quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Stanley X Snider: Duelo de Titãs



Por Davi Pascale

Vez ou outra, o mundo do rock se depara com alguns barracos que vão além de ataques mútuos e acabam gerando enormes discussões entre sites especializados e fãs do gênero. É exatamente isso que vem acontecendo com a briga entre o líder do Twisted Sister e o líder do Kiss. Por sermos um blog especializado em rock e conhecer bem a carreira dos dois artistas envolvidos, resolvi dar minha opinião sobre o caso. Mas, antes, vamos dar uma repaginada para quem não está por dentro do assunto.

Todo o auê começou quando Dee Snider foi até o programa de rádio Eddie Trunk Live (sim, o gordinho do That´s Metal Show) e desceu a lenha no Kiss. “Eu não entendo como as pessoas conseguem aceitar isso. Tommy Thayer, desculpe-me, é insultante. Aquilo é uma desgraça. Não apenas, está em uma banda cover do Kiss como ele está imitando o Ace. Tudo que ele faz é imitar o Ace”. Snider foi ainda mais além. “As pessoas perdoaram ‘I Was Made For Lovin´ You’ e aquilo é imperdoável. Uma porra de uma música disco. E eles estão tocando isso ao vivo. Inacreditável!”

Os músicos do Kiss ficaram quietos e deixaram a história morrer por si só. Contudo, sempre que algo vem à público corre o risco de, em algum momento, serem questionados sobre o fato. E foi o que aconteceu. Paul Stanley concedeu uma entrevista ao Chris Jericho Podcast, recentemente, e foi questionado sobre o fato. Embora seja conhecido por ser sempre educado em suas respostas, o líder do Kiss não se intimidou com Dee e devolveu na mesma moeda. “Serei direto. Nesse caso, esse cara é uma caricatura, sempre foi uma. Ele quer atenção e quer ser levado à sério e isso não acontecerá. Parece que se esqueceu que ele e sua banda são um bando de palhaços”.

Músicos já fizeram jam no passado

A partir daí, a história pegou fogo. Dee Snider escreveu uma carta aberta atacando o líder do Kiss. Essa carta tinha depoimentos como: “Caro Paul. Eu sempre tive respeito por sua banda, mas parece que isso não é mútuo. Por alguma razão, o senhor resolveu me atacar. É irônico chamar minha banda de ‘bando de palhaços’, desde que o Kiss sempre foi o rei da palhaçada. Caricatura? Mesmo? Bem... qualquer lugar, qualquer palco. Vamos fazer como nos velhos tempos. Sem fantasias, sem pirotecnias. Vamos até lá cantar. Te enterrarei”.

Por algum momento, os haters da dupla Simmons/Stanley começaram a delirar e salivar. Só que tudo começou a mudar quando o Twisted Sister se apresentou em Minnesota na última semana e o cantor começou uma série de ataques. Ao final de ‘I Wanna Rock’, o cantor declarou: “Agradeço vocês cantarem comigo, mas não sou o Vince Neil. Eu consigo cantar, cara. Saca só”. Durante o show, mandou mais um ataque: “Twisted Sister está parando e isso não é encenação. Não é uma turnê fake, assim como fez o Scorpions e o Judas Priest”. Para completar, em determinado momento do show uma camiseta com os dizeres Fuck, Paul Stanley surgiu em cima do bumbo de Mike Portnoy. (O músico está se apresentando com o grupo, já que A.J. Pero faleceu recentemente).

Todos que me conhecem bem, sabem que sou muito fã do Kiss e tenho o Paul Stanley lá em cima. Entretanto, o que muitos, talvez, não saibam é que sempre fui muito fã do Dee Snider também. Tanto no Twisted Sister, quanto no Widowmaker, como no Dezperadoz ou em sua carreira solo. Muitos estão crucificando Paul, alguns estão questionando Eddie Trunk, mas diria que o pivô da história foi mesmo Dee. Por quê?

