sábado, 7 de novembro de 2015

CPM 22: 20 Anos (2015):



Por Davi Pascale

CPM 22 comemora 20 anos de estrada com o lançamento de sua primeira coletânea. Álbum foca nos seus tempos áureos e traz duas canções inéditas.

Os anos 2000 não tem se demonstrado uma época muito representativa para o rock nacional. Aqueles que conseguem furar o bloqueio dos modismos, se destacar e construir uma carreira, certamente merecem nosso respeito. Nesses últimos 15 anos tivemos pouquíssimos artistas que se destacaram na cena mainstream. E, para o bem ou para o mal, o CPM foi um desses artistas.

Quem acompanhou as rádios e a MTV entre 2001 e 2005, certamente teve acesso à várias de suas canções. Sem dúvidas, o auge dos garotos foi os 3 primeiros discos (CPM 22, Chegou a Hora de Recomeçar, Felicidade Instantânea) e a coletânea foca esse período. 10 músicas foram extraídas desses discos. Dentre essas, vale destacar “Tarde de Outubro”, “O Mundo Dá Voltas”, “Dias Atrás”, “Ontem” e “Um Minuto Para o Fim do Mundo”. Sim, a banda é comercial, mas é bem feito. Construíram refrões fáceis, porém cativantes. Os primeiros álbuns demonstravam um cuidado especial com as vocalizações, o que sempre achei interessante. Sem contar que seus discos sempre foram bem gravados.

Cidade Cinza foi um disco bacana, mas passou meio batido. Talvez, por ser um pouco mais pesado que o restante de seu material. Talvez, por estarem passando por alguns conflitos. Depois de um Longo Inverno trouxe os músicos apontando para um novo caminho, trazendo elementos do ska para dentro de suas canções. Disco legalzinho, mas sem a força de seus trabalhos iniciais. Aqui, cada um deles foi representado com uma música apenas. “Nossa Música” e “Vida Ou Morte”, respectivamente. Seus trabalhos ao vivo – o (bom) MTV Ao Vivo e o (mediano) Acústico – também não foram esquecidos e foram representados com uma música cada, também. Legal ter a preocupação de cobrir disco por disco, mas teria deixado essas 2 de fora e explorado um pouco mais os outros 2 álbuns.

Coletânea resgata auge do grupo

Quem conferiu a (boa) apresentação que os caras fizeram no Rock In Rio, já sabe mais ou menos o que esperar da coletânea. A escolha do set list bate com o repertório do disco. Para quem curtiu o show deles por lá e quer ter alguma coisa da banda ou para quem está descobrindo a banda agora e quer uma porta de entrada, a compilação atende. E, na real, é voltada mais para esse tipo de público.

Muitos artistas quando lançam um greatest hits, optam por incluir versões de singles, cortes diferentes, versões inéditas. Não há muito disso por aqui. As 14 primeiras faixas são as mesmas versões dos discos. O único senão é que eles incluíram 2 faixas inéditas: uma regravação de “Por Quê?” (faixa lançada originalmente no seu disco independente A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum) e a inédita “Entre O Céu e o Inferno”. Faixas bacanas, mas não espetaculares. “Por Quê?” acaba sendo interessante por resgatar o inicio dessa história e também para que seus fãs não endinheirados possam ter acesso à uma das poucas canções da demo que não havia sido regravada ainda. CD divertido e bem representativo. Recomendado!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Representativa

Faixas:
      01)   Regina Let´s Go
      02)   Tarde de Outubro
      03)   O Mundo Dá Voltas
      04)   Desconfio
      05)   Dias Atrás
      06)   Não Sei Viver Sem Ter Você
      07)   Ontem
      08)   Um Minuto Para O Fim Do Mundo
      09)   Irreversível
      10)   Apostas & Certezas
      11)   Inevitável (Ao Vivo)
      12)   Nossa Música
      13)   Vida Ou Morte
      14)   Perdas (Ao Vivo)
      15)   Por Quê? 
      16)   Entre o Céu e o Inferno

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Dream Theater anuncia novo álbum pra 2016

Dream Theater
O maior nome do metal progressivo já havia dado dicas de que vinha trabalhando em um novo disco em algumas postagens na internet. Agora, a banda oficializou a notícia e já anunciou o nome do novo trabalho. “The Astonishing”. O novo álbum, que será o décimo terceiro da banda, está tendo seus detalhes revelados pouco a pouco, mas já se sabe que será conceitual e deve ser lançado ainda no primeiro semestre de 2016.

