quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Scooby Doo And Kiss: Rock n Roll Mystery (2105):



Por Davi Pascale

Kiss faz nova parceria com a empresa Hanna-Barbera. Em sua primeira animação, os mascarados de Nova Iorque dividem a telinha com o divertido Scooby Doo. DVD já foi lançado...

Embora esse seja o primeiro desenho animado do Kiss, essa não é a primeira produção ao lado de Hanna-Barbera. O lendário filme Kiss Meets The Phantom Of The Park, lançado no Brasil com o nome de Kiss e o Fantasma das Trevas, foi uma parceria dos músicos com o estúdio. O desenho traz algumas referências ao longa.

Assim o como o filme de 1978, toda a confusão ocorre em um parque de diversões em uma noite em que ocorrerá uma apresentação do Kiss. Dessa vez, contudo, os músicos não são meros convidados. Eles são os donos do parque (Kiss World). Outras semelhanças são os superpoderes emprestados aos músicos. Paul Stanley com sua visão raio-x, Gene Simmons cuspindo fogo. Os músicos se teletransportando (com a diferença que na antiga película, esse poder era exclusividade do Spaceman). Além da cena inicial ocorrida em uma montanha russa e os créditos iniciais ao som de “Rock n´ Roll All Nite”.

Na historinha, Daphne é apaixonada pelo Starchild (Paul Stanley) e arma uma cilada para que seus amigos – Velma, Fred, Salsicha e o velho cachorro Scooby – levem ela ao show que ocorrerá na noite de Halloween. Quando chegam ao local, descobrem que o parque realmente está com problemas e resolvem ajudar os músicos à decifrarem o mistério. The Demon (Gene Simmons), não está muito confiante da idéia, mas os demais músicos convencem o linguarudo à aceitar a ajuda dos colegas. 

Animação traz várias referências da Kisstory

Juntos, precisam decifrar o mistério e resolve-lo antes do início da apresentação. Uma bruxa que está atrás de um poderoso diamante do grupo (Black Diamond) está aterrorizando o parque. Precisam detê-la o quanto antes e manter o diamante à salvo. Assim como no filme Detroit Rock City (1999), há várias referências à kisstory. A vidente Chikara, o ancião The Elder, o vilão Destroyer, o universo paralelo Kissteria. Sem contar nos personagens Shandi Strutter e Dellilah Domino. Há ainda Stanley pintando um retrato de Daphne (para quem não sabe, ele realmente pinta telas) e a menção ao enorme merchandising da banda.
   
O papel dos músicos não é muito diferente do tão odiado filme dos anos 70: músicos com superpoderes que combatem o mal e levam alegria para as pessoas através de sua música. A diferença é que desenho animado sempre vendeu a idéia de que tudo é possível ocorrer ali. Seja na incrível velocidade do Taz Mania, seja nas trapalhadas de Pernalonga, seja na historinha do Kiss. E funcionou bem! E já que muitos estão atacando os músicos pelo projeto, vale lembrar que essa não é a primeira vez que um artista de rock se aventura nesse universo. Que o diga as várias participações na série Os Simpsons ou ainda a animação Yellow Submarine (The Beatles). 

O desenho é extremamente bem feito e conta com diversos efeitos, além de uma música escrita especialmente para o projeto. Vi algumas pessoas reclamando da dublagem em português. Assisti com o áudio original, mas não duvido que tenha ficado ruim. A dublagem do filme dos anos 70 já não era nenhum primor. Contudo, esse desenho é legal assistir com o áudio original, já que foram os próprios músicos que gravaram as vozes dos personagens. O DVD ainda não foi lançado no Brasil, mas a prensagem importada (tanto do DVD, quanto do Blu-Ray) conta com legenda em português. O desenho é muito bacana. Deixe a raivinha de lado e se divirta. Caso contrário, o senhor não ganhará um biscoito Scooby...

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Notícias do Rock (pra não ficar por fora)

Por Rafael Menegueti

Exciter irá lançar disco com a formação original

Os membros do Exciter
O Exciter, banda canadense de speed metal que se consagrou na década de 80 e passou por diversas mudanças de formação desde o final da mesma, retornou com sua formação original, com Dan Beehler (bateria e voz), Allan James Johnson (baixo) e John Ricci (guitarra), no ano passado. O grupo vinha fazendo algumas turnês, tendo inclusive passado pelo Brasil na ultima semana, e agora confirmou que está em processo de composição de um novo álbum de inéditas. Esse será o primeiro disco com essa formação desde 1988.