Primeiro, parece que se esquece que ele também tem influência nas pessoas, também é uma pessoa publica e, com isso, deveria escolher melhor suas palavras. Acho que ele tem o direito de gostar do que quiser, da fase que quiser, mas ao chamar o grupo de banda cover e Tommy de cover do Ace, está criando uma nova guerra entre fãs. Os dois grupos possuem milhares de fãs em comum. Não sou o único. E está desrespeitando o trabalho do grupo, portanto aquele papo ‘sempre respeitei sua banda’ não é real. Os caras são colegas de profissão. Já chegaram até a cantar juntos no mesmo palco. Deveria deixar esse papinho para os haters da internet e discutir o assunto de forma mais madura.

Guitarrista do Twisted Sister exibindo camiseta no show

Tudo piora, quando surge no palco com camiseta, ataca grupos que não tem nada a ver com o rolo e chama o cantor para um duelo. Atitudes infantis demais para um rapaz de 60 anos. Isso tudo só dá força para o starchild quando diz que o cara quer atenção. Mike Portnoy fez um depoimento dizendo que a camiseta surgiu do publico e que por alguma razão foi parar na bateria. A real? Surgiu porque alguém colocou lá. E durante o show? Ou foi algum musico ou algum roadie (que trabalha para os músicos). Esse papo que surgiu da platéia também não diz muita coisa. A banda pode ter plantado alguém lá para jogar a camiseta para eles. Historia até comum no universo da música. Para piorar, vários fãs andam dizendo que foram ofendidos pelo músico no twitter. Porra, Dee! Está parecendo a Joelma...

Paul Stanley, mais uma vez, está quieto. Enquanto Dee Snider vem fazendo posts atrás de posts provocando o músico (basta acessar sua página do Facebook), Paul Stanley está fazendo posts atrás de posts, na mesma rede social, divulgando seu novo projeto musical: Soul Station. Tudo bem que ele poderia ter pego um pouco mais leve nas palavras, mas não vamos nos esquecer que foi provocado antes. Parece que Snider se esquece que o mundo não gira ao seu redor. Que sempre que você ataca alguém publicamente, existe a chance desse alguém se defender na mesma moeda. E, em resumo, foi o que aconteceu. Espero que os ataques terminem em breve e os músicos voltem a se focar naquilo em que são verdadeiros mestres: rrrrrrock. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Vocalistas do Delain e Serenity se unem em projeto

Charlotte Wessels e Georg Neuhauser
Charlotte Wessels, do Delain, e Georg Neuhauser, do Serenity, se uniram ao guitarrista e produtor Oliver Philipps em um novo projeto músical, intitulado Phantasma. Segundo release divulgado pela gravadora Napalm Records e pela página do projeto no facebook, o grupo irá lançar um disco conceitual, com uma historia escrita pela própria Charlotte, no dia 20 de novembro. A versão deluxe do álbum ainda terá como bônus um audiobook com a historia lida por Charlotte. Veja capa e tracklist do projeto:


01. Incomplete
02. The Deviant Hearts (Give us a Story)
03. Runaway Grey
04. Try
05. Enter Dreamscape
06. Miserable Me
07. The Lotus And The Willow
08. Crimson Course
09. Carry Me Home
10. The Sound Of Fear
11. Novaturient
12. Let It Die
13. Symphony of Light (Bonus Track)

Serenity está trabalhando em novo álbum

Falando na banda austríaca, eles também estão com trabalho novo em andamento. A banda postou recentemente um vídeo no estúdio com um trecho do que pode ser uma música nova avisando do andamento das gravações. Esse será o quinto álbum da banda. No começo do ano a banda havia anunciado as saídas de Clementine Delauney, que fazia os vocais femininos, e do guitarrista Thomas Buchberger. A primeira se juntou ao Visions of Atlantis, enquanto o segundo seguirá participando apenas na parte criativa da banda.

