sábado, 5 de dezembro de 2015

The Graviators – Motherload (2014):





Por Davi Pascale

Muitas pessoas dizem que sentem falta de diversos elementos dos artistas de décadas passadas nos artistas atuais. Pois bem, parece que a nova geração resolveu fazer a lição de casa. As novas bandas estão bebendo na fonte da geração 70 cada vez mais. E com o pessoal do The Graviators não é diferente.

Existem vários grupos atuais fazendo um som onde deixam evidente a sua preferência pelo som setentista. Seja o Airbourne com sua pegada AC/DC, o Imperial State Electric com sua fusão de punk e power pop, enfim... No caso do Graviators, sua escola foram os britânicos do Black Sabbath. Não são os únicos a seguirem esses passos (The Sword também traz bastante referência do grupo de Tony iommi), mas é um dos que estão fazendo bonito.

O grupo surgiu em 2009 na Suécia e nunca esconderam sua preferência pela cena. Pelo contrário, sempre assumiram que a ideia era criar um repertório baseado na sonoridade dessa época. Principalmente em Sabbath e Pentagram. Faz sentido! Seu som é pesado, arrastado e, muitas vezes, sombrio. As músicas são longas. Para se ter uma ideia, as 9 faixas juntas passam dos 74 minutos de gravação.

Durante a audição quem mais se destaca é o guitarrista Martin Farbanks. O rapaz é bom tanto de riff quanto de solo. O baterista Henrik Bergman também faz bonito. Completam o grupo, os competentes John Holm (baixo) e Niklas Sjöberg (vocal).

Grupo aposta em sonoridade doom metal e traz fortes influências de Black Sabbath

 São justamente nos momentos mais sombrios onde eles brilham mais. “Leifs Last Breath/Dance Of The Valkyrie”, “Eagles Rising”, “Druid´s Ritual”, “Bed of Bitches” e “Narrow Minded Bastards” são os pontos de destaque. “Lost Lord” traz uma pegada mais lenta, trazendo um ar de blues em alguns mais momentos, e também funciona bem.  Infelizmente, o nível cai um pouquinho em “Drowned In Leaves”, mas nada que prejudique a audição.

Motherload é o terceiro álbum dos meninos e ainda é seu trabalho mais recente. O disco foi lançado pela Napalm Records, gravadora austríaca especializada em heavy metal que tem em seu cast nomes como Grave Digger, Devildriver, Delain, além das brasileiras do Nervosa. Ao julgar pelo que ouvi aqui, acredito que os garotos tenham um futuro bem promissor. Chequem o vídeo e me digam o que acharam. 



Nota: 8,0 / 10,0
Status: Pesado e cativante

Faixas:
      01)   Leifs Last Breath / Dance Of The Valkyrie
      02)   Narrow Minded Bastards
      03)   Bed of Bitches
      04)   Tigress Of Siberia
      05)   Lost Lord
      06)   Corpauthority
      07)   Drowned In Leaves
      08)   Eagles Rising  
      09)   Druid´s Ritual

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Sonata Arctica lançará single de natal

capa do single
A banda finlandesa, que já planeja seu próximo álbum de estúdio, irá lançar um single especial de natal no próximo dia 18. Contendo a faixa “Christimas Spirits” em três versões diferentes (normal, radio edit e orquestral), o single será disponibilizado em formato digital e em uma tiragem limitada em CD exclusivamente na loja online oficial da gravadora Nuclear Blast. Segundo a banda, a faixa já tem aproximadamente 10 anos, mas só agora a banda conseguiu gravá-la e finaliza-la para disponibilizar aos fãs.

The Unguided revela detalhes de novo disco

Os membros do The Unguided
A banda de metalcore/death metal melódico sueca The Unguided divulgou os detalhes de seu novo álbum, que se chamará “Lust and Loathing”. Esse será o terceiro álbum de estúdio da banda liderada pela ex-dupla de vocalistas do Sonic Syndicate, Roland Johansson e Richard Sjunnesson. O novo disco chegará as lojas no dia 26 de fevereiro e terá a seguinte capa e tracklist:


