sábado, 22 de agosto de 2015

Iron Maiden: como o novo single já ganhou o mundo

Por Rafael Menegueti

A Donzela de Ferro está de volta 
Desde a semana passada os fãs de heavy metal não falam de outra coisa senão o novo single do Iron Maiden, “Speed of Light”. A música chegou e, tal qual o seu título, rapidamente conquistou os fãs antigos e novos, por uma serie de fatores que certamente foram bem pensados pela banda e sua equipe. Claro que só o fato de ser uma música nova do Iron Maiden já ajuda muito, mas paremos pra analisar alguns elementos que fizeram com que essa canção ganhasse ainda mais evidencia e tantos comentários.

A canção que foi escolhida como o primeiro single do novo e aguardado disco “The Book of Souls” tem jeito de hit. Ela tem a pegada característica do grupo, vocais vibrantes e um andamento animado. Segundo Bruce Dickinson, poderia até estar em “Piece of Mind”, de 1983. De fato sua escolha parece boa para chamar a atenção de um disco que promete. Primeiro ponto a favor do grupo.

Depois vem toda a expectativa em cima do novo álbum. Se o primeiro single já conseguiu causar tamanho impacto positivo, certamente os fãs ficaram ainda mais ansiosos por “The Book of Souls”, a ponto até de um falso vazamento ter rolado, com uma coletânea sendo colocada para download com o nome trocado pelo nome do disco, causando um belo de um alvoroço entre os mais apressadinhos.

A expectativa é grande demais. É um disco marcado pela historia de superação de Bruce Dickinson, que o gravou enquanto ainda estava com um tumor na língua, do qual ele anunciou estar curado recentemente. Além de que esse é o primeiro disco do Iron Maiden desde “The Final Frontier", de 2010, álbum que já havia sido muito bem recebido. Portanto, esse novo single reacendeu ainda mais a fome dos fãs pelo novo trabalho, já que esse primeiro aperitivo foi muito proveitoso.

Por fim, a grande cartada da banda ficou com o videoclipe. A ideia de uma animação com referencias a videogames e também de capas e clipes clássicos da banda ficou genial. Agradou os fãs antigos e chamou a atenção da garotada que se interessa por tecnologia e games. Com uma tacada só eles aproximaram as gerações e os trouxeram pro lado deles. Por isso é fácil dizer que o Iron Maiden é uma das melhores bandas do mundo. Eles sabem como entrar no jogo pra ganhar. Abram espaço porque eles estão por aí de novo, pra mostrar como se faz.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Bon Jovi – Burning Bridges (2015):





Por Davi Pascale

O novo álbum do Bon Jovi está sendo lançado hoje, via Itunes. Formado a partir de velhas canções, disco é o primeiro sem o guitarrista Richie Sambora e deve agradar aqueles que curtiram os últimos álbuns.

Antes mesmo de ser colocado à venda no Itunes, o álbum caiu na integra nas redes. Até aí... nenhuma novidade. Está cada vez mais comum os discos vazarem. Há quem diga que esse é o verdadeiro pesadelo dos artistas. Há quem diga que isso é jogada da gravadora para chamar atenção para o disco. Teorias à parte, a grande novidade é que o novo disco do Bon Jovi não é exatamente novo. O cantor Jon Bon Jovi explicou em entrevista exclusiva à rádio WBCBS FM: “Esse é um álbum de fã para promover uma turnê de doze shows. São canções que estavam inacabadas e que nós terminamos. Há algumas novas, como a que lançamos como single (“We Don´t Run). Ele aponta para onde estamos caminhando musicalmente, mas não é nosso novo álbum. Nosso novo trabalho, de verdade, será lançado no próximo ano”.

Se esse é o caminho pelo qual a banda está caminhando, os velhos fãs que torciam por um retorno para a sonoridade mais hard rock podem baixar a guarda. As canções inéditas de nada lembram a época de ouro dos rapazes de New Jersey. Já quem continuou acompanhado os garotos durante esses anos têm uma chance maior de gostar do novo disco. As principais características do atual Bon Jovi estão aqui.

“A Teardrop To The Sea” parece uma sobra de The Circle. Continua aquela sonoridade mais down, com arranjos estilo U2 e backings na onda do Thirty Seconds To Mars. “Who Would You Die For” e, especialmente, “Life is Beautiful” também poderiam estar no álbum de 2009. “Amem” de What About Now contava com um arranjo sutil, deixando a voz de Jon em evidência. O mesmo ocorre aqui em “Blind Love”, dessa vez contando apenas com teclado e voz.

