quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Gus G. – Brand New Revolution (2015)

Por Rafael Menegueti

Gus G. - Brand New Revolution
Nunca foi muito a minha praia ouvir discos de guitarristas solo considerados "guitar heroes". Embora eu admire e adore o virtuosismo e técnica de músicos como Joe Satriani, Steve Vai, Malmsteen, dentre outros, discos instrumentais sempre me entediam rápido. Nesse caso, prefiro ver um DVD ou ao vivo.

E é por esse motivo que eu prefiro instrumentistas que explorem seus trabalhos solo com um algo a mais, trazendo vocalistas convidados e apostando mais em estruturas musicais tradicionais do que apenas a exibição de técnica. Nesse sentido posso citar como exemplos Slash, o Timo Tolkki’s Avalon e o grego Gus G., sobre o qual escrevo hoje.

Kostas Karamitroudis, conhecido como Gus G., é um guitarrista famoso pelos seus trabalhos com a banda Firewind e, desde 2009, com Ozzy Osbourne. “Brand New Revolution” é seu terceiro álbum solo, onde ele pôde mostrar um pouco mais de sua habilidade em um projeto que não tem um único estilo definido. Ao invés de se ater ao básico, Gus G. entrega um disco repleto de diferentes facetas e sonoridades.

Esse é o terceiro disco solo do guitarrista grego
O disco abre com a alucinante “The Quest”, única faixa instrumental do trabalho. A partir dali, em cada faixa temos uma sensação diferente. Na próxima música, homônima ao disco, Jacob Bunton (Adler, Lynam) é o primeiro a dar as caras nos vocais. Ele é o vocalista que mais aparece, com cinco faixas no total. E a energia que a canção transmite é uma marca da música de Gus G. Em suas composições é possível notar o apelo comercial em seu modo de inserir riffs insanos com solos e shreddings, o que deixa as músicas muito mais convidativas.

Há os momentos mais cheios de groove e melodia, como em “We Are One”, enquanto em “What Lies Below” temos um aspecto mais radiofônico, incrementado pela voz incrivelmente pop de Elize Ryd (Amaranthe), na única musica em que ela participa no álbum. “Behind Those Eyes” e “One More Try” fazem a linha balada de hard rock com versos suaves e refrão poderoso. Em “Gone to Stay” temos uma composição com mais potencia, elevada pela presença de Jeff Scott Soto. O ex-vocalista de Yngwie Malmsteen e Axel Rudi Pell ainda volta mais tarde na grooveada “Generation G”.

Mats Levén (Candlemass, Therion) aparece dando voz em três faixas ao final do álbum. Primeiro na intensa e pesada “Come Hell or High Water”, depois em “If It Ends Today”, ambas com uma sonoridade bem clássica. Em seguida ele surge dando voz na faixa que encerra o disco, “The Demon Inside”, uma “sabbatica” e sombria canção que dá um clima mais tenso ao fim do disco. “Brand New Revolution” não é um álbum comum de um guitarrista, é uma versátil e empolgante mistura de elementos que fazem do heavy metal um estilo épico. Gus G. acertou em cheio com sua fórmula e entregou um trabalho memorável.


Nota: 8/10
Status: Alucinante

Faixas:
01. The Quest
02. Brand New Revolution
03. Burn
04. We Are One
05. What Lies Below
06. Behind Those Eyes
07. Gone To Stay
08. One More Try
09. Come Hell Or High Water
10. If It Ends Today
11. Generation G
12. The Demon Inside

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Leela – Música Todo Dia (2012):



Por Davi Pascale

Nos últimos tempos tenho focado mais em resenhar lançamentos, comentar dos álbuns que estão chegando ao mercado. Algo que continuarei a fazer. Inclusive, já tenho mais alguns títulos para ouvir. E, certamente, irei escrever sobre alguns por aqui. Mas, de vez em quando, é legal revirar alguns discos da estante. Peguei esse disco para ouvir novamente e lembrei do quão pouco destaque foi dado à ele na época. Portanto, resolvi escrever sobre ele hoje.

Uma das razões que acredito que tenha passado batido é porque esse álbum foi feito de maneira independente. Sem uma grande gravadora e um grande produtor por trás. Logo, muitas portas se fecham. E, sim, eles já tiveram tudo isso. Seus dois primeiros álbuns contaram com a produção do renomado Rick Bonadio e foram lançados pela EMI. O primeiro clipe deles, “Te Procuro”, foi bastante exibido na MTV. Contudo, esse trabalho que passou longe dos holofotes é o melhor álbum do grupo, na minha opinião.

