segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Música comentada: Sepultura – Roots Bloody Roots

Por Rafael Menegueti

Sepultura em 1996
Em 1996, o Sepultura lançou um dos álbuns mais cultuados do metal em toda aquela década, “Roots”. O disco era um marco na carreira da banda, pois apresentava um dos momentos mais criativos da história da banda, ao unir heavy metal com instrumentos e ritmos tradicionais brasileiros, incluindo até mesmo gravar com a tribo indígena xavante. Desse modo, a banda conseguiu de fato fazer um disco de metal que ia nas raízes da cultura brasileira.

Desse álbum saiu o que pode ser considerado o maior sucesso da banda, “Roots Bloody Roots”. A faixa que abre o disco é uma boa síntese do conceito que a banda inseriu nesse disco. Segundo o ex-vocalista do Seputura, Max Cavalera, ela é sobre acreditar em si mesmo, ter orgulho de suas origens, sua herança e de onde você veio. O título da canção ainda faz referencia à “Sabbath bloody Sabbath”, do Black Sabbath, uma das bandas favoritas de Max.

Uma curiosidade também trata da composição do riff da música. Max queria que ele fosse como um mantra. Basicamente, era algo que seria repetido varias vezes, e ficaria assim preso em sua consciência. O riff por isso é bem simples, mas segundo o músico, nem por isso foi fácil de ser feito. A faixa ainda ganhou um vídeo que resume bem a ideia por trás de tudo, com imagens de capoeira, grupos indígenas, percussionistas e paisagens filmadas em Salvador. Depois do sucesso de “Roots”, no entanto, Max Cavalera acabaria deixando a banda, que iniciaria uma nova fase após isso.


Roots bloody roots

I believe in our fate
We don't need to fake
It's all we wanna be
Watch me freak!

I say
We're growing every day
Getting stronger in every way
I'll take you to a place
Where we shall find our

Roots bloody roots

Rain
Bring me the strength
To get to another day
And all I want to see
Set us free

Why
Can't you see
Can't you feel
This is real

I pray
We don't need to change
Our ways to be saved
That all we wanna be
Watch us freak

Raizes, malditas raizes

Eu acredito em nosso destino
Não precisamos disfarçar
É tudo que queremos ser
Me veja enlouquecer!

Eu digo
Estamos crescendo todo dia
Ficando fortes de todas as formas
Vou te levar para um lugar
Onde devemos achar nossas

Raizes, malditas raizes

Chuva
Traga-me a força
Pra alcançar mais um dia
E tudo que quero ver
Nos liberte

Por quê?
Você não consegue ver?
Você não consegue sentir?
Isso é real

Eu rezo
Nós não precisamos mudar
Nossas maneiras pra ser salvos
É tudo que queremos ser
Nos veja enlouquecer

domingo, 1 de novembro de 2015

Metalmorphose – Correntes (2015):



Por Davi Pascale

Raro compacto retorna às lojas. Disco demonstrava uma banda mais madura, porém mais comercial. Disco essencial na coleção de quem curte a cena hard/metal brasileira.

Existem alguns nomes da cena metal dos anos 80 que sobreviveram ao tempo e conseguem mesclar seu público com novos/velhos ouvintes. Seria o caso de artistas como Viper, Korzus e Sepultura. Outros, porém, ficaram restritos entre aqueles que viveram a época, por mais que fizessem um trabalho de qualidade. Alguns artistas sequer conseguiram lançar um full-length na ocasião. É o caso do Metalmorphose. Antes da separação, houve apenas 2 lançamentos dos garotos: o (histórico) Split LP Ultimatum, onde dividiam o disco com o, até então, iniciante Dorsal Atlântica; e um 12” com apenas duas faixas. Esse que retorna agora ao mercado em formato de 7”. O LP realizado ao lado do Dorsal teve algumas reedições, até por conta do prestígio que o grupo de Carlos Lopes atingiu, mas essa é a primeira vez que Correntes retorna ao mercado. O material estava fora de catálogo desde 1986.