Avenged Sevenfold revela seu novo baterista

Brooks Wackerman estava há 15 anos no Bad Religion
Os californianos do Avenged Sevenfold surpreenderam seus fãs ao anunciar o nome de seu novo baterista. Em um programa de podcast de Chris Jericho, a banda revelou que Brooks Wackerman, ex-baterista da lendária banda punk Bad Religion e do Suicidal Tendencies, será seu novo membro. O músico já havia sido cogitado antes de Mike Portnoy, que assumiu por alguns meses em 2010, após a morte de The Rev, mas na época ele ainda era membro do Bad Religion. A banda deve começar a trabalhar em um novo álbum em breve.

Confirmado oficialmente turnê do Rolling Stones na América Latina

A tão aguardada nova turnê latino-americana dos Rolling Stones finalmente teve seus detalhes divulgados. No Brasil, serão quatro apresentações: Rio de Janeiro (20/02), São Paulo (24/02 e 27/02) e Porto Alegre (02/03). Em São Paulo, as duas apresentações serão no Estádio do Morumbi, enquanto no Rio e Porto Alegre os shows ocorrerão respectivamente nos estádios do Maracanã e Beira-Rio. Os valores de ingressos e data do inicio das vendas ainda não foram informados.

Dimmu Borgir divulga teaser de nova música

Os noruegueses do Dimmu Borgir
Sem lançar material inédito desde 2010, os noruegueses do Dimmu Borgir aos poucos estão voltando de seu hiato. A banda vem trabalhando em um novo disco há algum tempo, e embora ainda não tenha nenhuma grande novidade à respeito, a espera dos fãs deve estar perto do fim. O vocalista Shagrath divulgou em sua pagina no Facebook um breve vídeo com um trecho de uma música em produção. Resta saber agora quando o sucessor de “Abrahadabra” ficará pronto para a alegria dos fãs do grupo de black metal sinfônico.

The Cult tem novo álbum pronto e novo baixista

O vocalista dos britanicos do The Cult, Ian Astbury
Um dos ícones do gothic rock surgido nos anos 80, o The Cult já está com um novo álbum de estúdio pronto. O disco será lançado em 05 de fevereiro de 2016, e será o décimo álbum de estúdio da banda. Ainda não há informações sobre o nome e faixas do disco. O último lançamento do grupo havia sido em maio de 2012. A banda também está com um novo baixista, Grant Fitzpatrick, que estreou recentemente e substitui Chris Wyse.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Stratovarius – Eternal (2015)

Por Rafael Menegueti

Stratovarius - Eternal
Mais um dos grandes nomes do metal finlandês, o Stratovarius foi outra banda que lançou disco novo nesse ano. “Eternal” é o décimo quinto álbum do grupo e, como era de se esperar, mostra um trabalho com a marca da banda ao longo de sua carreira. O estilo melódico que a banda ajudou a criar é de fato o grande trunfo em sua sonoridade. Depois dos lançamentos mais recentes mostrarem uma banda que ainda buscava se reencontrar aos poucos após a saída de Timo Tolkki, parece claro que em “Eternal” eles estão mais confiantes naquilo que querem.

É claro que para quem conhece e admira a banda há anos, nada do que o Stratovarius faz é uma grande novidade. Mas eles são competentes o suficiente para trazer algo muito válido em meio a sua formula já repetida inúmeras vezes em seus 30 anos de estrada. Levadas cadenciadas, riffs velozes, algumas orquestrações feitas no teclado, composições que enfatizam as qualidades melódicas e técnicas de seus músicos e uma fidelidade ao que o estilo pede que, embora previsível, é aquilo que segue dando identidade à banda.