Ozzy Osbourne está trabalhando em novo álbum

Ozzy vem aí
Segundo a presidente da Epic Records, Sylvia Rhone, o madman está produzindo mais um novo álbum de estúdio. Ela não entrou em detalhes, mas garantiu que o disco será bem especial e algo que ele sempre quis fazer mas nunca havia conseguido. O último álbum de estúdio de Ozzy havia sido “Scream”, de 2010. Nos últimos anos ele vinha se dedicando ao Black Sabbath, que lançou “13” em 2013.

Musical do Bob Esponja terá composições de estrelas do rock

Bowie está entre os escalados pra produzir canções para o musical
Um musical da Broadway, inspirado em um livro do personagem infantil Bob Esponja, está sendo produzido para estrear em 2016. O curioso será que, entre os artistas que irão produzir canções originais para o espetáculo, estão nomes como Steven Tyler e Joe Perry (Aerosmith), David Bowie, Flaming Lips, Panic! At The Disco, Cindy Lauper e Plane White T’s, entre outros. Essa ideia promete ser, no mínimo, curiosa.

Álbum tributo à Edu Falaschi será lançado


A gravadora MS Metal Records irá lançar um disco especial em homenagem aos 25 anos de carreira de Edu Falaschi, ex-Angra e atual líder do Almah. O tributo irá contar com diversas feras do metal nacional e alguns internacionais também, entre eles Dr. Sin, Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli (Angra), Soulspell, Thiago Bianchi (Noturnall), Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), Ralf Scheepers (Primal Fear) e Tito Falaschi, entre muitos outros. Eles farão releituras de canções que marcaram a carreira de Edu no Angra, Almah e seus outros projetos. O lançamento está previsto ainda para esse ano.

Festival é cancelado após declarações polemicas de organizador

O Napalm Festival, evento que ocorreria na cidade de Manchester, na Inglaterra, foi cancelado após um dos organizadores do evento, John Owen McTeggart, postar na internet comentários ofensivos a respeito da garota Sophie Lancaster, morta em 2007 em um caso de violência que chocou o Reino Unido na época. A menina, que era gótica e fã de metal, foi brutalmente espancada por um grupo de jovens quando voltava pra casa, vindo a morrer alguns dias depois. Após as mensagens desrespeitosas de John Owen repercutirem na internet, diversas bandas cancelaram sua participação no evento, que se viu forçado a encerrar as atividades. Owen divulgou uma nota afirmando estar profundamente envergonhado e pedindo perdão pelo ocorrido aos parentes da menina, que mantem uma fundação em seu nome. Um outro evento, com as bandas que iriam se apresentar no festival, está sendo organizado em seu lugar, com renda revertida a Sophie Lancaster Foundation.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Autoramas – Sesc Santo Andre (28/08/2015):



Por Davi Pascale
Foto Show: Página Facebook Erika Martins
Foto Autografo: Norton (extraído da pagina do Facebook da Erika Martins)

Grupo Autoramas fez nova passagem pelo Sesc Santo Andre semana passada. Contando com uma nova formação, o grupo entregou aos seus fãs uma apresentação direta, profissional e enérgica.

Prestes a lançar um novo álbum – O Futuro dos Autoramas – banda fez uma nova passagem pelo ABC. A primeira vez que tocam aqui com esse lineup. Bacalhau e Flavia Couri pediram as contas. Para seus lugares, vieram os experientes Fred (Raimundos), Melvin (Carbona) e Érika Martins (Penélope). As escolhas não poderiam ter sido mais acertadas. Além de todos eles já terem uma relação próxima ao líder Gabriel Thomaz, o estilo deles caiu como uma luva. Fred trouxe um pouco mais de peso. Melvin interpreta as linhas de baixo com segurança. Erika Martins é, de longe, a melhor voz feminina que já tiveram (lembrem-se que as ex-baixistas também cantavam), além de ser extremamente carismática. O grupo está redondo!

Infelizmente, poucas pessoas compareceram à apresentação dessa sexta. Honestamente, esperava um público bem maior. Mas, certamente, quem deu as caras por lá, se divertiu bastante. Além de estarem bem entrosados, os músicos possuem ótima presença de palco e são bem simpáticos com a plateia. Erika se joga no público e tira as pessoas para dançar, Gabriel arrisca algumas piadas. Até mesmo as crianças tiveram seus momentos de destaque. Durante o show, duas crianças invadiram o palco. Os músicos não se incomodaram e deixaram a molecadinha se divertir um pouquinho lá em cima. Embora o teatro não estivesse abarrotado de gente, a banda não se abalou e tocaram como se estivessem diante de um estádio lotado.

