sábado, 14 de novembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Morre Phil “Animal” Taylor, ex-Motörhead

R.I.P. Phil "Animal" Taylor
Uma notícia triste para os fãs do Motörhead. O ex-baterista da banda, Phil “Animal” Taylor, morreu na noite do dia 11 (quarta-feira), aos 61 anos. Phil fez parte da formação da banda em dois períodos: entre 1975 e 1984, e entre 1987 e 1992. Com ele a banda gravou alguns de seus principais trabalhos, como o álbum homônimo de 1977, “Overkill” de 1979, e Ace of Spades, de 1980, entre outros. A causa de sua morte foi uma doença não revelada até o momento.

Exodus confirma shows no Brasil

Exodus de volta ao Brasil em 2016
Um dos maiores nomes do thrash metal surgido nos anos 80, o Exodus fará uma turnê pelo país em 2016. A banda tem sete shows marcados durante o mês de janeiro, para divulgar o álbum mais recente da banda, “Blood In, Blood Out”, lançado no ano passado. As cidades por onde a banda passará são Limeira (21/01), Fortaleza (22/01), Manaus (23/01), São Paulo (24/01), Belo Horizonte (26/01), Curitiba (27/01) e Rio de Janeiro (28/01).

Chester Bennington não é mais vocalista do Stone Temple Pilots

Depois de uma entrevista do ex-vocalista Scott Weiland afirmando que Chester não era mais membro do Stone Temple Pilots, a banda acabou confirmando a informação nessa semana. A separação foi amigável, e a justificativa foi uma incompatibilidade de agendas com Chester, que, como se sabe, também é vocalista do Linkin Park. A banda já está atrás de uma nova voz para o grupo. Enquanto isso, eles fizeram uma participação no programa de Jimmy Kimmel com a cantora Joss Stone assumindo os vocais. O vídeo da banda tocando a música “Interstate Love Song” com Joss pode ser visto abaixo.


Sister Sin anuncia o fim da banda

Banda sueca existia desde 2002
A banda sueca de metal Sister Sin espantou seus fãs ao anunciar repentinamente o encerramento de suas atividades. O grupo, que havia lançado seu sexto álbum, “Black Lotus”, no ano passado, justificou sua decisão com um comunicado onde afirmou ter “queimado as duas pontas da vela”, esgotando a motivação dos integrantes em seguir em frente. A banda, no entanto, deixou no ar que pode voltar a ativa algum dia.

Atentados na França atingiram show da banda Eagles of Death Metal

Os tristes e lamentáveis eventos ocorridos na noite de ontem na cidade de Paris, na França, atingiram, entre outras localidades, a casa onde a banda de rock americana Eagles of Death Metal, de Josh Homme e Jesse Hughes, se apresentava. Josh não estava presente na apresentação por estar de fora dessa turnê europeia.

Terroristas invadiram a casa de shows Bataclan, uma das mais tradicionais da França, causando a morte de 118 pessoas no local. Eles causaram um tiroteio e explosões enquanto a banda se apresentava. Algumas pessoas foram mantidas reféns por algum tempo, e dois terroristas foram mortos. Nenhum integrante da banda ficou ferido. A sequência de atentados ocorridos na França ontem também atingiu um restaurante, e o estádio onde um amistoso da seleção francesa contra a Alemanha era disputado. Até o momento da redação desse texto, foram confirmadas mais de 150 mortes no país, e centenas de feridos.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Leoni – Notícias de Mim (2015):



Por Davi Pascale

Compositor carioca lança novo álbum. Contando com parcerias de peso, novo trabalho aponta para um caminho mais roqueiro. Repleto de ótimas canções, disco deve agradar aos fãs.

Fico feliz de ver vários artistas que estavam há tempos sem lançar nada, gravando novamente. Focando apenas na cena brasileira dos anos 80, tivemos artistas como Paula Toller, Humberto Gessinger e Yahoo retornando à ativa com (bons) álbuns de inéditas. Sem contar que Lobão, Fernanda Abreu e Paulo Ricardo estão com novos projetos engatilhados. Parece que o pessoal voltou a tomar gosto pela composição. Muito bacana mesmo...