“Eternal” é uma boa sequencia ao que a banda vinha mostrando em “Nemesis”. O disco abre com uma faixa que te fisga rapidamente, “My Eternal Dream”, com solos rápidos e uma sonoridade envolvente e épica. Em seguida o single “Shine In the Dark” se mostra uma boa composição, um pouco mais intensa e pegajosa. Um pouco mais acelerada, mas sem perder a empolgação típica o refrão, “Rise Above It” é outra que segue em bom nível. Já a mais cadenciada “Lost Without a Trace” é destaque pela melodia mais marcante ao longo dos versos e refrão.

Os membros do Stratovarius
“Feeding the Fire” e “Few Are Those” são outras faixas onde o refrão tem um papel especial em segurar a canção, enquanto o riff e andamento de “In My Line of Work” são suas grandes virtudes. Em “Man In The Mirror” chega a hora de brilhar da sessão rítmica da banda, com uma linha de bateria excelente e um riff de guitarra muito bom, incrementado ainda pelo arranjo e solos de teclado. Uma das melhores do disco. Ainda vale destacar a balada obrigatória power metal em “Fire In Your Eyes”, que leva ao encerramento com a longa e épica “The Lost Saga”, uma ambiciosa e típica fantasia nórdica ao melhor estilo que o power metal pode proporcionar. Essa faixa empolgante e épica é o resultado de quatro noites de pesquisa e trabalho do vocalista Timo Kotipelto, que firmou ter sido o seu trabalho mais difícil de composição, e dá um boom necessário para encerrar o disco com excelência.

Grande parte das composições surgiram da parceria entre Timo e Jani Liimatainen (ex-Sonata Arctica), seu também parceiro no Cain’s Offering. E é bem perceptível o dedo de Jani em alguns dos elementos na sonoridade desse álbum. “Eternal” acerta por ser um disco direto e sincero. Bem elaborado e com os músicos mostrando boa técnica e coesão impares. Timo ainda é um vocalista marcante no que faz, e uma prova disso é o fato de que mesmo com um amplo coral sendo usado na formação dos backing vocals, é a voz dele que se destaca em todos os momentos. O Stratovarius pode não ser uma banda mais inovadora, mas no que eles apresentam aqui os seus fãs podem confiar sem medo.


Nota: 8/10
Status: Competente e sincero

Faixas:
01 - My Eternal Dream
02 - Shine In The Dark
03 - Rise Above It
04 - Lost Without A Trace
05 - Feeding The Fire
06 - In My Line Of Work
07 - Man In The Mirror
08 - Few Are Those
09 - Fire In Your Eyes
10 - The Lost Saga

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Stryper – Fallen (2015):



Por Davi Pascale

Stryper chega ao seu nono álbum de inéditas com sonoridade mais pesada. Disco traz cover inusitado e demonstra que Michael Sweet está em ótima forma vocal. Um dos melhores álbuns do ano.

No More Hell To Pay havia apaziguado uma ladainha que os rapazes escutavam desde seu retorno. Depois de fazer alguns discos com uma sonoridade mais moderna, os garotos retornavam à sonoridade clássica no álbum de 2013. Fallen segue de onde o álbum anterior parou, só que adicionando uma dose extra de peso. As características principais do grupo, contudo, seguem intactas.

Fallen foi produzido pelo próprio Michael Sweet. E a sonoridade está matadora. Guitarra suja, bateria na cara, trabalho vocal impressionante. Ouça “Pride” e tire suas próprias conclusões. Os destaques do disco continuam sendo as linhas vocais de Michael, os duelos de guitarra entre o cantor e Oz Fox e os backing encorpados.

Embora não seja um álbum nostálgico, algumas faixas resgatam a sonoridade de seus dias de ouro. Caso de “Love You Like I Do” que poderia estar facilmente em um álbum como In God We Trust ou até mesmo em To Hell With The Devil. A estrutura do álbum é mais ou menos a mesma que costumam fazer. Uma canção que leva o nome do álbum no começo do disco, uma balada, um cover inusitado. Algumas faixas com uma sonoridade mais puxada para o heavy, outras mais puxadas para o hard rock.