Erika Martins assinando os discos pós-show

Quando um artista está prestes a lançar um novo trabalho ou acaba de lançar um, é comum que o explore ao máximo. O set apresentado na última sexta, contudo, foi bem dosado. “Gostaria de tocar o disco novo na íntegra, mas sei que se fizer isso vocês me matam”, disse Gabriel em determinado momento. O repertório passou por todos os álbuns e trouxe algumas curiosidades.

As quase hits “Abstrai”, “Fale Mal de Mim” e “Você Sabe”, obviamente não ficaram de fora e tiveram uma boa participação do público. Gabriel Thomaz relembrou seus tempos de Little Quail & The Mad Birds com “1,2,3,4”. Érika Martins mandou "Kung-Fu" de seu primeiro disco solo. Os fãs de Fred certamente se animaram com a versão de “Aquela”, responsável por fechar a noite. Para quem não se lembra, os Raimundos regravaram essa canção do Little Quail no álbum Só No Forévis. E é claro, algumas músicas de seu próximo disco, foram mostradas em primeira mão.

O som estava super bem equalizado e boa parte das músicas que são destaque em sua discografia – como “Mundo Moderno” e “A História de Cada Um” – foram apresentadas. Show realmente muito bacana de assistir. Aqueles que esperaram pelos músicos, foram atendidos para fotos e autógrafos. Lógico que aproveitei a ocasião para assinar meus discos com os músicos, já que sou fã de longa data dos caras. Os 4 foram muito educados e pacientes com os fãs que os aguardaram. Noite bem bacana. Quem tiver a oportunidade de assistir um show do grupo, vá, a diversão é garantida.

domingo, 30 de agosto de 2015

Kobra and the Lotus – Words of the Prophets (2015)

Por Rafael Menegueti

Kobra and the Lotus - Words of the Prophets
Os canadenses do Kobra and the Lotus vem ganhando popularidade no meio do metal ano após ano. A banda, que já lançou três álbuns de estúdio, ainda não é tão conhecida por aqui, mas creio que isso será questão de tempo para mudar. Eles lançam um interessante EP de covers de artistas canadenses, “Words of the Prophets”.

A banda tem um estilo cheio de potencia e uma boa técnica para fazer um heavy metal simples e tradicional, com uma boa dose de hard rock. Nesse EP, a ideia foi fazer uma homenagem a bandas icônicas de seu país natal. A banda então perguntou aos seus fãs quais canções eles gostariam de ver na versão deles. As segundo a vocalista Kobra Page, a maioria era de metal, e ela não queria que o EP se tratasse apenas disso. Por isso a banda foi além na escolha de seu repertorio.

A banda abre com uma versão da magistral “Lay It On the Line”, do Triumph. A faixa, lançada originalmente em 1979, é daquelas perfeitas pra se ouvir no talo, com um refrão marcante e digno do rock de arena. Podia ser um clássico mais aclamado, mas ganhou uma justa homenagem nessa versão, onde a voz de Kobra consegue perfeitamente incorporar o poder da canção e colocar sua própria personalidade.


A faixa seguinte é “Sign of the Gypsy Queen”, lançada no inicio da década de 70 pelo April Wine. A versão do Kobra and the Lotus dá um ar mais hard rock a essa canção tipicamente rock n’ roll tradicional. Destaca-se no EP também a faixa “Black Velvet”, uma empolgante versão da canção da cantora de rock e blues Alannah Myles.

Um bom contraste de estilos pode ser encontrado na versão que a banda fez de “Let It Ride”, do bachman-turner Overdrive (também conhecido como BTO). A banda insere peso em uma canção que tem uma vibração e estilo tipicamente setentistas. Por fim, uma cover do primeiro hit do Rush, um dos maiores expoentes do rock canadense. E pode ter sido um bom desafio criar essa versão de “The Spirit of Radio”, uma faixa bem progressiva e revigorante, mas a banda tirou de letra.