Leoni parecia ter se aposentado do universo de discos. Porém, verdade seja dita, havia um grande diferencial em relação aos artistas que adquirem essa postura. Ele não parou de compor. Enquanto muitos artistas vêm criando seus concertos focando obras de décadas atrás, Leoni continuava compondo, gravando e disponibilizava as faixas para download gratuito em seu site oficial. Não tinha a pretensão de voltar a colocar um CD no mercado, mas mudou de ideia devido à insistência de seus fãs. Decidiu, então, que criariam esse projeto juntos e anunciou um crowdfunding. Deu certo! O rapaz conseguiu atingir um valor ainda maior do que idealizava.

Seu último disco foi o ao vivo A Noite Perfeita, lançado em 2010. Nesse meio tempo, rolou apenas um EP intitulado Parcerias. O projeto de 2012 era mais variado e apostava em parcerias com grandes nomes da MPB como Paulinho Moska e Ivan Lins. Noticias de Mim mantém a ideia de viajar por diferentes territórios, porém traz uma aproximação maior com o rock. E isso reflete também nos parceiros. Do mesmo jeito que temos a (talentosíssima) Zélia Duncan por aqui, temos também grandes nomes do rock brasileiro como Frejat (Barão Vermelho), Sérgio Britto (Titãs) e Chuck Hipolitho (Vespas Mandarinas).

Novo álbum foi realizado por financiamento coletivo

“Amar Um Pouco Mais”, “Glamour”, “Pequeno Labirinto”, “Fingir Que Não Dói”, “Notícias de Mim” e “Muito Obrigado” são as que apontam para o universo mais rock n roll. “Multiversos” aponta para um lado mais jazzy, enquanto “Gentileza Gera Gentileza” e “A Carne é Forte” trazem um pop caribenho que deixaria Herbert Vianna orgulhoso. Não faltam ainda as famosas baladas aqui representadas por “Nos Olhos Dela”, “Amor Real” e “As Coisas Não Caem Do Céu”. Como podem ver, nada que deixe um roqueiro revoltado. Principalmente, para os que curtiram a cena brasileira dos anos 80, que nunca escondeu sua admiração pelo universo pop e MPB. A única que pode dar dor de cabeça para o rapaz é a brasileiríssima “Cave Canem”.

Leoni sempre foi um ótimo compositor. Embora sempre tenha tido uma aproximação com a linguagem pop, nunca fez um trabalho raso. Em seu novo disco, não é diferente. Suas letras poéticas versam sobre amor (“Amor Real”) e fazem críticas à futilidades (“Glamour”). Fala sobre a falsa sensação de distância no universo online (“Gentileza Gera Gentileza”) e também sobre comodismo e hipocrisia na política “As Coisas Não Caem do Céu”. Mais uma vez, o rapaz entrega um trabalho de altíssima qualidade, com arranjos inteligentes e letras bem desenvolvidas. Vá sem medo!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   Amar Um Pouco Mais
      02)   Glamour
      03)   Pequeno Labirinto
      04)   Gentileza Gera Gentileza
      05)   Amor Real
      06)   As Coisas Não Caem do Céu / A Dança
      07)   Fingir Que Não Dói
      08)   A Carne é Forte
      09)   Notícias de Mim
      10)   Nos Olhos Dela
      11)   Cave Canem
      12)   Multiversos 
      13)   Muito Obrigado

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Música Comentada: Bad Religion – American Jesus

Por Rafael Menegueti

Bad Religion
O Bad Religion sempre foi uma de minhas bandas punk favoritas. Foi o primeiro show internacional que eu assisti, e na grade. A banda californiana formada na década de 80 é uma das mais populares do gênero até hoje. É até difícil apontar qual seria o maior sucesso do grupo, já que a banda sempre teve um repertorio bem consistente e com inúmeras músicas bem cotadas entre seus fãs. Entre os maiores hits da banda podemos apontar “Sorrow”, “21st Century Digital Boy”, “Infected”, entre outras, mas pra muitos o hit definitivo é “American Jesus”.

A faixa está presente no álbum “Recipe for Hate”, o sétimo da banda, lançado em 1993. Fazendo jus ao que o nome da banda sugere, nessa música os rapazes fazem uma crítica ao pensamento religioso dos norte-americanos, zombando do modo egocêntrico como alguns deles pensam ser uma nação mais abençoada por Deus do que os outros países. A música, escrita pelo vocalista Greg Graffin e pelo guitarrista Brett Gurewitz, é uma resposta a uma declaração do então presidente George H. W. Bush, de que os EUA teriam vencido a primeira guerra no Golfo porque Deus estaria do lado deles. A banda ainda utiliza um trecho do juramento à bandeira dos EUA, “One Nation Under God” (uma nação sob Deus), como forma de reforçar sua sátira com relação a esse pensamento.

