domingo, 13 de setembro de 2015

Hollywood Vampires – Hollywood Vampires (2015)

Por Rafael Menegueti

Hollywood Vampires - Hollywood Vampires
Na década de 70, um grupo de notáveis músicos costumava se reunir em um bar de Los Angeles chamado Rainbow Bar, para beber, jogar conversa fora e se divertir. Essas reuniões históricas envolveram nomes como Alice Cooper, John Lennon, Keith Moon, Ringo Starr, Harry Nilsson, entre outros que apareciam ocasionalmente. O grupinho de amigos acabou ficando conhecido como os “Hollywood Vampires”.

Agora, um disco em tributo a essas reuniões está sendo lançado, com uma banda que recebeu o mesmo nome, e nomes não menos brilhantes para formá-la. O disco do Hollywood Vampires é definitivamente um dos mais aguardados do ano. E o resultado é exatamente o esperado: fantástico.

O disco todo soa como uma grande jam, onde vários grandes nomes se reúnem para tocar alguns clássicos do rock com energia e inspiração únicas. No line-up, um timaço: Alice Cooper e o ator Johhny Depp nas guitarras são os únicos presentes em todas as faixas, daí juntam-se a eles só gente boa. Joe Perry (Aerosmith), Paul McCartney, Slash, Brian Johnson (AC/DC), Dave Grohl, Perry Farrell, a lista é grande.

O clima do disco é mesmo de descontração. Começa com uma locução de Sir Christopher Lee, ator e músico falecido nesse ano. Em sua ultima participação em um disco, ele abre o caminho para “Raise the Dead”, uma das faixas originais do disco, que soa como uma boa lembrança do rock dos anos 70. Logo em seguida, dois clássicos absolutos: “My Generation”, do The Who, soa tão empolgante quanto a versão original.  Já “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, ganhou arranjos mais pesados e intensos, com a presença de cinco guitarristas, entre eles a australiana Orianthi, Joe Walsh e Tommy Henriksen, esse último também aparecendo bastante em varias faixas, e Brian Johnson dividindo os vocais com Cooper.

Da esq. pra dir.: Abe Laboriel, Johnny Depp, Paul McCartney, Alice Copper e Joe Perry
O segundo dueto de Cooper vem na faixa “I Got A Line On You”, ao lado de Perry Farrell (Jane’s Addition), sendo essa uma cover da banda Spirit. É bem interessante, sendo uma faixa menos conhecida do que as outras. Em seguida um medley com duas faixas do The Doors, “Five to One” e “Break On Through (To The Other Side)” mostram a ótima forma de Alice Cooper, que faz uma interpretação perfeita das canções. Outro medley, dessa vez das canções “One” e “Jump Into the Fire” de Harry Nilsson, volta a trazer a parceria de Cooper com Perry Farrell. Outro tempero da faixa está na bateria feroz de Dave Grohl.

Então vem talvez um dos melhores momentos do disco, quando Paul McCartney surge em “Come and Get It”, cantando e tocando o baixo e piano. A composição de autoria dele era pra ter aparecido em “Abbey Road, mas acabou sendo gravada pelo Badfinger. Joe Perry também aparece nessa gravação. Nesse disco ela aparece com destaque, mesmo sendo rapidinha. “Jeepster” é outra cover de um clássico, dessa vez do T-Rex, bem dançante e carismática. John Lennon também marca presença quando sua música “Cold Turkey” é executada, mantendo a boa vibração da versão original.

Chegando perto do final do disco, “Manic Depression” de Jimi Hendrix tem um Zak Starkey inspirado na bateria e destaca Joe Walsh na guitarra. “Itchycoo Park”, do Small Faces ficou mais suja e selvagm do que a versão original, de 1967. Uma interessante mistura surge no medley de “Schools Out”, do próprio Alice Cooper, com “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd, mais uma vez trazendo Brian Johnson à frente. A festa termina com mais uma canção original, “My Dead Drunk Friends”, um blues rock sujo com clima descontraído de bebedeira.

O Hollywood Vampires cumpriu o que prometia quando foi anunciado. A grande reunião do rock é um dos melhores e mais divertidos álbuns de 2015. Desde o excelente repertorio até a boa seleção de astros pra fazer parte do trabalho, além das canções originais, o resultado foi incrível. Eles virão ao Rock In Rio, com uma formação que consiste de Alice Cooper, Joe Perry e Johnny Depp nas guitarras, além de Tommy Henriksen e dos ex-Guns ‘N Roses Duff Mckagan e Matt Sorum. Se antes havia a dúvida, agora temos a certeza de que esse show será simplesmente imperdível.