Nitidamente, os meninos estavam em busca de uma nova direção musical. Não somente o som estava mais polido, como o visual deles havia mudado. Cabelos mais bem arrumados. A velha roupa de couro e tachinhas deu espaço para roupas de oncinha com direito até à uma bandana na cabeça de Tavinho Godoy. Honestamente? Prefiro eles aqui. As músicas estavam mais bem resolvidas e casavam melhor na voz de Tavinho.

Disco obscuro retorna às lojas. Material apontava para uma sonoridade mais hard rock

Enquanto as músicas de Ultimatum apostavam mais em um heavy tradicional, as de Correntes apostavam em uma sonoridade mais hard rock. Parte dessa nova influência vem por conta do trabalho de teclado de Celso Suckow (sim, foi o guitarrista quem gravou os teclados). Tanto os timbres quanto as construções do teclado, remetem bastante ao que os grupos de hair metal da época faziam. As guitarras bebiam bastante da cena hard/heavy oitentista. Aliás, os solos de guitarra são um dos pontos altos do disquinho.

Outro ponto alto é o trabalho vocal. Algo que me incomoda em alguns grupos dessa cena é a falta de um bom vocalista. Diversos grupos da época tinham excelentes instrumentistas, mas deixavam a desejar no vocal. Mas, logicamente, haviam algumas exceções. Tavinho Godoy era uma dessas exceções e aqui demonstrava um enorme amadurecimento. Com a voz mais bem controlada, o rapaz sempre cantou com voz limpa, e explora aqui um pouco mais o famoso falsete. Só que não em uma pegada Andre Matos. Era em uma pegada mais Taffo. As linhas vocais também estavam mais melódicas do que no trabalho anterior.

Com boa qualidade de gravação, letras em português e excelentes músicas com ótimos refrãos, os garotos poderiam ter despontado na cena na época se tivessem um empresário com bala na agulha. Algo que, infelizmente, não ocorreu. O vinil acaba de ser relançado pelo selo Neves Records e foi prensado em duas cores: preto e transparente. Quem tiver interesse, corre atrás logo porque a edição é limitadíssima em 300 cópias numeradas. Eu já consegui o meu...

Nota: 10,0 / 10,0
Status: Histórico

Faixas:
      01)   Correntes 
      02)   Vivendo e Aprendendo

sábado, 31 de outubro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Serenity divulga detalhes de novo álbum

Os austríacos do Serenity divulgaram nessa semana os detalhes de seu novo disco, o quinto de sua carreira. “Codex Atlanticus” será lançado no dia 29 de janeiro de 2016, e seguirá tratando de eventos e figuras históricas da humanidade. Dessa vez, a banda usou como tema a “arte e ciência”, usando Leonardo Da Vinci como figura central, e incluindo também referencias a “teorias da conspiração, Illuminati e outras coisas”. Confira a capa e faixas do disco abaixo:


1. Codex Atlanticus
2. Follow Me
3. Sprouts of Terror
4. Iniquity
5. Reason
6. My Final Chapter
7. Caught in a Myth
8. Fate of Light
9. The Perfect Woman
10. Spirit in the Flesh
11. The Order

Stratovarius fará show único no Brasil


Os finlandeses do Stratovarius voltarão ao Brasil para uma única apresentação. O grupo se apresenta em São Paulo, no Carioca Club, no dia 10 de dezembro, em show de divulgação de seu mais recente álbum, “Eternal”, lançado há pouco tempo. Os ingressos já estão a venda e foi divulgado um vídeo promocional com informações sobre o show, veja abaixo:


Ex-vocalista do Flyleaf lançará primeiro álbum solo

Lacey Sturm
Lacey Sturm andou um pouco fora dos holofotes desde que deixou o Flyleaf, banda de metal alternativo cristão americana, há cerca de três anos. Agora, ela irá lançar seu primeiro trabalho como cantora solo. “Life Screams” será lançado no começo de 2016, e o primeiro single, “Impossible”, será divulgado amanhã em uma rádio americana. Desde sua saída, pouco antes do lançamento do terceiro álbum de estúdio da banda, o Flyleaf lançou um único disco, “Between the Stars” (2014).