“American Jesus” conta ainda com uma participação especial. O vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, gravou backing vocals na música, assim como em outra faixa de “Recipe for Hate”, “Watch It Die”.


I don't need to be a global citizen
'Cuz i'm blessed by nationality
I'm member of a growing populace
We enforce our popularity
There are things that seem to pull us under and
There are things that drag us down
But there's a power and a vital presence
It's lurking all around

We've got the American Jesus
See him on the interstate
We've got the American Jesus
He helped build the President's estate

I feel sorry for the Earth's population
'Cuz so few live in the U. S. A
At least the foreigners can copy our morality
They can visit but they cannot stay
Only precious few can garner our prosperity
It makes us walk with renewed confidence
We got a place to go when we die
And the architect resides right here

We've got the American Jesus
Bolstering national faith
We've got the American Jesus
Overwhelming millions every day

He's the farmer's barren fields
(in god)
The force the army wields
(we trust)
Expressions on the faces of the starving millions
(because he's one of us)
The power of the man
(break down)
He's the fuel that drives the clan
(cave in)
He's the motive and the conscience of the murderer
(we can redeem our sins)
He's the preacher on T. V. , (strong heart)
The false sincerity
(clear mind)
The form letter that's written by the big computers
(and infinitely kind)
The nuclear bombs
(you lose)
The kids with no moms
(we win)
And i'm fearful that he's inside me
(he is our champion)

One nation under god

We've got the American Jesus
See him on the interstate
We've got the American Jesus
Exercising his authority
We've got the American Jesus
Bolstering national faith
We've got the American Jesus
Overwhelming millions every day

One nation, under God

Eu não preciso ser um cidadão globalizado
Porque eu sou abençoado pela nacionalidade
Eu sou membro de uma população crescente
Nós reforçamos nossa popularidade
Há coisas que parecem nos puxar para baixo e
Há coisas que nos arrastam para baixo
Mas há um poder e uma presença vital
Está esperando para atacar

Nós temos o Jesus Americano
Veja-o na (estrada) interestadual
Nós temos o Jesus Americano
Ele ajudou a construir o poder do presidente

Eu sinto pena da população da Terra
Porque muitos poucos moram nos EUA
Pelo menos os estrangeiros podem copiar nosso estilo de vida
Eles podem visitar, mas não podem ficar
Apenas alguns preciosos podem acumular nossa prosperidade
Isso nos faz andar com confiança renovada
Nós temos um lugar para ir quando morremos
E o arquiteto mora bem aqui

Nós temos o Jesus Americano
Encorajando a fé nacional
Nós temos o Jesus Americano
Subjugando milhões todos os dias

Ele é o campo árido do fazendeiro
(em Deus)
A força que o exército tem
(nós confiamos)
Expressões no rosto dos milhões de famintos
(porque Ele é um de nós)
O poder do homem
(Destrua)
Ele é o combustível que dirige o clã
(entre em colapso)
Ele é o motivo e a consciência do assassino
(nós podemos redimir nossos pecados)
Ele é o pastor na TV (coragem)
A sinceridade falsa
(mente clara)
A mala direta que é escrita por grandes computadores
(e infinitamente gentil)
As bombas nucleares
(você perde)
As crianças sem mães
(nós ganhamos)
E eu tenho medo que ele esteja dentro de mim
(ele é o nosso campeão)

Uma nação sob Deus

Nós temos o Jesus Americano
Veja-o na (estrada) interestadual
Nós temos o Jesus Americano
Exercendo sua autoridade
Nós temos o Jesus Americano
Encorajando a fé nacional
Nós temos o Jesus Americano
Subjugando milhões todos os dias

Uma nação sob Deus

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Imperial State Electric – Honk Machine (2015):



Por Davi Pascale

Grupo de Nicke Andersson chega ao seu quarto álbum repleto de boas vibrações e com composições inspiradas. Quem gostava de seu antigo grupo e nunca ouviu o trabalho do Imperial State Electric, tem de tudo para se tornar fã.