O disco foi feito depois de um hiato de 5 anos. Nesse meio tempo, muito mudou. O casal Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão passaram alguns anos morando em Londres, a cantora teve seu primeiro filho. Os músicos se envolveram em projetos paralelos. Todas essas mudanças, afetaram o som do grupo carioca. Os músicos trouxeram novas influências, os arranjos amadureceram bastante e as letras também.

Musica Todo Dia mostrava banda no auge criativo

Sem a presença de Bonadio, o grupo se viu mais solto para explorar novos territórios. A influência do rock alternativo continuava, o acento pop continuava. E estava tudo na dose certa! Sem ser cabeça demais e sem ser pasteurizado. Entretanto, os músicos iam mais além. O álbum contava ainda com uma dose de experimentalismo. Algo que pode ser conferido, com maior clareza, na faixa título. Também era perceptível as referências que Bianca trouxe do Brollies & Apples com uma forte presença de sintetizadores. Algumas faixas, como “Tô Pronta” e “On The Road”, traziam uma pegada dançante, inclusive.

Da sua estadia em Londres, veio a vibe indie rock. É perceptível a influência da cena da época, como Interpol (USA) e Kaiser Chiefs (UK), durante o álbum. Principalmente, no trabalho de guitarra e bateria. Bianca continuava cantando dentro do seu estilo habitual. Explorando seu lado doce e sensual. Outra característica que seguia adiante era o tema das letras. Até existiam algumas que fugiam um pouquinho à regra, mas a maioria continuava girando em torno de relacionamentos amorosos. Assunto corriqueiro na discografia do grupo.

Uma retomada bem-vinda é a colaboração do jornalista/compositor Fausto Fawcett. O rapaz tem um estilo próprio de escrita e sempre foi muito inteligente. Aqui, além de colaborar na criação de 4 canções, fez uma pequena participação em “Cidade Sitiada”, uma das melhores do disco. Outros momentos de destaque ficam por conta de “Topo Tudo”, “Por Um Fio / Hey Babe”, “On The Road” e “Sinos”. Atualmente, o grupo segue adiante trabalhando no seu quarto disco. Na torcida para que consigam manter o nível. Assim que lançarem, comentaremos por aqui...

Nota: 8,5/10,0
Status: Excelente

Faixas:
      01)   Topo Tudo
      02)   Por Um Fio / Hey Babe
      03)   Música Todo Dia
      04)   On The Road
      05)   Cidade Sitiada
      06)   A Nossa Melhor Noite
      07)   Sutilezas
      08)   Sinos
      09)   Tô Pronta 
      10)   Mais Beleza

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Música comentada: Kaiser Chiefs – I Predict A Riot

Por Rafael Menegueti

Kaiser Chiefs
Da leva de bandas de britpop que surgiram nos anos 2000, o Kaiser Chiefs é uma de minhas favoritas. Com um repertorio repleto de faixas cheias de energia que por vezes assumem uma influência punk, ou até new wave, a banda emplacou alguns hits desde seu surgimento com o álbum “Employment”, lançado em 2004. Alguns exemplos são “Everyday I Love You Less and Less”, “The Angry Mob”, “Oh My God” e a excelente “Ruby”. Mas o primeiro grande hit da banda foi “I Predict A Riot”.

A faixa que faz parte do primeiro disco da banda e foi inspirada em uma temática bem própria da juventude britânica. Nela, a banda fala sobre o momento em que os bares e pubs ingleses se fecham e uma multidão bêbada e briguenta sai às ruas tentando ir pra casa (ou não). Segundo o então baterista da banda na época, Nick Hodgson, a ideia da música surgiu da época em que ele voltava pra casa após tocar em uma casa noturna e sempre ver pessoas brigando e policiais na frente de uma outra grande casa noturna no caminho.

Nos versos, a letra escrita por Nick e pelo vocalista Ricky Wilson apresenta vários personagens característicos desse típico momento britânico, como um agressor vestindo agasalho (“a man in a tracksuit attacked me”), um policial e um importante engenheiro de Leeds, cidade natal dos integrantes, John Smeaton (“Would never have happened to Smeaton / And old Leodensian”), entre outros. Leodesian é um nome popular para se referir a um cidadão de Leeds.