Segundo Jon Bon Jovi, esse álbum não deve ser considerado um novo trabalho do grupo

 Em se tratando de Bon Jovi, não poderia deixar de ter canções com influência mais country. Aparece aqui de maneira descarada na alegre “Burning Bridges” e de maneira disfarçada em “Im Your Man”, uma espécie de nova “We Gotta Goin´ On” (Lost Highway). Não poderia faltar também uma canção pop-rock com forte presença dos violões. Nesse caso, representada por “Fingerprints”. O single “We Don´t Run” demonstra o Bon Jovi se adaptando aos tempos atuais. Conta com uma sonoridade moderna. Os fãs mais radicais ficarão descabelados já que conta com grandes influências de Nickelback.  Já “Saturday Night Gave Me Sunday Morning” conta com as mãos de Sambora na composição, e traz uma sonoridade mais alegre, mas não é nada que não se imagine o Bon Jovi fazendo. Bem próxima à linguagem de What ABout Now.

Todas essas referências não são por acaso. A produção do álbum, assim como o trabalho de guitarra em várias faixas, ficou à cargo de John Shanks. O mesmo rapaz que trabalhou com eles em Have a Nice Day, Lost Highway e What About Now. Assim, como acontece nos últimos discos do grupo, há poucos momentos onde a guitarra se destaca falando alto e criando momentos marcantes. A tônica continua sendo criar refrões que ficam na cabeça das pessoas e quem se destaca mais durante a audição é realmente o Jon Bon Jovi. Se você é declaradamente um fã do grupo e consegue curtir as mudanças de sonoridade apresentada pelos músicos através dos anos, é um bom álbum. Se você sente saudade dos anos 80, afaste-se.

Nota: 7,0 / 10,0
Status: Bem trabalhado

Faixas:
      01)   A Teardrop To The Sea
      02)   We Don´t Run
      03)   Saturday Night Gave Me Sunday Morning
      04)   We All Fall Down
      05)   Blind Love
      06)   Who Would You Die For
      07)   Fingerprints
      08)   Life Is Beautiful
      09)   I´m Your Man  
      10)   Burning Bridges

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Ghost - Meliora (2015)

Por Rafael Menegueti

Ghost - Meliora
Controversa e misteriosa, o Ghost é mais uma daquelas bandas que provocam “debates” entre os admiradores do rock e metal ao redor do mundo. Muitos não cansam de bradar por ai o quanto detestam o som desse sexteto sueco cujos integrantes tem suas identidades mantidas em segredo. Outros defendem a banda que, quando foi elogiada por nomes como Dave Grohl, ganhou status de cult. Fato que só aumentou a bronca daqueles que os odeiam.

Eu particularmente acho que esse pessoal reclama demais. O som do Ghost não é algo inovador e revolucionário, mas também está longe de ser o lixo que seus haters teimam em apontar. Quem ouve logo identifica a forte influencia de Black Sabbath, assim como de rock psicodélico e varias vertentes de rock clássico, principalmente dos anos 70. Pra ser sincero, nem sei se dá pra chamar o Ghost de metal. O visual e temática ocultista/satanista que a banda ostenta falam mais nesse sentido que a música. Mas isso pra mim faz mais parte do contexto artístico, da mística por trás deles. Puro marketing, e bem feito, diga-se de passagem.

Nos dois primeiros discos da banda podíamos conferir algumas faixas bem interessantes, e que ajudaram a impulsionar a popularidade deles. A banda lança agora “Meliora”, seu terceiro disco, novamente fazendo uso de seus velhos costumes. "Outro" vocalista comanda os atos (só o personagem muda, o cantor é o mesmo, caso não saiba). Papa Emeritus III tem um timbre que me agrada, e nesse álbum ele ousa um pouco mais na personalidade de sua voz.

Papa Emeritus III e os Nameless Ghouls
“Meliora” agrada em muitos quesitos. É um disco direto, simples e rápido. As composições mostram climas e direções variadas. O primeiro single “Cirice” já havia me impressionado muito quando ouvi. Considero uma das canções mais fortes de toda o repertorio da banda, daquelas que dá vontade de voltar e ouvir de novo. A faixa “Spirit”, que abre o disco, é bem marcada pelo estilo da banda, mas aparenta ter mais cor e vida. O álbum inteiro segue nesse clima.