A banda parece estar crescendo com força total. Em menos de 5 anos, os caras já lançaram 4 discos. Se bem que isso não é novidade para os fãs de Nicke. Sua antiga banda estava sempre lançando alguma coisa. Para aqueles que ainda não se ligaram de quem se trata, o rapaz era o guitarrista/vocalista do The Hellacopters. Suas referências continuam as mesmas. A crueza do punk, as guitarras do Kiss, as melodias do Power Pop. A influência de anos 70 continua falando alto.

Dito isso, não preciso nem falar que em alguns momentos, a sonoridade do The Hellacopters vem à cabeça. Até porque ele também compunha para seu ex-grupo. Faixas como “Anywhere Loud” e “Another Armaggedon” poderiam ter sido gravadas por seus antigos companheiros que seu público não reclamaria.

A jogada do musico sueco é fazer um som contemporâneo, porém com fortes influências da cena setentista. As músicas quase sempre são simples, com poucas notas, porém sempre empolgantes e bem construídas. Nicke nunca foi de ficar cantando notas altíssimas. Seu estilo se mantém. Suas linhas vocais continuam na mesma vibe de sempre. Sem malabarismos e sempre melódicas.

Grupo de Nicke Anderson mantém as referências de seu antigo grupo

“Let Me Throw Away” reflete bem o que estou descrevendo. A canção traz uma forte influência de Rolling Stones (Ainda que seu solo remeta à Lynyrd Skynyrd), mas não soa como um clone de Jagger/Richards. O rapaz desenvolveu um estilo próprio de composição e também de postar sua voz. “Guard Down” traz a crueza do punk rock em evidência, enquanto “Maybe You´re Right” deixa nítido o seu lado beatle e “Lost In Losing You” aponta um riff inicial claramente influenciado por Led Zeppelin. No entanto, basta o cara entrar cantando para que a música tome um novo rumo.

As maiores surpresas estão nas baladas. “All Over My Head” traz uma forte referencia de folk com pandeiro, harmonia vocal e um som mais limpo, sem distorções aqui. O maior diferencial mesmo fica por conta de “Walk On By”, onde deixa perceptível suas influências de black music, especialmente de soul. Contando, inclusive, com um coro feminino por trás. Genial!

Imperial State Electric entregou um álbum sólido, com ótimas composições. Os rapazes fazem um rock de primeira linha com um ótimo trabalho de guitarra e ótimas melodias. Para quem curte rock n roll não muito pesado e para aqueles que eram fãs do The Hellacopters,é um prato cheio. Discaço!

Nota: 9,0/10,0
Status: Sólido e inspirado

Faixas:
      01)   Let Me Throw My Life Away
      02)   Anywhere Loud
      03)   Guard Down
      04)   All Over My Head
      05)   Maybe You´re Right
      06)   Walk On By
      07)   Another Armaggedon
      08)   Lost In Losing You
      09)   Just Let Me Know
      10)   Colder Down Here 
      11)   It Ain´t What You Think (It´s What You Do)

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Draconian – Sovran (2015)

Por Rafael Menegueti

Draconian - Sovran
Um erro comum que algumas pessoas cometem às vezes é a velha confusão de definir algumas bandas sinfônicas como metal gótico. Dentre as que as vezes são erroneamente colocadas nesse grupo posso citar Nightwish, Epica, Delain, Within Temptation, entre outras. Nenhuma delas é gothic metal de fato. Então hoje irei falar de uma banda que realmente se enquadra muito bem nesse gênero, o Draconian.

Essa banda sueca formada em 1994 está lançando seu sexto álbum de estúdio, “Sovran”, onde mais uma vez se mostra uma das melhores bandas do gênero. Nesse disco eles estreiam sua nova vocalista, a sul-africana Heike Langhans, que tem a difícil tarefa de substituir Lisa Johansson, que desde o primeiro disco da banda (“Where Lovers Mourn, de 2003) era um dos maiores pilares da sonoridade e identidade do grupo. E a garota mandou bem.

A fórmula da banda é bem tradicional dentro do gothic metal. Canções melancólicas, quase sempre com um andamento mais lento, quase arrastado, vindo da influência com o doom metal que combina tanto com o estilo. Os vocais são em dupla, com a voz feminina e o gutural masculino, feito por Anders Jacobsson, mais uma vez se intercalando e criando o contraste de leveza e agressividade. Nada muito anormal, essa já é uma característica bem comum dentre as bandas do gênero.