Amy Lee diz que ainda não há planos para novo disco do Evanescence

Em uma entrevista dada ao site da Rolling Stone, Amy Lee acabou dando um banho de água fria nos fãs que estão ansiosos por material novo do Evanescence. Embora confirme que esteja trabalhando em novas músicas, ela afirmou que nada faz parte de planos para a banda. A banda irá se reunir para shows no Japão e EUA em novembro, e não descarta uma possível turnê em 2016. Por enquanto, os fãs da moça podem pelo menos curtir um vídeo novo dela fazendo uma versão para uma música do Portishead, “It’s A Fire”.


Candlemass lançará EP comemorativo com novo vocalista

A banda sueca de doom metal está completando 30 anos de carreira e decidiu comemorar a data lançando um novo EP. O lançamento trará quatro faixas, que contarão com a voz do novo vocalista, Mats Levén, efetivado na posição no lugar de Robert Lowe, que foi demitido em 2012. A previsão é de que o Ep chegue as lojas no ano inicio do próximo ano.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Def Leppard – Def Leppard (2015):



Por Davi Pascale

Britânicos do Def Leppard soltam novo álbum. Com poucas novidades, disco resgata um pouco da sonoridade oitentista e deve agradar seus fiéis seguidores.

Já tem um tempo que o grupo vinha fazendo uma série de turnês bem sucedidas, mas sem colocar novo material nas lojas. Seu último álbum de inéditas foi (o bom) Songs From The Sparkle Lounge de 2008. Em alguns trabalhos, os músicos tentam manter sua sonoridade clássica, como acontece em Euphoria. Em outros, buscam se arriscar em novos universos, como ocorre em Slang ou em X. Experiências, essas, não muito felizes. Em seu décimo álbum de inéditas, se mantém em território comum, mas as músicas de trabalho podem empolgar seus seguidores além da conta.

Quem ouviu as faixas de trabalho “Let´s Go” e “Sea of Love” pode ter criado uma expectativa de um retorno àquela sonoridade Hysteria/Adrenalize. Realmente, vários momentos do novo CD nos levam de volta à esses discos. Principalmente, pelo trabalho de guitarra (tente escutar “Let´s Go” e não se lembrar do riff de “Pour Some Sugar On Me” ou escutar “Dangerous” e não se lembrar de “Armaggedon It”), mas a sonoridade não se mantém durante todo o play.

“Man Enough”, por exemplo, é declaradamente pop. A faixa contém uma pegada mais moderninha, com direito à bateria eletrônica, beats e tudo mais. Me remeteu bastante aos seus tempos do tão odiado Slang. “We Belong” e “Energized” são duas baladas que poderiam estar presentes no álbum X.

Músicos lançam seu primeiro trabalho de inéditas em 7 anos

Essas não são as únicas baladas por aqui e também não são as melhores. “Last Dance” é a famosa balada voz/violão. Não é tão forte quanto “Two Steps Behind”, mas é uma boa música. As que mais me chamaram a atenção, contudo, foram “Battle of My Own”, que conta com uma pegada blues no violão e a balada rocker “Wings Of An Angel” que nos leva de volta aos anos 80.

Alguns rocks do disco também nos remetem aos seus anos de ouro. Além das já citadas duas faixas iniciais, canções como “All Time High”, “Broken ´n´ Brokenhearted” e “Forever Young” trazem de volta a alegria dos anos 80. Do jeito que a galera gosta. Guitarra falando alto, refrãos marcantes. Não chegam ao peso de High n´ Dry ou On Through The Night, mas trazem aquele espírito de festa que as canções dessa época tinham. “Sea Of Love”, que conta com a participação Debi Blackwell Cook (Delta Deep), é outra que mantém esse espírito.