1. Enraged
2. The Worst Day (Revisited)
3. King Of Clubs
4. Heartseeker
5. Photobs Grip
6. Black Eyed Angel
7. Operation: E.A.E.
8. Boneyard
9. Hate (and Other Triumphs)
10. Mercy (Bonus Track)
11. Judgment (Bonus Track)
12. Betrayer Of The Code (Live)

Festival do Epica terá edição no Brasil

Banda holandesa realizou recentemente 1ª edição de seu festival
Os holandeses do Epica realizaram na última semana a primeira edição de seu próprio festival, o Epic Metal Fest. A banda lançou um vídeo com cenas do evento e no final houve uma surpresa para o público brasileiro. Após anunciarem a próxima edição no ano que vem surgiram bandeiras de Holanda e Brasil, o que deixou muitos intrigados. O guitarrista da banda Mark Jansen então confirmou que sim, haverá também uma edição do festival no Brasil. A edição desse ano realizada na Holanda contou, além do Epica, com nomes como Fear Factory, Sepultura, Delain e Moonspell, entre outros.

Bruno Sutter lança dois singles de seu álbum solo

Prestes a lançar seu primeiro álbum solo fora do personagem Detonator, Bruno Sutter decidiu colocar as duas primeiras músicas desse trabalho disponíveis para os fãs. As canções “The Best Singer In The World” e “GrAttitude” podem ser conferidas através do Youtube (videos abaixo). O disco será lançado oficialmente na próxima semana, dia 10, mais uma vez de forma independente.



Pink Floyd lança EP de inéditas de surpresa

O EP lançado na última semana
Alguns fãs europeus do Pink Floyd tiveram uma agradável surpresa na última sexta-feira (27/11) ao se deparar com um EP inédito do Pink Floyd lançado na surdina. Com uma tiragem limitada de 1000 cópias, o disquinho “1965 – Their First Recordings” traz 6 músicas inéditas, sendo quatro delas compostas por Syd Barret, uma por Roger Waters e uma cover do Slim Harpo. Para quem não pôde conferir o material, a banda já prometeu que irá lançar o EP em escala maior em algum momento de 2016.

Atualização de última hora: Morre Scott Weiland, ex- Stone Temple Pilots

Esse post já estava finalizado quando a notícia se espalhou pela internet. Scott Weiland, ex-vocalista do Stone Temple Pilots e atualmente nas bandas Wildabouts e Art of Anarchy, foi encontrado morto em seu onibus de turnê, momentos antes de um show que realizaria com o Wildabouts. Ele tinha 48 anos. A causa da morte ainda não é conhecida, mas segundo informações ele teria morrido enquanto dormia. Seu histórico de uso de drogas é longo e conhecido por já ter lhe criado inúmeros problemas. Deixamos aqui nosso luto por mais um grande nome da história do rock que se vai.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Who Are You: An All-Star Tribute to The Who (2012):





Por Davi Pascale

Trago hoje essa dica para os amantes de discos tributo. Lançado em 2012, pela Cleopatra Records, o álbum mistura músicos de diferentes vertentes. E o mais bacana de tudo, não é um disco de altos e baixos. A qualidade se mantém.

A Cleopatra Records adora lançar discos tributo. Muitas vezes, inclusive, lançam trabalhos polêmicos. São deles aquela série onde davam um ar industrial em discos dedicados à nomes como Guns n´ Roses e Van Halen. Na minha visão, tentativas frustradas. Contudo, às vezes, acertam o alvo. O tributo Leppardmania (Def Leppard) é bem legal e deixava de lado essa mania de tentar modernizar o som do artista homenageado. Pegavam alguns grandes nomes e os colocavam para realizarem suas versões para os clássicos do conjunto. É, mais ou menos, o que ocorre aqui.

Vieram para a empreitada, músicos de diferentes universos. KK Downing, guitarrista do Judas Priest. Ian Paice, baterista do Deep Purple. Joe Elliot, cantor do Def Leppard. Rick Wakeman, tecladista do Yes. Além de Sweet, Iggy Pop, Joe Lynn Turner, Ginger Baker e, até mesmo, a cantora country Gretchen Wilson dão as caras por aqui. Com um time estelar desses, se fizessem um trabalho fraco mereceriam uma medalha.