Os membros do Draconian
As composições, no entanto, estão um pouco mais refinadas do que o grupo apresentou em seu trabalho antecessor, “A Rose for the Apocalypse” (2011). Com a maioria das músicas sendo composta por uma sequencia de riffs simples, carregando um sentimentalismo imenso nas levadas, a atmosfera de melancolia é o pano de fundo das belas melodias, acentuadas ainda mais pelo belo trabalho vocal já citado. Um clima sempre sombrio, que dá um ar dramático ao trabalho. Nada define “gótico” melhor.

As músicas são longas, todas entre 6 e 9 minutos, e mostram uma boa coesão entre os integrantes. É até difícil apontar as melhores, visto que todas tem alguma coisa na qual se destacam, mas dentre as que mais me agradaram estão “Heavy Lies the Crown”, “The Wretched Tide”, “Stellar Tombs”, “Dishearter” e “The Marriage of Attaris”. Mas a que rouba a cena mesmo é “Rivers Between Us”, que conta com a participação especial de Daniel Anghede (Astroqueen, Crippled Black Phoenix) nos vocais limpos interagindo com Heike.

No seu retorno depois de alguns anos, e com uma nova voz como destaque, o Draconian entregou um excelente disco dentro do que seu gênero define. Bem alinhada e com um ótimo feeling para composições formadas por belas melodias sobre angustia e amor, a banda faz jus ao gothic metal como poucas tem feito. Um prato cheio para os fãs do estilo, que sempre são fieis dentro da cena.


Nota: 9/10
Status: Sentimental e sombrio

Faixas:
1. Heavy Lies the Crown
2. The Wretched Tide
3. Pale Tortured Blue
4. Stellar Tombs
5. No Lonelier Star
6. Dusk Mariner
7. Dishearten
8. Rivers Between Us
9. The Marriage of Attaris

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Red Sky Mary – River Child (2015):



Por Davi Pascale

Grupo inglês rouba a cena com o lançamento de seu terceiro disco. Resgatando elementos dos anos 70 e tendo um excelente vocalista de frente, os garotos fizeram um dos melhores álbuns do ano.

Já tinha um tempo que não escrevia sobre uma banda nova que ainda não tivesse dominado a cena. Mas essa não tinha como deixar de escrever. Formado por Tom Boisse (guitarra), Gary Boisse (baixo), Barrett Goeman (bateria) e Sam Vlasich (vocal), os garotos fizeram um dos discos que mais me chamaram a atenção nos últimos tempos. E pelo visto, não foi somente minha atenção que eles ganharam. A banda tem dividido o palco com nomes de diferentes gerações. De Candlebox à Lynyrd Skynyrd. E sempre recebendo elogios da crítica especializada.

Oriundos de Portsmouth, os rapazes apostam em um hard rock com uma pegada meia blues. Ou seja, 70´s total. Durante a audição, pegamos influência direta de grupos como Led Zeppelin, AC/DC, Aerosmith e até alguns nomes mais “modernos” como Guns n´ Roses e Black Crowes. 4 músicos fazendo rock n roll direto e cativante. Sem efeitos, sem modernidades, com guitarra e vocal falando alto.

Temos uma nova cena bem promissora vindo por aí e Red Sky Mary tem de tudo para se tornar um grande nome dessa cena fazendo frente com grupos como Blues Pills, Graveyard, Sword, Rival Sons e tantos outros... E, talvez, se tornando até maiores do que esses (ótimos) grupos. Por que não?

Banda aposta em sonoridade setentista e se destaca na cena

“All Hell´s Breakin´ Loose” começa o álbum com uma pegada bem rock n´ roll, remetendo um pouco ao AC/Dc fase Bon Scott. “Howl” traz a levada Led Zeppelin com uma linha vocal bem Black Crowes. Tom Boisse rouba a cena com riffs matadores em “Gone” e “Pride”, enquanto Sam Vlasich arregaça em faixas como “Run Ragged” e “I Will Wait For You”. De boa, fazia tempo que um vocalista não me chamava tanto a atenção.