Epica cancela parte de turnê norte-americana

Epica deve retomar a turnê no dia 18
Ainda no mundo do metal sinfônico, o Epica se viu obrigado a cancelar quatro datas da turnê norte-americana que estão fazendo ao lado do Eluveitie e The Agonist. Isso porque a vocalista Simone Simons precisou retornar ao seu país para resolver problemas de saúde envolvendo seu pai. A banda já estava sem o tecladista Coen Janssen, que se ausentou nessa turnê para acompanhar a mulher, que passa por um tratamento contra o câncer de mama. O Eluveitie e o Agonist irão cumprir as datas normalmente.

Documentario Sonic Highways do Foo Fighters vence dois premios Emmy

Dave Grohl no cartaz do documentário
O documentário produzido pela banda em parceria com a HBO recebeu duas premiações na 67ª edição do Emmy Awards, principal prêmio de TV do mundo, ocorrido no último dia 12. O projeto foi o vencedor em duas categorias técnicas, melhor edição de som e mixagem de som em serie de não-ficção. O documentário também havia sido indicado em outras duas categorias. Dave Grohl confirmou recentemente que haverá uma segunda temporada da série.

Angra fará show com participação especial de Edu Falaschi

Edu Falaschi
No dia 07 de novembro, o Angra se apresentará em São Paulo em show da turnê do álbum “Secret Garden”, lançado no começo do ano. Quem for conferir a apresentação poderá ver um reencontro interessante. A banda anunciou que o ex-vocalista do grupo, Edu Falaschi, que deixou a banda em 2012, irá fazer uma participação especial no show. A ideia é confraternizar celebrando alguns dos clássicos do período de Edu na banda. Atualmente, Falaschi é o vocalista do Almah.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Titãs – Nheengatu Ao Vivo (2015):



Por Davi Pascale

Titãs lança seu sexto álbum ao vivo. Com repertório focado em seu mais recente trabalho de estúdio, álbum está bem gravado e traz sonoridade pesada.

Depois da explosão do Acustico MTV, o Titãs deu uma suavizada no seu som e na sua postura. Essa atitude, obviamente, enfureceu aqueles que acompanhavam o grupo desde antes de realizar o especial para a emissora. Em seu mais recente álbum, Nheengatu, a banda resgatou vários elementos que estavam meio que perdidos. A sujeira da guitarra, a ironia, as críticas político-sociais...

Crítica político-social? Sim. “Fardado”, por exemplo, fala sobre abuso policial e teve como inspiração as manifestações ocorridas em 2013, conforme já reconhecido pelo vocalista Sérgio Britto. Portanto, é no mínimo surreal a postura de Paulo Miklos no concerto realizado em Cuiabá no mês passado. Uma banda com uma letra como essa ou de “Vossa Excelência”, ambas presentes no repertório da turnê, vir com papo de “democracia acima de tudo” e demonstrar indignação com parte da plateia gritando “Fora, Dilma” é, no mínimo, incoerente. Não acho que exista a necessidade do grupo fazer discurso político entre as canções, mas não deveriam se importar com a manifestação do público. Esse tipo de atitude me faz questionar até onde estão sendo verdadeiros em suas composições e até onde é um jogo de interesse...

O novo show dos Titãs demonstra que realmente estão querendo resgatar a sonoridade dos seus tempos de ouro. Além das canções de Nheengatu, estão presentes no repertório faixas dos discos Televisão, Cabeça Dinossauro, Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas e Domingo. Álbuns que - ao lado de Tudo Ao Mesmo Tempo Agora, Blesq Blom e Titanomaquia – representam o período mais rock n roll do grupo. Tudo isso depois de um projeto onde eles resgatavam o clássico álbum de 1986. Pelo menos no som, a atitude voltou.