“I Predict A Riot” ganhou dois videoclipes completamente diferentes um do outro. A primeira versão mostra a banda tocando em frente a uma audiência que começa uma guerra de travesseiros. Na segunda versão, mais conhecida por aqui, tem a imagem com um efeito sépia mostrando a banda em uma historinha mais elaborada, o que garantiu que esse vídeo ganhasse mais destaque que o original. A canção ainda foi parar no jogo Guitar Hero 3, assim como outro sucesso da banda, “Ruby”.


Watching the people get lairy
Is not very pretty I tell thee
Walking through town is quite scary
And not very sensible either
A friend of a friend he got beaten
He looked the wrong way at a policeman
Would never have happened to Smeaton
And old Leodiensian

I predict a riot, I predict a riot

I tried to get in my taxi
A man in a tracksuit attacked me
He said that he saw it before me
Wants to get things a bit gory
Girls run around with no clothes on
To borrow a pound for a condom
If it wasn't for chip fat, well they'd be frozen
They're not very sensible

And if there's anybody left in here
That doesn't want to be out there

Ver as pessoas ficarem agressivas
Não é muito bonito, eu lhe digo
Andar pela cidade é bem assustador
E também não é muito sensato
Um amigo de um amigo apanhou
Olhou do jeito errado para um policial
Jamais teria acontecido a Smeaton
Um velho Leodiensiano

Eu prevejo uma revolta

Tentei pegar meu taxi
Um homem de agasalho me atacou
Ele disse que o viu primeiro
Quer deixar as coisas um pouco ensanguentadas
Garotas correm por aí sem roupas
Para pedir emprestado uma libra pra camisinhas
Se não fosse por um pouco de gordura elas congelariam
Elas não são muito sensatas

E se tiver mais alguem aqui
Que não queira estar lá fora

domingo, 29 de novembro de 2015

Mark Knopfler – Tracker (2015):



Por Davi Pascale

Ex-guitarrista do Dire Straits chega ao seu oitavo álbum solo. Material conta com temas autobiográficos, sonoridade relaxante e arranjos extremamente bem resolvidos. Quem curte sua carreira-solo, gostará do disco.

Mark Knopfler é um dos grandes músicos em atividade. Mais do que isso, é também um dos grandes compositores. Mesmo no período de maior popularidade, não abriu mão de fazer um trabalho inteligente e elegante. O rapaz sempre teve um bom gosto na timbragem de seus instrumentos, nas construções de suas escalas, nunca colocou sua técnica acima da melodia. Mais do que isso, é um dos poucos músicos em atividade onde conseguimos identifica-lo após pouquíssimos acordes.

Já faz um tempo que ele vem apostando em criar letras contando histórias. Aqui, não é diferente.  E o mais bacana é que algumas dessas histórias dizem respeito à sua própria história ou às suas próprias opiniões. “Skydiver” fala sobre sua infância, sobre os tempos em que vivia em Northumberland (condado situado no norte da Inglaterra). “Basil” é uma homenagem ao poeta modernista Basil Bunting. Mark chegou a trabalhar junto com o rapaz nos tempos de Evening Chronicle (famoso jornal de Newcastle, ainda na ativa). “Beryl” refere-se à escritora de Liverpool Berly Bainbridge. Aqui, o músico critica o fato da garota só ter recebido o famoso prêmio Booker depois de sua morte. “It´s all too late now, it´s all too late now you dabblers” (agora é tarde demais, agora é tarde demais, seus amadores) canta no refrão.

O guitarrista fez recentemente uma série de shows com outro grande compositor, Bob Dylan. Durante as entrevistas realizadas para promover o novo álbum, Knopfler declarou que “Lights of Taormina” e “Silver Eagle” foram compostas nesse período. “Silver Eagle” realmente traz uma forte influência de Dylan, entretanto o arranjo de “Basil” também me remeteu bastante ao compositor norte-americano. Principalmente, naquela fase inicial, mais folk.

Mark Knopfle volta com álbum calmo

Mesmo sendo famoso pelo som de sua guitarra, os violões falam mais alto em várias de suas canções. Os arranjos, na maior parte do tempo, são mais calmos trazendo fortes influências de country, folk e até um pouco de blues. Um disco bacana para ouvir enquanto se lê um livro, em uma viagem com a família... Dentre essas canções mais calmas, destacaria as belíssimas “Laughs And Jokes And Drinks And Smokes”, “River Towns”, “Long Cool Girl” e “Silver Eagle”.