Stryper lança novo álbum com sonoridade mais pesada e cover de Black Sabbath

A balada aqui é “All Over Again”. A música é super bonita e traz uns backings naquela onda meia beatle. Ou para ficar na geração dos rapazes, meio Enuff Z´nuff. Até porque o arranjo é bem anos 80. O cover, contudo, é o mais inusitado. Stryper resolveu fazer uma versão de “After Forever”, velha canção do Black Sabbath. E o pior é que tem a ver com a proposta da banda já que a letra foi inspirada em um conflito religioso entre católicos e protestantes que ocorreu na Irlanda do Norte.

Faixas como “Kings of Kings”, “Heaven” e “Let There Be Light” demonstram que os rapazes ainda têm a mão para composição. Canções típicas para levantar arena. Michael continua com seus gritos característicos e já manda um logo na introdução de “Yahweh”. Oz Fox também rouba a cena em diversos momentos com ótimos riffs e solos inspirados.

Stryper fez o que sempre esperamos que nossos ídolos façam. Crie um álbum honesto, com ótimas músicas. Sem se preocupar com nada além de manter a qualidade de seu trabalho. Um dos melhores álbuns do ano. E um dos melhores, se não o melhor, que fizeram desde seu retorno em 2003. E o mais legal, saiu edição nacional. Corre atrás porque vale a pena!

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Yahweh 
      02)   Fallen
      03)   Pride
      04)   Big Screen Lies
      05)   Heaven
      06)   Love You Like I Do
      07)   All Over Again
      08)   After Forever
      09)   Till I Get What I Need
      10)   Let There Be Light
      11)   The Calling 
      12)   King of Kings

terça-feira, 3 de novembro de 2015

W.A.S.P. – Golgotha (2015):





Por Davi Pascale

Depois de um hiato de seis anos, grupo de Blackie Lawless solta novo álbum. Golgotha traz material extremamente sólido. Certamente, o melhor trabalho do grupo em anos. Entretanto, o conteúdo das letras assustará boa parte de seus fãs.

Vários fatores colaboraram com o adiamento do novo disco: as cirurgias que Blackie Lawless passou (ombro e perna), a turnê comemorativa de 30 anos (que deveria ter passado pelo Brasil, mas teve seus shows cancelados), entre outros assuntos mais (a morte de seu irmão também deu uma bela abalada no rapaz). O fato é que demorou, mas chegou.

É verdade que tem um tempo que não lançam um álbum de destaque na cena, mas também é verdade que a qualidade de seus discos sempre foi alta. Lawless é um compositor de mão cheia. Foram pouquíssimas vezes em que pisou na bola. Aqui, não é diferente. Golgotha traz, mais uma vez, arranjos bem resolvidos com ótimos riffs de guitarra, a voz sempre potente de Blackie Lawless e vários elementos que resgatam a sonoridade clássica do grupo.

Integrantes que seguem na ativa

“Scream”, responsável por abrir o álbum remete automaticamente ao início dos anos 90, quando o grupo lançou o emblemático The Crimson Idol. “Last Runaway”, “Shotgun” e “Fallen Under” resgatam a sonoridade clássica do grupo. “Shotgun” traz aquele ar rock n´ roll, assim como haviam feito no clássico “Blind In Texas”. “Fallen Under” traz um ar hard rock e um refrão altamente memorável. “Slaves Of The New World Order” resgata a sonoridade dos tempos de “Murders In The New Morgue”. Provavelmente, as melhores composições dos rapazes em anos.

Mesmo sendo um grupo de heavy metal, o W.A.S.P. nunca teve problema com baladas. Temos duas aqui: “Miss You”, escrita em homenagem ao seu irmão que faleceu em 2012, e “Golgotha”. Nesta última, temos algo que nunca imaginaríamos. O rapaz cantando frases como “Jesus, I need you now. Show me your love somehow” (Jesus, eu preciso de você. Me demonstre todo seu amor). Chegamos ao momento crucial do disco.