Varias faixas são marcantes por um ou outro elemento que se destacam nelas. A levada de “From the Pinnacle To The Pit”, a delicadeza de “He Is”, o peso de “Mummy Dust”, o ritmo envolvente de “Majesty”, o peso na medida certa de “Absolution”, e o encerramento com a melodia simples e agradável de “Deus In Absentia”, formam o conjunto de virtudes desse bom álbum do Ghost. A banda pode não ser genial, mas tem competência suficiente pra ser um nome interessante no rock mundial, que precisa mais do que nunca de boas direções. Se o pessoal que insiste em reclamar não enxergar isso, o problema que seja só deles.


Nota: 8/10
Status: Bem elaborado

Faixas:
01. Spirit
02. From The Pinnacle To The Pit
03. Cirice
04. Spöksonat
05. He Is
06. Mummy Dust
07. Majesty
08. Devil Church
09. Absolution
10. Deus In Absentia

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Randy Rhoads – Immortal Randy Rhoads: The Ultimate Tribute (2015)


Por Davi Pascale

Um dos mais cultuados guitarristas dos anos 80 ganha novo tributo. Com produção de Bob Kulick, álbum conta com cast estelar.

Randy Rhoads era considerado uma das grandes promessas do heavy metal, quando perdeu a vida, vítima de um desastre aéreo aos 25 anos de idade. O músico gravou pouco, mas até hoje seu trabalho de guitarra é devotado e seus solos são objetos de estudo, o que torna essa homenagem mais do que merecida.

Ao contrário de grande parte dos álbuns tributos produzidos por Bob, onde cada música conta com um lineup totalmente diferente, aqui pouco se muda em relação à bateria e vocal e nada se muda em relação ao baixo. Rudy Sarzo ficou responsável por gravar as 4 cordas. A escolha não poderia ser mais acertada, já que ele tocou com os 2 artistas com quem Randy trabalhou: Ozzy Osbourne e Quiet Riot. A bateria ficou por conta de Vinny Appice (Black Sabbath), Frankie Banali (Quiet Riot) e Brett Chassen, um músico de estúdio que já chegou a trabalhar com Dee Snider, Michael Schenker entre outros. A maioria dos vocais foram registrados por Tim Ripper Owens (Judas Priest, Iced Earth). Os outros cantores que participam do projeto são Serj Tankian (System of a Down), Chuck Billy (Testament) e Kelle Roads, irmão de Randy. 

Bob Kulick explicou que optou por esse formato porque não queria que as pessoas prendessem sua atenção ao trabalho vocal e sim aos guitarristas, já que a idéia era homenagear o garoto. A maior parte do repertório veio dos álbuns que gravou ao lado do madman, apenas 2 músicas de seus tempos de Quiet Riot aparecem por aqui. Os arranjos foram interpretados de maneira fiel, mas os solos ganharam uma nova cara.

Álbum foi produzido pelo guitarrista Bob Kulick

O clássico “Crazy Train” abre o disco contando com Serj Tankian e Tom Morello (Rage Against The Machine). Resultado ficou não mais do que razoável. A canção não combina com a voz de Serj e o solo de Morello ficou não mais do que interessante. Outra que ficou razoável foi Mr. Crowley. Não por conta de Alexi Laiho (Children of Bodom) que fez um ótimo trabalho de guitarra, dando uma atualizada no primeiro solo e interpretando o solo final de maneira bem próxima, mas por conta do trabalho vocal de Chuck Billy, essa música não tem nada a ver com ele. Os teclados dessa ficaram por conta de Kelle, assim como o vocal de “Back To The Coast”. Definitivamente, o rapaz é melhor tecladista do que cantor, de todo modo a homenagem é válida por se tratar de um membro da família. Em relação ao vocal, quem se sai melhor realmente é Tim Ripper Owens, responsável por 80% dos vocais aqui. Ainda bem. Desculpe Bob, não tem como não reparar no vocal em um trabalho desses. Tanto Kevin DuBrow quanto Ozzy Osbourne são vocalistas com características bem peculiares, não tem como não comentar.
                                                                                                          