O formato do disco também não difere do formato utilizado pelas bandas clássicas. 10 faixas distribuídas em pouco mais de 40 minutos. Apenas uma balada presente – a já citada “I Will Wait For You”, quase um blues – e nenhum filler. Sério mesmo. Não tem nenhuma música aqui que dá vontade de avançar para a próxima. Banda animal e disco simplesmente matador. Chega de ficar falando. Confere aí…



Nota: 9,0/10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   All Hell´s Breakin´ Loose
      02)   Payback
      03)   Gone
      04)   Run Ragged
      05)   South Of The City
      06)   Howl
      07)   Pride
      08)   I Will Wait For You
      09)   Too Much 
      10)   River Child

domingo, 8 de novembro de 2015

As Guerras do Jardim de Infância Metaleiro

Por Rafael Menegueti

Max Cavalera voltou a falar do Sepultura nessa semana
Nas últimas semanas eu tenho reparado num crescente número de notícias em sites relacionados ao rock e metal a respeito dos mais diversos tipos de intriguinhas envolvendo artistas do gênero. Um festival de declarações de artistas renomados colocando banda contra banda, artista contra artista, banda contra ex-membros, e outras coisas do gênero. E o que mais me intriga é a infantilidade e futilidade de tudo isso.

Vejam se eu estou errado. Só nos últimos dias tivemos, por exemplo: Rob Dukes insultando seus ex-companheiros de Exodus e afirmando que o novo material da banda é uma “merda”; Dave Mustaine postando um vídeo esculachando um técnico de guitarra do Megadeth recém demitido; Felipe Andreoli, do Angra, em um vídeo na internet cutucando André Matos a respeito de questões financeiras, e sendo cutucado de volta por Hugo Mariutti no Facebook; e Max Cavalera, mais uma vez, desmerecendo o Sepultura. Agora eu te pergunto, quem ganha com isso? Isso adianta alguma coisa? Obvio que esse tipo de coisa não vem de hoje, mas o problema é o modo como essas coisas são tratadas atualmente.

Em tempos de internet cada vez mais interativa, onde pessoas trocam constantemente informações e opiniões sobre tudo e qualquer coisa em redes sociais, vivemos uma realidade onde cada vez mais os conflitos ganham proporções maiores do que as vezes é necessário. Estamos numa época de “haters”. Pessoas idiotas que usam a internet pra expor opiniões desnecessárias com o único propósito de aparecer e provocar aqueles que discordam de sua “verdade”. No fundo de tudo isso, impera uma imensa falta de maturidade e um egocentrismo sem tamanho. Não é difícil imaginar que tais atitudes, tão imaturas quanto, por parte dos músicos, venham a desencadear mais discussões tão inúteis quanto secar uma pedra de gelo.

Felipe Andreoli cutucou André Matos quando questionado sobre  banda não estar no Spotify
O único lado que parece se beneficiar dessa imensa bobagem são os portais e sites de notícia sobre rock, que se deliciam com manchetes sensacionalistas, às vezes até distorcendo o sentido do que foi dito para atrair ainda mais os cliques e acessos. Sem falar nas entrevistas cheias de perguntas com iscas buscando esse tipo de declaração bombástica dos artistas, mas isso já é outro papo.

A questão é que, quando esse tipo de intriga boba aparece, me fica uma impressão de que muitas vezes os artistas fazem isso mais por uma disputa de ego do que para realmente resolver algum problema ou diferença. Fica mais fácil jogar para a galera do “tribunal da internet” digladiar entre si do que resolver a diferença cara a cara. É cada um jogando os haters contra o outro.

Vejamos os casos das bandas nacionais citadas, por exemplo. Não é muito mais fácil os atuais e antigos membros do Angra se sentarem e discutirem essas questões entre eles, sem a exposição que só joga fã contra fã? Não seria mais simples Max Cavalera simplesmente seguir seu rumo e permitir que os seus ex-companheiros de Sepultura seguissem os deles sem precisar causar a inútil e velha discussão do “Sepultura antes X Sepultura depois” (que nunca leva a lugar nenhum, já que cada um tem uma opinião sobre isso)? Mas não, eles seguem inflando seus egos e deixando a porrada pros outros, fazendo a alegria dos portais fuxiqueiros de metal e não resolvendo absolutamente nada. E isso é algo que simplesmente não dá pra entender.