Os backings continuam firme, forte e característico. Joe Elliot não tem mais aquela força vocal que tinha nos tempos de “Stagefright” e “Rock! Rock! ´Til You Drop”, mas ainda é um belo cantor. Flertando rock com pop, nostalgia com modernidade, temos, mais uma vez, Def Leppard sendo Def Leppard! Quem gosta da banda, pode ir sem medo...

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Bem elaborado

Faixas:
      01)   Let´s Go
      02)   Dangerous
      03)   Man Enough
      04)   We Belong
      05)   Invincible
      06)   Sea of Love
      07)   Energized
      08)   All Time High
      09)   Battle of My Own
      10)   Broke ´n´ Brokenhearted
      11)   Forever Young
      12)   Last Dance
      13)   Wings of an Angel
      14)   Blind Faith

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Beyond the Black – Songs of Love and Death (2015)

Por Rafael Menegueti

Beyond the Black - Songs of Love and Death
Se tem uma coisa que eu já aboli da minha cabeça é a ideia de que tudo que é comercial é ruim. Não é necessariamente assim que funciona. Pra mim, o conceito de música comercial anda meio deturpado. Uma banda com uma proposta mais radiofônica e popular pode acabar sendo tachada desse modo, quando na verdade o problema de ser comercial mesmo seria existir apenas para vender, seja sua própria imagem ou algum produto associado a ela.

Não é o caso dessa nova banda alemã, que com uma sonoridade bem nessa linha popular, vem dividindo opiniões entre os críticos, mas agradando aos fãs de metal sinfônico por aí. O Beyond the Black foi formado no ano passado, e já no começo desse ano lançou seu primeiro álbum, “Songs of Love and Death”. Nele, cada faixa parece ter sido pensada com esse objetivo, ser o mais radiofônico possível, mesmo nos momentos mais pesados. Isso é fácil de explicar se virmos que a banda é formada por alguns músicos bem jovens, e com uma vocalista (Jennifer Haben) que antes fazia parte de um grupo pop feminino.

Eu não gosto muito de fazer comparações com bandas novas, pois sei que pra eles isso pode ser incomodo, mas é impossível não perceber a influência dos trabalhos mais recentes do Within Temptation. Até no modo como Jennifer canta, a referência está bem perceptível. No entanto, ainda assim é possível ver vários pontos onde a banda mantém uma identidade própria. A própria garota sabe inserir varias características diferentes em seus vocais, por vezes mais pop, e em outros mais clássico.

Os membros do Beyond the Black
Como destaques dessa linha mais pop cativante, mas com refrães potentes e mais memoráveis, estão o single “In the Shadows”, que abre o disco, a faixa-título, “Running to the Edge” e “Drowning In Darkness”. A banda consegue surpreender também em composições que variam um pouco mais em seus elementos, como a balada típica “Unbroken”, em “Hallelujah”, com um riff bem power metal, ou em “Afraid of the Dark”, que tem um clima mais sombrio ainda que mantendo a linha radiofônica do disco. Em muitos momentos a banda ainda flerta com o folk (o que parece estar bem na moda atualmente), em especial a faixa “Pearl In A World of Dirt”. O disco ainda encerra com uma cover de “Love Me Forever”, do Motorhead, que ficou boa no estilo sinfônico elaborado pelo grupo.

O disco é bem produzido e apresenta algumas faixas bem compostas e elaboradas. Embora o resultado seja um tanto quanto previsível, o saldo pra mim foi positivo. Os arranjos sinfônicos, o trabalho vocal, que inclui também alguns vocais guturais em alguns momentos bem definidos, os riffs e solos de guitarra, são todos muito conscientes para fazer um disco agradável e de acordo com aquilo que os fãs do estilo mais apreciam. É bem comercial, mas não é nada ruim.