Existem muitos artistas que quando vão gravar uma homenagem à seus ídolos, recriam a canção. Mudam a linha vocal, modificam os arranjos criando outra canção. Um tipo de situação que também cria polêmicas. Uma parte dos ouvintes, acha curioso e acredita que reforce elementos da canção original que são poucos perceptíveis. Outros ouvintes não gostam quando a música é muito descaracterizada. Esse tributo ao The Who é voltado para quem é um pouco mais conservador, nesse aspecto. Os artistas, certamente, tentaram deixar sua marca na canção. Contudo, as mudanças, na maior parte do tempo, são mínimas.

Cantora country faz um dos melhores trabalhos vocais do disco

Não há nenhuma versão aqui que seja risível. Entretanto, há duas que me chamaram a atenção além da conta. Uma é a versão da cantora Gretchen Wilson. A menina é conhecida por seguir uma carreira country-rock. Imaginava que escolhesse uma canção como “Behind Blue Eyes”, mais calma, um arranjo com violões. Entretanto, ela veio com uma versão do clássico “Who Are You”, com uma versão tão rock quanto à original e com um excelente trabalho vocal. Outra versão matadora é a que fecha o álbum, “The Seeker”, trazendo Joe Lynn Turner em um momento inspiradíssimo. A que menos me empolgou foi a versão dos Raveonettes para “The Kids Are Alright”. Essa é a que está mais distante do original. E, sendo honesto, achei o arranjo estranho.

Uma das marcas registradas do The Who é a bateria de Keith Moon. Os fãs podem ficar tranquilos. Os músicos envolvidos foram respeitosos e fizeram um trabalho digno. É claro que não está idêntico, mas nem teria como. Assim como Neil Peart e John Bonham, é um daqueles músicos que é impossível de se copiar. Esperar por isso seria o mesmo que esperar o coelhinho da páscoa, mas a equação foi bem resolvida. Quanto ao repertório? Foi focado nos clássicos do grupo inglês. Portanto, falar que as músicas são boas é chover no molhado. Álbum recomendadíssimo!

Nota: 9,0/10,0
Status: Respeitoso e Empolgante

Faixas:
      01)   Eminence Front
      02)   Baba O´Riley
      03)   I Can See For Miles 
      04)   Love Reign O´er Me
      05)   My Generation
      06)   The Kids Are Alright
      07)   Won´t Get Fooled Again
      08)   Anyway Anyhow Anywhere
      09)   I Can´t Explain
      10)   Behind Blue Eyes
      11)   Magic Bus
      12)   Who Are You
      13)   Pinball Wizard
      14)   Squeeze Box
      15)   Bargain  
      16)   The Seeker

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Gus G. – Brand New Revolution (2015)

Por Rafael Menegueti

Gus G. - Brand New Revolution
Nunca foi muito a minha praia ouvir discos de guitarristas solo considerados "guitar heroes". Embora eu admire e adore o virtuosismo e técnica de músicos como Joe Satriani, Steve Vai, Malmsteen, dentre outros, discos instrumentais sempre me entediam rápido. Nesse caso, prefiro ver um DVD ou ao vivo.

E é por esse motivo que eu prefiro instrumentistas que explorem seus trabalhos solo com um algo a mais, trazendo vocalistas convidados e apostando mais em estruturas musicais tradicionais do que apenas a exibição de técnica. Nesse sentido posso citar como exemplos Slash, o Timo Tolkki’s Avalon e o grego Gus G., sobre o qual escrevo hoje.

Kostas Karamitroudis, conhecido como Gus G., é um guitarrista famoso pelos seus trabalhos com a banda Firewind e, desde 2009, com Ozzy Osbourne. “Brand New Revolution” é seu terceiro álbum solo, onde ele pôde mostrar um pouco mais de sua habilidade em um projeto que não tem um único estilo definido. Ao invés de se ater ao básico, Gus G. entrega um disco repleto de diferentes facetas e sonoridades.

Esse é o terceiro disco solo do guitarrista grego
O disco abre com a alucinante “The Quest”, única faixa instrumental do trabalho. A partir dali, em cada faixa temos uma sensação diferente. Na próxima música, homônima ao disco, Jacob Bunton (Adler, Lynam) é o primeiro a dar as caras nos vocais. Ele é o vocalista que mais aparece, com cinco faixas no total. E a energia que a canção transmite é uma marca da música de Gus G. Em suas composições é possível notar o apelo comercial em seu modo de inserir riffs insanos com solos e shreddings, o que deixa as músicas muito mais convidativas.