O resultado dessa boa ideia do Kobra and the Lotus não poderia ter sido melhor. Os fãs foram presenteados com uma seleção muito boa de cinco grandes canções, com a cara da banda, que fez um ótimo trabalho e mostrou ainda mais a sua competência e habilidade. É de bandas com essa personalidade que o rock precisa, seja para lançar boas músicas próprias, ou pra se aventurar com canções já consagradas sem deforma-las ou parecer forçado. Kobra e seus companheiros foram muito eficientes nisso.



Nota:9/10
Status: Potente e nostálgico

Faixas:
1. Lay It On The Line (Triumph Cover)
2. Sign Of The Gypsy Queen (April Wine Cover)
3. Black Velvet (Alannah Myles)
4. Let It Ride (BTO Cover)
5. Spirit Of The Radio (Rush Cover)

sábado, 29 de agosto de 2015

Você odeia uma banda por quê?

Por Rafael Menegueti


Essa semana nós comentamos aqui no blog a atitude dos membros do Foo Fighters, que interromperam um protesto da Igreja Batista de Westboro, famosa por sua intolerância e preconceito extremos, à frente do local onde realizariam seu show em Kansas City de forma bem humorada e inusitada. O ocorrido acabou repercutindo em vários veículos da mídia e muita gente aplaudiu o modo como a banda reagiu à situação. No entanto, uma coisa que me deixou um pouco surpreso foi ver alguns comentários de gente criticando Dave Grohl e a banda pela atitude. Mas como assim?

Desde “eles estavam querendo aparecer” e “Foo Fighters é superestimado” até outros mais grosseiros, os comentários, no meu entendimento, demonstravam mais hipocrisia do que alguma argumentação válida pra desvirtuar a atitude da banda, que considerei digna e no direito deles, já que eles fizeram de maneira tranquila e sem incitar violência. Uma coisa é muito clara: esse tipo de comentário veio daqueles que não curtem o som de Dave Grohl e companhia. Normal, gosto é gosto. Mas daí a achar defeito em tudo que os caras fazem, só porque quer demonstrar isso, ou porque odeiam a banda, é coisa de gente chata. Até porque, tenho certeza, se fosse uma banda de que esses críticos gostassem fazendo isso, provavelmente eles não pensariam do mesmo modo.

O fato é que, no geral, algumas pessoas estão ficando cada vez mais egocêntricas e ignorantes no modo de se expressar. Não falo apenas no que diz respeito à música, mas como o blog é sobre isso, vamos focar nesse aspecto. Na cabeça de uma galera, o que rola é o seguinte: se eu não gosto dessa banda ela é um lixo. E ponto. Dane-se se ela tem historia, se vende milhões, se os músicos são talentosos ou se eles tratam todo mundo bem. O senso crítico dessas pessoas se esquece de separar a parte do gosto pessoal e o que diz respeito à qualidade musical. E há um enorme abismo entre as duas coisas.

Outro exemplo: recentemente resenhei o novo álbum do Ghost aqui. Atualmente, eles são um dos alvos preferidos dos odiadores de plantão. Na ocasião citei o quanto acho que a banda é injustiçada. De fato, o som do Ghost não é nada revolucionário, inovador, mas está longe de ser ruim. A banda faz melodias muito simples, mas a meu ver, bem feitas e sinceras com sua proposta, e nada é mal tocado. O que causa essa rejeição de muitos é a errônea associação que fazem da banda com o metal, algo que não enxergo no som deles. Essa ideia é reforçada pelo visual e temática que a banda apresenta em suas letras, além do fato de terem aparecido em muitos festivais e eventos de metal. Dai a banda acaba caindo na ira dos defensores do “verdadeiro metal”.

Olhem agora o meu caso. Eu não gosto de Rolling Stones. Talvez já tenha dito isso por aqui. É uma banda que me entedia facilmente. Por acaso eu acho eles um lixo? Nunca. A banda é genial e importantíssima para a historia do rock. Sem ela, nada do que ouvimos hoje em dia talvez fosse dessa forma. Mas eu não sou egocêntrico e sei que o fato de eu não curtir o som deles não muda em nada a sua qualidade, por isso eu respeito. O problema não está com eles, está comigo. Sou EU que não tenho paciência pra ouvir Rolling Stones. E isso vale pra muita gente que não gosta de diversas bandas ou estilos. O fato de você não gostar não as torna necessariamente ruins. O que torna uma banda realmente ruim pode ser uma série de outros fatores que vão muito além do “eu não gosto do modo como ele canta”, “essa banda abusa de riffs” ou “a melodia dessa música é muito pop”.