Banda entrega show bem rock n´ roll

Já tem um tempo que os músicos optaram por não utilizar mais músicos de apoio em seus shows, com exceção do baterista Mario Fabre. Branco Mello assumiu as 4 cordas, enquanto Paulo Miklos ficou responsável pela guitarra base. No início, muitos começaram a questionar a decisão. Os Titãs que sempre foram conhecidos por serem uma ótima banda ao vivo, começou a realizar umas performances bem medianas. Isso, contudo, ficou no passado. A banda está muito bem entrosada. A parte vocal também está redonda.

Ainda não tive a oportunidade de assistir o DVD do show, que conta com um repertório maior, mas as músicas aqui rolam sem muito intervalo. É praticamente som atrás de som. Um dos poucos momentos é onde Paulo Miklos faz um depoimento. Uma homenagem irônica aos políticos (ah, vai...). Antes de “Vossa Excelência” e depois de “Desordem”. Engraçado que no polêmico concerto, ele disse que não tocavam a música desde 1987, mas iriam tocar por conta do momento. E o show desse disco foi gravado em Abril. Sem contar que haviam regravado no álbum Volume Dois (1998). Mas é um fanfarrão mesmo...

Embora tenha rolado essa bola fora no início da turnê, o show registrado aqui é excelente. Bem gravado, bem tocado, com uma banda olhando para frente. Pode comprar sem medo. Em relação à banda, da próxima vez não digam nada, só toquem!

Nota: 8,0 / 10,0
Status: Bem gravado

Faixas:
      01)   Fardado
      02)   Cadáver Sobre Cadáver
      03)   Chegada ao Brasil (Terra à Vista)
      04)   Massacre
      05)   Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas
      06)   Baião de Dois
      07)   Pela Paz
      08)   Quem São Os Animais?
      09)   República dos Bananas
      10)   Mensageiro da Desgraça
      11)   Fala, Renata
      12)   Desordem
      13)   Vossa Excelência
      14)   Televisão

domingo, 13 de setembro de 2015

Hollywood Vampires – Hollywood Vampires (2015)

Por Rafael Menegueti

Hollywood Vampires - Hollywood Vampires
Na década de 70, um grupo de notáveis músicos costumava se reunir em um bar de Los Angeles chamado Rainbow Bar, para beber, jogar conversa fora e se divertir. Essas reuniões históricas envolveram nomes como Alice Cooper, John Lennon, Keith Moon, Ringo Starr, Harry Nilsson, entre outros que apareciam ocasionalmente. O grupinho de amigos acabou ficando conhecido como os “Hollywood Vampires”.

Agora, um disco em tributo a essas reuniões está sendo lançado, com uma banda que recebeu o mesmo nome, e nomes não menos brilhantes para formá-la. O disco do Hollywood Vampires é definitivamente um dos mais aguardados do ano. E o resultado é exatamente o esperado: fantástico.

O disco todo soa como uma grande jam, onde vários grandes nomes se reúnem para tocar alguns clássicos do rock com energia e inspiração únicas. No line-up, um timaço: Alice Cooper e o ator Johhny Depp nas guitarras são os únicos presentes em todas as faixas, daí juntam-se a eles só gente boa. Joe Perry (Aerosmith), Paul McCartney, Slash, Brian Johnson (AC/DC), Dave Grohl, Perry Farrell, a lista é grande.

O clima do disco é mesmo de descontração. Começa com uma locução de Sir Christopher Lee, ator e músico falecido nesse ano. Em sua ultima participação em um disco, ele abre o caminho para “Raise the Dead”, uma das faixas originais do disco, que soa como uma boa lembrança do rock dos anos 70. Logo em seguida, dois clássicos absolutos: “My Generation”, do The Who, soa tão empolgante quanto a versão original.  Já “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, ganhou arranjos mais pesados e intensos, com a presença de cinco guitarristas, entre eles a australiana Orianthi, Joe Walsh e Tommy Henriksen, esse último também aparecendo bastante em varias faixas, e Brian Johnson dividindo os vocais com Cooper.