Nota: 10/10
Status: Divertido e alucinante

Faixas:
01. The Last Vampire
02. Raise The Dead
03. My Generation
04. Whole Lotta Love
05. I Got A Line On You
06. Five To One/Break On Through (To The Other Side)
07. One/Jump Into The Fire
08. Come And Get It
09. Jeepster
10. Cold Turkey
11. Manic Depression
12. Itchycoo Park
13. School's Out/Another Brick In The Wall

14. My Dead Drunk Friends 

sábado, 12 de setembro de 2015

Slayer – Repentless (2015):





Por Davi Pascale

Slayer lança mais um petardo. Em seu primeiro trabalho sem Jeff Hanneman, quarteto demonstra que ainda tem lenha para queimar e lança um dos melhores trabalhos de 2015.

Os últimos anos do Slayer renderiam uma minissérie. Nos últimos anos, passamos pela doença e afastamento de Hanneman. A morte do rapaz. Gary Holt dizendo que seria apenas substituto, mas sendo declarado membro efetivo tempos depois. Dave Lombardo saindo grupo novamente. Paul Bostaph retornando. Emoção atrás de emoção, diz aí...

O mais bacana de tudo é que Kerry King não deixou o nível da musicalidade cair. Sim, ele é o cabeça do novo projeto. O guitarrista do Exodus não teve liberdade para compor e sua participação no disco se restringiu à gravação de alguns solos para o disco.

Polêmicas à parte, Slayer continua fazendo o que sabe fazer de melhor. Heavy metal agressivo, direto e empolgante. Se em tempos passados, os músicos se aventuraram em novos horizontes musicais, como no sempre polêmico Diabulous In Musica, aqui seguem à risca sua velha fórmula: Tom Araya cantando como se o mundo estivesse prestes à acabar, bateria rápida, riffs sombrios e solos velozes. Slayer sendo Slayer.

Disco é empolgante, mas Gary Holt aparece pouco

Paul Bostaph fez seu melhor trabalho desde Divine Intervention. O rapaz está espancando o instrumento sem dó. Jeff Hanneman é lembrado em “Piano Wire” – uma composição inédita do rapaz – e na letra de “Chasing Death”. Lembra que o Ozzy fez uma homenagem à Bon Scott escrevendo uma canção sobre alcoolismo no Blizzard Of Ozz? Mesma idéia por aqui...

A já citada “Piano Wire” nos leva de volta ao Seasons The Abyss com aquele som porrada mais cadenciado. “Repentless” abre o álbum e segue a linha de “World Painted Blood”. Veloz, direta, agressiva. “Cast The Stone” tem um arranjo um pouco mais arrastado, sombrio, remetendo um pouco à “Gemini”. “When The Stillnes Comes” e “Atrocity Vendor” possuem riffs que nos remetem ao velho Slayer. O disco, contudo, de uma maneira geral, me remeteu muito ao Christ Illusion.

Próximo à 40 minutos de som, os garotos da California não deixam espaço para respirar. Porrada atrás de porrada. Podem até questionar não terem dado espaço para Holt – músico que já toca com eles há alguns anos e que quando entrou no Slayer já era um veterano na cena. Podem questionar a falta de novidades. Mas não dá para questionar a qualidade do som dos caras, nem das composições desse disco. Kerry King demonstrou que sabe melhor do que ninguém o que seus fãs querem ouvir. Slayer não reinventou a roda, mas manteve sua vitalidade. Simplesmente, um dos álbuns mais empolgantes de 2015. Ouça no talo!

Nota: 9,0 / 10,0
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Delusions of Saviour
      02)   Repentless
      03)   Take Control
      04)   Vices
      05)   Cast The First Stone
      06)   When The Stillness Comes
      07)   Chasing Death
      08)   Implode
      09)   Piano Wire
      10)   Atrocity Vendor
      11)   You Against You
      12)   Pride In Prejudice

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Música comentada: The Offspring – Pretty Fly (For A White Guy)

Por Rafael Menegueti

The Offspring
Em 1998, o Offspring lançou o álbum “Americana”, que foi uma verdadeira fábrica de hits. O disco é considerado um dos melhores do grupo, ao lado de “Smash”, de 1994, mas é nele que varias das musicas mais famosas do quarteto californiano podem ser encontradas, entre elas “The Kids Aren´t Alright”, “She´s Got Issues”, “Why Don’t You Get A Job?” e “Pretty Fly (For A White Guy)”, da qual falarei agora.