Enquanto os arranjos resgatam vários elementos da sonoridade clássica do grupo, as letras adotam uma nova postura. Blackie Lawless, líder da banda, declarou recentemente ter redescoberto sua paixão em Cristo. As letras do novo disco são escritas com forte influência da bíblia. Babylon já havia sido influenciado pela bíblia, na verdade, mas retratava o lado mais obscuro. Sua letras falavam sobre guerra, fome, peste e morte. Ou seja, os quatro cavaleiros do Apocalipse. Aqui, as letras estão mais clean. Mais voltadas para fé. O próprio nome do disco já entrega a deixa. “Golgotha” seria o local onde Jesus Cristo teria sido crucificado.

Blackie Lawless em ação nos anos 80

Muitos podem me perguntar: há algo de errado nisso? Sim, e não. Na verdade, nunca me importei com isso e gosto do trabalho de algumas bandas cristãs como Whitecross, Stryper e Holy Soldier. Entretanto, a mudança vem dividindo a opinião dos fãs. E no caso do W.A.S.P. dá para entender. Nos anos 80, os caras foram aquela típica banda que os pais odiavam e a garotada amava. Compraram brigas com censores por conta de capa de disco. Seus shows teatrais eram repletos de imagens chocantes. Blackie bebia sangue de dentro de um crânio. Na turnê de Kill Fuck Die, simulava uma cena de estupro com freiras grávidas. Diziam que a sigla de seu nome significava “We Are Sexual Perverts” (Somos Sexualmente Pervertidos). Uma banda com essa postura ir por esse caminho não é algo esperado entre seus seguidores, certo?

O disco, contudo, é excelente. As faixas são acima da média. Acompanhando Blackie Lawless temos: o baixista Mike Duda, o guitarrista Doug Blair e o baterista Mike Dupke. Sim, Dupke, abandonou o grupo, mas quando o fez, o disco já estava gravado. Se você não se importa com o novo caminho adotado por Lawless nas construções das letras, vá fundo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Arranjos inspirados

Faixas:
      01)   Scream
      02)   Last Runaway
      03)   Shotgun
      04)   Miss You
      05)   Fallen Under
      06)   Slaves Of The New World Order
      07)   Eyes Of My Maker
      08)   Hero Of The World  
      09)   Golgotha

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Música comentada: Sepultura – Roots Bloody Roots

Por Rafael Menegueti

Sepultura em 1996
Em 1996, o Sepultura lançou um dos álbuns mais cultuados do metal em toda aquela década, “Roots”. O disco era um marco na carreira da banda, pois apresentava um dos momentos mais criativos da história da banda, ao unir heavy metal com instrumentos e ritmos tradicionais brasileiros, incluindo até mesmo gravar com a tribo indígena xavante. Desse modo, a banda conseguiu de fato fazer um disco de metal que ia nas raízes da cultura brasileira.

Desse álbum saiu o que pode ser considerado o maior sucesso da banda, “Roots Bloody Roots”. A faixa que abre o disco é uma boa síntese do conceito que a banda inseriu nesse disco. Segundo o ex-vocalista do Seputura, Max Cavalera, ela é sobre acreditar em si mesmo, ter orgulho de suas origens, sua herança e de onde você veio. O título da canção ainda faz referencia à “Sabbath bloody Sabbath”, do Black Sabbath, uma das bandas favoritas de Max.

Uma curiosidade também trata da composição do riff da música. Max queria que ele fosse como um mantra. Basicamente, era algo que seria repetido varias vezes, e ficaria assim preso em sua consciência. O riff por isso é bem simples, mas segundo o músico, nem por isso foi fácil de ser feito. A faixa ainda ganhou um vídeo que resume bem a ideia por trás de tudo, com imagens de capoeira, grupos indígenas, percussionistas e paisagens filmadas em Salvador. Depois do sucesso de “Roots”, no entanto, Max Cavalera acabaria deixando a banda, que iniciaria uma nova fase após isso.


Roots bloody roots

I believe in our fate
We don't need to fake
It's all we wanna be
Watch me freak!

I say
We're growing every day
Getting stronger in every way
I'll take you to a place
Where we shall find our

Roots bloody roots

Rain
Bring me the strength
To get to another day
And all I want to see
Set us free

Why
Can't you see
Can't you feel
This is real

I pray
We don't need to change
Our ways to be saved
That all we wanna be
Watch us freak

Raizes, malditas raizes

Eu acredito em nosso destino
Não precisamos disfarçar
É tudo que queremos ser
Me veja enlouquecer!