Da esq. pra dir.: Abe Laboriel, Johnny Depp, Paul McCartney, Alice Copper e Joe Perry
O segundo dueto de Cooper vem na faixa “I Got A Line On You”, ao lado de Perry Farrell (Jane’s Addition), sendo essa uma cover da banda Spirit. É bem interessante, sendo uma faixa menos conhecida do que as outras. Em seguida um medley com duas faixas do The Doors, “Five to One” e “Break On Through (To The Other Side)” mostram a ótima forma de Alice Cooper, que faz uma interpretação perfeita das canções. Outro medley, dessa vez das canções “One” e “Jump Into the Fire” de Harry Nilsson, volta a trazer a parceria de Cooper com Perry Farrell. Outro tempero da faixa está na bateria feroz de Dave Grohl.

Então vem talvez um dos melhores momentos do disco, quando Paul McCartney surge em “Come and Get It”, cantando e tocando o baixo e piano. A composição de autoria dele era pra ter aparecido em “Abbey Road, mas acabou sendo gravada pelo Badfinger. Joe Perry também aparece nessa gravação. Nesse disco ela aparece com destaque, mesmo sendo rapidinha. “Jeepster” é outra cover de um clássico, dessa vez do T-Rex, bem dançante e carismática. John Lennon também marca presença quando sua música “Cold Turkey” é executada, mantendo a boa vibração da versão original.

Chegando perto do final do disco, “Manic Depression” de Jimi Hendrix tem um Zak Starkey inspirado na bateria e destaca Joe Walsh na guitarra. “Itchycoo Park”, do Small Faces ficou mais suja e selvagm do que a versão original, de 1967. Uma interessante mistura surge no medley de “Schools Out”, do próprio Alice Cooper, com “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd, mais uma vez trazendo Brian Johnson à frente. A festa termina com mais uma canção original, “My Dead Drunk Friends”, um blues rock sujo com clima descontraído de bebedeira.

O Hollywood Vampires cumpriu o que prometia quando foi anunciado. A grande reunião do rock é um dos melhores e mais divertidos álbuns de 2015. Desde o excelente repertorio até a boa seleção de astros pra fazer parte do trabalho, além das canções originais, o resultado foi incrível. Eles virão ao Rock In Rio, com uma formação que consiste de Alice Cooper, Joe Perry e Johnny Depp nas guitarras, além de Tommy Henriksen e dos ex-Guns ‘N Roses Duff Mckagan e Matt Sorum. Se antes havia a dúvida, agora temos a certeza de que esse show será simplesmente imperdível.



Nota: 10/10
Status: Divertido e alucinante

Faixas:
01. The Last Vampire
02. Raise The Dead
03. My Generation
04. Whole Lotta Love
05. I Got A Line On You
06. Five To One/Break On Through (To The Other Side)
07. One/Jump Into The Fire
08. Come And Get It
09. Jeepster
10. Cold Turkey
11. Manic Depression
12. Itchycoo Park
13. School's Out/Another Brick In The Wall

14. My Dead Drunk Friends 

sábado, 12 de setembro de 2015

Slayer – Repentless (2015):





Por Davi Pascale

Slayer lança mais um petardo. Em seu primeiro trabalho sem Jeff Hanneman, quarteto demonstra que ainda tem lenha para queimar e lança um dos melhores trabalhos de 2015.

Os últimos anos do Slayer renderiam uma minissérie. Nos últimos anos, passamos pela doença e afastamento de Hanneman. A morte do rapaz. Gary Holt dizendo que seria apenas substituto, mas sendo declarado membro efetivo tempos depois. Dave Lombardo saindo grupo novamente. Paul Bostaph retornando. Emoção atrás de emoção, diz aí...

O mais bacana de tudo é que Kerry King não deixou o nível da musicalidade cair. Sim, ele é o cabeça do novo projeto. O guitarrista do Exodus não teve liberdade para compor e sua participação no disco se restringiu à gravação de alguns solos para o disco.