A faixa foi a mais baixada da historia da internet na época, com mais de 22 milhões de downloads. E claramente é o maior hit que a banda já lançou, sendo reconhecida facilmente sempre que é tocada. Isso porque “Pretty Fly” tinha algo a mais além do punk rock que o The Offspring sempre apresentou.

Assim como varias de suas músicas, essa tem uma letra e sonoridade bem descontraída. Ela começa com um sample retirado da faixa “Rock of Ages”, do Def Leppard. Trata-se da introdução que diz “gunter glieben glauchen globen”, que significa... nada! Essa frase é uma tentativa de imitar alemão, usada apenas para substituir o “one two three four” para começar a música.

Na letra, os caras zombam da molecada que, na época, queria parecer legal imitando os gangsta rappers, mas não conseguiam e só passavam vergonha. Com tudo isso, claro que a faixa ganhou um videoclipe a altura, bem humorado e que ficou tão popular quanto a música que ele mostra.


"Give it to me baby, a-ha, a-ha!"
And all the girls say I'm pretty fly (for a white guy)

You know it's kind of hard just to get along today
Our subject isn't cool but he fakes it anyway
He may not have a clue, and he may not have style
But everything he lacks, well, he makes up in denial

So don't debate, play it straight
You know he really doesn't get it anyway
He's gonna play the field, and keep it real
For you no way, for you no way
So if you don't rate, just overcompensate
At least you'll know you can always go on Ricki Lake
The world needs wannabes
So hey, hey do that brand new thing

He needs some cool tunes, not just any will suffice
But they didn't have Ice Cube so he bought Vanilla Ice
Now cruising in his Pinto he sees homies as he pass
But if he looks twice they're gonna kick his lily ass

Dê isso para mim baby, a-ha, a-ha!
E todas as garotas falam que sou bem legal (pra um cara branco)

Você sabe como é duro se dar bem hoje em dia
O sujeito não é legal mas ele finge assim mesmo
Ele talvez não tenha nem idéia e talvez ele não tenha estilo
Mas tudo que lhe falta ele compensa negando

Então não discuta, jogue direto
Você sabe que ele não se liga mesmo
Ele vai sair com muitas na real
Pra você sem chance, pra você sem chance
Então se você não se classifica, apenas compense
Ao menos você saberá que sempre pode ir na ricki lake (programa de auditório)
Mundo precisa de imitadores
Então faça aquela coisa nova

Ele precisa de uns sons legais, qualquer um não será suficiente
Mas eles não tinham Ice Cube então ele comprou Vanilla Ice
Agora dirigindo o seu carro, ele vê a galera enquanto passa
Mas se ele olhar duas vezes eles vão lhe dar uma surra de doer

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Kiss – 40 Anos de Kiss Alive!



Por Davi Pascale

O primeiro álbum ao vivo do Kiss é um marco na carreira da banda e um marco para o selo Casablanca. Quando gravaram esse LP, o grupo estava prestes a perder seu contrato e o selo estava com sérias dificuldades financeiras. Tudo mudaria com o sucesso inesperado do disco...

Muitos artistas resolvem gravar um trabalho ao vivo para celebrar um momento especial ou para cumprirem contrato. Para ganharem um pouco mais de tempo para compor novas músicas. No caso do Kiss, o que levou eles a criarem esse projeto foi o fato que tinham mais um disco para cumprir e pouco dinheiro para gastar. Os três primeiros vinis do grupo não tinham vendido bem. Em torno de 150.000 cópias. Se hoje, essa marca é considerada uma benção, na época era um fracasso. As vendas não garantiam que o grupo se aventurasse como numero principal de sua turnê e seus shows tinham um custo alto por conta dos recursos visuais que utilizavam no palco. Estavam sempre no limite. Não era raro os músicos completarem a verba com grana conseguida através de trabalhos paralelos. Após o lançamento de três LPS – os hoje clássicos Kiss, Hotter Than Hell e Dressed to Kill – os músicos não passavam de uma promessa. Seu contrato inicial era de 4 discos.

A banda achava que seus álbuns não capturavam a energia que tinham no palco. Por conta disso, resolveram pedir para que o rapaz que produziu a primeiro demo do conjunto, produzisse o trabalho ao vivo. Um rapaz chamado Eddie Kramer. O produtor havia acabado de receber a fita demo de um conjunto que acreditava ter um enorme potencial, mas decidiu trabalhar no disco do Kiss, por considerar o projeto mais desafiador. A banda em questão era o Boston. Um ano depois, o debut dos rapazes seria lançado batendo recorde de vendas e emplacando a canção “More Than a Feeling” no topo das paradas.