Eu digo
Estamos crescendo todo dia
Ficando fortes de todas as formas
Vou te levar para um lugar
Onde devemos achar nossas

Raizes, malditas raizes

Chuva
Traga-me a força
Pra alcançar mais um dia
E tudo que quero ver
Nos liberte

Por quê?
Você não consegue ver?
Você não consegue sentir?
Isso é real

Eu rezo
Nós não precisamos mudar
Nossas maneiras pra ser salvos
É tudo que queremos ser
Nos veja enlouquecer

domingo, 1 de novembro de 2015

Metalmorphose – Correntes (2015):



Por Davi Pascale

Raro compacto retorna às lojas. Disco demonstrava uma banda mais madura, porém mais comercial. Disco essencial na coleção de quem curte a cena hard/metal brasileira.

Existem alguns nomes da cena metal dos anos 80 que sobreviveram ao tempo e conseguem mesclar seu público com novos/velhos ouvintes. Seria o caso de artistas como Viper, Korzus e Sepultura. Outros, porém, ficaram restritos entre aqueles que viveram a época, por mais que fizessem um trabalho de qualidade. Alguns artistas sequer conseguiram lançar um full-length na ocasião. É o caso do Metalmorphose. Antes da separação, houve apenas 2 lançamentos dos garotos: o (histórico) Split LP Ultimatum, onde dividiam o disco com o, até então, iniciante Dorsal Atlântica; e um 12” com apenas duas faixas. Esse que retorna agora ao mercado em formato de 7”. O LP realizado ao lado do Dorsal teve algumas reedições, até por conta do prestígio que o grupo de Carlos Lopes atingiu, mas essa é a primeira vez que Correntes retorna ao mercado. O material estava fora de catálogo desde 1986.

Nitidamente, os meninos estavam em busca de uma nova direção musical. Não somente o som estava mais polido, como o visual deles havia mudado. Cabelos mais bem arrumados. A velha roupa de couro e tachinhas deu espaço para roupas de oncinha com direito até à uma bandana na cabeça de Tavinho Godoy. Honestamente? Prefiro eles aqui. As músicas estavam mais bem resolvidas e casavam melhor na voz de Tavinho.

Disco obscuro retorna às lojas. Material apontava para uma sonoridade mais hard rock

Enquanto as músicas de Ultimatum apostavam mais em um heavy tradicional, as de Correntes apostavam em uma sonoridade mais hard rock. Parte dessa nova influência vem por conta do trabalho de teclado de Celso Suckow (sim, foi o guitarrista quem gravou os teclados). Tanto os timbres quanto as construções do teclado, remetem bastante ao que os grupos de hair metal da época faziam. As guitarras bebiam bastante da cena hard/heavy oitentista. Aliás, os solos de guitarra são um dos pontos altos do disquinho.

Outro ponto alto é o trabalho vocal. Algo que me incomoda em alguns grupos dessa cena é a falta de um bom vocalista. Diversos grupos da época tinham excelentes instrumentistas, mas deixavam a desejar no vocal. Mas, logicamente, haviam algumas exceções. Tavinho Godoy era uma dessas exceções e aqui demonstrava um enorme amadurecimento. Com a voz mais bem controlada, o rapaz sempre cantou com voz limpa, e explora aqui um pouco mais o famoso falsete. Só que não em uma pegada Andre Matos. Era em uma pegada mais Taffo. As linhas vocais também estavam mais melódicas do que no trabalho anterior.

Com boa qualidade de gravação, letras em português e excelentes músicas com ótimos refrãos, os garotos poderiam ter despontado na cena na época se tivessem um empresário com bala na agulha. Algo que, infelizmente, não ocorreu. O vinil acaba de ser relançado pelo selo Neves Records e foi prensado em duas cores: preto e transparente. Quem tiver interesse, corre atrás logo porque a edição é limitadíssima em 300 cópias numeradas. Eu já consegui o meu...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
      01)   Correntes 
      02)   Vivendo e Aprendendo