Polêmicas à parte, Slayer continua fazendo o que sabe fazer de melhor. Heavy metal agressivo, direto e empolgante. Se em tempos passados, os músicos se aventuraram em novos horizontes musicais, como no sempre polêmico Diabulous In Musica, aqui seguem à risca sua velha fórmula: Tom Araya cantando como se o mundo estivesse prestes à acabar, bateria rápida, riffs sombrios e solos velozes. Slayer sendo Slayer.

Disco é empolgante, mas Gary Holt aparece pouco

Paul Bostaph fez seu melhor trabalho desde Divine Intervention. O rapaz está espancando o instrumento sem dó. Jeff Hanneman é lembrado em “Piano Wire” – uma composição inédita do rapaz – e na letra de “Chasing Death”. Lembra que o Ozzy fez uma homenagem à Bon Scott escrevendo uma canção sobre alcoolismo no Blizzard Of Ozz? Mesma idéia por aqui...

A já citada “Piano Wire” nos leva de volta ao Seasons The Abyss com aquele som porrada mais cadenciado. “Repentless” abre o álbum e segue a linha de “World Painted Blood”. Veloz, direta, agressiva. “Cast The Stone” tem um arranjo um pouco mais arrastado, sombrio, remetendo um pouco à “Gemini”. “When The Stillnes Comes” e “Atrocity Vendor” possuem riffs que nos remetem ao velho Slayer. O disco, contudo, de uma maneira geral, me remeteu muito ao Christ Illusion.

Próximo à 40 minutos de som, os garotos da California não deixam espaço para respirar. Porrada atrás de porrada. Podem até questionar não terem dado espaço para Holt – músico que já toca com eles há alguns anos e que quando entrou no Slayer já era um veterano na cena. Podem questionar a falta de novidades. Mas não dá para questionar a qualidade do som dos caras, nem das composições desse disco. Kerry King demonstrou que sabe melhor do que ninguém o que seus fãs querem ouvir. Slayer não reinventou a roda, mas manteve sua vitalidade. Simplesmente, um dos álbuns mais empolgantes de 2015. Ouça no talo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Delusions of Saviour
      02)   Repentless
      03)   Take Control
      04)   Vices
      05)   Cast The First Stone
      06)   When The Stillness Comes
      07)   Chasing Death
      08)   Implode
      09)   Piano Wire
      10)   Atrocity Vendor
      11)   You Against You
      12)   Pride In Prejudice

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Música comentada: The Offspring – Pretty Fly (For A White Guy)

Por Rafael Menegueti

The Offspring
Em 1998, o Offspring lançou o álbum “Americana”, que foi uma verdadeira fábrica de hits. O disco é considerado um dos melhores do grupo, ao lado de “Smash”, de 1994, mas é nele que varias das musicas mais famosas do quarteto californiano podem ser encontradas, entre elas “The Kids Aren´t Alright”, “She´s Got Issues”, “Why Don’t You Get A Job?” e “Pretty Fly (For A White Guy)”, da qual falarei agora.

A faixa foi a mais baixada da historia da internet na época, com mais de 22 milhões de downloads. E claramente é o maior hit que a banda já lançou, sendo reconhecida facilmente sempre que é tocada. Isso porque “Pretty Fly” tinha algo a mais além do punk rock que o The Offspring sempre apresentou.

Assim como varias de suas músicas, essa tem uma letra e sonoridade bem descontraída. Ela começa com um sample retirado da faixa “Rock of Ages”, do Def Leppard. Trata-se da introdução que diz “gunter glieben glauchen globen”, que significa... nada! Essa frase é uma tentativa de imitar alemão, usada apenas para substituir o “one two three four” para começar a música.

Na letra, os caras zombam da molecada que, na época, queria parecer legal imitando os gangsta rappers, mas não conseguiam e só passavam vergonha. Com tudo isso, claro que a faixa ganhou um videoclipe a altura, bem humorado e que ficou tão popular quanto a música que ele mostra.