Há, contudo, alguns momentos mais alegres no álbum. São elas, a razoável “Broken Bones”, a boa “Skydiver” e a já citada “Beryl”. Essa é uma das minhas favoritas em todo o disco porque me remeteu bastante aos seus tempos de Dire Straits. E o meu primeiro contato com o músico foi justamente ouvindo um LP do conjunto lá nos anos 80.

O disco não é uma obra-prima. Há alguns fillers como a já citada “Broken Bones” ou ainda “Mighty Man”, mas não dá para torcer o nariz para seu trabalho. A qualidade do álbum é altíssima. Os músicos envolvidos são de primeira. Se você curte o estilo do músico ou curte, às vezes, ouvir um som mais calmo, pode ir sem medo. Trabalho bacana...

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Relaxante

Faixas:
      01)   Laughs And Jokes And Drinks And Smokes
      02)   Basil
      03)   River Towns
      04)   Skydiver
      05)   Mighty Man
      06)   Broken Bones
      07)   Long Cool Girl
      08)   Lights of Taormina
      09)   Silver Eagle
      10)   Beryl 
      11)   Wherever I Go (featuring Ruth Moody)

sábado, 28 de novembro de 2015

Phantasma – The Deviant Heats (2015)

Por Rafael Menegueti

Phantasma - The Deviant Hearts
Existem alguns artistas que, quando se juntam, formam uma química impressionante. O projeto Phantasma é resultado de uma união com essa característica. Charlotte Wessels (Delain) e George Neuhauser (Serenity) já haviam trabalhado juntos na canção “Serenade of Flames, do Serenity, e feito diversos duetos juntos ao vivo. Então, quando eles decidiram criar um novo projeto juntos, contando ainda o produtor e multi-instrumentista Oliver Philipps (Everon), que já trabalhou com o Delain, era de se esperar que o resultado fosse bem preciso.

“The Deviant Hearts” foi lançado no último dia 20 e já vem sendo apontado como um dos principais lançamentos do metal sinfônico no ano. O projeto mistura música com um romance criado por Charlotte, algo que os músicos tinham em mente há algum tempo. Como se pode imaginar, o álbum conta com vários convidados nos vocais além da dupla principal. Mas é sem dúvida o excelente entrosamento entre Charlotte e Georg que rouba a cena.

A faixa “Incomplete” abre o disco, uma bela passagem de piano com o dueto fazendo uma delicada introdução ao disco. O disco todo é repleto de belas melodias, arranjos com ênfase nas passagens sinfônicas e nos vocais e uma sonoridade bem teatral. A segunda faixa, “The Deviant Hearts”, já traz a primeira participação especial com Tom Englund (Evergrey) em uma faixa que intercala versos suaves com um refrão e solos intensos e empolgantes. “Runaway Grey” é uma bela e cativante canção que destaca a voz de Charlotte em meio a melodia.

Georg Neuhauser e Charlotte Wessels são as vozes principais do projeto
Já na balada “Try”, temos um outro dueto que não é o principal: Chloe Lowery (Trans-Siberian Orchestra/Chameleon) e Dennis Schunke (Van Canto). Uma ótima faixa que vai da leveza ao caos metálico, como podíamos esperar. Em “Enter Dreamscape” encontramos um pouco mais de agitação, numa faixa mais elaborada com a pegada metal característica do Serenity, uma das minhas favoritas no álbum. Nessa, Georg e Tom Englund se intercalam nos versos enquanto Charlotte comanda o refrão. Quase na mesma linha temos “Miserable Me” na sequencia, só que essa um pouco mais cadenciada e bem na linha power metal.

Da ainda pra destacar a leveza melancólica de “The Lotus and The Willow”, a empolgante e carismática “Crimson Course”, a bem elaborada “Carry Me Home”, trazendo novamente Dennis Schunke, dessa vez em dueto com Charlotte. Mais ao final, um destaque para a voz de Georg Neuhauser na bela “The Sound of Fear”, e mais uma faixa pesada e agitada em “Novaturient”. O encerramento fica com a épica “Let It Die”, uma composição incrivelmente melódica, para finalizar como o disco merecia.

O time de músicos que forma o projeto fez um ótimo trabalho nas melodias e arranjos. Oliver Philipps criou ótimos arranjos nos teclados e fez boa dupla na guitarra com Tom Buchberger (ex-Serenity), que criou excelentes solos para as faixas. Randy George no baixo e Jason Gianni na bateria completaram a formação do grupo. Pra deixar o lançamento ainda mais atrativo, o romance escrito por Charlotte pode ser lido para complementar a experiência. Uma versão limitada ainda conta com mais dois CDs, sendo eles o audiobook da historia, lida pela própria Charlotte.