Enquanto muitos pensam assim, caímos sempre na bobeira de criar casos como o das vaias a bandas como o Glória no Rock In Rio, ou o Black Veil Brides no Monsters of Rock, o qual até já debati aqui na época. Situações criadas por conta do egocentrismo daqueles que se julgam os definidores do que realmente merece ser respeitado. Então, convido vocês a fazerem algo que eu venho praticando há algum tempo: abolir o “eu odeio” e o “lixo” (entre outras coisas) do vocabulário. Não há motivo para odiar uma banda. Odiar é algo muito forte, que eu reservo apenas para coisas que realmente causam um grande impacto negativo em minha vida, mas sem me remoer por isso.

Não gostar de algo é normal e aceitável, mas ser o chato que incomoda os outros só por isso não é. Fazer piadinhas e gozações até é aceitável, afinal no humor há espaço pra esse tipo de coisa se você souber levar na esportiva, como deve ser. O problema é quando se leva isso a sério demais e começa a criar brigas. Se alguém gosta de uma banda que não lhe agrada, não é da sua conta. Não é você que paga os discos deles nem os ingressos, então apenas fique de boa, ouça aquilo que você gosta e seja feliz.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

50 Anos de Jovem Guarda – Sesc São Caetano (27/08/2015):



Por Davi Pascale
Fotos: Sesc São Caetano (Facebook)

O Sesc de São Caetano está trazendo uma série de shows em homenagem à Jovem Guarda. Ontem, tivemos a primeira apresentação da série, realizada no Teatro Santos Dummont. Martinha, Vips e Wanderley Cardoso se apresentaram diante de um teatro lotado. Infelizmente, o resultado foi decepcionante.

A Jovem Guarda foi o primeiro grande movimento de rock do Brasil. Quem viveu a época conta que as apresentações realizadas no Teatro Record geravam verdadeira catarse e que não era raro as ruas ficarem travadas por conta do programa. Uma coisa é fato. O movimento revelou grandes nomes da música brasileira, até hoje respeitados, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Incríveis, Wanderléa e Martinha. Foram geradas também diversas canções que são consideradas clássicos do rock brasileiro. Nada mais justo do que conferir de perto um pouco dessa história.

Essa não foi minha primeira vez em um evento comemorativo da Jovem Guarda. Já havia assistido a apresentação em homenagem aos 30 anos, época em que lançavam um Box comemorativo com 5 CDS. O show tinha sido muito bacana. Com ótimos músicos por trás e diversos convidados. Entre eles, a já falecida Silvinha Araújo. Infelizmente, o resultado da apresentação de ontem já não foi tão memorável assim.

O show iniciou dentro do horário previsto: 20h! Martinha foi a primeira a subir ao palco. Logo que começou a cantar as primeiras frases de “Jovens Tardes de Domingo”, música responsável por abrir o evento, já ficava nítido o que teríamos pela frente. O queijinho de Minas não tem mais pique para cantar ao vivo. Sua voz, literalmente, acabou! Sempre simpática, brincava com a platéia quando questionavam sobre seus possíveis namoros, brincava sobre o tempo que havia passado. Embora seja extremamente respeitada enquanto compositora (para quem não sabe, ela escreveu diversos sucessos de artistas como Chitãozinho & Xororó e Leandro & Leonardo), focou em reviver grandes sucessos do movimento. E é claro, não deixou de interpretar seus grandes hits da época como “Te Amo Mesmo Assim” e “Eu Daria Minha Vida”. Infelizmente, sua performance foi ofuscada pela péssima situação de suas cordas vocais.

Wanderley Cardoso demonstrou estar com a voz em dia

Depois de cantar por quase 50 minutos, a cantora convidou ao palco Os Vips. Bem... Na verdade, o Vip. Para quem não sabe, Marcio faleceu no início do ano passado. Ronald Luís Antonucci cantou o set sozinho. E a situação não melhorou. Ronald também não tem mais pique para se apresentar ao vivo. Na parte de movimentação, ok. Parte vocal, esquece. Não canta mais nada. Durante pouco mais de 40 minutos relembrou sucessos como “La Bamba”, “É Preciso Saber Viver” e, seu grande sucesso: “A Volta”. Criou o momento internet, onde pedia para o publico cantar uma música. Nesse momento seriam filmados e poderiam assistir ao vídeo pela internet depois de alguns dias. Se já é um exagero fazer isso em uma musica inteira, o que dirá em três. Outra decepção!