"Give it to me baby, a-ha, a-ha!"
And all the girls say I'm pretty fly (for a white guy)

You know it's kind of hard just to get along today
Our subject isn't cool but he fakes it anyway
He may not have a clue, and he may not have style
But everything he lacks, well, he makes up in denial

So don't debate, play it straight
You know he really doesn't get it anyway
He's gonna play the field, and keep it real
For you no way, for you no way
So if you don't rate, just overcompensate
At least you'll know you can always go on Ricki Lake
The world needs wannabes
So hey, hey do that brand new thing

He needs some cool tunes, not just any will suffice
But they didn't have Ice Cube so he bought Vanilla Ice
Now cruising in his Pinto he sees homies as he pass
But if he looks twice they're gonna kick his lily ass

Dê isso para mim baby, a-ha, a-ha!
E todas as garotas falam que sou bem legal (pra um cara branco)

Você sabe como é duro se dar bem hoje em dia
O sujeito não é legal mas ele finge assim mesmo
Ele talvez não tenha nem idéia e talvez ele não tenha estilo
Mas tudo que lhe falta ele compensa negando

Então não discuta, jogue direto
Você sabe que ele não se liga mesmo
Ele vai sair com muitas na real
Pra você sem chance, pra você sem chance
Então se você não se classifica, apenas compense
Ao menos você saberá que sempre pode ir na ricki lake (programa de auditório)
Mundo precisa de imitadores
Então faça aquela coisa nova

Ele precisa de uns sons legais, qualquer um não será suficiente
Mas eles não tinham Ice Cube então ele comprou Vanilla Ice
Agora dirigindo o seu carro, ele vê a galera enquanto passa
Mas se ele olhar duas vezes eles vão lhe dar uma surra de doer

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Kiss – 40 Anos de Kiss Alive!



Por Davi Pascale

O primeiro álbum ao vivo do Kiss é um marco na carreira da banda e um marco para o selo Casablanca. Quando gravaram esse LP, o grupo estava prestes a perder seu contrato e o selo estava com sérias dificuldades financeiras. Tudo mudaria com o sucesso inesperado do disco...

Muitos artistas resolvem gravar um trabalho ao vivo para celebrar um momento especial ou para cumprirem contrato. Para ganharem um pouco mais de tempo para compor novas músicas. No caso do Kiss, o que levou eles a criarem esse projeto foi o fato que tinham mais um disco para cumprir e pouco dinheiro para gastar. Os três primeiros vinis do grupo não tinham vendido bem. Em torno de 150.000 cópias. Se hoje, essa marca é considerada uma benção, na época era um fracasso. As vendas não garantiam que o grupo se aventurasse como numero principal de sua turnê e seus shows tinham um custo alto por conta dos recursos visuais que utilizavam no palco. Estavam sempre no limite. Não era raro os músicos completarem a verba com grana conseguida através de trabalhos paralelos. Após o lançamento de três LPS – os hoje clássicos Kiss, Hotter Than Hell e Dressed to Kill – os músicos não passavam de uma promessa. Seu contrato inicial era de 4 discos.

A banda achava que seus álbuns não capturavam a energia que tinham no palco. Por conta disso, resolveram pedir para que o rapaz que produziu a primeiro demo do conjunto, produzisse o trabalho ao vivo. Um rapaz chamado Eddie Kramer. O produtor havia acabado de receber a fita demo de um conjunto que acreditava ter um enorme potencial, mas decidiu trabalhar no disco do Kiss, por considerar o projeto mais desafiador. A banda em questão era o Boston. Um ano depois, o debut dos rapazes seria lançado batendo recorde de vendas e emplacando a canção “More Than a Feeling” no topo das paradas.

Banda apostava em LP duplo para dar um up na carreira

É muito comum que retoques sejam feitos em discos ao vivo. Com o Kiss não foi diferente. Existem muitas pessoas que dizem que o álbum foi todo feito em estúdio. Embora haja inúmeras correções, essa acusação é falsa. Até porque uma das opções pelo trabalho ao vivo era, justamente, economizar dinheiro. E o disco era duplo.  O dinheiro que eles iriam gastar regravando nota por nota no estúdio, gravariam um novo disco de carreira. 