Banda apostava em LP duplo para dar um up na carreira

É muito comum que retoques sejam feitos em discos ao vivo. Com o Kiss não foi diferente. Existem muitas pessoas que dizem que o álbum foi todo feito em estúdio. Embora haja inúmeras correções, essa acusação é falsa. Até porque uma das opções pelo trabalho ao vivo era, justamente, economizar dinheiro. E o disco era duplo.  O dinheiro que eles iriam gastar regravando nota por nota no estúdio, gravariam um novo disco de carreira. 

Há sim, contudo, correções em estúdio. Principalmente, nas partes vocais do Paul Stanley que já tocava pulando na frente do microfone e, com isso, muitas falas se perdiam ou eram capturadas com um volume muito baixo. A pirotecnia também fez necessário com que regravassem alguns trechos. Em alguns momentos, o som dos efeitos cobria a banda e colocar algo assim no mercado, seria considerado tosco. Ironicamente, Ace Frehley e Peter Criss, que são os mais atacados por quem não é fã do grupo, foram os que menos corrigiram imperfeições.

Houve, contudo, alguns truques de mixagem. Para criarem esse disco, utilizaram gravações de 5 shows diferentes. Algumas músicas foram feitas overdubs misturando dois shows.  “She”, “Parasite” e “Let Me Go, Rock n´ Roll”, por exemplo, misturavam performances de Daveport e Cobo Hall na mesma faixa. Também utilizaram truques na sonoridade do publico. Os shows foram gravados direto da mesa de som. Com isso, o publico pega muito pouco. E o Kiss interage muito com a platéia. Nas horas das brincadeiras que o Starchild fazia com a platéia, a gravação soava mais como um ensaio do que uma apresentação. Por isso, foram realizados alguns overdubs na parte do público.

Outra curiosidade interessante é que a foto da capa não foi criada em um show. Essa foi a primeira imagem que o diretor de arte Dennis Woloch criou para a banda. O rapaz continuaria ao lado dos músicos até 1987. Os músicos queriam uma imagem de concerto, mas não uma imagem qualquer. Queriam o retrato perfeito. Enquanto os roadies montavam o palco para a apresentação da banda no Cobo Hall, os músicos subiram ao palco do Michigan Palace e começaram a tocar em um teatro vazio para que a foto fosse capturada como gostariam.

Imagens do LP da época

Como o Kiss gosta de fazer tudo com o máximo de atenção, mesmo sem ter um grande hit, prensaram um álbum duplo. Algo, sem duvidas, ousado. E como se não bastasse, o LP da época acompanhava um book de 8 paginas com fotos dos shows. Para os fãs, genial. Para a gravadora, naquele momento, nem tanto. Gene Simmons acabou desembolsando parte do dinheiro para que o produto fosse lançado como gostaria. Para a sorte dos músicos, que sonhavam em vender 350.000 cópias, o LP estourou vendendo 9.000.000 de cópias e fazendo com que o grupo finalmente se transformasse em mega-estrelas e saíssem em uma turnê solo. Se alguém duvidava do sucesso dos rapazes, essa duvida foi embora quando o Blue Oyster Cult começou a abrir shows do Kiss, sendo que algum tempo antes havia acontecido o inverso.

Lançado em 10 de Setembro de 1975, Kiss Alive! é um marco na carreira do Kiss, um marco na história do Casablanca e um marco para inúmeras gerações de ouvintes e músicos. Disco que fez não apenas com que o grupo atingisse o estrelato, mas que inspirou inúmeros novos grupos ao redor do planeta. Vários garotos resolveram comprar uma guitarra e formar uma banda após ouvir esse trabalho. Audição obrigatória!

Faixas:
Disco 1:
      01)   Deuce
      02)   Strutter
      03)   Got To Choose
      04)   Hotte Than Hell
      05)   Firehouse
      06)   Nothin´ To Lose
      07)   C´mon And Love Me
      08)   Parasite
      09)   She

Disco 2:
      01)   Watchin´ You
      02)   100.000 Years
      03)   Black Diamond
      04)   Rock Bottom
      05)   Cold Gin
      06)   Rock n´ Roll All Nite
07)   Let Me Go, Rock n´ Roll   

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Against Myself - Odyssey to Reflexion (2015)

Por Rafael Menegueti

Against Myself - Odyssey to Reflexion
Da Espanha, uma das novidades do metal sinfônico é o Against Myself. O grupo lançou seu segundo álbum esse ano, e segue aquela mesma receita que tantas outras bandas do gênero se consagraram fazendo: vocais femininos, melodias agradáveis e muita ênfase em arranjos sinfônicos e teclados. Pode parecer clichê, mas tem qualidade suficiente pra agradar aos fãs do estilo.