Wanderley Cardoso foi o responsável por realizar o set final. Considerado uma das melhores vozes do movimento – ao lado de Jerry Adriani e Silvinha Araujo – é o único que ainda está cantando bem. Porém, sua apresentação poderia ter sido melhor se tivesse um outro grupo por trás. Os músicos que acompanharam os artistas eram muito fracos. Grupo bem amador. Guitarrista ruim. Baixista ruim. Tecladista ruim. Parecia banda de churrascaria. Wanderley fez um set um pouco mais curto, mas não deixou de cantar seus principais sucessos como “Doce de Coco” e “O Bom Rapaz”. No final, os 3 se juntaram para interpretar “Festa de Arromba”. O que era para ser um momento de emoção, tornou-se um momento de alívio. Afinal, sabíamos que estávamos chegando ao fim. É triste constatar isso, mas essa deve ser a última celebração do movimento. O pessoal não têm mais pique para ficarem realizando shows. Uma pena! 

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Lynch Mob – Rebel (2015):



Por Davi Pascale

O Lynch Mob acaba de lançar mais um trabalho pelo selo Frontiers. Depois de idas e vindas, parece que o grupo veio para ficar. Rebel deve agradar os fãs da banda mantendo a sonoridade hard costumeira, agora, com uma dose extra de peso.

Desde que retornaram à ativa com o EP Sound Mountain Sessions (2012), o quarteto vem mantendo uma regularidade nos lançamentos de uma forma que nunca havia ocorrido em sua carreira. Infelizmente, a troca de lineups continua. Se bem que os músicos envolvidos nesse novo álbum devem agradar aos fãs.  Brian Tichy substitui Scott Coogan. Em seu currículo, estão trabalhos ao lado de Derek Sherinian, Billy Idol, Gilby Clarke, além de ter sido parto do Pride & Glory (trio capitaneado por Zakk Wylde). Para as 4 cordas, no lugar de Kevin Baltes, temos Jeff Pilson, músico que acompanhava George Lynch no Dokken. Oni Logan continua comandando os vocais.

As características principais do som deles continuam intactas. Oni Logan continua cantando para cima, linhas extremamente melódicas. George Lynch continua com seus solos técnicos. Aquela pegada mais funkeada, meio blueseira, também dá as caras por aqui. Entretanto, o grupo está com uma sonoridade um pouco mais pesada, um pouco mais suja. Graças à mixagem moderna de Chris “The Wizard” Collier.

Faixas como “Between The Truth And Lie”, “Jelly Roll” e “War” apostam em sua sonoridade clássica e poderiam estar no setlist de seus dois primeiros álbuns (ainda os favoritos dos fãs). “Pine Tree Avenue” traz um hard rock mais funkeado. Uma mistura entre Extreme e Badlands. “Kingdom of Slaves” traz uma influencia de heavy metal nos arranjos. A frase de guitarra nos versos e a bateria arrastada nos remetem ao velho Sabbath. A balada “The Ledge” traz uma forte influência de 70´s.

George Lynch e Oni Logan seguem em frente com Lynch Mob

De um modo geral, o que temos são os rapazes dando uma atualizada na sua velha sonoridade. Algo que fica perceptível em faixas como “Automatic Fix” e “Testify”. Embora o timbre das guitarras esteja um pouco mais sujo do que o de costume, não demora para que nos lembremos dos tempos de “Hell Child” e “Jungle of Love”. A exceção é “Sanctuary” que está mais para Dokken nos tempos de Shadowlife do que para Lynch Mob. Mesmo assim, a faixa é ótima.

Existem muitos grupos que quando retornam à ativa, não conseguem manter o brilho de outrora. Essa máxima, certamente não vale para o Lynch Mob. Ainda que Wicked Sensation ainda seja meu álbum favorito do grupo californiano, não dá para reclamar da qualidade de seus ótimos discos. Mais uma vez, os músicos nos brindam com um álbum cativante e empolgante. Discaço!

Nota: 8,0/10
Status: Empolgante

Faixas:
      01)   Automatic Fix
      02)   Between The Truth And a Lie
      03)   Testify
      04)   Sanctuary
      05)   Pine Tree avenue
      06)   Jelly Roll
      07)   Dirty Money
      08)   The Hollow Queen
      09)   The Ledge
      10)   Kingdom of Slaves 
11)   War