Nota: 8/10
Status: Sincero e agradável

Faixas:
1. In The Shadows
2. Songs Of Love And Death
3. Unbroken
4. When Angels Fall
5. Pearl In A World Of Dirt
6. Hallelujah
7. Running To The Edge
8. Numb
9. Drowning In Darkness
10. Afraid Of The Dark
11. Fall Into The Flames
12. Love Me Forever (MOTORHEAD cover)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

The Ann Wilson Thing - #1 (2015):



Por Davi Pascale

Vocalista do Heart lança mais um álbum longe da banda que a tornou famosa. Com apenas 4 faixas, encanta o ouvinte em uma bela viagem ao universo do blues.

Se você acompanha as redes sociais, certamente já recebeu em algum momento, um vídeo do Heart interpretando “Stairway to Heaven” do Led Zeppelin na frente de Jimmy Page e Robert Plant e sendo aplaudidas de pé pelos mesmos. É dessa cantora que me refiro. Quem conhece o trabalho do seu grupo à algum tempo, já está mais do que acostumado com a potência vocal da garota e também pela sua admiração ao grupo. A moça já havia gravado algumas canções dos rapazes antes da cultuada apresentação. Assim como seus ídolos, também bebeu muito na fonte do blues. E essa é a pegada do novo trabalho.

#1 não é um full-length. É um EP! Apenas 4 faixas e fim! Também não é um álbum de inéditas. Apenas uma das canções registradas foi criada para o projeto. As outras 3 são canções de artistas que cresceu ouvindo. E não, não temos Led Zeppelin dessa vez. Os homenageados aqui foram Aretha Franklin, Ray Charles e Buffalo Springfield. Mais uma vez, pegou uma tarefa ingrata e tirou de letra.

Sim, o CD é corajoso. Não apenas porque não se prende aos arranjos originais, mas porque escolheu artistas que são verdadeiros mestres e são idolatrados por gerações e mais gerações. Regravar canções de artistas icônicos como Aretha Franklin e Ray Charles pode ser considerado heresia pelos mais fanáticos. Só que, mais uma vez, as versões ficaram de cair o queixo.

Cantora do Heart faz nova aventura solo com forte aproximação do blues

O álbum começa com “For What´s Worth”, clássico do Buffalo Springfield e clássico do folk rock norte-americano. Aqui ganha uma cara mais rock n roll com guitarras distorcidas e um trabalho de percussão que nos remete bastante à “Sympathy For The Devil” (Rolling Stones). Ficou genial! “Fool No More” vem na sequencia. Trata-se de uma canção inédita. Uma parceria de Ann com Craig Bartock, guitarrista que a acompanha no Heart desde 2004. A faixa é uma balada com altas influências de blues e uma sonoridade bem anos 70. Ann mata a pau nos vocais.

“Ain´t No Way”, famosa na voz de Aretha Frankin, é a próxima a aparecer por aqui. Na versão de Aretha temos um piano guiando a canção e orquestrações. Aqui, temos a presença marcante de um teclado, mas ele atua como um instrumento a mais. As orquestrações não aparecem por aqui. Com uma levada meio arrastada, remete bastante aos blues que Janis Joplin fazia. E o que a garota canta aqui não é brincadeira. O CD se encerra com “Danger Zone”, de Ray Charles. Mais uma vez, as orquestrações caíram fora. Dessa vez, somente piano e voz. A gravação conta com um ar ao vivo e uma leve saturação que nos remete aos antigos LPS de blues, daquela época em que os caras gravavam tocando sozinhos na frente de um microfone. Sacada bacana!