A maior parte dos guitarristas optou por dar uma atualizada nos solos. Ou seja, não recriaram do zero, mas também não tiveram a preocupação de reproduzir nota por nota. Mantiveram as partes marcantes intacta, mas deram uma cara sua. E a maior parte se saiu incrivelmente bem. Também não houve a preocupação de recriar o timbre de guitarra de Randy. Sendo assim, temos vários músicos que reconhecemos assim que entra tocando, sem ter a obrigação de recorrer ao encarte para saber quem tocou ali. Um com essa característica é George Lynch (“I Don´t Know”), que sempre teve um som próprio, assim como Dweezil Zappa (“S.A.T.O.) Doug Aldrich roubou a cena em “Believer”, Brad Gillis (que substituiu Randy, logo após sua morte, na banda de Ozzy) fez bonito em “Suicide Solution”. Bruce Kulick também se destaca em “Back To The Coast”. A grande decepção fica por conta de Gus G que fez um solo rápido e técnico demais para a balada “Goodbye to Romance”. Tudo bem que o solo original tinha algumas passagens rápidas, mas nem tanto. Parece que estava com a síndrome de Malmsteen. Adoro Yngwie Malmsteen, mas um solo nesse estilo em uma balada é algo que realmente não funciona.

Apesar de uma ou outra bola fora, o resultado do tributo é bem legal. Não está no mesmo nível de Bat Head Soup (álbum tributo ao Ozzy que também foi produzido por Bob Kulick), mas certamente agradará aos fãs.

Nota: 7,5 / 10,0
Status: Divertido

Faixas
      01.  Crazy Train (Serj Tankian, Tom Morello, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      02.  Over The Mountain (Tim "Ripper" Owens, Jon Donais, Rudy Sarzo, Frankie Banali)
      03.  Mr. Crowley (Chuck Billy, Alexi Laiho, Kelle Rhoads, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      04.  Believer (Tim "Ripper" Owens, Doug Aldrich, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      05.  Back To The Coast (Kelle Rhoads, Bruce Kulick, Rudy Sarzo, Frankie Banali)
      06.  I Don´t Know (Tim "Ripper" Owens, George Lynch, Rudy Sarzo, Brett Chassen)
      07.  S.A.T.O. (Tim "Ripper" Owens, Bob Kulick, Dweezil Zappa, Rudy Sarzo, Vinny Appice)
      08.  Killer Girls (Tim "Ripper" Owens, Joel Hoekstra, Rudy Sarzo, Brett Chassen)
      09.  Goodbye To Romance (Tim "Ripper" Owens, Gus G, Rudy Sarzo, Brett Chassen)
      10.  Suicide Solution (Tim "Ripper" Owens, Brad Gillis, Rudy Sarzo, Brett Chassen) 
      11.  Flying High Again (Tim "Ripper" Owens, Bernie Torme, Rudy Sarzo, Brett Chassen)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Música Comentada: Red hot Chili Peppers – Under the Bridge

Por Rafael Menegueti

O vocalista do Red Hot Chili Peppers, Anthony Kiedis
No ano de 1991, o Red Hot Chili Peppers lançou “Blood Sugar Sex Magic”, o quinto disco na carreira da banda, mas fundamental para que eles alcançassem o sucesso mundial. O disco ainda saiu em um ano fantástico para o rock, o que aumentou ainda mais a mística em torno do mesmo. “Under the Bridge” foi a canção mais bem sucedida do álbum, e é uma das mais pessoais composições já feitas por Anthony Kiedis.

À época das gravações do disco, Anthony estava passando por um período de sobriedade. O músico estava se sentindo afastado dos seus colegas de banda, que continuavam consumindo drogas juntos enquanto ele buscava se manter limpo. O músico então retratou na canção o seu sentimento de solidão, do período em que vagava sozinho pelas ruas de Los Angeles e imaginava que a cidade fosse sua única companheira.

O nome da música e o refrão remetem ao costume do músico, no período anterior ao de sua abstinência, de ir buscar drogas em uma boca que ficava abaixo de uma ponte. Essa era uma missão perigosa. O lugar era dominado por uma gangue e Kiedis precisava fingir ser namorado da irmã de um dos membros para poder entrar. O músico afirmou que aquele foi o pior momento de sua dependência, pois explicitava o quanto ele se arriscava para suprir o seu vício. O sentimento de culpa era reforçado quando ele lembrava que estava se afastando ainda mais de sua então namorada por conta de sua atitude. O pensamento de que ele estava melhor sozinho naquele momento do que no período sombrio de sua vida, inspiraram os versos do refrão da música.


