uma cover do Slim Harpo. Para quem não pôde conferir o material, a banda já prometeu que irá lançar o EP em escala maior em algum momento de 2016.

Atualização de última hora: Morre Scott Weiland, ex- Stone Temple Pilots

Esse post já estava finalizado quando a notícia se espalhou pela internet. Scott Weiland, ex-vocalista do Stone Temple Pilots e atualmente nas bandas Wildabouts e Art of Anarchy, foi encontrado morto em seu onibus de turnê, momentos antes de um show que realizaria com o Wildabouts. Ele tinha 48 anos. A causa da morte ainda não é conhecida, mas segundo informações ele teria morrido enquanto dormia. Seu histórico de uso de drogas é longo e conhecido por já ter lhe criado inúmeros problemas. Deixamos aqui nosso luto por mais um grande nome da história do rock que se vai.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Who Are You: An All-Star Tribute to The Who (2012):





Por Davi Pascale

Trago hoje essa dica para os amantes de discos tributo. Lançado em 2012, pela Cleopatra Records, o álbum mistura músicos de diferentes vertentes. E o mais bacana de tudo, não é um disco de altos e baixos. A qualidade se mantém.

A Cleopatra Records adora lançar discos tributo. Muitas vezes, inclusive, lançam trabalhos polêmicos. São deles aquela série onde davam um ar industrial em discos dedicados à nomes como Guns n´ Roses e Van Halen. Na minha visão, tentativas frustradas. Contudo, às vezes, acertam o alvo. O tributo Leppardmania (Def Leppard) é bem legal e deixava de lado essa mania de tentar modernizar o som do artista homenageado. Pegavam alguns grandes nomes e os colocavam para realizarem suas versões para os clássicos do conjunto. É, mais ou menos, o que ocorre aqui.

Vieram para a empreitada, músicos de diferentes universos. KK Downing, guitarrista do Judas Priest. Ian Paice, baterista do Deep Purple. Joe Elliot, cantor do Def Leppard. Rick Wakeman, tecladista do Yes. Além de Sweet, Iggy Pop, Joe Lynn Turner, Ginger Baker e, até mesmo, a cantora country Gretchen Wilson dão as caras por aqui. Com um time estelar desses, se fizessem um trabalho fraco mereceriam uma medalha.

Existem muitos artistas que quando vão gravar uma homenagem à seus ídolos, recriam a canção. Mudam a linha vocal, modificam os arranjos criando outra canção. Um tipo de situação que também cria polêmicas. Uma parte dos ouvintes, acha curioso e acredita que reforce elementos da canção original que são poucos perceptíveis. Outros ouvintes não gostam quando a música é muito descaracterizada. Esse tributo ao The Who é voltado para quem é um pouco mais conservador, nesse aspecto. Os artistas, certamente, tentaram deixar sua marca na canção. Contudo, as mudanças, na maior parte do tempo, são mínimas.

Cantora country faz um dos melhores trabalhos vocais do disco

Não há nenhuma versão aqui que seja risível. Entretanto, há duas que me chamaram a atenção além da conta. Uma é a versão da cantora Gretchen Wilson. A menina é conhecida por seguir uma carreira country-rock. Imaginava que escolhesse uma canção como “Behind Blue Eyes”, mais calma, um arranjo com violões. Entretanto, ela veio com uma versão do clássico “Who Are You”, com uma versão tão rock quanto à original e com um excelente trabalho vocal. Outra versão matadora é a que fecha o álbum, “The Seeker”, trazendo Joe Lynn Turner em um momento inspiradíssimo. A que menos me empolgou foi a versão dos Raveonettes para “The Kids Are Alright”. Essa é a que está mais distante do original. E, sendo honesto, achei o arranjo estranho.

Uma das marcas registradas do The Who é a bateria de Keith Moon. Os fãs podem ficar tranquilos. Os músicos envolvidos foram respeitosos e fizeram um trabalho digno. É claro que não está idêntico, mas nem teria como. Assim como Neil Peart e John Bonham, é um daqueles músicos que é impossível de se copiar. Esperar por isso seria o mesmo que esperar o coelhinho da páscoa, mas a equação foi bem resolvida. Quanto ao repertório? Foi focado nos clássicos do grupo inglês. Portanto, falar que as músicas são boas é chover no molhado. Álbum recomendadíssimo!