Há os momentos mais cheios de groove e melodia, como em “We Are One”, enquanto em “What Lies Below” temos um aspecto mais radiofônico, incrementado pela voz incrivelmente pop de Elize Ryd (Amaranthe), na única musica em que ela participa no álbum. “Behind Those Eyes” e “One More Try” fazem a linha balada de hard rock com versos suaves e refrão poderoso. Em “Gone to Stay” temos uma composição com mais potencia, elevada pela presença de Jeff Scott Soto. O ex-vocalista de Yngwie Malmsteen e Axel Rudi Pell ainda volta mais tarde na grooveada “Generation G”.

Mats Levén (Candlemass, Therion) aparece dando voz em três faixas ao final do álbum. Primeiro na intensa e pesada “Come Hell or High Water”, depois em “If It Ends Today”, ambas com uma sonoridade bem clássica. Em seguida ele surge dando voz na faixa que encerra o disco, “The Demon Inside”, uma “sabbatica” e sombria canção que dá um clima mais tenso ao fim do disco. “Brand New Revolution” não é um álbum comum de um guitarrista, é uma versátil e empolgante mistura de elementos que fazem do heavy metal um estilo épico. Gus G. acertou em cheio com sua fórmula e entregou um trabalho memorável.


Nota: 8/10
Status: Alucinante

Faixas:
01. The Quest
02. Brand New Revolution
03. Burn
04. We Are One
05. What Lies Below
06. Behind Those Eyes
07. Gone To Stay
08. One More Try
09. Come Hell Or High Water
10. If It Ends Today
11. Generation G
12. The Demon Inside

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Leela – Música Todo Dia (2012):



Por Davi Pascale

Nos últimos tempos tenho focado mais em resenhar lançamentos, comentar dos álbuns que estão chegando ao mercado. Algo que continuarei a fazer. Inclusive, já tenho mais alguns títulos para ouvir. E, certamente, irei escrever sobre alguns por aqui. Mas, de vez em quando, é legal revirar alguns discos da estante. Peguei esse disco para ouvir novamente e lembrei do quão pouco destaque foi dado à ele na época. Portanto, resolvi escrever sobre ele hoje.

Uma das razões que acredito que tenha passado batido é porque esse álbum foi feito de maneira independente. Sem uma grande gravadora e um grande produtor por trás. Logo, muitas portas se fecham. E, sim, eles já tiveram tudo isso. Seus dois primeiros álbuns contaram com a produção do renomado Rick Bonadio e foram lançados pela EMI. O primeiro clipe deles, “Te Procuro”, foi bastante exibido na MTV. Contudo, esse trabalho que passou longe dos holofotes é o melhor álbum do grupo, na minha opinião.

O disco foi feito depois de um hiato de 5 anos. Nesse meio tempo, muito mudou. O casal Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão passaram alguns anos morando em Londres, a cantora teve seu primeiro filho. Os músicos se envolveram em projetos paralelos. Todas essas mudanças, afetaram o som do grupo carioca. Os músicos trouxeram novas influências, os arranjos amadureceram bastante e as letras também.

Musica Todo Dia mostrava banda no auge criativo

Sem a presença de Bonadio, o grupo se viu mais solto para explorar novos territórios. A influência do rock alternativo continuava, o acento pop continuava. E estava tudo na dose certa! Sem ser cabeça demais e sem ser pasteurizado. Entretanto, os músicos iam mais além. O álbum contava ainda com uma dose de experimentalismo. Algo que pode ser conferido, com maior clareza, na faixa título. Também era perceptível as referências que Bianca trouxe do Brollies & Apples com uma forte presença de sintetizadores. Algumas faixas, como “Tô Pronta” e “On The Road”, traziam uma pegada dançante, inclusive.

Da sua estadia em Londres, veio a vibe indie rock. É perceptível a influência da cena da época, como Interpol (USA) e Kaiser Chiefs (UK), durante o álbum. Principalmente, no trabalho de guitarra e bateria. Bianca continuava cantando dentro do seu estilo habitual. Explorando seu lado doce e sensual. Outra característica que seguia adiante era o tema das letras. Até existiam algumas que fugiam um pouquinho à regra, mas a maioria continuava girando em torno de relacionamentos amorosos. Assunto corriqueiro na discografia do grupo.