Sometimes I feel like I don't have a partner
Sometimes I feel like my only friend
Is the city I live in, the city of angels
Lonely as I am, together we cry

I drive on her streets 'cause she's my companion
I walk through her hills 'cause she knows who I am
She sees my good deeds and she kisses me windy
I never worry, now that is a lie

Well, I don't ever wanna feel like I did that day
But take me to the place I love, take me all the way
I don't ever wanna feel like I did that day
But take me to the place I love, take me all the way
Yeah, yeah, yeah, yeah
oh no, no, no, yeah, yeah
love me, I say, yeah yeah

(under the bridge downtown)
is where I drew some blood
(under the bridge downtown)
I could not get enough
(under the bridge downtown)
forgot about my love
(under the bridge downtown)
I gave my life away
Às vezes eu sinto como se não tivesse um companheiro
Às vezes eu sinto como se meu único amigo
Fosse a cidade em que vivo, a cidade dos anjos
Sozinho como eu estou, juntos nós choramos

Eu dirijo em suas ruas pois ela é minha companhia
Eu ando pelas suas colinas pois ela sabe quem eu sou
Ela vê minhas boas ações e ela me beija com o vento
Eu nunca me preocupo, agora que é uma mentira

Bem, eu não quero me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo, me leve por todo o caminho
Eu não quero me sentir como me senti naquele dia
Me leve ao lugar que amo, me leve por todo o caminho
Sim, Sim
oh não, não, não, sim, sim
Me ame, eu disse, sim

(Debaixo da ponte do centro da cidade)
É onde eu derramei um pouco de sangue
(Debaixo da ponte do centro da cidade)
Eu não poderia ter o bastante
(Debaixo da ponte do centro da cidade)
Esqueci do meu amor
(Debaixo da ponte do centro da cidade)
Eu entreguei minha vida

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Paralamas do Sucesso – Teatro Paulo Machado (15/08/2015):





Por Davi Pascale

Os Paralamas do Sucesso se apresentaram no último sábado em São Caetano. Com uma performance enérgica, direta e cheia de hits, os músicos fizeram a alegria dos fãs.

Os garotos estão em uma turnê comemorativa. No ano passado, soltaram um novo álbum ao vivo, em parceria com o canal Multishow (já resenhado nesse blog), celebrando 30 anos de estrada. Foi exatamente esse show que os fãs de São Caetano tiveram a oportunidade de conferir.

A apresentação, marcada para às 21h, iniciou com 20 minutos de atraso. Logo de cara, percebíamos que os músicos utilizavam uma posição de palco um pouco incomum. Os três ficaram alinhados no centro do palco. João Barone à esquerda, Bi Ribeiro no centro e Hebert Vianna à direita. Os músicos de apoio ficaram mais prá trás. No fundo do palco, um grande telão, mostrava o nome da música, capa e ano do disco e algumas imagens do grupo. A idéia é bacana, mas acho que os músicos poderiam ter ficado um pouco mais à frente.

Diante de um teatro lotado, o trio fez um show impecável. Som perfeito. Setlist cobrindo todas as fases da banda e repleto de hits. Herbert Vianna, desde que sofreu o acidente com o ultraleve em 2001, ficou com fortes seqüelas. Sua habilidade enquanto instrumentista, obviamente, diminuiu. Muitos, na época, questionavam se seria ainda capaz de liderar o grupo. Se nos anos iniciais demonstrava dificuldade nas apresentações, o que é absolutamente compreensível, no show de ontem provou que isso ficou no passado. Obviamente, o músico não improvisa mais como antes, mas toca com bastante segurança os solos e riffs que compôs décadas atrás. Ao lado de sua cadeira de roda, fica um teclado onde controla os efeitos da guitarra, já que o músico perdeu o movimento das pernas.

Músicos apresentaram hit atrás de hit

Os arranjos estão mais fiéis ao disco. E o show está mais direto. Se no passado, o músico gostava de trocar algumas palavras entre as músicas, agora fala somente o essencial: “olá, boa noite”, “muito bom estar nessa cidade linda”, “tchau, até a próxima”, não muito mais do que isso. Dá para contar nos dedos quantas vezes, ele se dirigiu ao publico e sempre bem econômico.