Tendo sido feito um belo trabalho em todo o projeto, “The Deviant Hearts” deve ser um disco que irá agradar bastante a qualquer fã do trabalho dos músicos envolvidos, e aos inúmeros fãs de metal sinfônico, que se identificarão de cara com a proposta e os elementos apresentados aqui. Um disco na medida pra quem curte esse estilo.



Nota: 9/10
Status: Encantador

Faixas:
01. Incomplete
02. The Deviant Hearts (Give Us A Story)
03. Runaway Grey
04. Try
05. Enter Dreamscape
06. Miserable Me
07. The Lotus And The Willow
08. Crimson Course
09. Carry Me Home
10. The Sound Of Fear
11. Novaturient
12. Let It Die

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

The Doors – Other Voices + Full Circle (2015):



Por Davi Pascale

Álbuns sem Jim Morrison são lançados oficialmente pela primeira vez em compact disc. A reedição traz os discos na íntegra e uma faixa rara. Registro vale pelo valor histórico.

Em 3 de Julho de 1971, o mundo perdia Jim Morrison. Uma das figuras mais emblemáticas do rock. Sua morte sempre foi cercada de mistérios. Os laudos apontam parada cardíaca, mas nenhuma autopsia foi realizada. Há suspeitas que o rapaz tenha tido uma overdose, o que não seria muito difícil de ocorrer...

Para a banda, o baque era enorme. Jim era a voz da banda, era o principal letrista e era o integrante mais popular. Lizard king era, indiscutivelmente, uma figura única. Bom cantor, carismático, polêmico e excelente letrista. Entre todos os músicos que a grande imprensa gosta de se referir como poetas, era um dos poucos que merecia a alcunha. Como se substitui um cara desses? A resposta é não se substitui.

Parece que os integrantes remanescentes se tocaram disso e resolveram que eles mesmos assumiriam os vocais na nova empreitada. O guitarrista Robby Krieger e o tecladista Ray Manzarek assumiram a bronca. Ray já havia cantado no Doors anteriormente. Quando Morrison subia muito louco no palco, era ele quem assumia o microfone para não terem que cancelar o show. O resultado deles soltando o gogó no disco? Aceitável. Não mais do que isso. Não era vexaminoso, mas também não empolgava. Eram mais músicos do que cantores e a interpretação de Jim Morrison tinha todo um ar de mistério que eles não conseguiam reproduzir. Sem dúvidas, a parte vocal foi abalada.

Álbuns sem Jim Morrison, finalmente, são lançados em CD

Other Voices traz uma sonoridade mais similar ao trabalho do grupo. Principalmente, o primeiro lado do LP. A linha vocal de “In The Eye Of The Sun” lembra um pouco o ex-cantor. “Variety Is The Spice of Life” e “Tightrope Ride” apostavam em uma sonoridade mais voltada para o blues, dando sequência ao que haviam feito em L.A. Woman. “Ships w/ Sails” mantinha a tradição de ter uma música contando com longos improvisos. Tem ainda “Hang On To Your Life” no final do disco trazendo uma influência de música latina. O baterista John Densmore havia se inspirado na batida da bossa nova para compor a levada do clássico “Break On Through”. Certamente, havia uma preocupação de tentar manter o espírito do conjunto ali. Obviamente, não dá para compará-lo à discos emblemáticos como The Doors, Strange Days ou Waiting For The Sun, mas é um trabalho agradável.

Por outro lado, Full Circle trazia uma banda perdida. Há quem diga que estavam mais livres. Digo que estavam perdidos mesmo. Os arranjos seguiam direções totalmente opostas e muitas vezes sem nenhuma ligação ao que pregavam artisticamente. “Shut Up and Dance” apontava para um caminho mais r&b, “The Mosquito” era uma canção que Krieger havia escutado em uma de suas viagens ao Mexico, interpretadas por um grupo mariachi. A música traz toda uma alegria e inocência que nitidamente não combinam com o conjunto. Apelaram até para uma regravação de “Good Rockin´ Tonight”, aqui reduzida à “Good Rockin´” em uma versão não mais do que correta. Um disco, no mínimo, confuso. A única faixa realmente boa é “The Peking King And The New York Queen” que resgata um pouco de sua sonoridade clássica.