A banda tem seus próprios trunfos. Os vocais de Irene Villegas são mais suaves, sem fazer tanto uso de estilo lírico que faz parte das bandas que provavelmente influenciaram o som do grupo. Seu estilo é bem simples, mas ela possui um timbre muito doce que realça os momentos mais melódicos e contrasta com os mais agressivos.

O grande alicerce da banda está na habilidade do guitarrista Carlos Carretón e do tecladista Agustín Moya. Ambos conseguem conduzir o ritmo das faixas entre momentos mais pesados e os refrães, sempre bem cativantes. Os dois ainda recheiam as composições com solos e arranjos que dão um tom ainda mais empolgante a elas. As canções tem muitos elementos de metal progressivo, especialmente em “Beyond the Chains”, “Critical Situation” e “When Words Kill”, faixa mais longa do disco com mais de catorze minutos divididos em cinco atos diferentes.

Os membros do Against Myself
Em outros momentos a banda insere arranjos e influencias de ritmos locais, com uso de percussão, sintetizadores e elementos orquestrais. Isso é bem perceptível em faixas como “God of Deads” e “Cross Eternity”, essa última sendo uma balada bem interessante. Outros momentos melódicos de destaque estão em canções como “Glory” e “Shadow In My Head” e no single “Through the End of Times”, que ao lado de “Firebird Flight” são as melhores do álbum.

“Odyssey to Reflexion” surpreende ao ser um disco extremamente bem elaborado e excitante tendo sido concebido por uma banda ainda sem grande reconhecimento na cena do power metal. A banda é formada por excelentes músicos e sua capacidade nesse disco só me leva a crer que a banda tem muito potencial para virar uma referencia, mesmo que muita gente pense que o gênero do metal sinfônico possa já estar saturado por bandas desse tipo. Nada muda o fato dessa banda ser uma boa novidade que vale a conferida. Altamente recomendado para os fãs do estilo.


Nota:8,5/10
Status: Surpreendente

Faixas:
01. Origin
02. Beyond the Chains
03. Through the End of Times
04. Firebird’s Flight
05. When Words Kill
06. Glory
07. The Crusade
08. God of Deads
09. Cross Eternity
10. Shadows in My Head
11. Critical Situation

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Black Sabbath anuncia turnê de despedida

Black Sabbath: o começo do fim
Foi uma longa trajetória, mas está chegando o momento de dizer adeus. E para isso, o Black Sabbath irá fazer mais uma turnê, de despedida. “The End” começará em janeiro de 2016, e por enquanto conta apenas com datas na América do Norte, Austrália e Nova Zelândia. Tony Iommi afirmou em entrevista ao Hunfington Post que o fim é necessário, pois ele já não aguenta mais o ritmo das viagens das turnês depois de tantos anos. Ainda não se sabe se Bill Ward estará com a banda. O nome dele não foi incluído no pôster oficial, mas também não há nenhum outro nome para o posto confirmado.

Tierramystica anuncia terceiro álbum e mudança de vocalista

Tierramystica com o ex-vocalista Gui Antonioli ao centro
A banda gaúcha de folk metal Tierramystica anunciou no último sábado em sua página no Facebook que está trabalhando em um novo álbum, o terceiro de sua carreira. Em contrapartida, no mesmo comunicado, a banda anunciou que o vocalista Gui Antonioli está de saída. O músico será substituído em alguns shows que virão nos próximos meses por Dan Rubin (Soulspell, ex-Magician) enquanto a banda não define o novo membro definitivo.