Uma retomada bem-vinda é a colaboração do jornalista/compositor Fausto Fawcett. O rapaz tem um estilo próprio de escrita e sempre foi muito inteligente. Aqui, além de colaborar na criação de 4 canções, fez uma pequena participação em “Cidade Sitiada”, uma das melhores do disco. Outros momentos de destaque ficam por conta de “Topo Tudo”, “Por Um Fio / Hey Babe”, “On The Road” e “Sinos”. Atualmente, o grupo segue adiante trabalhando no seu quarto disco. Na torcida para que consigam manter o nível. Assim que lançarem, comentaremos por aqui...

Nota: 8,5/10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Topo Tudo
      02)   Por Um Fio / Hey Babe
      03)   Música Todo Dia
      04)   On The Road
      05)   Cidade Sitiada
      06)   A Nossa Melhor Noite
      07)   Sutilezas
      08)   Sinos
      09)   Tô Pronta 
      10)   Mais Beleza

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Música comentada: Kaiser Chiefs – I Predict A Riot

Por Rafael Menegueti

Kaiser Chiefs
Da leva de bandas de britpop que surgiram nos anos 2000, o Kaiser Chiefs é uma de minhas favoritas. Com um repertorio repleto de faixas cheias de energia que por vezes assumem uma influência punk, ou até new wave, a banda emplacou alguns hits desde seu surgimento com o álbum “Employment”, lançado em 2004. Alguns exemplos são “Everyday I Love You Less and Less”, “The Angry Mob”, “Oh My God” e a excelente “Ruby”. Mas o primeiro grande hit da banda foi “I Predict A Riot”.

A faixa que faz parte do primeiro disco da banda e foi inspirada em uma temática bem própria da juventude britânica. Nela, a banda fala sobre o momento em que os bares e pubs ingleses se fecham e uma multidão bêbada e briguenta sai às ruas tentando ir pra casa (ou não). Segundo o então baterista da banda na época, Nick Hodgson, a ideia da música surgiu da época em que ele voltava pra casa após tocar em uma casa noturna e sempre ver pessoas brigando e policiais na frente de uma outra grande casa noturna no caminho.

Nos versos, a letra escrita por Nick e pelo vocalista Ricky Wilson apresenta vários personagens característicos desse típico momento britânico, como um agressor vestindo agasalho (“a man in a tracksuit attacked me”), um policial e um importante engenheiro de Leeds, cidade natal dos integrantes, John Smeaton (“Would never have happened to Smeaton / And old Leodensian”), entre outros. Leodesian é um nome popular para se referir a um cidadão de Leeds.

“I Predict A Riot” ganhou dois videoclipes completamente diferentes um do outro. A primeira versão mostra a banda tocando em frente a uma audiência que começa uma guerra de travesseiros. Na segunda versão, mais conhecida por aqui, tem a imagem com um efeito sépia mostrando a banda em uma historinha mais elaborada, o que garantiu que esse vídeo ganhasse mais destaque que o original. A canção ainda foi parar no jogo Guitar Hero 3, assim como outro sucesso da banda, “Ruby”.


Watching the people get lairy
Is not very pretty I tell thee
Walking through town is quite scary
And not very sensible either
A friend of a friend he got beaten
He looked the wrong way at a policeman
Would never have happened to Smeaton
And old Leodiensian

I predict a riot, I predict a riot

I tried to get in my taxi
A man in a tracksuit attacked me
He said that he saw it before me
Wants to get things a bit gory
Girls run around with no clothes on
To borrow a pound for a condom
If it wasn't for chip fat, well they'd be frozen
They're not very sensible

And if there's anybody left in here
That doesn't want to be out there

Ver as pessoas ficarem agressivas
Não é muito bonito, eu lhe digo
Andar pela cidade é bem assustador
E também não é muito sensato
Um amigo de um amigo apanhou
Olhou do jeito errado para um policial
Jamais teria acontecido a Smeaton
Um velho Leodiensiano