Além de jogarem para todo lado, o último LP também trazia reforços nas partes vocais. Com músicos de estúdio, dobrando versos e refrões. Algo meio brochante para quem tinha em seu passado um trabalho vocal hipnotizante. Como curiosidade, o CD conta com “Treetrunk”, faixa que havia sido lançada como lado B do compacto “Get Up And Dance”, mas que não tinha entrado no disco. Há quem diga que não existe The Doors sem Jim Morrison e ao ouvir esses discos, infelizmente, tenho que concordar com essas pessoas. Por mais talentosos e geniais que fossem os outros 3 músicos, infelizmente, a magia havia se perdido. Entretanto, vale como registro histórico. Essa é a chance para seus fãs completarem sua coleção sem que ter que desembolsar pequenas fortunas em sites de leilões atrás dos LPs da época. Pegue para não se arrepender, mas não espere discos com cara de clássicos.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
CD 1:
      01)   In The Eye Of The Sun
      02)   Variety Is The Spice of Life
      03)   Ships W/ Sails
      04)   Tightrope Ride
      05)   Down On The Farm
      06)   I´m Horny, I´m Stoned
      07)   Wandering Musician
      08)   Hang On To Your Life

CD 2:
      01)   Get Up and Dance
      02)   4 Billion Souls
      03)   Verdilac
      04)   Hardwood Floor
      05)   Good Rockin´
      06)   The Mosquito
      07)   The Piano Bird
      08)   It Slipped My Mind
      09)   The Peking King And The New York Queen 
      10)   Treetrunk (bônus)

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Delain já prepara novo disco pra 2016

O Delain em sua nova formação
2016 promete ser um ano repleto de grandes lançamentos. Mais uma banda que está em estúdio trabalhando em um novo disco são os holandeses do Delain. O grupo, que recentemente encerrou sua turnê europeia, vem trabalhando aos poucos em seu novo álbum, que será o quinto da carreira da banda, e o primeiro com os membros que entraram no grupo desde então: o baterista Ruben Israel e a guitarrista Merel Bechtold. Na semana passada, foi lançado o álbum do projeto paralelo da vocalista Charlotte Wessels, o Phantasma (fiquem ligados para a resenha em breve aqui no blog).

Pearl Jam doa cachê de show para vítimas de Mariana – MG

O vocalista Eddie Vedder cobrou punição pelo desastre ambiental
Sempre engajados em causas sociais e ambientais, o Pearl Jam, que esteve em turnê pelo Brasil durante essa semana, anunciou que irá doar o cachê do show realizado em Belo Horizonte para as vítimas do desastre na cidade de Mariana, em Minas Gerais. Em discurso realizado durante a apresentação no estádio do Mineirão, na capital mineira, o vocalista Eddie Vedder ainda fez questão de cobrar uma punição severa aos responsáveis pela catástrofe ambiental que atingiu a região.

Lamb of God cancela turnê europeia

Mais uma banda acabou optando por interromper sua turnê europeia por conta da tensão que toma conta do continente desde os atentados terroristas na França, há duas semanas. Agora, o Lamb of God se junta a nomes como Foo Fighters, U2, Motörhead, Papa Roach e In Flames, que também cancelaram apresentações ou a turnê inteira por conta da segurança. Apesar disso, Children of Bodom e Sylosis, que acompanhavam a banda nessa turnê, optaram por continuar na estrada assim mesmo.

Tony Iommi diz que gostaria de gravar novo álbum com Black Sabbath

Tony Iommi tem material pra novo disco
Diferente do que se pode pensar, com a turnê “The End” sendo tratada como uma despedida, pode ser que ainda vejamos alguma coisa nova do Black Sabbath sendo lançada. Pelo menos, se depender da vontade de Tony Iommi, que em entrevista a revista inglesa Q, disse que gostaria de gravar um novo disco com a banda. Ele afirmou ter escrito vários riffs e outras coisas para um novo disco que vinha sendo comentado, mas os outros membros não pareceram muito empolgados com a ideia e acabaram desistindo. Mesmo assim, ele não descarta que alguma coisa possa sair com sobras das gravações do álbum “13” no futuro.

Firewind anuncia Henning Basse como novo vocalista

O vocalista Henning Basse
A banda do guitarrista grego Gus G., conhecido por fazer parte também da banda de Ozzy Osbourne, anunciou o alemão Henning Basse (MaYaN, ex-Sons of Seasons e Metalium) como novo vocalista. Henning já havia feito alguns shows com a banda em 2007 e também cantava com o projeto solo de Gus G. desde o ano passado.