O único pecado de #1 é o fato de ser tão curto. Será que teremos um #2? #3? Espero que sim. Até porque parece que a moça está se divertindo bastante com o novo projeto, tanto que está realizando algumas apresentações solo nos EUA para divulgar o tal disco. Já estou esperando ansiosamente pela continuação. Se você curte Heart, curte a voz da cantora ou é um grande admirador do blues, corra atrás! Discaço!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Inspirado

Faixas:
      01)   For What´s Worth
      02)   Fool No More
      03)   Ain´t No Way 
      04)   Danger Zone 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Shining – International Blackjazz Society (2015)

Por Rafael Menegueti

Shining - International Blackjazz Society
A banda norueguesa de metal avant-guard Shining lançou seu novo disco, “International Blackjazz Society”, o sétimo de sua carreira, dando mais um passo adiante em sua inovadora proposta. Quem viu a resenha do seu antecessor, “One One One” (2013), aqui no blog (link aqui) deve saber sobre a historia da banda, de sua origem no jazz fusion e evolução que foi caminhando rumo ao metal a cada lançamento, até que em 2010, como o disco “Blackjazz” eles assentaram nesse novo estilo.

Em “One One One”, a banda teve uma forte influencia do metal industrial, criando musicas com estruturas bem complexas e uma agressividade muitas vezes caótica. O vocalista/guitarrista/saxofonista Jørgen Munkeby criava o clima com seus vocais gritados em grande parte do tempo e incrementava as canções com seus solos de saxofone, uma das marcas da banda. Em “International Blackjazz Society” a banda usa uma abordagem um pouco diferente, onde o sax tem mais protagonismo, e as canções estão menos caóticas.

Isso não significa que não haja mais a agressividade dos trabalhos mais recentes. O flerte com o metal industrial ainda é forte, e Munkeby grita a palavra “fuck” por todo o disco como se estivesse em um filme do Tarantino. A estrutura das músicas não está tão complexa dessa vez. Alguns dos riffs e passagens são bem mais tradicionais e deixam as faixas bem mais fáceis de digerir. O trabalho dos vocais de Munkeby também está bem mais limpo em muitos momentos, facilitando até na compreensão das letras.

Alguns dos membros do Shining durante gravação do vídeo de "Last Day"
O lado jazz da banda também recebeu mais ênfase nesse disco. Os solos de saxofone não ficam limitados aos momentos de pontes e exercem papel fundamental no meio das composições como um todo. A bateria extremamente técnica de Tobias Ørnes Andersen tem fortes traços do estilo, ditando o ritmo com ao lado do baixo, agora tocado por Ole Vistnes (Tristania), e criando uma boa base que sustenta as diversas sonoridades da banda. Os arranjos de sintetizador e teclado completam o quadro sonoro que a banda cria.

Como eu já disse, esse disco é bem mais acessível do que seu antecessor. É fácil encontrar composições bem mais diversificadas e interessantes, como a bem estruturada “The Last Stand”, a agitada “Burn It All” e a jam instrumental que une perfeitamente os lados jazz e rock da banda de “House of Warship”. Destaco como as melhores do álbum o single “Last Day”, “Thousand Eyes”, com um ritmo de stoner metal de tirar o folego, e “House of Control”, que possui uma sonoridade industrial mais radiofônica e moderna. O encerramento com “Need” trata de fechar o disco com uma energia que define bem o som da banda.

Se em seus trabalhos anteriores a banda já havia provado um potencial e competência em criar um estilo único, em “International Blackjazz Society”  a banda trata de colocar tudo num casulo junto de todas as outras referencias musicais que a banda carregou em si ao longo dos anos. Como o seu próprio estilo avant-guard sugere, a banda parece estar à frente de seu tempo, mas dessa vez mostrando incrivelmente como pode relacionar elementos de gêneros já consagrados como o rock industrial, free jazz, metal alternativo, progressivo e experimental. Uma ótima banda para quem gosta de novas experiências sonoras, com um disco que merece atenção por isso.


Nota: 9,5/10
Status: insano e inovador

Faixas:
01. Admittance
02. The Last Stand
03. Burn It All
04. Last Day
05. Thousand Eyes
06. House Of Warship
07. House Of Control
08. Church Of Endurance
09. Need