Eu prevejo uma revolta

Tentei pegar meu taxi
Um homem de agasalho me atacou
Ele disse que o viu primeiro
Quer deixar as coisas um pouco ensanguentadas
Garotas correm por aí sem roupas
Para pedir emprestado uma libra pra camisinhas
Se não fosse por um pouco de gordura elas congelariam
Elas não são muito sensatas

E se tiver mais alguem aqui
Que não queira estar lá fora

domingo, 29 de novembro de 2015

Mark Knopfler – Tracker (2015):



Por Davi Pascale

Ex-guitarrista do Dire Straits chega ao seu oitavo álbum solo. Material conta com temas autobiográficos, sonoridade relaxante e arranjos extremamente bem resolvidos. Quem curte sua carreira-solo, gostará do disco.

Mark Knopfler é um dos grandes músicos em atividade. Mais do que isso, é também um dos grandes compositores. Mesmo no período de maior popularidade, não abriu mão de fazer um trabalho inteligente e elegante. O rapaz sempre teve um bom gosto na timbragem de seus instrumentos, nas construções de suas escalas, nunca colocou sua técnica acima da melodia. Mais do que isso, é um dos poucos músicos em atividade onde conseguimos identifica-lo após pouquíssimos acordes.

Já faz um tempo que ele vem apostando em criar letras contando histórias. Aqui, não é diferente.  E o mais bacana é que algumas dessas histórias dizem respeito à sua própria história ou às suas próprias opiniões. “Skydiver” fala sobre sua infância, sobre os tempos em que vivia em Northumberland (condado situado no norte da Inglaterra). “Basil” é uma homenagem ao poeta modernista Basil Bunting. Mark chegou a trabalhar junto com o rapaz nos tempos de Evening Chronicle (famoso jornal de Newcastle, ainda na ativa). “Beryl” refere-se à escritora de Liverpool Berly Bainbridge. Aqui, o músico critica o fato da garota só ter recebido o famoso prêmio Booker depois de sua morte. “It´s all too late now, it´s all too late now you dabblers” (agora é tarde demais, agora é tarde demais, seus amadores) canta no refrão.

O guitarrista fez recentemente uma série de shows com outro grande compositor, Bob Dylan. Durante as entrevistas realizadas para promover o novo álbum, Knopfler declarou que “Lights of Taormina” e “Silver Eagle” foram compostas nesse período. “Silver Eagle” realmente traz uma forte influência de Dylan, entretanto o arranjo de “Basil” também me remeteu bastante ao compositor norte-americano. Principalmente, naquela fase inicial, mais folk.

Mark Knopfle volta com álbum calmo

Mesmo sendo famoso pelo som de sua guitarra, os violões falam mais alto em várias de suas canções. Os arranjos, na maior parte do tempo, são mais calmos trazendo fortes influências de country, folk e até um pouco de blues. Um disco bacana para ouvir enquanto se lê um livro, em uma viagem com a família... Dentre essas canções mais calmas, destacaria as belíssimas “Laughs And Jokes And Drinks And Smokes”, “River Towns”, “Long Cool Girl” e “Silver Eagle”.

Há, contudo, alguns momentos mais alegres no álbum. São elas, a razoável “Broken Bones”, a boa “Skydiver” e a já citada “Beryl”. Essa é uma das minhas favoritas em todo o disco porque me remeteu bastante aos seus tempos de Dire Straits. E o meu primeiro contato com o músico foi justamente ouvindo um LP do conjunto lá nos anos 80.

O disco não é uma obra-prima. Há alguns fillers como a já citada “Broken Bones” ou ainda “Mighty Man”, mas não dá para torcer o nariz para seu trabalho. A qualidade do álbum é altíssima. Os músicos envolvidos são de primeira. Se você curte o estilo do músico ou curte, às vezes, ouvir um som mais calmo, pode ir sem medo. Trabalho bacana...

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Relaxante

Faixas:
      01)   Laughs And Jokes And Drinks And Smokes
      02)   Basil
      03)   River Towns
      04)   Skydiver
      05)   Mighty Man
      06)   Broken Bones
      07)   Long Cool Girl
      08)   Lights of Taormina
      09)   Silver Eagle
      10)   Beryl 
      11)   Wherever I Go (featuring Ruth Moody)