Há sim, contudo, correções em estúdio. Principalmente, nas partes vocais do Paul Stanley que já tocava pulando na frente do microfone e, com isso, muitas falas se perdiam ou eram capturadas com um volume muito baixo. A pirotecnia também fez necessário com que regravassem alguns trechos. Em alguns momentos, o som dos efeitos cobria a banda e colocar algo assim no mercado, seria considerado tosco. Ironicamente, Ace Frehley e Peter Criss, que são os mais atacados por quem não é fã do grupo, foram os que menos corrigiram imperfeições.

Houve, contudo, alguns truques de mixagem. Para criarem esse disco, utilizaram gravações de 5 shows diferentes. Algumas músicas foram feitas overdubs misturando dois shows.  “She”, “Parasite” e “Let Me Go, Rock n´ Roll”, por exemplo, misturavam performances de Daveport e Cobo Hall na mesma faixa. Também utilizaram truques na sonoridade do publico. Os shows foram gravados direto da mesa de som. Com isso, o publico pega muito pouco. E o Kiss interage muito com a platéia. Nas horas das brincadeiras que o Starchild fazia com a platéia, a gravação soava mais como um ensaio do que uma apresentação. Por isso, foram realizados alguns overdubs na parte do público.

Outra curiosidade interessante é que a foto da capa não foi criada em um show. Essa foi a primeira imagem que o diretor de arte Dennis Woloch criou para a banda. O rapaz continuaria ao lado dos músicos até 1987. Os músicos queriam uma imagem de concerto, mas não uma imagem qualquer. Queriam o retrato perfeito. Enquanto os roadies montavam o palco para a apresentação da banda no Cobo Hall, os músicos subiram ao palco do Michigan Palace e começaram a tocar em um teatro vazio para que a foto fosse capturada como gostariam.

Imagens do LP da época

Como o Kiss gosta de fazer tudo com o máximo de atenção, mesmo sem ter um grande hit, prensaram um álbum duplo. Algo, sem duvidas, ousado. E como se não bastasse, o LP da época acompanhava um book de 8 paginas com fotos dos shows. Para os fãs, genial. Para a gravadora, naquele momento, nem tanto. Gene Simmons acabou desembolsando parte do dinheiro para que o produto fosse lançado como gostaria. Para a sorte dos músicos, que sonhavam em vender 350.000 cópias, o LP estourou vendendo 9.000.000 de cópias e fazendo com que o grupo finalmente se transformasse em mega-estrelas e saíssem em uma turnê solo. Se alguém duvidava do sucesso dos rapazes, essa duvida foi embora quando o Blue Oyster Cult começou a abrir shows do Kiss, sendo que algum tempo antes havia acontecido o inverso.

Lançado em 10 de Setembro de 1975, Kiss Alive! é um marco na carreira do Kiss, um marco na história do Casablanca e um marco para inúmeras gerações de ouvintes e músicos. Disco que fez não apenas com que o grupo atingisse o estrelato, mas que inspirou inúmeros novos grupos ao redor do planeta. Vários garotos resolveram comprar uma guitarra e formar uma banda após ouvir esse trabalho. Audição obrigatória!

Faixas:
Disco 1:
      01)   Deuce
      02)   Strutter
      03)   Got To Choose
      04)   Hotte Than Hell
      05)   Firehouse
      06)   Nothin´ To Lose
      07)   C´mon And Love Me
      08)   Parasite
      09)   She

Disco 2:
      01)   Watchin´ You
      02)   100.000 Years
      03)   Black Diamond
      04)   Rock Bottom
      05)   Cold Gin
      06)   Rock n´ Roll All Nite
07)   Let Me Go, Rock n´ Roll