Tributo ao Sonata Arctica tem nova data de lançamento definida

Depois de mais de dois meses de atraso, parece que finalmente o tributo ao Sonata Arctica será lançado, agora no dia 12 de setembro. O projeto iniciado pela pequena gravadora Ouergh Records, e bancado por uma campanha de crowdfunding, estava previsto para sair no início de julho, mas por conta de detalhes envolvendo os direitos das músicas em alguns países onde o disco será lançado, houve o adiamento. Algumas das faixas já foram divulgadas, casos das cover feitas por Stream of Passion (“I Have A Right”), Xandria (“Don’t Say A Word”) e Coldspell (“Letter to Dana”). A versão de “Fullmoon” feita pela banda Timeless Miracles foi divulgada ontem pela gravadora no Youtube. Confira no vídeo abaixo:


Saúde debilitada de Lemmy volta a afetar turnê do Motörhead

Saúde de Lemmy continua dando o que falar
Depois de precisar deixar mais uma apresentação na metade nos Estados Unidos, muito voltou a se falar na saúde de Lemmy Kilmister, vocalista e baixista do Motörhead.  A banda, que acabou de lançar seu novo disco, “Bad Magic”, resenhado aqui há poucos dias, precisou cancelar alguns shows que faria essa semana, mas garantiu que volta aos palcos hoje, em St. Louis. Segundo a banda afirmou em um comunicado, Lemmy teria tido uma infecção pulmonar, mas já está pronto para voltar à rotina de shows.

Soundgarden volta a trabalhar em músicas novas

Soundgarden em estúdio
Se Chris Cornell lançará novo álbum solo no fim do ano, os fãs do Soundgarden também podem esperar novidades da banda em breve. Cornell afirmou em recente entrevista que a banda está começando a compor novas canções em um “local tranquilo”. Uma foto recente postada pela banda nas redes sociais mostra os integrantes tocando juntos em um estúdio. O último disco da banda e primeiro depois de seu retorno, “King Animal”, foi lançado em 2012.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Discografia comentada: Thundermother

Por Rafael Menegueti

As garotas do Thundermother
Os países escandinavos são referência quando falamos de metal. A cena lá é muito produtiva quando falamos de bandas de death, black, power, folk e viking metal, por exemplo. Mas algumas pessoas talvez não saibam que por lá a cena de hard rock e heavy metal clássico também são muito fortes. Uma das bandas que vem em rápida ascensão por lá é o Thundermother, da Suécia, que também conta com integrantes da Itália (a guitarrista Giorgia Carteri) e Irlanda (a vocalista Claire Cunningham).

Trata-se de um grupo feminino, bem próximo do que suas conterrâneas do Crucified Barbara apresentam, mas com um pé mais fincado no som clássico, menos agressivo. Sem falar na obvia e clara influência de AC/DC e até Aerosmith. A banda acabou de lançar seu segundo disco, “Road Fever”, mas como seu primeiro disco, que se chama “Rock N’ Roll Disaster”, saiu há pouco tempo também, no ano passado, eu resolvi falar de ambos de uma vez.
“Rock N’ Roll Disaster” (2014)


A estreia das meninas foi em grande estilo. O nome do disco funciona como uma grande ironia, já que de desastre o trabalho não tem nada. Bem cadenciado e com riffs bem elaborados, o disco vai direto numa linha bem clássica e direta. A guitarrista Filippa Nässil conduz as canções com seus riffs e pegada à la Angus Young, além de solos bem inseridos no ritmo das faixas. Os vocais de Claire são excelentes, com um estilo que mistura influências de classic rock e country. O disco é curtinho, mas preciso na ideia de fazer rock n’ roll cru e empolgante. Destaques: Man In Blues, Thunderous e Shoot to Kill. Nota: 8,5.


Road Fever (2015)


Apenas um ano e cinco meses depois de lançarem seu primeiro trabalho, a banda lançou na última semana “Road Fever”. A proximidade é justificável, já que a banda assinou com uma nova gravadora, a Despotz Records, no começo do ano. Tendo ganhado fãs famosos como os caras do In Flames, Airbourne, Opeth e Zakk Wylde, que cobriram a banda de elogios, nada mais justo que elas aproveitassem o momento de alta para lançar um novo disco. “Road Fever” segue uma linha bem parecida com a estreia da banda, mas aqui elas colocaram um pouco mais de potencia no som.

Ainda bem focado no estilo clássico, é possível perceber algumas referências mais atuais na sonoridade, ou até mesmo uma pitada de Motörhead no estilo em alguns momentos. Com solos mais intensos e acelerados e refrães ainda mais cativantes, o disco é uma evolução e tanto para apenas um ano de diferença do seu antecessor. Os vocais de Claire estão ainda mais intensos e um pouco mais agressivos, dando um aspecto ainda mais maduro e potente ao álbum, e comprovando que essa banda deve crescer ainda mais se seguir nesse bom ritmo. Imperdível! Destaques: It’s Just a Tease, Deal With the Devil, Enemy Rock N’ Roll Sisterhood. Nota: 9.