Nota: 9,0/10,0
Status: Respeitoso e Empolgante

Faixas:
      01)   Eminence Front
      02)   Baba O´Riley
      03)   I Can See For Miles 
      04)   Love Reign O´er Me
      05)   My Generation
      06)   The Kids Are Alright
      07)   Won´t Get Fooled Again
      08)   Anyway Anyhow Anywhere
      09)   I Can´t Explain
      10)   Behind Blue Eyes
      11)   Magic Bus
      12)   Who Are You
      13)   Pinball Wizard
      14)   Squeeze Box
      15)   Bargain  
      16)   The Seeker

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Gus G. – Brand New Revolution (2015)

Por Rafael Menegueti

Gus G. - Brand New Revolution
Nunca foi muito a minha praia ouvir discos de guitarristas solo considerados "guitar heroes". Embora eu admire e adore o virtuosismo e técnica de músicos como Joe Satriani, Steve Vai, Malmsteen, dentre outros, discos instrumentais sempre me entediam rápido. Nesse caso, prefiro ver um DVD ou ao vivo.

E é por esse motivo que eu prefiro instrumentistas que explorem seus trabalhos solo com um algo a mais, trazendo vocalistas convidados e apostando mais em estruturas musicais tradicionais do que apenas a exibição de técnica. Nesse sentido posso citar como exemplos Slash, o Timo Tolkki’s Avalon e o grego Gus G., sobre o qual escrevo hoje.

Kostas Karamitroudis, conhecido como Gus G., é um guitarrista famoso pelos seus trabalhos com a banda Firewind e, desde 2009, com Ozzy Osbourne. “Brand New Revolution” é seu terceiro álbum solo, onde ele pôde mostrar um pouco mais de sua habilidade em um projeto que não tem um único estilo definido. Ao invés de se ater ao básico, Gus G. entrega um disco repleto de diferentes facetas e sonoridades.

Esse é o terceiro disco solo do guitarrista grego
O disco abre com a alucinante “The Quest”, única faixa instrumental do trabalho. A partir dali, em cada faixa temos uma sensação diferente. Na próxima música, homônima ao disco, Jacob Bunton (Adler, Lynam) é o primeiro a dar as caras nos vocais. Ele é o vocalista que mais aparece, com cinco faixas no total. E a energia que a canção transmite é uma marca da música de Gus G. Em suas composições é possível notar o apelo comercial em seu modo de inserir riffs insanos com solos e shreddings, o que deixa as músicas muito mais convidativas.

Há os momentos mais cheios de groove e melodia, como em “We Are One”, enquanto em “What Lies Below” temos um aspecto mais radiofônico, incrementado pela voz incrivelmente pop de Elize Ryd (Amaranthe), na única musica em que ela participa no álbum. “Behind Those Eyes” e “One More Try” fazem a linha balada de hard rock com versos suaves e refrão poderoso. Em “Gone to Stay” temos uma composição com mais potencia, elevada pela presença de Jeff Scott Soto. O ex-vocalista de Yngwie Malmsteen e Axel Rudi Pell ainda volta mais tarde na grooveada “Generation G”.

Mats Levén (Candlemass, Therion) aparece dando voz em três faixas ao final do álbum. Primeiro na intensa e pesada “Come Hell or High Water”, depois em “If It Ends Today”, ambas com uma sonoridade bem clássica. Em seguida ele surge dando voz na faixa que encerra o disco, “The Demon Inside”, uma “sabbatica” e sombria canção que dá um clima mais tenso ao fim do disco. “Brand New Revolution” não é um álbum comum de um guitarrista, é uma versátil e empolgante mistura de elementos que fazem do heavy metal um estilo épico. Gus G. acertou em cheio com sua fórmula e entregou um trabalho memorável.


Nota: 8/10
Status: Alucinante

Faixas:
01. The Quest
02. Brand New Revolution
03. Burn
04. We Are One
05. What Lies Below
06. Behind Those Eyes
07. Gone To Stay
08. One More Try
09. Come Hell Or High Water
10. If It Ends Today
11. Generation G
12. The Demon Inside