O show começou com a instrumental “Vulcão Dub” emendando no hit “Alagados”. Já ficou claro que os músicos não estavam para brincadeira. Super bem entrosados, contagiaram o público logo de cara. A apresentação seguiu com “Cuide Bem do Seu Amor”, “Seguindo Estrelas” e “O Calibre”. O show seguiu assim, misturando hits de diferentes épocas, com pouca fala e muito som. Músicas como “Meu Erro”, “Óculos”, “Lanterna dos Afogados” e “Lourinha Bombril” animaram a platéia.

O bis contou com 5 músicas, onde vale destacar a balada “Caleidoscópio”, a animada “Vital e Sua Moto” e o cover da Legião “Que País É Esse?”, responsável por fechar a noite. Antes que questionem... Não, não houve coro de “Fora, Dilma”, pelo menos não chegou aos meus ouvidos. Não dá para saber se a atitude dos músicos seria mais para Lobão ou mais para Titãs. Faltando poucos minutos para às 23h, o grupo deixou o palco com a sensação de dever cumprido. Quem compareceu, certamente se divertiu e não tem muito do que reclamar da apresentação. Provavelmente, o melhor show que assisti aqui no ABC desde que me mudei para cá!

domingo, 16 de agosto de 2015

Bullet for My Valentine - Venom (2015)

Por Rafael Menegueti

Bullet for My Valentine - Venom
Os galeses do Bullet for My Valentine sabiam que não seria uma tarefa fácil colocar no mercado o sucessor do mediano “Temper Temper”. A banda de metalcore sempre prezou por fazer um som pesado e ácido, mas a temática de angustia adolescente e os refrães e melodias com apelo comercial afastavam um pouco a banda do público mais maduro e exigente do metal.

Talvez por isso a melhor escolha tenha sido de fato buscar um meio termo entre o que tornou a banda popular em primeiro lugar, resgatando um pouco da sonoridade dos primeiros álbuns, e um uso maior de agressividade e força para mostrar que a banda amadureceu e consegue sim fazer um disco de metal empolgante. O resultado dessa busca está em “Venom”, que foi lançado nessa semana.

A banda conseguiu de certo modo cumprir com esse objetivo. “Venom” é de fato um álbum com muito peso, quase repetindo o clima de “The Poison”, primeiro disco da banda. Mas as melodias e arranjos me remetem principalmente ao terceiro disco da banda, o também bom “Fever”. A primeira pancada do disco, “No Way Out” é uma faixa que poderia facilmente estar naquele disco. A influência forte de thrash metal continua sendo uma aposta da banda, mas eles adquirem uma cara própria com seu jeito de criar andamentos velozes e foco em riffs rápidos. Essa é a principal característica de “Army of Noise”. Em “Worthless” e “Venom”, a banda volta a mostrar seu lado mais radiofônico, sendo essas canções com apelo mais “adolescente”.

Quinto álbum da banda galesa funciona como um retorno às origens
O single “You Want a Battle? (Here’s A War)” é outra canção simples e com a cara da banda. Serve como hit, mas não chega a surpreender. “Broken” por sua vez é mais amadurecida e se destaca no álbum. A sonoridade mais jovial e com pitadas pop-rock volta a dar as caras em “Skin” e “Hell or High Water”. A faixa que encerra o disco, “Pariah”, já volta a ser mais agressiva e investe em uma sequencia de riffs bem elaborados. O disco ainda tem faixas bônus variadas em cada uma de suas versões diferentes lançadas pelo mundo.

“Venom”, a meu ver, é um disco onde o BFMV procura um espaço maior dentro da cena metal. Em determinados momentos, com o uso de bons riffs, andamentos rápidos e muito peso, a banda consegue essa aproximação. Mas a temática e clima das canções, reforçadas pelo retorno à sonoridade dos primórdios de sua carreira, ainda impedem que grupo possa se firmar entre os fãs exigentes do gênero. O Bullet for My Valentine lançou mais um bom disco, mas que continuara sendo ouvido apenas pelos adolescentes e fãs menos xiitas do estilo. Pra eles deu certo até agora, então tudo bem.


Nota:7,5/10
Status: Jovial e agressivo 

Faixas:
01. V
02. No Way Out
03. Army of Noise
04. Worthless
05. You Want a Battle? (Here's a War)
06. Broken
07. Venom
08. The Harder the Heart (The Harder It Breaks)
09. Skin
10. Hell or High Water
11. Pariah
12. Playing God (Bonus Deluxe Edition)
13. Run for Your Life (Bonus Deluxe Edition)
14. In Loving Memory (Bonus Deluxe Edition)
15. Raising Hell (Bonus Deluxe Edition)